31.7.15

Aaaaa....e ser uma decisão do casal, sem pedinchices pelo meio?

Ontem, enjoada, em pleno jantar de amigos em que eu era a única rapariga, oiço um deles dizer:
- Pois, as mulheres querem um filho mas depois queixam-se destas coisas todas. Deviam pensar nisto quando se põem a pedir "Vá lá, vá lá, vamos ter um bebé, vá lá, vá lá, vá lá.".
Olhei surpreendida para o Jack e virando-me para o rapaz em questão retorqui que nunca pedinchei filho nenhum ao Jack, muito pelo contrário. Não me pareceu convencido e eu pergunto: é esta a ideia que alguns homens têm de nós? Que se engravidámos é porque andámos a pedinchar e convencer os homens a termos filhos?

Maria Tété, mariquinhas assumida

Na última aula de preparação para o parto éramos 4 casais e foi-nos colocada a questão "Vão querer epidural?". Todas as outras 3 mulheres, juntamente com os companheiros, responderam sem grande entusiasmo um "Se for necessário....". E depois ouviu-se a minha voz, bem clara, dizendo "Eu quero! Eu quero!" e a voz do Jack afirmando "Sim, sim, ela vai querer!". Da maneira como toda a gente nos olhou ainda bem que não me saiu a minha habitual frase "Eu quero as drogas todas a que tiver direito!".

Estou a ficar burra (buááááááááááá!!!)

Definitivamente esta gravidez está a roubar-me o cérebro e eu só espero que depois do parto ele me seja devolvido porque não sei se consigo viver neste estado permanente de burrice.

Situação 1:

Pergunto ao Jack se prefere massa ou arroz. Diz-me massa. Ponho a "massa" a fazer. Vou mexendo a "massa". Vou pensando que a "massa" está quase pronta. Quando finalmente tenho a "massa" pronta é que me apercebo que estive a fazer arroz.

Situação 2:

No carro, rádio desligado, vou cantarolando uma música que gosto. Dou por mim a pensar "Esta música é mesmo gira" e ponho-me a rodar o botão do volume do carro para a ouvir melhor, muito espantada por não estar a resultar.

Eu já não suporto mais isto, buáááááááááá.....

30.7.15

Acho que se vê bem qual é a posição dela quanto a este assunto, não?

A senhora que nos dá as aulas de preparação para o parto não é nada, mas nada fã de visitas na maternidade. Ou pelo menos, é isso que deixa transparecer uma vez que não há aula nenhuma em que não faça um qualquer apontamento a estas visitas. Deixo-vos alguns exemplos:

- Depois do parto, a mãe e o bebé ficam 3 dias no hospital, se tudo correr bem. Mas não pensem que conseguem descansar muito. As manhãs são ocupadas com coisas várias como as visitas do médico, do pediatra, o banho do bebé, o banho da mãe, limpeza do quarto, etc...E a partir do almoço, começam a chegar as visitas e a mãe quer é descansar e não consegue. Podem sempre fazer como eu fiz: liguei às pessoas e disse que só podiam aparecer às 17h00. Não estão a contar com muitas visitas, pois não?????".

- As visitas são muito cansativas porque querem pegar no bebé, tirar fotografias, dar beijinhos ao bebé, abraçar o bebé, embalar o bebé e depois vão-se embora e deixam a recém-mamã com um bebé hisperestimulado, que chorará a noite toda.

- Depois do parto, o bebé é limpo, tratado e vestido. Depois, enquanto se acaba de tratar da mulher e o bebé já está tratado, o pai pode ir ligar à família e aos amigos para contar a boa-nova, dizer que o filho já nasceu e...que todos devem ficar em casa em vez de irem para a maternidade fazer visitas.

- O pai deve controlar as visitas pois é muito desagradável para uma mulher chegar ao quarto depois do parto e ver o bebé ao colo da sogra quando ela própria ainda não teve oportunidade de lhe pegar como deve ser.

A minha preferida:
- Depois do bebé nascer, a família e os amigos chegam ao hospital com prendas, com mimos mas também com....digam-me lá.
- Bactérias!, respondeu uma das grávidas.
- Estranho, dão-me sempre essa resposta. Mas não é a isso que me refiro....É que para além das prendas e dos mimos, as pessoas trazem....conselhos! Cuidado com eles!


29.7.15

Isto está a deixar de ter piada

Uma pessoa escreve um post a dizer que continua a dormir bem, que se sente bem, etc, etc....e o raio do karma decide mostrar que mais uma vez a pessoa não tem razão e vai que decide dar-lhe um terceiro trimestre com insónias e enjoos. Ohhhh...parece que estou num barco outra vez.

(mas ainda há esperança. Posso só adormecer depois das 5h00 da manhã, mas quando me ferro a dormir, ferro-me mesmo a dormir e nada me acorda. Vamos lá ver até quando).

Cinema

Quando estivemos em Portugal (em Maio) tentámos fazer aquilo que tentamos sempre: aproveitar o facto de ser mais barato e ir ao cinema o maior número de vezes que pudéssemos. Infelizmente o tempo não dá para tudo e desta vez não fomos assim tantas vezes como gostaríamos. Um dos filmes que fomos ver foi escolhido por mim e acho que, meses depois,  o Jack ainda me está a lançar pragas à conta desta decisão. O filme chama-se "Força Maior" e ao ler a sinopse, ficámos os dois com a sensação que o filme falaria sobre uma avalanche que apanharia toda uma família, menos o pai que teria conseguido fugir deixando a mulher e os filhos para trás. E que este depois, arrependido e sem saber da família, iria concentrar todos os seus esforços em encontrá-la. Errado. Muito errado. Basicamente, o filme fala-nos de uma família a fazer as suas "férias na neve", e durante um almoço há efectivamente uma avalanche. E o pai, efectivamente, preocupa-se mais em fugir do que em ajudar a mulher e os filhos a saírem da esplanada onde todos se encontravam. Mas a avalanche não os atinge e o pai volta à mesa, como se nada se tivesse passado. E todo o resto do file é a propósito do facto da mulher ter ficado extremamente magoada com a fuga do marido e tudo roda à volta daquela crise conjugal, com muitas cenas de silêncio pelo meio (acho que nunca vi uma casa-de-banho ser tão filmada: é vê-los a lavarem os dentes, é vê-los a usarem a sanita, etc, etc) e um final absolutamente idiota. 

Adoro homens assim cavalheiros

Liga-me o Jack dizendo que à entrada do prédio está o ovinho que encomendámos para o bebé. Desço as escadas, olho para o caixote grande pousado no passeio, cumprimento o senhor, assino o papel que ele me dá e....fico embasbacada a olhar para ele quando ele me vira as costas, entra na carrinha e arranca. Não sendo obrigação dele, acho que teria sido um gesto de cavalheirismo perguntar-me se queria ajuda para levar o caixote escadas acima, vendo-me grávida de seis meses. Felizmente comprámos um ovo leve e eu não tenho grandes restrições ao carregamento de pesos, pelo que lá peguei no caixote e carreguei com ele até ao 1º andar, preocupada em não tropeçar. Mas ainda aqui estou incrédula com tal falta de cavalheirismo.....

28.7.15

Tété a confundir os franceses desde 2012....

E em dois minutos de consulta ainda houve tempo para...

- Como se chama?
- Tété Apelido1.
- E o seu marido?
- Jack Apelido2.
- Ah, então não são casados.
- Somos.
- Mas não tem o apelido do seu marido...
- Pois não.

E também não trago a aliança no dedo nem o Jack traz a dele. E então?


Rapidinho

Aos 18/19 anos fui operada e não tenho razões de queixa do médico, embora me lembre bem da minha mãe comentar que, com aquele médico, uma pessoa mal aquecia a cadeira pois as consultas eram demasiado rápidas. E eram de facto, embora na minha óptica, mais do que rápidas eram práticas. Eu entrava, ele observava, fazia os exames que tinha a fazer, mandava-me fazer outros exames se necessário e lá nos despedíamos. Óptimo para mim que gosto de passar o menos tempo possível dentro de um consultório se tudo estiver bem mas frustrante para a minha mãe que pagava bastante por apenas alguns minutos de tempo. Já a médica que até agora me seguiu na gravidez fica exasperada com esta minha pressa em sair do consultório e numa das últimas consultas senti que estava prestes a dar-me um berro quando pela terceira vez me levantei para ir embora antes de tempo. Agora, acabei de vir de uma consulta para passar a ter "médica de família". A consulta era às 17h45, entrei às 17h41 e às 17h43 já estava fora do consultório, com uma folha assinada. Acho que ainda bem que não paguei nada porque até eu, que gosto de consultas rápidas, teria ficado a chorar um bocadinho o dinheiro gasto em 2 minutos de consulta. =P

:)


27.7.15

Estes franceses põem-me doida!!

