30.9.14
Ai....
E quem é que amanhã tem de sair de casa às 5h00 da manhã e ainda não tem a mala pronta, quem é, quem é?
29.9.14
28.9.14
Luxemburgo
Ao chegarmos ao Luxemburgo, decidi entrar num café para pedir uma água e ir à casa-de-banho, enquanto o Jack esperava pelos pais no ponto de encontro. Respirando fundo, tentei exprimir-me no meu melhor francês, desejando ser compreendida logo à primeira. É este um dos meus calcanhares de Aquiles: dizer as coisas numa língua que não é a minha e não me compreenderem. Acho logo que a culpa é minha, que não sei falar, que não sei explicar-me e panico, esquecendo-me completamente das palavras. O pior é que muitas vezes são as pessoas a quem me dirijo que padecem de um qualquer problema auditivo, não me ouvindo a mim nem a qualquer outra pessoa para quem o francês é a língua-mãe. No café, já com a minha água, senti-me orgulhosa por ter sido compreendida. Imaginam pois a minha cara quando nos cinco minutos seguintes, todos os clientes que entravam pediam à empregada:
- Quero um fino!
- Arranja-me um copo de água?
- Para mim é uma cerveja.
- Quanto é?
- Queria pagar...
Melhor ainda quando, entrando o pai do Jack no café, a empregada lhe pergunta em português o que desejava ele. E eu choninhas, num café português, a falar francês....
Como correu a leitura, Tété?
A semana passada fui pela primeira vez convidada a ler um salmo num baptizado. Bem, na verdade fui pela primeira vez convidada a ler algo seja onde for. A mãe do bebé enviou-me uma fotografia do salmo e quando o li pela primeira vez, o Jack reclamou "Estás a ir demasiado rápido! Nem consigo perceber algumas palavras!". Nos dias seguintes, treinei de forma a falar mais calmamente, mas ciente que chegado o momento, seria o que Deus quisesse e que me esqueceria de todos os treinos. Mas correu bem: li de forma pausada, toda a gente compreendeu e de toda a gente que foi ler, fui a única que não gaguejou nem se enganou. No fim ainda ouvi que podia ter feito a missa toda. Eu gosto de falar em público. E gosto ainda mais quando corre bem. :D
25.9.14
Vergonha
Já viram o vídeo do primeiro cliente a comprar o iPhone 6 e a deixá-lo cair enquanto tenta abrir a caixa?
Dá-me uma dó que nem imaginam. Nem são os possíveis estragos a fazerem-me encolher e a ter pena do rapaz, é o facto disto ter acontecido à frente de uma multidão, à frente de uma câmara, de uma jornalista (que se desmancha a rir...). É a vergonha que o pobre rapaz deve ter sentido. Ontem conversava com a minha mãe sobre este vídeo e dizia-lhe que nos três anos que andei na escola secundária não houve um único dia que eu não subisse a enorme escadaria de entrada (que agora me parece bem mais pequena) e não pensasse "Não caias, não caias, não caias...". De manhã, agrupavam-se os betinhos a ver as roupas de quem entrava mas eu queria lá saber se estava dentro daquilo que eles achavam aceitável (nunca estava), só queria não tropeçar e não cair nas escadas com eles todos a olhar para mim. Depois, já na própria escola, podia espatifar-me à vontade (algo que, como a minha mãe fez questão de notar, fiz com relativa frequência) pois o público já não era tão observador e crítico. No dia do meu casamento, ainda me lembro de dizer à minha mãe "Eu só não quero tropeçar e cair à entrada do mosteiro com toda a gente a olhar para mim...". Agora, tendo sido convidada para ler no baptizado que se vai realizar depois de amanhã, não quero saber se gaguejo, se digo mal alguma palavra, se me engano....A única coisa que eu não quero é ao subir para o púlpito, tropeçar e ficar ali de rabo para o ar à frente de toda a gente. Por isso sei que se tivesse sido eu a deixar cair assim o iPhone à frente de tanta gente, a minha cara teria ficado mais vermelha que um tomate maduro.
Como deixar o Jack em stress...
Depois de andar aqui à minha volta a picar-me com a encomenda que chegou a casa e que tem a minha prenda, perguntei-lhe:
- Vais escrever-me um postal para os meus anos?
- Aaaa.....não estava a pensar nisso....
- Oh, que fofo! Então vais escrever-me uma carta de amor, é isso?
- Aaa....é suposto?
- Claro, eu escrevo-te sempre um postal no teu dia de anos.
- Pois...vou então tentar escrever umas palavrinhas.
- Não, não, agora quero mesmo uma carta de amor.
Pois é, meu menino, cá se fazem cá se pagam. Não me deixas ver a minha prenda (só falta uma semana para os meus anos! :)), levas um castigo e tens de escrever qualquer coisa. =P
24.9.14
Só passo vergonhas....
O Jack avisou-me ontem que eu deveria estar atenta ao carteiro pois chegaria uma encomenda hoje. Ora o carteiro costuma passar pelo meio-dia, o que fez com que às nove e pouco da manhã eu ainda me encontrasse na sorna na cama quando a campainha tocou. A caminho da porta consegui enfiar umas calças e uma t-shirt e abri a porta pensando "Enquanto desço as escadas, apanho o cabelo" (já disse que o meu cabelo ganha vida, principalmente durante a noite?). Errado. O homem das entregas já estava à porta do apartamento (já disse que o meu cabelo ganha vida, principalmente durante a noite?). Eu não sei muito bem como era a minha figura, sei apenas que ainda mal abria os olhos, que devia estar cheia de remelas e tenho uma ligeira noção de que o meu cabelo ganharia qualquer concurso de Miss Despenteada (já disse que o meu cabelo ganha vida, principalmente durante a noite?). E sei também que o homem deu dois passos atrás quando me viu. Ainda me perguntou duas vezes se era mesmo no meu apartamento que devia entregar a caixa e ainda tentou ir bater à porta do vizinho, mas lá o consegui convencer (mesmo tendo esquecido todo e qualquer vocabulário em francês naquele momento) que era mesmo eu a destinatária. Tenho a sensação que, entre os homens das entregas, vai começar a correr o rumor da mulher esquisita que vive neste apartamento uma vez que já não é a primeira vez que me apresento em figuras menos próprias.
