29.9.15

Desafio

A Raven lançou-me este desafio e eu respondo já antes que a Pequena Melancia decida fazer das suas, conhecer o mundo e deixar-me sem tempo sequer para respirar. Ora então:

Sou muito...certinha, auto-controlada, seguidora de regras.

Não suporto...que insistam comigo para fazer algo que claramente não quero fazer e cuja decisão é apenas e só minha.

Já me zanguei...por não respeitarem o meu espaço e as minhas decisões.

Quando era criança...tinha medo que houvesse ladrões, e não monstros, debaixo da cama. Cheguei a traçar um plano de vários sítios onde me pudesse esconder caso os ladrões usassem ventosas para subir pela parede do prédio até à minha janela (correspondia a um 7º andar) e conseguissem entrar.

Neste exacto momento...acabei de comer uma canja que me soube maravilhosamente bem e tenho a Pequena Melancia a ver até que ponto as minhas costelas mexem e quão elástica é a minha pele.

Morro de medo de...ladrões, de velocidade, de doenças graves, de perder aqueles que amo, que me magoem fisicamente...Ah, e do parto, claro.

Sempre gostei de....ler e de fazer puzzles. 

Se eu pudesse...estaria a ter esta vida, estes projectos, em Portugal.

Adoro sentir-me...feliz, coisa que acontece grande parte do tempo.

Não gosto...de café, de pastilhas elásticas (nunca provei uma sequer), de ananás, de carne de vaca, de entrecosto, de costeletas, de marisco, de leitão, da maior parte dos doces que não tenham chocolate, de bebidas com gás, de enchidos, de comida picante, de coxas ou asas de frango, de canela, de frutos secos, de fruta madura, de doces com fruta (mesmo que tenham chocolate), e a lista continua....

Fico feliz...com pouca coisa, segundo o Jack. E de facto, se os meus mínimos estiverem satisfeitos, eu não peço mais para me sentir feliz.

Se pudesse voltar atrás no tempo...teria sido menos insegura nalgumas ocasiões, ter-me-ia defendido mais noutras, teria exigido mais nalgumas coisas e com algumas pessoas.

Quero viajar...até Itália, percorrer o país, uma viagem há muito sonhada pelos dois.

Eu preciso...de ser feliz. É este o meu objectivo de vida.

Não gosto...de sentir que não tenho controlo nas coisas.

E passo à R*, à Ariadne, à Pink Stuff e à Leonor.




28.9.15

A temida semana

Faço anos na sexta e pretendo gozar o meu aniversário com um dia calmo, com telefonemas e mensagens, com uma ida a um dos meus restaurantes favoritos, a receber prendinhas e beijinhos. E por isso passo neste momento basicamente 99% do tempo a desejar que a Pequena Melancia não me pregue uma partida e não haja cá contracções ou águas rebentadas antes de sábado (no mínimo, porque depois disso ainda tenho planos). Oh, semaninha, passa rápido e sem surpresas!

(As outras grávidas contam os dias que faltam para o parto, eu conto os dias que faltam para o meu aniversário....=P ).

Epidural

Não sei como se processam as coisas neste campo em Portugal, mas aqui temos uma consulta com um anestesista cerca de um mês antes da data prevista para o parto. Mesmo quem não pretende dar uso à epidural, é obrigada a ir a esta consulta pois sabe-se lá se não será necessário fazer uma cesariana e assim já o anestesista já fez a sua análise. Admito que ia nervosa, receosa, vá, uma pilha de nervos, com medo que o anestesista decidisse embirrar comigo e dizer-me que não me considerava apta o suficiente para receber a epidural. E por isso quando me fez a famosa pergunta "Quer receber epidural?" fiz questão de mostrar que nem pensava noutra hipótese:
- Quero, sim!
- Mas sabe que não é obrigada a receber....
- Ah, mas eu quero na mesma!
Provavelmente ficou a achar que sou uma mariquinhas um bocado dependente de drogas mas enquanto for eu a ter de dar à luz um bébé, quero as todas as ajudas que decidirem oferecer-me. Lá me examinou as costas, fez uma série de perguntas, auscultou-me e considerou que posso levar epidural. Yey! Agora é só esperar que o anestesista de serviço no dia em que a Pequena Melancia decidir nascer não se ausente para almoçar, para jantar, para fumar, para ir à casa-de-banho com uma crise intestinal, etc, e com isso não consiga chegar ao pé de mim a tempo. Juro que ponderei eu própria fazer um inquérito junto dos anestesistas do hospital, perguntando a que horas costumam ir almoçar, e onde, e para onde é que vão fumar, e se quiserem dormir uma sesta, onde é que a fazem, e pedir-lhes o número de telemóvel, morada, entre outras informações de extrema importância. Haveria também a hipótese de colocar uma espécie de pulseira electrónica que me dissesse a exacta localização do anestesista quando eu precisasse dele ou, melhor ainda, que lhe desse uns pequenos choques se ele se afastasse de mim mais de 5 metros. Infelizmente a minha parte racional não me deixou fazer nenhuma destas coisas pelo que só me resta, quando chegar o dia, entrar pelo hospital dentro a gritar "Chamem já o anestesista!!!".

26.9.15

Sinceramente....:)

Este ano toda a família vai juntar-se para me comprar uma única prenda. Prenda esta que será encomendada e corre-se o "risco" de que chegue apenas após o meu aniversário.
Decidi também oferecer-me então um miminho mas que também só consegui encomendando. Mais uma vez, há a grande probabilidade de só me chegar às mãos após o meu aniversário.

Por outro lado, fomos hoje à loja ver se comprávamos a base para o ovo da bebé e, não havendo em stock, fez-se a encomenda. Com sorte, ainda a recebo no dia do meu aniversário.

Já começou: ainda não nasceu e aquilo que vou receber no meu dia de anos é algo para ela.