Por lei, não sou obrigada a ter um Médecin Traitant declarado (tipo Médico de Família) mas já não é a primeira vez que para certas análises ou exames me perguntam qual o nome do meu médico. Geralmente dou o nome da médica do Jack e não penso mais nisso. Mas agora recebi uma carta a pedir uma série de informações, entre elas o nome e morada do médico, e caso não tenha alguma das coisas pedidas terei de pagar pelo serviço a que recorri. E eu já estou mesmo a ver que a pobre da médica do Jack qualquer dia começa a receber relatórios dos meus exames e análises e coitadinha sabe lá quem eu sou. Por isso, já marquei consulta para amanhã onde vou simplesmente perguntar-lhe se ela se importa de ser a minha médica de família, fazê-la preencher papelada para depois enviar para a segurança social e no fim pagar a consulta por uma coisa que, por lei, nem sou obrigada a ter. Nervos, estes franceses dão-me nervos.

Ter um filho em França #2 - Os apelidos

Informação importante (e mesmo para quem vive em Portugal, divirtam-se a ler para verem o nó que estes franceses nos dão ao cérebro):

Em França, quando nasce um bebé temos 3 dias úteis para ir à Mairie (semelhante à Câmara Municipal) da localidade onde está o hospital onde demos à luz e registar o bebé. O nome com que será registado é o nome que ficará dado à criança pelo que dá jeito que seja escrito sem erros nem enganos.

Uma das minhas guerras dos últimos tempos foi saber se era possível chegar simplesmente à Mairie e registar o nome que quiséssemos, com os apelidos que quiséssemos, visto as leis francesas serem diferentes das portuguesas. As informações que me chegavam às mãos eram demasiado variadas e contraditórias: por um lado, diziam-me que sim, que bastava lá chegar e escrever o nome; por outro lado, diziam-me que era preciso um papel do Consulado com os apelidos a transmitir; por outro, diziam-me que bastava apresentar uma cópia da lei portuguesa. O Consulado dizia-me que era realmente preciso um papel deles (e pagar por isso) mas não me sabiam explicar o porquê de ser preciso esse papel, o que obviamente não ajudava nada. Por isso, depois de muita pesquisa, depois de muitos telefonemas e e-mails trocados com o Consulado, depois de ler as condições francesas, eis a informação obtida:

A lei francesa diz que:

1) Os pais podem escolher os apelidos a dar aos filhos, podendo preencher (antes ou depois do nascimento) uma Declaração Conjunta de Escolha de Apelido. Sendo a paternidade reconhecida pelos dois progenitores, é possível então dar:

- quer o apelido do pai
- quer o apelido da mãe
- quer apelidos dos dois num limite máximo de um apelido de cada progenitor (se cada um dos progenitores tiver também um apelido de cada dos seus pais).

2) No entanto, caso a Declaração Conjunta de Escolha de Apelido não exista, por defeito surgem as seguintes situações:

- No caso de pais casados (em que se considera assim automaticamente que ambos são os pais da criança), o apelido dado ao bebé é o do pai.
- No caso de pais não casados, há duas situações: a) o pai reconheceu a paternidade antes do nascimento da criança, e aí é dado o apelido do pai; b) o pai só reconheceu a paternidade depois do nascimento da criança e aí é dado o apelido da mãe.

Ou seja, no nosso caso, os dois casados (um com o outro, isto é importante =P), a lei francesa permitiria apenas que o Jack desse o seu apelido à nossa filha, caso não apresentássemos a tal declaração dizendo que os apelidos escolhidos incluíam um apelido meu também. Logo isto aqui dá-me uns calores que nem vos digo. Mas bom, Tété, respira fundo, preenche lá a declaração dizendo quais os apelidos escolhidos pelos dois e pronto, fica resolvido. Na na na na, não fica nada porque a lei francesa diz também que:

3) Os apelidos dados antes de 2005 passam a formar um só apelido, impossível de ser partido.

Ou seja, se eu me chamar Tété Santos Silva Sousa não tenho 3 apelidos. Tenho apenas um que é "Santos Silva Sousa". Se o meu marido se chamar "Jack Marques Moutinho" tem também apenas um apelido que é "Marques Moutinho". O que significa que se a Pequena Abóbora ficasse só com o apelido do pai, ficaria Pequena Abóbora Marques Moutinho. Se ficasse só com o meu apelido, ficaria Pequena Abóbora Santos Silva Sousa. Se ficasse com apelidos dos dois, como gostaríamos, ficaria então Pequena Abóbora Santos Silva Sousa Marques Moutinho e com um trauma para toda a vida com um nome deste tamanho.

E é aqui que entra o Consulado! Ora, então o Consulado de Portugal passa (depois de pagarmos 31€) um "Certificat de Coutume", que é basicamente um papel que diz que a lei portuguesa permite que os apelidos sejam "partidos", que os pais podem escolher que partes do apelido de cada um querem transmitir ao bebé e que podem ser dados no máximo 4 apelidos. Este papel indica também quais os apelidos escolhidos, por isso, quando preencherem o pedido já têm de saber se querem dar "Sousa Moutinho" ou "Santos Marques Moutinho" ou qualquer que seja a combinação que preferirem.

Este papel é então apresentado na Mairie no dia em que forem registar o bebé, para que possam escrever o seu nome com os apelidos que muito bem vos apetece. :)

P.s.1: Depois tudo depende dos Consulados. Sei que há Consulados e Mairies que não exigem este Certificado, bastando apresentar uma cópia da lei portuguesa quanto à transmissão de apelidos.
P.s.2: Se os vossos tios, primos mais velhos, pais, etc, vos disserem que no tempo deles bastava ir à Mairie registar o bebé e pronto, a explicação é simples: nessa altura não haveria esta lei de não ser possível partir apelidos, o que obviamente já tornava as coisas mais simples.

Ter um filho em França #1

Sei bem que este blogue não é lido por muita gente e que a maioria vive em Portugal e não pensa emigrar para França, mas gosto de acreditar que pode haver quem já esteja emigrado ou pense em emigrar que venha parar este pequeno blogue e por isso vou colocar aqui pequenas notas sobre isto de ter um filho em França e certos cuidados burocráticos a ter. Não há muito a dizer por isso não haverá muitos posts sobre isto mas pode um dia ser útil para alguém, por isso tenham lá paciência. :)

Em primeiro lugar, fica aqui o aviso que o Consulado de Portugal em Paris tem o mesmo tipo de funcionamento que a Segurança Social ou as Finanças em Portugal, isto é, a informação que vos é dada depende muito da pessoa com quem estão a falar. Podem ligar às 9h00 da manhã e falar com Fulana e às 11h00 falar com Sicrana e a resposta ser absolutamente diferente para a mesma questão colocada. É triste e frustrante, mas é um facto. Por isso, para quem precisar de contactar o Consulado confirmem bem a informação que vos é dada (nem que seja preciso ligarem duas ou três vezes).

Seguem assim alguns posts sobre isto de "Ter um filho em França" conforme eu me for lembrando de informações que podem vir a ser úteis.

25.7.15

É que até digo que nunca recebi nada, se for preciso.

Acho uma piada imensa a esta mania que agora certas empresas têm, só porque até contratámos um serviço delas, de enviar coisas para nossa casa com o seguinte recado "Aqui têm este produto. Se gostar dele, envie-nos um cheque até à data tal. Se não o quiser, envie-nos o produto de volta que nós pagaremos os portes". Desta vez até vou fazer as coisas bem e já os contactei para tratar do envio, mas depois disto resolvido, receberão também um e-mail a avisar que se voltam a repetir a gracinha bem podem ficar à espera do cheque ou do produto de volta. Tenho mais do que fazer do que andar a ir aos correios devolver coisas que nunca pedi. Mandam coisas para casa das pessoas? Então arriscam-se a ficar sem elas. Olha que esta... 

Qualquer dia mordo alguém.

Ontem, na consulta, a médica olha para os resultados da minha curva da glicémia e exclama:
- Ai, picaram-na tantas vezes!
- Pois....7 vezes.
- Que tolice. Bastam 3 vezes!
- Pois, também era a ideia que eu tinha.
- Sinceramente, tenho de ligar para lá! É que fazem sempre isto. É o único laboratório que conheço que faz assim e não há razão para isto! Todas as grávidas que lá vão são picadas desta maneira, sinceramente.
- ....

