31.3.16

Vaidooosa #10


Embora seja muito pouco dada a vestidinhos para a Mini-Tété, a verdade é que tenho um ou outro que me aquecem o coração. E este, às bolinhas, é um deles. Fica fofinha, fofinha, fofinha, e eu encho-a ainda mais de beijos. :)

30.3.16

Que tipo de pais somos? - II

Para que o outro post não ficasse ainda mais extenso, decidi deixar outros pontos para um novo post.

  • Dormir na cama dos pais: eu poderia dizer que não deixamos a Mini-Tété dormir connosco porque achamos um mau hábito, porque isto é péssimo para a criança, porque ela tem de aprender a dormir sozinha, mas a verdade, a verdade, é que a principal razão é termos medo de adormecer profundamente e de a sufocarmos sem dar conta. O Jack já fez algumas sestas com ela, lado a lado, porque eu estou acordada e vou vigiando; já eu não o consigo fazer mesmo sabendo que o Jack está em casa. O stress é demasiado grande e prefiro esperar que ela seja um pouco mais crescida para de vez em quando fazermos uma sesta juntas. Também achamos que é importante que ela não crie o hábito de dormir com os pais, mas reconhecemos que um recém-nascido não vem preparado para dormir sozinho e por isso, a cama de grades está encostada ao meu lado da cama, os colchões ao mesmo nível e assim ela vê-me através das grades e eu estou próxima o suficiente para lhe fazer uma festa ou dar a mão quando é preciso.

  • Ir à casa-de-banho com o bebé ao colo: leio constantemente em fóruns "O meu filho chora tanto e gosta tanto de colo que até para ir à casa-de-banho tenho de estar com ele nos braços" e não há vez nenhuma em que não pense "Mas como???". Sou só eu que sou tão desastrada que acho que facilmente deixaria cair a criancinha dentro da sanita? Então, mas e o que fazes quando precisas de ir à casa-de-banho e a Mini-Tété está a chorar ou sabes que vai chorar? Fácil, vou na mesma e deixo-a em local seguro. Chora? Chora, mas não é pelos 2 ou 3 minutos que eu demoro que ela vai sentir que eu a abandonei, além de que se ela está a chorar na minha presença, não fará assim tanta diferença que chore mais um pouco enquanto me ausento (sou uma péssima mãe, certo?).

  • Colo: o horror do colo, aquilo a que o bebé se vai habituar e depois nunca mais vai querer outra coisa. O livro "Os bebés também querem dormir" ajuda, e muito, a desmistificar este medo exagerado de dar colo e ainda bem que dei todo o colo que a Mini-Tété quis quando nasceu e ignorei todos os avisos de que ela ficaria mal-habituada. Nos primeiros tempos, a Mini-Tété dormia mais ao colo do que noutro sítio qualquer, depois adormeciamo-la ao colo antes de a colocar na alcofa ou na caminha, e agora vai para a caminha acordada e adormece lá. Se antes as sestas eram todas ao colo, agora esperneia e não encontra posição para adormecer como gosta e por vezes basta pousá-la na espreguiçadeira para se ferrar a dormir. Como se vê, aos 5 meses está super-dependente do colo. Quando nascem, os bebés precisam de contacto, de calor humano, diz-se até que os primeiros 3 meses de um recém-nascido são o quarto trimestre de uma gravidez, por isso dêem colo. Para mim, isso ajuda o bebé a acalmar, a sentir-se amado e seguro, o que só traz vantagens nos meses seguintes.

  • Viajar no carro ao lado do bebé: penso que já aqui contei um episódio em que ao entrarmos no carro de um casal amigo com o bebé colocado na cadeirinha no banco de trás, foi oferecido ao Jack o lugar ao lado do condutor. Por acharmos que era uma questão de simpatia, insistimos em que o casal fosse à frente, que nós iríamos atrás com o bebé. Passado um pouco, percebemos o desconforto da mãe e percebemos também que a rotina habitual era ser ele a conduzir e ela vinha no banco de trás com o bebé. Mais uma vez, ou somos muito relaxados ou somos pais estrondosamente maus, já que nem à saída da maternidade eu vim ao lado da Mini-Tété. Vou sempre à frente com o Jack até porque nunca quisemos habituar a Mini-Tété a ter companhia, pois como faria eu quando saísse com ela sozinha? Sei que há muitos pais que no caso de andarem sozinhos com os bebés, os metem então no banco da frente, mas a minha paranóia com a segurança automóvel dela não me permite embarcar nestas mudanças. Eu vou à frente, ela vai atrás, com um espelho colocado à frente, de forma a que eu a possa ver pelo retrovisor.

  • Ver se o bebé está a respirar durante a noite: quando a Mini-Tété nasceu, o Jack foi passar a noite a casa e eu lembro-me de lhe dizer que eu não conseguiria dormir pois teria medo que ela deixasse de respirar. E de facto não dormi pois a Mini-Tété passou a noite toda num berreiro tal que não havia dúvidas que tinha uns pulmões em óptimo estado de funcionamento. Acho que fiquei vacinada para o resto das noites, e nunca, mas nunca acordei a meio da noite para ir ver se a Mini-Tété estava a respirar. Nos primeiros meses acontecia ela estar a dormir e eu acordada e de repente aperceber-me que não a ouvia respirar, indo confirmar se tudo estaria bem (e ainda apanhei um ou outro susto quando a malandra não reagia....), mas de noite falta-me com certeza aquele instinto que pelos vistos faz as mães dormirem num estado de vigília constante e que basta deixarem de ouvir o bebé respirar para acordarem logo. Eu durmo profundamente. Aliás, chegou a acontecer de manhã perceber que a Mini-Tété tinha bolsado por ver uma pequena mancha no lençol. Talvez aqui o facto de sermos realmente pais relaxados em muita coisa nos permita dormir assim descansados. Ou então somos mesmo maus.




