4.4.19

Estou viva!

Estou de volta!

Que desgraça, quase um mês sem cá vir. Aposto que já se foi toda a gente embora e que ninguém vai ler isto. 

Ando atarefada, não há outra desculpa. Regressei ao trabalho há quase 2 meses e obviamente a vida do dia-a-dia dá assim uma volta de 180°C, sobretudo quando sabemos numa terça que vamos começar a trabalhar...no dia seguinte. Foi necessário gerir muita coisa em pouco tempo, até porque a Mini-Tété ia à escola apenas 12h por semana e foi preciso inscrevê-la na cantina, no ATL, arranjar solução para as férias que se avizinhavam, e lidar com as várias doenças (e proibição de ir à escola nalguns casos) que a pequenina decidiu ter no mês que se seguiu: teve a sua primeira conjuntivite, uma virose, varicela e a sua primeira otite. Um regresso ao trabalho em bom, portanto. :D

Para além de ter de gerir a adaptação da Mini-Tété a uma carga horária escolar muito maior, novas rotinas e ambientes (e infelizmente a minha filha sai a mim e dá-se muito mal com mudanças, sobretudo assim sem qualquer pré-aviso), tenho de gerir a minha própria adaptação depois de anos sem trabalhar e em casa a cuidar de uma criança (que dá trabalho mas o cérebro não é usado para as mesmas coisas). Nos primeiros dias senti-me completamente burrinha e com problemas de concentração, juro. E parecia aquelas crianças que não conseguem estar sentadas quietas na escola. Quando trabalhava em Portugal, o meu trabalho não passava por estar horas a uma secretária. Em casa, também não o fazia claro. Por isso, estar horas sentada à frente de um computador foi sem dúvida um desafio. :P Isso e não estar a trabalhar na minha área. 

O gabinete de desenho técnico onde o Jack trabalha está com uma pessoa ausente e fui contratada para prestar apoio enquanto a situação se mantém. É algo provisório que tanto pode acabar este mês como manter-se assim mais algum tempo, mas farto-me de aprender e fazer coisas novas, por isso aproveito. :) 

O dia-a-dia de mãe trabalhadora é bem diferente do dia-a-dia de mãe a tempo inteiro mas isso fica para outro post. :)




10.3.19

Eu bem digo que durmo profundamente

Deitei-me. Ferrei-me a dormir. A meio da noite acordei, levantei-me, fui à casa-de-banho, voltei a deitar-me. Começo a ouvir a Mini-Tété a tossir. Mais uma vez. E outra. E outra. Digo ao Jack que vou dar água à pequena e que já volto. Entro no quarto da Mini-Tété e deparo-me com o Jack ferrado a dormir na cama dela.

Ao que parece a Mini-Tété esteve aos gritos, o Jack levantou-se, acalmou-a, deitou-se ao pé dela e adormeceu. Horas depois, eu levanto-me, deito-me e ainda falo com ele sem me aperceber que estou na cama sozinha. Caramba, o homem podia andar a sair todas as noites para ir ter com uma amante que eu não dava por nada.

3.3.19

Eu não durmo. Eu entro em coma profundo.

Sempre ouvi dizer que depois de se ser mãe não se volta a dormir da mesma maneira, o que não deixa de ser verdade porque as pequenas criaturas que parimos nem sempre assimilam perfeitamente o conceito do quão bom é ficar na ronha toda a manhã, levantar às tantas, acordar devagarinho (sobretudo quando, como a minha, saem à mãe e acordam mortas de fome e a exigir alimento imediatamente) e mal o sol nasce já estão prontas para começar o dia (felizmente a Mini-Tété não é para já especialmente madrugadora mas, lá está, mal abre os olhos, diz-me logo duas coisas: "Tenho fome" e "Olha, mamã, já é dia! Vamos levantar!". Aaaargh, saudades da ronha...).
Outra razão que leva as mães (e pais, suponho) a dormir pior é o facto se manterem alerta mesmo durante a noite. Pelo menos foi o que sempre li e ouvi: mães que acordam de noite nas primeiras semanas (meses?) do bebé para ver se ele está a respirar, mães que quase dormem com um olho fechado e outro aberto não vá a cria chamar e mães que se queixam que o sono passou a ser mais leve, mais alerta, menos descansado.

Quando a Mini-Tété tinha um ano e meio, escrevi este texto em que assumia não ter sentido diferenças no meu sono, excluindo claro a adaptação aos horários de sono da pequena (não dá para querer dormir até às 10h quando ela acordou às 8h....) e o facto de o meu distúrbio de sono estar muuuuuito melhor (já mal sei o que é chegar à cama e demorar horas a adormecer porque agora em 10 segundos apaguei para a vida, uhuh...). Nunca fui mãe de acordar para ver se ela respirava porque nunca foi um medo que verdadeiramente tive e na altura relacionava tudo isto ao facto de a Mini-Tété ainda partilhar o quarto connosco pelo que o meu sono não precisava de ser leve dado que eu acordava sem dificuldades se ela me chamasse logo ali ao meu lado. Estava convencida (e um pouco com medo, admito) que a passagem para o quarto dela nesta nova casa me levasse a dormir pior.

E levou. Na primeira noite. Desde aí, durmo tão profundamente que quando ela me chama, o "Jack-que-dorme-tão-profundamente-que-podia-cair-da-cama-e-continuar-a-dormir" acorda primeiro que eu. Já perdi a conta às manhãs em que ele me diz que a pequenita acordou a chorar, a chamar, que esteve a chorar à porta do nosso quarto, que ele se levantou não-sei-quantas-vezes, e eu...nada. Podia pôr as mãos no fogo em como tínhamos todos dormido maravilhosamente.  Eu, que antes de ser mãe, acordava se uma mosca passasse lá fora ou qualquer coisa caísse na casa dos vizinhos ao fundo da rua. Durmo tão descansada que chego a ter o intercomunicador ligado ao pé de mim (para ajudar a ouvir se ela chamar, mesmo estando ela no quarto logo ao lado do nosso) e nem com ele a acender luzes e a reproduzir a voz da Mini-Tété me faz sequer alterar a respiração.