E a encomenda vem em meu nome, é uma das minhas prendas de aniversário e o Jack não me deixa abrir. Oh.
23.9.14
Os franceses não fazem necessidades*
Ainda me lembro de uma vez, a caminho do aeroporto, me ter dado uma súbita vontade de me descartar da água que antes tinha bebido. O facto de estarmos parados em plena auto-estrada devido ao trânsito não ajudou e pela primeira vez apercebi-me de que são poucas (raras!) as estações de serviço nas auto-estradas daqui. O Jack ainda propôs que atravessasse a estrada entre os carros e que me aliviasse nos arbustos que por ali se viam. Mas no meio da minha aflição, ainda tive capacidade para perceber que aquilo a que ele chamava arbustos eram as copas das árvores plantadas numa ravina, onde caso eu caísse, dificilmente sairia. Não voltámos a ver qualquer estação de serviço até chegarmos ao aeroporto, onde eu simplesmente me esqueci que tinha uma mala, um bilhete de avião, um voo para apanhar e corri feita doida para o WC mais próximo. Ficou marcada esta viagem e foi a partir daí que construí esta minha teoria de que os franceses não usam casas-de-banho. Se as usassem, haveria mais com certeza, não? O nosso trauma é tal que quando vamos buscar alguém ao aeroporto, aconselhamos o uso da casa-de-banho para não haver apertos em situações sem solução à vista.
Outro ponto a favor da minha teoria são as casas de banho em centros comerciais. Nunca mas nunca em toda a minha vida vi um centro comercial com tão poucas casas-de-banho. É preciso praticamente andar quilómetros até encontrar uma e quando finalmente encontramos, tem quatro cubículos. Quatro. Num centro comercial que chega a estar cheio ao ponto de não se conseguir avançar pelos corredores e entrar nas lojas que se quer. Podeis pois imaginar que as filas para a casa-de-banho são maiores dos que as filas nas lojas em época de saldos ou em altura natalícia.
Por fim, o cinema. Costumamos ir a dois e em ambos acontece a mesma: a saída das pessoas da sala do cinema dá...para a rua. Estando nós a 40 minutos no mínimo de casa, às vezes dava jeito ir ao WC antes de fazer viagem. Ups, não dá. Ah, vai durante o filme! Não vou, porque fecham a porta por onde se entra na sala e que daria para a zona das casas-de-banho. Ou fazes antes e não bebes nada durante o cinema, ou lixas-te.
Sei que há a teoria de que os franceses não tomam banho. Quanto a isso não posso opinar, mas que a maior parte não tem bexiga, disso estou quase certa.
*e estou firmemente a aguentar-me para não dizer que acho badalhoco ter, em casa, a sanita numa divisão e o lavatório noutra. Como se o uso de uma não implicasse o uso do outro.
22.9.14
:)
Já temos connosco as prendas de casamento! Estou doida por fazer raclette cá em casa e por poder servir café nas chávenas mais bonitas de sempre. Foi bom poder abrir as caixas e guardar as coisas finalmente em nossa casa, em vez de estarem guardadinhas em sacos em casa dos meus pais. Mas aquilo que me fez sentar e saborear novamente cada segundo foram os postais dados no casamento. Ler as palavras escritas com tanta alegria por nós, ver os desenhos personalizados feitos pelos amigos, reler as histórias escritas pelas amigas mais antigas e ver as fotografias que uma amiga nos deu, tiradas há dez anos...Não haja dúvida que um casamento é feito por nós e para nós, e que bastamos nós para fazer o casamento mais bonito de sempre. Mas a família e os amigos...Esses tornam o dia mil vezes melhor.
E agora?
O Jack ofereceu-me as capas mais lindas do mundo para o iPhone que já foi dele e que agora é meu. Contudo amanhã há a hipótese de eu herdar um iPhone da geração seguinte ao que tenho agora. E as capas não servirão. Oh.
21.9.14
Tão bom
Ter clientes que voltam a encomendar outras peças depois de terem recebido a primeira encomenda. É sinal que estão satisfeitas e eu fico ainda mais. :)
20.9.14
A capa mais linda do mundo!
O Jack ofereceu-me já uma parte da prenda de anos em avanço (já disse que faço 30 anos daqui a 12 dias??? :D). Aproveitámos uma promoção e comprámos três capas pelo preço de duas. Esta teve direito a ir já para o telemóvel. As outras só as poderei tirar da caixa no dia de aniversário (e são igualmente lindas!). E depois falta a outra prenda...que eu já sei o que é, mas que não verei mesmo antes da data. Ó tempo, passa lá, vá!
18.9.14
Ele está a vingar-se de algo que lhe fiz, não?
Hoje obrigou-me a acordar às 6h30 para ajudar a agilizar o processo de levar o carro à inspecção sem o deixar sem transporte ou faltar ao trabalho. Amanhã precisa novamente de mim e vou ter de acordar às 4h45. Se volto a ter as minhas noites de insónias e a ter de acordar a estas horas, mais vale nem ir à cama.
17.9.14
Siri ataca de novo!
Estamos para aqui a actualizar os iPhones. Enquanto que o meu actualizou logo, o do Jack está com a actualização em lista de espera (ahah). O resultado disto é que tenho passado a noite a picá-lo dizendo que a culpa é da sua querida Siri, que uma vez que me trocou pela sua querida Siri a Apple colocou-o à espera, etc, etc....