O dia (ou a noite) em que dei um murro no Jack

As minhas noites tem sido curtas pois demoro imenso a adormecer e quando finalmente o consigo, o despertador do Jack toca pouco tempo depois e eu dificilmente consigo voltar a adormecer. Ainda assim, quando durmo tenho um sono profundo, daquele que sabe bem e que recarrega um pouco o cérebro. Contudo, uma destas noites, não satisfeita com as insónias que mais uma vez me assaltaram, decidi ser vítima de pesadelos, de modo que passei a noite a sonhar que o Jack me colocava as mãos na barriga e empurrava com força, magoando-me imenso (pobre homem que é um querido; muito provavelmente terei adormecido numa má posição e sentia dores que passaram para os sonhos). E eu bem lhe implorava para que ele parasse, para que me largasse, gritava que me estava a magoar, arranhava-lhe os braços e nada. Sei que sonhei com isto umas seis ou sete vezes nessa noite, de modo que já estava saturada daquilo quando tive o sonho pela última vez. E nesse, já desesperada, decidi que tinha mesmo de o fazer parar, por mim e pela Pequena Melancia, e portanto o melhor seria dar-lhe na cara um bom murro que o deixasse atordoado. Assim, puxei bem o braço atrás, fechei o punho e tentei dar um murro o mais forte possível. O problema é que este gesto foi transportado para a realidade e podem bem imaginar a cara do Jack quando é acordado com um murro fortíssimo num braço (ainda bem que a minha pontaria falhou!). E eu, também acordada com a pancada, só balbuciei um "Desculpa, desculpa, foi um pesadelo". Ele, ainda com um ar muito espantado de "O que é que me aconteceu?", resmungou qualquer coisa e ferrou-se novamente a dormir. Acho que por agora me safei de uma queixa de violência doméstica e um pedido de divórcio, mas é melhor não repetir a gracinha (não vá a pontaria afinar-se, ainda por cima....).

25.9.15

Perguntas sem resposta

Em relação à notícia da estudante que entrou em coma alcoólico numa praxe, vêm-me à cabeça as seguintes questões:

1. Mas quem é que no seu perfeito juízo se deixa enterrar na areia só com a cabeça de fora, junto ao mar? Quem? Ainda para mais aos 18 anos, idade mais do que suficiente para ter cabeça e pensar por si mesma. Eu, que até era um bocadinho Maria-vai-com-as-outras, tenho perfeita noção que se me dissessem que a meio da noite (ou mesmo a meio do dia, vamos lá ser sinceros) me iam enterrar na praia, junto à linha de água, só com a cabeça de fora, era menina para dar meia volta e fugir de medo daquela gente que só podia ser perigosa para ter ideias tão descabidas.

2. Sabendo ainda por cima que a ideia, após enterrar, seria estar a beber álcool dado pelos mais velhos, não podendo nós ter qualquer controlo da coisa porque estamos enterrados, quem é que acha mesmo que isto é uma ideia gira e 'bora lá alinhar?

3. Mas aquele pessoal anda assim com tanta falta de memória para já se ter esquecido das mortes no Meco (foi só em 2013, minha gente, ainda nem fez dois anos)? Tivesse eu hoje 18 anos e bem que podiam vir-me com a história mais bonita de fazer uma praxe gira numa praia a meio da noite e haviam de ver para que sítio é que eu os mandava.

4. Mas será que esta gente não é capaz de aos 18 anos dizer "não"? Nem que seja inventando uma desculpa qualquer? Eu falhei algumas praxes porque "ainda tinha mudanças para fazer", "porque tenho de ir a casa dos meus pais", "porque tenho de ir tratar de papelada", etc, etc...Era mentira? Era porque enquanto os outros todos iam para a praxe, eu ia para casa ver televisão e comer bolachas descansadinha. Acho que a única praxe à qual nem me dei ao trabalho de dar qualquer desculpa e simplesmente não compareci foi no "rally tascas". Eu, menina que não bebe álcool, a passar uma noite inteira a saltar de tasca em tasca? Está bem, está, deixa-me cá ficar em casa a ver a novela e a dormir uma boa noite de sono.

5. Ainda hoje ouvia que "coitadinhos, se disserem que não, no ano seguinte não trajam". Entrei na Universidade há mais de 10 anos e já se ouvia esta lenga-lenga. Como é que ao fim deste tempo todo, ainda não se estabeleceu que isto é treta? "Ah, mas diz no Código de Praxe que....", pois, está bem, o famoso Código de Praxe que na verdade nunca ninguém leu e que também estabelece regras muito distintas sobre o comprimento das saias, o uso de jóias, o traçar da capa, etc, regras essas que já não interessa cumprir. Além do mais, mostrem-me uma única situação em que um aluno do segundo ano trajou e alguém veio tirar-lhe satisfações com uma folhinha de faltas injustificadas à praxe.

6. Servindo a praxe para a integração dos alunos ao novo ambiente, para os fazer conhecer os colegas, alguém me explica, como se eu fosse muito burra, como é que estes objectivos são alcançados enterrando os caloiros na areia e dando-lhes álcool? É que me está a passar completamente ao lado.

7. Dizem ainda as notícias que depois os caloiros eram desenterrados e que, já bêbados, deviam mergulhar no mar. Ora vejamos...Bêbados. Vestidos. Mergulhar no mar. À noite. Oh, sim, sem dúvida, tem tudo para dar certo e ser muito divertido, sem qualquer ponta de perigo. E mais uma vez nem vamos falar do que aconteceu no Meco, certo?

24.9.15

E agora?