E aqui respirei fundo para não lhe gritar "Então, espera lá, sua grandessíssima &%$##%&, você sabia que este laboratório, onde tenho feito análises todos os meses, faz esta análise desta maneira e não foi capaz de ligar para lá a dizer para não o fazerem ou indicar-me que dissesse algo ou que escolhesse outro laboratório????".

Está aqui uma grávida já com pouca paciência e depois ainda lhe dizem estas coisas assim nas calmas.

24.7.15

Devo começar a desconfiar?

No supermercado, o Jack aponta para uns pacotes de leite e diz-me:
- Depois temos de comprar aquele leite para a tua mãe quando ela nos vier visitar.
- Porquê? A minha mãe não bebe leite.
- Tu disseste-me que ela só bebia daquela marca porque não consegue beber das outras!
- Eu?!?!?!
- Sim, sim, e que é intolerante a não sei o quê porque lhe falta uma enzima qualquer...
- Eu?!?!?!? A minha mãe não bebe leite porque enjoou do sabor quando era miúda...
- Mas tu disseste! A bebé está mesmo a dar cabo de ti....

Na estrada, atravessa-se uma raposa à minha frente e eu tive de travar com alguma rapidez. Diz-me ele:
- Ena, amor, foi o primeiro animal a atravessar-se à frente do carro enquanto tu conduzias!
- O quê? Então mas eu farto-me de ver raposas....
- Não, não, tu disseste-me que quando és tu a conduzir nunca vês animais!
- Eu?!?!?!
- Sim, sim!
- Jack, o que eu te disse é que só vejo javalis quando és tu ao volante. Quando sou eu a conduzir, nunca vi um único javali.
- Tu andas mesmo mal! Já nem te lembras das conversas! Tu disseste-me que nunca vês animais!
- Mas como é que isso é possível? Se eu já te disse tantas vezes que farto-me de ver raposas, coelhos...

E temos tido conversas destas quase todos os dias. E a única hipótese que coloco é que ele tem uma vida dupla, que é casado também com outra e que chegou finalmente o momento em que começa a trocar as conversas que teve com ela e as que teve comigo. Bolas, tenho de começar a ver-lhe o telemóvel e a revistar-lhe a carteira?

22.7.15

Traumas

Tinha lido não sei onde que poderíamos começar a cantar para a bebé e assim tenho feito, acompanhada do meu iPod, vou ouvindo e cantando músicas de que gosto, principalmente em viagens de carro como já antes fazia. Mas surgiu-me depois a questão: não deveria eu cantar músicas infantis? É que nesse caso a Pequena Abóbora está tramada. Não sei nenhuma. Assim de repente e mais ou menos de cor sei músicas da Rua Sésamo como estas:






Bom, e depois temos sempre as fantásticas músicas dos Onda Choc, que ainda sei mais de cor (esta e tantas outras):


Agora sim, vou traumatizar a bebé, não?

20.7.15

Gostei!

Ontem a tarde foi passada no sofá a ler e assim acabei a metade que me faltava do último livro da Camilla Lackberg. Gostei, gostei muito, muito, muito, como gostei já dos outros 9 livros dela. Sinceramente, para mim faz todo o sentido começar a ler o primeiro e ir avançando na sequência certa, mesmo que as histórias seja independentes e seja possível comprar o último livro e entendê-lo sem problemas. Mas como as personagens principais são as mesmas é diferente ler o décimo livro já conhecendo a personalidade que cada um foi revelando ao longo do tempo. O "O Olhar dos Inocentes" é mais uma história de crime e não fica nada atrás dos outros. A Camilla Lackberg tem uma maneira de apresentar as novas personagens que às vezes me confunde um pouco pois apresenta-as em cenas isoladas a meio da história com as personagens já conhecidas. Por exemplo, durante 20 páginas somos capazes de ler sobre as personagens de sempre e de repente é relatada uma simples conversa de café entre duas personagens que nunca apareceram. Já dei por mim a rever rapidamente as primeiras páginas para tentar perceber de onde surgem aquelas personagens mas a verdade é que só mais à frente a apresentação é feita como deve ser e ficamos a saber quem elas são. Mas não estraga a história e não é difícil apanhar o fio à meada. E assim fico ansiosa pelo próximo.

Estou grávida, não estou de castigo.

Via skype em conversa com o meu pai:

- Saiu um novo livro da Gillian Flynn! Trazes-mo?
- Claro. Qual é o nome?
- Objectos Cortantes.

Junta-se a minha mãe à conversa:
- Que horror. Ainda traumatizas a bebé!
- Bem, eu não estava a pensar lê-lo em voz alta....

Desculpa, Pequena Abóbora, mas é o que a mamã gosta de ler. Quando estiveres cá fora apresento-te ao maravilhoso mundo Disney, mas até lá tens de aceitar os gostos da senhoria da casa onde és inquilina mais 3 meses. 

P.s. A minha mãe não é nada destas coisas nem crenças. :) Mas nas suas gravidezes adoptou a postura de não ver nem ler nada que não fosse fofinho para que os bebés não sentissem más vibrações, daí lhe fazer confusão eu continuar a ler livros de suspense, mortes, assassínios, dramas, etc, durante a gravidez. :)

O corpo

Seis meses de gravidez e a barriga continua a crescer. Tenho de admitir que não fui nem sou daquelas grávidas ansiosas por ver a barriga a crescer, sempre a ver-se ao espelho, a ver se hoje já está um bocadinho maior que ontem e desejosas de ter uma barriga que toda a gente visse. Suponho que o facto de ter começado a fazer uma barriga de grávida logo aos 2 meses de gravidez tenha contribuído para isto pois em vez de olhar para o espelho e pensar "Quando é que ela vai crescer?", olhava e pensava "Como é que já cresceu isto? Como é que vou esconder mais um mês?". Aliás, a sensação que predominou muito tempo na minha mente é que tinha perdido por completo o controlo do meu corpo e cada vez que apanhava o meu reflexo no espelho dava por mim espantada e não encantada com a barriga de grávida. Aos seis meses de gravidez exibo com orgulho a minha barriga de bebé, gosto de me ver com peças mais justas que largas que a evidenciem, mas continuo a surpreender-me ao espelho e continuo a dar por mim a olhar para a barriga e pensar "Como é que isto ficou assim de repente?". Acho que mentalmente estava mais preparada para ser daquelas mulheres a quem a barriga só aparece aos 5 meses de gravidez e para andar doida para que ela crescesse, do que para ouvir que vou fazer uma grande barriga, que a bebé vai ser grande (o que nem tem ligação obrigatória) e que estou gordinha. Esta última então faz-me ranger ligeiramente os dentes porque aos seis meses de gravidez encontro-me com o mesmo peso com que estava quando engravidei, continuo a calçar os mesmos sapatos, não me sinto inchada e a única coisa que efectivamente aumentou foi a barriga (e o peito, vá). E tenho pena das mulheres que engordam mais de vinte quilos na gravidez porque se eu tenho de ouvir isto, nem imagino aquilo pelo que elas devem passar. Em termos de mobilidade continuo na maior e na maior parte das vezes até me esqueço que estou grávida. Admito que ao levantar-me de sofás mais baixos ou fundos já me sinto um bocadinho uma tartaruga de patas para o ar mas também aqui se reflecte o meu cuidado em não querer fazer força com os abdominais. Continuo sem dores de costas (ainda bem) a não ser quando me levanto de manhã mas aqui pesa o facto de eu continuar a dormir que nem uma pedra durante oito ou dez horas e o corpo não achar piada estar tantas horas na mesma posição, o que me obriga a esticar-me e alongar-me um bocado quando me levanto e fico pronta para o novo dia. Disto não me posso efectivamente queixar. E a verdade é que é muito provavelmente devido ao facto de me sentir tão bem que sei já que vou sentir saudades de estar assim, grávida e com esta barriga. Mesmo que por vezes ainda sinta que o corpo deixou de me pertencer demasiado rápido e de me espantar com o reflexo no espelho.

18.7.15

Nervos!