29.3.16

Que tipo de pais somos?

Ao longo da vida cruzamo-nos com imensas situações em que vemos pais a lidar com os seus rebentos e pensamos "Que horror, nunca farei aquilo!!" e não são menos as vezes em que ouvimos "Eu também pensava assim, mas depois fui mãe/pai e mudei. Vocês vão ver...". Já por aqui disse várias vezes que considero que eu e o Jack somos pessoas minimamente relaxadas em relação à Mini-Tété (ajuda também ela ser uma bebé fácil, embora eu ache que nestas situações existe um pouco de ciclo vicioso: pais relaxados não stressam o bebé, um bebé calmo não stressa os pais), havendo contudo situações em que somos um bocado inflexíveis. Na última semana dei por mim a pensar neste tipo de situações e se de facto alguma coisa em mim teria mudado depois de ter a Mini-Tété ou se me mantive fiel às minhas próprias ideias pré-Mini-Tété.


  • Esterilização: a Mini-Tété foi alimentada a leite artificial desde cedo e eu fiz questão de ter um esterilizador de biberões, onde também esterilizo as chupetas. Ainda assim e conforme sempre quisemos, a Mini-Tété não vive numa bolha estéril. Lembro-me sempre dos meus pais contarem que até tarde se preocuparam com a esterilização dos biberões do meu irmão, até ao dia em que o encontraram a lamber a sola dos meus sapatos. A Mini-Tété lambe desde cedo as mãos, lambe os bonecos, os braços do médico, lambe tudo o que apanha e onde as mãos tocaram. Obviamente não a deixamos lamber a sola dos sapatos, mas não andamos a limpar tudo com álcool nem a lavar-lhe as mãos 300 vezes ao dia, como sei que fazem alguns pais.

  • Chupetas no chão: admito que aqui a minha veia de nojentinha vem ao de cima e sou absolutamente incapaz de apanhar uma chupeta que caiu ao chão, metê-la na minha boca e depois dar à bebé, como vejo muitas mães fazer. Em primeiro porque nem sequer percebo muito bem a lógica da situação pois uma coisa que caiu ao chão não fica desinfectada nem limpa por ter estado na boca da mãe, e depois porque sou efectivamente uma nojentinha e não vou colocar na minha boca um objecto babado que caiu ao chão e ao qual se agarrou pó, cabelos, pêlo e mais uma série de porcarias. Este era um daqueles pontos que eu pensava "será que quando um dia for mãe, a nojice me passará e eu farei aquilo?". Mas não, continuo igual. Uma nojentinha do pior.

  • Televisão: por opção nossa, a Mini-Tété não verá televisão pelo menos no seu primeiro ano de vida. Não achamos que a televisão seja um bicho-papão que vai lavar o cérebro da criancinha  e penso que tudo depende do uso que lhe é dado. Mas como não vemos qualquer vantagem em pôr a Mini-Tété a ver televisão com meses de vida (muito pelo contrário, só lemos recomendações no sentido oposto), optámos por adiar. Claro que não somos radicais e quando em casa de alguém a Mini-Tété se fixa na televisão não desatamos a gritar nem a benzer a menina. Ainda hoje viu 10 minutos de Forrest Gump ao colo da avó e não houve stress.

  • Tecnologia à refeição: lembro-me de ainda nem estar grávida e uma amiga ter comentado "Antes dizia que nem pensar em deixar um filho meu comer a ver televisão, mas agora...se não for assim, ele não come!". E é verdade que se vê cada vez mais nos restaurantes as crianças com um telemóvel ou um tablet à frente, distraídas enquanto comem, o que me leva sempre a perguntar como faziam os nossos pais. Não digo que nunca o farei até porque a Mini-Tété só começou a comer sopa há uma semana e portanto ainda não tenho grande experiência nisto de alimentar um ser pequenino e birrento. Mas vou tentar que realmente não seja necessário até porque temos a regra de "nada de telemóvel às refeições" para os adultos cá de casa e parece-me um contra-censo uma criança ter mais direitos que os pais no que toca às tecnologias.

  • Açúcar: combinámos os dois que neste primeiro ano de vida da Mini-Tété não haverá da nossa parte a oferta de bolos, refrigerantes, chocolates, e outros alimentos açucarados desnecessários. Por muito que compreendamos que haja pais que acham piada dar a experimentar tudo aquilo que comem, não achamos que haja algum benefício em dar este tipo de alimentos a uma bebé tão pequenina que ainda tem tantos sabores para explorar e coisas bem mais saudáveis. Mas somos realistas e se há sempre quem dê comida a um cão mesmo quando os donos pedem que não o façam, então no que toca a bebés o impulso é ainda maior. Parece que é irresistível fazer um bebé provar chocolate, dar-lhe chupa-chupas, oferecer-lhe uma guloseima. Não conseguiremos controlar tudo nem poderemos educar toda a gente a fazer o que pretendemos, mas pelo menos, faremos o esforço quando estamos presentes e atentos (mesmo que tantos achem que estamos a ser radicais).