Quem não acha piada nenhuma a isto é o Jack que passou a ser o bombeiro-de-serviço enquanto eu represento meu papel de Bela-Adormecida-em-Coma. Eu estou convencida que isto é um qualquer alinhamento dos astros e que após ter sido eu acordar primeiro sempre que necessário nos primeiros anos de vida da Mini-Tété, agora o Universo está a recompensar-me e a deixar-me descansar. Eu mereço.

Ponto da situação para quem não me segue no facebook:


28.2.19

Eu mereço-a tanto :D

Mini-Tété está de férias e foi pela primeira vez para o « ATL » da escola passar um dia. Quando a fui buscar perguntei-lhe o que tinha sido o almoço. Depois perguntei o que tinha sido o lanche. Disse que não tinha existido. Insisti, perguntando se não tinha ido duas vezes comer à cantina. Garantiu-me que não. Perguntei se não tinha comido nada nas salinhas do ATL. Disse-me que não, que ali era para brincar e não para comer. E que estava cheia de fome. Comecei a ferver, já a pensar na conversa que teria de ter com o ATL, que isto de se deixar crianças de 3 anos sem comer tantas horas não se faz, que se é para levar lanche têm de avisar, que mesmo que não seja a miúda leva lanche na mochila da próxima vez de certeza, era o que faltava não comer nada, eles que se atrevam a dizer seja o que for, paga uma pessoa um balúrdio para este tipo de serviço, não pode ser, e vou dizer-lhes que...
Mini-Tété interrompe-me alegremente os pensamentos:
- E sabes, mamã, a seguir à sesta comi pão nas escadas da cantina! E bebi água mas depois entornei o copo nas escadas sem querer...

Afinal lanchou. Não na cantina, não nas instalações do ATL, mas sim no recreio. Tão literal como eu e o meu pai. Eu mereço isto. 

9.2.19

Ausência (mas será curta, espero!)


A vida deu uma volta de 180°C esta semana, a Mini-Tété decidiu ficar doente e faltar toda a semana à escola, eu e o Jack também andamos com umas viroses quaisquer e eu ainda estou um bocado azamboada (quem conhece a expressão? :D ) com tudo isto, à procura de novas rotinas, logísticas e calma. Ando um bocadinho desaparecida daqui mas eu volto, prometo!  

1.2.19

Não sei qual de nós dois é o pior.

Na quarta-feira, o Jack diz-me:
- Tens de ir às compras amanhã!
- Porquê? (perguntei eu enquanto lhe deitava um olhar assassino porque já tinha dito 5548562 vezes que não ia às compras esta semana por causa da neve e do gelo e era o que faltava sair de casa nestas condições com o carro. Até podia ter acabado o papel higiénico que eu nem queria saber!)
- Porque na sexta-feira a Nutella vai aumentar de preço.

Sou uma fraca.



28.1.19

Preciso de dicas!

A Mini-Tété herdou o meu cabelo fininho, com uma enorme tendência a fazer nós. Pior, para sofrer mais do que eu sofri na infância (ao ponto da minha mãe ter inventado que havia uns duendes que tinham como trabalho dar-me nós no cabelo durante a noite, coitadinhos, não tinham culpa, era a vida...), a pequena tem caracóis, enquanto que eu na altura tinha o cabelo liso (e sabe-se lá como agora é a selva que é, cheio de jeitos, caracóis e ondas).
E isto é uma treeeeta. Eu adoro os caracóis da pequena, gosto mesmo, mas o berreiro que é desembaraçar aquele cabelo é de partir o coração a qualquer um e quase que dá vontade de atirar a toalha (ou a escova, neste caso) ao chão e desistir. Mas não pode ser porque se uma pessoa desiste, horas depois ainda está pior. E a pequena não é fiteira, até colabora e deixa ser penteada mas uma pessoa mal põe a escova, esta fica logo lá presa sozinha sem mexer um centímetro e percebe-se então que vai ser impossível desembaraçar aquele cabelo sem parecer uma tortura.
Por isso, preciso de dicas.
A escova que uso é uma Tangle Teezer, porque descobri que é aquela que nos desembaraça melhor o cabelo com menos dor. Ponho-lhe um spray desembaraçante mas aquilo não faz milagres. Já cheguei a pôr-lhe o meu óleo de cabelo (que me ajuda muito nos nós) mas também não faz com que penteá-la não pareça uma sessão de tortura. Ponho-lhe condicionador ou máscara nas pontas e tento desembaraçar no banho mas mesmo assim parece que nada desfaz aquele ninho de ratos sem provocar dor.
Portanto, malta com caracóis, cabelo fino ou com grande tendência a fazer nós, dêem-me dicas!

27.1.19

Olá 2019

Eu sei, eu sei, também acho estranho estar só agora a pensar nos desejos de 2019 estando já o primeiro mês a acabar, mas também Janeiro é um mês que passa tããããooo devagar que quando finalmente chegarmos a dia 31, este post vai-vos parecer ter sido lido há semanas.
Ora vamos lá então à lista de 12 desejos sem qualquer ordem de importância:

1. Recuperar elasticidade/flexibilidade.
É terrível dizer isto aos 34 anos mas nos últimos anos senti uma clara falta de flexibilidade, coisa que no último ano começou realmente a incomodar-me. Em coisas absolutamente simples, como estar no carro e rodar o pescoço e o tronco para ver pelo vidro traseiro e sentir uma certa tensão, como se estivesse perra. Ou esticar-me para alcançar qualquer coisa e sentir que os músculos não esticam tanto como esticavam. Por isso, a ver se faço alguns exercícios ao longo do ano, com calma, para alongar estes músculos e voltar a sentir-me melhor.

