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25.6.18

Uma hora na escola

Este sábado tínhamos agendada a visita à Maternelle (jardim-de-infância), onde passaríamos cerca de uma hora, inseridos num grupo de outros pais e crianças, com o objectivo de que estas brincassem e conhecessem a escola com o conforto da presença dos pais. A próxima vez que a Mini-Tété voltar a entrar naquela escola será no primeiro dia de aulas, onde já a deixaremos sozinha. Não vamos pensar já nisso. :P

Fomos sem saber muito bem ao que íamos porque eu já tinha ouvido relatos de que nalgumas escolas era uma hora de brincadeira no recreio, sem visita às instalações, noutras apenas a visita e discurso da directora, e noutras ainda, uma mistura de tudo. Este foi o nosso caso. Fomos recebidos pela directora (que parece haver grande probabilidade de vir a ser a educadora da Mini-Tété..) no ginásio, onde pediram a pais e crianças que se sentassem...em cadeiras pequeninas, claramente apropriadas para crianças de 3 anos e mas não para adultos com mais de metro e meio. No fundo, acho que o objectivo era desanuviar o ambiente porque deixamos de levar todos tão a sério quando vemos adultos com os joelhos quase no queixo a ouvir as indicações de uma directora.

Recomendações, instruções e apresentações à parte, ficou de realçar o comportamento da Mini-Tété, a miúda que é capaz de ficar uma hora no parque sentada no chão a ver simplesmente os outros brincar, decidiu que naquele dia ia ter bichos carpinteiros no rabo e a língua solta. Mais de uma dúzia de crianças sentadas sossegadas e em silêncio, e a nossa a levantar-se e a sentar-se numa excitação sem fim e com perguntas em catadupa "o que é aquilo? O que está a directora a dizer? Quando vamos brincar? O que estamos aqui a fazer? E agora? E o que é aquilo?". Lindo.

Gostámos da visita à escola. Não é muito grande mas é recente, com muitos trabalhos das crianças colados pelas paredes, limpa e bem cuidada. Aproveitámos para mostrar as sanitas em miniatura à Mini-Tété a ver se se dava o "clic" para o desfralde mas continua tudo na mesma (ou seja, ela não quer largar as fraldas) e gostei imenso do dormitório. Sei que em muitas escolas, a própria sala de aula é onde as crianças dormem a sesta, em colchões encostados uns aos outros, sem grande espaço e conforto, e isso causava-me receio. Mas ali o dormitório é espaçoso, bonito, acolhedor, gostei mesmo e espero que a Mini-Tété lá consiga fazer as suas sestas.

Depois, fomos todos enfiados numa das salas de aula, onde as crianças puderam brincar livremente. Mini-Tété parecia uma salta-pocinhas, ora estava na pequena cozinha, ora ia ver os livros, ora ir ver os animais e as casinhas de plástico, ora ia fazer uns rabiscos nas folhas de desenho, ora ia fazer puzzles, ora ia fazer construções. Estava encantada e embora nos quisesse por perto, acho que tantos brinquedos a fizeram perder um pouco o receio das outras crianças.
De seguida, mais brincadeira mas no recreio, onde há uma série de bicicletas e triciclos, para grande alegria da nossa pequenina. Gostou, adorou e ainda fez beicinho à saída enquanto reclamava "Mas eu quero ficar na escola! Eu quero comer aqui!".

Que isto seja bom sinal!

(Nota: entretanto ficámos também a saber que uma vez que à quarta-feira não haverá aulas, o horário dos restantes dias é até às 16h30 e não até às 15h30).

20.4.18

Inscrição na Maternelle - parte III


Texto I [aqui] e II [aqui]

O facto de não termos propriamente de procurar uma escola, de esta nos ser atribuída, tem tanto de bom (nada de stress, nada de horas perdidas em procuras e visitas, etc) como de mau, sendo este lado menos bonito o facto de inscrevermos a nossa filha numa escola que não fazemos a mais pequena ideia de como é. Na véspera da inscrição mal dormi a pensar na possibilidade de ver alguma coisa de que não gostaria uma vez que iríamos à escola em tempo de aulas. Tinha receio de ouvir educadoras aos berros, de encontrar uma escola com mau aspecto, ver crianças a chorar o tempo todo, algum sinal de violência, eu sei lá, passou-me tudo pela cabeça assim como passaram todas as dúvidas e mais algumas: e se visse? Seria fácil escolher outra escola? Como se faria isso? E se a Mini-Tété odiasse a escola logo no primeiro segundo?

