Vou ser muito clara. Isto é muito simples. Aqui está a chover. Aqui o Outono começou ainda em Agosto (sim, eu sei que disse que tínhamos tido aí uns dias de sol, mas já acabaram). Por isso, nesta minha ida a Portugal estou a contar com sol, calor e bom tempo. Não me interessa nada o que tenho visto pelo facebook e blogues, as pessoas a queixarem-se da chuva e da chegada do Outono. Eu preciso de sol (já disse que estou constipada?), por isso arranjem-se aí com o São Pedro e expliquem-lhe muito calmamente que a partir de terça à noite Sô Dona Tété está por terras portuguesas e quer bom tempo. Na mala levo t-shirts e sabrinas. Se apanhar uma pneumonia a culpa é vossa. E tenho dito. =P
30.9.13
Não percebo
O que leva as pessoas nos dias de hoje a concorrerem a um Big Brother, Casa dos Segredos e afins? Eu até percebo que quando os programas eram novidade, alguns quisessem participar, achando a experiência engraçada e ainda sem saberem as consequências de tal decisão. Mas agora que já sabemos que enquanto estão fechados lá dentro, as revistas se entretêm a pesquisar toda a sua vida, a irem buscar as mil e uma histórias que lhes aconteceram na infância e adolescência, e por vezes a inventar forte e feio, há mesmo alguém que aceite sujeitar-se a isto? A saber que pais, avós, tios e pessoas que gostam deles vão andar a ler mentiras atrás de mentiras em capas de revistas? Eu já dei por mim a pensar que com a vida calma que tive não haveria assunto para capa. Até que me lembrei que por acaso até seria fácil arranjarem coisas para eu ser uma vítima de depressão ou da má sorte, bastando dar demasiada importância (mais até do que aquela que eu dei) a certos acontecimentos da minha vida (por exemplo, partir os dentes definitivos quando era miúda e como tal nunca ter tido o gosto de trincar maçãs porque senão partia a massa com que me fizeram novos dentes. Penso que alguma revista arranjaria forma deste acontecimento ter marcado toda a minha vida e me ter levado a uma depressão, algo que obviamente não aconteceu). Imagino os meus pais a lerem estas coisas, sabendo que a filha não se pode defender e dizer que sempre foi muito feliz. Mas alguma vez me/os sujeitaria a isto? E depois...o que é que estes programas trazem quando finalmente sais em liberdade? Meia dúzia de entrevistas? Presenças em discotecas (uau, que fascinante!). Algum dinheiro fácil que rapidamente deixa de se ganhar? Este ano, ao ver que ia ser feito uma Casa dos Segredos 4 e de ter ouvido falar do número astronómico de candidatos, pensei que a crise poderia estar a levar muitas pessoas a candidatarem-se, pois com dívidas por cima da cabeça, há quem prefira sujeitar-se a estas coisas e conseguir pôr comida no prato dos seus. Mas vendo rapidamente os candidatos, não vejo ninguém que pareça à partida precisar de estar ali para sobreviver. Vejo simplesmente um conjunto de pessoas em busca de 15 minutos de fama (por terem estado fechadas numa casa...Não por terem feito algo inteligente, não por terem descoberto algo importante, não por terem tido acções de valor. Estiveram simplesmente fechadas numa casa....), dispostas a fazer mil e uma idiotices só para aparecerem. Mas alguém lhes explica que as suas vidas vão ser trucidadas pelas revistas e que depois quando saírem da casa, puf, acabou-se? =S
Atchim
Estou tão (atchim), tão (atchim) mas tão (atchim) constipada que nem vos digo. Hoje (atchim) pode haver um terramoto, o prédio (atchim) pode pegar fogo ou o que quer (atchim) que seja, eu não largo o meu pijama, o roupão (atchim) e as pantufas. Agora vou ver se faço a mala (atchim), porque amanhã tenho um avião (atchim) para apanhar e faço anos (atchim) daqui a dois dias. Isto se o cérebro não me sair todo pelo nariz.....
29.9.13
Como esturricar neurónios num curto espaço de tempo....
Estar a rever o trabalho que fiz há seis anos atrás em França, escrito em inglês, e estar a tentar explicá-lo em francês. Se eu soubesse que anos mais tarde teria vindo viver para França, tinha logo escrito o trabalho em francês e poupava-me agora a esta guerra linguística na minha cabeça.
Nós
E que bem me soube o Jack hoje não trabalhar. Nem estou habituada a tê-lo comigo dois dias seguidos. :)
E daqui a três dias, vamos juntos viajar de avião. A última vez que viajei de avião com ele vai fazer terça-feira exactamente um ano. Na altura tinha vindo passar uns dias a França e ele regressara comigo a Portugal para festejar os meus anos. E agora, um ano depois, regressamos a Portugal para festejar a mesma data. :)
27.9.13
'Bora lá, estou a contar convosco
Sendo a minha primeira entrevista, digam-me lá vocês o que é que me podem perguntar? Há perguntas que eu já espero, a nível do meu percurso profissional (o que fiz, que técnicas sei fazer, em que projectos participei, etc), mas e o resto? A minha área é investigação científica, mas venham de lá as vossas dicas na mesma, porque sei lá se não há perguntas comuns a todas as áreas. Tipo "Qualidades e defeitos?" ou "Onde se vê daqui a 10 anos?". Vá, é só ir ali à caixa de comentários ou então mandar e-mail para "andolaporfora@gmail.com".
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh......
Ontem foi uma noite de pesadelos. Hoje ignorando o berbequim utilizado pelo vizinho, acordei com um-email a propor-me uma entrevista de emprego. A minha primeira entrevista de emprego! E por ser a primeira (é que é mesmo a primeira, nem em Portugal foi necessário ir a uma entrevista para começar a trabalhar) já sei que vou meter os pés pelas mãos , vou gaguejar, vou esquecer-me de como é que se fala francês, vou esquecer-me do que é que andei a fazer nos últimos anos, vou parecer um tolinha, e por isso, muito provavelmente, não irei além da primeira entrevista. Resta-me a pequena esperança de que quem me contactou não é a pessoa a quem enviei directamente o meu currículo, ou seja, foi alguém que o viu e me achou interessante o suficiente para querer falar comigo. De qualquer forma, é bom ter uma entrevista pois dá para treinar e ganhar calo para uma próxima. Entretanto, entretanto, deixem-me ir ali panicar um bocado. É que mesmo achando que não vai correr bem, tenho direito a stressar.
P.s. Arrrrrghhhhhh, não tenho transportes até lá! Aaaaarrrrgggh, vou ter de ir de carro! Aaaarrrgh, que quanto mais perto de Paris pior é o trânsito. Aaaaaaaaaaaaaaaaaarrrgh!
P.s. Arrrrrghhhhhh, não tenho transportes até lá! Aaaaarrrrgggh, vou ter de ir de carro! Aaaarrrgh, que quanto mais perto de Paris pior é o trânsito. Aaaaaaaaaaaaaaaaaarrrgh!
26.9.13
Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr..........
Estou com um mau humor tão grande, mas tão grande, mas tão grande, que tenho a sensação que se alguém começar a falar comigo, eu rosno. Esta noite tive pesadelos atrás de pesadelos.
Num deles, um grande mafioso era morto e suspeitando que o assassino era alguém que vivia em casa dele, decido numa noite entrar nela sorrateiramente (só mesmo em sonhos faço estas coisas. Na vida real, nem me aproximaria da casa....). Lá fui espreitando quarto atrás de quarto, tudo muito escuro, vendo pessoas a dormir. Até que uma das escravas que a casa tinha me encontra, e lá andámos um bocado à luta até eu a convencer a calar-se e a não me denunciar. Nisto aparece outra, com uns dentes de vampiro, que morde a primeira e me tenta atacar também. E eu não decido fazer mais nada se não tentar arrancar-lhe os olhos (os olhos! Eu que são tão pacífica!). Ela lá me mordo mas depois decide ajudar-me, uma vez que entretanto já acordámos a casa toda e andam à minha procura. A bela da ajuda da escrava-vampiro é enfiar-me no mesmo saco para cadáveres onde está o mafioso morto. E eu ali fico, com um morto, enfiada num saco fechado e escuro. Acordei com uma sensação tal de claustrofobia que até respirava mal.
Voltei a adormecer e sonhei que tinha toda a minha família trancada numa casa, todos chateados uns com os outros, todos cheios de problemas, mil e uma desgraças a acontecer ao mesmo tempo, e eu a tentar acudir a todos e a conseguir fazê-los ainda sentir pior, mais tristes, mais zangados...Enfim, uma linda cena.
E depois de uma noite destas, ando a arrastar-me pela casa, cheia de sono, a resmungar sozinha e com um mau humor que até a mim mete medo. E tenho de ir às compras. A ver se não mando o carrinho pelos ares ou se não mordo a menina da caixa......
25.9.13
Eu e as surpresas dele
A nossa relação sempre foi pautada por algumas surpresas. Desde chegar de viagem um dia mais cedo do que o que foi combinado a pequenas coisas como deixar-lhe um chocolate na caixa do correio para quando ele chega do trabalho ter assim um pequeno mimo. Não sou uma pessoa extremamente fã de surpresas. Perante o inesperado nunca sei como reagir e tenho para mim que surpresas só devem ser feitas por quem nos conhece muito bem. Escusam de me raptar e levar para um SPA, achando que eu vou adorar pois na verdade não gosto de massagens e iria odiar toda a experiência. Mas lá está, a maior parte das pessoas adora massagens e só quem realmente me conhece sabe o quanto as dispenso.
O Jack sempre teve alguma dificuldade em me fazer surpresas. De uma forma ou de outra acabo sempre por adivinhar o que anda ele a preparar. Se é algo para os meus anos ou para o Natal, começo a pensar, a pensar, e dou por mim a adivinhar a prenda (afinal, quem melhor do eu sabe aquilo que eu mais gostaria e que ele está disposto a oferecer). Cheguei a ponto de, numa véspera da chegada dele a Portugal, dar por mim a fazer jantar para duas pessoas, como se ele chegasse naquela noite e não no dia seguinte como combinado. E acertei: a meio da preparação, entrou-me ele em casa, ficando depois em choque quando viu tudo pronto a contar com ele. Não tinha dito ou feito nada que me levasse a pensar que ele chegaria mais cedo, mas não sei, era uma intuição. Claro que já conseguiu surpreender-me e com o passar do tempo está cada vez melhor a fazê-lo uma vez que se recusa terminantemente a dizer o que quer que seja. Mal invoco a palavra "surpresa" na tentativa de adivinhar o que é, ele passa a ignorar-me. E verdade seja dita, que sem o tom de voz ou expressão a traí-lo o meu trabalho é bem mais complicado.
