28.10.15

Aviso à navegação

Estamos bem mas andamos pouco pelo computador. Mas ainda não está esquecido o resto do relato do parto nem outros posts. Preciso é de ter tempo para me sentar e escrever. Até breve :)

23.10.15

O parto #3

Quando vi o anestesista entrar na sala de partos, só tive vontade de me agarrar ao homem e não o deixar fugir. Tive a sorte de me calhar um anestesista simpático, divertido e profissional que enquanto preparava tudo para me poder dar a epidural me tentava distrair fazendo perguntas sobre a bebé, sobre os meus hobbies, brincava com o Jack...Mas eu só queria que ele se despachasse e que fizesse bem o seu trabalho. Riscado o medo de o anestesista não aparecer, era altura de enfrentar o segundo medo: que a epidural não funcionasse de todo, que só aliviasse ligeiramente, que só funcionasse de um lado, que me doesse, que me provocasse algum efeito secundário desagradável, que me desse uma coisinha má...Eu estava em modo "pânico" a 100% .

Bem, em primeiro lugar não senti nada ao ponto de ter ficado desconfiada quando ele me apareceu à frente a dizer que já tinha dado e que ia demorar uns minutos a fazer efeito, achando mesmo que o homem me estava a enganar. Mas ele lá ficou comigo, vendo se eu não tinha qualquer reacção adversa e se a epidural funcionava. Quando após alguns minutos e mais uma contracção ele me perguntou se esta já tinha sido mais leve, eu lamuriei um "Nããããoooo..." muito infeliz, já a ver que ia passar as passas do Algarve. Uns minutos mais tarde a minha resposta já era um "Siim..." pouco convicto e achando que a epidural era um embuste que retirava para aí 0.00005% da dor. Mas estava enganada e a malandra fez mesmo o seu papel. Oh, maravilha das maravilhas! Estou fã! Não sei quem inventou esta droga magnífica mas merecia um lugarzinho no céu. Deixei de sentir completamente as dores de costas, nada de nada, um paraíso. Sentia ainda um incómodo como se a criança fosse sair a qualquer momento pelo que ainda levei uma pequena dose de outra droga qualquer e aí sim, foi a paz. Aliás a paz foi tanta que me ferrei a dormir, assim como o Jack. Um dos efeitos secundários da epidural pode ser os tremores como se estivéssemos cheias de frio, coisa que me aconteceu. Toda eu tremia, até os dentes batiam uns nos outros como me acontece nos dias mais frios de Inverno e dizia o Jack que a minha pele estava realmente fria. A médica fofinha (sim, aquela que eu achava estar a montar uma cabala contra mim e que nunca chamaria o anestesista) trouxe-me um cobertor. E eu estava feliz, sem dores, sem preocupações, sem medos. Ainda tirei umas fotos para mandar à minha mãe de polegares no ar e mais tarde agarrada ao cobertor, sempre de sorriso de orelha a orelha. Dormi muito, dormi pesadamente ao ponto de nem ouvir ninguém a entrar no quarto, joguei jogos de telemóvel com o Jack, ri-me com ele, falámos...A dor tinha desaparecido e tinha levado com ela o pânico. A dilatação ia avançando e eu não tinha qualquer pressa. A única coisa que me chateava era não me deixarem beber água e eu estava morta de sede. Felizmente tinha comigo uma daquelas garrafas que pulverizam água e lá ia molhando a boca e a garganta. Também ia olhando para a máquina que a cada hora me dava um pequeno reforço da epidural e quando a dose disponível acabou tive o cuidado de avisar a médica "Olhe que acabou!! Não me deixe sem epidural!!" e logo nova dose foi colocada e eu pude continuar sossegada e em paz. Já disse que fiquei fã da epidural?

Conta-nos lá, Tété...

...depois da Mini-Tété nascer, nasceu também em ti aquele instinto maternal, aquela coisa de ser mãe?

Então não? No segundo dia da Mini-Tété em casa peguei nela dizendo "Vá, anda cá à Tia Tété...". Mas vamos ser confiantes, o estado de negação deve acabar antes da criança fazer 18 anos, não?

Teté a arriscar-se ao divórcio

Este é o resultado de me pôr a ver a novela "Única mulher" enquanto trato de algumas tarefas domésticas:

Durante a noite, depois de uma muda de fraldas o Jack acorda-me de um sono cheio de sonhos e diz-me:
- Amor, é só para te dizer que o cordão umbilical já caiu por isso não estranhes a sua ausência quando fores mudar a fralda à Mini-Tété.
- Ok...E de qual bebé é que foi?
- Hum? Como assim? Quantas bebés é que temos?
- Duas!
- Não, querida, só temos uma. Como é que ela se chama?
- Mini-Tété...
- Exacto.
- Mas temos duas bebés!
- Não, queri....
- E o pai é o Luís Miguel!