2. "Acabar" a casa.
Escrevo assim "acabar" entre aspas porque há planos para esta casa que não serão feitos este ano, sobretudo na parte exterior. Mas gostava de ter o interior feito e acabado quando chegasse ao fim deste ano. 

3. Apostar no lado profissional.
É preciso dar este passo, ainda não sei muito bem o quê porque os meus objectivos mudaram desde que vim para França, mas está na altura de descobrir.

4. Mini-Tété de volta ao horário escolar completo.
Agora que finalmente deixou de ver a escola como um bicho-papão, que entra de mão dada com uma amiguinha, que sai feliz, gostava de voltar a aumentar o horário. Preciso de tempo para mim, para os meus objectivos, para ser a Tété que não é apenas mãe. E para conseguir concretizar o ponto 3, preciso de facto que a Mini-Tété passe mais tempo na escola do que as 12h semanais que passa neste momento. E para que depois não haja uma mudança brusca, o melhor será aumentar aos poucos.

5. Ver mais filmes e séries.
Preciso de me sentar no sofá com o Jack, depois do jantar, com a Mini-Tété a dormir, e vermos filmes e séries, como tanto gostamos e como temos feito tão pouco.

6. Gerir-me melhor economicamente.
Acho sinceramente que sou uma pessoa poupada, que sabe organizar-se bem monetariamente, mas também consigo identificar perfeitamente as três vezes ao longo da vida em que me desnorteei com o dinheiro, em que a gestão não foi grande coisa, em que a cabeça não estava devidamente concentrada ou não havia condições para tal. E acho que em 2018 entrei (ou entrámos) numa fase dessas, por isso queria que em 2019 voltássemos a tomar devidamente as rédeas das nossas finanças.

7. Cozinhar pratos mais saudáveis.
Ando a sentir alguma necessidade de comer melhor, de aprender pratos novos e não fazer sempre os mesmos pratos e cometer sempre os mesmos erros.

8. Sair da gruta.
Sou um "bocadinho" anti-social, tenho as minhas pessoas e sinto que não preciso de acrescentar mais ninguém ao meu mundo. Mas agora a entrada da Mini-Tété na escola tem-me feito conhecer e contactar obrigatoriamente com outras pessoas e acho que devo realmente fazer o esforço de não me afastar.

9. Treinar o meu francês.
Que anda péssimo, ali pelas ruas da amargura, uma pessoa até tem vergonha de abrir a boca. Mas depois é "voluntária à força" nos jogos de sociedade semanais com os coleguinhas da Mini-Tété e é obrigada a falar não só com os adultos que ali estão como com as crianças ( e de modo a que estas me percebam e respeitem). E pronto, vai-se treinando assim, mesmo que depois tenha uma mãe simpática a perguntar-me se sou alemã dado o meu forte sotaque (e a minha aparência claramente pouco latina).

10. Perder peso.
Este desejo tem lugar cativo na minha ordem de desejos todos os anos, paga as suas quotas a tempo e horas e é um desejo fofinho que me incomoda pouco durante o ano e que só aparece no fim para me relembrar que mais uma vez não o cumpri. Mas este ano dava mesmo jeito, até porque melhoraria uma pequena questão de saúde.

11. Continuar a destralhar.
Nesta casa temos mais arrumação, mas ainda assim sinto que tenho coisas a mais (tipo roupas que já não uso há tantos anos que nem me lembro da última vez que a vesti) e desnecessárias. Ainda ontem fiz uma boa limpeza ao meu armário e tenho ali um monte de roupa para dar mas acho que brevemente ainda vou dar uma segunda volta. A verdade é que quando nos mudámos, fiz uma mala para 7 dias para não andar à procura de roupa em caixotes e outras malas, e tenho-me aguentado basicamente com essa mala (vou lavando e usando, claro), o que prova que não preciso claramente de tooooda a roupa que estava empacotada.

12. Saúde. Muita saúde.
Eu continuo a aguardar pacientemente que a Mini-Tété comece a trazer as maleitas escolares (é que não é que elas não andem por lá, a turma já esteve reduzida a metade à conta das gastroenterites, bronquites e maravilhas destas) mas a pequena lá vai passando ilesa. Estou convencida que quando se fartar, vão ser umas atrás das outras, e eu que me lixe a tentar gerir isso. Mas enquanto isso, muita saúde para ela, para nós, para a família e para todos.


26.1.19

Adeuzinho (atrasado), 2018!

Eu sei que vocês já estão todos em 2019, que 2018 já lá vai, que já mal se lembram dele, que até parece que já se passaram meses, mas com a mudança de casa não tive hipótese de fechar aqui o meu 2018 e escrever os meus objectivos para 2019, que é coisa que eu gosto sempre de fazer e que me anda aqui entalada desde dia 1 de Janeiro. Ora portanto, vamos lá rever o ano de 2018:

Pessoalmente, achei que foi o ano mais rápido de sempre. Não digo que uma vez por outra não tenha já tido esta sensação mas acho que nunca como este ano. O tempo passou tão depressa que dei por mim em Junho a pensar "Ai, tenho de tratar de coisas para o baptizado da Mini-Tété". Que tinha já ocorrido no mês anterior. Em Maio, portanto. E foi aí que percebi que metade do ano já lá ia, que tinha passado tudo tão correr que eu não tinha conseguido absorver nada do que estava a acontecer. Achei que a segunda metade do ano ia ser mais lenta até que dei por mim em Novembro sem saber muito bem como é que tinha chegado ali. Puf, fugiu-me assim um ano inteiro entre os dedos e eu não sei bem como.
Foi também um ano importante: o meu último ano como mãe-a-tempo-inteiro-com-a-criança-em-casa-a-tempo-inteiro; foi o ano em que baptizei a Mini-Tété no mesmo mosteiro onde eu fui baptizada e onde casei, uma cerimónia simples seguida de um almoço simples para a família mais próxima, tal como eu queria; foi o ano em que a Mini-Tété entrou na escola, com uma adaptação complicada que levou a uma redução de horário escolar e que este ano pretendo aos poucos que volte ao normal; foi um ano de mudança laboral para o Jack; foi um ano de 2154852 atrasos na nossa casa e a minha pequenina fez 3 anos.

