31.1.15

The Strawberry Award




A Ariadne (Histórias de Ariadne) lançou-me um desafio e umas perguntas. Vamos lá então que eu não sou mulher de virar as costas a estas coisas. :)

Regras:
- Dizer quem te nomeou e colocar o link de quem te nomeou
- Colocar a foto de um morango
- Nomear no mínimo 5 blogs
- Responder a todas as perguntas

1. Qual é o teu fruto preferido?
Ameixas. Verdes porque eu não como fruta madura. Mesmo que isso me faça fazer caretas devido à acidez das ameixas neste estado, a verdade é que gosto muito. :)

2. O teu nome do meio?
Sim, sim, era o que faltava. :) O meu nome do meio é um apelido (dois nomes próprios e três apelidos constam no meu cartão de cidadão) mas levam com o meu segundo nome próprio: Teresa! Algo que eu sei que nem suspeitavam visto assinar este blog como "Tété". =P

3. Qual o nome que gostavas de ter?
O meu. Sempre gostei do meu nome. Acho-o francamente bonito (principalmente a junção dos meus dois nomes próprios) e só não o colocarei um dia a uma filha minha por não gostar de ver pais e filhos com o mesmo nome.

4. Em que mês fazes anos?
Outubro. :)

5. A origem do teu blog?
Criei-o quando decidi que vinha para França viver. Quis escrever um relato sobre a mudança e a minha vida cá. Era o começo de uma vida nova que me pedia um novo blog.

6. O porquê de teres criado o teu blog?
Bem, este já é o meu terceiro blog e o extraordinário disto é que todos eles estão relacionado com...França. O meu primeiro blog foi criado quando vim em Erasmus, era um blog conhecido por todos os amigos e família, que eu basicamente usava para dar novidades e para que fossem sabendo de mim (e que acabou quando regressei a Portugal). 
Como o meu ano de Erasmus não foi a coisa mais extraordinária da minha vida, senti na altura necessidade de ter um outro blog onde eu pudesse escrever mesmo aquilo que me passava pela cabeça, mesmo nos dias maus, sem que a família soubesse da sua existência. Este blog existiu durante cerca de cinco anos, acompanhou o meu regresso a Portugal, o mestrado, os meus anos de trabalho, a vinda do Jack para França e a nossa relação à distância.
Quando decidi regressar a França, senti que não poderia escrever este regresso no mesmo blog porque por muito que o registo já tivesse mudado, a verdade é que aquele blog tinha sido criado numa altura de grande fragilidade, num país onde eu estava a odiar estar. E o facto de eu saber as razões pelas quais o tinha criado, fazia-me lembrar que este meu retorno era um risco e uma loucura imensa, coisa que eu não precisava que o meu próprio blog me relembrasse.
E assim nasceu o "Ando lá por fora...volto já", um novo blog, uma nova página na blogosfera, um novo recomeço. :)

7. Data de criação do teu blog?
27 de Janeiro de 2012.

8. Blog preferido (tirando o teu)?
Aqueles que constam na minha listinha ali ao lado e mais uns quantos que já vou acompanhando sem ainda os ter ali colocado. Não conseguiria escolher apenas um para ler, por isso, não tenho um preferido. :)

9. Passatempos?
Ler. Ir ao cinema. Fazer jogos de lógica. Escrever no blog. Ver séries. Fazer puzzles. 

10. A origem do nome do teu blog?
Esta minha emigração não tem data de regresso. Quero acreditar que sim, que regressarei a Portugal um dia, mas ainda não sei quando. Por outro lado lado, sempre achei piada aos comerciantes que colocam na porta avisos como "Fui almoçar, volto já!". Dá uma ideia de ausência mas promete um regresso, e no fundo foi isso que eu quis para o meu blog. Eu não estou em Portugal, ando lá por fora, mas um dia voltarei.:)

Nomeados para este desafio:



Amor é....

...o Jack ter um jantar com os primos ao qual eu não pude ir e, sem eu saber, pedir a "nossa" pizza para poder trazer-me umas fatias da mesma para casa. :)

30.1.15

Ooooh :)

Quando o Jack se levanta, veste-se, sai do quarto para ir tomar o pequeno-almoço, lavar dentes, etc, e mesmo antes de sair de casa regressa ao quarto para me dar um beijinho de despedida. Hoje, quando o meu despertador tocou e eu (muito a custo) abri os olhos, pensei imediatamente "Ele não me veio dar um beijinho!". Enquanto (muito a custo) me levantava, tentava lembrar-me dos acontecimentos, ver se ele teria vindo ao quarto sem eu me lembrar. Mas não, lembrava-me do despertador dele ter tocado. Lembrava-me de lhe estar a dizer que eu ainda não tinha adormecido e que me sentia super cansada. Lembrava-me de ele sair do quarto...e depois nada. Na altura, devo ter adormecido mas lembrar-me-ia de acordar para receber o beijo. Malandro do homem! Nem um ano de casamento e já me começa a cortar as rotinas românticas. Sacana! Peguei no telemóvel preparada para lhe mandar uma mensagem a ameaçá-lo de divórcio, de ter outra na vida dele, de não se importar comigo mas acabei por pousá-lo novamente sem ter enviado nada. Ainda meio a dormir dirigi-me para a sala para ligar o computador pois ainda queria imprimir uma folha antes de sair de casa. E lá estava ele, o bilhetinho em cima do meu computador:

"Desculpa não te ter dado um beijinho antes de sair de casa mas tinhas finalmente adormecido e eu não te quis acordar. :) Um beijo muito apaixonado"

Safou-se desta o menino....:)

Se não voltar a ficar doente, é uma sorte.