E agora, aqui estou eu, sozinha em casa, a uma semana dos meus anos, sabendo exactamente em que gaveta está a minha prenda (não foi adivinhação, ele próprio me disse onde está impedindo-me de me aproximar da mesma). E se vocês soubessem a vontade que às vezes me dá ir lá abrir um bocadinho da gaveta e espreitar, ui, até mordo o lábio. Ainda por isso ontem passou horas fechado a trabalhar na prenda, o que espicaça ainda mais a minha curiosidade. Mas o homem que fique descansado: sei tão bem a dificuldade que tem em me fazer surpresas que este ano vou colaborar ao máximo. Não vou à gaveta e nem tenho deixado o meu cérebro começar a pensar no que poderá ser a surpresa (não vá adivinhar e estragar tudo). Ufa, que isto de ir fazer 29 anos dá-nos outra responsabilidade. E já disse que só falta uma semana para fazer anos??????? =D
Obrigaaaaada, Saint Pierre!
Têm estado uns dias tão, mas tão bonitos que até fazem uma pessoa levantar-se com outro humor. Estiveram aí umas semanas em que só chovia e quando não chovia as nuvens eram tão cinzentas que não passava nem um raio de sol. E já só pensava neste Verão que foi tão curto, na ausência da minha Primavera e na chegada deste Outono tão cedo. Conheço quem já tivesse arrumado os sapatos frescos e andasse já de botas. Pelo meu lado, as sandálias já tinham sido guardadas mas estava a recusar-me ir buscar as botas, ficando-me ainda pelas sapatilhas. Afinal, o Saint Pierre começou a tomar os comprimidos certos para a cabeça e vai de mandar embora a chuva e trazer o sol. E ontem soube-me bem voltar a sair só de t-shirt (sim, já andava com casaco, lenços à volta do pescoço e guarda-chuva na carteira) e de sabrinas nos pés! Sentir o sol, sentir a brisa fresca (que já se sabe que não sou mulher apreciadora daqueles dias quentes e abafados) e não me sentir já cheia de camadas de roupa. Claro que o Saint Pierre agora vai ler isto e vai mandar chuva brevemente, por isso deixem-me ir ali apanhar mais uns raios de sol antes que desapareçam. :)
24.9.13
Fotos?
Tenho andado para aqui a matutar numa ideia. E se eu fizesse uma espécie de desafio próprio de fotografia? Se começasse a pôr aqui de vez em quando algumas fotos tiradas por mim? A coisas que vou vendo, que tenho, paisagens, etc? Talvez o faça. Pode ser que saia algo de giro. :)
Estou tramada, ai estou, estou....:)
O facto de o Jack se levantar às 5h da manhã e eu ter portanto ainda muito tempo de sono pela frente fez-me ganhar o hábito de, mal ele abandona a cama, eu rebolar para o centro desta de forma a tornar toda a cama minha e não só um dos lados. Em casa dos meus pais sempre tive uma cama de solteira pelo que gosto imenso desta sensação de ter uma cama grande só para mim durante umas horas. O problema é que tal acontecia também se eu me deitasse uns minutos (às vezes só uns segundos) antes dele e quando ele se deitava estava eu a ocupar o seu lado e por vezes a sua almofada. Após a reprimenda que qualquer dia ele deitar-se-ia sem prestar atenção e magoar-me-ia, dando-me uma cabeçada ou uma cotovelada, passei a ter mais cuidado.
Ontem, eram 3h30 da manhã e eu sem sono. Contei carneiros, pensei em viagens, pensei em trabalho, dei voltas na cama, tapei-me, destapei-me, qual quê, não tinha sono nenhum. Peguei no telemóvel e entretive-me a ler blogs a ver se o sono aparecia. Quando senti finalmente que estava mais cansada, apoiei o cotovelo no colchão e levantei a cabeça e o tronco para poder pousar o telemóvel numa prateleira mais alta que tenho ao pé da cama. Telemóvel pousado e deixei simplesmente cair o peso do corpo e da cabeça na cama e na almofada. Ora, o Sr. Jack tinha aproveitado aqueles segundos para pousar a cabeça na minha almofada. A cabeçada que demos foi tão forte que vi estrelas durante um bocado. Dei berro e agarrei-me à cabeça. Ele ao meu lado só dizia "Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa". Segundos depois, já ele dormia e o meu sono que entretanto tinha vindo desapareceu. Pior, tive um ataque de riso à conta da estupidez da situação e da inversão de papéis neste incidente oposta à esperada.
Hoje de manhã, quando o despertador tocou (minutos depois de eu finalmente ter adormecido), ele levantou-se e ainda balbuciou mais uns quantos "desculpa". Perguntei-lhe se lhe doía a cabeça e onde exactamente o tinha acertado com a cabeçada. Pergunta o homem:
- "Qual cabeçada?".
Que ele dormia que nem uma pedra eu já sabia, que é raro lembrar-se do que quer que seja no dia seguinte eu também já sabia (o episódio do dia de anos cá está para o provar), mas nem disto se lembra? Ou dorme mesmo profundamente ou a cabeçada provocou-lhe um traumatismo qualquer. Mandei-o trabalhar e disse-lhe que logo lhe contarei. Ele esquece-se e eu ainda aqui tenho um galo para me lembrar do que aconteceu.
Nota extra: finalmente, mais de 15 horas depois, descobrimos o que se passou. Afinal não foi cabeçada nenhuma. Bati com a cabeça no cotovelo rijo do homem. Que ainda assim estava na minha almofada, pelo que leva raspanete na mesma.
Nota extra: finalmente, mais de 15 horas depois, descobrimos o que se passou. Afinal não foi cabeçada nenhuma. Bati com a cabeça no cotovelo rijo do homem. Que ainda assim estava na minha almofada, pelo que leva raspanete na mesma.
23.9.13
"Temos de falar" versão masculina
Que as mulheres gostam muito mais que os homens de falar e analisar as suas próprias relações e as dos outros já nós sabemos. Eu própria não deixo a minha relação ao acaso e não me fio no "deixa andar que isto resolve-se", e por isso à mínima situação desconfortável ou ao mínima suspeita de problemas futuros, falo e volto a falar até achar que tudo está resolvido. Felizmente não há problemas todos os dias (nesse caso nem o homem aceitaria tanto falatório da minha parte), mas odiaria chegar a um ponto em que as coisas já não tivessem volta e pensar "Bolas, se tivesse logo dito alguma coisa quando comecei a achar que poderia haver problemas....". Assim sendo cabe-me maioritariamente a mim começar com "Temos de falar sobre isto". Acho que se no início ele começava a achar que vinha daí algum problema, nos dias de hoje acredito (ou quero acreditar) que já sabe que quero apenas clarificar alguma questão, colocar alguns pontos nos "i"s, perceber se estamos na mesma onda, sem discussões. Mas hoje mal entrou em casa, sentou-se e disse "Temos de falar". Estranho, mas tudo bem. De seguida começa com "Tu sabes que eu gosto muito de ti, sabes que gosto de passar tempo contigo, sabes que quando não estou a trabalhar gosto de estar contigo mas...", e aqui eu, a grande defensora de conversas calmas e francas, tive vontade de tapar os ouvidos. Eu sabia lá o que ele dizer. As hipóteses eram mais que muitas. Podia ir desde o "mas decidi que quero praticar futebol duas vezes por semana por isso chegarei a casa mais tarde nesses dias" ao "mas encontrei a mulher que realmente me preenche e por isso xau xau e até nunca". Acho que até soltei um risinho nervoso. É que nestes últimos anos poucas foram as vezes em que ele achou que se deveria debater alguma coisa, e geralmente quando o faz são questões de propriedade e económicas (vender carros, comprar casa, usar dinheiro para isto ou para aquilo), pelo que nunca tinha tido direito a uma nota introdutória deste género. Afinal, o discurso continuou com um "..mas ando há um mês a tentar preparar-te uma prenda para o teu aniversário e como ou estou a trabalhar ou estou contigo, ainda não consegui fazer nada. Por isso a partir de agora quando chego a casa, vou fechar-me no escritório e tu tens de jurar que não entras lá. Vou ter menos tempo para ti, mas só tenho uma semana e nem sei se consigo fazer o que queria.". Era preciso um tom tão sério para me dizer uma coisa destas? Eu já a imaginar que algo de grave tinha acontecido ou ia acontecer. Que raio de homem: tranca-te lá e eu juro que não entro no quarto! E mesmo que a surpresa não fique pronta a tempo, a intenção já conta e muito.:)
Coisas que vale a pena partilhar
Já tinha aqui falado no blog do negócio de uma grande amiga (Trilhos de ideias). Hoje venho falar de um outro projecto e volto a puxar um pouco a brasa à minha sardinha, pois conheço pessoalmente o detentor da ideia.
A Química das Coisas é constituída por curtos vídeos em que é explicada a forma como a química está presente no nosso dia-a-dia. A química por trás do ecrãs de computador, dos impermeáveis e até do verniz das unhas. Os vídeos e os textos têm uma linguagem acessível de forma a que todos compreendam e não sejam apenas entendidos por alguém da área. Estão até a ser utilizados em aulas de algumas escolas para que mostrar aos mais pequenos como funcionam algumas coisas que usam. Pessoalmente, gosto mais de alguns vídeos do que de outros, e entre os meus favoritos estão A Química dos Cereais do Pequeno-Almoço, A Química do Sono e A Química das Lentes de Contacto.
Aconselho-vos a ir ao site e verem os vídeos, mas deixo-vos aqui um dos programas que está também no Youtube: A Química do Chocolate! =)
22.9.13
O Emigrante - O último texto
E pronto, assim se chega à última destas crónicas sobre os emigrantes. Deixo assim apenas umas últimas considerações que não me parecem necessitar de um post específico para cada uma delas.