E ei-nos chegadas às 37 semanas de gravidez e ao nono mês de gravidez, o que faz com que se a Pequena Melancia decidisse nascer agora já não era considerada prematura (yey!). No entanto, a pequena está muito bem acomodada no seu T0 (embora se estique bastante para ver se este aumenta por milagre) e não parece ter vontade de abandonar o ninho tão cedo, o que me provoca uma mistura de sentimentos. 
Tenho a sensação que este mês que falta me vai custar mais a passar, não apenas porque já começa a haver uma certa curiosidade em ver este pequeno alien que me amassa os orgãos (por alguma razão se diz que a gravidez dura "8 meses e uma eternidade"), mas também porque as coisas "chatas" da gravidez estão agora a chegar, tais como o refluxo gástrico (que até tem estado mais ou menos controlado), cansaço, imensa fome (lá se vai o limite de peso imposto pela médica), insónias (estou para aqui com menos de duas horas de sono), já não chego aos pés (buáááá), já me sinto mais pesada, os pés incham de uma forma quase descontrolada e acho que, no fundo, não tenho feitio para isto. Enquanto tive uma gravidez santa, tudo bem, mas agora estou a ficar um pouco insuportável e farta destas coisas todas que decidiram atingir-me. Além do mais, a Pequena Melancia sai a mim e engorda bem e já se sabe que quanto mais tempo decidir aqui ficar, mais peso ganhará. Ora, tenho para mim que será mais fácil parir um bebé de peso médio que um pequeno leitão gorducho. Por tudo isto, não faço mesmo questão que a pequena se instale até ao ponto em que um médico lhe tenha de entregar uma ordem de despejo.
Por outro lado, e vamos lá ser sinceros, eu não estou minimamente preparada para ser mãe. Eu não faço a mínima ideia de como se toma conta de um bebé. Eu não estou preparada para tamanha responsabilidade. E mais, eu não estou minimamente preparada para o parto. Aliás, estou em profunda negação, agindo como se não fosse passar por um daqui a pouco tempo. E estou com a casa toda desarrumada e sem vontade nenhuma de arrumar. E embora as malas estejam prontas, ainda não meti na cabeça que pelo menos a mala para a sala de partos já deveria andar comigo quando saio de carro (vêem como estou em negação?). E tenho jantares e encontros combinados para daqui 2 semanas. E faço anos para a semana. Por isso, a minha agenda e vida social não estão neste momento de acordo com um bebé cá fora. Além de que o Jack anda a trabalhar num local mais afastado de casa e quero poder ter de o chamar quando ele estiver a trabalhar mais perto de casa, para não me arriscar a ter de ir sem ele para o hospital, ter a bebé e o homem ainda preso no trânsito há horas.

Este nono mês vai dar-me cabo do físico e do psicológico....

23.9.15

Contra-ataque

Quanto mais o vizinho berra, mais eu lhe ponho música. Quando as obras acabarem vai saber de cor e salteado as letras das músicas dos Xutos e Pontapés, do Bruno Mars, do Rui Veloso, da Disney...

Preguiça

Eu sei, eu sei, estas coisas não se fazem. Eu que sou capaz de vir ao blogue escrever todos os dias, agora não o faço, correndo o risco de que pensem logo "Pronto, já está, foi hoje parir a Pequena Melancia!". Mas não, mas não, está tudo calmo e tranquilo, e nem a cachopa nem o corpo dão qualquer sinal de que a coisa se vá dar nos próximos tempos. Como já disse, acho que a terei de convencer que vai mesmo ter de sair antes de fazer 18 anos. Da minha parte, ando apenas uma preguiça enooooorme e com umas insónias muito chatas (ontem por exemplo, um ataque de alergia fez-me ficar tristemente acordada até às 4h00 da manhã). E eu com com sono, fico de mau-humor e com o cérebro meio parado, por isso evito vir para aqui descarregar. Mas vou ver se ganho inspiração e venho para aqui contar umas coisas giras (como por exemplo, o murro que dei ao Jack enquanto dormíamos. Homem sofre....). Mas por agora vou entreter-me com outra coisa que isto de estar a escrever enquanto o vizinho grita com quem o está a ajudar nas obras desconcentra qualquer um. :)

(e eu sei que tenho mails e comentários para responder. Eu prometo que tratarei disso brevemente! :) )

21.9.15

Estou farta!...

...de apanhar uma camada de nervos cada vez que vou ao hospital onde agora tenho as consultas. Quem foi a besta que se terá lembrado de fazer um enorme parque de estacionamento e restringir três quartos do mesmo para os funcionários do hospital? E assim, fica-se com um parque bem pequeno onde quem tem consultas e quem vai fazer visitas passa o tempo a dar voltinhas à procura de um lugar, não esquecendo ainda que há filas reservadas aos táxis e às ambulâncias. Pedem-nos para estar nas consultas 15 minutos antes e hoje passei mais de meia-hora à procura da porcaria de um lugar (e não, não me digam para estacionar fora do hospital porque há volta são só estradas sem lugares de estacionamento). Não é normal que tenha de chegar ao hospital uma hora antes para andar às voltas como se estivesse num carrossel a ver ser por acaso algum carro liberta um lugar. Isto claro, com a bexiga cheia que é para enervar ainda mais! Claro que quando finalmente entrei na consulta e me mediram a tensão, a máxima era 14, ora pois, outra coisa não seria de esperar!

...de um país como a França, uma miscelânea de culturas e imigrantes, não ser capaz de se adaptar a isso e ter de haver sempre uma complicação com os apelidos. Chego ao guichet, digo que tenho uma consulta e apresento o meu cartão onde estão os apelidos "X Y Z". Resposta imediata: não tem nenhuma consulta marcada. Insisto que sim, que marquei consulta em nome de Tété Z. Aaaaaah, mas isso não é a mesma coisa que Tété X Y Z! E já agora, Z é o apelido de casada, é isso? Não, não é (porque se vocês não conseguem lidar com 3 apelidos, imagino o caos que seria com 4 apelidos!). Ups, o problema é que agora não encontramos o seu processo no computador porque o programa não consegue fazer a ligação entre a consulta marcada em nome de Tété Z e o processo que está em nome de Tété X Y Z. Já agora, quando vier para o parto não se esqueça de dizer os 3 apelidos senão vai ser uma confusão (olha, %/&T%%%&$#, é uma confusão diga eu o disser, caramba!).