  • Tempo sem os pais: a Mini-Tété tinha um mês de vida e, por força das circunstâncias e compromissos que tínhamos e para os quais não a queríamos levar, ela ficou com os avós. E continua a ficar. Com os avós, com os tios, com os primos. Admito que cada vez mais me custa deixá-la ficar, não porque estou cada vez mais apegada a ela (porque estou mas também me sabe bem ter tempo para mim), mas sim porque acho que é mais fácil tomar conta de um recém-nascido, porque quanto mais ela se mexe, mais eu tenho medo de acidentes na minha ausência, porque tenho medo que ela sinta a minha falta, entre uma série de outras razões. Mas achamos importante que ela crie laços com outros membros da família, que se sinta à-vontade com eles, que também eles aprendam a lidar com ela. Não me custa nada compreender as mães que optam por nunca deixar os seus rebentos nem cinco minutos com alguém, mas racionalmente penso que esta nossa decisão tem também benefícios.

  • Rotinas: por acaso, sempre achei que desde cedo se iam criar rotinas para a pequenina, mas acho que aqui não tínhamos bem noção do comportamento de um recém-nascido e de um bebé. Por outro lado, quisemos relaxar e não estar super-preocupados em criar rotinas quando ainda estávamos a aprender a lidar com ela e connosco enquanto pais. Agora aos 5 meses, a rotina de sono já está feita e vai para a cama à mesma hora todos os dias. Falta a rotina das refeições, uma vez que ainda é "quando ela tem fome, diz". Sei que aos 5 meses, já há muitas mães que acham tarde para estabelecer rotinas, que muitas começaram bastante mais cedo, e eu própria pensava que ia ser assim, e se calhar até teria sido bom começar mesmo mais cedo, mas acabámos por adiar.

No fundo, mantemo-nos bastante fiéis a nós mesmos e às ideias que tínhamos antes de engravidar e durante a gravidez. Claro que a Mini-Tété tem apenas 5 meses e temos toda uma vida para ver as nossas ideias irem por água abaixo, mas por enquanto somos este tipo de pais.

25.3.16

Se podia ter juízo? Podia. Mas não seria eu. :)

Como disse, ando sem tempo nenhum para fazer puzzles MAS já está combinadíssimo com o Jack que temos de escolher um domingo em que ele se compromete a tratar da pequenita o dia todo para eu estar livre. Para quê? Para fazer um puzzle, claro está, já que aqui a Tété decidiu apostar com uma amiga que conseguia fazer um puzzle de 1500 peças num só dia. Eu acho que consigo e espero mesmo que sim já que não gosto de perder. :P

(mas se perder, reconhecerei a derrota sem problemas nem tentativa de batota. O meu ego é que vai demorar um bocadinho a recompor-se. Ah, já sei, posso sempre dizer que a culpa de não ter conseguido acabar foi das hormonas pós-parto. Tooooda a gente sabe que uma mulher depois de ser mãe não volta a ser a mesma. E eu que o diga que ainda estou à espera que alguns neurónios acordem do sono profundo em que entraram enquanto estive grávida...)

24.3.16

Ai que lliiiiiindos :D

Ontem o Jack avisou-me que num ponto de recolha estava uma encomenda para mim, uma surpresa que ele tinha preparado. Não consegui ir ontem mas hoje consegui ir até lá e perguntar à dona do espaço se ela tinha recebido alguma coisa em meu nome. Minutos depois tinha uma caixa enorme nas mãos. O Jack tinha aproveitado a junção de duas promoções e comprou-me nada mais nada menos que três puzzles de 1000 peças que eu andava a namorar. Não são absolutamente maravilhosos?



(este vai ficar lindo na cozinha)

Vamos claro ignorar o facto de eu não ter neste momento tempo para nada e muito menos para fazer puzzles. :)

22.3.16

Não paramos de viver, mas vive-se com menos paz de espírito...

No domingo fomos ao cinema e à chegada a minha carteira (e qualquer bolsa que alguém leve) foi colocada num tapete rolante para ser analisada por raio-x. Há dias em que esta medida me incomoda, por sentir que o mundo não deveria ser assim e que eu deveria poder ir ao cinema sem passar por estas medidas de segurança, e há outros em que já nem ligo. Mas no domingo, tinham adoptado mais uma medida: pediam às pessoas para abrir os casacos. Resmunguei baixinho e o Jack comentou comigo que concordava com esta medida, que já por várias vezes tinha pensado que revistar carteiras não era o suficiente já que sabe-se lá o que levam as pessoas por baixo dos agasalhos. Expliquei-lhe que não estava contra a medida, mas contra o mundo que chegou a este ponto de me obrigar a mim, a ele e a tanta gente que só quer ir ao cinema ou jantar a abrir os casacos, ao ar livre, numa noite com um frio de rachar.
No fundo chateiam-me todas estas medidas de segurança (por exemplo, durante a gravidez, a cada consulta no hospital tinha de abrir a minha carteira e mostrar o conteúdo ao segurança) porque me lembram como vivemos num mundo perigoso, onde pode acontecer algo a qualquer momento, onde a pessoa que está à minha frente na fila para o cinema pode não estar a planear assistir ao filme mas fazer algo absurdo.
E hoje, com os ataques terroristas no aeroporto e metro de Bruxelas, praguejo baixinho. Porque em menos de um mês vou viajar com o Jack e a Mini-Tété e já sei que não vou gostar, apreciar e estar descansada no aeroporto. Não é justo. Para mim e para toda a gente.

