27.4.17

Partilhem comigo o vosso segredo, sim?

Esta semana a minha tarefa foi organizar as caixas de roupa que já não servem à Mini-Tété pois vamos emprestá-las a outra bebé. Ver o estado da roupa, procurar uma ou outra peça que queremos guardar por razões sentimentais, descobrir uma ou outra peça com nódoas enormes que já não saem e que sabe-se lá como é que foram parar às caixas. Lembram-se deste post, em que digo que ligamos pouco a pequenas coisas como a primeira roupa da bebé? Pois. O Jack, vendo o que eu estava a fazer, pergunta-me:
- Estás a pôr de lado a primeira roupa da Mini-Tété, não estás?
- Não...
- Como assim?! Tens de guardar!
- A sério? Mas tu lembras-te do que ela vestiu?
- Não. Mas temos fotografias!
- Mas se não te lembras é porque não é importante. Para que é que vamos guardar?
- Porque é a primeira roupa que a nossa filha vestiu! Espera, vou ver as fotografias!

É um pai cheio de sentimento, está visto. Acabei por ter de andar a tratar de tudo já depois de ele ir dormir porque senão passava a vida à minha volta a perguntar "Vamos mesmo emprestar isso? Ela ficava tão fofinha com isso..." e eu arriscava-me a ficar com metade da roupa cá em casa a ocupar a espaço. É verdade que me bateu a saudade ver as roupinhas do primeiro mês da Mini-Tété, relembrar o quão linda e amorosa ficava com certos pijaminhas e casaquinhos, ter vontade de guardar mais peças do que deveria e pensar racionalmente que é apenas roupa, que ficam as memórias e as fotografias. Sempre achei que não tinha assim muita roupa da Mini-Tété (e acho que a coisa andou mesmo controlada nos primeiros meses, depois descambou um bocado com o começo de roupa mais de menina e menos "apijamada") mas a verdade é que tenho esta pilha de caixas com roupa para emprestar. Mais o armário dela que está cheio de roupa que ela está a usar neste momento, sendo que a boa notícia é que descobri que as t-shirts e vestidos que lhe estavam mais larguinhos o Verão passado lhe servem neste momento e podem ser re-aproveitados (boa!). A este monte ainda faltam as toalhas, os lençóis e os sacos de dormir. E eu só penso que, quando estas caixas voltarem, eu não tenho casa para guardar tanta roupa desta miúda. Expliquem-me, mães deste mundo, como é que fazem? Quando querem guardar a roupa para um possível futuro filho (que há-de ser rapaz para me estragar este trabalhão todo, claro), como é que fazem? Deve haver algum segredo, imagino. Partilhem comigo, siiiiiim?

24.4.17

Estou velha

Na sexta acordei com uma contractura muscular fruto de uma série de gestos de repetição que tenho com a Mini-Tété, aliado ao facto de a ter ao colo mais do que "deveria" dado o peso dela e ao facto de, neste momento, fazer zero exercício. Ataquei com a medicação habitual, mais os duches quentes, mais o dormir com um saco de água quente na zona afectada e tentei repousar o mais possível (o que com uma bebé de ano e meio é quase nada). No sábado acordei ligeiramente melhor e mantive o plano de ir ajudar o Jack na construção do telhado da nossa futura casa. Cerca de 3000 telhas, meus senhores, 3000 telhas! Qual crossfit, qual ginásio, quais pesos e corridas, construir uma casa é que é. Cheguei ao final do dia tão estafada de andar a fazer montes de telhas e a transportá-los que, eu que não gosto de dormir em público, adormeci ferrada no sofá dos meus sogros. O corpo doía-me tanto, com todos os músculos a queixarem-se, que nem conseguia fazer força na faca para cortar o jantar. Isto tudo com uma piolha eléctrica que tinha passado o dia longe dos pais e queria matar as saudades todas. É claro que a minha contractura não gostou. Por isso, aqui estou eu, numa segunda-feira a parecer uma estátua, de tão rígida que estou, cheia de dores e com a Mini-Tété a querer mimo e colo e brincadeira. Ontem quando acordei, a dor foi tal que devo ter feito uma bela careta pois a Mini-Tété, a bebé menos carinhosa que eu alguma vez conheci, veio ter comigo para me fazer festinhas. Portanto concluo que: 1. nem aos olhos da minha filha devo estar com grande aspecto, e 2. não tenho perfil para trolha. 