E neste momento diz o Jack que desistiu não fosse ouvir-me confessar algo que ele não queria ouvir naquele momento. E diz que ainda esteve um bom bocado a pensar quem seria o estupor do Luís Miguel.

22.10.15

O parto #2

Chegados ao hospital, fui às urgências fazer um CTG (que serve para registar a frequência cardíaca do bebé e as contracções uterinas) e pela primeira vez o aparelho registou contracções. Pronto, não estava mesmo a sonhar, estava efectivamente em trabalho de parto e o pânico começava a instalar-se devagarinho. Avisei logo que queria a epidural e responderam-me prontamente que ainda não tinha dilatação suficiente para isso. Bolas! Não é que tivesse dores assim tão insuportáveis mas também não fazia questão de as ter por isso, por mim, podia começar a receber drogas o mais cedo possível. E embora as dores não fossem insuportáveis, a verdade é que já faziam mossa e perguntei se o Jack podia ir ao carro buscar a bola de pilates que tínhamos levado e que dizem fazer maravilhas ao nível das contracções. Disseram-me que a sala de partos tinha uma e se queria ir para lá. 'Bora lá que assim até já estou no local certo quando o anestesista for chamado. 

Entrando na sala de partos, as dores já estavam a um nível muito desagradável e eu entrei no meu modo "insuportável". A sensação que tinha é que as costas se iam abrir ao meio, os exercícios na bola de pilates nada ajudaram, o duche de água quente que me propuseram nada ajudou também, as massagens do Jack também nada e eu já dava murros no colchão, já me torcia toda e implorava pelo anestesista, recebendo sempre a informação que ainda não era possível. Olhando agora para trás tenho a dizer-vos que embora o raio das contracções fossem meeeesmo dolorosas (mas porque é que não fiz parte daquela percentagem pequenina de mulheres que não sente dores, porquêêêê??), não matam uma pessoa e que senti o dobro do que sentiria se não tivesse entrado em pânico.

E isto é importante ressalvar. Eu estava efectivamente em pânico. Eu não sabia se aquelas dores que eu sentia eram apenas um décimo do que aquelas que eu ainda sentiria até chegar o anestesista (e esta possibilidade dava cabo de mim mais do que as dores propriamente ditas), eu não sabia se já poderia receber a epidural daí a meia-hora ou só daí a cinco horas (e a ignorância desesperava-me), eu não tinha a certeza que o anestesista viesse, enfim, estava em pânico, não queria estar ali, não queria estar a sentir tudo aquilo e todo aquele medo. E depois convenhamos...eu sou uma pessoa muito pouco tolerante à dor. Tenho a sorte de não sentir grandes dores (não tenho dores menstruais, já tive cáries junto ao nervo sem qualquer dor mesmo com a dentista a dizer ser impossível, etc) e por isso aquelas que sinto metem-me medo. Eu não gosto de medir a tensão porque o aparelho me aperta o braço e magoa. Podem portanto ver que a minha escala de desagrado com a dor começa baixinho, baixinho. E depois é preciso ver também que eu sempre tive medo do parto. Portanto, logo quando ainda não sentia dores já toda eu tremia de medo.
Por isso, posso afirmar que, olhando agora para trás, se me tivessem dito "Tété, receberás a epidural às 9h e o nível de dor que sentes não aumentará até lá" eu não teria feito nem metade do drama que fiz e a dor teria sido muito mais suportável. Fui uma Drama Queen com rasgos de inspiração desde pedir ao Jack que me levasse para casa porque eu não estava pronta para ter um bebé naquele dia, a achar que a médica estava a conspirar contra mim e que não ia nada chamar o anestesista quando disse que o faria, ou até a sair-me um "Je vous aime!" quando o anestesista entrou na sala de partos (vá lá, que este até me achou piada e acabou na galhofa com o Jack). Que figurinha, Tété, que figurinha...

21.10.15

O Parto #1

Bom, o tempo disponível não é muito por isso não sei se conseguirei escrever tudo de uma só vez ou se dividirei o relato em vários posts. Comecemos então:

A Mini-Tété nasceu na quinta-feira, dia 15 de Outubro (não calhou no meu dia de anos mas foi calhar no dia de anos da minha madrinha. A cachopa queria mesmo dividir o dia com alguém....). Na véspera, quarta-feira, foi-me feito o descolamento das membranas, técnica usada como tentativa para despoletar o trabalho de parto. Ainda assim, e devido ao envelhecimento da placenta e ao nível de líquido amniótico, foi-me marcada a indução do parto para sexta-feira, pelo que ou a menina Mini-Tété se decidia a nascer até lá ou seria expulsa nesse dia. Foi-me dito que nessa quarta-feira à noite começaria a ter contracções e que, com sorte, entraria em trabalho de parto na quinta-feira.