Quanto à lista dos meus desejos para 2108 (podem lê-la aqui), vamos lá ver como me saí.

1. Mudar de Casa 
Ahahahahahah. Pois, já cá estamos mas a mudança foi mesmo em 2019.

2. Baptizar a Mini-Tété
Feitinho e bem feitinho, sim senhor. Foi um dia muito agradável, a pequenita odiou terem-lhe molhado a cabeça e ainda fala disso quando olha para o mosteiro, e mais uma vez foi óptimo ter a família reunida.

3. Mini-Tété vai entrar na escola.
Entrou de facto, não houve problemas a esse nível. 

4. Que ela goste da escola.
Nhé. Quer dizer, agora já posso dizer que gosta, mas ao início não gostou. Odiou mesmo. Não ajudou nada ter começado com o horário completo em vez de reduzido como eu queria, mas teve sorte com a educadora que tem e acho mesmo que houve verdadeiro interesse em fazê-la gostar de lá estar.

5. Perder peso.
Não vamos falar disto. Uma pessoa tem direito a estar em negação.

6. Destralhar.
Bom, não destralhei taaaaanto quanto queria, até porque como empacotámos tudo em poucos dias, não houve propriamente tempo para analisar calmamente os pertences, mas agora que vou tirando das caixas e arrumando algumas coisas, continuo a destralhar. Mas vá, o processo começou em 2018 por isso acho que se pode dizer que consegui.

7. Arranjar emprego.
A Mini-Tété lixou-me este plano ao ter reduzido o horário escolar para uma melhor adaptação. Admito que me custou adiar mais uma vez esta procura mas também sei que saber que estava disponível nesta fase da minha filha compensa tudo o resto.

8. Fazer mais saídas a dois.
Bahhhh, teria sido giro se não houvesse a construção de uma casa a roubar todos os bocadinhos de tempos livres.

9. Que tenhamos todos saúde.
Ora foi um bom ano, sim senhora. Os velhinhos da família andam a portar-se bem e a Mini-Tété surpreendeu-me. Depois de praticamente 3 anos a viver comigo, estava convencidíssima que ao chegar à escola seria uma verdadeira esponja de todas as doenças que por ali circulassem. Afinal, fora as viroses que sempre foi tendo desde que nasceu (muito à base de nariz entupidos e tosse que passam com o tempo), ainda não trouxe nada de novo. Nem otites, nem amigdalites, nem gastroenterites, nem bronquiolites, niente (deixem-me cá bater na madeira). Teve ali em Abril uma infecção urinária que a levou a ficar internada e a tomar antibiótico pela primeira vez mas foi tranquilo e resolveu-se.

10. Aproveitar bem este último ano em casa.
Quis aproveitar ao máximo o último ano da Mini-Tété em casa e acho que consegui. Continuo a achar que não nasci para ser mãe a tempo inteiro mas também sei que se era esse o meu papel, então tinha de fazer o melhor que podia e aproveitar o melhor que podia, também porque o tempo não volta atrás e a Mini-Tété não volta a ter esta idade.

11. Aprender a fazer novos pratos.
Nhé. Ou pelo menos não tanto como gostaria.

12. Focar-me.
Não. De todo. Continuo a sentir-me perdida. Talvez porque precise de ordem para me focar e ainda há uma série de coisas à minha volta que não estão como deviam.

Cinco concretizados contra sete não concretizados. Ainda assim, sinto que foi um bom ano, talvez porque algumas das coisas que concretizei fossem mais importantes do que outras não concretizadas. E talvez porque, mesmo tendo havido chatices e tristezas ao longo do ano, ele acabou bem, com alguns dos problemas resolvidos e isso faz com que sinta alguma paz em relação a este ano tão apressado. 

23.1.19

Não me volto a meter numa destas!