A Ariadne perguntou-me no instagram se sempre tinha ido ao Centro de Emrpego hoje. Fui. Muito chateada com a vida, mas fui depois de uma noite em que só adormeci às 6h00 com o despertador pronto a tocar às 7h30. Nem sei como é que consegui pegar no carro de manhã, com a soneira que hoje não me larga. Quando lá cheguei, ainda faltavam uns minutos para a porta abrir por isso ainda estive a rapar frio e apanhar com a neve enquanto o relógio avançava de-va-gar. O meu humor estava mais frio que a temperatura negativa que se fazia sentir e ainda por cima estava com um bocadinho de fome porque tinha apenas engolido um iogurte à pressa, pensando que daí a 15 minutos no máximo já estaria despachada e com tempo para tomar um pequeno-almoço como deve ser. Queria eu! Afinal vi-me fechada numa sala, com mais seis pessoas, pronta para receber uma pequena formação. Hã? O quê? Então mas não era apenas para vir conversar uns minutos sobre o meu estado actual de desemprego, como de todas as outra vezes? Não. Apanhas com uma formação e não te queixas. E durante 1h30 lá ouvi falar do que o Centro de Emprego tem para oferecer, dos direitos e deveres de quem procura emprego, dos erros que não se podem cometer para não se perderem os subsídios (seeeeca, já que eu não tenho direito a nada), de como funciona o site (eu jááá seeeeeei), etc, etc....No fim, uns minutos dedicados individualmente a cada um para a conclusão ser "Pois, então continue a manter-se inscrita no Centro de Emprego e a enviar o seu currículo.". 

Mais valia ter ficado na cama.

Diferenças

Eu e o Jack somos diferentes em muita coisa e uma delas é a aquisição de coisas novas. Eu herdei o gene do meu pai que me faz só comprar algo quando aquilo que eu tenho está completamente destruído. O meu primeiro computador sofria já de diversos horrores (desde não dar som, desde o botão de iniciar ter avariado, etc) sem que eu nunca tivesse pensado ver-me livre dele. Só quando morreu sem recuperação possível no dia da entrega da tese provisória de mestrado é que me vi obrigada a comprar outro. Enquanto não comprei usei um do meu pai que, imagine-se, tinha uma risca de alguns milímetros de pixeis mortos no ecrã. Mas funcionava e isso é que era importante. Comprei o que tenho agora que coitado já teve de substituir uma ventoinha e o ecrã, algumas letras já mal se vêem e a ligação aos auscultadores morreu pelo que quando quero ouvir algo no computador tem de ser em alta-voz (pobre Jack que nunca tendo visto a Casa dos Segredos, já reconhece as personagens pela voz).
Já o Jack compra coisas por gosto e não por avariarem, coisa que durante alguns anos me fez confusão mas que aos poucos e poucos se vai instalando. Ainda me lembro quando comprei o meu primeiro telemóvel por motivos fúteis (isto é, quando aquele que tinha ainda funcionava perfeitamente), o choque que foi para os meus pais. É preciso ver que já o mundo usava smartphones e o pai continuava a usar um telemóvel daqueles que tem uma antena retráctil (funcionava! Mal mas funcionava!).
O Jack vai-me dando a dica de trocar de computador, propõe-se a oferecer-me um mas enquanto este aguentar (mesmo com alguns sustos pelo meio e coisas avariadas) resisto a esta despesa. Mas depois há coisas em que ele não aguenta este meu lado de "usar até gastar antes de comprar novo" e hoje deitou-me as pantufas no lixo. E tirou fotografias para a posterioridade. Apenas porque estavam a perder a sola. E porque estavam rasgadas. E sem bocados do forro.

28.1.15

Viva a burocracia!

Eu não sei como funcionam os centros de emprego em Portugal, mas aqui em França é o descalabro. Depois de no final do ano passado, a minha inscrição ter sido anulada sem se perceber bem porquê, dia 1 de Janeiro deste ano, lá voltei a fazer a inscrição. Na minha página pessoal no site do centro de emprego constavam já os meus dados, o CV anexado e os campos de CV propostos por eles já preenchidos. Ainda assim, revi tudo direitinho, acrescentei mais umas coisas e ficou tudo tratado. O site dispõe até de umas bolinhas que estando verdes significa que tudo está preenchido e actualizado. A cada 30 dias tenho de ir ao site confirmar que o CV continua actualizado senão a bola muda de cor. Ora, há coisa de uma semana recebo uma carta (oh, o que eles gostam de me manda cartas!) a dizer que eu não tinha o currículo na minha página pessoal e que ou tratava da situação ou seria chamada para uma reunião/formação de currículos. Estranhei e confesso que me esqueci da carta. Ontem voltei a pegar-lhe e claro que fui confirmar que tudo está devidamente preenchido e anexado, pelo que não há razão nenhuma para aquela carta existir. Mas descobri também que segundo a agenda da página tenho uma reunião sexta-feira às 9h da manhã. Nunca tal tinha visto quando me enviavam cartas a marcar outras reuniões. Já recebi cartas a marcarem reuniões que depois afinal não existiam. Já recebi cartas a desmarcar reuniões que nunca tinham sido marcadas. E pois que agora tenho pelos vistos uma reunião marcada sem ter recebido carta nenhuma. Bem, meus senhores, têm até amanhã para me fazer chegar uma cartinha às mãos senão bem podem esperar sentadinhos na sexta-feira que eu não estou para ir para o frio e ainda ter alguém a perguntar-me "Mas veio para quê? Se não recebeu carta, não tem reunião. Aqui no sistema não temos nada marcado....".

27.1.15

3 anos de blog!


