O meu computador decidiu que já que me ando a queixar de falta de dinheiro então o melhor seria embirrar comigo e tentar convencer-me a comprar um novo. Ontem passei o dia a tentar que ele imprimisse um documento ao ponto de quando o Jack chegou à casa o ter atazanado porque a impressora estava avariada, não queria imprimir, raios partam a máquina que decidiu empacar agora, e blá, blá, blá, blá. O Jack andou a perder tempo à volta da impressora para depois se chegar à conclusão que o problema era mesmo do meu computador. Mais tempo perdido para que ele voltasse a reconhecer a impressora com a qual já trabalhou um milhão de vezes. Tenho cá para mim que o problema está no facto de ter usado a impressora em casa dos meus pais. Ele apaixonou-se por ela e agora não quer voltar a ligar-se a nenhuma. É um aparelho fiél aos seus sentimentos. Consegui finalmente imprimir o que precisava mas lá está, um coração partido é um coração partido e o meu computador decidiu castigar-me por o ter obrigado a trabalhar com outra que não a amada do seu coração, e por isso neste momento deixa-me trabalhar 10 minutos (se tanto) antes de apresentar um erro e reiniciar-se sozinho. O problema técnico já foi detectado pelo Jack (que não acredita na minha teoria do coração partido) e já se passaram horas a tentar resolvê-lo mas está difícil. Gosto muito deste meu computador mas tem cá um feitio que os seus 6 anos de vida têm vindo a deixar cada vez mais aprimorado. Para ser sincera, se houvesse neste momento liquidez para isso, iam ver-me já hoje enfiada na fnac a escolher o meu próximo computador mas não há e por isso não posso deixar que o Jack declare já o óbito ao meu computador de coração partido. E a ver vamos se não lhe causo uma birra ainda maior por estar a trabalhar agora no iPad. É que isto de ter computadores com mau feitio é tramado.
30.5.15
29.5.15
Quase, quase, quase a desistir
Situação 1:
Na marcação de uma consulta, perguntam-me:
- Qual o seu apelido de solteira?
- "Apelido".
- Qual o apelido de casada?
- "Apelido".
- Ah, não casou!
- Casei. Mas o apelido é o mesmo.
- Não compreendo. Qual é o seu apelido de solteira?
- "Apelido".
- Qual o seu apelido de casada?
- "Apelido". Sou casada mas não fiquei com o apelido do meu marido. Mantive o meu.
- Huuum...então qual é o seu apelido de solteira?
(e aqui já começo a ter vontade de puxar os meus próprios cabelos)
Situação 2:
Recebo uma carta da "Segurança Social" daqui a dizerem que receberam a minha declaração de gravidez e que está tudo bem. Este organismo é aquele que fez o meu cartão da "Segurança Social", com o meu nome, e é aquele que agora recebeu os papéis que eu preenchi com o meu nome, na parte de futura mãe, e também com o nome do Jack, na parte de futuro pai. A carta vem acompanhada de mais papelada com informações minhas, nas quais conta o meu nome. Então alguém me explica porque é que a carta vem endereçada a mim com o apelido do Jack?
Irra, que parece que aqui cometemos algum crime por não ficar com o apelido do marido. =S
Não me ouvem, porque é que não me ouvem?
- Bom dia, queria marcar uma consulta para 24 ou 25 de Junho, se for possível.
- Muito bem. Dia 22 de Junho, às 18h?
- Muito bem. Dia 22 de Junho, às 18h?
Claro que o horário de atendimento acaba dentro de meia-hora e depois só segunda-feira....
Ligar para um consultório médico, esperar que o telefone toque e ir parar invariavelmente à mesma mensagem que voz que me indica o horário de funcionamento e as excepções a este horário faz-me pensar que a sorte deles é não terem voicemail onde uma pessoa possa deixar uma mensagem fofinha a dizer "Eu estou a ligar dentro do horário em que vocês dizem estar a atender o telefone! Dava jeito que atendessem!!!".
28.5.15
Parabéns a ele
O Jack faz anos hoje. E eu que adoro comemorar aniversários não podia deixar de me sentir imensamente feliz com o dele. Foi mais um ano de conquistas, de lutas e grandes momentos. Não sei se foi um dos anos mais felizes da vida dele. Acho que foi um até bastante cansativo, com muitas chatices, muita gente idiota e sempre problemas atrás de problemas que ele foi resolvendo como tão bem sabe fazer, mesmo que isso lhe leve (muitas) noites de sono. Gostava que este novo ano fosse mais calmo mas cheira-me que com uma pequena meloa a crescer dentro de mim e a vir conhecer o mundo dentro de meses e um projecto de casa que nos vai dar taaaanto trabalho, o melhor é nem pensar assim. Será um novo ano com mais conquistas, mais lutas e, acredito, muito feliz. O meu Jack faz 32 anos, sente-se velho, sente que a vida está a passar a correr, que já devia ter vivido mais coisas. E eu olho para ele e acho que ele já conquistou tanto e cresceu tanto desde o momento em que começámos a namorar. É um homem incrível, muito responsável em tanta coisa e tão criança noutras (não são todos os homens assim?), que aprende a cada erro que dá e que tenta chegar a todo o lado, mesmo que eu veja como isso é impossível. Gosto dele, gosto muito dele e sabe-me tão bem saber que passou mais um ano da sua vida, comigo ao seu lado. E que venham muitos outros, é só o que desejo.