Um dos pontos a referir é da alegria que é, para um emigrante, regressar a Portugal ou ter consigo no estrangeiro um pouco do seu país. É costume verem-se os carros com bandeiras de Portugal, cachecóis de Portugal ou até símbolos portugueses colados nos vidros (e tantos que eu vejo por aqui :)). Nunca tive tais adereços no carro mas durante o meu ano de Erasmus cheguei a usar no meu casaco um pin da bandeira de Portugal. Não sei se foi o orgulho de ser portuguesa, se foi querer usar algo com um símbolo português ou se havia qualquer outra razão, mas gostava de usar aquele pin. Sendo uma pessoa discreta, nunca usei t-shirts ou camisolas, mas estas também são muito usadas pelos emigrantes. Acho que no fundo é a nossa maneira de mostrar que nos continuamos a sentir portugueses e que continuamos a gostar do nosso país. Aliás, dúvidas houvesse quanto a isso, bastaria olhar para a quantidade de emigrantes de regresso a Portugal nas férias para perceber de imediato que o gosto pela pátria nunca morre.
Cheguei a ler uma crítica sobre como os portugueses são gente pequenina, que chegando ao estrangeiro, procura não chamar a atenção e trabalhar que nem uns mouros, confundindo-se com o resto da população. Quem escreveu isto esqueceu-se muito provavelmente de acrescentar que é devido a este esforço que os portugueses são bem aceites (ideias pré-concebidas à parte) nos países para onde vão. Porque chegam e trabalham, sem arranjar confusões ou sem tentar tornar português um país que não é o deles, ao contrário do que acontece com pessoas de outras nacionalidades. Talvez em França, os portugueses (ainda) sejam vistos como um povo com fraca cultura (o que é compreensível uma vez que a primeira grande leva de emigrantes era de facto uma geração com poucos estudos) mas penso que nos vêem como um povo de coragem, trabalhador e pacífico (ou como me chegou a dizer um francês "Os portugueses são mais calmos que os franceses, não fazem tantas manifestações, greves e assim. Bem, a não ser quando se chateiam a sério e depois fazem revoluções como no 25 de Abril). É verdade que agora somos mais cultos, temos mais estudos, mas após ver alguns casos de alguns jovens da minha idade (homens feitos, portanto, quase com 30 anos) que chegados aqui não aguentam o trabalho e o esforço e voltam a correr para Portugal sem hesitar, penso se não iremos passar a ser conhecidos como um povo com mais cultura mas sem coragem. Claro que nem todos somos assim, mas há que realmente dar valor à antiga geração de emigrantes.
Aliás, nestas férias ouvi a seguinte frase "Portugal é conhecido por ter um povo corajoso, principalmente pelas descobertas que fez no tempo dos Descobrimentos. É preciso não esquecer que esses que foram, esses corajosos que partiram, que se fizeram ao mar e a novas aventuras, não voltaram. E o país que temos hoje é constituído por aqueles que não tiveram coragem e que nunca chegaram a sair de Portugal". Claro que isto não pode ser levado à letra, mas é um exemplo de que é muito fácil falar dos emigrantes sem saber o que eles passaram e sem saber a coragem que é necessária para abandonar o nosso país. Ficar em Portugal e falar é muito fácil e para isso qualquer um tem coragem.
Por fim, tenho de tirar o chapéu a muitos emigrantes, que mesmo ouvindo o que muita gente diz sobre eles (e não digo piadas com humor, digo mesmo autênticas idiotices), todos os anos regressa a Portugal. Mesmo ouvindo que o carro não lhes pertence e que foi alugado. Mesmo ouvindo as pessoas gozarem ou fazerem má cara quando se enganam e falam em francês ou inventam palavras. Mesmo quando os acusam de causar acidentes nas estradas e não saberem conduzir. Mesmo quando se riem das suas camisolas da selecção ou do estilo de roupa diferente. Mesmo quando lhes dizem que emigrar é cobardia. Mesmo quando lhes dizem que trabalham quem nem tolos e continuam na mesma. Mesmo quando, e já ouvi várias queixas nesse sentido, chegam a Portugal e os portugueses os fazem sentir estrangeiros no seu próprio país (e isto é triste. Estupidamente triste. Eu própria neste Verão perguntando a um homem da minha idade qual a sua profissão, tive como resposta isto: "Huuum, como é que eu te vou explicar....É que pelo que percebi tu nem vives cá não é?". O facto de ser emigrante significou para ele passar-me um atestado de idiota). É que acreditem: estar assim, mais no centro da Europa do que na cauda, é óptimo para viajar e conhecer outros países que estão aqui muito mais perto. Eu mesma quero aproveitar enquanto aqui estou e fazer por aí umas visitas. Mas por enquanto, e à boa moda dos emigrantes, cada vez que penso em viajar, compro bilhetes para...Portugal. É verdade que podem dizer o que quiserem dos emigrantes, mas se nem isso os faz perder o gosto pelo seu país, então são mesmo umas pessoas de coragem. Além do mais regressam a Portugal para gastar o dinheiro ganho no estrangeiro. Constroem casas em Portugal pelas quais pagam o IMI. Maior ajuda financeira não podiam dar. Se calhar quando deixarem de aparecer em Portugal, quando deixarem as estradas livres no Verão, quando não construírem casas, quando não confundirem ninguém com o seu francês e expressões diferentes, talvez até passem a ser vistos com outros olhos. Mas até lá, serão sempre os nossos emigrantes, tão parecidos e tão diferentes dos restantes portugueses. E ainda bem. :)
21.9.13
20.9.13
O emigrante - Os carros e as casas
Associamos geralmente a vinda dos emigrantes ao aumento do número de carrões (ou seja, bons carros, carros de marca, carros caros) nas estradas. A eles são também associadas as grandes casas construídas em Portugal. Este Verão, vi algures na blogosfera alguém que dizia que estes grandes carros eram alugados só para serem trazidos a Portugal e mostrados aos portugueses que não emigram. Também vi quem comentasse o desperdício de ter um bom carro (julgo que se referia a um ferrari) numa garagem em Portugal (dizendo até que era dinheiro mal gasto). Ou quem dissesse que assim se nota que os emigrantes são pessoas tão pobres (de espírito) que a única coisa que têm é dinheiro. E por aqui podia continuar mais um bocado porque está visto que a quantidade de emigrantes a visitar Portugal no Verão é directamente proporcional aos disparates escritos blogosfera fora.
Confesso que neste ponto tive de pedir ajuda ao Jack para que confirmasse aquilo que eu já suspeitava. Volto a repetir-me: faço parte de uma nova geração de emigrantes pelo que as atitudes e hábitos meus podem não ser os mesmos que os da geração mais antiga. Contudo, por vezes aquilo que nos move é o mesmo. Numa das minhas visitas a Portugal dei por mim a esforçar-me por convencer algumas pessoas que estava bem em França. Aliás, que estava bem melhor em França do que em Portugal. Que embora desempregada, acreditava piamente que hei-de encontrar emprego mais depressa do que se estivesse em Portugal, pelo que vale mesmo a pena estar aqui. Que ao menos aqui, com apenas um salário, temos uma boa casa e uma boa vida a dois, algo impensável em Portugal. Tudo isto para contrariar olhares e bocas não ditas que se traduziam por um "Para estares desempregada, mais valia não teres emigrado", entre outras coisas.
Os carros e as casas existem pelo mesmo motivo: para mostrar o porquê de se ter emigrado (não só, claro, mas é uma razão). Diz-me o Jack que não são poucos os emigrantes que, regressando a Portugal de férias tal como tinham ido, ouviam um "Para ficar na mesma, porque é que emigraste?". Nasce assim a necessidade de se mostrar que lá fora se arranja dinheiro, que lá fora conseguem comprar coisas que em Portugal não conseguiriam, que lá fora a vida lhes está a correr bem, para não serem alvo de gozo por parte daqueles que ficaram. Porque sejamos sinceros, ganha-se mais dinheiro fora de Portugal do que em Portugal, mesmo com trabalhos de poucos estudos como porteira, pedreiro ou pintor. O salário mínimo em França são cerca de 1400€. Praticamente três vezes mais daquele que se ganha em Portugal a fazer o mesmo trabalho. O problema é que se o emigrante não o gastar, se decidir poupar e manter o carro velho que tinha, quem olha para ele acha que foi estúpido emigrar para se continuar na mesma.
Claro que a necessidade de se mostrar que vale a pena ter emigrado não é a única razão. Outra razão para se comprarem grandes carros e se construírem grandes casas é: porque se pode. Porque embora o ritmo de trabalho no estrangeiro seja uma doideira, porque embora o trabalho seja pesado, porque embora até se pudesse fazer esse tipo de trabalho em Portugal, a verdade é que no estrangeiro o trabalho é bem pago. E quem é que tendo dinheiro não o usa? Compram-se assim bons carros (algo que a maioria dos homens aprecia) e constroem-se boas casas para passar as férias, para um dia viverem na reforma, para ficarem para os filhos. Já eu, mal arranje um emprego, pretendo utilizar esse dinheiro para viajar, porque os tempos são outros e os sonhos também. Mas se os sonhos de antigamente eram um boa casa em Portugal, fico feliz por muitos emigrantes o terem conseguido. Só quem acha que em França se ganha o mesmo que em Portugal é que se lembraria que os carros são alugados. Só quem não entende o que é viver no estrangeiro e o quanto sabe bem um bom mimo pago com o nosso esforço é que não entende o porquê do ferrari na garagem ou uma boa casa portuguesa não habitada a maior parte do ano. Mesmo eu, com os meus sonhos e objectivos mais modernos, tenho a ideia de poupar e ter a minha casa em Portugal. Este é mais um daqueles pontos que eu não acho assim tão difícil de compreender. Mas talvez seja. Afinal de contas li há pouco tempo que emigrar era um sinal de cobardia. E quem assim pensa não pode compreender tudo o resto. :)
19.9.13
Estão a morrer-me neurónios, só pode. =S
Há dias em que uma pessoa devia ficar na cama, juro. Ontem, depois de uma noite cheia de pesadelos (mas é que eram uns atrás dos outros, irra), dei por mim a:
- Ir buscar ao armário da cozinha uma taça para os cereais e depois ir à casa-de-banho procurar os cereais e o leite (que como é óbvio estão na...cozinha).
- Ao almoço, colocar a sopa fria numa taça, colocar a taça no lavatório da cozinha e esperar calmamente que ela aqueça, como se a tivesse colocado no microondas.