...de cada vez que refiro a particularidade que o meu coração tem (nada de grave!) os médicos aqui perguntarem sempre "E não toma medicação?", ficando pouco convencidos quando digo que o meu cardiologista em Portugal não achou necessário. Mas se eu me sinto bem, se não tenho problemas nenhuns com isto, para quê dar-me medicação??

...de a seguir à consulta com o anestesista (boa notícia: saí de lá apta a receber a epidural!) decidir ir dar um passeio até ao centro comercial que não é muito longe e passar 15 minutos novamente às voltinhas à procura de um lugar porque, embora houvesse, estes são tão estreitos que após estacionar o carro nunca conseguiria abrir a porta o suficiente para sair!

...de no caminho para casa ter de levar durante quase uma hora com carros encostadinhos à traseira, ao ponto de cada vez que parava num semáforo achar que me iam bater no carro. Amigos, se vamos a 90 km/h, encostar ao carro da frente não é a atitude mais inteligente do mundo, sim?? Principalmente tendo em conta que é uma estrada onde frequentemente se atravessam raposas, javalis e corsas. E acreditem que entre bater num javali ou travar e apanhar convosco, o instinto vai mandar-me para a segunda opção. Por isso vão para casa ler sobre "distância de segurança" e aprendam a conduzir!

...de chegar a casa e enquanto estaciono ter o idiota do vizinho especado no passeio a olhar para mim numa clara atitude de desafio (sabe-se lá a que propósito já que eu nunca lhe ligo nenhuma). E ter de respirar fundo 3 vezes antes de sair do carro para ter a certeza que caso ele decida dizer-me pela primeira vez alguma coisa, não lhe dar simplesmente um murro para descarregar os nervos todos do dia.

Irra, que dia. A gravidez levou-me a pouca paciência que eu tinha para as pessoas. Quanto mais idiotas, menos paciência eu já tinha mas agora já partem de valores negativos e é sempre a descer. 

19.9.15

Portugueses por todo o lado

Uma pessoa até se esquece que está em França quando ouve alto e em bom num supermercado:

- Mas queres o amarelo ou o verde???


18.9.15

E....

...faltam duas semanas para os meus anos! :D

E o resto do dia, como está a correr, Maria Tété?

Ora, pois então, fiquei meia-hora presa numa fila de supermercado pois os dois senhores à minha frente queriam aproveitar uma promoção para comprar desodorizantes. Trinta e dois desodorizantes, para ser mais precisa. E entre o troca-o-cheiro-dos-desodorizantes-porque-a-marca-é-esta-mas-não-é-este-o-cheiro-que-está-em-promoção, mais o espera-lá-que-o-computador-não-está-a-aplicar-a-promoção, com o alto-que-o-preço-final-não-deveria-ser-este, os minutos iam passando, a compra feita e anulada um milhão de vezes, a rapariga nova da caixa já a suar e toda a vermelha, os diferentes encarregados que vinham ver se ajudavam, o segurança a não perder pitada do que se passava e a Maria Tété a bufar por todos os lados. Até que alguém se lembrou de dizer que aquela promoção era aplicada apenas à compra independente de três produtos. E vai de recomeçar tudo, passando três desodorizantes e pagando, mais três e pagando, outros três e pagando...Já vos disse que eram 32 desodorizantes, certo?? Por isso, imaginem a minha cara com o tempo que tudo isto demorou e o meu ar de quando-é-que-uma-destas-alminhas-vai-perceber-que-se-levam-32-desodorizantes-o-último-conjunto-só-terá-duas-embalagens-e-não-três?...

Chegada a casa, as obras nos apartamentos do vizinho continuam. Confesso que já estive para lá ir perguntar se precisam de ajuda. Nunca vi tanto tempo de obra para uma casa-de-banho. Cá por casa, temos a teoria de que eles estão a refazer a divisão, depois destroem tudo (pelo barulho, parece mesmo isto, acreditem), voltam a refazer, destroem novamente tudo...Há pouco fui até às caixas de correio e espreitei um dos apartamento. A sanita e o lavatório estão no meio da sala. Acho que ainda não é hoje que a casa-de-banho fica pronta.

A Pequena Melancia está em festa e eu estou para aqui agoniada com tanta mexidela. A minha barriga faz altos e baixos, deforma-se e volta ao normal e eu, que gosto de sentir a bebé mexer, só gostava que ela tirasse o pé do meu estômago.

Mas já houve um momento querido hoje: ao arrumar as compras no carro, já só faltava colocar as embalagens de 6 garrafas de água na mala e nesse momento chega ao pé de mim uma velhinha, com metade do meu tamanho, que me pergunta amavelmente se quero ajuda para tirar as embalagens do carrinho e pôr no carro. Sorrindo, olhei para ela, a pensar como estaria ela a contar ajudar-me. Agradeci e recusei. Percebi depois que me estava a oferecer o filho (salvo seja) para a ajuda. Efectivamente não precisava de ajuda, mas achei o gesto simpático.

Bah

Então e como é que começaste o dia, Maria Tété?

A fornecer sete tubos de sangue ao vampiro que, estou convencida, ando a alimentar mensalmente desde o início da gravidez. 

Já disse que estou farta de análises ao sangue?