Contrariando a tradição de abrir as prendas de manhãzinha ao acordar já que ele tinha de acordar às 5h00, achei que ele merecia dormir até o mais tarde possível que o despertador permitisse e por isso abrimos as prendas ontem à noite, já depois da meia-noite. Entre elas, decidi oferecer-lhe (a ele, o grande fã da Guerra da Estrelas) estes dois livros:
Não sabendo ainda com toda a certeza qual o sexo da pequena meloa, acabou por ganhar os dois livros porque eu não me atrevi a arriscar. São cartoons do Darth Vader com o filho ou filha, com piadas alusivas aos filmes. Eu como nunca os vi não apanho mais de metade mas ele ia-se rindo e explicando. Infelizmente a minha fantástica intenção de o deixar dormir o mais possível caiu completamente por terra quando acordei e o apanhei a vestir-se. Estranhando não ter ouvido nenhum dos despertadores tocar, decidi ver as horas. Passava pouco das 4h00. Este homem já dorme tão pouco que no dia do seu aniversário até sonha que o despertador tocou mais cedo. A minha esperança é que logo à noite o sono seja tanto que ele nem se aperceba que o bolo de aniversário que fiz está levemente esturricado. =D
Isto pega-se!
Que eu estou grávida e que estou literalmente a perder neurónios é um facto. Mas suspeito que o Jack esteja a começar a sofrer do mesmo ou então que está a fazer de tudo para que eu me sinta ainda mais perdida. Ontem fiz uma nova experiência culinária e pela quantidade do resultado achei que daria para o nosso jantar e para o almoço de hoje do Jack. Jantámos enquanto víamos uma série e no fim quando olhei para a travessa toda a comida tinha desaparecido (hipóteses: a) ou estava muito bom e ele adorou; b) ou estava péssimo e ele nem quis que sobrasse nada para o dia seguinte; c) ou eu fiz mal os cálculos quanto à quantidade). Confirmei com o Jack que ele precisaria mesmo de almoço e lá fui pôr umas coisas no forno para desenrascar a situação. Quando nos deitámos à noite, perguntei-lhe como ia ser o dia de hoje e pela descrição percebi que ele não precisaria de almoço. Explicou-me que tinha havido uma mudança de planos de última hora. Não há problema, pensei eu, fico já com almoço feito para amanhã. Imaginem pois a minha cara de hoje quando ao chegar à cozinha o almoço....foi-se. Não precisa dele mas levou-o na mesma. Meu amor, eu já tenho de lidar com a minha falta de cérebro e as minhas hormonas descontroladas. Não posso lidar com isso se te começar a acontecer a ti.....
26.5.15
20 semanas
E eis que chegámos às 20 semanas (cerca de 4 meses e meio) e eu nem sei muito bem como já que parece que ainda ontem fiz o teste de gravidez e descobri que me estava a lançar numa aventura sem retorno. Ora, estando neste preciso momento a meio da gravidez, faço as seguintes considerações:
- Fora a barriga que cresce a um ritmo alucinante (já abandonei a esperança de não fazer um barrigão de todo o tamanho), até me esqueço que estou grávida. Já perdi a conta aos "Mas tu ainda te levantas assim tão depressa?", "Aaaah, mas tu ainda te mexes muito bem!" e outras coisas que vou ouvindo. Obviamente não ando por aí armada em aventureira e a carregar baldes de cimento ou a fazer esforços semelhantes, mas realmente por agora não há ainda dores de costas ou de qualquer outra espécie e a mobilidade mantém-se.
- A falta de apetite manteve-se até agora, o que penso que contribuiu bastante para chegar ao meio da gravidez com menos 3,5 Kg do que quando descobri que estava grávida. Nesta última consulta e perante o ar satisfeito da médica a olhar para a balança, cometi o erro de lhe perguntar quanto peso é que poderia ganhar até ao final da gravidez. Tenho direito a ganhar cinco quilos e mais do que isso levo na cabeça. Acho impossível, acho que ela me está basicamente a pedir um milagre e tenho a sensação que já vou ouvir um raspanete na próxima consulta pois desde desse momento que sinto mais fome e só me apetece comer porcarias.