- Montar a tábua de passar a ferro, ir buscar o aspirador e ligá-lo, ficando a olhar para ele e para a roupa sem perceber muito bem o que fazer a seguir (fiz o mais lógico: desliguei o aspirador e fui buscar o ferro de passar a roupa).
Hoje, depois de uma noite em que não preguei olho entre as 5h e as 8h da manhã, achei que o dia ia ainda assim correr melhor. Para já:
- Já tentei cortar uma maçã com um garfo (não dá, escusam de tentar).
- Peguei num frasco de creme hidratante para levar para o quarto e não faço ideia do que lhe fiz. Cheira-me que daqui a uns dias o vou descobrir num congelador ou dentro da gaveta das meias.
- Entalei um dedo com tanta força na porta de casa que tenho uma unha marcada com a tinta verde da porta. Faz lembrar aqueles episódios do CSI em que descobrem qual a cor do carro que bateu em tal sítio pela transferência de cor do carro para o sítio amolgado. Aqui não há dúvidas que a porta culpada era verde!
- Ir buscar ao armário da cozinha uma taça para os cereais e depois ir à casa-de-banho procurar os cereais e o leite (que como é óbvio estão na...cozinha).
- Ao almoço, colocar a sopa fria numa taça, colocar a taça no lavatório da cozinha e esperar calmamente que ela aqueça, como se a tivesse colocado no microondas.
- Montar a tábua de passar a ferro, ir buscar o aspirador e ligá-lo, ficando a olhar para ele e para a roupa sem perceber muito bem o que fazer a seguir (fiz o mais lógico: desliguei o aspirador e fui buscar o ferro de passar a roupa).
Hoje, depois de uma noite em que não preguei olho entre as 5h e as 8h da manhã, achei que o dia ia ainda assim correr melhor. Para já:
- Já tentei cortar uma maçã com um garfo (não dá, escusam de tentar).
- Peguei num frasco de creme hidratante para levar para o quarto e não faço ideia do que lhe fiz. Cheira-me que daqui a uns dias o vou descobrir num congelador ou dentro da gaveta das meias.
- Entalei um dedo com tanta força na porta de casa que tenho uma unha marcada com a tinta verde da porta. Faz lembrar aqueles episódios do CSI em que descobrem qual a cor do carro que bateu em tal sítio pela transferência de cor do carro para o sítio amolgado. Aqui não há dúvidas que a porta culpada era verde!
Feitiozinho difícil, hein?
Há certas coisas que me custa suportar devido à minha personalidade. Um exemplo simples é o facto de gostar de programar tudo a tempo e horas. Sou péssima a fazer planos de última hora, stresso sempre, enervo-me e acabo sempre por achar que se tivesse aquilo planeado com tempo teria sido tudo mais fácil (mas estou a tentar mudar!). Não digo que estando sossegada em casa e se o Jack se lembrar de me propor um cinema, eu vá recusar porque não foi combinado com um dia de antecedência e por isso nem pensar. Mas por exemplo, não sou o tipo de pessoa que receba convidados em casa para jantar sem estar a contar. Não sou o tipo de pessoa que lá se desenrasca e faz um prato maravilhoso assim do nada, e ainda tem a casa toda arrumada, a louça toda lavada e por acaso até tem uma sobremesa prontinha ali à mão. A cunhada do Jack, habituada a receber pessoas em casa, não tem qualquer problema com convidados inesperados e arranja sempre qualquer coisa de bom. Eu, nem quando tenho uma semana para pensar no que vou fazer, posso prometer algo comestível, quanto mais em cima da hora.
Da mesma forma, odeio (mas odeio mesmo) que me metam em planos sem me consultar, que me organizem o dia a seu belo-prazer, que nem me dêem hipótese de escolha. Não raras foram as vezes em que o Jack entrava pela porta e me dizia "Estás pronta? Temos de sair". Hã? Como? Sair como? Para onde? Mas eu estou de pijama e com o cabelo num desalinho. Jantares combinados, saídas combinadas, cinemas combinados entre ele e mais alguém, e eu era assim avisada à última da hora (quando na minha cabeça o meu plano para essa noite podia simplesmente ser um pijama confortável, uma mantinha, umas torradas e a minha série favorita). Ao fim de umas quantas vezes em que eu lá me arranjava, em que acabávamos por sair atrasados e em que eu resmungava o tempo todo com ele com o meu mau feitio habitual nestas ocasiões, o homem lá meteu na cabeça que mais vale avisar com algum tempo de antecedência. Eu sei que não dá sempre, porque este mal já é de família e muitas vezes ele nem tem hipótese de me dizer o que quer que seja, mas quando é possível, ao menos já avisa.
O problema é que se com o Jack as coisas são fáceis de chegar a um entendimento, geralmente com outras pessoas não é. E se soubessem o quanto eu ranjo os dentes quando oiço coisas como "Ai, amanhã não me dá mesmo jeito nenhum ______________ (preencher o espaço com "levar o papagaio à consulta veterinária marcada há meses", "ir entregar estes documentos importantíssimos", ir buscar a tia do meu amigo ao aeroporto" ou algo semelhante), a Teresa é que podia ir!". E eu ali fico, sem querer ser má, sem querer dizer "É que nem pensar" para não passar a imagem de que não me interesso pelo papagaio com a pena fora de sítio, ou pelos papéis que podem vir a salvar uma vida, ou pela tia do amigo que eu nunca vi na vida. E já sei que, a não ser que eu tenha mesmo uma óptima razão válida aos olhos dos outros (tipo uma consulta médica, um funeral, um casamento, e coisas assim não desmarcáveis), lá terei eu de ir. Mesmo que para aquele dia eu tenha planeado fazer outras coisas menos importantes aos olhos dos outros (é que às vezes são mesmo coisas simples como: dormir até mais tarde porque ando estourada, ir ao supermercado porque mais tarde já sei que apanho filas intermináveis, passar a ferro porque a roupa já está a impedir a entrada na lavandaria). Eu não sou o tipo de pessoa que não gosta de ajudar os outros. Gosto e acreditem que não me importo. Mas se me perguntarem. Se me perguntarem se por acaso poderei levar o papagaio à consulta, eu até posso prescindir dos meus planos e perguntar se não querem que leve o hamster também. Mas quando me impõem algo, num tom ou numa situação em que se eu recusar vou parecer a má da fita, toda a bondade e vontade de ajudar que há em mim desaparece num piscar de olhos. E desde que estou desempregada (quase há um ano e meio) estas situações ocorrem infelizmente demasiadas vezes. Afinal de contas, o que posso eu ter planeado fazer se estou desempregada?
18.9.13
E vocês?
Dizem as revistas que a Carolina Patrocínio está grávida e que combinou com uma das irmãs engravidar ao mesmo tempo, estando por isso ambas com gravidezes de três meses. Eu não percebo muito disto, até porque conhecendo-me, já sei que não serei o tipo de pessoa que vai apregoar aos quatro ventos que anda em treinos para formar um rebento. Mas é normal combinarem-se estas coisas? Quer dizer, a ideia é gira e é capaz de ser engraçado comparar barrigas, ir às compras juntas, ter ideias em conjunto. Mas e se a coisa não desse certo? E se uma irmã conseguisse engravidar logo e a outra não? Não é pôr pressão em cima daquela que não consegue? Não é de começar logo a criar macaquinhos na cabeça de algo não está bem? Começam as perguntas do género "Mas quantas vezes andam a tentar por semana?" e as respostas tipo "Aaaah, pois, mas eu comia sempre meia laranja antes de ir aos treinos. Deve ter sido por isso que resultou comigo"? E mesmo engravidando ao mesmo tempo, e se uma gravidez não chega até ao fim? Não fica uma das irmãs a ver o sobrinho a nascer e a pensar que se tudo tivesse corrido bem o filho também nasceria naquela altura? Acho que gravidezes de mesmo tempo por coincidência é uma coisa engraçada, mas assim combinada....Huuuum, não acho que o fizesse. =S
Faltam duas semanas!!!!
Faltam duas semanas para os meus anos! =D
E então, Tété, já sabes o que vais fazer no teu dia de anos?
Não, mas já sei onde e o que é que vou comer!! =D
Nota-se muito que estou de dieta? (dieta mais ou menos que a última semana foi disparate atrás de disparate e esta semana não está a ir melhor. Mas vamos fingir que continuo em dieta, sim? :)).
17.9.13
É só impressão minha?
Tenho a sensação que as crianças/adolescentes de hoje não sabem como se entreter sozinhos. Num mundo com cada vez mais escolhas, com cada vez mais actividades, é vê-los perdidos, sentados num sofá sem saber o que fazer para pararem de apanhar de seca. Eu própria também tive momentos de seca na idade deles e por vezes ainda tenho com esta linda idade que hoje me acompanha, ficando sem saber o que fazer e em que todas as alternativas me aborrecem. Mas era raro e continua a ser raro. No entanto, vejo miúdos sem saber arranjar algo com que passar o tempo. As consolas, a televisão, o telemóvel e a internet são óptimos chamarizes. Mas e quando acabam o jogo que lhes foi oferecido? Quando na televisão não está a passar nada de jeito? Quando os amigos estão ocupados ou não há conversa de jeito nas sms trocadas? Quando não apetece jogar nada online, conversar online, ou pesquisar sobre o que quer que seja na net? No meu tempo (linda frase para alguém prestes a fazer 29 anos), eu não brincava na rua. Já nem sequer sou desse tempo em que se saía de manhã e os pais chamavam à janela para vir jantar. Nasci e cresci numa cidade, com uma avenida às portas de casa. Mas ia para casa de amigos (a pé, de autocarro ou à boleia dos pais, conforme a idade), lia, desenhava, brincava com bonecas, brincava (e invariavelmente discutia) com o meu irmão, fazia puzzles, jogava jogos de tabuleiro, de faz-de-conta, falava com amigas ao telefone (ainda hoje tenho pena dos meus pais pelas contas de telefone que devem ter tido à minha custa), arrumava o meu quarto (não que fosse divertido, mas tinha de ser feito e ocupava o tempo), via cassetes de filmes, estava na companhia da família, sei lá....Eu não tive consolas, internet só quando tinha dezassete anos, telemóvel também com dezassete e só o podia usar em caso de emergência. Mas não era por isso que ficava a apanhar seca. Agora quando dizemos a um miúdo, que não sabe o que fazer, para ir ler ou desenhar, fica a olhar para nós como se o tivéssemos mandado ir plantar batatas para se divertir. Divertem-se apenas com três ou quatro coisas, e se estas deixam de estar disponíveis, ficam perdidos. Da mesma forma que parecem ser incapazes de estar numa mesa com adultos sem estarem entretidos com um telemóvel ou um ipad. Custa assim tanto conversarem? Estarem a ouvir as conversas? Eu também o fiz e não morri. Lembro-me apenas de uma excepção: as festas em casa da minha madrinha tinham um sofá num quarto onde toda a gente sabia que eu me ia enfiar a ler, não ficando na sala a conviver. Sempre me foi permitido aquele comportamento, talvez por eu não ser sempre assim, ou por aparecer para ver fotos caso houvesse exibição das mesmas, para cantar os parabéns, para participar nalgum jogo. Mas se os adultos tivessem apenas na conversa, eu refugiava-me nos livros. Os miúdos de hoje recusam-se muitas vezes a levantar os olhos do ecran, a participar no que quer que seja. E quando a bateria acaba, começa o drama. Nos dias de hoje há muito mais actividades, muito mais escolhas, mas tenho a sensação que os miúdos não sabem como se entreter.