O dia até tinha começado a correr bem e enquanto a Mini-Tété estava na escola, reparei que estava a começar a nevar. Fiquei contente porque a pequenina andava cheia de vontade de ver neve e desejei que ainda nevasse quando a fosse buscar para podermos apreciar juntas esse fenómeno. Mas eu já devia saber, quantas vezes é que eu já aqui escrevi que o São Pedro não gosta de mim, quantas, quantas? Se peço sol, manda chuva, se penduro a roupa, chove no minuto seguinte, se peço um pouco de neve, manda-me uma tempestade dela. Não o suporto.
Saí de casa, contentinha da minha vida, a ver a neve e a pensar que a Mini-Tété devia estar a delirar, e mal entro na estrada, o carro foge do meu controlo e vai de descer rua abaixo aos S, comigo completamente em pânico, a pensar que só poderia acontecer uma de três coisas: ou me enterrava numa valeta, ou me espetava contra uma árvore ou entrava a direito pelo campo de vacas que existe ao fundo da rua e ainda acabava com uma sentada no banco do passageiro. Sem saber muito bem como, não aconteceu nada disto e ao fim de umas centenas de metros sempre a deslizar lá controlei minimamente o carro e fui buscar a Mini-Tété. Claro que cheguei à escola num estado de nervos que nem vos conto, ao telefone com o Jack a tentar saber o que fazer da minha vida porque voltar pela mesma estrada seria um suicídio certo. Apanho a miúda e num momento claro de loucura decido apanhar outra estrada, contornando e esquivando-me de carros bloqueados e que deslizavam estrada fora. E o que é que aconteceu, o que foi, o que foi? Pois, o meu carro bloqueou também. Mas não bloqueou num sítio qualquer, não, isso teria sido simples, bloqueou atravessado numa curva apertada numa estrada bem inclinada sem qualquer visibilidade para os carros que desciam. Não vale a pena esconder que aqui os meus nervos já estavam tão picadinhos que duvido que algum dia se restabeleçam e que quase entrei em histeria quando de repente um camião enorme surge a descer na curva. Isto com o Jack sempre em alta voz, coitado, a tentar dar indicações às cegas à mulher que não foi propriamente abençoada com um grande jeito ao volante em situações extremas. Oh, e como nevava, raios partam o São Pedro!
Lá consegui fazer inversão de marcha e fui estacionar o carro na terra da escola da Mini-Tété, que é uma terra pequena sem grandes serviços. Procurei o café/restaurante para poder dar comida à Mini-Tété mas a cozinheira tinha ido embora com a neve e não tinham mais nada para servir, nem pão. Encontrei a padaria e tive a sorte de comprar a última baguette. Vi passar o limpa-neves duas vezes mas a estrada voltava a ficar coberta ao fim de uns minutos pelo que voltar a pegar no carro estava fora de questão. Esperar no carro que a neve acalmasse não me seduzia porque não estava previsto que a neve abrandasse e passar horas num carro com uma miúda de 3 anos, sem ter a certeza que conseguiria regressar a casa a conduzir ou que o Jack conseguisse chegar até mim não me estava a convencer. Por isso, peguei na mochila com uma muda de roupa da Mini-Tété, no resto do pão, uma manta e expliquei à Mini-Tété que teríamos de ir a pé para casa. E foi aqui que a minha pequenina, corajosa até então, quebrou. A fome, o frio, o sono e o cansaço de andarmos na neve de um lado para o outro foram demais para ela e só eu sei o que me custou fazer os poucos quilómetros no meio da neve, com os óculos sempre molhados, com ela ao colo a cantar-lhe músicas, a tentar distraí-la e a prometer que hoje veria os desenhos animados todos que quisesse e comeria todo o pão com nutella que quisesse (e foi realmente o almoço dela que isto um dia não são dias), a gerir o cansaço das duas, o medo que ela estava a sentir e o meu receio que algum carro deslizasse para cima de nós ou que escorregássemos e nos magoássemos. A certa altura, parou uma senhora ao pé de nós que me perguntou se queríamos boleia e eu nem pensei duas vezes. Eu, que sou a stressadinha com a segurança da Mini-Tété dentro do carro, atirei com a miúda para dentro do carro de uma desconhecida, sem cinto de segurança, sem cadeira, nada. Infelizmente, dado o estado da estrada, a boleia só durou uns metros mas ajudou a descansar um pouco.
Eu sei que para quem vive em terras onde neva todos os anos, deve estar mais do que habituado a estas coisas e tudo isto deve parecer quase corriqueiro (estou aqui a pensar numa amiga que vive na Guarda, por exemplo), mas eu não fui feita para isto e tenho mesmo a certeza que se estivesse sozinha não teria sido tão difícil como foi por ter a minha pequenina comigo. Isto de sermos mães tem muitas coisas boas, mas durante aquelas duas horas que passaram até chegarmos a casa (geralmente demoramos 5-10 minutos de carro), com o carro a patinar, bloqueado, procurar comida para ela e depois a viagem a pé, acho que o meu coração parou com medo de um acidente que a magoasse.
Enfim, primeiro dia de neve do ano e eu já não a posso ver à frente. E não me voltam a apanhar numa destas porque a partir de agora mal veja um flocozinho de neve que seja, envio logo um e-mail à escola a dizer que não estão reunidas as condições necessários para levar a Mini-Tété. Até podem fazer 30°C logo a seguir, com um sol maravilhoso, que a mim ninguém me arranca de casa.
A única parte boa de tudo isto (para além de chegarmos vivas a casa e com as duas perninhas inteiras) é que ainda tirei umas fotografias.


[toca a subir!]


16.1.19

Ponto da situação

Caos. É a palavra que melhor define os meus dias neste momento. E a minha casa. Isto de fazer mudanças com uma criança de 3 anos para uma casa que ainda está em obras é de deixar qualquer um de cabelos em pé porque basicamente agora vivemos no meio de caixotes, caixotes esses com coisas que eu não arrumo porque os móveis ainda não estão montados ou porque ainda vão andar a passear-se graças às obras e quanto mais leves melhores. E há pó por todo o lado. E uma criança a adaptar-se ao quarto novo, eu a adaptar-me a uma casa com escadas (coisa que nunca quis), ela com metade dos brinquedos ainda por arrumar, eu às aranhas na cozinha que foi arrumada por outros e não por mim, e os três ainda a adaptarmo-nos aos novos horários e rotinas. E andamos assim numa mistura de contentes e confusos.

A Mini-Tété regressou à escola sem chorar, o que é uma vitória das grandes. Vá, um beicinho ou outro e um choro no primeiro dia depois da minha sessão de jogos de sociedade na turma dela. Este fim-de-semana teremos o George cá em casa, que é a mascote de peluche da escola dela e que traz uma mala e um diário, e a quem é suposto ensinarmos a fazer qualquer coisa, tirar fotografias e descrever o fim-de-semana. Ora o George já aprendeu a andar de bicicleta, a fazer biscoitos, a saltar no trampolim...Uma vida de luxo para um cão de peluche, é o que é. Nós ainda estamos a ponderar o que fazer mas se calhar o George vai aprender palavras em português que é um mimo. 

Dia 4 a nossa máquina de lavar a louça avariou. À noite, o Jack pediu-me para procurar a factura para ver se ainda estávamos na garantia. Adivinhem quando é que a garantia acabava, adivinhem? Dia 4, pois claro. Tivemos sorte porque a factura tinha sido carimbada  em como foi entregue dia 11 e a loja cobria a garantia até 2 anos após a entrega. Máquina arranjada.