O supermercado onde vou tem apenas lugares de estacionamento mais largos para quem tem alguma deficiência física por isso as grávidas estacionam nos lugares normais, coisa que nunca me incomodou até agora. Mas hoje tinha de apanhar uma besta que decidiu estacionar ao meu lado, ocupando o meu lugar de estacionamento (e sem razão para isso, porque do outro lado do seu carro havia apenas relva, ou seja, nada estaria a bloquear o senhor para ele ter necessidade de se aproximar tanto de mim), e ficar tão juntinho ao meu carro, mas tão juntinho, que eu nunca conseguiria abrir a porta mesmo que não estivesse grávida. E está calor e eu estou de muito mau-humor. E por isso, estive ali uns segundos a ponderar que ia chamar um segurança qualquer para que chamassem a besta e ela mexesse o carro, se lhe riscava o carro todinho ou se entrava pela porta do pendura e lá me torcia toda para conseguir chegar ao lugar do condutor. Depois de resmungar em voz alta, de ter chamado besta ao condutor ausente do carro, lá decidi que se fosse chamar o segurança ia dar por mim ainda mais enervada e por isso lá parti para os malabarismos e contorcionismos. Mas continuo enervada. Não suporto esta maneira de estar, de se pensar apenas em "eu, eu, eu, eu e os outros que se lixem". Que nervos! Vou fazer bolachas para ver se me passa a neura.

17.7.15

Ahahahaha!


Confirmo todos eles menos o último. 

- Acho que há sempre o pequenino receio de alguma coisa correr mal e haver alguma surpresa no nascimento (bom, não necessariamente nascer com pés na zona das orelhas). 

- Este sim, é um grande receio. Tenho medo de ser daquelas grávidas que passa a vida a ir às urgências por achar que está a entrar em trabalho de parto e nunca ser nada. Mas também tenho o receio de, por não querer ser assim, deixar de ir e ter a bebé em casa.

- Claro que há a preocupação de como ficará o corpo após a gravidez. Acho natural mesmo se não era nenhuma top model antes de estar grávida.

- Eu não tenho medo de não saber segurá-la. Eu tenho medo de não a saber vestir, alimentar, mudar fraldas, dar banho, perceber porque chora, curá-la quando está doente, etc, etc...=P

- Por fim, o parto. Não tenho receio. Não tenho medo. Tenho pânico. E agora vou entrar em negação outra vez e fingir que não vou ter de passar por ele daqui a 3 meses. 

16.7.15

Ando por aqui, sim? :)

Ando desaparecida mas a culpa não é minha. O Saint Pierre está a fazer todos os esforços para me cozer, enviando dias de calor em que a única coisa que consigo fazer é sentar-me e sentir-me a derreter. Até sinto o cérebro mais líquido, e os únicos esforços a que me sujeito é a beber água e a gastar caixas de lenços graças às minhas constantes alergias. Nem apetite tenho tido e o facto de a Pequena Papaia entreter-se a dar-me pontapés no estômago cada vez que como também não ajuda (oh, filhota, tantos orgãos bonitos e tu só te interessas pela bexiga e pelo estômago? Olha ali os rins! E o fígado, que giro que é! Até tens o apêndice que a mamã guardou só para ti e tu não lhe ligas nenhuma). Os meus braços estão tão bonitos que os meus pais até viram a cara quando os mostro no skype e o Jack tem medo de sair comigo pois diz que se arrisca a ser preso. Neste momento já passaram a cor amarela e verde e estão simplesmente....negros. Eu até nem lhes ligo muito mas quando em pleno supermercado damos conta que as pessoas estão a olhar para nós com um ar estranho (e não é para a barriga, é mesmo para os braços), é que me lembro das figurinhas que ando a fazer. 

(agora estão negros que é para sobressair ainda mais na minha pele branca.....)

12.7.15

A tortura

Passei mal a noite e só dormi duas horas tal era o estado de nervos em que me encontrava. Às 8h da manhã lá estávamos nós, comigo munida do meu saquinho de 75 g de açúcar em pó a ouvir que ficaríamos lá 3 horas em vez de 2h. Eu já tinha ouvido isto quando lá tinha ido marcar o exame mas nem assim se fez o "click" na minha cabeça de que então algo seria diferente. Eu sei que o exame é suposto demorar 2 horas a fazer (tirar sangue em jejum, beber a bebida açucarada, tirar sangue após 1 hora da primeira picada, tirar sangue após 2 horas da primeira picada) e achei que as 3 horas de que me falavam implicava simplesmente que haveria atrasos, que poderiam querer que eu ficasse um pouco mais no laboratório após a segunda picada, eu sei lá, o que sei é que não liguei nenhuma à mudança de planos.

Às 8h30 chamaram-me então para a primeira análise, eu em jejum há mais de 12 horas, morta de fome, a querer desesperadamente comer a minha tigela de Chocapic com leite frio. A rapariga que me atendeu era extremamente simpática e com algum sentido de humor, o que ajuda sempre nestas coisas. E no meio das brincadeiras sobre a tortura que me faria passar, que entre isto e o parto sabe-se lá o que é pior, etc, percebi que me estava a dizer que me tiraria sangue mais do que 3 vezes. Olhei para os tubos e contei quatro pelo que comentei "Ah, vai tirar sangue 4 vezes, é isso?". Resposta dela "Não, sete vezes.". O quêêêêêêêêêê???? Como assim, sete vezes???? Ah pois é, decidiram que faria a famosa curva da glicémia durante três horas, com picada a cada meia-hora. E sem comer nem beber nada. Nem água? Não, nem um golo de água poderia beber. Eu já sou branca, mas acho que ali fiquei sem cor. Beber a bebida horrorosa, ser picada sete vezes e não poder beber água durante 3 horas para combater o enjoo já era demais para o meu coração. 

A bebida, ora pois, a bebida. Água com açúcar não é para mim e a minha reticência em bebê-la era tão grande que a rapariga preferiu dar-me um saquinho para ter comigo caso o meu estômago decidisse fazer-me uma partida. Encheu meio copo grande com água, dissolveu o açúcar, deu-me uma colher para misturar e deixou-me sozinha para beber aquilo, aconselhando-me a ir mexendo com a colher para o açúcar não depositar todo no fundo. Tentei beber aquilo tudo de uma só vez mas nem consegui. O açúcar era tanto que eu conseguia mastigá-lo e bastava um golo para ficar com a boca cheia de açúcar. Lá despachei o copo, juntei mais água para dissolver o que ainda tinha ficado no fundo do copo e para empurrar o açúcar colado aos dentes, ao céu da boca, etc, e fui reencaminhada para a sala de espera com ar de quem tinha sido condenada à forca.

Bom, a boa notícia é que não me senti tão mal como receava. Fiquei enjoada, a sentir-me como se estivesse num barco, com uma dificuldade enorme em me concentrar no que quer que fosse e com o coração a 120 ppm. E o Jack foi precioso nesta primeira hora porque me distraiu, me fez rir, me fez falar de livros, mesmo que a conversa fosse pautada por segundos de silêncio por eu perder o fio à meada. Parecendo que não, o facto de, de meia em meia-hora, ter de me levantar para ir tirar sangue também ajudou o tempo a passar.

As minhas veias são boas e a rapariga estava encantada mas nem isso me impediu de levar mais duas picadas extra no braço direito quando a veia decidiu que já não queria voltar a dar sangue uma quarta vez. Passou-se então para o lado esquerdo, o qual para a última análise também já não quis cooperar e foi assim necessário tirar sangue do pulso. Nem vos digo como tenho os braços: um hematoma gigante no direito, dois no esquerdo e um no pulso. 

Depois da última análise, peguei nas minhas coisinhas e só queria fugir dali, obrigando a rapariga a chamar-me para me dar o papel com o qual levantaria os resultados. Almoçámos, o Jack foi trabalhar e eu dormi uma sesta. Não sei se foram efeitos secundários do exame ou se foi de todo o stress (é o mais provável) mas passei o resto da tarde cheia de dores de cabeça e muito mal-disposta. Quando chegou a hora de ir buscar o resultado dos exames, saí toda apressada e ...ups, o Jack tinha levado o carro. Burros, tínhamos falado sobre isso mas nenhum de nós se lembrou que eu precisaria dele para voltar ao laboratório. Mandei mensagem ao Jack, a gozar connosco e dizendo que lá teríamos de esperar por segunda-feira para saber como se andava a portar o meu corpo em relação ao açúcar. Mas o Jack, que estava na estrada naquele momento, ligou-me e decidiu fazer um desvio para me apanhar. Dizia ele que nem pensar em ter estado 3 horas naquele exame e ainda ter de esperar dias pelo resultado. Lá fui buscá-lo e ainda não tinha saído do laboratório e já estava a abrir o envelope. E tcharã, tenho os valores dentro do esperado e nada altos, por sinal. Yeah, nada de diabetes! Até sinto que perdi cinco quilos ao ver os resultados. Não estava nada preparada para andar a picar o dedo e a controlar os níveis, sei que se me mandassem fazê-lo, eu faria, mas psicologicamente seria muito difícil. Por isso agora é esperar que a médica não decida avariar e veja que não preciso de andar a controlar nada.