A certa altura vejo-o pegar no telemóvel e decorre esta seguinte conversa:
- Siri, diz à minha mulher que não precisa de ter ciúmes da Siri.
- Muito bem. Como se chama a sua mulher?
- Princesa.
- Posso registar Princesa como sua mulher?
- Sim.
- Posso enviar mensagem?
- Envia.
*Plim* Recebo uma mensagem no meu telemóvel:
"Não precisas de ter ciúmes da Siri"!
O Jack continua:
- Obrigado, Siri.
- É muito amável.
Ai o caraças da máquina agora já diz que o meu marido é muito amável? Ai, o abuso, ai...
Diz-me o Jack que o iPhone também tem voz de homem. Se a Siri continuar a atacar vou também começar a trocar elogios com o meu....
Mau Maria!
Ontem, lavava eu os dentes, quando o oiço no quarto a dizer "Marca o despertador para a cinco e um quarto". Logo de seguida uma voz feminina automática responde "Registado para as cinco horas e quinze minutos". Ele responde com um "Obrigado" e eu oiço a voz da máquina a dizer "O prazer é todo meu". Fui até ao quarto para o ver a olhar perdido de riso para o iPhone e a dizer que aquilo é um espectáculo.
Ora bem, estamos aqui com um problema, certo? É que isto de ter um marido na nossa cama a falar com outra e a achar ainda por cima que aquilo é maravilhoso...Não sei, não!
16.9.14
Branca
Eu sou a pessoa mais branca da minha família. E sou a pessoa mais branca da família do Jack. Do meu lado a maior parte das pessoas nem liga, afinal de contas conhecem-me desde sempre e há mais "branquelas" na família. A família do Jack manda-me apanhar sol, pergunta porque não bronzeio, aconselham-me mil e uma técnicas para ganhar uma corzinha. Em primeiro lugar, não vale a pena porque sei que tenho mesmo dificuldade em bronzear. E em segundo...não quero. Sou branca, não gosto de estar ao sol a esturricar e não tenho qualquer interesse em fazê-lo para simplesmente ter um tom de pele mais escuro que o habitual. É apenas uma questão estética e se assim é prefiro continuar branca porque nem é coisa que me incomode. O meu excelentíssimo marido também é um "copinho-de-leite" por isso nem costuma fazer grandes comentários à minha pele "branca mais branca não há" (o que é mentira, porque eu já vi pessoas ainda mais brancas que eu. Eram nórdicas). Mas no fim-de-semana, fui à Sephora experimentar uma base e ver se o tom mais claro daquela gama seria bom para mim. Mal coloquei um pouco na mão, o Jack disse logo "É demasiado escura para ti!". Pessoalmente, não achei que fosse assim tanto e que bem espalhada, o resultado até seria satisfatório. Insistiu que não. Em casa, mostrei-lhe a minha, colocando mais uma vez um pouco na mão e teve de dar a mão à palmatória: a da loja conseguia ser um pouco mais clara, mesmo que não fosse bem o tom da minha pele. Efectivamente, o truque é não pôr muita, espalhar bem e o tom até disfarça mais ou menos. Ontem, em pesquisas pela net descobri que há ainda um tom mais claro e quero ver se o encontro e experimento! O único senão é que parece-me que só existe em França e não em Portugal, onde me sairia mais barato....
:)
O Jack não se contém e eu já sei o que ele me vai oferecer pelos anos! O único senão é que vou ter de esperar mais quinze dias até receber a minha prenda. Oh.
15.9.14
Normal?
Ontem falava com o Jack a propósito da desinformação que ainda hoje há em relação à toma da pílula e de como me espanta que ainda haja médicos de família que prescrevem simplesmente uma pílula a uma rapariga que apareça no seu consultório a dizer que a quer tomar, sem fazer perguntas, sem que haja exames, sem qualquer explicação. Nada de nada. É incrível como é que num mundo tão informado como o de hoje há ainda tantas mulheres a tomar mal a pílula. Nem de propósito, hoje pelos meus passeios pela net encontrei duas mulheres que colocam as seguintes questões: a uma tinha sido prescrita uma pílula normal (daquelas com 21 comprimidos por caixa e com paragem obrigatória durante 7 dias entre cada caixa) e estava esta muito espantada porque a fim de três caixas a menstruação ainda não tinha aparecido. Estaria grávida? Não, estava era simplesmente a tomar as caixas todas de seguida, sem qualquer paragem, sem ler a bula, sem ter pedido qualquer informação, sem basicamente saber como se toma a pílula. A segunda mulher tinha estado doente, tinha tomado um antibiótico e tinha parado de tomar a pílula para poder tomar o antibiótico, não sabendo agora quando é que deveria voltar a tomar a mesma. A história de que os antibióticos cortam o efeito da pílula tinham-na levado a pura e simplesmente interromper uma caixa, sem qualquer pedido de esclarecimento. Serei a única a achar que isto não é de todo normal?
Mais um desafio
A R* voltou a lançar-me um desafio que consiste em responder a cinco perguntas e nomear cinco bloggers que devem responder às perguntas que eu colocar.
1. O que te faz voltar todos os dias ao blog?
Bem, eu não escrevo todos, todos, todos os dias. Depende muito da fase em que estou, mas acho que nunca passei um longo de período de tempo, como um mês, sem escrever. Gosto de partilhar pequenas coisas, gosto de dar a minha opinião sobre alguma coisas, contar episódios, procurar saber opiniões...e é isto que me faz voltar ao blog dia após dia e escrever.
2. O que mudarias no teu blogue e porquê?
Assim de repente, acho que nada.