Este blog faz hoje três anos. :D Criei-o dois meses depois de decidir que viria para França. Na altura estava com o coração ali algures entre o "que-fiiiiixe-vai-ser-tão-giro" e o "valha-me-nossa-senhora-onde-é-que-eu-me-vou-meter!". Por uma série de percalços com as obras e por motivos pessoais, acabei por me mudar só em Dezembro, quase um ano depois, de modo que os primeiros tempos de blog são as visitas a França, as obras, a preparação da vinda, e os dois anos seguintes (ui, já cá estou há dois anos) a descrição da minha vida pacata por terras francesas. Sei que há quem me tenha seguido do blog anterior (que já contava com uns anitos também) e quem só me "conheça" daqui. Sei que é um blog simples, sem grandes aventuras, nada de passatempos ou moda, sem conselhos de beleza nem de culinária (ahahah, havia de ter piada), sem grandes fotografias e pouco fashion. Mas é o meu blog, onde vou contando as tropelias com o Jack, onde partilhei as coisas do casamento, onde vou falando dos livros que leio e dos filmes que vejo, onde desabafo à custa da burocracia e do egocentrismo dos franceses, onde digo que tenho saudades, onde dou a minha opinião sobre alguns assuntos, enfim, onde escrevo aquilo que me apetece, sem obrigações nem condições. :) Obrigado aos que me lêem e que estejamos todos por aqui ainda por uns bons anos. :)

26.1.15

Séries

Eu e o Jack temos o hábito de ver um episódio de uma série por dia. Já atacámos as temporadas do Mentalista, da Modern Family, da New Girl (mas esta está a ficar um bocado esquisita: está a deixar de ser cómica para ser só parvoíce), entre outras...Agora andávamos aqui às voltas sem saber o que ver e decidimos ver o Lost. Deixámos de a ver há uns anos e eu já pouco me lembrava da história por isso convenci-o a recomeçar a ver a série, pelo primeiro episódio da temporada 1. Vamos andar entretidos com ela nos próximos meses. :D Entretanto, eu vou vendo sozinha a Anatomia de Grey e ele o Spartacus. :)

25.1.15

Coisas que me passam ao lado

Não compreendo as mulheres que frequentam fóruns na internet e que fazem perguntas como "Tive relações desprotegidas com o meu namorado. Estou grávida?". Qual é a resposta que procuram encontrar? Será que nalgum minuto de vida, estas pessoas acharão que alguém que lhes conseguirá responder para além de um "sim, há essa possibilidade". Será que esperam que alguém lhes diga "Sim, estou a sentir energias positivas por isso tenho 100% certeza que está grávida" ou "Não, pela ausência de erros ortográficos, não está grávida de certeza absoluta?. E depois insistem, pedindo em maiúsculas "Ajudem-me! Estou desesperada! Preciso das vossas respostas!". Mas que respostas, senhores, que respostas? Fico espantada quando leio estas coisas, a sério que fico, porque não compreendo e eu gosto de compreender as coisas. Ou quando escrevem coisas como "Hoje sonhei com a comida da mamãe, estarei grávida? (sim, claro, e se tiver sonhado com batatas fritas, então está grávida de gémeos!), "Fiz o teste da agulha/das borras de café/qualquer-outro-teste-popular e deu menino, mas o médico diz que vai ser menina. Qual está certo?" (o teste de agulha, claro! E o melhor é processar o médico por se ter enganado, o malandro!), "Hoje apeteceu-me comer gelado de morango, estarei grávida de gémeos?" (Não, claro que não. De gémeos seria se tivesse vontade de comer gelado de chocolate. De morango, são trigémeos!), etc, etc, etc...Juro que às vezes tenho vontade de criar uma conta só para começar a distribuir este tipo de respostas ou para simplesmente perguntar "Porquêêêê? Porquê é que faz estas perguntas?" mas depois penso no que um dia me disseram ("Há pessoas que escolhem ser estúpidas e nós temos de deixá-las ser") e abano simplesmente a cabeça. 

Leituras de Janeiro

Li o último da Lesley Pearse, "És o Meu Destino". Gostei muito, muito, muito. O anterior dela tinha-me sabido a pouco, mas este voltou a valer a pena. Para quem leu os livros "Sonhos Proibidos" e "A Promessa" com a protagonista Belle, este é a continuação mas agora com a filha de Belle como personagem principal.




E li também o "Nunca desistas de viver" da vocalisra dos Silence4, Sofia Lisboa. É o seu ponto de vista sobre tudo o que viveu, tudo o que passou, tudo o que perdeu e como encarou a leucemia. 

24.1.15

E o Jack que nos ature....

A minha relação com o irmão do Jack é do género cão-e-gato. Gosto muito dele, sei que ele gosta de mim mas somos diferentes e não deixamos essas diferenças cair por terra. Picamo-nos constantemente, com o cuidado de não magoar, ao ponto do Jack nos dizer que parecemos duas crianças. A preferida do meu cunhado é nos restaurantes, na altura em que o empregado nos vem perguntar se queremos algum digestivo, apontar para mim e dizer que eu quero um copo bem grande de vodka. E quando digo que "não, não quero" ao empregado, é menino para fazer um ar espantado por "desta vez" não querer, Já eu tenho-lhe azucrinado a cabeça por no vídeo de casamento ter dito perante as câmaras que espera ainda passar bons momentos comigo (fofiiiiiiinho). No fundo, adora-me e eu faço questão de o relembrar disso sempre que embirra comigo. E digo-lhe que ele me faz lembrar os ursinhos carinhosos, que qualquer dia lhe arranjo esse disfarce para o Carnaval e sempre que viajo, faço questão de no regresso dar-lhe um abraço e dizer que só voltei porque sei que estava cheio de saudades minhas. Geralmente ele começa a pedir por socorro nesta altura.

Ontem adoeci e por isso hoje o Jack foi jantar sozinho com o irmão e com os primos, mas ainda em casa enviou mensagem ao irmão para que este não reservasse mesa a contar comigo porque eu não estava a sentir bem. E dá-se a troca de mensagens seguinte:
Cunhado: Dá-lhe álcool!
Jack: Não, ficaria insuportável! ;)
Cunhado: Ainda mais?!?!?

Acho que devia ter ido ao jantar e sentar-me mesmo ao lado dele a tossir e a espirrar. Amor com amor se paga. E eu até gosto dele. =P

22.1.15

:)

Já tive quem me sugerisse escrever um livro sobre relações, já houve quem me dissesse que aconselho bem, até já tive quem me dissesse que deveria ter seguido a área da psicologia ou terapia de casal. Abano sempre a cabeça e sei que casei com alguém que compreende a minha recusa perante tais ideias: eu sou muito preto no branco em relação a muitas coisas. E embora acredite que consigo analisar friamente situações, colocar-me na pele de cada membro do casal, aconselhar e acalmar, a verdade verdadinha é aquilo que disse à última pessoa que falou disto comigo: se fosse eu a mandar, metade das pessoas que conheço não estavam com quem estão. Mas estão e parecem ser casais que resultam. O que significa que eu não teria qualquer sucesso nesta área. :) 

Cinema


Estava à espera que saísse este filme desde o início de Janeiro e ontem mal estreou, lá estávamos nós sentados na sala de cinema, prontos para o ver. Gostei muito, muito, muito tal como gostei dos outros dois filmes. Se quiserem pensar num quarto filme, estejam à vontade, que eu aprovo!