Admito que entrei na escola a medo e analisei tudo o que podia enquanto falávamos com a directora. A Mini-Tété entrava e saia do gabinete, encantada por ver as outras crianças irem para o recreio, por ter uma prateleira de livros ali perto, pode ter mesas e cadeiras para a sua altura. Ufa, parecia gostar. Foi-nos pedido uma fotografia tipo passe da Mini-Tété e, adorei, uma fotografia da família para colocar por cima do cabide onde a Mini-Tété irá pendurar as suas coisas no começo de cada dia. Gostei do cuidado que têm em garantir que se a mãe está grávida, a barriga não aparece na fotografia de forma a não confundir mais tarde a criança pois no início do ano escolar o bebé pode já estar cá fora e a fotografia perde algum sentido. Assim como analisam para ver se a fotografia não é antiga e se a criança não mudou ou não mudará muito os traços da cara.

A escola é recente, tinha desenhos das crianças por toda a parte e não vi nada que me chocasse. Em Junho visitaremos a escola com mais tempo e as crianças poderão estar na sala e no recreio à-vontade, na presença dos pais, para fazerem o reconhecimento do espaço com mais confiança. Vim de lá com o coração mais sossegado, admito. Gostei do nosso primeiro contacto com a escola e espero que corra tudo bem a partir daí. 

6.4.18

Inscrição na Maternelle - parte II


Têm [aqui] o primeiro relato da inscrição no jardim-de-infância francês, com os primeiros passos burocráticos.

A inscrição na escola foi feita com a própria directora, o que permitiu logo a existência de uma pequena conversa, colocação de algumas dúvidas e mais alguma informação.
Um dos assuntos que falámos foi sobre a possibilidade de colocar a Mini-Tété na mesma turma que a sua futura vizinha, uma vez que se conhecem. Foi-nos logo dito que não o fariam pela simples questão de uma ter nascido em Fevereiro e outra em Outubro do mesmo ano, o que fará com que no início do ano escola, a Mini-Tété entre com 2 anos, prestes a fazer 3, e a vizinha esteja a menos de meio ano de fazer os 4 anos. Explicaram-nos que dividem os alunos por turmas com idades semelhantes. Julgo que em Portugal há o mesmo cuidado mas não sei se em todas as escolas.

O ensino é gratuito mas pagam-se a cantina e o "péri-scolaire", no meu tempo conhecido por "permanência" e agora chamado de Tempos Livres, se não me engano. Bom, são aquelas horas antes e depois do horário escolar, para as crianças cujos pais têm de as deixar mais cedo e/ou buscar mais tarde. Aqui os horários diferem de escola para escola mas andam todos mais ou menos à volta do mesmo: das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 15h30. Às quartas-feiras, há aulas só de manhã (8h30-10h30) ou então não há de todo, o que pelos vistos será o caso da escola da Mini-Tété. Como são os horários em Portugal? Tenho ideia que no público são semelhantes, mas entra-se uma hora mais tarde e sai-se uma hora mais tarde, não?

A escola tem as portas fechadas por segurança, como qualquer escola nos dois países, e no caso da escola da Mini-Tété abrem-nas apenas 15 minutos antes e depois de cada hora de entrada e saída, respectivamente. Por exemplo, se a entrada é às 8h30, a escola tem as portas abertas apenas das 8h15 às 8h30. Na escola da Mini-Tété, se houver algum atraso e a criança não foi deixada na escola neste quarto-de-hora, só volta a poder entrar no quarto-de-hora seguinte, isto é, quando acabam as aulas da manhã (11h30 às 11h45). E isto está assim a mexer-me um bocadinho de nervos, admito, porque embora seja um pessoa pontual (menos quando estou com o Jack) já estou a imaginar a Mini-Tété a fazer um birra qualquer de manhã, um sapato perdido, uma troca de roupa inesperada e pimba, dois minutos atrasada e lá estão as portas fechadas e uma criança sem escola de manhã. Sei que há escolas onde recebem na mesma as crianças atrasadas mas os pais pagam uma pequena multa de forma a não repetirem muitas vezes a brincadeira.

