31.1.17

Não suporto

Ligam para o telefone fixo cá de casa, coisa que me surpreende sempre por saber que não demos este número a ninguém, embora saiba que a própria operadora vende os seus números e isso me chateie.
Atendo:
- Bom dia, estou a falar com a Senhora ABC?
- Não, enganou-se no número, lamento.
- Oh, a sério? Não é da casa da Senhora ABC?
- Não, não é, desculpe. Deve ter o número errado.
- Oh, que pena. Desculpe, importa-se de me dizer apenas qual é o departamento para o qual liguei?
- É o 77.
- Pois bem, estou a ligar-lhe para lhe dizer que vamos abrir uma nova loja XYZ e que estamos a fazer um concurso. Para isso, basta escolher....

E deixei de ouvir, vermelha de raiva. Que acção de marketing é esta? Fingirem que se enganaram no número para depois começarem com a conversa da publicidade? Isto funciona realmente com alguém? No meu caso, disse apenas "não estou interessada" e desliguei, depois de uns segundos em que ponderei dar-lhe uma descasca de todo o tamanho. Mas já tinha perdido demasiado tempo com quem não interessa. Estas coisas deixam-me doente.

28.1.17

É que eu nem sei como é que chegam a adormecer.

Mini-Tété passou agora uma semana terrível, a acordar a meio da noite. Na penúltima noite, a energia toda deu-lhe para estar acordada a conversar da 1h da manhã até às 5h, dando completamente cabo dos ricos paizinhos que só queriam dormir. E uma pessoa respira fundo, pensa que é uma fase, coitadinha, deve estar para nascer algum dente porque até anda a parecer um São Bernardo com tanta baba que produz, há que respirar fundo, tudo passa. E eis que esta noite, às 21h estava a dormir e só acordou às 6h45 (podia ser melhor e acordar ali entre as 8h e as 9h, como habitual, mas já foi bom, já foi bom). Eu? Dormi 1h30. Porque passei a noite toda em modo "estou quase a adormecer, ai não que ela está a acordar, olha afinal não, continua a dormir, vou dormir também, espera agora é que está a acordar....", tudo porque me custa horrores adormecer e ser acordada naqueles primeiros minutos de sono, por isso nem queria adormecer com medo que ela acordasse logo a seguir.
Definitivamente, não fui feita para ter um bebé que acorda de noite. E mando um abraço a todas as mães que passam meses a acordar de noite. Não sei como aguentam.

26.1.17

Como assustar um pai de família

O Jack não tem por hábito ligar-me durante o dia e quando o faz é porque alguma coisa se passa. Um dia destes, estava eu a dar o almoço à Mini-Tété quando o telefone começa a tocar. Vejo que é ele e atendo:
- Olá.
- Olá, tudo bem convosco?
- Sim, e contigo? O que é que se passa para me estares a ligar?
- Nada, era só para saber se estava tudo bem.
- Huuum....ok, então mas não se passa mesmo nada? Não costumas ligar.
- Pois eu sei, mas é que esta manhã dei-te um beijo e nem te mexeste. Dei outro à Mini-Tété e ela nem reagiu. Fiz-lhe uma festa e nada. Tive de lhe meter uma mão nas costas para que ela resmungasse. Bom, só queria ter a certeza que vocês tinham acordado....

Ahah, coitadinho. De facto nesse dia não me lembro de o ter visto sair da cama nem do quarto e Mini-Tété dormiu mais 3 horas que o habitual. Devíamos mesmo estar num sono profundo quando ele saiu. Pobre Jack, que se assustou. 