21.3.16

Portam-se pior os avós que a neta...

Da última vez que os meus pais cá estiveram tínhamos combinado que eles ficariam com a neta logo na primeira noite enquanto eu e o Jack íamos jantar fora. Como sou uma filha amorosa, levantei-me mais cedo nesse dia e fiz uma sopa de espinafres para eles, para que não tivessem grande trabalho ao jantar a preparar uma refeição, podendo complementar a sopa com pão, queijo, fiambre, fruta, etc. E assim se passou: eu e o Jack saímos para jantar e deixámos os três em casa. Quando regressámos, estavam os meus pais a comer  e estranhámos pois tínhamos demorado um bom bocado devido à fila do restaurante. Perguntámos-lhes o porquê de estarem a jantar àquela hora e a minha mãe só me dizia "Tu não digas nada, tu não digas nada...", antes de se lançar na explicação "Imagina tu que ao tirar a sopa do frigorífico, o tupperware escapou-me das mãos e caiu ao chão. E a sopa espalhou-se por todo o lado, havia sopa dentro do frigorífico, na porta do frigorífico, no chão, nas paredes, na bancada, nos móveis, por todo o lado! Estivemos a limpar até agora...". Eu sou uma filha amorosa e é assim que eles me pagam: pintam-me a cozinha com sopa. Para a próxima deixo-lhes apenas um bocado de pão seco e uma colher (nem facas deixo que sabe-se lá o que pode acontecer).

19.3.16

Aos dois pais maravilhosos da minha vida, um Feliz Dia do Pai :)

Eu sou assumidamente uma menina do papá. Adoro o meu pai (tanto quanto adoro a minha mãe*), adoro conversar com ele, partilhar livros com ele, fazer puzzles com ele. Não somos iguais-iguais, mas temos, cada um no seu mundo, muitos pontos em comum e uma relação fantástica.
Quando eu e o Jack começámos a dizer às pessoas que íamos ter uma menina, ouvi logo "Ai, vai ser mais ligada ao pai do que à mãe, prepara-te!", como se uma maldição me tivesse atingido. A minha resposta foi sempre a mesma,:"Espero que sim! Espero que seja tão menina do papá como eu sou!". E espero mesmo. Do fundo do coração, gostava que a Mini-Tété tivesse com o Jack a relação que eu tenho com o meu pai. Porque eu sei que o Jack é um homem e pai maravilhoso e quero que ela também se aperceba disso.

*o dia do pai também é o dia dela, do seu aniversário.

17.3.16

Zzzzzzzzzz.....

Quando estava grávida, alguém me disse que a única coisa má de ter um recém-nascido era a privação de sono. Passei a gravidez toda com várias pessoas a dizerem-me "Aproveita para dormir enquanto podes!!", coisa que fiz afincadamente e não deve haver neste mundo uma grávida que tenha dormido mais do que eu, ao ponto de ter começado a ouvir que se calhar dormia demais e que tantas horas sem comer não deviam fazer bem ao bebé (as pessoas nunca estão satisfeitas). Lembro-me de pensar que de facto, quando a Mini-Tété nascesse, me ia custar muito ter as noites de sono interrompidas, mas sempre achei que "ah e tal, como é o meu bebé vou ter um saco cheio de paciência, vai custar-me dormir menos mas como é por ela não vai ser assim tão difícil, mimimimi". Uma treta, é o que é. Acho que já aqui referi que acho que muitos dos casais que se zangam e se separam após o nascimento de um filho o fazem por estarem estoirados, cansados, sem dormir decentemente há dias, semanas, meses. E não é por ser um filho nosso que nos acorda a meio da noite uma, duas, três, quatro, cinco vezes que passa a ser mais glamoroso pois no fundo a falta de sono é falta de sono, independentemente da razão.

Um recém-nascido é, na verdade, como um marido temporariamente acamado, que nos chama a toda a hora, rabugento e que nunca agradece. Imaginem o que é viver com alguém assim: cada vez que pensam em ir à casa-de-banho, o marido chama aos gritos. Cada vez que começam a adormecer, ele chama aos gritos. Cada vez que pensam tomar banho, almoçar, passar a ferro ou simplesmente dormir uma sesta, ele chama aos gritos. E mesmo indo a correr para satisfazer as suas vontades, ele continua muitas vezes aos berros, histérico, sem razão aparente. E nunca, nunca, nunca agradece. Admitam: por muito que gostem dos vossos maridos, se eles vos fizessem isto eram meninas para pensar no divórcio ou em dar novo uso à faca da cozinha, certo?
Com um recém-nascido, as diferenças não são muitas e pessoalmente achei o primeiro e o segundo mês duros, devido à privação de sono (e atenção que eu acho que tenho especial sorte com a Mini-Tété, que é uma dorminhoca). Eu só queria dormir e ela não me deixava. Felizmente, as coisas começam a melhorar e quando eles começam a sorrir vemos um pouco a luz ao fundo do túnel e pensamos que afinal aquele pequenino ser se calhar até gosta de nós um bocadinho e não veio a este mundo apenas para nos infernizar a vida. Agora sou eu que passo o conselho "Durmam enquanto podem!!" porque realmente a privação de sono é o pior de ter um recém-nascido em casa.