- Quando não se está grávida é chato ouvir comentários sobre o nosso corpo e peso. E não é por estarmos grávidas que isso passa a ser giro, portanto comentários como "A barriga cresceu" admitem-se mas comentários do tipo "Ah, nota-se que está mais gorda!" (quando nem sequer é verdade!) são absolutamente dispensáveis. Mesmo que a grávida ganhe 30 quilos, acreditem em mim: ela sabe que engordou. Escusam de dizer.
- Daqui a um mês faremos nova ecografia e eu espero que a pequena meloa não se ponha com vergonhas e deixe ver com bastantes certezas se é menino ou menina. Nós temos o palpite do médico que veremos se se confirma ou não, mas para já as opiniões dividem-se: há quem diga que é menina porque os meninos mostram logo com clareza (sim, sim, por isso é que o meu marido foi menina até ao nascimento), há quem diga que é menino porque a minha cara não mudou de feições, há quem diga que é menina porque a gravidez está a ser tranquila, há quem diga que é menino porque as meninas roubam a beleza às mães. E nem vamos entrar no formato da barriga e afins. Daqui a um mês se tudo correr bem, pequena meloa (que na altura já será um outro fruto qualquer) revelar-se-à ao mundo (ou pelo menos ao médico que depois nos dirá).
- Ainda não há cá movimentos nenhuns. Quer dizer, haver deverá haver mas eu não os sinto. Isto de ter a placenta na zona da barriga amortece as pancadas da pequena meloa e eu que me lixe que não sinto nada (mais uma razão para me esquecer que estou grávida). Gostava de sentir mas sei que ainda há tempo e que mais tarde ou mais cedo já começarei a sentir qualquer coisa até chegar ao ponto em que me queixarei por ter apanhado um pontapé em cheio num rim.
- Compras: penso que se continuamos assim estamos absolutamente lixados. O Jack continua a ver carrinhos e ovos e alcofas, eu continuo a namorar o mesmo modelo e juntos pensamos onde vamos desencantar o dinheiro para isto. Roupinhas há o que se trouxe de Portugal e não faço ideia se é muito, se é pouco ou se é a quantidade certa. Bom, ao menos, pequena meloa já terá algo para vestir quando nascer. Procurar listas na internet sobre o que se deve comprar para receber um recém-nascido é mais ou menos como calcular a miséria que um dia receberemos na reforma (se recebermos alguma coisa): quase que se perde os sentidos. As listas são enormes e parece que é preciso este mundo e o outro para receber em casa uma pequena criatura de 3 quilos.
- O sono já andou melhor. Andamos os dois ansiosos e isso traduz-se em insónias e em sono de má qualidade. O Jack a pensar na casa, no trabalho, no dinheiro que tem de chegar para tudo. Eu a pensar na chegada do bebé, em tudo o que é preciso comprar e no dinheiro que dificilmente chegará para tudo. Admito sem problemas que sempre achei que quando estivesse grávida a situação económica nos permitiria estar a comprar as coisas com atenção ao preço mas com uma folga bastante grande. A situação real não é essa e é preciso fazer contas. A pequena meloa terá tudo o que precisa, disso não duvidamos, mas cheira-me que virão aí tempos de apertar fortemente o cinto.
- Já vos disse que estou a fazer um barrigão?
23.5.15
Blogs de sucesso e blogs satíricos
Eu não tenho um blogue de sucesso nem sequer tenho o objectivo de ter um. Gosto deste blog tal como ele é, um sítio onde vou escrevendo o que me apetece, onde conto o que me apetece e onde venho quando me apetece. E gosto de saber que há quem me leia nem que sejam apenas cinco, dez ou quinze pessoas. Compreendo ainda assim que há quem queira fazer do blog um negócio rentável ou pelo menos a quem dê gozo ter milhares de pessoas a ler o que é escrito e ser reconhecido enquanto blogger (mesmo que não o admita).
Blogs com muitos leitores trazem geralmente atrás os chamados "hate blogs", nome com o qual pessoalmente não concordo uma vez que acho que estes blogs maioritariamente satirizam os blogs de sucesso e não os odeiam. Admito gostar de ler os conhecidos "hate blogs" (e ainda assim nem todos) pela ironia com que são escritos, e que tal como nos blogs ditos "normais", há muita coisa que me faz rir, muita coisa que me passa ao lado e muita coisa com a qual não concordo.