21.1.15

É que uma pessoa até fica sem fôlego!

O meu problema com os horários do Jack é que acordando ele à hora que acorda, eu acordo também. E não tendo qualquer necessidade de me levantar às 4h, 5h ou 6h da manhã, o ideal seria voltar a adormecer, coisa que infelizmente dificilmente acontece. Dou por mim uma ou duas horas a tentar novamente pegar no sono e quando finalmente o meu despertador toca, a última coisa que me apetece é acordar e levantar. Hoje acordei sozinha e imediatamente pensei "Bolas, não ouvi o despertador..." e olhei para as horas. Eram 15h45. Ai, valha-me Deus! Levantei-me de um salto, tinha de estar a dar explicações daí a um quarto-de-hora, ainda tinha vinte minutos de caminho e precisava de tomar um banho. Afastei os cortinados e estava tudo branco, coberto de neve e nevava ainda com força. Boa! Demoraria o dobro do tempo a chegar. Corri para a casa-de-banho enquanto mandava uma mensagem à mãe da explicanda a explicar que chegaria atrasada (odeio, odeio) e deparei-me com um cenário catastrófico: uma inundação da casa-de-banho. Saia água debaixo do lavatório e da sanita. Sem perceber (e sem tempo para isso) de onde vinha aquela água toda, enfiei-me no duche para tomar um banho ultra-rápido e poder depois fechar a água de casa. Debaixo de água, fechei os olhos, irritada com toda esta situação e quando os abri....estava na cama. E ainda faltava meia-hora para o meu despertador tocar. Foi um alívio perceber que tudo era um sonho, mas acho que agora, horas depois, ainda tenho o coração aos pulos.

20.1.15

Saiam da frente que eu vou pegar no carro.

Aqui em França, é possível tirar a carta e conduzir com 16 anos, desde que sempre acompanhados. Um dos adolescentes da família vai por isso começar a estudar o código e anda entretido a fazer testes numa aplicação do iPhone. Embora pessoalmente ache isto uma má estratégia, pois não sabendo as regras, a hipótese de falhar nos testes é grande e isso pode tornar-se desencorajador, a verdade é que no último jantar de família, o telefone andou a passear de mão em mão, cada um a testar os seus conhecimentos (ou falta deles) no que toca ao código da estrada. Vergonhosamente, falhei 16 em 40 perguntas. Uma calamidade, eu sei, mas em minha honra tenho a dizer que a aplicação está em francês, que algumas perguntas não percebi, que fiz metade dos testes a achar que "droite" era esquerda e "gauche" era direita, que para cada pergunta havia apenas um período de alguns segundos para ler e responder, e que estavam ao falar comigo ao mesmo tempo sendo impossível colocar o exame em pausa. Acabei por descarregar uma aplicação semelhante em português para o meu telefone, e da primeira vez errei 6 em 30 e da segunda vez errei 4 em 30. Teria chumbado em qualquer dos exames, mas sempre é menos vergonhoso. A realidade é que já ninguém se lembra das regras do código, algumas porque não nos fazem muito sentido na prática (e por isso esquecemos mal começamos a conduzir mais assiduamente) e muitas por não se aplicarem a nós (sei lá eu as velocidades e direitos de veículos pesados de mercadorias ou de velocípedes). Além das perguntas sobre taxas de álcool que erro todas porque sei lá eu qual o limite permitido por lei. Eu não bebo, senhores! Acho que ainda vamos dar muitas gargalhadas com estes testes e quem sabe voltar a rever alguma matéria.

Shake it off!

Este vídeo tem feito um sucesso na internet e tudo porque a câmara instalada no carro da polícia apanhou o sr.agente a....cantar. Confesso que ri e ainda mais quando ele tenta disfarçar ao cruzar-se com outros condutores.


19.1.15

:)


E é tão bom acordar e ver nevar. :D

Afinal...

Já dei por mim várias vezes a pensar que se um dia me apanhasse numa Casa dos Segredos nunca chegaria ao nível que muita gente chega, discutindo e perdendo a cabeça facilmente. Mas esta semana percebi que se calhar não seria algo assim tão fácil de impedir, mesmo sendo uma pessoa absolutamente contra peixeiradas, lavar de roupa suja em público e gritos, acreditando que se perde sempre a razão. Já me cruzei na vida e trabalhei com pessoas cuja vozes, a determinado ponto, eram o suficiente para eu me sentir começar a ferver. Pela sonsice, pela má-educação, pela maldade ou por outras razões, a verdade é que a minha sorte era não ser obrigada a lidar com elas 24h por dia. E vendo agora o Desafio Final, não sei até que ponto seria capaz de estar de pé a falar, a dar a minha opinião sobre algo e ter Sofias e Vânias, numa clara demonstração de má-educação, a mandar boquinhas, de 30 em 30 segundos, num tom suficientemente baixo e alto ao mesmo tempo, para que mesmo não compreendo tudo o que dizem, ser audível o suficiente para se perceber que disseram algo. Ou até mesmo com Éricas que a partir do momento em que querem falar, acham que todos têm de se calar para a ouvir, não interessando se está ela própria a interromper ou a falar por cima de alguém. E talvez aqui tenha de dar a mão à palmatória: continuo a achar que não me envolveria com ninguém passado 24h, mas talvez não me livrasse de uma discussãozita ou outra.

18.1.15

E o que diz isto das pessoas?