16.9.13
Divirtam-se...na praxe ou fora dela.
Hoje foi o primeiro dia de praxe da minha segunda prima a entrar na Universidade. Não sei como correu. Acredito que tenha corrido bem porque é uma das miúdas com mais energia que eu conheço, sempre feliz com a vida, sempre com vontade de conhecer pessoas (e vai mesmo ter de o fazer porque até agora viveu sempre em Moçambique pelo que amigos em Portugal (ainda) não tem) e super desenrascada. Falei com ela no fim-de-semana e disse-me que estavam apenas programados três dias de praxe, o que lhe parecia bem porque não andava com vontade de ser praxada um ano inteiro. Disse-lhe para se divertir mas avisei-a de algumas coisas:
- A praxe serve para te enturmares, fazeres amizades e conheceres pessoas. Não serve para te magoares ou humilhares, por isso caso alguma coisa destas aconteça, levanta-te e vai-te embora.
- Se não te sentires bem, se não estiveres a gostar da praxe, nada te obriga a lá ficar.
- Não ligues às mentiras inventadas para convencerem os alunos a serem praxados, tais como: depois não poderás usar o traje, depois não poderás fazer parte de não-sei-o-quê, depois não poderás participar em praxes organizadas pelos teus colegas (e é isto que me convence como as praxes por vezes são mesmo muito mal feitas. Se as praxes fossem mesmo vistas como algo giro e divertido, os caloiros correriam para serem praxados, em vez de o fazerem sob ameaça de serem excluídos).
E nesta altura, ela diz-me que a avisaram que se não for praxada, então vai ser posta de parte e que dificilmente fará amigos. Tretas. Disse-lhe a ela e digo a qualquer caloiro que me esteja a ler agora. Tretas. Daqui a uns tempos já ninguém se lembrará se fizeram ou não parte das praxes, por isso descansem. Amigos farão obrigatoriamente porque não é apenas nas praxes que falam com outros caloiros. Há as aulas, há os trabalhos de grupo. Não estar numa praxe não vos marca com uma tinta vermelha e não serão tratados como leprosos. E atenção, eu não sou nada contra a praxe. Eu própria andei nas praxes (um pouco à custa das ameaças de exclusão, admito, e daí o aviso de alguém que entretanto ganhou juízo e outra visão da coisa). O meu ano não foi especialmente bom em praxes (não por serem humilhantes, mas porque foram uma seeeeeeeca), mas ainda assim diverti-me nalguns jogos, e por isso se voltasse atrás gostaria de participar outra vez. Mas também me baldaria a praxes, como fiz, quando achei que nada tinham a ver comigo e que eu sabia que não me ia divertir (rally tascas para alguém que não bebe álcool não me soa a algo espectacular). Tal como me baldei quando fiz anos porque no meu dia de aniversário não estava incluído aturar macacadas ou apanhar seca. E trajei na mesma. E podia ter praxado, se achasse piada praxar os outros. E fiz amigos na praxe e nas aulas. Sendo realista, acho que estar na praxe pode ter ajudado a conhecer mais rapidamente algumas pessoas que ficaram minhas amigas, mas quero acreditar que o conhecimento teria vindo na mesma ao longo do ano (até porque mais tarde fiquei amigas de pessoas a quem não liguei peva na praxe).
As praxes têm como objectivo divertirem-se, enturmarem-se e conhecerem pessoas. Se não estão a sentir ou a ter nenhuma destas coisas, vão para casa, convidem outros caloiros e vão tomar um café. Será bem mais divertido. :)
O mordomo
Ontem foi dia de ir ver o filme "O mordomo" (ou "Le Majordome" por cá). Não fui ver a versão original, mas assim a mais comum por aqui, ou seja, dobrada em francês. E isto leva-me sempre a nunca gostar de um filme na sua totalidade porque há sempre uma ou outra piada que me escapa, há sempre uma conversa que eu não percebo bem, e tenho obviamente de estar muito concentrada no que é dito, o que não me deixa ter aquela sensação de "Que filme espectacular! Deu mesmo para relaxar".
Quanto ao filme, eu tinha visto o trailer em Portugal e tinha mesmo ficado com vontade de o ver mal estreasse. Uma vez que estreou primeiro em Portugal do que em França, os meus pais foram-no ver primeiro. Gostaram os dois do filme mas a minha mãe comentou que esperava um pouco mais da vida do mordomo e menos da luta pelos direitos dos negros. Disse-lhe que pelo trailer dava para ver que o filme também abordava essa questão pelo que não a deveria ter surpreendido. E como pela boca morre o peixe, acabei eu por também achar o mesmo. Mesmo sabendo que o assunto apareceria no filme, não achei que fosse tanto. Achei que falariam mais do papel do mordomo na Casa Branca. O Jack passou o resto da noite a perguntar-me o que esperava eu que se mostrasse do mordomo, uma vez que o papel dele é servir e pronto, está tudo dito. Pois, não sei, mas indo ver um filme cujo título é "O mordomo" achei que a vida profissional deste tivesse um maior destaque.
O filme está bem feito e eu gostei bastante, mas acho que as minhas expectativas eram outras. :)
14.9.13
Respira fundo, Tété, respira fundo.....
Os franceses e os portugueses são muito diferentes em muitas coisas. E são muito parecidos noutras. O jeito para conduzir ao estilo "eu-conduzo-pior-que-tu-e-vou-provar-to" é regra comum aos dois países. E a burocracia vai pelo mesmo caminho. Uma vez que nunca trabalhei em França não tenho direito a um número de "segurança social" só meu, pelo que fizemos o pedido para que eu seja incluída no número do Jack. Preencheram-se todos os papéis, tirou-se uma fotocópia ao cartão de cidadão e toca de enviar tudo ainda antes de irmos de férias. Hoje recebemos tudo de volta, com o pedido que juntássemos outros dois documentos. Um dos documentos pedidos é...uma fotocópia de um bilhete de identidade ou passaporte.
Agora a sério, eu sei que estamos em França. Eu sei que o cartão de cidadão não é comum por aqui. Mas agora a sério...Quem foi a alminha que recebeu os meus papéis e olhando para a fotocópia do cartão de cidadão não foi capaz de perceber que era a minha identidade? Tem a minha fotografia. Tem o meu nome. Tem a minha assinatura. Tem a minha data de aniversário. Diz "cartão de cidadão" e "citizen card". Diz em letras garrafais "Portugal". Tem a minha altura e diz que sou do sexo feminino. Agora a sério, a alminha que recebeu os meus papéis achou que isto era o quê? Uma fotocópia de um cartão de pontos do McDonalds?
Tenho a sensação que brevemente mais uma marca estará a entrar para a minha lista negra....
Eu não percebo nada de computadores. É computadores e carros. Desde que uma pessoa dê à chave, o carro trabalhe, acenda as luzinhas todas, tenho os quatro pneus e ande, para mim está bom. Com computadores passa-se mais ou menos a mesma coisa. Na altura em que comprei este Sony Vaio tinha apenas uma certeza: não queria um HP. O meu primeiro e anterior computador tinha sido desta marca e tinha-me deixado bastante insatisfeita com várias idas à loja para arranjos, dentro da garantia. Ainda por cima decidiu morrer no dia em que tinha de entregar a minha tese provisória de mestrado e nunca mais lhe perdoarei tanto stress que me causou. Na altura vi-me obrigada a comprar novo computador com urgência e não perdi tempo com pesquisas sobre quais as melhores marcas. Deixei isso durante uns dias para o Jack e para o meu pai, vi este, gostei da cor e toca a comprar. Claro que como tudo o que é electrónico se avaria mal me chega às mãos, este computador não foi excepção e pouco depois estava a ser dado para arranjo. Enfim, um pequeno percalço porque desde aí tem se portado bastante bem. Mas se o computador se porta bem (vá, mais ou menos, às vezes tem uns achaques mas a coisa resolve-se rapidamente), o mesmo não posso dizer do windows. Como disse eu não percebo nada de computadores mas não acho normal que cada vez que há actualizações no windows eu perca um dia inteiro a resolver problemas. É que é certinho e direitinho. Ontem acabei por perder um bocado da tarde a tentar pôr o microfone a funcionar novamente no skype. Cada vez que há actualizações no windows, pimba, fico com o skype sem microfone. E depois, lá está, não percebendo eu nada de computadores, perco um ror de tempo a tentar resolver as coisas. Porque quem diz isto do skype, diz uma série de outras coisas que estão a funcionar lindamente e deixam de estar após actualizações. E a minha vontade é começar a dizer "Vai-te lixar" cada vez que o computador decidir dizer-me que há novas actualizações. Microfoft, meus fofos, se não conseguem fazer actualizações que após instaladas não obriguem as pessoas a perder a tempo, então não façam nada, sim? Fiquem quietinhos a pensar na vida. Porque juro-vos que se neste momento tivesse dinheiro para isso estava a comprar um Mac.
13.9.13
Coincidências literárias....