Voltando ao ensino gratuito, este é-o de facto se os pais forem buscar os filhos para almoçar e não usufruirem do "péri-scolaire", o que não é possível quando ambos os membros do casal trabalham. E custos, Tété? Acho que é aqui que reside uma das grandes diferenças entre Portugal e França. O preço das refeições é um pequeno roubo. Ainda não sei qual será o preço na escola da Mini-Tété porque apenas em Maio saberemos, mas sei que há escolas a cobrar 5€, 6€, 7€ por refeição. Isto ao fim do mês é um valor que já dava para umas pequenas férias...O péri-scolaire tem preços tão diversificados que nem me atrevo a escrever aqui. Foi-me dito uma vez que esta é uma das principais razões pelas quais se vêem tantos pais a ir buscar os filhos para almoçarem a casa.
Obviamente quando ambos os pais trabalham não há outra solução, mas li uma vez um artigo que dizia algo como cerca de 90% das mães em França pedem redução de horário ou passam a trabalhar em part-time para poderem adaptar-se o mais possível aos horários escolares e não pagarem assim "os extras". Há mesmo quem peça para não trabalhar à quarta-feira, trabalhando ao sábado, devido ao facto de muitas escolas não abrirem neste dia. E isto é capaz de explicar porque é que há tantos serviços e lojas que de facto não abrem à quarta-feira.

Nas turmas da idade da Mini-Tété, em que as duas horas à tarde são basicamente compostas pela sesta, muitas são as escolas que perguntam as pais se não há a possibilidade de a criança ir almoçar a casa e já não voltar à escola de tarde, dormindo assim a sua sesta em casa e em melhores condições. A escola da Mini-Tété está a ter mais inscrições do que aquelas que esperavam e a directora está já a avisar que, caso haja falta de espaço para que todas as crianças lá durmam, será pedido aos pais que não trabalham que permitam que os seus filhos fiquem de tarde em casa.

É diferente de Portugal, não é? :)

(Nota posterior: ficámos entretanto a saber que afinal, como não há aulas à quarta, o horário dos restantes dias é das 8h30 às 16h30).

29.3.18

Inscrição na Maternelle - parte I


Eu sei, eu sei, a maior parte dos leitores deste blogue vive em Portugal e não tem qualquer interesse em saber como se processam as coisas por terras francesas, mas eu gosto que este blogue tenha esta pequena rubrica com a etiqueta "Ter um filho em França" pois pode sempre vir a dar jeito a alguém. Bem, eu ainda não estou muito a par da escolaridade em França pois tive a Mini-Tété há apenas 2 anos e tenho-a em casa comigo, por isso ainda não tive necessidade de grandes pesquisas. Mas com a iminente entrada dela na escola, partilho aqui o que sei e algumas diferenças que encontro com Portugal:

Por aqui, a escolaridade é obrigatória entre os 6 anos e os 16 anos (em Portugal, a obrigatoriedade vai neste momento até aos 18 anos). Contudo, ontem, o presidente francês Emannuel Macron anunciou que para o ano a escolaridade passa a ser obrigatória a partir dos 3 anos.
As crianças aos 3 anos entram no ensino gratuito e são matriculadas na Maternelle, nome dado ao jardim-de-infância, na qual ficarão até aos 6 anos, sendo divididas por turmas de Pequena Secção (onde entrará a Mini-Tété), Média Secção e Grande Secção, dependendo das idades. Algumas escolas começam a aceitar turmas com criança de 2 anos mas não é o normal. Aqui qualquer aluno que faça 3 anos até dia 31 de Dezembro desse ano pode entrar na Maternelle.