Não deixa de ser um bocadinho triste e surpreendente (sempre) estar à espera de uma resposta a um e-mail durante semanas mas ver a pessoa em questão em franca actividade no facebook. Acho que nunca me habituarei a isto.

16.1.15

Maldito queijo

Ora pois que a raclette correu muito bem. As batatas estavam cozidas no ponto, a salada bem temperada e toda a gente se divertiu a colocar os cogumelos, os pimentos, a carne, o fiambre, as salsichas e mais uma série de coisas em cima da placa quente, e depois já no prato, a cobrir tudo com o queijo derretido. Tudo muito giro, muito bonito, menos o cheiro. O queijo usado na raclette tem um cheiro forte. E mau. Já tinha dado por isso quando me pus a cortar a casca que vem sempre agarrada ao queijo fatiado. A cozinha e as minhas mãos ganharam logo um odor pouco comum, e quando os convidados saíram a nossa sala estava com um cheiro pouco simpático, para além de algum fumo. Pouco antes de nos deitarmos e de já termos tudo arrumado, o Jack comentava comigo "Porque é que a cozinha cheira a xixi de gato?". Pois, culpa do queijo. E hoje, enquanto tomava o pequeno-almoço na sala, dava por mim a pensar "Raio, está aqui um cheiro esquisito. Parece que a sala está a cheirar a chulé....que raio...Ah, é do queijo!". Já pus as janelas todas abertas para arejar a casa (com 4ºC lá fora é preciso ter coragem!) durante umas horas, mas mesmo assim, ainda sinto algum cheiro. E eu tenho pouco olfacto, por isso acho que quando o Jack chegar a casa vai ter a sensação que morreu aqui algum bicho.
(imagem retirada da net)

Sim, tenho medo

Não posso dizer que seja vítima por parte de familiares e amigos de pressão para ter filhos, como acontece com muita gente. Do meu lado, os amigos e família praticamente não se pronunciam sobre isso, e do lado do Jack, fora a mãe que olha para mim cheia de expectativa quando o Jack se lembra de me passar a mão na barriga numa clara tentativa de deixar a senhora a pensar no que não deve, os sobrinhos que anseiam por um primo e que nos perguntam descaradamente se é esta noite que o faremos, há ainda o irmão que vai brincando com a situação e perguntando de que é que estamos à espera. O ambiente é sempre de brincadeira, o que não convida a respostas sérias e por isso quando inquiridos sobre tal assunto já começamos a responder "Oh, sim, já decidimos que vamos avançar. Tratamos disso já hoje à noite". Mas a semana passada, o irmão do Jack comentou no meio da brincadeira "Tu tens medo, não tens?". Respondi seriamente que sim. O comentário seguinte fez-me perceber que ele se referia apenas ao parto, enquanto que a minha resposta abrangia todo um mundo de receios e questões. Sim, tenho medo. Tenho medo de enjoar e andar a vomitar as entranhas, tenho medo de engravidar e de perder o bebé, tenho medo de ter diabetes gestacionais e ter de andar de agulha atrás de mim (que é coisa para me deixar mal-disposta só de pensar), tenho medo de engordar 50 quilos, tenho medo de não gostar de estar grávida, tenho medo de ter uma gravidez de risco, tenho medo que nasça doente, tenho medo, não, corrijo, tenho pânico do parto. E isto só nesses nove meses, porque depois há toda uma lista: tenho medo que a minha relação com o Jack se altere, tenho medo que ele não seja o pai que eu imagino que será e eu a mãe que ele imagina que eu serei, tenho medo que não nos habituemos a novas rotinas, tenho medo de não saber lidar com cocós, bolsados, baba e afins (sou nojentinha, admito), tenho medo de ter um bebé daqueles que só chora e de me sentir a pior mãe do mundo, tenho medo de cair numa depressão pós-parto, tenho medo de não conseguir um emprego se engravidar antes de conseguir um, tenho medo de não gostar de amamentar (sei que é melhor e fazê-lo-ei, mas não é algo que me seduz), tenho medo de não recuperar a minha figura de morsa e ficar a parecer a fusão de três morsas, tenho medo de não me conseguir impor com as 1001 teorias e opiniões que talvez vá ouvir. E a criança crescerá e os meus receios continuarão: tenho medo de ser má mãe, tenho medo de não conseguir impor limites, tenho medo de ser demasiado autoritária, tenho medo de não conseguir que o meu filho goste de mim, tenho medo de não o fazer feliz, tenho medo de não o saber alimentar dado o meu pouco jeito e interesse culinário, tenho medo que lhe falte algo, tenho medo que ele não crie uma ligação com a minha família por ela estar longe, tenho medo por a minha família estar longe, tenho medo que não se dê bem na escola, enfim, tenho medo da responsabilidade que é ter um filho. A minha resposta é mesmo esta: sim, tenho medo. Mas talvez um dia tenha também coragem. :)

15.1.15

Troca de jantares

Ontem fomos jantar a casa do irmão do Jack e hoje é dia de eles virem cá jantar a casa. Tinha já combinado há uns dias com o Jack que o jantar a servir seria frango no forno, por não ser um prato feito muitas vezes pela cunhada dele e deste modo sempre seria algo diferente. Imaginem pois o nosso ar quando ontem nos sentámos à mesa e o jantar servido era...frango no forno. Ri-me e acabei por explicar que era o prato que tínhamos pensado fazer hoje para eles, que a coincidência era grande e que teria agora de desenrascar um novo pitéu. E a cunhada do Jack olha para mim espantada e diz-me "Bem, eu tinha pensado fazer raclette, mas achei que seria o jantar que nos fariam amanhã e por isso tive de arranjar um novo prato". E assim, ontem jantámos frango e hoje vamos estrear a raclette oferecida como prenda de casamento.  Trocamos as ideias do jantar e não se repete prato nenhum. :)

14.1.15

Sonhos reais

Sempre fui uma pessoa que sonha muita e que se lembra praticamente de todos os sonhos. Já tive pesadelos que me fizeram ligar em pânico em Jack da mesma forma que já acordei a rir às gargalhadas à custa do sonho que estou a ter. A maioria dos meus sonhos é extremamente parecida com a realidade, sonho com coisas do meu dia-a-dia, com as pessoas que conheço e tenho conversas possíveis de acontecer daqui a cinco minutos. Sonhei muitas vezes com o dia de trabalho que teria, o que me fez acordar muitas vezes já cansada e desmotivada por ter de fazer tudo "outra vez". Hoje sonhei com a explicação que darei hoje. Sonhei que explicava a matéria, sonhei com os gráficos que fazia para exemplificar, sonhei com os exercícios que lhe proponha fazer, sonhei que os corrigia. Enfim, tudo. E agora que estou aqui a preparar-me para ir dar a verdadeira explicação, estou com a sensação que vou repetir algo que já fiz. 