17.9.15

Mas ao menos agora sei do que falam

Tudo começou nas aulas de parto. Não havia aula nenhuma em que uma das grávidas presentes ou mesmo a mulher que nos dava as aulas não referisse qualquer coisa que tinha aparecido num episódio de "Baby boom". Cada vez que este programa vinha à baila, eu e o Jack entreolhavamo-nos ao perceber que éramos os únicos que não faziam a mínima ideia do que é que se estava a falar. Depois, foi a mãe do Jack que a meio de uma conversa referiu qualquer coisa que viu no programa "Baby boom" e mais tarde a sobrinha do Jack comentou também o programa. Decidi deixar de resistir e ver um episódio para ao menos sentir que sabia do que toda a gente falava. "Baby boom" é então um programa filmado numa maternidade onde foram colocadas câmaras nos corredores, nos quartos, nas salas de partos, na recepção e na sala de convívio das sage-femmes, enfermeiras e médicos. É no fundo uma espécie de reality show filmado nas maternidades aqui em França. Vi o primeiro episódio com o Jack e depois mais dois sozinha e já proferi a minha sentença: que violência, senhores, não vejo nem mais um episódio. 

Basicamente, é-nos mostrado as grávidas a chegarem às urgências obstetrícias em trabalho de parto, serem examinadas, serem colocados os cintos para registo dos batimentos cardíacos fetais e das contracções uterinas, o trabalho de parto e, "tcharã", os bebés a saírem todos sujos e a serem poisados no peito das mães enquanto, geralmente, os homens se desfazem em lágrimas logo ali ao lado. Já vi casos em que os partos foram rápidos, outros mais demorados, vi grávidas a dobrarem-se em dois devido às dores, vi uma a levar a epidural, vi grávidas em puro pânico, outras mais calmas, umas a berrar, outras em silêncio, vi pais a ficarem brancos como a cal das paredes, outros em lágrimas, enfim, acho que aquilo abrange os mais variados cenários. É tudo muito real, muito cru e é isso que, para mim, neste momento é demasiado. "Ah, e tal, mas tu vais passar por aquilo!". Pois vou, eu sei, e isso já é assustador o suficiente, não preciso de ver outras mulheres a sofrer para se tornar ainda mais assustador. Num dos casos, uma das grávida que tinha ali chegado em trabalho de parto recebe a notícia que o coração do bebé parou naquele mesmo dia e que por isso dará à luz um bebé morto. E isto é um murro no estômago. Todos os dias há esta possibilidade, todos os dias agradeço à Pequena Melancia os movimentos que faz e que me dão a certeza que está tudo bem com ela, e por isso não é preciso ver o pior a acontecer a outra pessoa para se ter esta noção. Não preciso de ver as mulheres a torcerem-se de dores com as contracções para saber que a mim também me vai doer. Não preciso de as ver a chorar quando finalmente o bebé sai para saber que a sensação de alívio e felicidade deve ser enorme. O programa não deixa de ser muito interessante, mas não para uma grávida de quase 8 meses como eu. 

14.9.15

Descubra as diferenças! :)


Qualquer dia fazemos dois anos de casados e o álbum por fazer...

Há uns meses "atacámos" o álbum de casamento, escolhendo que fotografias seriam colocadas em cada página. Satisfeitos com tamanha obra, deixámos a tarefa de colar as fotografias no álbum para mais tarde. E os meses foram passando e passando e lá íamos olhando para o álbum, com as fotografias dispostas em cada página mas ainda soltas, pensando que qualquer dia deveríamos mesmo tratar do assunto. Este fim-de-semana foi o dia. E lá começámos a tarefa, conscientes que ou tratamos disto antes da Pequena Melancia vir ao mundo ou depois vamos ter mais do que fazer do que sentarmo-nos a rever carinhosamente cada fotografia do nosso casamento. A tarefa ficou no entanto por terminar uma vez que...acabou-se a fita-cola de dupla face. A ver se a compramos brevemente para não voltarem a passar meses antes de voltarmos a pegar num álbum com tanto significado para nós. 

Mala feita!

E pronto, 36 semanas e a mala feita para ver se deixo de pensar nisso. Ufa, está feito, estava a ver que não. Não faço a mínima ideia se levo coisas a mais ou a menos, não sei se me estou a esquecer de algo importante ou a levar coisas que nunca na vida irei precisar, mas nem quero pensar muito mais nisso. Tantos anos com mulheres a dar à luz e antes nem havia malas para preparar, por isso não vale a pena complicar e ficar a preocupar-me com isso.
Agora chateia-me estar já com as malas prontas e...ter de esperar. Eu sou uma pessoa que gosta de tudo sempre muito organizado, planos à última da hora não são para mim e mexem-me com os nervos (embora ainda assim esteja bem melhor pois com o meu marido e a sua família ou me adaptava a isto ou tinha uma crise nervosa todos os dias) e isto de não saber se a Pequena Melancia nasce para a semana (esta semana ainda não que ainda seria prematura) ou só daqui a 6 semanas (no máximo!) troca-me as voltas. Não há razão nenhuma para achar que ela nascerá mais cedo do que o previsto e o meu sexto sentido (que, admitamos, não é grande coisa) diz-me que ela sairá à mãezinha dela e só se vai lembrar de vir conhecer o mundo cá fora às 42 semanas e sob ameaça. Mas pronto, sei que há casos em que as coisas de repente aceleram e "plim" temos um bebé cá fora. Uma prima do Jack teve em Agosto uma consulta em que lhe disseram que o parto não estava para breve e dois dias depois a criança estava cá fora. E depois tanto oiço dizer que "por ser o primeiro filho, o mais certo é não nascer antes do previsto", como oiço que "às 38 semanas já está cá fora". Enfim, não me resta mais nada senão esperar e convencer a Pequena Melancia que:
- nada a obriga a esperar pelo último dia, última hora, último minuto para vir conhecer este mundo estranho cá fora. Se estiver preparada para isso antes, que venha que eu cá a recebo.
- querendo vir então para os meus braços mais cedo, que dê o jeitinho de evitar o meu dia de anos.
- se não for pedir muito, também pode evitar os dias antes só para eu não passar o meu aniversário numa cama de hospital (oh, que coisa deprimente).
- que não seja casmurra e que me ajude na altura do parto para eu não ter de fazer o trabalho todo sozinha, sob risco de a pôr de castigo até aos 14 anos.
- que até lá vá dando sinais de vida todos os dias, mas que isso não implica pontapear-me as costelas com toda a força ou tentar dar-me cabo do diafragma com os pés (caramba, que às vezes nem consigo respirar fundo).