Espanta-me por isso que os ditos blogs de sucesso, muitos deles escritos com base na ironia e em comentários sobre as vidas alheias, o estilo alheio, episódios alheios, se sintam tão fortemente atacados por estes blogs que os satirizam. Compreendo perfeitamente que não deva ser agradável ser alvo de sátiras e gozo, ver as coisas que escrevemos serem satirizadas e saber que há quem leia isso e até se divirta, mas não farão eles as mesmas coisas de uma outra forma? Ao emitirem opinião sobre quem usa calças de cintura descaída a mostrar o rabo, botas acima do joelho com um estilo duvidoso, biquinis reduzidos a mostrar a celulite, sobre quem tem excesso de peso, sobre quem usa demasiada maquilhagem, etc, etc, não compreenderão que estão a gozar com muitos que os lêem e que facilmente se inserirão dentro de um destes grupos? Porque é que alguns podem e outros não? Porque os alvos passaram a ser eles mesmos?
Faz-me ainda mais confusão quando se começa a acusar os blogs satíricos de fazerem bullying, de perseguição, de devassa da vida privada, etc. Até poderia acreditar que haja mesmo blogs que o façam mas não quando vejo que até conheço aqueles a quem o dedo é apontado e nos quais nunca vi verem ser colocadas informações pessoais (como nome, moradas, telefonemas, nomes dos pais, local de trabalho) e onde vejo apenas sátiras ao que é escrito pelos outros bloggers. Sátiras espectaculares? Nem sempre, claro que não, algumas não têm piada nenhuma, mas eu também já li posts em blogs de sucesso que eram suposto ser engraçados e aos quais eu não achei graça nenhuma.
Repito sem problemas que acho que não deve ser nada engraçado ser um dos alvos destes blogues já que gostamos que as pessoas gostem do que escrevemos e não que gozem com isso, mas acho que tem de haver poder de encaixe e não fazer disto algo que não é. Nestas situações lembro-me sempre do "Contra-informação", programa que ao qual não ligava muito (porque a política passa-me ao lado) mas que sabia ser uma sátira aos políticos através do uso de bonecos. Da mesma forma que aqui em França já perdi a conta aos vídeos (em nem sei se não há um pequeno programa diário com isto) a gozarem com o François Hollande, Presidente da República. Se ele acha graça? Provavelmente não porque vê as coisas que diz serem deformadas para gáudio de outros. Mas e se um Presidente da República é alvo de sátira, porque não o podem ser os blogs de sucesso?
Há sempre a hipótese de nem sequer lerem os que escrevem os blogs satíricos mas ao que parece os fiéis leitores dos blogs de sucesso têm gosto em enviar e-mails com os links dos posts em que o seu blogger preferido foi satirizado. Curiosamente, nunca vi nenhuma blogger de sucesso escrever um post afirmando saber da existência dos blogs satíricos mas pedindo que não lhe sejam enviados links para eles pois não está interessado. Preferem insurgir-se contra a existência dos mesmos, fazendo e permitindo que nas suas caixas de comentários os fiéis leitores destilem fel sobre quem escreve blogs satíricos. Porque (e isto espanta-me tanto) os bloggers de sucesso não podem ser alvo de outros blogs que criticam o seu estilo, o seu cabelo, a maneira como escreve, como se apresenta, as roupinhas, as coisas que faz, as opiniões que dá, os locais onde vai, as fotografias que tira, mesmo que tudo isto seja escrito e oferecido ao público pelos mesmos, mas já podem tecer toda e qualquer consideração sobre os autores dos blogs satíricos (e podem até descobrir nomes, fotografias e moradas dos mesmos e usá-las a seu favor. Isto não é bullying?). E invariavelmente são, na sua opinião, pessoas sem nada para fazer, gordas, com falta de sexo, infelizes, feias, amargas, tristes, corcundas, sem amigos, sem vida, estúpidas, etc. Pergunta-me o Jack, quando falamos disto, porque razão pensam sempre os bloggers de sucesso que quem não concorda com eles é gordo, estúpido, infeliz e não tem sexo (é que até podem ser gordos e estúpidos mas podem ser felizes e ter sexo, diz-me ele). Não sei mas pelos vistos há ainda muita coisa que não compreendo nos blogs.
21.5.15
Aaaaaaaarrrrrggggghhhh
O Jack faz anos daqui a uma semana!! Nunca mais me lembrei!! Arrrrrrggggh! Raios, o que é que lhe vou oferecer?
Não, minha senhora, acredite: eu sei a minha data de nascimento e não é essa.
Quando estamos a tentar marcar uma consulta num sítio onde sabemos já ter uma ficha e toda a conversa é complicada pois não há maneira de encontrarem os meus dados, podemos supor que a coisa está mesmo perdida quando ouvimos afirmar:
- Ah, encontrei. Disse-me que tinha nascido em Outubro de 1984 mas na verdade nasceu em Março de 1956.
20.5.15
Ele não sabe o que diz.
O Jack foi com a mala praticamente vazia e regressou com ela cheia de livros para mim. Ele diz que são demasiados, eu digo que ele está a exagerar. Afinal de contas, se houvesse espaço eu tinha trazido mais.
