24.10.16

Eu já devia ter aprendido

Ao fim de 11 anos juntos eu já deveria te aprendido que não me vale de nada falar com o Jack quando ele está a dormir. Ainda assim, cheia de fé, continuo a tentar quando preciso de algo, mesmo que o resultado seja absolutamente anedótico. Este mês, mudei de operadora no telemóvel e foi o Jack que me tratou de tudo. Lembro-me de ter recebido uma carta cheia de instruções, com coisas a fazer numa página de internet, mensagens com o dia e a hora a que devia trocar os cartões, e mais uma série de coisas. E lá está, foi o Jack que tratou de tudo pelo que na véspera do dia em que deveria trocar o antigo cartão pelo actual, já à noite perguntei-me se bastaria trocar os cartões ou se teria de fazer alguma coisa para activar a nova rede. Como precisava mesmo de ter o telemóvel a funcionar no dia seguinte, fui perguntar ao Jack que já dormia:
- Jack, tenho uma pergunta simples para te fazer. Estás a ouvir?
- Sim.
- Amanhã é o dia de trocar os cartões de telemóvel. Tenho de fazer alguma coisa para activar?
- Sim, pôr o código. E quando ele te pedir o código pela quarta vez, tens de pôr o código da box.
- O quê? Porque é que ele me vai pedir o código quatro vezes?
- Sim, quatro vezes e à quarta metes o código da box.
- Mas qual código da box? Estás a sonhar, não estás?
- Estou.
- Ok, bem me parecia...Ouve, é só uma pergunta e já te deixo dormir, ok?
- Sim, estou a ouvir. Diz.
- Amanhã é o dia de trocar os cartões de telemóvel. Tenho de fazer alguma coisa para activar?
- Não sei.
- Não ouviste a pergunta, pois não? 
- Ouvi.
- Mas ainda estás a sonhar, não estás?
- Estou.
- Vá, faz um pequeno esforço. 
- Desculpa, desculpa, agora sim estou a acordado. Diz.
- Amanhã é o dia de trocar os cartões de telemóvel. Tenho de fazer alguma coisa para activar?
- Não.
- Ok, obrigada.
- Mas já que vais estar na farmácia, podes comprar a caixa.
- Farmácia? Caixa? Tu continuas a sonhar, não continuas?
- Sim.
- E não ouviste a minha pergunta, pois não?
- Não.
- Dorme. Eu deixo-te um recado ao pé da porta com a pergunta. 

Um dia, eu aprendo.

23.10.16

Dia 15

A 15 de Outubro de 2015 nascia a Mini-Tété. E eu amei-a.
A 15 de Outubro de 2016 amo-a muito mais.

Voltamos à eterna questão de "Como é que já passou tanto tempo?? Parece que foi ontem!" porque parece mesmo que foi ontem. Ainda me lembro de ir para o hospital, das contracções, do pânico e do histerismo em que entrei por medo do desconhecido, da maravilhosa epidural, da médica dizer "Está na hora!", da Mini-Tété nascer e adormecer logo pousada no meu peito. Ainda me lembro das nossas dúvidas e receios, da nossa concentração a preparar o biberão (agora até o faço com um olho ainda fechado de sono), do nosso cansaço e privação de sono, de tudo ser uma novidade, dos primeiros banhos, das sestas ao colo. Parece que tudo isto aconteceu ontem mas no entanto já passou um ano. Não consigo descrever o quão maravilhoso é ver um ser humano crescer, a aprendizagem diária, a formação do seu cérebro, da sua personalidade. Não vou dizer que não tenho saudades da vida antes de ter a Mini-Tété porque tenho, oh se tenho, sou até capaz de fazer uma listinha jeitosa de todas as coisas das quais sinto falta. Mas voltava a tê-la, mil e uma vezes (sempre com epidural, sim?), só para viver este ano mais uma vez. 

Foi um ano bom, duro, preenchido, cheio de medos, dúvidas, receios, alegrias, mimo, felicidade, plenitude. Adorei registar cada mês da Mini-Tété e espero que ela um dia goste de ver estas fotografias (mais as 185429536 que lhe tirei), gostei de discutir com o Jack a cada mês o que escrever de bom e de mau, e lembro-me de haver meses em que havia imensas coisas boas para escrever e outros em que nos lembrávamos logo de 3 ou 4 menos boas. É incrível como o amor por ela foi crescendo ao longo do tempo, como continuo a adorar vê-la dormir, como é que um ser tão pequenino me mudou tanto. Agora sou mãe. Sou mãe há um ano da bebé, aos meus olhos, mais bonita do mundo, com o sorriso mais encantador e um olhar único. É a minha Princesa, o meu raio de sol, a minha pestinha e aquela que é capaz de me fazer contar até 10 todos os dias pois há alturas em que me leva à loucura.

Pergunto-lhe muitas vezes porque é que está a crescer tão depressa, que devia ficar bebé mais tempo para eu poder aproveitar mais, que aprendendo ela tanta coisa todos os dias, também eu aprendo mas que assim nem dá para gozar tudo. O tempo passa verdadeiramente depressa e este ano é a prova disso. Amo imenso este meu macaquinho, este meu pequeno sushi, e ela merece todos os beijos do mundo. Parabéns à Mini-Tété pelo seu primeiro aniversário.