Nota: e acho interessante que durante o meu sonho me tenham falhado algumas palavras em francês, palavras essas que mesmo acordada não me lembro delas. Terei de as pesquisar para pelo menos nessa parte não fazer a mesma figura. :)

12.1.15

Mdr....

Demorei dois anos para perceber que quando a sobrinha do Jack escrevia "mdr" nas mensagens que me enviava não estava a escrever nenhuma asneira mas sim "mort de rire", ou seja, o nosso "lol".

Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para mim na interpretação de mensagens em francês de adolescentes.

Captives

Eu queria ir ver o Taken 3, mas ainda não tinha estreado por isso escolhemos o "Captives" ("The Captive", título original, e "À Procura", título português), com o Ray Reynolds. Do que percebi, este filme já estreou há um mês em Portugal portanto não será qualquer novidade para quem me lê a escrever sobre ele. Gostei da história, gosto deste tipo de filmes mas não teria feito o filme assim. Acho que se perdeu bastante por se andar para a frente e para trás constantemente, obrigando quem vê a tentar situar-se na história o tempo todo. E o final também não me agradou. Sinceramente, acho que deste tipo há filmes melhores.

11.1.15

Dia de mimos :)

 10 rosas para comemorar 10 anos de namoro. Já não me lembro da última vez que ele me ofereceu flores mas lembro-me da primeira vez. Foi exactamente há 10 anos atrás. :)

Jantar num restaurante do mesmo grupo a que tantas vezes fomos ao longo do namoro.
E de seguida, cinema na Disney. :)

 E o que eu gosto de estar no computador com flores ao lado? :)


10.1.15

10 anos :)

E mal passou a meia-noite ouvi o Jack dizer-me "Parabéns!". Hã? O quê? Olhei para o relógio, vi as horas e percebi que tínhamos entrado num dos nossos dias, 10 de Janeiro, para comemorar...10 anos de namoro. Não sei muito bem como é que se passaram já estes anos todos. Lembro-me tanto do 1º telefonema dele, do nosso reencontro, daquilo que levava vestido, da conversa, do beijo, do pedido de namoro. Lembro-me como se fosse ontem das visitas dele, de eu o ir esperar à saída do trabalho, da primeira prenda que lhe ofereci. E não sei como, nestes dez anos conseguimos começar um namoro em cidades diferentes, eu fiz em Erasmus em França e ele ficou em Portugal, eu regressei à cidade dele por um ano, depois voltei a mudar de cidade para logo de seguida ele mudar de país. Três anos numa relação à distância que agora me parecem ter passado em 10 minutos e dois anos a vivermos juntos que me parecem ter começado só ontem. E um casamento, há precisamente 8 meses, um dia imensamente feliz mas que não fez com que deixássemos de ser os namorados que sempre fomos.

A nossa relação é pautada pela felicidade e nenhum nós pode dizer que ela já passou por muito. Deixamo-la simplesmente correr e acontecer e de alguma forma isto vai resultando porque estando os dois juntos (mesmo que em países separados) então tudo está bem. Sou uma mulher de sorte pela pessoa que tenho ao meu lado e nunca nestes dez anos tive razões para dizer o contrário. É o meu melhor amigo, tenho um orgulho imenso nele a cada ano que passa, acho-o cada vez mais giro (sorte a dele) e tenho-lhe um amor e respeito que ele nem sonha. E sou amada, sem dúvida, por ele, que me respeita também e que é definitivamente a definição em pessoa de "companheiro de vida". Estamos juntos há dez anos, sempre de mão dada. E que assim nos mantenhamos por muitos mais anos. :)

Fotografia tirada em 2005

9.1.15

Ai, espera

E burrinha que sou e ainda não completamente (de todo, mesmo) conhecedora da geografia francesa nem tinha percebido que os dois suspeitos estão no mesmo departamento que eu, a 40 km daqui e a 20 km da sede da empresa do Jack. Ah, bom, então agora é que estou mesmo descansada.

O que é que se passa em França?

Odeio estar agarrada assim às notícias (tenho uma casa por arrumar, um banho por tomar, compras para fazer e um bolo para cozinhar). Odeio estar a ler sobre tiros, reféns, crianças impedidas de sair da escola, ataque num supermercado. Odeio não viver em Paris e mesmo assim estar receosa, mesmo não senda fatalista e acreditando que nesta aldeia perdida não há-de acontecer nada. Odeio que o Jack não tenha um emprego num lugar fixo e que isso hoje me tenha levado a mandar-lhe uma mensagem só para saber se está tudo bem com ele pois não sei onde anda. Odeio que o Jack, não sendo de todo fatalista e sabendo bem onde vivemos, não consiga também esconder o seu receio e me diga que está a achar tudo isto muito estranho e me aconselhe a não sair muito de casa. Odeio num minuto passar da preocupação de não atropelar nenhuma raposa, javali, veado ou cavalo para a preocupação de andarem pela França homens a matar homens.