Agora só preciso de arranjar espaço na estante para os arrumar....
19.5.15
E o que é bom lá se acaba...
Daqui a umas horas já estarei enfiada num avião e já sinto saudades de Portugal. Tento nem pensar que o mais certo é só voltar o ano (ando aqui indecisa se não cometo uma loucura e não venho fazer uma visita relâmpago já no próximo mês ou em Julho), que se vão passar meses sem estar com os meus amigos, sem estar com os avós, sem comer a comidinha boa (e as gulodices) de Portugal. Estas férias foram uma lufada de ar fresco (e calor, muito calor, ao qual eu já não estou habituada - se é que alguma estive) e regresso a França com a alma quase cheia (ainda haveria espaço para mais encontros e mais abraços). Mais uma vez se a minha mala não estourar é por pura sorte já que em livros, roupa de grávida (pouca) e roupa para o bebé (bastante), eu e a minha mãe perdemo-nos nas lojas, a juntar às prendas que recebi. E vou fingir que a mala de computador que levo não tem o peso de um pequeno mamute e que será facílimo colocá-la na cabine do avião. Confesso que parto com o coração pequenino, que me apetece agarrar-me a uma qualquer coluna do aeroporto e fazer uma birra porque não quero entrar no avião, não quero ir embora, não quero voltar para o frio e ficar longe de tanta gente de quem gosto. Apetece-me sentar no chão do aeroporto e deixar cair lágrimas gordas enquanto digo que não é justo, que Portugal devia dar-nos as mínimas condições para ficarmos, que não nos devia obrigar a partir assim, que quero colocar toda a gente na minha mala e levá-los comigo. E só não o faço porque eu não choro (em público), porque não adiantaria de nada e porque no fundo tenho sempre uma boa razão para regressar a França: o Jack e a família que juntos estamos a construir. Mas sei que embarcarei com um nó na garganta e lágrimas nos olhos. Acho que é sempre assim e sempre será.
15.5.15
Foi um mundo que me passou completamente ao lado
Não vi o vídeo do grupo a bater no rapaz pois vi apenas umas imagens na televisão de um restaurante e foi mais do que o suficiente. Mas choca-me a quantidade de bloggers e figuras públicas que vêm agora contar os episódios de bulling que sofreram na infância e na adolescência da mesma forma que me choca ouvir tanta gente dizer "No fundo todos passámos por isto, não havia era o termo bulling". Não, não passámos todos por isto. Eu nem me lembro de alguém um dia me ter chamado caixa de óculos quanto mais apanhar de alguém. Eu não tinha medo de ir para a escola (bom, a não ser uma vez mas o problema resolveu-se a bem), eu não tinha medo dos da minha idade e nunca vi ninguém a sofrer de algum tipo de violência (haveria claro os mais e os menos populares). Ninguém me mandava bocas quando eu passava, ninguém me chamava nomes e eu também não fazia isto a ninguém. Caramba, que realmente está explicado porque cresci tão ingénua.
13.5.15
A arte de saber vender
Nestes dias a dois em Portugal decidimos entrar em duas lojas para ver carrinhos de bebés já que até agora todas as nossas pesquisas foram via internet e deste modo é difícil avaliar tecidos, tamanhos e o peso de cada coisa. E para já cheguei a duas conclusões:
1. O pai do bebé não interessa. Em ambas as lojas foi o Jack que começou a fazer as perguntas mas as respostas e restante conversa foram sempre dirigidas a mim. Na loja em que recebeu mais atenção foi aquela em que decidiu pôr-se sozinho a montar e desmontar carrinhos e acabou por ter uma funcionária a ligar-lhe um pouco mais.
2. Eu sei que estamos em crise e acredito que os casais procurem e optem pelas coisas mais baratas que as lojas têm para oferecer. Mas acho que é escusado só mostrar os produtos mais baratos e falar até de forma depreciativa das coisas mais caras, mesmo e principalmente quando o casal até mostra algum interesse nessas coisas pela qualidade das mesmas. Como disse eu ao Jack: Até que ponto é confortável comprar algo depois de a vendedora fazer uma careta ao se falar desse produto e dizer "Ah, mas isso é caro e é escusado" (mesmo sabendo nós que para nós não é)?
12.5.15
Devíamos ter jogado no euromilhões neste dia
Quando, na sexta-feira, nos dirigimos para o aeroporto a ideia era clara: o nosso voo iria ser cancelado, como tinha vindo a ser todos os dias após o 2º dia de greve, e passaríamos as próximas horas na fila do balcão de atendimento da TAP a rezar para conseguirmos lugar no voo seguinte. O Jack tinha trabalhado nessa noite e eu tinha dormido das 4h00 às 5h00, hora a que ele chegou e eu me levantei para o ajudar a fazer a mala sabendo de antemão que duas cabeças cheias de sono esqueceriam provavelmente menos coisas de que uma só cabeça. Depois dormiu ele entre as 6h00 e as 7h00 enquanto eu tomava banho e me arranjava para sairmos. Com uma hora de sono cada um bem podem imaginar o mau humor instalado.