Claro está que na quarta-feira à noite não tinha nem uma contracção para amostra. Fomos jantar fora com a família do Jack e ainda hoje comentam como eu estava longe de apresentar qualquer sinal do que ia acontecer. Estava tudo parado, paradinho, e eu super bem-disposta. Quando me deitei sentia uma sensação esquisita nas costas mas atribuí ao cansaço.

O despertador do Jack estava programado para as 5h00 da manhã e eram umas 4h30 quando eu acordei de um sono profundo, tendo de seguida (mais) um ataque de alergia. Quando finalmente a coisa parecia estar controlada, ouvi um "pfffff" e percebi que tinha as calças do pijama molhadas. Levantei-me, em plena negação, e pensar mentalmente "Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não me podem ter rebentado as águas, eu não estou pronta!!". Acordei o Jack, dizendo-lhe o que achava que teria acontecido e ainda ali ficámos a debater uns minutos se seria mesmo líquido amniótico ou apenas uma partida da bexiga (é o que dá não me ter acontecido como nos filmes em que parece que as mulheres perdem um alguidar cheio de água). Toda eu tremia de nervos, assustada e muito pouco preparada mentalmente para a hipótese de vir a passar por um parto nesse dia.

O problema é que a hora de sair do Jack estava a chegar e tínhamos de decidir se ele ia ou não, se seria falso alarme ou algo real. Felizmente tomámos a decisão certa e ele começou com os telefonemas para organizar o dia de outra maneira, ficando assim comigo. Entretanto, eu ia sentindo uma dor nas costas, que ia e vinha. Mais uma vez não associei a contracções pois o que lia e ouvia descrevia as contracções como dores fortes de menstruação, uma dor que apanhava a barriga, a barriga a ficar dura....e eu não tinha nada disto. Apenas uma dor nas costas. Quanto à ida ao hospital, as regras eram claras: caso as águas rebentassem, deveria ir durante a hora seguinte; caso sentisse contracções, deveria esperar que estas fossem de 5 em 5 minutos durante uma hora (embora à distância a que vivemos do hospital já tivéssemos decidido que não esperaríamos este tempo e iríamos quando elas estivessem de 10 em 10 minutos, por exemplo). Neste caso, eu não estava certa de as águas terem rebentado e não sentia contracções (achava eu), mas decidimos ir na mesma ao hospital, sem pressas, para ver se estava tudo bem. Por acaso, lá me lembrei de ver se aquele incómodo nas costas ia e vinha de forma regular e acho que é possível imaginar o meu pânico quando reparei que o sentia de 3 em 3 minutos.

Pegámos nas coisas à pressa e voámos para o hospital.

19.10.15

Post escrito com apenas um décimo do cérebro a funcionar...

Muito obrigada pelos comentários a desejar felicidades. :D Fica desde já prometido um post a falar sobre o parto e claro já com outras historietas que foram acontecendo (com o quê, com o quê? Com os apelidos, claro!! Mini-Teté está no mundo há poucos dias mas já conseguiu baralhar a burocracia francesa!). Mas por agora vou ver se consigo fechar um bocadinho os olhos sem que ela se aperceba (estou convencida que tem um sexto sentido que a faz adivinhar e chorar cada vez que penso "Vou aproveitar para descansar um bocadinho") e espero que a privação de sono assim como o cérebro perdido durante a gravidez passem um pouco e que brevemente consiga voltar a sentar-me ao computador e responder a e-mails, escrever posts, etc; etc....:)

Oh, bom, já está a chorar. Lá se vai a minha sesta....

16.10.15

Nasceu!

Teté e Mini-teté (ooooh, acabaram-se os nomes de frutas e legumes) estão bem e recomendam-se (mais ela do que eu já que me fez o favor de chorar toda a santa noite e não me deixar dormir nem dois segundos). 

14.10.15

Sinto-me um peru enfiado num forno

Liguei o aquecimento.
Por causa do Jack.
Por causa da vinda (algures num futuro próximo, digo eu) da Pequena Melancia.
Estou a cozer.
A cozer lentamente.
Se com isto não merecer o jantarinho feito todos os dias por ele e boas noites de sono dela, o mundo é muito injusto.

P.s: Se deixar de dar notícias, não é porque a Pequena Melancia decidiu nascer. É porque cozi.