Solidária com D.Sebastião

Nos últimos dias, tenho andado a viver basicamente num forte nevoeiro. Uma pessoa acorda e está nevoeiro, à tarde está nevoeiro e quando se deita, nevoeiro está. E eu que nem sou pessoa a quem o tempo tem alguma influência no estado de espírito, começo a ficar assim um bocadinho farta deste nevoeiro por uma única razão: é uma treta para conduzir. Terça-feira, já a noite tinha caído, tive de pegar no carro e ir ter com o Jack para jantarmos com uns familiares. Tudo muito bem, música no rádio a tocar e lá vou eu...até perceber que não via um corno à minha frente e tinha-me esquecido de como se ligavam as luzes de nevoeiro. Ligo ao homem que me explica e depois de conseguir por duas vezes apagar todas as luzes do carro (o que acreditem dá um jeitão imenso quando se está a conduzir, de noite, no meio de uma floresta), lá consegui acender as luzes certas. Ao menos assim já era vista, embora continuasse a ver simplesmente uma parede branca à minha frente. E lá fui eu, devagar devagarinho, a tentar não sair muito da estrada e não me espetar contra uma árvore, adivinhando o caminho quase às apalpadelas e a pensar que podia estar um javali enorme à minha frente que eu só daria conta dele quando ele já estivesse sentado no banco ao meu lado. Ainda pensei que fosse azelhice minha, que os outros condutores nem veriam o nevoeiro e continuariam a andar como se nada fosse, mas de regresso a casa percebi que o Jack, que se seguia à minha frente, estava com as mesmas dificuldades. Quarta-feira, nova aventura, mais nevoeiro e eu só pensava que a qualquer momento podia atropelar D. Sebastião, esse que se perdeu no nevoeiro e que se calhar até tinha vindo parar a França, pois se eu com luzes praticamente não via nada, ele então não deveria ver as próprias mãos. De regresso a casa, sozinha, dei por mim a pensar que este nevoeiro à noite cria a ilusão de estarmos sempre rodeados por árvores o que me estava a trocar completamente os pontos de referência (sim, sim, admito: tenho conduzido a pensar "vá, agora sei que há aqui uma curva à esquerda....cá está ela....óptimo....agora vou em frente e quando passar uma lomba, a estrada vira ligeiramente para a direita....exacto....agora entro da floresta que tem uma curva-contracurva...", ou seja, literalmente a fazer o caminho às apalpadelas e com recurso à memória). Resultado: dei por mim sem saber onde estava e durante uns segundos convenci-me que já tinha passado por casa e que mais tarde ou mais cedo daria por mim no Luxemburgo. Estava enganada, felizmente, e passado uns minutos consegui perceber novamente onde estava mas não ganhei para o susto. E por isso, estou assim a ficar um bocadinho farta deste nevoeiro. Até porque hoje temos novamente um jantar marcado e eu não quero ficar conhecida como a "Tété que desapareceu no nevoeiro e nunca mais voltou".

E como correm as resoluções de Ano Novo, Tété? Já as mandaste dar uma volta?

Não, senhora! E desde o dia 2 de Janeiro que não como um chocolatinho que seja. O que acreditem que deveria ter uma medalha como prémio já que todos (to-dos!) os dias me perguntam se quero um Ferrero Rocher ou um cavalo-marinho da Guylian. E amanhã é suposto levar um bolo para um jantar. Pois, merecia mesmo uma medalha. Ou perder já vinte quilos e não se fala mais nisso.

8.1.15

Aqui

Ontem os meus pais ligaram-me para saber como estão as coisas por aqui. Mas eu não vivo em Paris, vivo perto mas não o suficiente para sentir uma diferença no ar. O Jack, que passou o dia fora de Paris e sem acesso às notícias, chegou a casa sem saber de nada e fui eu quem o pôs a par daquilo que a internet e a televisão contavam sobre o ataque a Charlie Hebdo. Mas não deixa de ser estranho (e assustador?) pensar que não muito longe daqui a falta de sentido de humor, o matar em nome de um Deus e a falta de respeito pela liberdade de expressão foram mais importantes que vidas humanas. Por aqui, perdida no campo, numa aldeia pacata, vou seguindo as notícias ainda incrédula e um pouco em choque.

6.1.15

É disto que eu não gosto em França

Fui a um novo supermercado onde não me conhecem e apanhei na caixa uma menina sorridente e faladora com os clientes. Enquanto me passava os artigos, ia falando comigo e eu, anti-social assumida, ia respondendo com uns sorrisos e uns "sim" e "não", que isto de pegar nas coisas, enfiá-las no carrinho e ainda ter de dar conversa não é muito a minha onda. A determinada altura, num momento em que era necessário que eu desse uma resposta mais elaborada, essa lá me saiu um bocado engasgada. Acrescentei por isso que ainda não falava francês a 100%. E a menina sorridente transformou-se. Não voltou a sorrir, não voltou a falar comigo e passou a olhar-me de lado enquanto arrumava o resto das coisas. Despedi-me, levei com um boa tarde que mais parecia um "boa tarde, vai e não voltes" e fui para o carro, a pensar que isto de ter vindo para um país que gosta tão pouco de estrangeiros é uma treta. E das grandes.

5.1.15

:D

O melhor da história é que à noite ao falarmos deste episódio, conta-me que o Jack que tive sorte em não ter acordado naquela manhã e não me ter posto à conversa com ele, pois o mais certo era ter levado uma resposta muito torta. Ao que parece, sonhou comigo e tinha acordado com uma raiva tão grande que nem me podia ver à frente. E o que foi o sonho, Maria Tété? Pois, sonhou que o traía. Ah, granda maluca, andas metida com outros nos sonhos deles?? Não....Ele sonhou que eu, anti-tabagista mais do que assumida, afinal lhe tinha mentido estes anos todos e...fumava. =P

Foge, foge....