A caminho do aeroporto íamos os dois concentrados nos respectivos telemóveis, à espera que uma das diferentes aplicações e sites indicasse o cancelamento do nosso voo, mas isso ainda não tinha acontecido quando finalmente chegámos e por isso dirigimo-nos para o check-in preparados para receber a má notícia. Logo aí foi com surpresa que nos aceitaram as malas e indicaram que o voo estaria atrasado e que daí a uma hora dariam mais pormenores. Boa, ao menos não estava cancelado. Uma hora depois ficámos a saber que o voo partiria com um atraso de quatro horas e que tanto o voo anterior ao nosso como o seguinte estavam cancelados. Ufa, tínhamo-nos safado, mesmo que isso implicasse uma espera valente.
Foi-me então perguntado se já tinha tomado o pequeno-almoço e suspeitando que não queriam saber dos meus hábitos alimentares caseiros, reprimi um "Sim, uma taça de chocapic às 6h30 da manhã!" e disse que não. Ofereceram-nos assim uma sandes e uma bebida num dos cafés do aeroporto. Fixe!
As horas de espera foram uma seca, principalmente porque estávamos os dois de rastos, sem grande paciência para passear nas lojas e tudo o que queríamos era uma cama e um sono de doze horas. Encostado a mim o Jack foi dormitando e eu fui-me entretendo como conseguia até finalmente chegar a hora de embarcar.
Apresentámos os nossos cartões de embarque e a máquina ao ler o código do meu apresentou uma luz vermelha em vez de verde. Acho que ficámos de todas as cores já a ver a nossa vida a andar para trás, já a imaginar que nos iam dizer que afinal não havia lugar para nós, que havia um erro, que teríamos de ficar em terra. Em vez disso, os nossos lugares foram riscados e informaram-nos que tínhamos sido mudados para a primeira classe. Uma chatice, uma chatice....
Bom, desta vez a primeira classe não foi tão boa como a da outra vez em que isto já nos tinha acontecido, a comida era a mesma e não houve cá miminhos de revistas e jornais. Mas como ficámos logo na primeira fila, havia espaço suficiente para esticar as pernas e isso foi óptimo aqui para a grávida.
Chegados a Portugal, estava na hora de ir buscar o carro de aluguer. O funcionário que nos atendeu mostrou-nos dois carros pequenos e disse-nos nos calharia um daqueles. A meio do preenchimento da papelada perguntou-nos se éramos só nós os dois e eu na brincadeira apontei para a barriga e soltei um "Bem, nós os dois e um projecto de bebé a caminho". O funcionário olhou para nós, pensou um bocado e disse "Assim sendo vou fazer-vos uma surpresa e trazer-vos o melhor carro que temos na gama que escolheram, pode ser?". Então, não pode! Venha ele! Tivemos assim direito a um pequeno jipe, cor-de-laranja, com matrícula deste ano. Um luxo.
Por fim, o mais importante, conseguimos chegar a tempo do jantar e matar as saudades dos amigos.
E com tudo isto (o voo não ter sido cancelado, a mudança para primeira classe, o carro escolhido para nós e o chegar ao jantar), acho mesmo que neste dia devíamos ter jogado no euromilhões.
10.5.15
8.5.15
7.5.15
Raios
Passo uma semana inteira a programar as coisas para na véspera da viagem já ter tudo pronto e sabe-se lá como chego a este preciso momento com uma montanha de roupa por passar, a mala por fazer, coisas por arrumar e ainda por cima o Jack ainda vai trabalhar esta noite mesmo tendo nós de acordar bem bem cedo amanhã de manhã.
A culpa é obviamente da pequena laranja que me está a roubar o cérebro. Pelo menos considero que no meu estado normal não é costume ir às compras, colocá-las na mala do carro, chegar a casa, pegar nos sacos, entrar em casa, trancar a porta e só aí aperceber-me que peguei nos sacos vazios que tinha na mala e deixei os sacos cheios de compras na dita. Este pequeno ser vai ser extremamente inteligente se isto continua assim (e eu vou acabar sem saber sequer o meu nome).
5.5.15
Por muito que se pense que se ensina....