Eu e a cunhada do Jack gostamos de ler e já por diversas vezes falámos de trocar livros entre nós. O problema é o gosto de uma não é parecido com o gosto da outra. Ela aprecia mais romances históricos, coisas levezinhas. Eu gosto de policiais, suspense, mistério, dramas carregados. Claro que por vezes leio também livros mais leves pois também sinto necessidade de me afastar um pouco dos assassínios brutais, dos suspeitos loucos ou das vidas cheias de azares. Há uns meses, a cunhada do Jack falou-me de um livro que andava a ler e que a estava a cativar muito pois havia ali um mistério interessante. A maneira como me falou dele deixou-me com vontade de o ler, mas estando o livro em francês adiámos o empréstimo até eu me sentir mais à-vontade com a leitura. Entretanto, nestas férias comprei sem querer um livro que já cá tinha, e tendo dois exemplares de uma autora que eu considero ter uma escrita leve, ofereci-lhe um dos livros. Da mesma autora, tinha outro livro que acabei de ler a semana passado. Uma história gírissima em que a protagonista se vê confrontada com a hipótese de o marido ter morto a ex-mulher. Ontem à noite, em conversa sobre livros, digo-lhe que caso ela goste daquele que eu lhe dei, tenho outro da mesma autora com uma história muito boa. E ela volta a falar-me daquele livro que tanto adorou. E eu começo a falar-lhe deste que acabei de ler. E ela fala um pouco mais do livro dela. E eu um pouco mais do meu livro. E nisto descobrimos que o livro que acabei de ler e que lhe queria emprestar é o mesmo que ela leu em francês e que tanto me queria emprestar. Afinal, gostos diferentes...mas não tanto assim. :)
12.9.13
New Girl
Para compensar a partida do calor, ontem dediquei-me a começar a ver uma nova série: New Girl. E o que eu gosto dela? :) Os episódios são curtinhos e sem dar por ela ontem vi uns cinco ou seis. É uma série levezinha, acho piada à actriz principal e ao facto de lhe reconhecer traços e expressões da irmã (a actriz que faz de Bones), e entretém bastante bem. :) Estou fã. :)
Estááá friiiiiiio
Têm estado umas noites com um frio de rachar. Anda ali pelos 8ºC e eu já me vi obrigada a ir buscar um pijama mais quente. Ontem, já um pouco desesperada, fui buscar umas meias quentinhas para ver se aquecia os pés. Qual verão, qual quê. Cheira-me que este ano, já que passámos do Inverno para o Verão sem Primavera pelo meio (snif, snif), vamos também passar do Verão para o Inverno directamente, sem direito a Outono. Continua assim, Saint Pierre, e depois espanta-te se apareceres a boiar no Sena. É que andar assim a roubar o sol e o calor às pessoas é mesmo pedir que te dêem um tiro.....
11.9.13
Etiqueta da nutella personalizada :)
Dias depois de chegar a França, vinda das férias, liguei a televisão e vi um anúncio muito engraçado em que um miúdo colava num frasco de nutella uma etiqueta em que "nutella" era substituído pelo nome de uma rapariga. Na cena seguinte está ele a entregar o frasco à rapariga, que tão satisfeita com a prenda, lhe dá um beijinho. Depois é vê-lo a fazer uma pilha de frascos de nutella, cada um com um nome de uma rapariga diferente. :) O anúncio indicava assim que era possível obter uma etiqueta da nutella com o teu próprio nome e para isso bastava ir ao facebook. Claro que fui a correr sentar-me ao computador! Mas era o último dia da campanha e já não havia etiquetas disponíveis. Fiquei para morrer. Tinha perdido a hipótese de ter um frasco da nutella com o meu nome.
Mas ontem, uma amiga (quem tem amigos destes tem tudo!) enviou-me o link da nutella em portugal e avisou-me da campanha que estava a haver. E era exactamente a mesma campanha! Cinco segundos já tinha encomendado a minha etiqueta, que não sou menina para cometer o mesmo erro duas vezes e deixar escapar a oportunidade outra vez. E como pode haver desse lado alguém tão louco por nutella como eu, aqui fica a informação. Vão aqui, ao facebook da nutella portugal, e encomendem a vossa etiqueta. :) E agora, quem é amiga, quem é?
P.s Eu acho que graças a esta publicidade gratuita a Nutella podia ser fofa e enviar-me uns quantos frascos.
10.9.13
Os maus e as "groupies" dos blogues
Não imagino o que seja ter um um blog famoso, com milhares de seguidores e uma enorme quantidade de gente que, se escondendo por trás do anonimato, destila o fel que lhes corre nas veias. Tenho tão pouca noção do que seja passar por isto que neste meu estaminé os comentários nem são moderados porque até à data ainda não tive um comentário que me ofendesse ou fizesse ter vontade de mandar aquela pessoa a um certo sítio. Também sei que se isso começar a acontecer a resolução de tal problema passa a ser a seguida por muitos blogues, sujeitando todos os comentários a uma aprovação prévia. Ainda assim, isto não impede que na caixa de e-mail não cheguem comentários de pessoas pobrezinhas de espírito e com pouco poder de argumentação que já sabendo que os seus comentários não serão aprovados, destilam ainda mais o veneno que sentem. E acredito que, para quem tem um blog, escrever posts já sabendo que se está a dar material para receber e-mails de gozo ou malvados, tire toda a vontade de continuar.
Também acho que por vezes há comentadores anónimos que são simplesmente infelizes na maneira como expressam as suas opiniões. Não concordo com tudo o que leio na blogosfera, é raro até comentar blogues a não ser quando acho que tenho poder para argumentar com o autor caso isso se proporcione. Ainda assim tento sempre ter o máximo de cuidado nas palavras utilizadas pois não pretendo que o meu comentário seja visto como um ataque mas sim como uma opinião oposta. Já vi blogues em que os comentadores têm toda a razão do mundo, mas as palavras utilizadas não são as melhores podendo muitas vezes atacar ou ofender o autor, e nesse caso é absolutamente normal que o autor lhes responda torto, e por muito que barafustem, os comentadores acabam por perder a razão.
Mas se comentários idiotas, estúpidos ou simplesmente infelizes há muito se vêem na blogosfera, nos últimos anos tenho visto aumentar o oposto: comentadores que dizem amén a tudo o que os autores dos blogues dizem , e pior, que partem em defesa destes como se de filhos se tratassem. Há blogues em que uma pessoa, por muito educada que seja, não pode exprimir qualquer ideia ou opinião sem que nos caem todas (geralmente são mulheres) em cima. Basta dizer algo como "Uma boa dica para os tornozelos inchados com o calor é...." e surgem logo uns quantos comentários do género "Tornozelos inchados tens tu, minha vaca!", "Isso é tudo inveja!", "Deves ter uns tornozelos muito finos!", "Se não gostas de ler, não venhas para aqui!". E nem dão qualquer hipótese à autora de se defender (caso tenha mesmo ficado ofendida), de responder que é não anda com os tornozelos inchados, que aquilo é tudo efeito das fotografias, das luzes ou do que quer que seja, ou então de dizer que sim, de facto, o calor traz este incómodo e muito obrigadinha pela dica. Eu, se tivesse um blogue destes, ficaria até um bocadinho melindrada com estas defesas tão acérrimas (e sobretudo, por vezes, tão mal-educadas) porque isso significa que não confiam nas minhas capacidades para me defender sozinha. É que não me interpretem mal, eu também gosto de alguns blogues e sigo com carinho a vida de quem os escreve (tal como há livros que nos dão gosto ler, também há blogues assim), mas não os conheço pessoalmente por isso não vou partir em defesa de forma tão absurda de alguém que não os conheço, e porque acredito que se possam defender sozinhos. E porque acho que também têm defeitos e que têm de saber lidar com eles. É que ler coisas como já li noutros blogues do género "És perfeita!", "Ninguém te pode apontar nada!", "És o tipo de homem que todas as mulheres querem!", "Dava tudo para ser como tu", assusta um pouco. Transformar quem está atrás de um teclado numa deusa ou num deus perfeito, simplesmente por aquilo que escreve, roça ali um pouco a loucura.
Nutella, Nutella, Nutella!
Há restaurantes aos quais gosto de ir, não pelos pratos principais, mas pelas entradas maravilhosas ou sobremesas espectaculares. Exemplo disso são os restaurantes chineses, em que eu até como com agrado alguns dos pratos da ementa, mas se pudesse chegava lá e marchavam apenas os crepes de entrada. Ui, o que eu gosto dos crepes chineses de legumes (mas não de todos os restaurantes. Há que saber escolher). Ficava satisfeita se me trouxessem uma travessa com crepes só para mim e eu ficava ali entretida com eles enquanto o resto da malta pedia os pratos principais. Da mesma forma ando a sonhar em ir a uma Pizza Hut e dizer que não quero pão de alho (que também goooosto), nem pizza (que também goooosto) mas para me trazerem um pratinho de crepes com nutella. Que perdição, meu Deus. Já me levaram a dois restaurantes com umas sobremesas de nutella para lá de espectaculares e eu só tenho vontade de lá voltar e pedir exclusivamente todas aquelas sobremesas só para mim. Era capaz de ficar enjoada durante os três dias seguintes, mas isso é um pequeno pormenor.
9.9.13
Tété vê isto tão mal-parado que até já fala com os santos.....
Meu querido Saint Pierre
Eu sei que tu não és como o São Pedro de Portugal que lá por meio de maquinarias consegue um dinheirinho extra para comprar mais calor e sol que tu. Também sei que França está a entrar nesta crise com os dois pés juntos e que os fundos para o bom tempo já se devem estar a esgotar. Mas percebe que se calhar tens de gerir melhor as tua finanças, meu querido. É que isto de estarem dezasseis graus e a chover a potes quando ainda temos quase quinze dias de Verão não pode mesmo ser. Eu preciso de sol, entendes? Não quero muito calor, entende-me bem. Podes mandar uns vinte e dois grauzitos que eu já fico satisfeita. E um céu sem nuvens com um sol aconchegante também é simpático. Mas chuva em pleno Verão, Saint Pierre? E os churrascos que ainda estava a pensar fazer (na casa dos outros claro)? E a sandalinha no pé e as saias compridas que ainda há pouco tempo tirei do armário? É que eu relembro-te, Saint Pierre, que supostamente fizeste o Inverno durar até Junho para poderes poupar o suficiente para nos dares uns bons meses de sol e calor. Achas que dois meses chega, achas mesmo? Tu és santo mas tens de perceber que aqui os humanos na Terra têm necessidades e o sol é uma delas. Vê lá bem as tuas contas, vê o dinheiro que te sobra e pensa bem na tua vida, Saint Pierre. É que por este andar no final do mês já nos estás a mandar neve (atreve-te!).