A Mini-Tété está a puxar por nós e nós estamos naquele limbo entre pô-la na linha e compreender que foram muitas mudanças em pouco tempo: esteve em Portugal com a atenção dos avós e bisavós o tempo todo, regressou a França onde o pai regressou logo ao trabalho e a mãe andou ocupada a embalar a casa toda, mudança de casa e logo a seguir entrada na escola, um quarto novo, novas rotinas, a somar ao estado da casa e ao ar confuso dos pais. A minha pequenina ainda usava chupeta para adormecer e quando comprámos a última avisámos que era mesmo a última. E fomos avisando e avisando até que a chupeta rasgou dias antes da mudança. Fomos coerentes e não comprámos mais nenhuma mas calhou realmente numa altura péssima. 

E é isto. Estou desejosa de mostrar mais pormenores desta casa mas só depois de algumas obras estarem feitas, móveis no sítio e caixotes arrumados. 


10.1.19

14 anos

A brincar, a brincar, vai-se a ver e já passaram 14 anos desde que naquela tarde ele me disse, numa tentativa falhada de me tranquilizar de que não apressaria nada, que "Não te preocupes, não te vou pedir em namoro para já". Devo ter ficado de todas as cores, era o que me faltava estar metida numa amizade colorida. Ou aquilo era a sério ou então não queria brincar mais. Por isso pouco depois, no mesmo sítio onde viria a ser pedida em casamento 9 anos mais tarde, perguntei-lhe se queria namorar comigo, a rir-me com os nervos. Bom, a rir-me de tal maneira que ele quis confirmar que eu estava mesmo a falar a sério. 

Eu não sei muito bem como é que já passaram 14 anos. Como é que nestes 14 anos conseguimos enfiar um namoro de 10 anos e um casamento de 4 anos, alguns anos a viver em cidades diferentes, um ano a viver na mesma cidade, um ano comigo a viver em França e ele em Portugal para depois trocarmos e ele passar 3 anos em França e eu em Portugal, um casamento, uma gravidez, uma filha e a construção desta casa. Este ano, este aniversário sabe-me ainda melhor por estarmos aqui, no meio do caos que uma mudança recente de casa traz, sobretudo para uma casa ainda em obras, mas que é uma casa pela qual tanto lutámos nos últimos anos. Dizem que as duas coisas que mais abalam um casal é ter um filho e construir uma casa, e nós decidimos meter-nos a fazer ambas as coisas ao mesmo tempo, num claro momento de loucura. É sem brincar que digo que esta casa foi feita "a sangue, suor e lágrimas" e que ainda hoje comentava com o Jack como é bom estar aqui com ele, a festejar este aniversário de namoro, porque houve momentos neste processo de construção em que abanámos de tal maneira que por momentos temi que não chegássemos aqui. Mas chegámos, como chegaremos sempre, a qualquer lado. Porque há 14 anos eu sabia que queria aquele rapaz só para mim e hoje continuo com a mesma certeza que quero que ele continue comigo nesta aventura que é a vida. E de mão dada. Sempre.

31.12.18

Adoro as casas dos outros, despojadas e arrumadas, como a minha nunca será

Não tenho qualquer jeito para decoração, sou verdadeiramente uma naba, para mim qualquer coisinha está bem, gosto de quase todos os estilos, e mesmo que haja ali qualquer coisa que não me encha as medidas, não consigo perceber se é um questão de proporção, de número de elementos, de cor, de luz, sei lá eu. Uma naba, já o disse.
Por isso, acho imensa piada ver as casas dos outros, numa fraca tentativa de aprender qualquer coisa, e adoro aqueles programas de "remodelação total" ou vídeos no youtube tipo "tour pela minha casa". Babo-me por aquelas casas com estilo escandinavo, minimalista ou simplesmente com pouca tralha. Gosto mesmo do ar limpinho, despojado, arrumadinho, cores neutras, muito branco, e penso que se tivesse de escolher uma casa já decorada para mim , seria uma assim. Mas depois também não há vez nenhuma em que não me venha o pensamento de que logo no primeiro dia encheria a casa de coisas que ficariam para ali a ocupar espaço e a tropeçar-me nos pés, como já acontece.
Ainda há umas semanas, estava a ver o vídeo de uma casa, liiiinda, decoração óptima, tudo muito clean e confortável, casa pequena e com pouca tralha, e saltou-me logo a pergunta "Mas onde é que está o aspirador?". É daquelas coisas que, a não ser que casa tenha imensa arrumação escondida, caves, anexos, garagens ou sótãos que não são mostrados (sim, sim, porque ter uma divisão destas à parte onde esconder toda a tralha faz uma enorme diferença), me salta logo à vista: "Onde está o aspirador?", " Se eu vivesse ali, onde é que punha os meus livros todos?", "E onde estão os casacos?", "E as malas de viagem???", "E a tábua de passar a ferro?", "E o balde e a esfregona?", "E não há DVD's, CD's, nada?", "E o cesto da roupa suja?", etc, etc, etc. Pronto, já perceberam a ideia. Adoro aquelas casas, mas não sei onde é que guardam estas coisas que a mim me ocupam mais espaço do que aquele que gostaria, para além de sentir quase sempre que falta ali um toque mais pessoal e personalizado (umas fotografias, ou um gosto evidenciado pela leitura, pela arte, pela música, qualquer coisa...). 
É que eu até poderia dizer que a minha casa está atulhada de coisas da Mini-Tété (que está, uma pessoa quer ser poupadinha e guardar tutti tutti para um eventual futuro filho e já não sabe onde inventar espaço para guardar tanta coisa), ou do Jack que anda claramente a tentar fazer carreira como acumulador (é incapaz de dizer que não a qualquer coisa dada, nem que seja "Olha, estou a ver se me desfaço dos 25485425 dossiers vazios e estragados que lá tenho em casa, queres?". É que até lhe brilham os olhinhos enquanto me enche a casa de coisas que os outros não querem), e até mesmo coisas minhas que sou assim um bocado sentimentalista e me recuso a separar-me de um dos 54857 livros, e que guardo to-dos os postais semanais que a minha avó e a minha mãe mandam à Mini-Tété (que tem 3 anos, podem fazer as contas...), mais os de Natal, aniversários, etc, que faço álbuns de fotos, que colecciono cadernos onde nunca escrevo porque são demasiado bonitos, que tenho ali uma pilha de 548756 puzzles (com caixas muito mal concebidas, senhores, tanto espaço interior para pecinhas daquele tamanho!), enfim, tudo isto ocupa espaço, mas aquilo que me intriga meeeeesmo nas casas clean dos outros é mesmo onde é que está toda a tralha doméstica que parece estar sempre a ocupar-me demasiado espaço. 