21.10.16

Vaidoooosa #26


Saudades do Verão, saudades de a ver com esta roupa que já nem lhe serve, saudades de a ver assim, de braços e pés ao léu prontos para receberem mil beijos.
Saudades de ainda conseguir tirar fotografias dela assim já que neste momento é impossível com tanto rebola para ali e rebola para aqui.

20.10.16

E a saga continua

Ontem, antes de me deitar comentei com o Jack que esperava que a equipa técnica que estava marcada para hoje não decidisse estragar tudo e tirar-nos a internet que finalmente já tínhamos. E eu devia ganhar dinheiro por cada vez que adivinho qualquer coisa pois hoje às 9h da manhã comecei a ter dificuldade em abrir algumas páginas de internet. Minutos depois liga-me o Jack:
- Olha, tenho técnico ao telefone. Diz que já andou a mexer numas coisas e quer confirmar que temos net.
- (olhei para as luzinhas da box) Não temos!!! Como é que é possível! Para que é que ele foi lá mexer?? Diz-lhe para deixar tudo como estava! Raios partam o homem! Tanta incompetência junta e eu outra vez sem net. Irra que não sabem fazer nada bem!
-Já te ligo. Vou passar-lhe o recado.
Minutos depois:
- E agora temos net? O homem quer saber se deixa como está ou se é preciso ainda fazer alguma coisa.
- Já temos. Diz-lhe para não tocar em mais nada nem com a pontinha de um dedo. E diz-lhe para sair dali em respirar. Um espirro e ainda ficamos sem net outra vez.

Portanto, a modos que espero que agora a internet esteja para ficar. De vez.

Como levar uma pessoa à exaustão.

Depois de uma semana sem internet e com mais dez anos em cima cá estou eu de volta.

Na semana passada, a meio de uma tarde, eis que a internet desaparece cá de casa e com ela a televisão (que nos chega via internet) e o telefone fixo (que faz parte do pacote). Toca de ligar e desligar a box vezes sem conta visto que, não percebendo nada do assunto, é aquele tipo de coisa que acreditamos sempre que pode resultar. Não resultou. No dia seguinte o Jack liga para a operadora, explica que estamos sem internet e dão-nos um prazo de 48 horas para conseguirem resolver o problema. Inspira, expira, que não dá jeito nenhum 2 dias sem net, mas tudo bem, uma pessoa aguenta e talvez até resolvam antes disso. Claro que as 48 horas passaram e internet nem vê-la. E com um fim-de-semana a seguir, a situação estava longe de ser resolvida. O Jack volta a ligar e dizem-lhe que na verdade houve um problema e ele terá sido atendido por um técnico nível 1 quando deveria ter falado com um técnico nível 2 (oi???? Mas é suposto sermos nós a escolher o nível dos profissionais com quem falamos quando ligamos para o serviço de apoio ao cliente???). O Jack manda dois berros e eles dizem-lhe que no prazo de 48 horas, um técnico nível 2 lhe ligará para resolver a situação. Novo berro, nova crise de nervos, mas está tudo parvo, mais 48 horas?! Lá lhe asseguram que no dia seguinte, um técnico será enviado ao local para resolver o problema. No dia seguinte à hora do almoço, o Jack liga-me em fúria porque tinha estado sem rede toda a manhã e o técnico tinha-lhe deixado uma mensagem de tão má qualidade sonora que a única coisa que ele percebia é que ele voltaria a ligar à tarde. Por isso, iria reencaminhar as chamadas para mim para que eu falasse com o homem e conseguíssemos assim ter internet de uma vez por todas. A meio da tarde, liga-me o homem dizendo que se confirma que há um problema (boa, Mike!) mas para eu não me preocupar porque ele mandaria, num prazo de 3 dias, uma equipa para o resolver. Mas que caso nada acontecesse, após esses 3 dias eu deveria ligar para um número que me deu para perceber o porquê do atraso. Explodi. Em francês, o que imagino eu deve ter sido um bonito espectáculo. Acho que nunca berrei tanto (em francês, já disse?) desde que cá estou. Só não chamei incompetente ao homem porque não me lembrei como se dizia. Perguntei-lhe porque não resolvia o problema, respondeu-me que não era técnico, e eu só lhe perguntava então o que raio estava ele ali a fazer. Nesse mesmo dia, mais tarde, o Jack recebe dois telefonemas: um da tal equipa técnica dizendo que iriam até ao local resolver a situação (levando logo do Jack a pergunta "Mas vão ver apenas e admirar o problema ou vão resolvê-lo?") e comprometendo-se a fazê-lo 48 horas depois (ou seja, amanhã) e outro da operadora dizendo que sabiam que um técnico já teria resolvido o problema e querendo saber se tínhamos mais alguma queixa (eles gozam com as pessoas, não gozam?). Inspira e expira e preparei-me para mais 2 dias sem internet, até que hoje, a meio da tarde....cá está ela. E eu estou curiosa para saber se a equipa técnica sempre aparece amanhã de manhã aqui à porta como prometido, e o que é que eu lhes vou dizer para além de uma série de nomes pouco fofinhos.