Está quase! :)

12.9.15

Sou uma bola com pernas

E eis que chegámos àquele ponto da gravidez em que a barriga já levou a:

- por duas vezes num supermercado, me chamarem primeiro a mim ao abrir uma nova caixa.

- numa loja, perguntarem-me se quero passar directamente à caixa em vez de esperar na fila.

- nas três farmácias onde fomos hoje comentarem "Está quase, não? Para quando é??".

De resto continuo a ser minimamente invisível aos olhares dos outros (que até tentam passar-me à frente nas filas do supermercado), mesmo que pareça um pequeno mamute.

Sabemos que algo não está bem (ou que estamos grávidas) quando....

....num dia de 13ºC nos espantamos por toda a gente estar enfiada em casacos e botas, enquanto nós nos queixamos do calor estando de tshirt e sabrinas.

...quando o Jack se enrola numa manta, queixando-se que a casa está fria e eu sentada ao lado dele reclamo do calor com suor na testa.

...quando num pequeno passeio a dois, começa a chover e eu suspiro aliviada com o fresco que sinto, enquanto ele fecha o casaco até ao queixo e reclama do frio.

Eu não tenho um bebé dentro de mim. Eu tenho um aquecedor.

9.9.15

E agora, algo de extrema importância!

Falta menos de um mês para os meus anos!!!!

(e se eu oiço mais alguém dizer que a cachopa nasce no dia do meu aniversário, seguido de um argumento do género "Ooooh, ia ser tão giro! Era uma bela prenda!", eu rosno....Tem tantos dias para nascer, porque é que haveria de ser logo no MEU dia??)


Nunca tive paciência para adultos que se comportam como crianças.

Ontem, ao passar junto ao nosso carro, reparei em cascas de ovo no chão e pensei "Oh, coitada, alguém aqui passou e deixou cair os ovos". Depois reparei no ovo espalhado no vidro e na porta do carro. Hum, alguém aqui passou e deixou cair ovos contra o carro? Depois percebi que os ovos tinham sido atirados. Uma rápida vista aos carros estacionados na rua fez-me perceber que o nosso tinha sido o único alvo. Mostrei ao Jack e conseguimos perceber onde estava a pessoa que se lembrou de tal brincadeira. Obviamente, não temos mais do que fortes suspeitas (sim, sim, o idiota do vizinho) mas não deixa de ser triste passar-se por isto ('bora ver o lado positivo da história? Ainda bem que não se lembrou de atirar pedras em vez de ovos). Acreditem que preferia acreditar que tinha sido uma criança parva, sem trabalhos de casa suficientes, a decidir que precisava disto para se divertir mas não faria qualquer sentido ser o nosso carro o único alvo nem o local de onde foram atirados. Não entendo é a necessidade, tendo sido quem nós pensamos, de fazer tal estupidez. Que nos passem coisas destas pela cabeça, eu até entendo. Por aqui, falamos muito de deixar uma fralda bem suja da Pequena Melão dentro da caixa de correio do idiota, mas a linha que separa aquilo que pensamos e o passar efectivamente à acção é o que nos define como adultos. Qual será a necessidade e o prazer (e quão triste será a vida) que um adulto tira de uma acção destas? Quão profundamente infeliz com a vida tem de se estar para precisar deste tipo de coisas para ganhar o dia? Até porque aqui entre nós a satisfação não há-de ter sido grande uma vez que apenas um ovo acertou no alvo, os outros caíram antes ou passaram por cima (ainda por cima tem má pontaria). E ignorando a marca que o ovo deixou com o impacto e que nos lixa porque o resto até saiu com a lavagem, agora estou eu aqui a ver se, lembrando-se o suspeito de aparecer, não tenta repetir a brincadeira. Pelo menos, não sem ter um telemóvel a filmá-lo desta vez.

8.9.15

Yey

Mala (para mim e para o bebé) para a sala de partos feita!
Agora só falta tratar das malas para a estadia.
Já li várias vezes que fazer as malas para a maternidade é um momento que todas as grávidas anseiam e que preparam com todo o carinho. A mim dá-me a preguiça, chateia-me ter de decidir o que levar (e eu sei lá o que vai fazer falta ou o que levo a mais. Nunca tive um filho!) e adio o mais que posso. Definitivamente não sou uma grávida fofinha.

7.9.15

Atraso constante

Já aqui tinha escrito que nesta gravidez tenho a sensação de estar sempre atrasada a tratar de tudo. Se é preciso marcar ecografia, é preciso ter atenção porque se calhar já não há vagas. Se quero marcar as aulas de preparação para o parto, que horror, já não há agenda livre, devia ter ligado mais cedo. Se é preciso inscrever-me no hospital onde quero fazer o parto, já não há lugar. Depois o lugar lá se arranja, mas já é tarde para marcar as consultas obrigatórias do terceiro trimestre. E tem sido sempre assim.