16.3.16

5 meses


Mini-Tété fez ontem os seus cinco meses e está uma bebé fofa, fofa, fofa. Vocaliza imenso sobretudo durante a noite já que continua a gostar de adormecer tarde. Descobriu os pés, quer deitada quer sentada, e praticamente no mesmo dia conseguiu virar-se de barriga para baixo para barriga para cima. Claro que só o fez uma vez e quando tentei que ela repetisse a proeza para que eu pudesse filmar e mostrar ao pai e avós babados, ela mandou-me bugiar (até porque odeia estar de barriga para baixo). Vai começar agora a comer sopinhas (ainda não estou mentalmente preparada, admito, mas tenho uma certa curiosidade de ver como vai correr) e continua na sua alegre missão de levar tudo à boca, babar tudo e depois fazer um ar de esquisitinha como se dissesse "blargh, isto não sabe muito bem". Com a introdução dos sólidos, estamos também a iniciar a introdução de rotinas mais rígidas. Até agora, a Mini-Tété comia e dormia quando queria, em parte porque nos parecia que ela estava a começar a auto-regular-se (com a nossa ajuda, claro) e também porque não queríamos entrar no stress de tentar impingir rotinas a uma bebé pequenina. Mas a aproximação dos cinco meses estava também a trazer aquilo que começámos a perceber ser "manha" e "fita" para que as coisas fossem feitas de maneira diferente (sobretudo a hora de adormecer) e percebemos que chegou a hora de actuar, antes que ela pense que tem algum poder. O banho continua a ser uma alegre brincadeira, com muita água em cima de mim e do Jack, e espalhada pelo chão. Dá gritinhos e agita os braços quando a sento ao meu colo e ligo o skype. Sorri muito para os meus pais através do computador e acha piada que estes conversem com ela e lhe façam caretas. Já segura cada vez melhor o biberão sozinha mas é trapalhona (sai à mãe) e brutinha (sai ao pai da mãe). Chora quando tem fome e quando tem sono, mas não é uma bebé que se possa dizer que lute contra o sono, muito pelo contrário. Se a tiver ao colo e ela estiver mesmo perdida de sono, basta aconchegá-la e fazer uma festa para cair num sono profundo. Contudo, se não conseguir adormecer dentro do tempo razoável estipulado por ela, temos berreiro de uma bebé que não quer estar acordada e que tenta adormecer sem conseguir. Já morde, principalmente os dedos da mãe, e ainda bem que não tem dentes visto que as gengivas são suficientes para deixar marca. É uma bebé sorridente e penso que é uma bebé feliz. :)

15.3.16

Uma manta contadora de histórias

Ofereceram-nos esta manta cheia de Princesas Disney que faz um sucesso cada vez que saímos à rua com a Mini-Tété embrulhadinha nela. É linda, linda, linda :)


Cinderela.

Branca de Neve

A Bela Adormecida

Cinderela.

A Princesa e a Ervilha.

 Branca e Neve e os 7 anões.


Rapunzel.

A Bela Adormecida

Esta não faço ideia de quem seja, alguém me ajuda?

12.3.16

Pessoas que nos conhecem bem...

Os meus pais conhecem-me bem e conhecem ainda melhor os meus gostos literários. Um dia destes liga-me o meu pai via Skype para me dizer "Vi o novo livro da Sandra Brow. Já o tens? Queres que compre?" (Queeeeeeero). Hoje a minha mãe manda-me uma fotografia via viber com o novo livro da Jodi Picoult nas mãos e a pergunta "Queres que o compre?" (Queeeeeero). Eu sozinha consigo criar uma verdadeira biblioteca, mas estes dois dão uma ajuda imensa. :) Cheira-me que tenho de levar a mala meio vazia para Portugal para a poder trazer cheia de livros e coisas para a Mini-Tété.

11.3.16

Vaidooosa #8


Este conjunto cor-de rosa tem uma história. 
Quando eu era bebé, tinha um fatinho cor-de-rosa que, por coincidência, aparece numa das minhas fotografias de infância favoritas. Quando se soube que eu estava grávida de uma menina, a minha mãe teve a ideia de ir à procura do famoso fatinho cor-de-rosa para que a Mini-Tété o pudesse também usar mas infelizmente não o encontrou. Assim, embarcou na missão de encontrar um conjuntinho cor-de-rosa para a neta, em memória daquele que a própria filha tinha usado. E conseguiu. E eu, sempre que visto a Mini-Tété com ele, sorrio e lembro-me da minha foto favorita.