3. Porque escolheste esse nome para o blogue?
Criei este blogue aquando da decisão de emigrar e estava (e estou) convencida que não ficarei para sempre fora de Portugal. Daí o título "Ando lá por fora...Volto já :)".
4. Quem não queres que algum dia leia o teu blogue e porquê?
A família soube há pouco tempo que tenho um blogue mas não sabe qual. Sempre que aqui escrevi pensei que algum dia poderiam encontrar e ler, por isso acredito que nada do que aqui está me possa envergonhar. Mas não faço questão que leiam uma vez que este blogue é escrito maioritariamente no momento. Ou seja posso escrever um post mais triste ou zangado, e na vida real já tudo ter passado cinco minutos depois. É por isso desnecessário que as pessoas que mais se preocupam comigo leiam estes posts e me liguem para saber o que se passa, preocupados, e a tentar resolver as coisas.
5. Se pudesses, que parceria querias para o blog?
Hummm...Nunca pensei muito nisto. Provavelmente algo ligado a livros, já que gosto de ler, embora não leia todo o género de livros. Ou algo relacionado com maquilhagem visto ser um tema que me tem chamado mais a atenção nos últimos anos.
Nomeio assim:
As perguntas a responder:
1. De onde surgiu a ideia de criar um blogue?
2. Onde gostavas que o blogue te levasse? Gostavas de viver do blogue?
3. Inspiras-te nalgum blogue?
4. Como conheceste o mundo dos blogues?
5. O que achas deste tipo de desafios?
13.9.14
Diferenças
Ontem fui ao médico e comigo foi a cunhada do Jack (vai na volta e já começava a referir-me a ela como "minha cunhada", não?). Entrámos no consultório e dirigimo-nos à sala de espera, onde nos sentámos e esperámos. Perguntei-lhe se não havia uma secretária com quem falar, um guichet onde ir para saberem que já tínhamos chegado. Olha para mim espantada e disse-me que não. Passado uns segundos, surge a médica para me chamar e foi à médica que dei todos os meus dados (telefone, morada, etc...) e a quem fiz o pagamento.
À noite comentei com o Jack esta questão pois já numa outra consulta dele o comportamento tinha sido o mesmo. Em Portugal não me lembro de um único consultório (e eu sou até bastante vista por médicos) em que não haja uma secretária a quem ligamos para marcar uma consulta, a quem informamos que já chegámos, que preenche a ficha com os nossos dados, a quem pagamos no final e com quem remarcamos uma próxima consulta se necessário. Aqui é o médico quem faz tudo isto: se queremos marcar uma consulta, é para o médico que ligamos directamente. É o médico que nos vem buscar à sala de espera. É ele quem nos pede todos os dados. É ele que recebe o pagamento e passa a factura. Não há cá secretárias de espécie alguma.
Diferenças...
12.9.14
Oh, vou amuar.
Preciso de ir ao dentista e em vez de marcar consulta aqui com um que não conheço, optei por ligar (uma vez que daqui a um mês vou a Portugal) para a clínica onde já vou há dez anos para marcar consulta com a dentista que já tão bem me conhece. Está de baixa. E não sabe quando volta. E tive de marcar com outra que nunca me viu na vida, que não sabe que não respiro bem pelo nariz e que qualquer água que ponham na boca me vai parar aos pulmões, que sou uma medricas do pior e que preciso que me digam tudinho que vão fazer em vez de ligar assim uma broca de repente e pregar-me um susto de morte, que quando levanto a mão é porque preciso que parem de fazer o que estiverem a fazer porque estou em risco de me engasgar e preciso de me sentar e respirar fundo, que colocarem um episódio de Anatomia de Grey é muito simpático porque assim estou distraída, como se fosse uma criancinha, e que não tendo nada contra ela em específico, odeio simplesmente dentistas. Oh, quero a minha dentista de volta. :(
11.9.14
Aventuras e Desventuras de uma noite de jazz
Ontem lá fomos a caminho do centro de Paris onde tínhamos de estar às 20h30. Íamos com tempo para procurarmos estacionamento tranquilamente mas não contávamos apanhar trânsito a caminho de Paris àquela hora (começo a concordar com o Jack que neste momento para entrar e sair de Paris há trânsito 24h por dia). Lá nos vimos assim, parados no meio de outros carros, a ver o tempo passar. Quando chegámos à zona do concerto, estávamos em cima da hora e obviamente não havia estacionamento. Procurámos, procurámos, os minutos não paravam, começámos a afastarmo-nos da zona e encontrámos um dos parques subterrâneos de Paris. Toca a estacionar e, com o telemóvel a fazer de GPS pois tínhamos perdido a noção de onde estávamos, fomos a correr para o bar.
O concerto era intimista, numa sala ao fundo de um bar, com o tecto baixo e com um homem a empilhar literalmente cerca de 100 pessoas num espaço demasiado pequeno. Cadeiras colocadas lado a lado e ali ficava uma pessoa, a sentir-se uma sardinha, com os ombros e as ancas a tocar nos parceiros do lado e os joelhos bem próximos da cadeira da frente. Confesso que me senti um pouco claustrofóbica e o aumento da temperatura da sala devido a tanta gente não ajudou. O Jack gostou imenso do concerto, eu nem por isso uma vez que não conhecia a cantora nem as suas músicas, embora admita que tinha uma boa voz, algumas músicas eram bonitas e ela até cantou alguns registos diferentes. O baterista e o pianista entretiveram-se a improvisar e a picar-se um ao outro e a certa altura achei que o concerto estava a ser mais isto do que propriamente ela a cantar, o que para mim foi enfadonho. E ouvir uma francesa cantar "Garota de Ipanema" em inglês é meio estranho. Tínhamos achado que ao fim de uma hora estaria tudo acabado. Enganámo-nos. Ao fim de uma hora, a cantora faz uma pausa e diz que foi apenas a primeira parte. Julgo que houve quem mais pensasse como nós, pois durante o intervalo muita gente se foi embora, o que acabou por tornar a segunda parte mais agradável e menos ensardinhada.