Não é difícil arranjar vaga (aliás, como se vê dado que querem tornar a Maternelle obrigatória). No nosso caso, na nossa área de residência há apenas uma Maternelle pelo que a inscrição era obrigatoriamente nessa (a não ser que fizéssemos questão de inscrever numa escola particular). A inscrição não é feita inicialmente na escola. Na, na, na, era o que faltava, a burocracia francesa permitir que se vá a um único lugar tratar directamente do assunto, isso é que era bom. A inscrição começa então por ser feita na Maire (câmara municipal), onde temos de apresentar para além do Livret de Famille (Livro de Família, com as nossas informações), os nossos cartões de cidadão e o Carnet de Santé da criança (equivalente ao boletim de vacinas mais mais completo), um justificativo de morada. Na Marie dizem-nos então qual a escola que pertence àquela região e dão-nos um papel para que possamos ir efectivamente matricular a criança à escola (aaaaah, tudo isto por causa de um papelinho, é sempre preciso um papelinho...). 

No caso da escola da Mini-Tété, as matrículas estavam a decorrer todas as sextas de manhã com a própria directora. Deixo-vos o relato deste encontro para outro post, fiquemo-nos apenas nas informações úteis. Era-nos pedido que levássemos, para além do importante papel da Maire, o Livret de Famille, o Carnet de Santé e duas fotografias (uma tipo-passe da Mini-Tété e outra da família). Feita a reunião, a matrícula estava feita. Nalgumas zonas, como em Paris, as matrículas decorrem logo no início do ano, noutras como a nossa em Março já se pode matricular e penso que nalguns sítios até Junho é possível fazer a matrícula.
Agora voltaremos em Junho para visitar a escola e onde será permitido às crianças estarem nas salas e no recreio, mas com a presença dos pais, para que façam a descoberta do espaço com algum apoio familiar. As aulas começaram depois logo no início de Setembro.

No que toca à matrícula, não tenho qualquer experiência pessoal de como é feita em Portugal, mas do que leio em fóruns achei todo o procedimento mais simples aqui (mesmo com o passeizinho à Maire em busca do papel-super-importante-e-essencial...) pelo facto de haver facilmente vaga no jardim-de-infância público, por não ter de andar a visitar escolas, perguntar preços, ter de escolher, e por em Março ter conseguido logo tratar do assunto. Este post é mais informativo, mas tenho já em mente mais um ou dois com relatos, opiniões pessoais e mais informações sobre este assunto. :)





10.8.15

Ter um filho em França #4 - Reconhecimento de paternidade

Este não é um assunto sobre o qual eu esteja 100% informada pois não precisei mas fica aqui a ideia global:

Quando os pais não são casados, não é reconhecida automaticamente a paternidade do pai do bebé, mesmo que este homem viva com a mãe da criança há 5 anos, 10 anos, 15 anos, etc...O que, como já se viu num post anterior, pode ser uma confusão no que toca a dar o apelido ao bebé uma vez que por defeito e como apenas a mãe é automaticamente reconhecida, o apelido permitido por lei será apenas e só o da mãe. Nesse caso, o feliz casalinho a viver debaixo do mesmo tecto em pecado (seus malandros!) podem ir a uma Mairie antes do nascimento da criança e reconhecer a paternidade do bebé.

Admito que isto me faz uma confusão imensa e acho até humilhante ter de ir a um sítio com o meu companheiro, estando grávida, e dizer a alguém "Está a ver este homem que dorme na mesma cama que eu há 10 anos? Pronto, é o pai deste bebé que carrego na barriga. Lá porque não somos casados, não significa que eu ande aí a dormir com mais alguém". Faz-me confusão, é verdade que faz. Mas pronto, adiante.
É então feito um Acto de Reconhecimento de Paternidade, é dada uma cópia ao pai e este deverá apresentá-la na Mairie quando for feito o registo (já viram a quantidade de papéis que começa a ser preciso levar só para registar um bebé com os apelidos certos?).

Isto também pode ser feito naqueles 3 dias úteis após o nascimento, tendo o pai na sua posse a Declaração de Nascimento.
Sei que também é possível reconhecer a paternidade depois destes 3 dias e já depois do registo feito, mas sinceramente não sei quais as implicações disto no que toca ao registo dos apelidos do bebé.