(E uma pessoa anda a empacotar noite e dia, sente que a casa continua basicamente na mesma porque para onde quer que olhe continua a ver coisas por arrumar, e só pensa "Mas como é que aquela malta faz?". É que eu estou em processo de "destralhanço", vou-me livrando de coisas, mas mesmo assim parece que vive uma família de 12 pessoas nesta casa, pela quantidade de coisas que temos e não estou a ver como é que vai ficar tudo arrumado na casa nova. Nitidamente, está a falhar-me qualquer coisa) 

28.12.18

Não parece mas estou viva :)

Ando completamente desaparecida mas por boas razões. Fomos passar o Natal a Portugal, para onde não levei o computador e onde me desliguei o mais possível do telemóvel. Passamos tão poucos dias com a família, que cada minuto tem de ser bem aproveitado. E foram férias tããããão booooooas! Rever alguns amigos (nunca dá para ver todos infelizmente), abraçar a família, ir duas vezes ao cinema ("Bohemian Rhapsody" - adorei - e "Assim nasce uma estrela" - nhé...), ler um livro de 700 páginas (isto de ter os avós a entreter a neta dá tanto jeito para a mãe ler um livro inteiro), voltar aos restaurantes favoritos, comprar as últimas prendas de Natal, passear, cortar um palmo de cabelo (99% do tempo adoro, 1% do tempo penso que raio fui eu fazer), apanhar sol, dormir, jogos de cartas até às tantas, estar na conversa com a mãe até às 4h da manhã, enfim, só boas memórias e o coração cheio de mimo.

A Mini-Tété adorou, claro, e hoje já me perguntou quando é que voltamos a Portugal. Foi aos parques, teve a atenção dos avós e bisavós o tempo quase todo, brincou com amigos e primos, comeu arroz de marisco, arroz de polvo, roubou o esparregado do prato da avó, brincou na praia, andou na trotinete que os tios e primos lhe deram, maquilhou a bisavó (base, baton, lápis de sobrancelhas, tudo) que corajosamente saiu à rua assim maquilhada, leu histórias, foi ao café, provou bolo-rei, comeu o bacalhau que a minha avó fazia e que o meu avô aprendeu a fazer da mesma maneira, comeu caldeirada de peixe, litros de sopa e 548547652 mangas, não gostou de diospiros, comeu como se aqui não lhe déssemos de comer e dormiu bem pior do que dorme por cá, mas fez sestas de 3 horas que causavam inquietação à bisavó. Dormiu toda a viagem para Portugal (ma-ra-vi-lho-so) e veio acordada toda a viagem para cá, num voo já com um atraso de 1h30 (na-da ma-ra-vi-lho-so), deu de comer às galinhas, fez festas a gatos, e tantas outras coisas que acho que até cresceu uns centímetros.

E agora tenho malas para arrumar, roupa para lavar e toda uma casa para empacotar. Ano novo, casa nova. Vamos lá. Até 2019 e entrem neste novo ano com o pé direito. :)

12.12.18

Coração de mãe apertadinho

Há umas semanas uma amiga perguntava-me se ao fim de alguns anos, o controlo reforçado de segurança na entrada de certos espaços se tornava algo normal para nós. Respondi-lhe que não. Pelo menos para mim, ainda que já quase tenha o reflexo de abrir a carteira e a mostrar quando entro num centro comercial ou num hospital. Continuo a estranhar, continua-me a fazer confusão, continuo a não gostar de ser relembrada da razão pela qual estas medidas são necessárias.
No início do ano lectivo, tivemos uma reunião de pais na escola da Mini-Tété onde, entre outras coisas, se falou de alguns exercícios de segurança que iriam ser feitos. Pensei logo: ensinar as crianças sobre o que devem fazer em caso de incêndio e terramoto. Falhei por pouco. Um dos simulacros é de facto o que devem fazer em caso de incêndio, o outro é o que devem fazer em caso de invasão/atentado à escola.
Fiquei estarrecida. 
Foi-nos explicado que dada a idade das crianças, não lhes é verdadeiramente dito o sentido do exercício mas que lhes é na mesma ensinado o que devem fazer através de um jogo. Custou na mesma ouvir. A Mini-Tété entrava na altura na escola com 2 anos e a última coisa que uma mãe quer ouvir é que vai ser treinada para a eventualidade de um intruso invadir a escola. Tenho acompanhado mais ou menos o exercício que têm feito, muito à base da história dos 3 porquinhos, em que ensinam as crianças a esconderem-se do lobo, colocando-se debaixo das mesas e não fazendo barulho. Num dos e-mails com fotografias semanais das actividades escolares, lá estão estão elas escondidas debaixo das mesas. Um murro no estômago. Acredito que não fará confusão a todos os pais, se calhar até mesmo à maior parte, mas a mim faz. Esta semana, fomos avisados que se vai realizar o exercício final, uma vez que dado o "contexto actual de uma ameaça terrorista persistente, convém assegurar que cada um desenvolve reflexos específicos à situação de invasão no estabelecimento de pessoas exteriores com o objectivo de cometer um acto terrorista", e que devemos sensibilizar as crianças para que tentem cumprir o exercício eficazmente.
A Mini-Tété tem 3 anos e anda a aprender a reagir em caso de atentado. E eu só penso que raio de mundo é este em que a tive. Preferia que aprendesse o que fazer em caso de terramoto...