A única coisa é que estou com uma ligeira anemia, o que já fez o Jack e a minha mãe darem-me na cabeça, mas não estou preocupada. Veremos o que a médica dirá. :)

10.7.15

É já amanhã

É já amanhã que serei torturada. Eu acho que até ando meio agoniada só por saber que a cada minuto que passa, estou mais perto de ir beber aquela bebida horrorosa. Aliás, o meu receio de me sentir mal com esta bebida é tal que nem quero saber do facto de me irem tirar sangue três vezes, logo eu, a menina cheia de medo de agulhas e que fica sempre branca como a cal cada vez que tem de tirar sangue. Acho que neste ponto a gravidez ajudou muito porque isto de ter de tirar sangue todos os meses ajuda a ultrapassar o medo da coisa. Não é que tenha passado a adorar tirar sangue (continuo a dizer que há coisas muito mais giras para fazer), mas admito que já vou com aquela atitude de "Bem, 'bora lá fazer isto mais uma vez...Olhe que a veia boa é a do braço direito....Pois, eu sei, eu sei, ainda vou ter de vir cá mais vezes....". Aliás, se me dissessem "Tété, amanhã não bebes o sumo mas tens de tirar sangue 10 vezes!", eu não hesitava nem dois segundos, aceitava logo. Eu não quero é beber a água carregadinha de açúcar, que coisa para me fazer vomitar em dois tempos, já estou mesmo a ver. Sei bem que ter diabetes gestacional não é bom para o bebé, sei bem que este teste é algo que ajuda a diagnosticar e a evitar problemas futuros, mas estou para aqui com uma vontadinha de dar um murro nos tintins do senhor que inventou isto que nem vos conto (pois é claro que foi um senhor; uma senhora não se lembraria de criar tal tortura pela qual ela tivesse também de passar). Água com açúcar, senhor, água com açúcar?? Já li em fóruns que nalguns casos é dada à grávida um bolo, um pastel de nata e um leite com chocolate ou coisas semelhantes, o que me parece muito mais agradável mesmo se o pastel de nata também dificilmente passasse no meu caso (sim, sou esquisitinha). Mas aceitava na boa comer as tabletes de chocolate necessárias para substituir o raio da bebida. Já estou mesmo a ver que me vou sentir mal, que me vão dar os calores, que vou ficar enjoada, que vou ter vontade de vomitar, que o coração me vai saltar pela boca (o meu coração já bate demasiado depressa e o açúcar acelera-o, o que não é nada agradável, e é um dos motivos para o meu grande receio) e depois para terminar a festa em beleza, aposto as minhas fichas em como o resultado da porcaria do teste virá positivo para diabetes gestacional. É que se é para sofrer, sofre-se tudo, eu já sei como é. 

A primeira aula

Chegou então o dia da primeira aula de preparação para o parto e o Jack foi comigo. Acredito que ele não fizesse questão de ir mas eu queria que ele fosse por duas razões:

- primeiro, não queria ir sozinha. Nunca tinha ido para aqueles lados de carro e tinha a certeza que me ia perder ou que iria uma pilha de nervos com este receio. Depois já me estava mesmo a ver a meter os pés pelas mãos e a não apanhar nada de nada da aula. Havia também o risco de chegar lá e não haver aula nenhuma porque a conversa por telefone tinha sido tão a correr e stressante que eu podia ter apanhado mal o dia e a hora, ou então ter percebido tudo mal e nem estar inscrita. E por fim, já imaginava um monte de grávidas com os seus maridos e eu para ali como se tivesse feito a criança sozinha.

- segundo, porque acho que se cai facilmente no erro de que mãe é mãe e quando o bebé nascer a mãe sabe o que fazer e pobre do pai que não sabe nada, coitadinho. Eu nunca tive um filho e acho que estarei tão à nora quanto o Jack por isso o melhor é mesmo aprendermos os dois.

Chegar lá foi fácil mas dar com a porta da sala foi um pouco mais difícil (e ainda bem que lá estava o Jack porque eu já estava prestes a desistir). Na aula éramos apenas 3 grávidas...e o Jack. O meu receio de ser a única grávida sem acompanhante transformou-se no oposto e eu era a única a levar o marido. E a aula consistiu basicamente num hora a ouvir falar do trabalho de parto, a reconhecer os sinais, a saber quando se deve ir para a maternidade, como respirar durante as contracções, etc. Para ser o mais sincera possível, não ouvi nada que já não soubesse. Aliás, foram-nos feitas algumas perguntas e eu respondi sem grandes problemas (disse-me o Jack depois "Bem me parecia que estavas a fazer batota e já sabias as respostas....") pois eram informações que já tinha lido ou que já sabia. Ainda assim não apanhei a aula toda a 100% porque para além de ser em francês, claro, a senhora falava muito, muito, muito baixinho. E de vez em quando parava uns segundos como se estivesse a criar suspense mas eu ficava sempre com a dúvida se ela não teria feito alguma pergunta que me tivesse passado ao lado e estava ali a aguardar uma resposta. Ainda assim, achei útil quanto mais não seja porque o Jack aprendeu uma série de coisas e porque quando eu estiver em pânico no dia do parto e me tiver esquecido de tudo, ele estará lá para me lembrar destas coisas. Vamos ver como correm as próximas.

9.7.15

Para aproveitar

Neste blogue não se fala de álcool por uma simples razão: eu não bebo. E agora grávida de cinco meses, quase seis, confesso que beber um copinho de vinho não está na minha lista de desejos, mesmo que o meu sogro goste, a todas as refeições, de me perguntar educadamente se quero um pouco de vinho. Não deixo de me rir e de lhe responder coisas como "Oh, obrigada, estava mesmo a apetecer-me mas aqui a bebé não gosta muito do sabor...", recebendo uma gargalhada de volta quando se lembra que vem uma neta a caminho.

Mas lá porque eu não bebo, não significa que não haja por aí verdadeiros amantes de vinho. Ou pelo menos, quem goste sempre de ter uma garrafinha em casa para acompanhar o jantar quando se tem convidados. Admito que cá por casa quando é preciso comprar vinho parecemos dois burros a olhar para as prateleiras e também pode ser esse o vosso caso. 
Por isso mesmo, quando fui contactada pela VINHA para oferecer um cupão de desconto aos leitores deste blogue, pensei "Porque não?".


Ora bem, a VINHA é uma garrafeira online de vinho português (site aqui) que faz entregas em todo o território continental, Açores, Madeira e União Europeia. Dentro de Portugal, em encomendas até às 15h, a entrega é feita no dia útil seguinte, mas em Lisboa e no Porto há a possibilidade de a entrega ser feita no próprio dia.

O site está engraçado e parece-me funcional, porque podemos pesquisar qual o vinho certo escolhendo por exemplo o prato que serviremos ao jantar (carnes brancas, assados, caça, peixe, etc...), até que preço estamos dispostos a pagar, de que região queremos o vinho (pode dar jeito se soubermos que um convidado é fã dos vinhos da zona de Trás-os-Montes, por exemplo), entre outras opções. Aliás, a VINHA é a primeira loja do mundo com avaliações da Vivino, rede com mais de dez milhões de pessoas, ou seja, os vinhos são pontuados de acordo com a opinião de milhares de pessoas. O que para quem percebe pouco de vinhos (como nós) é uma vantagem uma vez que ao menos temos a certeza que aquela garrafa que estamos a comprar é de um vinho que agradará e que não fará os convidados torcer o nariz.

O pagamento pode ser feito via Paypal, cartão de crédito, referência multibanco ou transferência bancária e, por exemplo, para entregas em território continental o valor dos portes de entrega é sempre de 4,99€, seja qual for o método de entrega escolhido (entrega no mesmo dia, no dia seguinte ou num ponto Pick Up). Maaaaaaaas...eu falei de um cupão de desconto, certo? Ora bem, aqui está ele:

A VINHA oferece um cupão de portes grátis em qualquer compra acima dos 5€. Só têm mesmo de ir ao site, escolher o(s) vinho(s) que querem comprar, introduzir o código de desconto "pglafora" e se a encomenda for superior a 5€, os portes são oferecidos. O cupão é válido até dia 19 de Julho e só pode ser usado uma vez por cada leitor.