Beijinhos e ganha juízo que já tens idade para isso.
Tété
8.9.13
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E acho que adicionei o meu blog ao Bloglovin (acho porque não percebo nada destas coisas).
E acho que adicionei o meu blog ao Bloglovin (acho porque não percebo nada destas coisas).
O emigrante - A condução
Quem já não ouviu falar dos malditos emigrantes que chegados a terras lusas conduzem que nem os doidos? Sou sincera, à custa de ouvir estas coisas, também eu achava que era verdade. Ainda por cima, medricas como sou em relação ao carros e não confiando totalmente em todos os condutores, sempre achei que em carro de emigrante é que não punha o meu pézinho. E toma-que-já-te-lixaste porque não só não me apaixonei por um emigrante como ainda por cima ando de carro com a família emigrante. Devo dizer-vos desde já que esta história da má condução dos emigrantes é mais ou menos a mesma treta que a das mulheres ao volante serem um problema constante. Afinal de contas, os acidentes rodoviários, os atropelamentos e os pequenos choques não têm sempre mulheres envolvidas, da mesma forma que estas coisas não acontecem apenas durante os meses em que os emigrantes estão de férias em Portugal.
Para ser o mais clara possível, até afirmo: os portugueses não fazem a mais pequena ideia de como conduzir. É incrível a quantidade stops que passam sem parar, a rara utilização dos piscas, a confusão que algumas rotundas podem trazer, a difícil compreensão de cedências de passagem, o excesso de velocidade e as manobras arriscadas (para não dizer estúpidas). Tenho a sensação que se o país fosse todo submetido a um novo exame de condução, metade não recuperaria a carta. Não digo com isto que por exemplo os franceses saibam conduzir. Também não sabem. Aqui para a zona em que moro parece que estão sempre com o fogo no rabo e é vê-los a atravessar os campos como quem está numa auto-estrada. Não sei como é que não se despistam mais carros e não atropelam as vacas que por ali passeiam descansadas. Com os emigrantes passa-se o mesmo. Há os que conduzem bem e os que não fazem a pequena ideia de existe um código da estrada. Mas no fundo é sempre mais fácil culpar os emigrantes por algum acidente, assim como é mais fácil dizer "Pois, é uma mulher que vai conduzir!".
Nestas férias diverti-me a brincar com o Jack cada vez que íamos chocando ou que acontecia algum imprevisto. Dizia-lhe sempre "Malditos emigrantes, pah, vêm para Portugal e não sabem conduzir!", quando ambos sabíamos que a culpa não era nossa mas sim da outra pessoa. A brincar, a brincar, ainda apanhei um susto na véspera de partirmos quando um carro não fez cedência de passagem e nos ia arrancando metade do carro.
Da mesma forma, vejo os emigrantes a ter um cuidado com os carros que não vejo a maioria dos portugueses ter. Nunca vi iniciar ou iniciei uma viagem França-Portugal (ou vice-versa) sem que todos os carros da família que farão a viagem passem por um exame à pressão dos pneus, os vidros e espelhos bem limpos, confirmação de que todas as luzes acendem, o estado dos pneus, etc. Em Portugal há carros com os pneus carecas, luzes que não funcionam (eu por exemplo cheguei a andar sem saber sem as luzes dos travões), os vidros tão porcos que é impossível verem o que quer que seja, pneus em baixo, e são coisas como estas que podem estar na origem de um acidente.
É verdade que há emigrantes que conduzem muito depressa nas auto-estradas, mas eu também conheço portugueses que andam a 200 km/h e nunca emigraram. Da mesma forma já andei uma vez numa carro que, em plena cidade, atingiu os 120 km/h (acho que nunca mais entrei num carro conduzido por aquela pessoa). Passei a minha vida em Portugal a ver os portugueses a conduzir pior que animais, a ver acidentes nos telejornais e a ter medo dos outros condutores. Acredito sim que haja emigrantes que conduzem mal, que chegam a Portugal e provocam acidentes, mas é altura de se parar de falar da condução dos emigrantes como se a condução portuguesa fosse a melhor do mundo. Se os emigrantes deixassem de ir a Portugal os acidentes continuariam a existir, da mesma forma que se as mulheres parassem de conduzir, haveria na mesma mortes nas estradas. As ideias pré-concebidas de que são os outros que conduzem mal não vão ajudar ninguém.
Falta menos de um mês! =D
Faltam 24 dias para eu fazer anos! =D E já tenho os bilhetes de avião comprados para ir passar este dia junto dos meus, em Portugal. :) Vamos lá ver agora se não vai haver uma qualquer greve marcada para o dia do nosso voo...Entretanto, há que começar a planear bem os dias para ver o máximo de pessoas que conseguir. Os dias em Portugal não serão muitos e isto é sempre um stress.
Estou quase a fazer anos, yyeah!! =D
7.9.13
Sweet Lorraine
Eu não sei o que me deu mas há cerca de um ano para cá ando muito mais facilmente com a lágrima ao canto do olho. E eu não sou uma chorona! Aliás, odeio chorar à frente de quem quer que seja e não sou (ou era) daquelas pessoas que choram ao lerem livros ou ao verem filmes. Na verdade, sempre achei meio esquisito as pessoas fazerem isso. E agora faço parte desse grupo em que me sinto obrigada a engolir em seco para não dar um soluço e não deixar escapar uma lágrima enquanto vejo um filme (A Lista de Shindler por exemplo provocou-me vários pestanejares e engolidelas em seco). Felizmente e por enquanto a minha relação com os livros continua a ser muito terra-a-terra e não há cá choradeiras (ufa!).
Vi este vídeo noutro blog e ainda dei para aqui duas ou três fungadelas. Fred Stobaugh soube que estava na sua cidade um estúdio a promover um concurso de cantores e compositores. A ideia era que os participantes colocassem as suas músicas no youtube, mas Fred decidiu enviar uma carta em que explicava que tinha escrito uma música para a sua mulher e enviava a letra da música juntamente com a carta. A mulher, Lorraine, após 75 anos juntos, tinha morrido e Fred, vendo-se sozinho em casa, tinha-lhe escrito aquela música. Neste vídeo, é apresentada a Fred uma das versões finais da música. E é, olhando para ele, que eu penso que por muito que me custasse perder dois avós na mesma altura, preferia que eles partissem próximos um do outro. Porque isto de partilhar uma vida com alguém e de repente esse alguém desaparecer é uma treta. Mesmo que o resultado sejam músicas assim.
6.9.13
Há dias assim
Há dias assim. Dias em que não me apetece estar aqui. Não são dias em que me arrependa de ter vindo para França ou que ache que esta vinda foi a pior decisão que tomei na vida. Mas há dias em que não me apetece estar aqui, tal como não apetece estar no emprego em dias em que o chefe é um imbecil ou não apetece estar de férias quando o sol se esconde atrás das nuvens. Há dias assim, em que me farto de estar numa terra que não é a minha, onde não conheço ninguém e onde nada tem significado. Há dias assim, em que me farto de estar à procura de emprego há tantos meses e até agora nada. Há dias assim, em que a dependência financeira me atinge com mais força do que o habitual e eu que já não gosto de estar dependente fico ainda a sentir-me pior. Há dias assim, em que até posso ter ideias para um negócio mas não sei como torná-lo real. Há dias assim, em que não me apetece ouvir uma língua que não é a minha e muito menos falar uma língua que não é a minha. Há dias assim, em que me sinto perdida, sem ideias, sem saber qual vai ser o meu futuro. Há dias assim, em que me chateia todos os planos que quero realizar e não sei como fazê-lo. Há dias assim, em que por cada plano que sonho e penso, a minha mente é assaltada com a minha pobre conta bancária, e isso assim não tem piada. Há dias assim, em que sentimos saudades de tudo o que nos é querido, mas saudades mais fortes, daquelas com as quais é difícil lidar. Há dias assim, em que até a chuva que surge nestes primeiros dias de Setembro consegue irritar porque deveria estar sol e calor. Há dias assim, em que apetece meter a cabeça debaixo da almofada e esperar que nasça um novo dia que não seja um dia assim. Enfim, há dias assim e hoje é um desses dias.
Ambrósio, apetecia-me algo....:)
Apetece-me um bom prato de massa. Apetece-me um bom prato de arroz. Apetecem-me uns rissóis de camarão quentinhos. Apetece-me pão com nutella. Ou bolachas com nutella. Ou churros com nutella. Apetecem-me gelados. Apetecem-me chocolates. Apetecem-me bolachas de chocolate. Apetecem-me crepes chineses. Apetece-me uma pizza. Apetece-me pão de alho. Apetece-me uma tosta mista. Apetece-me torta de chocolate. Apetece-me comer tudo isto e não voltar a ganhar os três quilos que perdi. Huuuum, deixem-me cá pensar como é que eu vou fazer isto.....
5.9.13
Sogras
Eu acho que nem todas as sogras são más. Acredito mais que seja complicado ver um filho gostar mais de outra pessoa, querer passar mais tempo com essa pessoa, passar a gostar de coisas novas por causa dessa pessoa, começar a fazer coisas que sempre tentaram sem sucesso convencê-lo a fazer e que agora faz só para agradar a outra pessoa que não a mãe. Por muito que as mães queiram o melhor para os filhos, queiram até vê-los ganhar asas e sair de casa, queiram vê-los felizes, acho sempre que há ali um aperto do coração quando um filho se apaixona a sério. E depois há que saber lidar com isso. E penso que seja aqui que a porca torce o rabo e que surgem muitas daquelas sogras capazes de transtornar qualquer nora ou genro mais calmo. A acrescentar, acho também que há muitas noras e genros que não sabem lidar com os pais do companheiro da melhor forma.
No meu caso, os pais do Jack não me trouxeram quaisquer problemas desde o início (e já agora, nem os meus pais trouxeram problemas ao Jack, por isso ai dele que tenha razões de queixa =P). São pessoas obviamente diferentes de mim, tomam por vezes decisões que eu não tomaria e pensam de uma forma diferente da minha em relação a algumas coisas. Mas respeitam-me e eu respeito-os a eles. E faço por entender que é o filho mais novo a sair de casa, que agora ficaram os dois sozinhos, que ele sempre foi o "menino" que a mãe gostou de cuidar. A minha posição em relação aos pais do Jack sempre foi muito clara para o Jack, e penso que seguir estas linhas tem ajudado e muito à relação:
1) Eu sou a namorada e não tenho qualquer interesse em fazer o papel de mãe dele. A mãe dele é a mãe e se não tentar ser a namorada, não vejo como possam surgir quaisquer problemas. Cada uma no seu papel, nenhuma tenta roubar o papel da outra e tudo corre bem.