Claro que durante o intervalo tive de apanhar com um copo de vinho num casaco clarinho do qual gosto muito. Como é que eu vou tirar aquela nódoa????
Ao sairmos do concerto, começa a segunda parte da aventura: não fazíamos a mínima ideia onde era o estacionamento. Durante a corrida para o bar, não tínhamos registado referências nem guardado a morada do estacionamento e não fazíamos qualquer ideia do nome deste. Usando mais uma vez o telemóvel, o Jack achou que tinha descoberto mais ou menos a zona de onde teríamos vindo e lá fomos nós, acabando por não o encontrar. Já passava da meia-noite e nós em pleno centro de Paris, com o carro estacionado algures, mas sem nos lembrarmos onde. Lindo....Por fim, depois de muito andar e procurar, lá encontrámos a entrada para o parque e pusemo-nos a caminho de casa. Não era cedo e para alguém que tem de acordar quase de madrugada, já era mais do que horas de estar em casa. Mas claro...a auto-estrada para nossa casa tinha de estar fechada. Aí olhei para o relógio e comecei a pensar que o Jack se arriscava a chegar a casa, largar-me e retomar o caminho para Paris para trabalhar, tal era o adiantado da hora. Conseguimos apanhar a auto-estrada aberta mais à frente e assim regressámos ao lar, doce lar, para dormir umas horinhas.
10.9.14
Jazz....Vamos lá então.
Pois, diz-se por aí que hoje, em comemoração dos quatro meses de casamento, vamos a concerto de jazz que o Jack anda há mais de um mês namorar. Não sou muito fã, mas num casamento temos de fazer cedências e acompanhar os gostos de quem está connosco, certo? Além do mais, eu compenso colocando mais umas coisas na lista de prendinhas desejadas para os meus trinta anos, exigindo um jantar como deve ser noutro dia (sim, porque isto de ter de estar às 20h30 em pleno centro de Paris vai permitir-nos ir a um McDonalds e comer a correr) e tentando marcar uma noite passada num Castelo (pacote oferecido) para a comemoração dos seis meses.
9.9.14
Estou a contar convosco!
E quem é que ainda não fez gosto na Science Bijoux??
Não vos perdoo, a sério que não....
E agora?
Hoje cheguei a casa ao mesmo tempo que a vizinha do prédio em frente. Cumprimentei-a como faço sempre e preparava-me para entrar em casa quando a vejo a dirigir-se a mim. Dando-se esta vizinha com uma outra que notoriamente pouco simpatiza comigo e com o Jack, achei que vinha dali alguma queixa ou acusação. Afinal, o discurso foi outro: uma vez que me vê sempre sozinha, vinha convidar-me para quando me apetecer lhe tocar à campainha e tomar um café com ela, uma vez que a senhora também passa os dias sozinha em casa. Sorrindo, declinei o convite dizendo que hoje não era um bom dia (não é mesmo). Ao que a senhora reforça o convite e despede-se dizendo "Então fica prometido!".
Aaaaa...Não, não prometi nada. Já aqui o disse algumas vezes: não deve haver pessoa mais anti-social com os vizinhos do que eu. Não gosto, pronto. Uma pessoa dá o dedo e os vizinhos apanham logo o braço todo, e de repente já estão aqui enfiados em casa, pedem-nos coisas emprestadas, abusam do nosso tempo e boa-vontade. E há como fugir. Não sou antipática e sou até bastante prestável quando um vizinho me bate à porta e pede ajuda. Mas ficamo-nos por aí e não há cá amizades e cafézinhos para ninguém. É que depois as coisas correm mal, começamos a não aguentar ver a cara uns dos outros e, olha que chatice, somos vizinhos e cruzamo-nos diariamente!
E agora, o que faço? Esta senhora tem idade para ser minha mãe (e eu não sou assim tão boa em conversas de circunstância), esta coisa de passar os dias sozinha espanta-me porque vejo um constante corrupio de gente a entrar e sair daquela casa, e já me estou mesmo a ver enfiada na sala a tomar chá e a chegarem dez pessoas todas a falarem árabe e eu enfiada ali no meio. Pior que as pessoas a falarem uma língua desconhecida, corro o risco de, em aceitando, cruzar-me (ou abrir um precedente a que isso aconteça) com a vizinha que não me suporta porque nem eu nem o Jack lhe matamos a curiosidade sobre a nossa vida nem acatámos os "conselhos" que nos deu quando aqui chegámos. E depois estou aqui cm a pulga atrás da orelha se não é por isto mesmo que surge o convite, de forma a saber um pouco mais de nós e a poder partilhar com a outra, uma vez que não há dia que não veja as duas juntas.
O meu lado anti-social e zeloso da minha privacidade grita-me "Maria Tété, não te atrevas a tocar àquela campainha! Dois segundos depois estarás encolhida num sofá a pensar que foi o maior erro da tua vida!".
O meu lado educado (culpa dos meus pais, obviamente, que me podiam ter educado a ser uma criancinha de poucas maneiras) diz-me que tenho de ir porque pelos vistos, algures entre o meu agradecimento pelo convite e a recusa do mesmo, "prometi" que ia.
Perguntar ao Jack a opinião dele não me vale de nada, porque não sendo ele o visado, já sei que só não estou já enfiada em casa da vizinha porque tenho realmente mau-feitio e coitadinhos-dos-vizinhos-que-são-tão-boas-pessoas-e-tu-estás-sempre-de-pé-atrás.
O meu lado educado (culpa dos meus pais, obviamente, que me podiam ter educado a ser uma criancinha de poucas maneiras) diz-me que tenho de ir porque pelos vistos, algures entre o meu agradecimento pelo convite e a recusa do mesmo, "prometi" que ia.