Agora admito que já estou a respirar um bocadinho melhor e levar menos a sério estes franceses. Tanta coisa por causa de ter ligado tarde para as aulas de preparação para o parto e afinal acabei-as umas semanas antes da data prevista para o parto, enquanto que andavam por lá grávidas a ter as últimas aulas a uma semana de irem ter as crianças.
Tanta coisa por ter ligado tarde para marcar as três consultas no hospital e acabei por ter uma aula com uma grávida que vai ter o bebé no mesmo hospital que eu e que ligou tão tarde que não conseguiu marcar consulta nenhuma (e eu ainda consegui marcar as três, pah!).
Tanta coisa por ter ligado tarde para marcar as três consultas obrigatórias do terceiro trimestre e agora alteraram-me a data do parto dois dias e por isso a última consulta também deve sofrer a alteração de dois dias. Tenho de ligar para lá a pedir para alterar e já estou mesmo a ver que se vão pôr a dizer "Ai, e está a ligar agora? Tão tarde. Não sei se vai dar". A resposta vai ser simples "Então se não dá, não dá. Deixe estar.". Não é por dois dias que me vão pôr novamente a ouvir o sermão de estar atrasada para tudo e a fazer-me sentir culpada.
Tanta coisa por ter de ligar com muita antecedência para marcar consulta com o anestesista e agora a médica torce o nariz porque marquei a consulta com o anestesista no dia antes da consulta com ela, quando ela prefere que sejam as duas no mesmo dia. Acho que esteve mesmo para me dizer que não devia ter marcado tão cedo, não sem antes falar com ela, e para pedir para alterar, e que só não o fez por causa do ar que lhe fiz (haja paciência!!).

Ainda assim, por muito que tente estar mais relaxada em relação a esta sensação de atraso constante, não ajuda nada ter, numa aula de preparação para o parto, todas as grávidas a falarem dos pediatras com quem já falaram para marcar consultas. Mas é suposto eu estar grávida e estar já em contacto com pediatras para ter vaga nas suas agendas?? Estes franceses vão dar cabo de mim....Sinto que mal tenha a Pequena Melão nos meus braços alguém me vai dizer "Ainda não a candidataste à Universidade?? Como assim? Já estás atrasada!!".

5.9.15

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Já é a segunda coisa que compro para a Pequena Melão que, ao chegar a casa, percebo trazer agarrado ainda o raio do alarme. E foi em lojas diferentes pelo que começo a presumir que os franceses no geral parecem ter gosto em obrigar as pessoas a regressar às lojas para perderem tempo. E lá terei eu de ir, com cara de caso e poucos amigos, retirar o estúpido do alarme. Ainda por cima voltou a acontecer numa loja para a qual tenho de conduzir quase uma hora. Como tenho de ir para aqueles lados no final do mês, ficarei com o alarme até essa altura porque não estou para fazer agora tanto caminho só por causa do erro destes. É assim tão complicado tirar os alarmes, pah??

4.9.15

Sensações esquisitas que deixarão saudades

A Pequena Melão deixou de dar pontapés e agora simplesmente mexe-se, estica-se e sei lá mais eu o quê. Já se notam os movimentos na barriga, com zonas a mexer, outras a baixar e a levantar. A sensação? É estranha. Parece que alguém enfiou uma mão na nossa barriga e nos está a remexer as entranhas. Lamento a descrição pouco romântica da coisa, mas é mesmo isto que sinto. A maior parte das vezes adoro senti-la a mexer, às vezes já me cansa um bocadinho (estou convencida que tenho as entranhas já com nós e nódoas negras neste momento e que o raio da cachopa não dorme um minuto que seja durante todos o dia e toda a noite) e outras vezes é deveras desconfortável (principalmente quando se lembra de testar a elasticidade da pele e empurra, empurra, empurra, e eu fico convencida que mais um pouco e sai-me um pézinho minúsculo 3 cm ao lado do umbigo). Mas é mais uma daquelas coisas que eu sei que vou ter saudades....:)

3.9.15

Tenho contado até 10 mais vezes que o habitual

Então e alterações de humor, desejos, sensibilidades, chorar por tudo e por nada, não falas dessas coisas, Maria Tété? Falo, claro que falo, embora não tenha grande coisa a dizer. Toda a gente brinca com o Jack perguntando-lhe se eu já o acordei às três da manhã com desejos de morangos ou qualquer outra coisa. E o felizardo diz sempre que tem tido sorte e que por acaso nem me tem dado para isso. Normalmente depois voltam-se para mim e perguntam-me porque é que não estou a aproveitar o facto de estar grávida para fazer pedidos estranhos. Pois, ora bem, eu sou esquisitinha e a gravidez não me tirou isso. Não gosto assim de tantas coisas e não é por estar grávida que a lista se alterou. Claro que me apetecem coisas (assim de repente era menina parar comer já ao pequeno-almoço uns crepes chineses de um certo restaurante em Portugal) mas apetecem-me porque estou longe, porque não tenho acesso a elas, como sempre me tem apetecido desde que vim para França, estando grávida ou não.

Chorar por tudo e por nada também não tem sido o caso, embora já tenha dado por mim com uma lágrima fácil no canto do olho em mais do que uma situação. Esta semana por exemplo ia entretida a cantar no carro uma das minhas músicas de infância, música essa que dancei com o meu pai no meu casamento já depois de todos os convidados terem partido e à qual nunca associei nenhum sentimento de nostalgia, mas de repente lá estava ela, uma lágrima pequenina a querer formar-se e eu a pensar "Mas o que é isto? Olha que disparate!". Pronto, também me acontece pois pelos vistos não sou de ferro.

Sensibilidades...já passei aí por uma fase em que andei mais sensível, sim. Mas não perdi a lucidez e percebi que se de repente as piadas que já ouvi 1001 vezes me estavam a cair mal é porque algo tinha mudado em mim e a culpa não era dos outros. Acho que andei um bocadinho mais susceptível, mais sensível, mais "vidrinho de cristal" e qualquer coisa que me dissessem era levado muito a peito naquele momento. Mas penso que nunca reagi de forma errada exactamente por ter percebido que deveriam ser as hormonas a actuar-me no cérebro e os outros não tinham culpa. Acho que já passou (ufa).