24.1.17

1 ano e 3 meses


Estou a adorar esta fase da Mini-Tété ou, para ser mais verdadeira, esta fase de nós as duas. Parece que estamos numa fase de equilíbrio e paz (e tudo na maternidade são fases, hei-de falar sobre isso num post) e que estamos as duas em sintonia. Gosto imenso de a ouvir dizer "mamã!" quando abro a porta do quarto ao perceber que ela acordou da sesta, gosto de estar ali na palhaçada com ela a tentar tirá-la da cama e ela a rebolar e a tapar-se, rindo-se a bandeiras despegadas para que não a tire de lá. Já não acho tanta piada que me chame de manhã com o seu típico queixume que às vezes me entra nos ouvido e me faz chegar ao final do dia com aquele barulho cravado no cérebro. Delicio-me a vê-la repetir-me os gestos à sua maneira como no outro dia em que pegou num guardanapo e se pôs a limpar os seus pratos de plástico, tal como eu faço quando estou a secar a louça com um pano. Ou quando limpa o pó com um bocado de algodão (não me seguem no facebook? Depois perdem estas coisas...). Adoro vê-la a "ler", agarrada a um livro e a palrar muito seriamente, não há um dia em que não tire todos os livros da estante e não queira que lhe leia histórias, passamos horas agarradas aos livros com ela a apontar para as coisas e eu a dizer-lhe o nome para que ela aprenda, gosto que venha atrás de mim (eu sei que há quem tema o momento em que eles começam a gatinhar, mas no meu caso a minha vida ficou tão mais facilitada em tanta coisa...), que brinquemos às escondidas, que já se entretenha sozinha durante momentos. Gosto quando me faz uma festinha (quando peço e nem sempre, raça da miúda, que mais facilmente distribui festinhas pelos quadros e armários cá de casa), quando lhe pego ao colo e ela pousa a cabeça no meu ombro (adooooooooro! Sou incapaz de ir fazer o que estava a pensar fazer no momento, fico simplesmente ali a apreciar o momento, o resto pode esperar) ou quando me agarra a mão e a coloca na cabeça para que lhe faça festas para adormecer. Continuo a apaixonar-me sempre que a vejo dormir, mesmo que agora tenha passado por uma fase em que acordava às 5h da manhã com a mesma energia com que acordaria ao meio-dia (fases, tudo são fases). Não acho assim tanta piada que queira comer a sopa sozinha porque na verdade quer apenas brincar com a colher e o resultado não é o melhor. Acho piada que chore muito mais quando não lhe posso pegar ao colo do que quando entala um dedo (coisa que já aconteceu por diversas vezes em gavetas e fica ali simplesmente a choramingar até que eu perceba porque razão é que ela não se mexe). Não digo que não chegue ao final do dia morta de cansaço (continuo a ter de cuidar de uma bebé de 1 ano e da casa, o que não é um trabalho fácil), não digo que muitas vezes a partir de uma certa hora já não comece a olhar para o relógio a ver quando é que o Jack chega a casa para que ele brinque com ela e eu possa tirar 5 minutos para mim numa divisão com a porta fechada, mas o facto de andar a tentar dormir mais dá-me tão mais paciência. Já não me lembro do último dia em que senti desespero com a Mini-Tété (que os houve, hei-de falar disso no tal post das fases) e isso faz-me sentir bem e em paz. Estou mesmo a gostar desta fase. Espero que dure.

Coisas que não suporto que me digam

Não sabes a sorte que tens!

Tu não sabes o que é....

Não sabes a sorte que tens por teres uma filha que dorme toda a noite. Não sabes a sorte que tens por teres uma filha que come a sopa toda. Não sabes a sorte que tens por teres uma filha que não grita o tempo todo. Não sabes a sorte que tens por ela não fazer birras no supermercado. Não sabes a sorte que tens por ela gostar de chupeta. Não sabes a sorte que tens por ela beber o leite todo. Não sabes a sorte que tens por ela se entreter sozinha.  Não sabes a sorte que tens, não sabes, não sabes e não sabes. Mas....eu sei! Eu sei a sorte que tenho em ter a filha que tenho, com o feitio que tem. Eu não sou ceguinha, sei ver as coisas, sei ver que tenho muita sorte em muita coisa. Não sou estúpida e sei admitir e agradecer a sorte que tenho. Mesmo se nalguns pontos destes em que fui "bafejada" pela sorte haja também um grande trabalho por trás. Ou pensam que se ela dorme a noite toda os pais nada fizeram para isso, se come a sopa toda os pais em nada contribuíram para isso, se se entretém sozinha a mãe não a orientou nesse sentido, se não faz birras a mãe não faz um valente jogo de cintura e tempo para que isso não aconteça? Não me importo que me digam "Tens sorte" porque a verdade é que mesmo com todo o trabalho que eu e o Jack fazemos, a verdade é que temos sorte com o feitio da Mini-Tété. Mas não me digam que não sei a sorte que tenho.