21.4.17

Mãe tirana

No supermercado, compro, entre outras coisas, uma caixa de barritas Kinder. Na caixa, a funcionária que tem uma paixão assolapada pela Mini-Tété agarra na caixa e abanando-a pergunta sorrindo, dirigindo-se à pequenita:
- Isto é para quem? Isto é para quem?
Mini-Tété olha para ela como se ela lhe estivesse a perguntar qual a língua oficial do Sudão.
Respondo:
- Bem, para ela não é de certeza...
- A sério?
- Sim, ela não come chocolate. Na verdade, nunca lhe demos sequer a provar.
- A sério?? 
Não acrescentou mais nada mas pelo olhar cheio de pena que lançou à Mini-Tété e o olhar confuso que eu apanhei, acho que ganhei o rótulo de "Mãe-tirana-coitada-da-criança-que-não-tem-qualquer-prazer-na-vida-nem-sequer-um-pequeno-chocolate". Mal sabe ela que na verdade até partimos as barritas kinder aos bocadinhos e que é a Mini-Tété que, entretida, os agarra e nos dá à boca, sabendo que não os pode comer. Um dia poderá mas ainda não é já. 

16.4.17

Eu só quero umas sandálias simples, de uma só cor...

Estou a começar a ver sandálias para a Mini-Tété. E aquelas para quais me puxa sempre o olho são de menino. Já as botas que ela usa agora são de menino porque não encontrei nenhumas que gostasse para menina. E se calhar as sandálias vão pelo mesmo caminho. É impressão minha ou para menina é tudo muito cor-de-rosa, ou com muita mistura de cores, ou com muitos brilhos, e borboletas e lacinhos e fogo de artifício?

13.4.17

Não dá para programar os miúdos a só vomitarem de dia?

Contexto: Mini-Tété acorda à uma da manhã e não quer dormir mais (isto é um verdadeiro totoloto, tanto dorme 11 horas seguidas como me dá noites de autêntica festa, e eu sem perceber o que pode influenciar uma coisa ou outra). Às 4h deito-a na cama e tento que adormeça. Começa o berreiro. Mas um berreiro tal que começo a ouvir o vizinhos a acordar com o barulho. Não admira, esteve a gritar durante uma hora. Às 5h da manhã desisto, já com uma dor de cabeça insuportável e o cérebro a pedir-me que durma, desejo esse que não posso cumprir pois tenho um pequeno diabo da tasmânia a chorar como se o estivesse a espancar. 

Solução: Pego nela ao colo para a levar para a sala. Saímos do quarto com ela ainda aos berros, furiosa e magoada comigo por a ter tentado adormecer quando ela não queria.

Resultado: Suponho que tenha sido do esforço de tanto choro mais a mudança repentina de posição que levaram a que Mini-Tété simplesmente vomite ao longo do corredor, por cima de um ombro meu e depois por cima do outro. Cinco da manhã e nós as duas paradas no meio do corredor, cobertas de vomitado, com ela a chorar ainda mais, comigo a fazer festinhas e a dizer "já passou" e o pensamento a alternar entre "Eu-nã-o-a-cre-di-to-nis-to", "Como é que uma coisa tão pequena consegue vomitar tanto?" e "Boa, conseguiu vomitar para dentro da minha t-shirt". 

Claro que isto tinha de acontecer quando o Jack está ausente. Ele que chegue amanhã e vai ver. Acho que vou passar o fim-de-semana a hibernar num spa e ele que se amanhe com a Mini-Tété.

12.4.17

Vantagens da Mini-Tété vir a andar tarde

Já aqui o disse várias vezes que não tenho qualquer pressa no que toca à Mini-Tété. É um pouco como em relação ao parto em que toda a gente me perguntava "Então, deves estar muito ansiosa para que chegue o dia de a veres, não?" em que a resposta era invariavelmente "Não". A cachopa ia nascer, isso era certinho e direitinho, não havia mania de fugir a isso, e eu ia vê-la e tocar-lhe, pelo que sendo uma coisa tão certa (e ainda por cima, sabendo em que mês isso aconteceria) não sentia qualquer ansiedade ou pressa. O momento chegaria, isso era certinho. Com a Mini-Tété cá fora, o pensamento é o mesmo: não há pressa para que ela sorria porque ela vai fazê-lo, não há pressa para que ela se sente porque ela vai fazê-lo, não há pressa para que se desloque porque ela vai fazê-lo, etc, etc, etc...Com o andar, cheguei ali a ter  alguns (poucos) dias em que os macaquinhos no sotão faziam das suas e eu desejava que ela me desse um sinal que estava realmente tudo bem, que só precisava de tempo, que eu não tinha razões de estar preocupada. O sinal veio com ela a pedir para ir para o chão para ficar de pé. E os poucos dias de dúvidas desapareceram e eu continuo sem pressas. Ela vai andar. Quando? Não sei mas também não tenho pressa.