Boas compras!

Que stress!

As aulas de preparação para o parto é quase como o casamento: há os que as defendem com unhas e dentes e há quem diga que não são precisas para nada. Ainda não estava grávida e já ouvia milhares de opiniões: de quem tinha ido e tinha adorado, que valia mesmo a pena, que sim, que era muito bom ir; de quem tinha ido e tinha ficado a achar que era apenas uma perda de tempo, que não se aprendia nada, que mais valia não ter ido; e de quem nem sequer lá tinha ido e não tinha achado que fizesse falta.

E eu sempre achei que quando chegasse a minha vez que até gostava de ir, mas depois uma pessoa vê-se a viver fora de Portugal e as ideias mudam um bocadinho. Eu sabia lá se faziam essas aulas, onde se faziam, como eram e ainda por cima sei lá se perceberia alguma coisa das aulas por serem em francês. Quando fiz a inscrição para o parto no Hospital foi-me dada uma pastinha com alguns documentos e um deles era o horário com as diferentes aulas disponíveis (aulas de preparação, aulas de ioga, aulas de canto pré-natal (o que é isto???), etc, etc). O estado francês oferece até oito aulas e eu andei durante uns tempos a olhar para o papel, indecisa se ligava ou não para o telemóvel da pessoa que daria a aula no horário que eu pretendia, com a minha mãe a insistir comigo "Liga! Vais ver que é giro! Liga!". Até que um dia ganhei coragem (não gosto de falar ao telefone e ainda menos em francês) e liguei. E do outro lado ouvi uma voz apressada que me pediu o meu número de telemóvel e o nome, dizendo que me voltaria a ligar porque naquele momento não tinha tempo. Dois minutos depois, ainda estava eu atordoada com a velocidade a que tinha sido despachada, quando o telefone toca. Era novamente a Senhora-Sem-Tempo que começou por me dar uma descasca por estar a ligar demasiado tarde para conseguir vagas, que isto é daquelas coisas que tem de se tratar mal se saiba que se está grávida (como tudo o resto, na verdade....) e que agora vamos-lá-ver-se-arranjo-aqui-um-lugarzinho-na-agenda. E a conversa foi mais ou menos assim (imaginem alguém a falar a alta velocidade):

- Então-vá-vou-dizer-lhe-os-dias-e-as-horas-das-aulas-Mas-vá-apontando-que-eu-não-tenho-tempo-para-estar-a-repetir-me-A-morada-é-a-HFDGDGJFBFHB-e-a-primeira-aula-é...
- Desculpe, não percebi a morada.
- Procure-nas-páginas-amarelas-que-eu-agora-não-tenho-tempo!-A-primeira-aula-é-no-dia-X-às-X-horas-e-o-tema-é-X-a-segunda-aula-é-no-dia-Y-às-Y-horas-e-o-tema-é-Y-a-terceira-aula-é-no-dia-Z-às-Z-horas-e-o-tema-é-Z-a-quarta-aula-é-no-dia...
- Desculpe, não apanhei a última hora que disse....
- Z-horas!-Mas-eu-não-tenho-tempo-para-estar-a-repetir-tudo!-Vou-continuar-a-dizer-e-depois-quando-cá-vier-revemos-o-horário-das-aulas!
- Está bem, está bem....

E assim se passou até ao final do telefonema e quando finalmente desliguei estava ainda sem fôlego de estar a tentar apanhar e a apontar os dias e as horas (esqueçam lá os temas porque esses passaram-me ao lado). E o telefone volta a tocar e a conversa continua como se nem sequer nos tivéssemos despedido:

- Olhe-as-aulas-são-em-grupo-mas-há-sempre-a-possibilidade-de-fazer-uma-a-sós-comigo-para-tirar-dúvidas.-Não-é-que-eu-tenha-a-agenda-muito-livre-por-isso-teria-de-ser-dia-X-às-Y-horas-pode-ser?
- Mas eu dia X já tenho a primeira aula de grupo. Esta sessão seria então depois, é isso?
- Não-está-a-entender-e-eu-não-tenho-tempo-para-estar-aqui-a-explicar-tudo!-Tem-as-aulas-de-grupo e-depois-há-uma-sessão-particular-que-não-é-obrigatória-é-apenas-se-quiser-e-que-tem-de-ser-no-dia...
- Deixe estar! Não quero! Fico-me pelas aulas de grupo e pronto, não é preciso marcar mais nada!

Juro-vos, já estava a ficar desesperada com tanta pressa e stress do outro lado.
A primeira aula foi esta semana e tenho de admitir que ia um bocadinho apavorada a pensar que aquilo que era suposto ser uma aula de aprendizagem e de onde eu deveria sair mais calma se iria na verdade transformar numa sessão de puro stress. Mas disto falarei noutro post. :)

8.7.15

É que nem consigo fazer nada

Estou há duas horas a espirrar e a assoar-me como se não houvesse amanhã. Eu quero as minhas drogas!! Eu preciso dos meus anti-histamínicos!! O que uma mulher sofre só para não entupir a Pequena Papaia com medicamentos. Quando tiver autorização para voltar às minhas drogas, acho que até faço uma "Festa do Anti-histamínico", onde serão servidos Aerius, Zyrtec e outros que tais, em bandejas de prata. Oh, raios partam isto. Daqui a pouco cai-me o nariz.

Bah

Ontem fui ao supermercado com a ideia de comprar maçãs. Desisti. Eu já vi maçãs muito lavadinhas e brilhantes, mas as que vi ontem parecia mesmo que tinham sido pintadas com verniz. E eu, que gosto de comer a fruta com casca, suspirei e vim-me embora. Mas ainda estou chocada com o quão brilhavam aquelas maçãs. Qualquer dia começam a cobri-las de purpurinas e a tentar convencer a malta que é assim que elas são apanhadas nas árvores, não?

7.7.15

Eu não digo que a Pequena Papaia me está a roubar o cérebro?!?

Se há coisa que eu acho que sempre fui é inteligente e sempre tive orgulho nisso. Não sou um génio e tenho os meus muitos momentos de incompreensão, mas de alguma forma acho que tenho um pensamento lógico e que compreendo as coisas rapidamente (mesmo que depois me falhe a memória para muita coisa). Desde que fiquei grávida, sinto o cérebro a esvair-se e dou por mim a fazer as coisas mais parvas, a pensar as coisas mais estúpidas e, pior, a dizê-las em voz alta. Estou burra, para minha grande infelicidade, e de raciocínio muito, muito lento. Espero sinceramente que isto passe depois do parto porque já me começo a fartar deste cérebro movido a carvão, mesmo que para os outros seja um motivo de grande galhofa.
Ontem, ao jantar, o Jack lança-me a piada:
- Vamos chamar à bebé "Volvic"!
Olhei para ele desconcertada, ri-me por reconhecer o nome de algures mas não estava a ver de onde...
- Volvic, Volvic....Ai, não estou a ver de onde vem o nome.
- A sério??
- Sim, espera, dá-me um minuto.
- Ahahahahahahahahahahaha!
- Não gozes! Eu vou lembrar-me!
- Aahahahahahahahahahahahah!
- Já sei! Não é o nome de um medicamento?
- Ahahahahahahaahhaha, o nome de um medicamento, ahahahahahahahaahahh!
- Pronto, pronto, devo estar a fazer confusão. Então....é o nome de uma personagem de um filme, não?
- Ahahahahahahahahahahah!
(por esta altura, já o Jack se rebolava a rir mas praticamente de lágrimas nos olhos)
- Sim, é isso, é o nome de personagem, certo? Mas de que filme....bolas, não me lembro do filme...
- Ahahahahahaahahahahahahah!
- Não gozes! Já me lembrei que era o nome de uma personagem!
- Ahahahahahaahah, o nome de uma personagem, ahahahahahahahaha!
- Oh, a sério! Dá-me uma pista! É uma personagem ou não??
- Ahahaahahahah....o giro disto....ahahahahahah...é que tu...ahahahah...tens à tua frente.....duas garrafas de água da marca Volvic...ahahahaha....e nem assim lá chegas! Ahahahahahaha

E eu ri-me tanto mas tanto que já tudo me doía porque isto é triste, senhores, tão triste que se eu não me rir de mim mesma, só posso chorar. Diz o Jack que está a adorar ser o mais inteligente da casa durante uns meses (o que é tolo porque se o homem não fosse inteligente, eu não teria casado com ele). E o pior é que não fiquei satisfeita e continuei...