Os meus problemas de sono há muito que são conhecidos e relatados aqui. Mas de vez em quando até eu tenho uma noite de sono profundo e a semana passada tive essa oportunidade. Diz o Jack que o despertador dele tocou, ele acordou (sorte a dele), desligou-o, olhou para mim e eu ferrada a dormir. O despertador tocou novamente. Desligou-o de vez, olhou para mim e eu sem dizer ai. Apercebeu-se que eu me tinha esquecido que ligar também o meu despertador por isso levantou-se logo, pensando que o movimento me faria acordar (como é normal. Basta até ele começar a sonhar e a respiração dele mudar para eu acordar quanto mais quando ele se levanta da cama). Nada. Nem me mexi. Ele vestiu-se, sentou-se na cama, levantou-se da cama. Nada. Andou pelo quarto. E eu sem me mexer. Até que chegou à porta e ao rodar a maçaneta, o trinco deu um estalo. E eu acordei! Aos berros. Algures no meu sono profundo, ouvi o click e lembro-me de ter pensado "Estão a entrar ladrões em casa!". Sentei-me, a gritar, e deitei instintivamente a mão ao lado do Jack e senti a cama vazia. "Raios, ele foi ter com os ladrões!". Abri os olhos, ainda aos berros, e deparo-me com ele ainda agarrado à maçaneta (tudo isto foi em milésimos de segundo) e penso "O homem está a fugir de casa durante a noite!". Acho que este casamento tem tudo para dar certo com a confiança que tenho nele. =P

Um dia, ainda serei daquelas pessoas que chega à cama e dorme como um anjo

Deitamo-nos às 2h00 da manhã. Dormito levemente até às 5h00, hora a que o despertador dele toca. Ele sai de casa e eu ainda acordada. E assim fico. As horas passam. Vou olhando para o relógio. A última vez que olho faltam dez minutos para o meu despertador tocar. Adormeço. Profundamente. O despertador bem podia tocar que não havia nada que me levantasse naquela altura.

3.1.15

O regresso

Os meus pais foram levar-nos ao aeroporto e após a passagem pela confusão do costume (isto de agora termos de ser nós a ir a uma máquina, imprimir os bilhetes e a identificação das malas, colarmos a identificação e só depois ir entregar às malas às meninas é muito giro (not)), despedimo-nos e fomos até à fnac do aeroporto. Comprámos umas revistas e uns livros e olhando para o meu relógio, decidimos que ainda tínhamos tempo para comer qualquer coisa. Enquanto comíamos eu ia vendo as horas para não nos atrasarmos para o embarque que seria daí uns quinze minutos. Mas ao mesmo tempo comentava com o Jack que era estranho o painel ao nosso lado mostrar a informação "porta de embarque aberta" para o nosso voo. Geralmente as portas abrem mais tarde que a hora prevista, não mais cedo. Para aí à quinta vez que comento com o Jack o estranho aviso e olho mais uma vez para o meu relógio, olhámos um para o outro e dissemos em conjunto "O relógio está atrasado!". Pois, o meu relógio já me tinha pregado esta partida durante as férias: talvez por falta de pilha, começava subitamente a andar mais de devagar e se às 9h marcava de facto 9h, às 10h era menino para estar a marcar 9h15. Tínhamo-nos esquecido deste pequenino pormenor. Vimos as horas no telemóvel e de facto estava mais do que na hora de embarcar pelo que pegámos nas nossas coisas e desatámos a correr para a porta de embarque (que nestas situações é sempre longe). Quando lá chegámos, ainda havia uma grande fila, pelo que optámos por ir ainda à casa-de-banho. Imaginem pois a minha cara quando começo a ouvir chamar os últimos passageiros para o nosso voo. Saímos esbaforidos cada um da sua casa-de-banho para nos depararmos com a fila ainda com o mesmo comprimento. Quando finalmente me vi sentada no avião depois de toda aquela correria, nem acreditei. E também não acreditei quando vi que tinha uma criancinha sentada atrás de mim. E aqui entre nós não sei o que mais me fez bufar e revirar os olhos na viagem, se a criancinha que não parava quieta, me batia no banco e mascava pastilha da forma mais ruidosa possível, se o pai que passou literalmente duas horas e um quarto a dizer "Está quieto, Cristiano!".

2.1.15

A ida

Era uma da manhã quando, enquanto preparava a mala, pisei água. Aquela divisão estava às escuras mas o "chlap, chlap" não enganava ninguém e por isso chamei-o logo "Jack, temos um problema!". E tínhamos de facto: um cano roto e uma viagem que nos obrigaria a sair de casa daí a 4 horas. Fechou-se a água, limpou-se o chão, dormimos e fomos embora. Deixámos as chaves de casa com o irmão do Daniel para o caso de ele conseguir encontrar um canalizador (em plena época de Natal, pois) e fizemos o check-in. Passeámos no aeroporto e quando olhámos para o relógio já era altura de embarcar. Passámos no controlo, vimos a longa fila que se já tinha formado na porta de embarque e sentámo-nos calmamente junto à porta à espera que a fila diminuísse para embarcarmos também. E eis quando a funcionária chama os nossos nomes pelo altifalante. Pegámos nas coisas e levantámo-nos num saltos e eu só pensava "Burros! Esta fila é já para o avião seguinte! O nosso embarque já terminou!". Errado. Tinham-nos mudado para a primeiro classe e queriam dar-nos os novos bilhetes. E foi assim que as nossas férias de Natal começaram: um cano roto e uma viagem em primeira classe. Voltámos a sentar-nos e quando olhei para a funcionária estava ela a chamar-nos novamente. Raios, querem lá ver se nos iam dar bilhetes normais de novo? Não, seríamos simplesmente dos primeiros a entrar por irmos em primeira classe. A viagem fez-se bem: há um pouco mais de espaço (basicamente por cada trio de assentos, o do meio não é ocupado), a refeição era muito boa, com guardanapo de pano, talheres de metal e pãozinho quente. Deram-me uma revista. Mas tive um ataque de alergia na mesma e uma dor de dentes de me fazer vir as lágrimas aos olhos. O Jack dormiu praticamente a viagem toda até ao momento em que acordou super enjoado e eu temi o pior quando o vi agarrar-se ao saco de papel para enjoos. Felizmente aguentou-se e quando aterrou já estava novamente com alguma cores e eu com o nariz vermelho de tanto me assoar. Do aeroporto fomos direitinhos ao fotógrafo receber o nosso álbum de casamento, as fotografias com que o faremos e o vídeo (lindo) do casamento. :)