Perguntar ao Jack a opinião dele não me vale de nada, porque não sendo ele o visado, já sei que só não estou já enfiada em casa da vizinha porque tenho realmente mau-feitio e coitadinhos-dos-vizinhos-que-são-tão-boas-pessoas-e-tu-estás-sempre-de-pé-atrás.
![]() |
| Desculpe entrar assim em sua casa, vizinho, mas ouvi-o a abrir o frigorífico.... |
8.9.14
Cuidados de rosto
Muito pouco feminina em relação a muitas coisas, desde cedo que comecei a pôr de lado tudo o que era cremes que a minha mãe me comprava. Na adolescência, tive o tão famoso acne e a minha mãe, com as melhores das intenções, tentava criar em mim uma rotina de limpeza e hidratação da pele. Mas eu não estava de todo para aí virada e só comecei realmente a utilizar cremes e uma base já andava na Universidade. O facto de ter uma pele sensível que só ela fez-me sempre escolher as mesmas gamas de produtos: hidratantes da Nivea (o meu preferido é sem dúvida o Aqua Sensation por ser mais leve e menos gorduroso) e base da Avéne.
E como em equipa ganha não se mexe, esta base e estes hidratantes têm-me acompanhado nos últimos dez anos. À noite, vario entre o creme de noite da Nivea (é mais espesso e uso-o quando sinto a pele a precisar de um reforço de hidratação) e o Clenance K da Avéne (quando o acne dá ainda o ar de sua graça e realmente este creme ajuda muito a pele a ficar melhor).
Contudo, o ano passado comecei a achar que embora gostasse muitos destes produtos e não tivesse grandes razões de queixa, não se podia dizer que tinha assim uma pele fabulosa. Além do mais não sentia que controlasse grande coisa, quer a nível de oleosidade quer a nível de acne. O pedido de casamento fez com que as minhas pesquisas sobre outros produtos se intensificassem. Afinal de contas, queria estar com uma boa pele no dia do casamento! Cruzei-me assim com várias (muitas!) opiniões sobre o Sistema 3-Passos da Clinique. Li e reli tudo o que encontrava. O facto de ler que houvesse quem não apreciasse o álcool presente nos produtos, levava-me a achar que se calhar comigo a coisa não ia mesmo resultar e ia parecer uma velha carcomida pelo sol mal colocasse um daqueles produtos na cara. Continuei a ler e a reler, até porque os produtos não são baratos e eu não estava para gastar dinheiro à toa. Até que me cruzei numa perfumaria e em promoção com o kit sistema 3-passos próprio para viagens.
Os frascos são pequeninos, o preço era obviamente mais simpático e decidi testar. Já tinha analisado e achava que a minha pele merecia o tónico 2 por ser mista. Comecei um bocado a medo, confesso, porque depois de anos sempre a usar Nivea, já estava a ver a minha pele a reagir de forma louca a um novo produto. Mas tal não aconteceu e a verdade é que fiquei fã. Sendo sincera, não me livrei do acne porque continuo a fazer disparates alimentares que não ajudam à festa (e continuo sem largar mesmo o meu Cleanance K) mas em termos de oleosidade, que diferença, senhores! Ainda assim, achei que algo não estava a resultar bem e sentia que o problema estava no tónico. Voltei a comprar mais um kit, mas desta vez com o tónico 3, para peles oleosas, e é sem dúvida este o certo. Entretanto, também já me apercebi que entre o Dramatically Different Moisturizing Loção+ e o Gel (vinha cada um em seu kit e deu para experimentar assim os dois), sem dúvida o Gel é o melhor, já que o outro puxa mais pela oleosidade da pele. Mas nada se estraga porque vem aí o Inverno e o tempo frio e eu bem sei como esta minha pele reage a estas temperaturas e fica mais seca que um carapau ao sol, por isso sei que alternarei entre os dois tópicos e os dois hidratantes sem problemas.
O chato destes produtos é...o preço! Não é acessível a todas as carteiras e a carteiras em que não entra dinheiro como a minha, compras destas quase provocam um ataque cardíaco. O que vou fazer é comprar estes kits cujo preço daria para pagar apenas um dos frascos de tamanho grande. Como sou aquele tipo de pessoa que basta duas ervilhas de creme para espalhar pela cara e não preciso de embeber um algodão em tónico para sentir alguma coisa, os produtos dos kits duram o suficiente para eu não me arrepender.
Outro produto que veio num kit de maquilhagem (e este só vi mesmo em aeroportos) que comprei foi o desmaquilhante para os olhos. Este é daqueles produtos que, enfim, nunca achei que precisasse de ser uma uma boa marca desde que fizesse o seu propósito. O problema? Os olhos ardem e eu não aguento. Há dois anos acabei por investir num desmaquilhante da Avéne mas não achei que removesse a maquilhagem e se assim é não me interessa. Quando experimentei este da Clinique tive de dar o braço a torcer, mesmo não querendo....funciona e não me deixa os olhos a arder (para quem não tem este problema de ardor nos olhos, o da Sephora também é muito bom).
E como agora os meus anos vêm aí (os 30! Vou fazer 30!) acho que na lista de prendas virá mais um kit 3-passos (assim não compro eu quando o que está a uso acabar daqui a uns meses :)), um desmaquilhante para os olhos e ando para aqui a pensar se traio a minha base Avéne e experimento uma da Clinique. O preço é ligeiramente mais caro, mas mesmo usando base todos os dias, esta dura-me quase um ano por isso não será isso que me leva à falência (e posso sempre pedir novo frasco no aniversário do próximo ano =P). Não quero ser nem tornar-me naquelas pessoas que se besuntam com mil e produtos todos os dias, até porque não tenho vagar para isso. Mas que de facto uma pessoa se sente melhor com uma pele melhor e que sem dúvida há produtos que ajudam, então se calhar abdica-se de uma camisola nova e investe-se neste bem-estar.