Tu não sabes o que é um bebé que acorda durante a noite. Pois não, por isso digam à Mini-Tété que aquilo que fez esta noite (acordar às 2h30 da noite e adormecer às 5h) na verdade não aconteceu. Tu não sabes o que é um bebé que não come. Pois não, por isso é que ontem Mini-Tété comeu metade da sopa e recusou-se a comer o segundo prato e a fruta (e não comeu porque não insisti), por isso é que não me lembro dos biberões todos que deixou meio-cheios ou todas as vezes em que comeu apenas a fruta e nada de sopa, só para não sair de casa de estômago vazio. Tu não sabes o que é um bebé que chora durante as viagens e por isso é que podes continuar a levar a Mini-Tété de costas para a estrada. Pois não, por isso que não passo viagens inteiras a cantar para que ela não chore, por isso que é não sei o que é ter uma filha que odeia estar parada no carro e desata a chorar sempre que paramos num semáforo ou num stop desde que nasceu, por isso é que não sei o que é estacionar o carro e começar logo a ouvir soluços se demoro mais de 30 segundos a tirá-la do carro. Tu não sabes o que é um bebé fazer fita para tudo, até para se vestir. Pois não, por isso é que não tenho uma filha que desde o nascimento que odeia vestir mangas ao ponto de quando era recém-nascida termos de a vestir com o barulho do secador a funcionar para que ela não entrasse em stress. Não sabes, tu não sabes, tu não sabes. Só que...sei. O que acontece é que em muitas dessas coisas que "supostamente não sei" consegui arranjar solução, consegui contornar, consegui adaptar o meu comportamento e o dela. Eu sei o que é ter uma filha que faz birra sempre que tem de vestir o casaco (mangas, lembram-se?), mas também sei que se lhe puser dois casacos à frente e lhe perguntar qual é que ela quer e a deixar escolher (sempre o mesmo invariavelmente), ela veste-o sem grandes problemas. Só que quem me vê a fazer isto, não vê a birra que evitei e solta logo um "Realmente tu não sabes o que são birras para vestir...". Mas sei. Sei isto e sei muito mais coisas, mesmo que não vejam.

Mini-Tété a lixar-me as sopas

Mini-Tété come optimamente a sopa, não há nada a dizer, é um sossego e sempre a aviar, a não ser quando não quer e aí não insisto. Mas tenho a sensação que acabo muito por andar à volta dos mesmos sabores porque a pequena faz reacção ao alho francês, aos espinafres, ao alho e mais uma ou duas coisas que agora nem me lembro, e se lhe coloco um pouco de cenoura, abóbora ou batata-doce na sopa, começa a ficar com o nariz cor-de-laranja (sai à mãe que na adolescência começou a ficar cor-de-laranja devido às cenouras que comia). Por isso, as sopas dela são sempre verdes e lá vou variando entre a sopa de feijão-verde, de bróculos, de alface, de couve, de ervilhas....Ainda bem que ela não enjoa.

20.1.17

Então e os teus novos vizinhos de cima, Tété, como são?

Simpáticos. E umas bestas selvagens. Mas simpáticos. 

Dizem boa-noite e bom dia, pedem desculpa quando reclamamos por ser tardíssimo e a música estar tão alta que se ouve ao fundo da rua, baixam a música e perguntam se assim continua a incomodar, falam educadamente e pausadamente. 

Mas depois têm sempre a música ligada durante o dia (não num volume que valha a pena chamar a polícia, é simplesmente um barulho irritante constante como se andassem de salto alto ou a arrastar cadeiras: irrita, incomoda, tira qualidade de vida mas não é caso de polícia), põem música a fundo todas as noites (que baixam quando lá vamos reclamar, mas parece-nos que brevemente teremos de pôr a polícia ao barulho porque já reclamámos 3 vezes e isso não os impede de fazer o mesmo na noite seguinte), fumam ganzas e não têm qualquer noção da realidade. Ontem, há 1h da manhã puseram-se a uivar. Têm vozes forte e graves que inicialmente me fazia parecer que usavam megafones, batem com as portas do prédio e do apartamento com uma violência tal que estou a ver quando é que a uma delas se parte e descem as escadas como se estivessem a cavalgar.

É isso, mais uma vez temos azar com os vizinhos. Desta vez calharam-nos umas simpáticas bestas selvagens.

18.1.17

Aconselho tanto


No dia a seguir ao Natal decidimos ir novamente ao cinema (para aproveitar o preço dos bilhetes em Portugal e os avós que podem ficar com a neta) e escolhemos ir ver o filme "Beleza Colateral". Eu tinha visto o trailer, parecia-me quase uma adaptação do Conto de Natal, em que os três fantasmas do Passado, Presente e Futuro eram substituídos pela Morte, Amor e Tempo. Achei que seria um filme levezinho, talvez até cómico, bom para a época natalícia. E é verdade que o filme é leve no sentido de ser uma história simples e há ali bons actores a quem são dados papéis fáceis e pouco dignos de óscares (até achei a Keira Knightley assim meio fraquinha e perdida, eu que gosto tanto dela), contudo tem uma carga emocional pesada, sobretudo para quem foi pai/mãe há pouco mais de um ano e ainda aqui tem as hormonas todas baralhadas. E eu que não choro em público fiz a triste figura de estar ali a pestanejar feita doida e a limpar umas lágrimas teimosas, enquanto ouvia metade da sala a fungar. O próprio Jack que não chora (mesmo, em 12 anos de relacionamento nunca chorou) admitiu que teve de engolir em seco a certa altura (curiosamente, não nos emocionámos no mesmo momento do filme). Adorei o filme, fizemos toda a viagem até casa a falar sobre ele e como nos tinha feito sentir, e para mim isto é sempre sinal que é um filme que valeu a pena ser visto.