- Ahahah, bem, ao menos, se a bebé ficar com o meu cérebro há-de ser inteligente. Talvez saia mesmo a mim e seja assim calminha e auto-controlada.
- Nem penses! Estou cá para lhe dar a conhecer o mundo e coisas diferentes. Logo que possa dou-lhe a conhecer o Dragon Khan!
- Oh, mas eu também via o Dragon Ball e até gostava!
- Ahahah, eu estou a falar do Dragon Khan!
- Huuuum, pois, isso não é uma personagem do Dragon Ball?
- Ahahahahahahah....não....ahahahahahah....é aquela montanha russa enorme do Park Aventura em que tu te recusaste a andar comigo! Ahahahahahahaahah!

E eu desisti, senhores, desisti porque eu não nasci para fazer estas figuras, a sério que não. Até ao fim da gravidez não volto a abrir a boca (imaginem o que não seria eu pôr-me aqui a dissertar sobre a Grécia, a política, assuntos da actualidade....).

6.7.15

Os pontapés

Eu não senti os pontapés muito cedo e fui ouvindo ao longo das semanas "Então, e já sentiste pontapés?", sendo a resposta invariavelmente negativa. Fui ouvindo e lendo relatos que primeiro não se sentiam propriamente pontapés, mas sim uma sensação de cobrinhas debaixo da pele, umas cócegas, um formigueiro, um borbulhar. Mas eu, um poço de insensibilidade, não sentia nada. Houve alturas em que pensava "Huuuum, se calhar isto é o bebé...", mas sinceramente estou convencida que era mais eu a querer sentir alguma coisa do que propriamente a Pequena Papaia a dar conta da sua existência. 

Nas ecografias o bebé mexia-se e via-se os movimentos das pernas e dos braços (como dizia o Jack, eu estava a apanhar uma valente coça mesmo que não o sentisse), e isso descansava-me. Sabia também que o facto de ter a placenta anterior, isto é, entre a pele da minha barriga e o bebé, faria com que eu o sentisse mais tarde pois a placenta servia de almofada que amortecia os pontapés e, segundos relatos que lia, nestes casos o normal era sentir às 24 semanas, ou seja, já depois de metade da gravidez ter passado. E por isso, na minha cabeça, convenci-me que só sentiria a Pequena Papaia depois das 24 semanas e não pensei mais nisso. Até às 22 semanas em que senti um valente pontapé. E outro. E mais outro. E como diz a minha mãe, se eu antes pensava "Nunca mais o sinto", agora a Pequena Papaia diverte-se a pontapear-me de manhã, de tarde e à noite (e acreditem que às vezes é um bocadinho maçador). Principalmente quando já estou a cair no sono, gosta de me dar um pontapé bem forte para eu dar um salto de susto. E tem uma notória preferência pela minha bexiga, principalmente quando começa a encher. E fora isso, sinto-a tanto do lado esquerdo, como do lado direito, como mais acima, como mais abaixo. A última partida foi durante um jantar decidir dar-me um valente pontapé em cheio no estômago. Juro que pensei que deitava o jantar fora. 

Quando aqui escrevi que estava a começar a sentir os pontapés, uma leitora disse-me que agora o susto seria quando não os sentisse, e verdade seja dita, não tenho pensado muito no assunto pois a partir do 1º dia em que a senti, sinto-a constantemente. Mas a semana passada, numa das noites, dei por mim a pensar que algo estava diferente e demorei um bocado a perceber que não estava a sentir pontapés. Eu tinha-a sentido de manhã e à tarde, por isso não estava preocupada, mas não deixava de ser algo fora da rotina não lhe sentir os pontapés à noite. E como eu gosto pouco que as coisas fujam à rotina, dei por mim às 4h da manhã sem adormecer e a comer uma barrinha Kinder para estimular a Pequena Papaia. E claro que nem dois minutos depois os pontapés vieram em força, o que me deixou muito mais descansada mas sem conseguir dormir na mesma tal era a intensidade.

Estou também convencida que a Pequena Papaia nascerá já adolescente uma vez que não nos liga nenhuma. Também oiço e leio sobre bebés que reagem à voz dos pais, à música, ao toque na barriga, mas a nossa não está nem aí para nós. Dá pontapés quando quer e bem lhe apetece. Eu bem tento ver se reage à minha voz, ou à do Jack, ao nosso toque, à música, mas nada de nada. Tanto dá pontapés como não dá, num sinal claro que é ela quem manda. Mas enquanto der, tudo está bem. :)

Uma menina muito pouco cor-de-rosa

Enquanto não sabíamos se era menino ou menina, não nos aventurámos verdadeiramente em azuis e rosas. Queríamos apostar em brancos, verdes, laranjas, amarelos, etc, mas nas lojas acabámos por encontrar sobretudo (senão apenas) roupinha branca. O guarda-roupa da Pequena Papaia foi até determinada altura constituído principalmente, entre coisas que comprámos e que nos ofereceram, por branco, o que nos fazia rir, pois já imaginávamos um bebé com o nosso tom de pele (branco mais branco não há), vestido de branco, com meias brancas, gorro branco, mantinha branca, pousado em lençóis brancos e...nós deixaríamos de dar com ele por ser tudo da mesma cor. Entretanto, lá se foram adquirindo algumas peças mais coloridas, mas o branco continua a predominar, mesmo depois de se saber que é menina, havendo agora peças brancas com apontamentos rosa. A sorte da Pequena Papaia é que os pais tanto gostam de roupa colorida com bonecos como gostam das coisas mais simples e mimosas, e por isso, está a ganhar um guarda-roupa bastante variado. Até porque, admitamos, as roupas de bebé são todas muito fofinhas. :)

Deixo-vos aqui algumas das peças brancas que a Pequena Papaia vestirá:




Brancas com bonecos:


 E outras mais coloridas:








E daqui a umas semanas hei-de dedicar-me a lavar e a passar...


3.7.15

E para compensar a gente estúpida que pulula à nossa volta...

...existe a gente foooofa que nos enche de mimos. E temos recebido tantos! Hoje chegaram estes por correio....

Opááááá....:)


E um miminho para mim dos meus papás. :D
Ai, que o Jack dá cabo de mim quando vir que recebi mais um livro. =P

O calor já dá cabo de mim. E Deus ainda me manda gente estúpida para ter a certeza que eu fico mesmo tola.

Ligo para um Serviço e dizem-me:
- Pode e deve enviar já as informações 1 e 2 para o pedido para o papel A.
- Mas eu não tenho a informação 1. Só terei depois do nascimento do bebé.
- Nesse caso, não há problema, envia só a informação 2, nós enviamos o papel A com essa informação e apresenta-o assim na altura do registo do bebé.

Por via das dúvidas e porque nestas coisas sou uma desconfiada do pior, envio um e-mail ao mesmo serviço:
- Podem confirmar-me que eu posso pedir agora o papel A dando apenas a informação 2? E que depois deverei apresentar esse papel na altura do registo do bebé?
- Pode e deve fazer o pedido já! Porque tem de apresentar o papel A ainda antes do bebé nascer!
- Porquê? É um papel necessário apenas para o registo do bebé, não entendo porque deverei apresentá-lo antes.
- E depois do nascimento, pede o Papel B já com a informação 1 que agora não tem, e é esse papel B que apresentará no registo.
- Mas tenho mesmo de pedir o papel B? É que me disseram que posso simplesmente apresentar o papel A na altura do registo, mesmo só tendo a informação 2. E continuo sem perceber porque é que tenho de apresentar o papel A agora, ainda antes do nascimento.
- Não temos disponibilidade para lhe responder por e-mail às suas questões, entre em contacto telefónico.

Mais uma vez liguei e digo:
- Estou com uma dúvida em relação ao papel A. Disseram-me que o devo pedir agora e que tenho de o apresentar ainda antes do nascimento. Não fará mais sentido apresentá-lo apenas no dia do registo?
- Ah, mas para isso tem de perguntar ao Serviço de Registos porque é que querem o papel agora.
- Não está a entender, quem me disse que eu tenho de lá ir apresentar o papel agora foram vocês.
- Ah, pois, bem, se quiser ir apresentá-lo já, pode. Mas também pode ir apenas no dia do registo.
- Óptimo, e disseram-me que tenho de pedir agora o papel A e depois do nascimento o papel B. Mas não posso fazer o registo só com o papel A?
- Pode. Deve estar confusa e se calhar falaram-lhe do papel C que nem somos nós que passamos.
(Hum, hum, é isso, é, vocês metem os pés pelas mãos e a confusa sou eu....Adiante....)
- Ok, e confirme-me por favor que posso pedir o papel A dando apenas a informação 2, já que só terei a informação 1 depois do nascimento.
- Ah, não! Se não tem a informação 1, então não pode pedir o papel A. Tem de esperar pelo nascimento e pedir o papel B.