Um calor...fresquinho.

Precisei de ir aos correios hoje de manhã e, não me querendo atrasar para a consulta, lá fui eu em passo rápido maldizendo a péssima ideia que tinha tido ao lembrar-me de vestir, por cima da t-shirt, uma camisola fina e um casaco. Claro que a meio do percurso, já eu estava a despir estas duas camadas suplementares, bufando de calor e pensando que este Verão nunca mais acaba. Nos correios, abanava-me com calor e ainda com a camisola e o casaco debaixo do braço regressei a casa e entrei no carro para ir à consulta. E foi aí que percebi que os olhares que as pessoas com quem me tinha cruzado me iam lançando não era por estarem a ver uma grávida em passo quase de corrida a atravessar a terrinha, mas sim porque eu estava de t-shirt e a temperatura era de...4°C. 

Acreditem que é esquisito estarmos a morrer de calor e o carro estar a avisar-nos do perigo de gelo na estrada. 


Imagem enviada por uma amiga e que retrata tão bem o casal cá de casa.

Depois espantam-se por eu estar cada vez mais branca

Como já aqui tinha comentado, em França as grávidas têm uma consulta com um anestesista, que por sua vez constitui um parecer sobre se a mulher é apta ou não para receber a epidural. Parte deste parecer tem como base análises feitas ao sangue e estas análises (assim como o parecer) têm a validade de apenas um mês. Ora, como a Pequena Melancia desde cedo se tem mostrado reticente em vir conhecer o mundo, eu já tinha sido avisada que o mais certo era ter de repetir as análises para novo parecer do anestesista. E eu andava aqui cheia de esperança de não ter de dar novamente o bracinho ao manifesto porque cada vez que me tiram sangue é logo uma catrefada de tubos. A validade das análises terminaria no início da próxima semana mas a consulta de hoje mostrou de tal forma que a Pequena Melancia está em modo "Daqui não saio, daqui ninguém me tira" que a médica não esteve com meias medidas e disse-me logo que podia ir já despachando esta parte e ir repetindo as análises. E lá fui eu dar mais 5 tubinhos de sangue ao vampiro escondido que ando a alimentar há cerca de 9 meses.

Consulta de hoje

Médica: Então e tem tido contracções?
Eu: Não, nem uma.
Médica: Ora, quando caminha, no fim deve ter contracções, não?
Eu: Não.
Médica: E quando se deita à noite? Não tem contracções?
Eu: Não.
Médica: De certeza? Nunca sente assim a barriga a ficar muito dura?
Eu: Não, nada de nada.
Médica, pouco convencida: Vamos lá ligar a máquina para fazer o registo e ver isso....

Meia-hora depois olha para a máquina e exclama: Nem uma contracção!

Eu avisei...A Pequena Melancia está decidida a nascer só no Natal mas ninguém acredita.

13.10.15

Karma, já percebi, ok? Vai lá entreter-te com outra pessoa...

A dias (espero eu; ela há-de sair antes de fazer 18 anos, certo?) de conhecer a Pequena Melancia, o karma decidiu que era altura de brincar comigo e relembrar-me que tive uma gravidez muito calma e portanto vai de me stressar nestes últimos dias. Ora vejamos:

- De repente, todas as fotografias que tirei à barriga, todas as semanas, ao longo da gravidez...desapareceram do meu computador. Felizmente ainda estão todas no cartão da máquina fotográfica (eeer....quer dizer, há uns dias estavam. Se calhar é melhor ir confirmar).

- Tenho tido ataques de alergia tão grandes que as nossas poupanças estão a ser gastas em caixas de lenços e eu pareço um palhaço de nariz vermelho e lábios inchados, sempre a coçar os olhos devido à comichão.

- Decidi ligar o aquecimento cá de casa, com pena do Jack, e porque a casa começa realmente a estar fria para receber um recém-nascido e...tcharã, não consigo ligar um único radiador. Parece que morreram todos. E agora estou para aqui a rezar que seja apenas azelhice minha, que o Jack chegue a casa logo à noite e que os ponha a funcionar sem eu sequer perceber muito bem como.

Eu nem quero ver como vão ser os próximos dias se isto continua assim...

12.10.15

Prendinhas de aniversário

Para além de ter recebido um computador lindo, lindo, lindo, amigos e família ofereceram-me também algo que nunca falha: brincos! 

Tão bonitos e de estilos diferentes. :)

Para além disso, ofereci ainda a mim mesma uma agenda para 2016 que andava a namorar....