O Jack mostrou-me este vídeo ontem e é assustador pensar o que quão convencidos estamos que sabemos passar as regras certas aos nosso filhos (por exemplo, "Não fales com estranhos!") e o quão estamos enganados a esse respeito. Hoje dei por mim a pensar se alguma teria feito o mesmo que aquelas crianças, logo eu que sempre segui com toda a convicção as regras que os meus pais imponham (a partir do dia em que, ainda pequenina, o meu pai me proibiu de fazer uma coisa e eu olhando-o nos olhos pensei "E se....?". O resultado foi uma palmada bem dada no rabo. Não me lembro se doeu mas aprendi que as minhas acções tinham consequências e eu não queria voltar a apanhar uma palmada assim). Portanto, eu, menina certinha e cumpridora de regras, com certeza ter-me-ia lembrado das regras e nunca seguiria um estranho, deixando os meus pais sem saberem onde eu estava. Até que me lembrei do dia em que saí da escola primária com um amigo e apanhei boleia com a mãe dele para o trabalho da minha mãe. O problema é que nada disto estava combinado e quando o meu pai apareceu na escola para me ir buscar...eu não estava lá. Em minha defesa, não fui com um estranho. Mas não me lembrei das regras.
O quê?????
http://observador.pt/2015/05/05/tap-pilotos-podem-avancar-greves/
A ver vamos, meus meninos, se nós nos entendemos. Já é uma bosta não saber se vou e quando vou para Portugal e vocês já estão a arranjar maneira de acontecer o mesmo com a viagem de regresso? Tenham juízo.
4.5.15
Nervos
Nervos, nervos, nervos, nervos. Nervos, é o que me provoca toda esta história da TAP, mais a greve, mais os pilotos, mais o sindicatos dos pilotos, mais os políticos que também querem tempo de antena e fartam-se de mandar postas de pescada, mais os voos cancelados, mais os serviços mínimos, mais a porcaria dos voos que não estão cancelados nem confirmados. Nervos, numa altura em que não me devia enervar. Se ontem estava confiante que sexta-feira entraríamos no avião sem problemas, hoje ao ver que o "nosso" voo (mesmo avião, mesmo à hora, mesma rota) de ontem e hoje foram cancelados, a confiança está abalada. Enerva-me saber que vou acordar de madrugada para provavelmente ver o meu voo cancelado já depois de ter entregue as malas. Enerva-me saber que provavelmente as malas irão andar ao Deus dará e espero eu que não as enfiem num avião para a Austrália por engano em vez de mas devolverem. Enerva-me saber que provavelmente vou ter de ir para uma fila, onde estarei com certeza horas até ser atendida para saber que solução me apresentam. Enerva-me saber que se calhar nem me apresentarão solução nenhuma, que ficarei para ali à espera que vejam quando há novo voo disponível ou serei mandada para casa. Enerva-me que me digam "Diz que estás grávida!" pois se estas cabeças cheias de nada não se importam com os idosos e bebés que estão horas enfiados em aeroportos vão-se lá importar comigo. Enerva-me que o Facebook da TAP, que sempre respondeu às minhas questões e me fez trocas de bilhetes na hora, insista em fazer votos de silêncio e passe agora dias sem responder a uma única pergunta ou então responda apenas com a "resposta-tipo" que já vimos ser usada às outras 500 perguntas dos outros 500 clientes. Enerva-me que me digam para não me enervar, que podia ser pior, que não posso ficar assim, como se o estar grávida fizesse de mim um ser absolutamente zen em vez de alguém normal com sentimentos, e como se me estragarem a única viagem que tenho planeada este ano não fosse algo para me deixar triste e enervada. Nervos, nervos, nervos, nervos, nervos. Até pode correr tudo bem, o voo até pode ser operado e eu até posso ter as férias que tanto planeei, mas se há alguém sem paciência para birras de adultos (porque no fundo é disto que se trata, não é? Adultos mimados a brincar e a picarem-se uns aos outros, enquanto lixam a vida a quem nem sequer quer entrar em brincadeiras estúpidas) sou eu e neste momento tenho a TAP bem atravessada.
Mais difícil que encontrar um bom marido
Um fim-de-semana inteiro a pesquisar sobre carrinhos de bebé e finalmente uma ideia daquilo que se gostaria. E agora venho a saber que a alcofa não é compatível com o carrinho. Oh, raios ta partam, que vamos ter de começar tudo de novo.
Reflexões
Quer se queira, quer não, uma das coisas lixadas nisto de emigrar é a distância. Não a distância em quilómetros, mas a distância que se vai criando e aumentando (como se mudássemos todos os anos para um país ainda mais longe) entre os que partem e os que ficam. É impossível isto não acontecer, por muito fortes que sejam as amizades, por muito próximas que sejam as pessoas, simplesmente porque deixamos de estar lá e passamos a estar à distância de um telefonema ou de um e-mail, o que não é, obviamente, a mesma coisa. Nem me refiro às saudades, que estão sempre presentes, que doem mais nuns dias do que nos outros, com que vamos simplesmente aprendendo a conviver e matando com telefonemas e skype (e esquecendo que este ano, por exemplo, só estarei com os meus avós ao vivo uma única vez). Refiro-me à vida.