E eu agora só espero não estar para aqui convencida que não precisamos de nada disto porque somos casados e depois não me virem com a conversa "Aaaaah, são casados mas não têm o mesmo apelido. Isto para nós é como se nem fossem casados....". Posso sempre alugar que a culpa é das hormonas pós-parto quando partir uma cadeira na cabeça do senhor do registo, certo?

7.8.15

Ter um filho em França #3 - A nacionalidade

Tenho visto em fóruns muitas pessoas enganadas a este respeito e por isso considero que este é um dos tópicos mais importantes que posso escrever sobre isto de ter um filho em França. Já li, mais do que uma vez, frases como "Se o meu filho vai nascer em França é francês!!", como se isto fosse uma verdade tão absoluta como ser a Terra que gira em torno do Sol. Não é. O facto de se nascer em França não conduz automaticamente à nacionalidade francesa. Por isso, se um dia pensarem em emigrar e procriar na terra dos croissants não contem que os vossos filhos tenham à nascença outra nacionalidade que não a portuguesa.

Em que casos é que uma criança nascida em França tem a nacionalidade francesa?

- Se pelo menos um dos pais é francês pela altura do nascimento da criança.
- Se pelo menos um dos pais (seja qual for a sua nacionalidade) tiver nascido em França.
- Se pelo menos um dos pais tiver nascido na Argélia antes de 3 de Julho de 1962.

Se ambos os pais são estrangeiros (e nenhum nascido em França), a criança poderá pedir a nacionalidade francesa a partir dos 13 anos sob determinadas condições.

Admito sem problemas que me faz uma certa confusão a parte burocrática uma vez que não há qualquer obrigação da nossa parte de registar o nosso bebé no Consulado de Portugal de forma a ter a nacionalidade portuguesa (embora seja necessário fazê-lo para obter o cartão de cidadão e podermos, por exemplo, viajar com ele de avião). Ou seja, registamos o bebé em França mas ele não tem nacionalidade francesa e não há qualquer prazo para o registarmos no Consulado de Portugal. Assim sendo, enquanto este último passo não é feito, que nacionalidade tem um filho de dois portugueses nascido em França?

27.7.15

Ter um filho em França #2 - Os apelidos

Informação importante (e mesmo para quem vive em Portugal, divirtam-se a ler para verem o nó que estes franceses nos dão ao cérebro):

Em França, quando nasce um bebé temos 3 dias úteis para ir à Mairie (semelhante à Câmara Municipal) da localidade onde está o hospital onde demos à luz e registar o bebé. O nome com que será registado é o nome que ficará dado à criança pelo que dá jeito que seja escrito sem erros nem enganos.

Uma das minhas guerras dos últimos tempos foi saber se era possível chegar simplesmente à Mairie e registar o nome que quiséssemos, com os apelidos que quiséssemos, visto as leis francesas serem diferentes das portuguesas. As informações que me chegavam às mãos eram demasiado variadas e contraditórias: por um lado, diziam-me que sim, que bastava lá chegar e escrever o nome; por outro lado, diziam-me que era preciso um papel do Consulado com os apelidos a transmitir; por outro, diziam-me que bastava apresentar uma cópia da lei portuguesa. O Consulado dizia-me que era realmente preciso um papel deles (e pagar por isso) mas não me sabiam explicar o porquê de ser preciso esse papel, o que obviamente não ajudava nada. Por isso, depois de muita pesquisa, depois de muitos telefonemas e e-mails trocados com o Consulado, depois de ler as condições francesas, eis a informação obtida:

A lei francesa diz que:

1) Os pais podem escolher os apelidos a dar aos filhos, podendo preencher (antes ou depois do nascimento) uma Declaração Conjunta de Escolha de Apelido. Sendo a paternidade reconhecida pelos dois progenitores, é possível então dar:

- quer o apelido do pai
- quer o apelido da mãe
- quer apelidos dos dois num limite máximo de um apelido de cada progenitor (se cada um dos progenitores tiver também um apelido de cada dos seus pais).