Não é  liiiinda? :)



Cheira-me que vou sentir muito frio depois do parto

Estão 10°C e eu não suporto estar com um casaco vestido. Ando de t-shirt e mesmo assim tenho calor. E começo a convencer-me que os olhares estranhos que as pessoas me deitam na rua não são por causa da minha barriga de estou-pronta-para-parir-aqui-a-qualquer-momento, mas sim porque pareço uma tolinha de sabrinas e t-shirt enquanto que toda a gente já anda cheia de casacos e botas (até gorros eu já vi).

E começo também a ter pena do Jack que ontem, com voz de queixume, me disse "Eu sei que tu andas a morrer de calor mas vamos mesmo ter de pensar em ligar o aquecimento porque esta casa está gelada". E realmente às vezes tenho a sensação que ele está prestes a bater o dente de frio....

10.10.15

Sinceramente, acho que mesmo assim nada convencerá a Pequena Melancia que chegou a hora de sair...

Durante a gravidez é importante fazer caminhadas de forma a que a gravidade ajude o bebé a descer e mais para o final ajude a começar a sentir contracções. Eu admito que fui daquelas grávidas a quem deu a preguiça e se cortou às caminhadas diárias embora não possa dizer que tenha sido uma grávida de estar sempre parada no sofá. Nos últimos tempos tenho caminhado, aproveitando o facto de nada ainda me doer embora me canse rapidamente pois isto de estar a transportar uma "mochila" à frente com um bebé, sem nunca a poder pousar algures só dois minutos, não seja tarefa fácil. Na última consulta, foi-me dada a mesma recomendação: caminhar, caminhar, caminhar, porque isto está tudo muito atrasado e a ideia é, mesmo que se induza o parto, o corpo já ter começado ele mesmo a perceber que o fim dos 9 meses está a chegar. Já à saída do consultório, ouvi o acrescento à recomendação: caminhar 4 km por dia. Hãããã? Ai, esperem lá, eu estava a caminhar mas não eram 4 km por dia, senhores. Bom, mas se é para caminhar, é para caminhar. E hoje lá me lancei eu, mais a minha barrigona pesada, à caminhada dos 4 km. O que me custou mais? A ginástica que foi para conseguir calçar sozinha umas meias e umas sapatilhas (nas caminhadas mais curtas vou de sabrinas, mas assim para caminhadas maiores não são tão confortáveis). Acho que suei mais a tentar atar os atacadores do que propriamente a andar...

9.10.15

Mau-humor

Obrigada, Pequena Melancia, pela fantástica noite que me deste, sempre às voltas e aos pontapés. Ficas no entanto a saber que a tua futura mãezinha não fica propriamente um amor de pessoa com apenas uma hora de sono e se esta noite foi uma amostra daquilo que me farás passar depois de nasceres, não auguro nada de bom para a minha sanidade mental e, portanto, para ti também.

Fora a festa que a Pequena Melancia se lembrou de fazer toooooooooda a noite (alguém que lhe explique que as minhas costelas não são as teclas de um piano e que por muito que ela pontapeie e carregue, elas não vão dar música), tive um ataque de alergia durante horas. Consegui matar uma caixa inteira de lenços e suponho que acordei toda a rua com os meus espirros. Definitivamente, quando chegar o dia e a hora de entrar no hospital, vão-me ouvir gritar "Chamem o anestesista! Quero a epidural e um anti-histamínico!!". Já estou a ressacar dos meus comprimidos há demasiados meses à conta da Pequena Melancia e em troca recebo pontapés....

8.10.15

Perder o cérebro com a gravidez é...

...ter consulta às 16h, começar a fazer contas para saber quando é que devo sair de casa sabendo que tenho de estar lá às 15 minutos antes, que demoro cerca de 45 minutos a chegar, que demoro quase sempre meia-hora para estacionar e decidir assim que tenho de sair de casa, o mais tardar, às...15h30. As grávidas deviam ter duas horas de tolerância em termos de pontualidade....

7.10.15

Bem, acho que vou arrastar-me até à tábua de passar a ferro...

Credo, que sono é este?? Tenho a sensação que poderia facilmente passar 24 horas na cama, dormindo e dormitando sem me cansar (até porque continuo a conseguir deitar-me sem me doerem as costas; sem precisar de 1000 almofadas, etc...). Quando é que me vem aquela energia que as grávidas dizem sentir no fim da gravidez juntamente com o apelo de "fazer o ninho"? É que energia nem vê-la e o "fazer o ninho" está neste momento a traduzir-se numa pilha de roupa à espera há dias para ser passada, numa casa desarrumada, louça por lavar e nem sequer o nosso quarto está pronto para receber a Pequena Melancia (ainda por cima eu é que sei como é que os móveis devem ficar e já me estou mesmo a imaginar na maternidade a dar ordens via telemóvel ao Jack: "Tens de chegar a cama para o pé da janela, a mesinha de cabeceira tem de sair de onde está, tem de ficar uma distância de x centímetros entre este e aquele móvel...". Vai ser lindo). 