2) Eu sou a namorada, ele vive uma relação comigo há uns bons anos, estamos a viver juntos e parece-me normal que ele queira estar ao meu lado a maior parte do tempo. Não nos podemos esquecer contudo que há uma família por trás e que os pais também têm direito a estar com o filho. Não entrando em exageros, em que ele comece a passar mais tempo com eles do que comigo, as coisas correm bem.
3) Eu não sou amiga da mãe do Jack e não conto ser. Não tenho qualquer interesse em ser daquelas noras que vão às compras com as sogras, lanchar com as sogras, ao cinema com as sogras e por aí adiante. É a mãe do Jack, gosto dela, converso com ela quando nos encontramos, ajudo no que for preciso, mas ficamos por aí. Tenho a sensação que muitas vezes as noras esperam criar uma relação de cumplicidade com as sogras, relação essa que muitas vezes nem é do interesse das sogras, e sentindo-se defraudadas iniciam-se uma série de problemas. Da mesma forma não conto de todo que o Jack se torne amigo dos meus pais. Quero que os respeite, que goste deles, que converse com eles, que os ajude se eles precisarem, mas não preciso que façam saídas e encontros sem mim.
4) Não arranjar problemas. Já comentei com o Jack, e com amigos que me perguntam como é a relação com os pais dele, que se eu quisesse arranjar problemas já os podia ter arranjado. Em oito anos de relação já ouvi algumas coisas que podia ter interpretado de uma maneira pior. Já vi serem feitas algumas coisas que podia ter interpretado de uma forma pior. Contudo, e como 95% do tempo não há bocas nem atitudes que me façam ter o pé atrás, prefiro acreditar que às vezes as coisas são ditas de forma inconsciente. Eu própria já meti o pé na poça (e bem fundo) algumas vezes, sem qualquer objectivo de os ofender, e penso que eles tomaram a mesma atitude que eu: não valorizaram aquele momento. E isso tem permitido que não vivamos numa paz podre ou que passemos a vida a mandar boquinhas uns aos outros.
5) Por fim, não são os meus pais. Eu não cresci com eles, não me habituei à maneira de ser deles. Assim como eles só me conheceram 20 anos depois de eu ter nascido, não conhecendo os meus traços de personalidade. É perfeitamente normal que não nos entendamos em tudo, que nos choquem pequenas coisas, que não compreendamos algumas coisas. Mas são os pais do Jack, gostam dele e ele gosta deles. E só isso já é o suficiente para merecerem o meu respeito e a minha simpatia.
Há sogras terríveis. Há sogras que nos fazem engolir em seco para não dizermos nenhum disparate. E quem diz sogras diz sogros (eu tenho por exemplo um carinho especial pelo pai do Jack; mesmo não concordando com tudo o que diz e faz, gosto bastante dele). Mas também acho que há noras e genros que à custa da má ideia que se tem das sogras em geral, começam logo de pé atrás ou iniciam logo conflitos. Conheço um caso em que até lhe podia ter calhado a sogra mais santa do mundo que ainda assim a rapariga teria arranjado problemas com ela desde o primeiro minuto que a conheceu. E quando não há esforços das duas partes, não há (nenhuma) relação que aguente.
4.9.13
A escola é óptima para os miúdos. Mas é ainda melhor para os vizinhos.
Não tenho filhos mas estou desejosa que as aulas comecem. Por mim, tinham começado ainda em Agosto. É que isto das escadas do prédio servirem de parque de brincadeiras para as crianças e pré-adolescentes do prédio cansa uma pessoa. Não bastasse o barulho que fazem sozinhas, ainda há as engenhocas (telemóveis, ipods, e por aí adiante) que as acompanham com música. Enfim, ao menos sei que tal calvário irá passar mal se acabem as férias. Entretanto, deixem-me cá ir treinando o meu francês para poder explicar ao vizinho de cima que deixar os filhos andarem de skate ou lá o que é no apartamento não é nada boa ideia e que qualquer dia me provoca uma tal crise de nervos que eu não respondo por mim. É que ainda por cima estas criancinhas do andar de cima ainda não são crescidas o suficiente para entrarem na escola.....
3.9.13
O Emigrante - A língua
Como já aqui disse conheci o Jack quando ele veio viver pela primeira vez para Portugal, tendo feito até então toda a sua infância em França. Lembro-me do sotaque dele, de ele carregar nos "r"s ou então, pelo contrário, ao tentar não o fazer acabava por não carregar na consoante quando o devia fazer (como na palavra "carro", por exemplo). E pronto, era este o meu contacto com alguém português que tinha vivido em França. De resto, ao longo da vida, fui ouvindo que os emigrantes tinham um pouco a mania de, quando estavam em Portugal, falarem francês misturado com português. Nos meus 20 anos, conheci a família do Jack, emigrante há bastantes anos em França, e comprovei que de facto falarem só português era coisa rara. Nada que me incomodasse por aí além porque não sentia que o fizessem para me chatear.
Quando fui em Erasmus percebi realmente o quão difícil é mantermo-nos fiéis à nossa língua quando passamos uma temporada no estrangeiro. Eu estive apenas 9 meses fora e nos primeiros meses a comunicação foi feita sobretudo em inglês e depois em francês. E ainda hoje me lembro de, em conversa telefónica com o meu pai, ter dito "Je....ai....I...espera....Eu....", uma simples palavrinha como "eu" não me saiu de forma natural e disse-a primeiro em francês e depois em inglês. E estava em França apenas uns meses, por isso imagino quem aqui vive durante anos e anos. Oh, não tenho qualquer dúvida que daqui a uns anos me terão a fazer a mesma figura. Mesmo nestas férias em Portugal dei por mim a usar uma ou outra expressão em francês, porque era a primeira que me vinha à cabeça.
Não é por isso por embirrantice, mas sim porque o francês é a língua utilizada todos, mas todos os dias, durante meses a fio pelos emigrantes (e quem diz o francês, diz outras línguas. Aqui falo dos emigrantes franceses porque são aqueles que conheço e por eu própria também o ser). Mesmo em casa, após o trabalho, o português deixa de ser a única língua utilizada, muitas vezes à conta dos filhos que entretanto entram na escola e começam a falar francês fluentemente. E é realmente complicado chegar a Portugal e lembrarmo-nos de todo um vocabulário que esteve adormecido durante meses. Para verem como as coisas são, dou-vos mais um exemplo: aqui em França tenho ido bastante ao correio. Em Portugal precisei de enviar uma carta e dirigi-me aos Correios. E quando estava na fila, apercebi-me que queria mandar a carta em "correio registado" mas não me lembrava da expressão certa. Em França diz-se "lettre recommandée" (e disso lembrava-me eu bem porque farto-me de o dizer), e eu sabia perfeitamente que não se dizia "carta recomendada". E aquilo chateou-me tanto, por não me lembrar da palavra portuguesa "registada" que até há bem pouco tempo tinha usado com frequência, que enviei a carta normalmente, sem preencher qualquer papel extra.
Isto tudo para dizer que os emigrantes não falam outra língua para embirrar ou, como já ouvi, para mostrarem que são espertos ou para baralhar de propósito os portugueses que não os percebem (e acreditem que choca um pouco ler e ouvir estas coisas porque este é um daqueles pontos que penso ser de fácil compreensão). Eu própria, em Portugal, já chamei a atenção ao Jack por de vez em quando em conversa com o irmão começarem a falar francês, esquecendo que quem está com eles não percebe. Conheço-os e sei bem que não fazem de propósito, mas é a língua que usam para comunicar desde pequeninos. É o hábito.
Claro que há de certeza aqueles emigrantes chico-espertos que falam francês só para se armarem, assim como há portugueses nascidos e a viver em Portugal que usam palavras estrangeiras só para parecerem chiques. Há sempre umas aves raras assim. Mas não são a regra. :)
Aos anos que eu já andava para o ver....
Vi ontem pela primeira vez o filme "A Lista de Shindler". E é de facto um daqueles filmes que nos deixa sem palavras. Um dos meus filmes favoritos é "A Vida é Bela" mas nesse, embora muito seja passado num campo de concentração, há uma história de amor por trás e um toque de humor. Este é mais sério, mais cru. E está muito bem feito.
2.9.13
Paris
Ontem foi dia de ir passear a Paris pela primeira vez desde que me mudei para cá. Embora estejamos a apenas uma hora de carro (contando claro que não haja engarrafamentos) este dia de passeio tinha andado a ser adiado. A primeira razão é que o Jack só folga ao domingo e geralmente este acaba por ser um dia em que dorme até mais tarde e se descansa por casa. A segunda razão é que eu queria ir a Paris num dia de sol e não apanhar chuva e frio. O Inverno por cá trocou-me as voltas e o mau tempo instalou-se praticamente até Junho. Muito trabalho para o Jack, férias em Portugal pelo meio, e lá decidimos a semana passada que deste domingo não passava. Por isso, ontem vesti a minha t-shirt com a frase "You look cute when you smile in Paris" e saímos de casa. Mal pusemos um pé na rua demos de cara com um desfile de carros antigos a passar-nos mesmo à porta. Já em Paris, estacionámos o carro e passámos o dia a passear a pé (o que me doem as pernas e os pés!). Aproveitámos o Museu de Orsay estar aberto e ser gratuito no primeiro domingo de cada mês, visitámos a Notre Dame, passeámos nos Campos Elísios, paguei uma pequena fortuna por uma waffle de nutella (dieta? Qual dieta?) e, entre outras coisas, fomos deixar o nosso cadeado na "Pont des Arts", lançando de seguida as chaves ao rio. Não satisfeitos com isto e tendo ouvido que vão começar a retirar alguns cadeados de forma a aliviar a estrutura da ponte (que não foi feita para ter todos aqueles cadeados pendurados) e que ali perto outra ponte está a começar a servir para o mesmo efeito, fomos lá colocar outro cadeado.
Venho com o coração cheio com este passeio. E é sem dúvida para repetir. :)
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