Agora uma coisa que me atingiu em cheio, com a força de um camião, foi....a falta de paciência. Eu sou uma pessoa paciente (a minha mãe dirá que não) mas tenho efectivamente falta de paciência para situações específicas: disparates de adolescentes, que teimem comigo que eu tenho/devo mesmo fazer algo e outras situações assim pontuais. Bom, neste momento, o leque de situações aumentou consideravelmente. Não ando de mau-humor, não ando chateada, simplesmente não tenho paciência para ouvir tudo e calar ou responder de forma politicamente correcta. E nem acho isto mau porque nalguns casos acho que sempre me faltou um bocadinho de à-vontade para dizer as coisas que penso e a única prejudicada fui eu. Mas também digo que há situações em que dou por mim a medir bem as palavras que vou dizer e a evitar rolar os olhos porque continuo a ter de saber viver em sociedade e a lidar com os outros. Mas que não tenho nem metade da paciência que tinha antes, isso não tenho.

2.9.15

E isto vale para farmácias, restaurantes, livrarias, perfumarias, etc, etc, etc....

Eu gosto, assim como toda a gente (suponho eu), de ser bem-atendida, de uma forma eficaz e simpática. Quando estava em Portugal e precisava de ir à farmácia, dei por mim muitas vezes a evitar a que se encontrava mais próxima de minha casa pelo facto de achar que quem me atendia fazia demasiada questões e me vendia as coisas sempre de forma muito desconfiada. Aqui, quando preciso vou à farmácia da terrinha onde realmente também não acho que o serviço seja dos melhores. Nada contra a eficácia mas em relação à simpatia podiam melhorar alguns pontos. O meu desagrado com esta farmácia fez-me por exemplo pegar no carro e dirigir-me à terra mais próxima quando quis comprar um teste de gravidez. Não sei porquê, mas imaginava já os olhares e conversa a que estaria sujeita se fosse à farmácia perto de casa e, caso o resultado fosse negativo, não as queria sempre prontas a olhar para mim tentando adivinhar qual teria sido o resultado. Mariquices minhas que não tenho de todo feitio para aquele espírito de aldeia, em que todos sabem de tudo uns dos outros. Ao longo da gravidez, continuei a ir à farmácia aqui da terrinha abastecer-me do que eu ou o Jack precisávamos. Agora, com uma pequena lista de coisas a comprar para mim e para a Pequeno Melão, a decisão está tomada: quero ir novamente à farmácia da terra mais próxima. Quero ter a possibilidade de ser atendida de forma simpática e de ser bem esclarecida quanto a um ou outro produto. A farmácia aqui da terra perde assim mais uma vez a hipótese de me vender o que quero, algo que seria corrigido se o atendimento fosse feito com um sorriso em vez de um ar de "Mas o que é que esta quer agora?". Às vezes pequenos gestos fazem a diferença... 

As aulas

Ontem foi a última aula de preparação para o parto, Em relação àquilo que eu pensava serem estas aulas, tenho de admitir que ficou um bocadinho aquém das expectativas uma vez que grande parte da informação dada já eu a sabia, para além de sempre ter imaginado que nestas aulas eram também ensinados os primeiros passos básicos com um bebé (dar banho, mudar fraldas, etc), coisa que não aconteceu. As aulas de preparação para o parto são efectivamente aulas sobre o parto e nisso o nome não mente. 
Tivemos uma aula sobre cesariana, forceps, ventosa e afins. Outra sobre as diferentes etapas do trabalho de parto, quando não fazer força e quando não fazer. Outra sobre o início do trabalho de parto, quando ir para o hospital, o que são contracções, etc. Outra sobre os diferentes tipos de respiração a ter durante o trabalho de parto. Outra, só para mim, de relaxamento, em que era suposto fechar os olhos e visualizar o trabalho de parto (mas na qual eu estive mais concentrada em não adormecer ao som da voz calma que descrevia o que ia acontecendo). Outra sobre o que é feito ao recém-nascido após o nascimento (em termos de avaliação e testes). Outra sobre amamentação. E estão aqui a faltar-me algumas, até porque embora cada aula fosse um tema, muitos dos pontos eram comuns e cheguei a pensar que estávamos a ter uma aula repetida.
Nalgumas aulas o Jack foi o único homem presente, noutras teve companhia masculina. Fiquei com a sensação que para algumas grávidas era confuso verem ali alguns homens mas, após as aulas, mantenho a minha opinião: é importante os homens irem e perceberem tudo o que se vai passar no parto. Há homens que acham que à primeira contracção tem de se ir a correr para o hospital, há homens que acham que se as água rebentaram é porque a criança vai nascer nos cinco minutos seguintes, há homens que acham que a respiração que se vê nos filmes é a que deve ser usada o tempo todo, enfim, uma série de ideias de quem não passará pelo processo e que ficam ali esclarecidas.
A aula de ontem por exemplo foi a da amamentação, assunto esse que a mim me traz dúvidas, receios, e que para o Jack sempre foi apenas um bicho-de-sete-cabeças que eu própria estava a criar. No regresso a casa acabou por comentar espantado que foi a aula em que as mulheres mais participaram, com questões e dúvidas. Dizia-me ele "Nas aula em que se fala do parto, de cortes, de pele a rasgar, de contracções, de dores, de epidural, etc, vocês estão nas calmas e sem dúvidas. Fala-se de amamentação e as questões são imensas". Percebeu assim que não sou a única a quem a amamentação não é algo assim tão simples como pôr o bebé ao peito e "tudo correrá bem". 
A mim, embora houvesse muita coisa que eu já sabia, foi importante perceber que aqui em França as coisas se passam como nas informações que eu lia ou conhecia já de Portugal. Ou quais as coisas diferentes. Também gostei de aprender sobre os tipos de respiração. E depois é sempre útil saber factos como "desde que os bebés passaram a dormir de barriga para cima que os casos de morte súbita diminuíram 60%" para assim poder dizer aos familiares que insistem que no tempo deles os bebés dormiam de lado e que assim é que se deve fazer.
Ou seja, em termos de aprendizagem não digo que estas aulas me tenham servido de muito mas serviram como confirmação daquilo que eu sabia, o que me traz confiança e me levará a ir mais relaxada para o hospital quando chegar a hora de conhecer a Pequena Melão.