Bem, isto vai crescendo...


Se estivesse em Portugal, a data prevista para o parto seria já para a semana, no dia em que fizesse as 40 semanas de gravidez. Estando aqui, a previsão é apenas para daqui a 2 semanas, quando fizer as 41 semanas. Seja como for...é este mês. :)

6.10.15

Não stressem a grávida :D

Eu nasci às 42 semanas e cresci a ouvir que as últimas semanas de gravidez da minha mãe foram uma "tortura" com a família sempre a ligar-lhe para saber se eu já tinha decidido vir conhecer o mundo. Trinta e um anos depois estou a tentar que o mesmo não aconteça comigo. Tenho por hábito falar com os meus pais praticamente todos os dias, para que a distância se encurte e para que sintam que estão a acompanhar a minha vida como se eu estivesse em Portugal e a minha gravidez como se eu pudesse visitá-los mais frequentemente. Mas não há uma obrigação para isto e há noites em que não falamos. Numa destas últimas conversas, já na despedida, comentei com a minha mãe que no dia seguinte se calhar não ligaria pois em princípio teríamos um jantar. A resposta foi rápida: "Tudo bem, desde que me mandes uma mensagem a dizer que estás no jantar, não há problema". Oi??? Mandar mensagem? Aaaaa....tenho 31 anos, casada, grávida, a viver fora do país e tenho de mandar mensagem a dizer onde estou, a que propósito?? "Ah, então, para eu saber que está tudo bem e que não estás na maternidade!". Na, na, na, na, na, na, na, mas é que nem pensar. Acreditem que a última coisa que quero é sentir esta pressão e este stress de ter de estar a dar constantemente notícias. Tenho tido uma gravidez calma demais para agora permitir que me deixem assim. Eu sei que a ansiedade é grande, também já estive na posição de estar sempre à espera de notícias e é verdade que a vontade é mandar no mínimo duas mensagens por dia a perguntar "Entããããooo, novidades????", mas não pode ser. Acabei por combinar com os meus pais que quando estiver na maternidade com a certeza de que lá vou ficar hospedada, os aviso (e volto a avisar quando a "piquena" tiver nascido, claro). Até lá, ausência de notícias significa que continuo a fazer a minha vida normalmente. Aos amigos e leitores do blog fica também a combinação: quando já tiver o meu Pequeno Leitão nos braços enviarei mensagem a avisar que o mundo acaba de conhecer a bebé mais linda de sempre, e depois escreverei aqui também. Assim, já sabem, mesmo que não diga grande coisa nos próximos tempos (é que o teclado é novo, e eu ando com tanto sono, e ando preguiçosa, e acabo por me ligar pouco à net...), enquanto não der a novidade é porque não há novidades nenhumas. Até porque todos os médicos concordam que a Pequena Melancia está super bem-instalada e que, por ela, provavelmente só lá para o final do mês é que a conheceremos. :)

Ainda sobre a epidural e a amamentação

Nas aulas de preparação para o parto, foi-nos perguntado (a nós grávidas) se estaríamos interessadas em receber a epidural. Depois foi perguntado também aos homens o que achavam eles disso. Numa outra aula foi-nos perguntado se planeávamos amamentar. E novamente foi perguntado aos homens o que achavam disso.

E se na aula me consegui controlar e não soltar um "Então mas ele tem alguma opinião a dar porquê?", mais tarde acabei por comentar com o Jack que, embora seja muito a favor da divisão de tarefas domésticas e das responsabilidades parentais, há coisas para as quais acho que a opinião dele não tem de ser tida nem achada, e essas coisas referem-se ao meu próprio corpo.
Se ele fosse absolutamente contra a epidural, o que esperariam os outros que eu fizesse? Que não a levasse só por isso? A mim também nunca ninguém se lembrou de me perguntar se eu sou a favor que ele leve anestesia quando vai ao dentista. Ele brinca comigo de vez em quando dizendo que acha mal que eu leve epidural, que deveria ser tudo natural, que não quer a filha dele a nascer sob o efeito das drogas da mãe e a resposta é tão simples quanto esta "Quando for ele a parir, ele que faça tudo como deseja, até lá sou eu que decido".