P.s Não, este não se vai tornar um blog de cosmética. :) Mas sei que as opiniões pessoais sobre os produtos ajudam a quem procura por elas. E assim, fica aqui o meu registo.
5.9.14
Sim, sim, já percebemos, amigas...
Não tenho paciência aquelas pessoas que se auto-elogiam de forma (pouca) disfarçada, ao estilo "Ai, às vezes como demais! É o que dá poder comer de tudo e não engordar...", ou "Sou tão preguiçosa para colocar maquilhagem! Como tenho uma pele sem imperfeições às vezes nem me lembro....", ou "Que chatice...tantos biquinis, gosto de todos, todos ficam bem e eu não sei qual escolher!", ou então "Adoro aquela marca porque um S é um verdadeiro S e não um largo M....". E reviro ainda mais os olhos quando vejo bloggers, que ainda por cima já têm idade e leitores suficientes para ter juízo, a fazerem estas figurinhas...
É que mói mesmo....
Eu, ao contrário do meu irmão, não faço grandes febres e acho que até me lembro facilmente das últimas vezes que o fiz. A mais alta (39,9ºC) foi em plena intoxicação alimentar (mesmo que às portas da Urgência tentasse convencer os enfermeiros que estava óptima, pronta para ir para casa e que não precisava mesmo de nada) e depois uma amigdalite chata que me levou aos 39,5ºC. E pronto, foi isto. De resto, na loucura das loucuras, tenho 38ºC e já é preciso ser algo que me ataque com força. Nem com uma bronquite cheguei a ter mais de 37,5ºC. Agora o que mói constantemente é aquela temperatura que não é carne nem é peixe e que me dá o ar de sua graça cada vez que tenho um episódio de alergia. É que não falha, começam os espirros, a comichão no nariz e...tcharã, 37,3ºC. Não é grave, são apenas umas décimas a mais que a temperatura normal, mas moem e põem uma pessoa de orelha mais murcha. E eu estou há uma semana com esta temperatura estúpida, que não sobe nem desce e que me faz andar por aqui meio apática. Oh, vida...
Portugal é uma autêntica ervilha
Acabo de ver no facebook que o namorado de uma antiga amiga minha é amigo de uma amiga minha da escola primária. Algures na vida devem ter-se cruzado visto serem de cidades diferentes. Da mesma forma que a madrinha de casamento descobre depois que trabalha na mesma empresa que o companheiro de outra amiga minha que também foi ao casamento. E por fim temos o Jack que convida para o casamento uma amiga de muitos anos mais o seu namorado, e nisto a avó do Jack põe os olhinhos em cima dele e informa-nos a todos que o rapaz é primo afastado do Jack. Eu já disse ao Jack que não quero esmiuçar muito os nossos antepassados porque a hipótese de sermos primos neste país tão pequenino não é assim tão pequena.
4.9.14
Tenho um mês para decidir se corto ou não.
Estou com o cabelo demasiado comprido, já começa a dar demasiado trabalho e há dias em que não anda nada longe desta imagem. E eu ando cheia de vontade de lhe dar um corte daqueles à grande e à francesa.
Apetece-me fazer algo assim:
Ou mesmo assim:
E só não o faço porque:
- O meu cabelo nunca ficaria assim. Ganharia vida própria e tomaria como seu todo o espaço em redor da minha cabeça e eu pareceria ter uma peruca de palhaço.
- É demasiado fininho e eu sei bem a razão pelo qual o uso comprido: é o peso dos fios compridos que o faz manter-se a apontar para o chão e não para os lados.
- No fundo, no fundo, sei perfeitamente que cada vez que corto o cabelo passo os meses seguintes a esperar que ele cresça para voltar ao que estava antes.
- Por fim, e não sendo a razão que mais pesa, o olhar de desânimo do Jack cada vez que lhe falo de um corte assim (o homem é realista e sabe bem que há certos cortes que é melhor não arriscar).
As Três Vidas
Li "As Três Vidas" de João Tordo em cinco dias, não porque estivesse a adorar a história mas sim porque esta pouco me prendia e eu não queria arriscar a abandonar o livro pela terceira vez. Alguém me disse uma vez que ao ler um livro de João Tordo, tinha ficado com a sensação de não haver propriamente uma história. Neste que li não senti assim tanto isso, embora admita que bem espremido, acho que não se tira dali grande coisa porque, e foi este o meu grande problema com esta leitura, as páginas enchem-se de palavras para nada dizer. Faz-me lembrar alguém que conheço e que para pedir um lápis emprestado discorre durante largos minutos sem ninguém perceber qual o objectivo a que se pretende chegar. Achei o livro maçador neste ponto e não me custa admitir que houve páginas que li meio na diagonal, farta já daquele paleio todo sem que a história avançasse dois segundos que fosse. Mas sendo justa, tenho também a dizer que dei por mim curiosa em relação a um ou outro ponto e que isso ajudou bastante na leitura pois queria saber a explicação para certas circunstâncias. Não fiquei fã deste autor e não me parece que me vá atrever noutro livro dele nos próximos tempos.
2.9.14
Oh, socorro....