Muito posts na cabeça, muitas mensagens de agradecimento pelo aniversário da Mini-Tété para agradecer, muitos assuntos online para tratar finalmente e muito pouco tempo para o fazer. Ficar sem internet e televisão custou pois senti-me um bocado isolada do mundo (mas deu para ler 434 páginas do meu novo livro) e atrasou-me um bocado a vida, mas custou ainda mais lidar com tamanha incompetência. Irra, que esta gente envelhece os outros com tanta estupidez.

7.10.16

Não sei se gosto do sentido de humor da minha filha...

Ontem, demos um salto ao supermercado. Coloquei a Mini-Tété no ovo e deixei à frente dela os bonecos que estão presos na pega do ovo, esquecendo-me que assim eles tapam-me a visão que tenho dela através do jogo de espelhos (espelho retrovisor + espelho à frente dela). Quando me apercebi, já estava em andamento e nem pensei em parar uma vez que em 10 minutos, se tanto, se chega ao supermercado. Três ou quatro minutos depois apercebo-me que ainda não a ouvi, o que é estranho uma vez que ela agora reclama sempre um bocado quando tem de andar de carro. Olhei para o espelho e os bonecos impediam-me de facto de lhe ver a cara, mas via os braços e as mãos. Chamei por ela e ela não se mexeu. Perguntei-me se teria adormecido, mas eu sabia que ela estava sem sono por isso chamei-a outra vez. Nada. Não podia parar naquele momento por isso chamei mais alto, comecei a cantar músicas que envolvem simples coreografias, mas nada, aqueles bracinhos e mãozinhas não se mexiam. Fiz o resto do caminho num verdadeiro stress, a chamar por ela, a pensar que teria de ligar para o 112 e dizer que ela estava desmaiada ou a sufocar e agora-sei-lá-eu-como-é-que-isso-se-diz-francês. Entrei no parque de estacionamento do supermercado com o coração aos saltos, parei logo o carro às três pancadas e saí numa aflição que nem vos digo. Abro a porta do lado dela e vejo-a com um grande sorriso, desatando-se a rir logo a seguir. Não tem sequer um ano. Ela vai dar-me muitas dores de cabeça, não vai?

3.10.16

O dia correu bem, Maria Tété?


Correu, sim senhora. O Jack tomou conta da Mini-Tété durante a manhã para eu poder dormir até mais tarde (e soube tããããão beeeeem), acordaram-me os dois com prendinhas e passámos juntos o dia. Claro que Mini-Tété decidiu fazer das suas e embora não gatinhe nem ande, acha que tem todo o direito de andar a bater com a cabeça como qualquer bebé que se preze. E por isso, sentadinha no chão, decidiu mandar-se para a frente com toda a força e bater com a cabeça na tijoleira do chão da cozinha. A pancada foi tão forte que acordou o Jack que dormia uma pequena sesta no quarto. Já me estava a ver a passar o resto do dia no hospital mas preferimos ir vigiando atentamente a pequena para evitar levá-la a esse antro de doenças sem ser mesmo necessário. Uma grande marca vermelha e um ligeiro galo ficaram para contar a história e para perceber que a Mini-Tété sai à mãe e é tão desastrada como eu. Afinal de contas, quando comecei a andar, consegui partir o nariz, pelo que ela tem mesmo a quem sair.

2.10.16

Parabéns a mim!

Trinta e dois aninhos feitos numa fase em que sinto que não conseguimos fazer nada ou alcançar nada sem primeiro ter de ultrapassar um qualquer obstáculo ou resolver algum imprevisto. Nada de nada, acreditem, mesmo as coisas mais simples, como ir até algum sítio ou decidir o jantar, têm tido imprevistos. Faço 32 anos um pouco cansada, admito, e cheia de esperança que se os 31 anos me trouxeram uma coisa muito boa (Mini-Tété, claro!), então os 32 anos vão trazer de novo a calma à minha vida e à minha cabeça. Sei que tenho muita sorte em muita coisa e sei que vivi 32 anos muito bons (venham mais 32 assim!), e que os meus "dramas" não passam na verdade de pequenos problemas que só o são porque efectivamente não tenho de lidar com problemas gravíssimos. Estou a gostar de estar nos 30, sinto que estou a crescer mais, a ficar mais forte nalgumas coisas, a ser menos ansiosa e stressada com outras, a não me importar tanto com a opinião dos outros (ser mãe ajuda tanto porque ou vivemos preocupadas com o que os outros pensam e damos importância a tudo, ou simplesmente desligamos e queremos lá saber se nos acham péssimas mães porque o que importa é como nos sentimos), mas por outro lado sinto que já podia ter vivido mais coisas, podia ter mais coisas e que a vida passa de facto muito depressa. Não entro nos 32 com a força que gostaria e a sentir-me como gostaria (tanto que deve ser o primeiro aniversário que festejo sem grandes festas), mas estou confiante que agora se inicia um novo ano cheio de mudanças e coisas boas. Parabéns a mim porque hoje é o meu dia!