No que toca à amamentação, penso o mesmo. Aliás, já aqui o disse, o Jack torceu o nariz quando numa primeira conversa lhe disse que se não me desse com a amamentação, não insistiria. Depois percebeu os meus pontos de vista. Mas mesmo que não percebesse, se o peito é meu, se a ansiedade é minha, se as dores são minhas, então pela lógica, a decisão é minha. Claro que é melhor ter alguém ao nosso lado que nos apoia nas decisões que tomamos e que não nos faz tentar sentir culpadas por elas (mas sendo sincera, ele que tentasse fazer-me sentir culpada que eu bem lhe dizia onde é que podia ir enfiar a culpa....).

Acho muito bem que os homens se envolvam cada vez mais na gravidez e no parto, mas haverá sempre coisas que, sendo nós e apenas nós a passar por elas, então a decisão é nossa e pronto.

5.10.15

Mimo...

...é ter uma avó que decide surpreender e nos manda 2 ovos kinder por correio.  Até vão saber melhor do que aqueles que compramos aqui. :D

4.10.15

Acabou-se o sossego

Domingo. Oito da manhã. Os filhos e o cão dos novos vizinhos acordaram-me. E isto foi só o primeiro dia.

Mas enfim, daqui a uns tempos terei a Pequena Melancia nos braços e ela provavelmente não me deixará estar a dormir às 8h00 da manhã, por isso vou-me habituando. E terei sempre a vingança que acordar os vizinhos com um bebé a chorar às 4h00 da manhã.

3.10.15

Uma dica?

Para quem já usou ou usa o teclado AZERTY, têm alguma dica para me dar de como escrever as vogais com acentos agudos, visto que não há tecla nenhuma com este acento? Sem ser claro, ir ao word, copiar a vogal já com acento nos caracteres especiais e colar onde queremos. É que sou capaz de começar a demorar dez vezes mais a escrever um post ou um e-mail com este sistema...

Mas onde é que eu estava com a cabeça quando achei que ia ser boa ideia comprar um computador aqui, senhores, onde? Em relação às letras e restante pontuação nem me dá grande trabalho visto de vez em quando aceder ao computador do Jack que já tem este teclado e o cérebro parece já estar formatado para saber onde se encontram as coisas. Mas o raio dos acentos agudos está a tramar-me....

Nós no meu dia de anos



Esta semana chegámos às 38 semanas e, embora a chegada às 37 semanas seja um marco por se deixar a prematuridade para trás, a chegada às 38 semanas não lhe fica atrás. Sempre soube que uma gravidez dura 40 semanas, mas na minha cabeça sempre achei que a maior parte dos bebés nasce às 38 semanas. Ideias com que uma pessoa fica de conversas que ouve e coisas que lê. Embora saiba agora que isto não corresponde propriamente à verdade (ainda mais no caso de um primeiro filho), não deixo de sentir aquele frio na barriga por saber que "está quase". 

Perguntava-me a minha mãe se não estou curiosa por ver a Pequena Melancia e ansiosa por esse momento. Não estou, pode soar estranho, mas não estou. É algo inevitável: eu vou conhecê-la, eu vou ver cada traço dela, eu vou ver-lhe os dedinhos todos, vou ouvi-la a chorar, e sabendo que isto vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, a ansiedade não existe (além de que sei que vou ter saudades de estar grávida, de a sentir a mexer).
Existe sim a ansiedade (vá, pânico puro) quanto ao parto, que tem aumentado a cada dia que passa e que só não atinge valores absurdos porque o meu estado de negação e pensamento de que ainda falta "muito tempo" até ter de passar por essa experiência me permitem não passar o tempo todo a pensar nisso. Por muito que leia testemunhos de partos facílimos, por muito que me tente convencer que vai correr bem, que vai ser bem menos difícil do que o cenário negro que eu imagino, a verdade é que o pânico está cá. Sempre foi um dos meus medos, sempre foi daquelas experiências pelas quais nunca fiz questão de passar, incomoda-me verdadeiramente saber que vou ter de passar por isto, que não há maneira de escapar, é como se me dissessem que vou ter de saltar de pára-quedas este mês, logo eu que tenho vertigens e morro medo de medo desses saltos. Preferia poder estalar os dedos e tcharã, aqui está a bebé, agora desenvencilhe-se a tomar conta dela. Mas não dá e por isso vou tendo os meus minutos de pânico de vez em quando ao pensar no parto, com vontade de dizer "não quero, não quero, não quero, não quero" e bater com o pé no chão numa clara atitude de birra. No resto do tempo, recuso-me a pensar nisso e vou apenas registando a gravidez na memória e com a máquina fotográfica.