10.3.16

Fofinho

O dia 10 tem para nós um significado especial: começámos a namorar num dia 10 e casámos num dia 10 (só faltava a miúda ter nascido dia 10, falhou por 5 dias). Juntos há 11 anos, ainda sabe bem ver o Jack vir ter comigo para me dizer "É dia 10, parabéns, Princesa!". Onze anos juntos e todos os meses, a cada dia 10, eu recebo um beijinho e os parabéns. Às vezes ele lembra-se sozinho, outras vezes lembra-o o telemóvel, onde colocou um lembrete especial. Não deixa de ser fofinho que, onze anos depois, ele continue a achar que faz sentido ter este lembrete para me poder continuar a desejar os parabéns mensalmente. 

8.3.16

Eu não sou uma mãe superior. Sou apenas a mãe dela.

Sempre achei, ainda antes de engravidar, que provavelmente me tornaria naquele tipo de mãe que acha que "ela é que sabe", que compara os seus filhos com os dos outros, que vê tudo o que as outras mães fazem e mentalmente as recrimina pela asneira que estão a fazer e pensa que "nunca na vida" fará tal coisa. O facto de já ter ideias do que achava correcto e incorrecto na educação de uma criança e de mentalmente ter já estipuladas algumas regras e caminhos a seguir levava-me realmente a ter o receio de ver crescer em mim uma faceta de "mãe superior" que eu não queria de todo.

Quase cinco meses após a Mini-Tété nascer posso dizer que felizmente este receio não passou disso mesmo e que acabo por ser, nesse aspecto, um pouco o oposto daquilo que receava. Continuo a achar que eu é que sei (juntamente com o Jack) e que temos de ser nós a decidir sempre o que é o melhor para a nossa filha porque somos nós os pais e os responsáveis pela sua educação, mas isso não nos impede de ouvirmos os conselhos dos outros e até vermos como fazem os outros pais. Mas sinto que embora "eu é que saiba" o que é melhor para a nossa filha, não acho que "eu é que sei" o que é melhor para os filhos dos outros e por isso mentalmente nem opino nem recrimino. 
Em termos de comparação, felizmente acho que sou suficientemente lúcida para não embarcar nesse disparate. Cada bebé é diferente e faz as coisas ao seu ritmo. Se tivesse de apostar, diria que a Mini-Tété se sairá melhor e mais rapidamente na parte motora do que na linguística, mas no entanto nem acho que ela esteja a fazer o que quer que seja para além do suposto para a idade dela (bom, a não ser crescer, a minha pequena gigante). Não sendo cega, reparo obviamente naquilo que os bebés da mesma idade da Mini-Tété fazem e não fazem, mas as comparações acabam o seu raciocínio aqui sem passar para o campo do "Ah, a minha já faz isto. É bem melhor!!" ou "Bolas, ela ainda não faz aquilo. Será que tem algum problema??". A Mini-Tété fará tudo o que tem a fazer quando bem lhe apetecer. Eu não tenho pressa e não preciso que ela tenha.

Ainda assim, há coisas que fui e vou ouvindo acompanhadas da frase "Eu também pensava assim e agora, deixo-o fazer/faço assim/penso assim/etc". Admito perfeitamente que não vale de muito cuspir para o ar porque podemos apanhar com o que não queremos e que coisas como "Eu nunca farei isso!" são um risco de se dizer. Acho que até agora ainda não quebrei nenhuma das regras mentalmente criadas para os primeiros meses de vida da Mini-Tété e sei que há coisas que dificilmente farei, embora veja outras mães a fazê-lo. Não me incomoda, não penso que eu estou certa ou que elas estão erradas, simplesmente pensamos de maneira diferente e não havendo riscos para os filhos de ninguém, então não há problema. Recuso-me até a discutir ideias a este propósito pois acho que só faz com que alguém acabe por se sentir pior mãe. No meio de alguns conselhos de mães mais experientes, que às vezes dão muito jeito, também ouvimos coisas que já estão mais do que decididas que nunca faremos. Contudo isso não me impede de agradecer o conselho e dizer que vou pensar nele, ao invés de explicar que nem morta faria uma coisa daquelas, algo que antes deixava o Jack muito surpreendido achando mesmo que eu estava a considerar praticar o conselho em causa. Também já aconteceu vermos algo e olharmos um para o outro, comentando "Hum, nós não fazemos aquilo, certo?", e estando os dois de acordo, isso é que é importante. Não sou melhor mãe que as outras, não me sinto (de todo) melhor mãe que as outras, não acho que eu sei tudo e que todas as outras cometem pecados capitais com os seus próprios filhos, não comparo cada gracinha, cada habilidade e cada passo de desenvolvimento. Eu sou apenas a mãe da Mini-Tété e faço aquilo que acho melhor para ela. Apenas isso. 