2) No entanto, caso a Declaração Conjunta de Escolha de Apelido não exista, por defeito surgem as seguintes situações:

- No caso de pais casados (em que se considera assim automaticamente que ambos são os pais da criança), o apelido dado ao bebé é o do pai.
- No caso de pais não casados, há duas situações: a) o pai reconheceu a paternidade antes do nascimento da criança, e aí é dado o apelido do pai; b) o pai só reconheceu a paternidade depois do nascimento da criança e aí é dado o apelido da mãe.

Ou seja, no nosso caso, os dois casados (um com o outro, isto é importante =P), a lei francesa permitiria apenas que o Jack desse o seu apelido à nossa filha, caso não apresentássemos a tal declaração dizendo que os apelidos escolhidos incluíam um apelido meu também. Logo isto aqui dá-me uns calores que nem vos digo. Mas bom, Tété, respira fundo, preenche lá a declaração dizendo quais os apelidos escolhidos pelos dois e pronto, fica resolvido. Na na na na, não fica nada porque a lei francesa diz também que:

3) Os apelidos dados antes de 2005 passam a formar um só apelido, impossível de ser partido.

Ou seja, se eu me chamar Tété Santos Silva Sousa não tenho 3 apelidos. Tenho apenas um que é "Santos Silva Sousa". Se o meu marido se chamar "Jack Marques Moutinho" tem também apenas um apelido que é "Marques Moutinho". O que significa que se a Pequena Abóbora ficasse só com o apelido do pai, ficaria Pequena Abóbora Marques Moutinho. Se ficasse só com o meu apelido, ficaria Pequena Abóbora Santos Silva Sousa. Se ficasse com apelidos dos dois, como gostaríamos, ficaria então Pequena Abóbora Santos Silva Sousa Marques Moutinho e com um trauma para toda a vida com um nome deste tamanho.

E é aqui que entra o Consulado! Ora, então o Consulado de Portugal passa (depois de pagarmos 31€) um "Certificat de Coutume", que é basicamente um papel que diz que a lei portuguesa permite que os apelidos sejam "partidos", que os pais podem escolher que partes do apelido de cada um querem transmitir ao bebé e que podem ser dados no máximo 4 apelidos. Este papel indica também quais os apelidos escolhidos, por isso, quando preencherem o pedido já têm de saber se querem dar "Sousa Moutinho" ou "Santos Marques Moutinho" ou qualquer que seja a combinação que preferirem.

Este papel é então apresentado na Mairie no dia em que forem registar o bebé, para que possam escrever o seu nome com os apelidos que muito bem vos apetece. :)

P.s.1: Depois tudo depende dos Consulados. Sei que há Consulados e Mairies que não exigem este Certificado, bastando apresentar uma cópia da lei portuguesa quanto à transmissão de apelidos.
P.s.2: Se os vossos tios, primos mais velhos, pais, etc, vos disserem que no tempo deles bastava ir à Mairie registar o bebé e pronto, a explicação é simples: nessa altura não haveria esta lei de não ser possível partir apelidos, o que obviamente já tornava as coisas mais simples.

Ter um filho em França #1

Sei bem que este blogue não é lido por muita gente e que a maioria vive em Portugal e não pensa emigrar para França, mas gosto de acreditar que pode haver quem já esteja emigrado ou pense em emigrar que venha parar este pequeno blogue e por isso vou colocar aqui pequenas notas sobre isto de ter um filho em França e certos cuidados burocráticos a ter. Não há muito a dizer por isso não haverá muitos posts sobre isto mas pode um dia ser útil para alguém, por isso tenham lá paciência. :)

Em primeiro lugar, fica aqui o aviso que o Consulado de Portugal em Paris tem o mesmo tipo de funcionamento que a Segurança Social ou as Finanças em Portugal, isto é, a informação que vos é dada depende muito da pessoa com quem estão a falar. Podem ligar às 9h00 da manhã e falar com Fulana e às 11h00 falar com Sicrana e a resposta ser absolutamente diferente para a mesma questão colocada. É triste e frustrante, mas é um facto. Por isso, para quem precisar de contactar o Consulado confirmem bem a informação que vos é dada (nem que seja preciso ligarem duas ou três vezes).

Seguem assim alguns posts sobre isto de "Ter um filho em França" conforme eu me for lembrando de informações que podem vir a ser úteis.