Acabou-se o sossego

E eis que, quando pensávamos que haveria obras nos três apartamentos para mais uns quantos meses, descobrimos que afinal um deles deve estar mais avançado do que imaginávamos. Porquê? Porque está a haver mudanças, porque só vejo caixotes e móveis a chegar ao prédio e a serem dirigidos para o apartamento acima do nosso (claro, qual é que poderia ser....?). 
E já ouvi um cão. Só falta descobrir que é um casal com 7 filhos.

O elogio inesperado

Esta semana tive consulta para ouvir mais uma vez o coração da Pequena Melancia e confirmar que a malandra está sem pressa nenhuma (nem uma contraçãozinha falsa só para o registo, pah....). No fim da consulta pediram-me para me pesar, coisa que ainda não tinha sido feita nestas consultas. Lá fui eu a medo para cima do aparelho do diabo, convencida que ia ouvir um raspanete, e disse o número. A médica pediu-me para repetir. Assim o fiz. E ela veio para o pé de mim ver que número marcava a balança, comentando:
- Ai, desculpe, mas não estava a acreditar no número que me estava a dar. É que olhando para si, diria que pesava bem menos.

E eu, nesta fase em que é impossível não me sentir uma bola com pernas inchadas, tive de me conter para não lhe pespegar dois beijinhos e dar um abraço. 

2.10.15

E os disparates continuam


Este ano, juntaram-se elementos das duas famílias para me oferecer uma única prenda. Um novo computador. Tenho-o nas mãos há poucas horas (mas cá em casa há já 3 dias a fazer pirraça, tentando-me e fazendo-me roer toda para não abrir a caixa) e, ignorando a dificuldade óbvia que é passar de um teclado "qwerty" (o teclado usado em portugal) para um teclado "azerty"(usado em França), em que não faço a mínima ideia onde raio está a pontuação e outras coisas, já consegui fazer com que o computador perdesse o pio por completo durante um bom bocado e que aparecesse um ecrã azul de erro. Definitivamente, o meu campo electromagnético mantém toda a sua potência e nem o meu novo brinquedo vai escapar sem algumas mazelas.


(Não estranhem portanto que nos próximos tempos, entre mudanças de computador, adaptação a novo teclado e, bom, uma bebé que chegará entretanto, digo eu, a actividade aqui no blog seja um pouco menos frequente :) ).

Começar os 31 anos fazendo disparates

O despertador tocou e eu acordei o Jack, seguindo-se o seguinte diálogo, comigo super-entusiasmada e com ele de olhos fechados e voz de sono:
- Acorda! Faço anos!!
- Parabéns, amor....
- Vá, tens de acordar para me dar um beijinho e ires trabalhar.
- Ainda é cedo...
- Não é nada cedo. Anda, acorda, acorda, faço anos e não quero que te atrases.
- Deixa-me só dormir mais um bocado...
- Não pode ser! Além de que ainda tenho de abrir a minha prenda. Faço anos, faço anos! Vá, não adormeças, ainda te atrasas.
- Mas ainda é cedo....
- Não é nada, vá.
- É sim....são quatro da manhã e o despertador só vai tocar às cinco...
- Quatro da manhã...? Não são nada. Espera, deixa-me ver as horas....Bolas, são mesmo. Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, devo ter sonhado que o despertador tocou. Desculpa, desculpa, desculpa...Vá dorme a hora que falta, sim? Desculpa, desculpa, desculpa....

E ele ferrou-se a dormir. E eu fiquei uma hora acordada à espera que o despertador tocasse mesmo. Começamos bem os 31, não começamos?

Parabéns a mim!


E pronto, já cá contamos com 31 anos e uma barrigona de grávida (que assim se deverá manter até pelo menos amanhã visto que dou autorização à Pequena Melancia de me desejar os parabéns com vários dias de atraso). Oh, como gosto de fazer anos....:D

1.10.15

E com uma mãe assim, como poderia eu ser normal? :)

Em conversa via skype com a minha mãe, diz-me ela muito entusiasmada:
- Mandei-te uma lembrancinha! Mas escrevi no pacote que só a podes abrir dia 1!!
- Dia 1...? Deves querer dizer dia 2, não?
- Pois, que disparate. Dia 2, claro.
- Tens a certeza? Vê lá se nos últimos 30 anos andei a comemorar o aniversário no dia errado.
- Não, não, que estupidez a minha. Mas, bolas, acho que no postal que te mandei também escrevi dia 1!!

E eis que, no meu 31º aniversário, a minha mãe me tenta mudar o dia de anos.

Uma pessoa nem sabe com o que contar

Afinal a base para o ovo da bebé que deveria chegar hoje embora o papel da encomenda dissesse que chegava sábado, chegou ontem.

Haja quem entenda estes prazos de entrega.