7.3.16

Desmaquilhar os olhos para não parecer um panda quando se acorda no dia seguinte


Este mês andei a arrumar a minha maquilhagem e a certa altura peguei neste três frascos de desmaquilhante para os olhos e pensei "Eu devia falar disto no blog". Durante a minha adolescência não liguei muito a maquilhagem, mas já na universidade comecei a gostar de me arranjar um pouco mais e  dei sempre preferência aos olhos, mesmo usando óculos. Não achava (e continuo a não achar) piada nenhuma à parte de desmaquilhar, embora não fosse de falhar muito. Acho que durante muito tempo usei toalhitas desmaquilhantes mas aquilo nunca tira completamente a maquilhagem e perdi a conta às fronhas de almofada que manchei. Experimentei vários desmaquilhantes de supermercado mas o resultado nunca me agradou, até que encontrei o desmaquilhante bifásico da Sephora. Uma maravilha, tira mesmo a maquilhagem, não tenho nada a apontar em relação a isso. Mas (tinha de haver um "mas"....) o produto fazia-me arder os olhos como se estivesse a cortar cebolas mesmo à frente do nariz. Uma pena, é o que vos digo, já que como desmaquilhante é realmente muito bom e aconselho. Um dia, encontrei um kit da Clinique que para além de dois produtos que eu queria (um rímel e um lápis preto, se não me engano), tinha também o desmaquilhante. Vendo que era bifásico, decidi experimentar e mantenho-me fiel a ele. Desmaquilha tão bem quanto o da Sephora com a vantagem de não me fazer sentir os olhos em fogo. Comprei recentemente o frasco maior, aproveitando uma boa promoção e o mais pequeno penso que vinha num kit de viagem (não gosto de andar com frascos grandes atrás de mim nas viagens e demorei a encontrar o desmaquilhante neste formato a um preço que me agradasse). Fica a dica. 

5.3.16

Outros nomes :D

As minhas conversas com o Jack sobre desenhos animados são sempre uma autêntica catástrofe. Embora só tenhamos um ano de diferença, parece que vivemos em galáxias diferentes pelo simples facto de a minha infância ter sido passada em Portugal e a dele em França. Isto faz com que os desenhos animados que vimos quando éramos pequenos não sejam de todo os mesmos (ele nem conhecia a Rua Sésamo! Como é que é possível?) e aqueles que temos em comum tenham nomes diferentes. O mesmo acontece com os bonecos das bandas desenhadas e acreditem que por vezes estamos largos minutos a tentar descobrir qual a personagem de que o outro está a falar. Deixo-vos aqui alguns exemplos:


A nossa Anita aqui é a Martine (já sei que por aí o nome vai ser ou foi alterado)


O nosso Wally (quem é que não gostava de procurar o Wally?) aqui é o Charlie.


Os sobrinhos do Donald, o Huguinho, o Zézinho e o Luisínho, em França são o Riri,o Fifi e o Loulou, respectivamente (mas que raio de nomes são estes??)


As sobrinhas da Margarida, a Lálá, a Lélé e a Lili, são a Lili, a Lulu e a Zizi.


O Tambor, amigo do Bambi, é o Pan-Pan


O Gastão, o primo sortudo do Donald, é o Gontran Bonheur.


O Tio Patinhas é o Balthazar Picsou.


O Patacôncio, o inimigo do tio Patinhas, é o Crésus Flairsou.


A Magda Patalógica é a Miss Tick.


O Peninha, primo do Donald, é o Popop.


Os Irmãos Metralha são os Rapetou.


O Professor Pardal é o Géo Trouvetou.


O Dunga, o mais novo dos 7 anões, é o Simplet.


O Pateta é o Dingo.


4.3.16

Deviam ensinar estas coisas nos cursos de preparação para o parto...

Eu não como fruta madura. Não gosto da consistência da fruta madura, não gosto de sentir o sumo das frutas a escorrer, gosto de ouvir o barulho que a faca faz a descascar uma fruta ainda verde e rija, gosto de mastigar e daquele ácido próprio da fruta que ainda não amadureceu. A fruta que eu vejo toda a gente comer já está para mim ao nível de "quase podre" por isso toda a fruta que compro é sempre verde, para desespero do Jack. 
Com isto tudo, o Jack e o meu pai estão já a sofrer pelo futuro da Mini-Tété e pela sua introdução ao mundo das frutas e por isso estão a planear dar-me umas aulas de como escolher fruta como deve ser. Estou tramada com estes dois.

Vaidooosa #7


3.3.16

Gosto, gosto, gosto!

Falei aqui no álbum do primeiro ano da Mini-Tété, mas admito que cada vez que visito o site da Mr.Wonderful me apaixono por mais uma série de coisas. Houvesse disponibilidade financeira e acho que muitas já viveriam comigo:


Álbum de viagem "Vamo-nos perder em algum lugar".



"Borracha com superpoderes para apagar chatices e coisas desagradáveis"


Se eu não me apaixonasse por pelo menos um caderno é que seria estranho. E este enche-me as medidas: "Caderno com superpoderes para ter grandes ideias".


Eu vou ter este quadro em minha casa. Não sei onde, não sei quando, mas vou. Nem que seja daqui a 40 anos.
 "Today will be the best day of the week"



Canecas fofinhas!
 "Hoje vou conseguir tudo o que quiser" e "Fazemos uma grande equipa".