Mini-Tété, a rebelde dos exercícios escolares

Recebemos por estes dias o caderno de actividades da Mini-Tété, onde pudemos contemplar alguns dos trabalhos que a nossa pequenina tem feito nas últimas semanas, entre colagens, desenhos, carimbos, pinturas, e outros que tais. 
Num dos exercícios propostos, inspirado na história dos Três Porquinhos, estavam 3 casas desenhadas num papel, devidamente numeradas, e era suposto as crianças colarem um porquinho na casa com o número "1", dois porquinhos naquela que tinha o número "2" e 3 porquinhos na que estava marcada com um "3". Num qualquer rasgo de criatividade, a Mini-Tété tinha colado um porquinho dentro de cada casa e empoleirado os restantes 3 em cima dos telhados. Ao tentar explicar-lhe o que deveria ter sido feito, a Mini-Tété decidiu elucidar-me:
- Sabes porque é que eu pus estes porquinhos em cima do telhado, mamã? Porque assim quando o lobo chegar não os vê dentro de casa. Estão muito bem escondidos, não estão?

Adoro-a. :D 

10.12.18

Um telefonema e a vida muda

- Quem diria que um telefonema iria mudar a tua vida para sempre, não é?
- Sim. E ainda bem que liguei. 

Faz hoje 14 anos que o Jack me ligou depois de oito anos de ausência e um namoro de crianças. Faz hoje 14 anos que tive de me sentar quando percebi quem é que me estava a ligar. Faz hoje 14 anos que achei que ele estava a querer marcar um jantar de turma com ex-colegas quando na verdade só queria jantar comigo. Faz hoje 14 anos e eu ainda me lembro tão bem daquele momento. Porque foi ali que tudo começou. Ainda bem que ele ligou.

9.12.18

Jesus birrento

A caminho de casa, passamos por uma igreja e a Mini-Tété exclama:
- Que casa tão grande!
- Não é bem uma casa, é uma igreja.
- Não é uma casa?
- Bom, sim, também é uma casa. É a casa de Jesus. [a avó tinha-lhe falado disto há pouco tempo]

Silêncio, achei que tinha adormecido. Minutos depois:
- Mamã, e Jesus está em casa ou anda por aí fora?

Ahahahahahahahahahah, achei que explicar o conceito de "omnipresença" era demasiado para uma miúda de 3 anos pelo que reverti a situação e perguntei-lhe onde achava ela que ele estava. E fiquei a saber que Jesus estava na escola, preferia comer em casa do que na cantina e faz birras para dormir a sesta. :D

7.12.18

Dezembro pouco natalício

Este é capaz de ser o ano com menor espírito natalício de seeeempre. Pensando bem, acho que senti o mesmo quando vim morar para França, faz agora 6 anos. É o que dá fazer mudanças de casa em plena época natalícia: em 2012 tínhamos este apartamento em pantanas, com caixas e malas por todo o lado e a última coisa em que pensámos foi em decorá-lo para o Natal, até porque o íamos passar a Portugal; e agora é quase a mesma coisa: temos o apartamento em pantanas, com caixas, roupa em montes para dar, coisas para triar, desarrumação total, temos a casa nova a ficar habitável mas ainda muito desarrumada e em obras, pelo que não faz sentido estar a tirar as decorações de Natal para logo a seguir ter de arrumar novamente, até porque também este ano vamos passar o Natal a Portugal. Por isso é estranho ver as ruas a começarem a ter as luzes de Natal, as casas iluminadas, a Mini-Tété a decorar a escola e eu nem o presépio tirei da caixa. É como se toda a gente soubesse que é Natal menos eu, mas ainda assim já tratei de algumas prendas de Natal e outras já estão pensadas.

Estes dias têm sido caóticos, as obras na casa nova estão a avançar a todo o vapor para ver se nos mudamos ainda este ano - nem que seja no dia 31 de Dezembro :D - mesmo que nem tudo esteja finalizado, a Mini-Tété deixou finalmente de chorar ao entrar na escola (esta semana!), claro está que daqui a menos de 2 semanas está de férias e eu depois quero ver como é que vai ser o regresso..., hoje teve direito a ver um espectáculo oferecido pela Câmara Municipal e veio satisfeitíssima porque a bruxa lhe disse adeus, depois de uma fase mais threenager, agora andamos mais calmas (sim, eu também porque se tenho pouca paciência para adolescentes, muito menos tenho para uma adolescente num corpo de miúda de 3 anos) e só me apetece dar-lhe abracinhos a toda a hora.

Definitivamente, a era do papel está a acabar e eu andei grega à procura de postais de Natal para enviar mas só vi de passagem numa loja e não tenho oportunidade de lá voltar, por isso a todos os amigos e família que costumam receber religiosamente e ansiosamente os meus postais, este ano vou falhar (até porque o caderno com as vossas moradas está enfiado num qualquer caixote desta casa). Ando aqui consumida em remorsos porque gosto verdadeiramente de enviar postais e do carinho com que o faço, mas realmente este ano não tenho tempo para o espírito natalício. Mas para o ano, volto a enviar, prometo!

E agora devia estar a enfiar a minha vida em caixotes porque o meu belo plano de "faço uma caixa por dia para não ficar tudo para o fim" foi-se embora com a água da chuva e basicamente tenho os mesmos caixotes de há 2 meses, por isso agora ou deito as mãos ao trabalho ou não vou destralhar nada e terei de me limitar a enfiar tudo o que está nesta casa em sacos e caixas e levar para a nova sem pensar muito no que estou a fazer (e eu não quero isto!).