Sempre tive em mim um lado maria-rapaz. Da mesma forma que brincava com bonecas em criança, conseguia passar horas a jogar basquetebol com os rapazes na adolescência; da mesma forma que sempre gostei de brincos, ia para a escola com ténis de desporto e t-shirts largas para não evidenciar as formas femininas e para poder mexer-me mais livremente. Nunca me dei com sapatinhos chiques de menina nem com saltos altos em adulta. A regra da minha mãe para casamentos era simples: nada de calças de ganga nem sapatilhas, o que basicamente me lixava 90% do meu armário. Ainda hoje não sou menina de saias e folhos, roupa muito chique e muitos cuidados. Umas calças de ganga, uma t-shirt e umas sabrinhas/sapatilhas e estou pronta para sair. Coloco uns brincos e vamos embora. Nos últimos anos, o convite para casamentos levou-me a comprar dois vestidos (e só comprei dois para não levar sempre o mesmo a todo o lado) e só isso já é uma loucura. Agora aproxima-se um baptizado e eu olho para o meu armário e não faço a mínima ideia do que vestir. Em primeiro lugar, os vestidos estão em Portugal e de qualquer forma acho-os demasiado pipis para um baptizado. Corrijam-me se estiver enganada, mas o dress code de um baptizado não é tão rígido como num casamento, certo? Recuso-me também a ir comprar um vestido pois sabe-se lá quando é que voltarei a vesti-lo na vida e neste momento não há carteira para este tipo de gastos. Além de que o tempo já não anda para grandes aventuras e teria de arranjar um casaco que ficasse bem por cima, e ainda me arriscava a ter frio nas pernas. Sobram-me assim as calças que tenho no armário. Ora, ir de calças de ganga é demasiado, não é? Eu não sou o tipo de pessoa que acha que as pessoas têm de gastar rios de dinheiro para irem aperaltadas para este tipo de festa e no meu casamento não me teria importado se alguém aparecesse de calças de ganga por não haver hipótese para mais. Roupa lavada, sem nódoas e com boa aspecto e para mim é tudo aceitável. O problema é que não sou eu que dito as regras senão levava mesmo umas calças de ganga e uma blusinha com bom corte. Fora as calças de ganga, sobram-me...umas calças clássicas pretas (sim, tenho um armário muito básico). E eu sei lá o que vestir com elas...Bah, eu gosto destas ocasiões mas não tenho definitivamente roupa para elas.
Em nada?
Há uns dias, perguntei ao Jack:
- Em que estás a pensar?
- Em nada.
- Ah, estás a deixar os pensamentos correrem...
- Não, não é isso. Estou mesmo a não pensar em nada.
- Como assim, em nada?
- Em nada.
- Como é que isso é possível? Eu nunca penso em nada.
- Não, isso é um facto: em nove anos juntos nunca te vi com aquele ar de quem não está a pensar em nada. Parece que tens sempre o cérebro a funcionar.
Este diálogo levou a uma troca de argumentos sobre a capacidade, e a falta dela, de esvaziar o cérebro de pensamentos. A primeira vez que ouvi isto foi de um amigo que perante as minhas queixas de demorar a adormecer me explicou como fazia: chegava à cama, não pensava em nada e adormecia em dois segundos. Não pensava em nada? Como assim? Imaginava-se numa sala branca sem nada? Não, nada. Imaginava-se a olhar para uma folha branca? Não, simplesmente não pensava em nada. Eu tentei, confesso que tentei, este truque milagreiro de tão bem adormecer mas acabava por dar por mim a repetir exaustivamente "Não penses em nada, não penses em nada, não penses em nada", o que já é pensar nalguma coisa. Até porque chega a um momento em que o pensamento é "...não penses em nada, não penses em nada, amanhã tenho de comprar laranjas, oh, bolas, desconcentrei-me!".
Claro que já me aconteceu ter alguém a perguntar-me "Em que estás a pensar?" e a minha resposta ser "Em nada", mas isto significa "Em nada de concreto". Por exemplo, posso estar a pensar "Amanhã tenho de comprar laranjas; já não bebo sumo de laranja há imenso tempo; o meu irmão é que adora sumo de laranja, e pede sempre este sumo naquele restaurante italiano onde vamos; adoro o esparguete daquele restaurante; tenho de fazer esparguete esta semana; acho que vou fazer esparguete com fiambre; comia imenso disto na Universidade; a X é que diz que só gosta deste esparguete quando come connosco; por falar na X tenho de lhe ligar, já não sei notícias dela há algum tempo; e tenho de mandar e-mail à Y também, etc, etc, etc". Não estou mesmo a pensar em nada de concreto e estou simplesmente a deixar os pensamentos fluírem. Mas é um facto de que nunca, nunca, nunca me lembro de alguma vez ter estado a "não pensar em nada".
O Jack ainda fez ontem uma última tentativa:
- A ideia é, por exemplo, pensar que está a chover lá fora e bloquear aí o pensamento.
- Como assim bloquear o pensamento? Ora, se está a chover lá fora, amanhã não posso sair de sandálias, o que me lembra que tenho de comprar umas botas castanhas este ano...
- Ok, ok, então imagina uma folha branca e fica apenas a olhar para ela.
- Ok.
-..........Já estás a pensar em coisas, não já?
- Sim, estava a pensar que com uma folha assim dava para fazer um avião de papel, ou então uns desenhos....
- Desisto!
Sou só eu a não conseguir "não pensar em nada"?
1.9.14
Tété a caminhar para o conhecido
E aos poucos, o blog vai-se associando cada vez mais a mim. É o que dá ter a cabeça ocupada com outras coisas e não prestar atenção ao que se está a fazer. Só este fim-de-semana consegui responder a alguns comentadores a partir do meu e-mail pessoal em vez do e-mail do blog e, ainda estou para perceber como, associei a conta instagram do blog à minha página pessoal do Facebook.
Acho que hoje vou estar mas é quietinha porque depois de só ter adormecido às 4h30 (obrigada, insónia!) com o Jack (geralmente um descanso a dormir) com um sono agitado e a mexer-se, virar-se e dar pontapés a cada cinco minutos, estou para aqui meio zombie, e ainda coloco uma foto de cara ou a morada de casa aqui no blogue.
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