Para além disso há que olhar para isto com bons olhos e reconhecer as vantagens:
- Continuo a conseguir olhar para ela e ver uma bebé porque ainda precisa de colo para chegar a certas coisas, para ir à rua, para sair da cama. Tenho noção que no dia em que ela começar a andar, mesmo que agarrada às coisas, esta ideia de bebézinha vai cair por terra e vou olhar para ela como uma menina pequena.
- Ainda não gastei uma fortuna em sapatos! :D Até agora tem um único par de bons sapatos que é aquele que usa agora. Antes disso andava descalça, de meias ou com pantufas baratas. 
- Não chega a todo o lado. Ainda no fim-de-semana comentei com o Jack que quando ela começar a andar vai ser um choque perceber a verdadeira altura dela e ver como chega a tudo. É que ela não é nada pequena mas como se desloca sempre sentada, não temos realmente a noção de como ficará alta quando se levantar.
- Começa a achar piada andar agarrada às nossas mãos e como só agora, com quase ano e meio, é que começou a gostar, já é alta o suficiente para não termos de andar todos curvados a agarrar-lhe as mãozinhas. Consigo manter-me direita, com os braços esticados a agarrá-la enquanto ela dá passos. Poupam-se as costas. :D




11.4.17

Haverá realmente necessidade?

Há uns dias tivemos um jantar de amigos e a determinada altura observei-os a todos. Estávamos em amena cavaqueira, havia conversas cruzadas, comiam-se as pizzas, todos felizes por este jantar que tinha tardado em acontecer. Ainda assim, num grupo de sete pessoas, quatro delas tinham o telemóvel na mão estando também a trocar mensagens com outros amigos ou namoradas, enquanto conversavam connosco. Não deixei de me sentir um pouco triste. Que mundo é este em que vivemos onde não somos capazes de nos desligar de um aparelho e apreciar a companhia da pessoa com quem estamos ali, naquele momento, na vida real? Custa assim tanto dedicarmo-nos por umas horas a quem está ali? Serão as conversas via sms que estavam a ter assim tão urgentes que não pudessem esperar mais umas horas ou até ao dia seguinte? Não me entendam mal, gosto imenso desta facilidade de comunicação que nos aproxima imenso, muito mais do que quando não existia pois por muito longe que estejamos, em poucos segundos estamos em contacto, e também não digo que deva haver a regra de "não usar o telemóvel quando se está com os outros" porque eles têm a sua utilidade. Por exemplo, a meio do jantar, discutia-se a resolução de um problema de uma amiga de uma pessoa presente, mas surgiu uma dúvida que era essencial clarificar antes de continuar a pensar no assunto. Em segundos, a nossa amiga tinha enviado uma mensagem à sua amiga colocando a questão, a resposta tinha chegado e a discussão continuou. Evitou-se assim perder tempo a tentar adivinhar qual seria a resposta e qual o caminho a escolher. Da mesma forma que havendo assuntos efectivamente urgentes a tratar, não vejo qual o problema. Mas quando se está simplesmente à conversa via sms, quando não há urgência, parece que se passa a imagem de que quem está ali, naquele momento, não é suficientemente interessante ou importante para ser merecedor de toda a atenção. E acho até que roça um pouco a falta de respeito. Afinal de contas, um telemóvel que em poucos segundos nos aproxima de quem está longe, pode também afastar quem está ali, perto (e eu já cheguei a ter um jantar onde a certa altura ninguém falava comigo porque todos sem excepção estavam a ter conversas via sms). Estou ansiosa pelo próximo jantar com estes amigos mas não deixo de pensar às vezes que não fui feita para viver num mundo destes, sempre ligado, sempre conectado.

10.4.17

Somos uns desnaturados, pobre Mini-Tété

Estou a organizar as roupas da Mini-Tété que vou emprestar a uma amiga que está grávida. Comentava então com a minha mãe que vou guardar uma ou outra peça por questões sentimentais, pois teria realmente pena que se estragassem. Diz-me ela: "Pois, como a primeira roupinha que ela usou". E eu fiquei calada. Não faço a mais pequena ideia do que é que a Mini-Tété usou quando nasceu, teria de ir ver fotografias para tentar descobrir, o Jack também não se lembra. Nota-se que ligamos imenso a estas coisas, não se nota? :D