2.3.16

Depende de como vemos as coisas

Fez ontem cinco anos que caí na banheira enquanto tentava apanhar um frasco de gel de duche que me tinha escapado das mãos. Não sendo uma data de algo que valha a pena assinalar ou comemorar, não deixo de pensar a cada ano que tive muita sorte. Não penso muitas vezes nesta queda até porque não vale a pena mas sempre que sinto um pé a fugir-me nem que seja dois milímetros enquanto tomo banho é impossível não voltar a lembrar-me dela. É impossível esquecer a dor que senti quando a cabeça bateu com força enquanto todo o meu corpo estava ainda no ar, o choque que senti no pescoço, o medo que senti. É impossível esquecer como respirei fundo, em pânico, e pensei "Calma. Tenta mexer os dedos dos pés", enquanto rezava com todas as minhas forças para os ver realmente mexer. É impossível esquecer como ainda me aguentei dois dias sem ir ao hospital e por fim lá fui sem aguentar mais as dores. E é sobretudo impossível esquecer de como o médico brincou comigo, dizendo que eu precisava apenas de umas massagens, até ter visto a minha radiografia, e o ar ter ficado terrivelmente sério. Lembro-me de olhar para ela e ter pensado "Uau, tenho uma coluna bem direita! Que fixe!". E de ele me ter explicado que a pancada na cabeça tinha sido tal que toda a coluna tinha sofrido, que os meus músculos estavam de tal forma contraídos que eu tinha perdido a curvatura natural da coluna. E que ele não percebia como é que eu estava ali, viva, com uma pancada daquelas. Tive sorte. Avisou-me das dores que eu teria, eu disse que já as sentia, ele avisou-me que eu sentiria muito piores. Deu-me uma dose cavalar de analgésicos que fizeram o farmacêutico perguntar-me o que se passava comigo para ir tomar o dobro da dose que ele estava habituado a ver, ainda por cima de um analgésico potente como aquele. As dores vieram, as noites sem dormir também. E eu continuei a trabalhar. Hoje acho que fui burra em tê-lo feito. As dores eram tais que cada vez que eu inclinava a cabeça deixava de ver. Devia ter ficado em casa. Felizmente tive uma grande ajuda de uma amiga-colega que suportou grande parte do trabalho, mas sinto mesmo que devia ter ficado em casa.
O dia 1 de Março de cada ano não é uma data memorável, fui estúpida e caí numa banheira. Não há nada para comemorar. Ou talvez haja. Afinal de contas, tive uma sorte do caraças.

1.3.16

Dar apenas o que eles precisam

Num post em que falava destes erros normais de pais de primeira viagem, a Minnie Me perguntou "Mas aí os médicos não informam quantos ml deves dar no biberão consoante os meses?". Na altura respondi na caixa de comentários mas pensei que devia dedicar um post a este tema visto também eu ter deambulado pela internet à procura de informações que acalmassem os meus receios. 

As latas de leite trazem a indicação, para cada mês, da quantidade de biberões que se deve dar por dia e da quantidade de leite por biberão. É útil, é interessante, mas caímos facilmente no erro de levarmos demasiado à letra o que está escrito, como eu fiz. Quando a Mini-Tété começou a beber leite artificial logo no Hospital, bebia cerca de um terço daquilo que devia. Passado uns dias já bebia o normal e foi aumentando a dose rapidamente, o que fez com que eu ficasse com medo de lhe estar a fazer mais mal que bem, de lhe dilatar o estômago e mais não sei quantos receios que rapidamente foram ultrapassados. Tanto as sage-femmes do Hospital, como o pediatra que lhe deu alta, como a sage-femme que fez a visita domiciliária como a médica que a segue são claros na regra a seguir: se o bebé acaba os seus biberões de leite, então deve-se aumentar a dose. A ideia é que reste um pouco de leite no biberão. Simples, sem qualquer recomendação de quantidade de leite por dia ou por biberão. 

Nós, adultos, não somos todos iguais, não comemos todos a mesma quantidade de comida. Porque razão queremos que os bebés o sejam/façam? Porque razão nos faz sentido que todos os bebés com x meses bebam a mesma quantidade leite? As pesquisas pela net enganam ainda mais porque facilmente encontramos mães que dão apenas leite artificial e outras que o dão como complemento ao leite materno, e o engraçado é que tanto umas como outras se comparam e se guiam pelas indicações da lata, o que não faz sentido nenhum quando nuns casos aquela é a refeição principal do bebé e noutros é apenas um complemento, pelo que as quantidades dificilmente serão as mesmas. Além do mais, é normal que um bebé de 4 quilos sinta uma maior necessidade de leite que um bebé com a mesma idade que só pese 3 quilos, por exemplo. Ou dois bebés com o mesmo peso mas com apetites diferentes. Cada bebé é que sabe o que deve beber e não há tabela nenhuma de uma lata que saiba melhor do que ele. Se pensarmos bem, quando um bebé mama ao peito da mãe ninguém consegue controlar a quantidade de leite que ele está a beber e ninguém se preocupa com isso. Ninguém diz que ele está a beber mais ou menos leite do que deveria. 

Não deixa de ser engraçado que a minha pequenita tenha, aos 3 meses, passado a beber bem menos do que as latas indicam depois de ter andado sempre a beber bem mais. Voltei a falar com a médica, já adivinhando a resposta: se ela bebe menos e continua a engordar, é porque está bem. Ela auto-regula-se e bebe conforme o seu apetite. E nós deixamos.

Vejo nos fóruns imensas mães praticamente em pânico porque o bebé não bebe o que a lata diz (seja mais ou menos), e nos casos em que bebe menos o descalabro é total. Cria-se a ideia que os bebés enjoaram o leite, troca-se de leite todas as semanas (com as consequências intestinais que daí advêm), trocam-se os biberões, chora-se e suplica-se para que o bebé queira beber mais, independentemente de todas as semanas estar mais gordinho com o "pouco" que bebe. E se calhar resultaria melhor respirar fundo e dar-lhe apenas aquilo que ele precisa.