E aqui explodi. Não é normal que cada pessoa com quem falo na porcaria de um mesmo Serviço me dê informações tão diferentes e sempre num tom como se as respostas às minhas perguntas fossem óbvias e eu já devesse saber disto quando nasci. Não querem trabalhar como deve ser vão para casa que há muita gente profissional que gostaria de estar trabalhar. Raios partam esta gente e estes serviços que nem simples informações conseguem dar. Caramba, é mesmo para pôr uma pessoa com os fusíveis todos a arder.

E continuo extremamente mal impressionada...

...quando, a juntar às frases em maiúsculas, decidem ainda fazer uso dos pontos de exclamação e das reticências (!!!....). Num e-mail que se quer profissional e formal, acho sinceramente este tipo de coisa extremamente deselegante e desagradável. 
E se juntarmos o facto de se enganarem e me chamarem por outro nome, e também por começarem a referir-se a mim e ao Jack como "vocês", então é que fica tudo estragado.

Mas isto sou eu, a quem faz espécie ser atendida num restaurante por uma empregada que, não me conhecendo de lado nenhum, ao fim de 30 segundos me está a tratar por "tu", enquanto continua a tratar de forma mais formal o Jack. No fundo, andei com esta gente toda na escola, fomos melhores amigas de uma vida, e eu não me lembro. Só pode ser isso.

2.7.15

Fico tão, mas tão, mal impressionada...

...quando numa troca de e-mails com uma entidade do Estado, as respostas me são dadas com frases em que todas as letras são maiúsculas. Não me fico e continuo a insistir que não percebo determinada informação e roo-me por dentro para não acrescentar "E deixe-me dizer-lhe que frases com todas as letras em maiúsculas dão a sensação de estar a gritar, o que fica muito longe da imagem profissional que deveria estar a passar.". 

E aproveitaria para acrescentar que copiar frases dos e-mails que anteriormente me enviaram não passa de uma tentativa vã e um pouco idiota de me fazer perceber a informação que me estão a querer passar. Eu sei ler. E se mesmo lendo os e-mails continuo sem perceber a informação, então se calhar explicá-la em vez de copiar e colar frases já escritas era capaz de resultar melhor. Digo eu, que pelos vistos percebo pouco disto.

Podemos sempre contar com a burocracia

Quando eu digo que os franceses adoram burocracia e cartas e papéis e pedidos de papéis não estou a brincar. Qualquer motivo é válido para se mandar uma carta. Há umas semanas recebi uma carta da entidade que gere os subsídios, prémios, etc, a informar-me que o meu dossier iria ser estudado. A carta consistia em  três linhas. A primeira era "Você está à espera de um bebé!". Caramba, ainda bem que me avisaram! Olha que bosta que seria eu chegar ao dia do parto sem ter sido avisada que estava à espera de um bebé....

Escolher um carrinho

Quando soube que estava grávida, uma das primeiras coisas que comecei a ver foi o carrinho para o bebé já que a despesa é grande e se é para gastar uma pequena fortuna, então queria ter a certeza que o meu dinheiro estava a escoar para algo que valesse a pena. E basicamente fui-me apercebendo que há diversos escalões de preços conforme as escolhas que se façam:

1º - Conjunto duo (carrinho + ovo) ou trio (carrinho + ovo + alcofa), sabendo que à partida e naturalmente os trios serão mais caros que os duos. Nós optámos sempre por querer um trio, já que é recomendável que o bebé não passe muito tempo no ovo e por isso a alcofa servirá de caminha em passeios e estadias de maior tempo em casa de outras pessoas, pelo menos. E com isto, o preço final aumenta.

2º - Ovo com base ou sem base. Os ovos podem ser colocados no carro presos com cintos de segurança, ou pode-se optar por comprar uma base que fica sempre dentro do automóvel, já presa, e na qual o ovo encaixa e desencaixa mais facilmente. Também quisemos a base e novamente o preço final aumenta.

3º - Optando por querer uma base, há que escolher entre as bases "autofix" e "isofix". As "autofix" prendem-se também elas com os cintos de segurança. Nestas, o ovo encaixa directamente na base mas  tenho a sensação que nalguns casos é necessário que o cinto prenda também o ovo para uma maior segurança.  As "isofix" aproveitam um sistema que alguns automóveis trazem e ficam presas ao chassis do carro, sem qualquer uso de cintos de segurança, e é considerado o método mais seguro. Esta foi provavelmente das primeiras decisões que tomámos: quando o Jack comprou o carro, este vinha já com o sistema "isofix" e nós sempre soubemos que no futuro o quereríamos aproveitar. O problema das bases isofix? São caras. E o preço final aumenta...

4º - Depois há que ter em consideração o tamanho do carrinho. Tem de caber na mala do carro!

5º - E também o peso, precioso para quem, como eu, vive num prédio sem elevador e terá de andar com o carrinho, o ovo, a alcofa, o bebé e todas as tralhas necessárias escadas acima e escadas abaixo.

6º - E nisto, já vamos numa pequena fortuna, principalmente se quisermos optar por marcas e modelos que transmitam segurança e nos dedicarmos a ler opiniões e mais opiniões na internet. Depois disto, e como eu dizia ao Jack, há os giros. Embora em tom de brincadeira porque há obviamente carrinhos simples bonitos, o mercado oferece também carrinhos cheios de design e que alegram as vistas. Mas que nos deixam mais pobres. Bem mais pobres. O carrinho que escolhemos é bonito mas é, como diz o Jack, um carrinho normal. 

Confesso que já deito carrinhos pelos olhos, e listas de pros e contras para várias marcas e modelos, até porque não há obviamente "o" carrinho perfeito, "o" ovo perfeito e "a" alcofa perfeita. Ou talvez haja, mas a um preço muito acima daquilo que já me fazia arregalar os olhos e engolir em seco com tantos dígitos à esquerda da vírgula. Tenho a sensação que andei novamente à procura do fotógrafo para o casamento tais foram as horas gastas nesta pesquisa. Mas a escolha está feita e aproveitámos os saldos para trazer para casa o carrinho e a alcofa. O ovo e a base ainda estamos em pesquisa para ver em que loja os conseguimos mais baratos. O único senão é que por mais voltas que tenham dado ao carrinho, ao chegar a casa deparamo-nos com um alarme....Lá teremos de voltar à loja para o retirar. Ai, paciência....

1.7.15

Estou capaz de morder alguém.

Está um calor horrível e durante a noite não melhorou, o que resultou numa Maria Tété que só adormeceu às 8h00 da manhã. Podem portanto imaginar o meu ar quando às 8h15 fui acordada pelas máquinas que andavam a cortar a relva mesmo por baixo da janela do meu quarto. Hoje não falem comigo! Calor + má noite de sono = mau humor ao cubo!

Posso continuar a bater-lhe, certo?

Esta noite, com o calor, o Jack não conseguia estar dois minutos sossegado, dormindo um sonho inquieto. Depois de duas horas disto, eu já estava capaz de o matar, também eu a sofrer com o calor e ainda por cima sem conseguir adormecer à custa de tanta agitação. Calmamente, acordei-o e disse-lhe:
- Jack, não páras quieto um minuto. Deve ser do calor. Tenta beber um pouco de água.
Resmungou ele, a meio do sono:
- Não quero....
Insisti:
- Mas, amor, bebe água, a sério, para ver se acalmas porque não estás quieto e não me estás a deixar dormir. São 3h da manhã e eu ainda não preguei olho....
Resposta:
- Deixa estar, eu não me importo...

E eu tive de me conter para não lhe despejar um copo de água em cima. A sorte dele é que estava a dormir e hoje já nem se deve lembrar da conversa.

Posso bater-lhe, certo?

Num destes dias, sentados no quintal de uns familiares, ao final do dia, eu passava as mãos nos braços na tentativa vã de não permitir que todos os mosquitos no raio de 1 km pousassem na minha pele e me picassem. E oiço o Jack:

- Na verdade tu não atrais os mosquitos e melgas pelo sangue que tens ou lá o que possa ser, mas sim por seres tão branca. Eles não são geralmente atraídos pela luz? Bom, tu para eles deves parecer um autêntico farol.