O dia-a-dia, as 24 horas a que temos direito, nada disto foi criado para conseguir abranger as rotinas, o trabalho, a casa e acrescentar ainda amizades à distância. É um facto e dito por alguém que viveu uma relação à distância durante 3 anos, com telefonemas diários em detrimento de tarefas como passar a ferro ou a lavar a louça porque não havia tempo para tudo. E mesmo com estes telefonemas diários, senti já mais para o fim, que eu e o Jack estávamos a viver vidas isoladas, que estávamos a deixar de ter a "nossa" vida, que eu estava a deixar de saber de quem é que ele falava e ele já nem sabia quem eram os meus amigos naquele momento. E se isto acontece num namoro, em que há uma clara necessidade de não deixar isto acontecer, torna-se quase impossível não acontecer com amizades. Principalmente nos dias de hoje em que facilmente cada um tem dois ou três amigos emigrados e não havendo tempo para dedicar a um, há ainda menos para dois ou três.
Aqui em casa falamos disto, de como por muito que se queira, não conseguimos deixar de ver a distância aumentar todos os anos. É um telefonema que fica por fazer (e há que admitir que não somos assim muito de telefonemas. Eu então sou ainda menos do que ele), é aquele e-mail que não foi escrito esta semana mas que será escrito na próxima, ou na seguinte, ou talvez no próximo mês, ou nunca, é o tempo que se escapa para se contar as novidades, as pessoas que se conheceu, as mudanças de vida, é o tempo que passa e depois já deixa de fazer sentido contar certas coisas. Como a gravidez de uma amiga da qual soubemos por portas travessas e que só agora nos contou que foi mãe, comentando a falta de tempo. Não deixa de ser triste saber que em nove meses não houve um minuto para contar algo assim, embora seja mais do que natural querer partilhar as novidades com aqueles que estão presentes e não com aqueles que estão lá longe. Às vezes é falta de interesse, às vezes é preguiça, às vezes é só mesmo o tempo que passa e quando damos por ela, passaram-se meses sem contactarmos aquela pessoa.
Mas é a vida.
P.s. E tendo amigos que lêem este blogue e que podem ser tolos o suficiente para acharem que isto é uma espécie de recado, esclareço desde já que é apenas e só uma reflexão. Porque nós próprios nos inserimos neste grupo de quem vai deixando o tempo passar, as mensagens por escrever, as novidades por contar.
2.5.15
As vergonhas que eu passo
Esta gravidez não me tem trazido desejos nem mais fome. Muito pelo contrário trouxe-me sobretudo uma falta de apetite imensa. Não fossem as preocupações com o alimento do pequeno abacate e passava perfeitamente um dia sem comer e não me ralava muito com isso. Às vezes o meu estômago lá desperta e lembra-se que se calhar até já roía qualquer coisita, mas fora isso a maior parte do tempo deixa-se estar quietinho e ao fim de duas garfadas de arroz já me faz sinal que está cheio e não quer mais. Assim sendo, qual era probabilidade de, em plena reunião para a assinatura da casa, com 6 pessoas todas em redor de uma mesa, com a notária a escrever no computador e todos nós caladinhos, o meu estômago decidir que aquele preciso momento era o melhor para se manifestar como se já não comesse há um mês? O barulho era tal que a certa altura já tinha toda a gente a olhar para mim, enquanto eu tentava acalmar a fome emborcando uma garrafa de água e desejando que um buraco se abrisse no chão e me engolisse. Até que chegou o momento em que a vergonha já era tal que pedi desculpa, saí do escritório e num canto meio escondido, engoli três bolachas e meia em 30 segundos e voltei para a sala.
Vá, sejam simpáticos comigo
Quero toda a gente a torcer para que o senhor piloto que fará o nosso voo dia 8 tenha a brilhante ideia de aparecer para trabalhar como lindo menino que é e porque é para isso que lhe pagam, sim? Eu preciso de ir para Portugal nesse dia! Estou grávida e já que não tenho desejos de comida reservo-me no direito de ter desejos de viagens. Vá, todos a torcer por mim! :)
1.5.15
A minha alma gémea :)
Ontem, enquanto me preparava para irmos assinar a compra da nossa futura casa, olhei para os brincos de casamento e pensei "Se o dia do casamento correu tão bem, então vou levá-los. Talvez ajudem a que o dia de hoje corra bem também". Minutos mais tarde, já a sair de casa, comentei este gesto com o Jack. E ele apontou para os sapatos e disse "Pensei o mesmo e levo os sapatos do casamento". :)
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