10.3.19

Eu bem digo que durmo profundamente

Deitei-me. Ferrei-me a dormir. A meio da noite acordei, levantei-me, fui à casa-de-banho, voltei a deitar-me. Começo a ouvir a Mini-Tété a tossir. Mais uma vez. E outra. E outra. Digo ao Jack que vou dar água à pequena e que já volto. Entro no quarto da Mini-Tété e deparo-me com o Jack ferrado a dormir na cama dela.

Ao que parece a Mini-Tété esteve aos gritos, o Jack levantou-se, acalmou-a, deitou-se ao pé dela e adormeceu. Horas depois, eu levanto-me, deito-me e ainda falo com ele sem me aperceber que estou na cama sozinha. Caramba, o homem podia andar a sair todas as noites para ir ter com uma amante que eu não dava por nada.

3.3.19

Eu não durmo. Eu entro em coma profundo.

Sempre ouvi dizer que depois de se ser mãe não se volta a dormir da mesma maneira, o que não deixa de ser verdade porque as pequenas criaturas que parimos nem sempre assimilam perfeitamente o conceito do quão bom é ficar na ronha toda a manhã, levantar às tantas, acordar devagarinho (sobretudo quando, como a minha, saem à mãe e acordam mortas de fome e a exigir alimento imediatamente) e mal o sol nasce já estão prontas para começar o dia (felizmente a Mini-Tété não é para já especialmente madrugadora mas, lá está, mal abre os olhos, diz-me logo duas coisas: "Tenho fome" e "Olha, mamã, já é dia! Vamos levantar!". Aaaargh, saudades da ronha...).
Outra razão que leva as mães (e pais, suponho) a dormir pior é o facto se manterem alerta mesmo durante a noite. Pelo menos foi o que sempre li e ouvi: mães que acordam de noite nas primeiras semanas (meses?) do bebé para ver se ele está a respirar, mães que quase dormem com um olho fechado e outro aberto não vá a cria chamar e mães que se queixam que o sono passou a ser mais leve, mais alerta, menos descansado.

Quando a Mini-Tété tinha um ano e meio, escrevi este texto em que assumia não ter sentido diferenças no meu sono, excluindo claro a adaptação aos horários de sono da pequena (não dá para querer dormir até às 10h quando ela acordou às 8h....) e o facto de o meu distúrbio de sono estar muuuuuito melhor (já mal sei o que é chegar à cama e demorar horas a adormecer porque agora em 10 segundos apaguei para a vida, uhuh...). Nunca fui mãe de acordar para ver se ela respirava porque nunca foi um medo que verdadeiramente tive e na altura relacionava tudo isto ao facto de a Mini-Tété ainda partilhar o quarto connosco pelo que o meu sono não precisava de ser leve dado que eu acordava sem dificuldades se ela me chamasse logo ali ao meu lado. Estava convencida (e um pouco com medo, admito) que a passagem para o quarto dela nesta nova casa me levasse a dormir pior.

E levou. Na primeira noite. Desde aí, durmo tão profundamente que quando ela me chama, o "Jack-que-dorme-tão-profundamente-que-podia-cair-da-cama-e-continuar-a-dormir" acorda primeiro que eu. Já perdi a conta às manhãs em que ele me diz que a pequenita acordou a chorar, a chamar, que esteve a chorar à porta do nosso quarto, que ele se levantou não-sei-quantas-vezes, e eu...nada. Podia pôr as mãos no fogo em como tínhamos todos dormido maravilhosamente.  Eu, que antes de ser mãe, acordava se uma mosca passasse lá fora ou qualquer coisa caísse na casa dos vizinhos ao fundo da rua. Durmo tão descansada que chego a ter o intercomunicador ligado ao pé de mim (para ajudar a ouvir se ela chamar, mesmo estando ela no quarto logo ao lado do nosso) e nem com ele a acender luzes e a reproduzir a voz da Mini-Tété me faz sequer alterar a respiração.

Quem não acha piada nenhuma a isto é o Jack que passou a ser o bombeiro-de-serviço enquanto eu represento meu papel de Bela-Adormecida-em-Coma. Eu estou convencida que isto é um qualquer alinhamento dos astros e que após ter sido eu acordar primeiro sempre que necessário nos primeiros anos de vida da Mini-Tété, agora o Universo está a recompensar-me e a deixar-me descansar. Eu mereço.

Ponto da situação para quem não me segue no facebook: