7.5.17

Feliz dia da Mãe!


Mais um dia da mãe enquanto filha de uma mulher espectacular e enquanto mamã da Mini-Tété, e que felizmente passarei com as duas. Ser filha dela é o mesmo de sempre, é saber que ela está ali, é saber que mesmo chocando, mesmo não concordando com tudo, ela está ali. Está sempre, como poderia ser de outra forma? Da mesma maneira que eu estarei sempre aqui para a Mini-Tété, sempre. De que outra forma poderia ser? Há dias em que esta amostra de gente com mais de 10 quilos me tira do sério, me faz perder a paciência (como nestas últimas noites em que acorda por exemplo às 2h da manhã e só volta a adormecer às 6h, e eu não percebo porquê), me faz pensar que não nasci para isto de ser mãe. Mas depois olha para mim, sorri, vejo-a concentrada em mais uma conquista, faz-me festinhas, aconchega-se no meu colo enquanto lhe dou leite e eu penso que tenho uma sorte imensa em tê-la na minha vida, este meu raio de sol maravilhoso e gorducho.
É ainda demasiado pequenina para perceber que é dia da mãe, viverá este dia como simplesmente mais um da sua existência, em que me tirará do sério e me fará apaixonar um bocadinho mais. E para mim, também é mais um dia da nossa existência, mais um para me mostrar que tenho a melhor filha que podia ter tido. Tenho mesmo sorte.

5.5.17

Aprender um bocadinho

Quando a Mini-Tété era mesmo pequenina, eu tinha muito medo do Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL). Não quando ela estava na cama, o que é engraçado, acho que assumia que aí estava a fazer tudo bem e por isso é que dormia descansada sem ter medo que ela deixasse de respirar durante o sono. Mas por exemplo, quando a via no ovo, acho que por causa da posição, tinha algum receio e não foram poucas as vezes que chegada a casa depois de uma saída à rua, de carro ou no carrinho, com a Mini-Tété no ovo, o coração me parou por não a ouvir e sentir a respirar. Ainda por cima, a Mini-Tété reagia ao frio ficando muito branca. Tentem olhar para o vosso bebé pálido e aparentemente sem respirar e digam-me se conseguem manter a calma. Admito, sem grandes vergonhas, que cheguei a acordá-la para ver se estava mesmo tudo bem. 

Já vi grávidas incomodadas por se falar do SMSL nesta altura da vida delas mas para mim é quando mais faz sentido tocar neste assunto. Falar sobre isto quando ainda nem se está grávida, não vale a pena porque não decoramos nada e falar depois do bebé nascer pode ser tarde demais para além de ser desnecessário sobrecarregar os pais com ainda mais informações nessa altura. Eu li sobre o assunto e ouvi falar nas aulas de preparação para o parto (não sou a única a achar que faz sentido...), e agora deixo aqui o que fui aprendendo. 

Diz o pediatra Mário Cordeiro que "Sem que se saiba, exactamente porquê, os factos demonstram que, relativamente a um bebé deitado de bruços, um que fique de lado tem metade do risco de ocorrência de SMSL, e se estiver deitado de costas o risco ainda se reduz mais, para cerca de um quarto. Por outro lado, estes estudos também confirmaram que um dos grandes receios dos pais e dos profissionais - o engasgamento e sufocação caso o bebé bolsasse ou vomitasse - não acontecia em maior grau com qualquer uma das posições alternativas a estar de bruços". Acrescenta também que "em algumas maternidades a recomendação continua a ser deitar de lado. Mas a ciência e as normas são muito taxativas: salvo casos muito raros que o médico diagnosticará, todos os recém-nascidos e crianças devem ser deitados de costas nos primeiros meses de vida (até se voltarem por eles próprios)". 

Admito que me faz uma certa confusão quem, nos dias de hoje, não segue esta recomendação "porque antigamente era de lado " ou "porque não sou de extremismos e não vou nessas coisas". 
A questão da posição é realmente essencial mas outras medidas parecem também ajudar na prevenção:
- Evitar expor os bebés a ambientes com tabaco.
- O uso da chupeta parece reduzir a incidência do SMSL
- Não cobrir a cabeça do bebé (já sabem que aqui em França são adeptos do saco de dormir até aos 18 meses, no mínimo, de forma a evitar acidentes com mantas e lençóis)
- Não sobreaquecer o bebé, seja com demasiada roupa, seja em ambientes muito quentes, seja com muita roupa de cama. Nas aulas de preparação para o parto, deram-nos a indicação de ter o quarto a 19°C.
- Dormir no quarto dos pais até aos 6 meses (já ouvi a explicação que o facto de ouvirem a respiração dos pais ajuda a que inconscientemente se mantenham a respirar)
- Dar de mamar pelo menos até aos 6 meses
- Arejar o quarto todos os dias. É engraçado porque me lembro de ter torcido o nariz perante o ar grave da sage-femme quando nos disse isto. A minha filha nasceria com temperaturas lá fora a rondar os 0°C, seria mesmo necessário andar a abrir a janela todos os dias? E atenção que eu gosto de arejar a casa frequentemente, mas no Inverno com temperaturas negativas não o fazia todos os dias. Depois li que os bebés são extremamente sensíveis a ligeiros aumentos de CO2, aumentos esses que a nós pais não nos causam qualquer transtorno mas que podem ser extremamente perigosos para os recém-nascidos. Daí também se começar a alertar para que os pais não tapem o ovo com as tradicionais fraldinhas, mesmo que achem que o ar circula na mesma (porque pode não o fazer o suficiente).

Infelizmente, o SMSL é daquelas coisas que pode acontecer qualquer um, uma vez que nem sequer são conhecidas as causas e que não depende dos pais para que não aconteça de certeza. Ainda assim, se pudermos reduzir o risco, faz-se sempre esse esforço, esperando que corra tudo pelo melhor. :)

4.5.17

Certas marcas deviam ter um cartão de pontos...

Já aqui o disse várias vezes que sou fã da marca Mr.Wonderful e já tenho cadernos, agenda e capa de telemóvel. E agora estou de olho no unicórnio luminoso, coisinha mais gira (é, não é?). Já tentei dizer ao Jack que seria uma luz de presença linda para a Mini-Tété mas ele não foi na conversa. Mas não desisto e volta não volta, lá vai ele recebendo mais umas dicas como "Olha estas borrachas tão giras!", "Olha este caderno tão bonito!", "Olha para aqui...", a ver se o rapaz não me quer fazer uma surpresa um dia destes. :P
(carregar nas imagens para mais informações)

3.5.17

Jantares com convidados-surpresa

Desde que vim para França, acontece frequentemente ver-me numa situação que me deixa um pouco de boca aberta e a pensar que nunca tal me aconteceu em Portugal. Eu explico: somos convidados para jantar, pode até haver uma ou outra conversa sobre este mesmo jantar, tudo indicando que seremos apenas nós e os anfitriões. Chegados à casa (ou ao restaurante) na noite combinada, rapidamente percebemos que há outros convidados, algumas vezes nossos conhecidos, outras vezes nem por isso. E é completamente aleatório, tanto pode haver quatro ou cinco jantares em que não há qualquer surpresa destas, como um convite feito exactamente da mesma forma que os anteriores leva a vermo-nos rodeados por convidados inesperados para nós (o que nem sempre significa que seja mau, muitas vezes são amigos com quem se passa um bom bocado, mas não deixa de ser estranho ser feito desta forma). 
Admito que me faz uma certa confusão pois já nos aconteceu por exemplo estarmos vestidos de forma bastante informal, eu sem maquilhagem, prontos para um jantar descontraído com amigos, e acabamos por dar de caras com pessoas e um jantar requintado que mereciam um aspecto mais cuidado. Ficamos desconfortáveis e era desnecessário. Da mesma forma que já aconteceu aceitarmos um convite, achando que sendo só entre os habituais comensais, vamos poder ir cedo para casa e de repente damos por nós num jantar com um grupo enorme de pessoas que dura obrigatoriamente muito mais do que aquilo que nos apetecia. Ou ser convidada para um tarde de chá e conversa e chegando ao local dar com um grupo de amigas da anfitriã, em que não conheço nem uma e acaba por ser uma tarde bem diferente do que me foi proposto inicialmente.
Em Portugal (comigo, pelo menos), comenta-se sem grandes problemas "Olha, também vou convidar o Manel e a Maria", "A Joana e o João também vêm", "Estava a pensar juntar um grupo de amigos para um lanche", de forma que os convidados percebam que não serão os únicos e podendo assim saber com o que é que contam. Estarei mal-habituada? Não sei, mas a verdade é que passei a recusar-me sair para um jantar sem estar devidamente arranjada por não saber o que me espera.

2.5.17

Dica 9# - Socorro, o meu filho cospe a sopa!

Liga-me a minha mãe:
- Estava aqui a rever os vídeos da Mini-Tété e fui dar com aquele em que ela está a cuspir a sopa. Fartei-me de rir só de lembrar.

Já eu faço um esforço hérculo para esquecer. De todas as fases da Mini-Tété, esta foi provavelmente a que mais odiei. Acordar de hora a hora? Venha! Deixar cair a chupeta um milhão de vezes por noite? Siga! Cólicas? Pff, venham elas. Birras? Veremos mas cheira-me que não conseguirão tirar o lugar do pódio à maldita fase "cuspir a sopa". Odiei a primeira vez que aconteceu e odiei todas as vezes seguintes, sem nunca achar a mais pequena graça. Odiei de tal maneira que as refeições passaram a ser um sacrifício para mim e quando o Jack chegava a casa, calhava-lhe sempre em sorte ser ele a dar a sopa à Mini-Tété, mesmo que não lhe desse jeito nenhum. Eu não queria saber, eu só queria fugir a mais um massacre depois de duas refeições (almoço e lanche) a apanhar com uma chuva de sopa e papa em cima. Os meus pais e avós deliravam com a nova gracinha da menina (muito obrigada, através do skype também eu) a tal ponto que passei a não permitir chamadas durante as refeições por duas razões: 1) Não queria que ela tivesse a força dos avós e dos bisavós para continuar com aquilo e 2) a minha sanidade mental não me permitia estar a apanhar com sopa na cara e ter gente a rir-se quando só me apetecia dar um berro. Acho que naquele momento ter-me-ia sabido bem um abracinho e alguém me ter dito "Sim, é uma porcaria. Mas vai passar. Faz isto que resulta.". Pelo contrário, enquanto a família e as amigas riam e diziam que era fofinho, eu embarcava em pesquisas na internet à procura de uma forma para acabar com esta gracinha. Porque eu tinha noção que a Mini-Tété não fazia aquilo para me aborrecer ou stressar (mas stressava, oh se stressava. Perguntem ao Jack e ele ainda hoje vos diz o estado de nervos com que me encontrava quando chegava a casa), era apenas uma gracinha, tal como descobrir descobrir-me as orelhas ou tentar enfiar os dedos no meu nariz. Era apenas uma descoberta mas, infelizmente para mim, uma descoberta à qual ela estava a achar piada. Pelas minhas viagens via internet não encontrei dicas nenhumas, pior até, encontrava relatos de mães cujos filhos aos 2 anos ainda faziam esta brincadeira. Era uma fase, acabaria por passar, lia eu. A ver vamos, ela tinha 8-9 meses quando começou com isto e era mais do que óbvio que eu não aguentaria tal coisa até aos 2 anos sem pelo menos ganhar uma depressão pós-parto, o que aqui entre nós, seria uma pequena vergonha ter de explicar a um médico que me sentia deprimida à conta de uma sopa e papa cuspidas.

Eu tenho perfeita noção que para a maior parte das mães este tipo de coisa não é assim tão mau. Vejo pelo próprio Jack, a quem se perguntar qual a pior fase da Mini-Tété, não me dirá obviamente esta. A verdade é que todos temos diferentes sensibilidades e se eu vejo desabafos de mães à beira da loucura com coisas que a mim não me incomodaram assim tanto, parece-me normal que eu tenha ficado uma pequena pilha de nervos à conta de algo insignificante para os outros. Definitivamente, o meu calcanhar de aquiles nesta coisa da maternidade é, até agora, apanhar com sopa em cima. Podia ser pior. Podia ser trocar fraldas e aí é que estava bem tramada.

Posto tudo isto, deixo aqui a maneira como resolvi a questão já que não encontrei esta dica tão simples em lado nenhum.

"Socorro, o meu filho cospe a sopa! Como o faço parar??"

Fácil, não lhe dando sopa. Não havendo sopa para cuspir, não há gracinha para se fazer. Ah, maravilha das maravilhas, o sossego. Então, mas eles não têm de comer sopa? Têm pois, mas aqui entre nós, se se dão ao luxo de cuspir a sopa é porque não estão assim com tanta fome, certo? Foi seguindo este pensamento, que alterei as minhas refeições com a Mini-Tété, passando a parar de dar a sopa a cada "brrrrrr". Sempre que ela o fazia, eu interrompia a refeição e ia fazer o meu almoço. Depois continuava até haver novo "brrrr", e nessa altura ia buscar o meu almoço e começava a comer. Nova tentativa, novo "brrrrrr" e continuava a comer até acabar a refeição. Entretanto, por esta altura a Mini-Tété já começava a perceber que ou engolia a sopa e deixava-se de gracinhas ou não comia. Começou a reduzir a quantidade de cuspidelas durante as refeições e dias depois, a brincadeira tinha acabado e não voltou até hoje. Fica a dica para aqueles que, como eu, um dia desesperem (ou não mas queiram acabar com isto antes da criança ter a dentição toda e saber falar 5 línguas).



1.5.17

Não gosto disto

Ontem fomos ao cinema (ver o "Logan", filme que desaconselho fortemente a não ser que queiram ver duas horas de sangue e violência), debaixo de um imenso temporal que nos deixou encharcados. Mal entrámos no átrio, estranhámos a imensa fila para entregar os bilhetes, visto que esta já não costuma ser pequena mas que estava verdadeiramente exagerada. Separámo-nos: eu fiquei na fila dos bilhetes, ele foi para a fila das pipocas, também ela estranhamente enorme. À minha volta, as pessoas olhavam para os relógios, com medo de perder o início dos filmes, esticavam o pescoço para ver o que se passava mas a fila não mexia nem um passo. De repente começa um alarme a tocar. Olhei para o Jack, que longe, na fila dele, encolheu os ombros sem também perceber o que se passava. Depois, uma voz no altifalante que, com tanta gente a falar num átrio tão grande, era praticamente impossível de se perceber. Voltei a olhar para o Jack que me faz sinal que não percebeu também o que foi dito. À minha volta as pessoas começaram a mexer-se, a desfazer a fila e eu apurava o ouvido a tentar perceber o que se passava. Vi os empregados dos bilhetes e das pipocas a saírem de trás do balcão e a afastarem-se. Atrás de mim, um homem disse para quem o acompanhava "Estão a mandar evacuar. Temos de sair". E é disto que não gosto. Estávamos no cinema da Disney, lá fora os parques temáticos estavam a esvaziar e era um mar de gente em direcção ao metro, passando mesmo ao lado dos cinemas. O cinema cheio com toda a gente enfiada no átrio, ao abrigo da chuva. No fundo, todo um ambiente chamativo a quem quiser fazer uma estupidez, coisa que infelizmente não se pode dizer que não aconteça por cá. Corri para o Jack, agarrei-lhe um braço e disse-lhe "Estão a mandar evacuar!". Saímos para a chuva, para o meio da multidão que saía dos parques e que abandonava os cinemas. Passado uns minutos diz-me o Jack que se tratava de um alarme de incêndio e que é por isso que as clarabóias do átrio do cinema estavam abertas quando chegámos, deixando entrar a chuva. Meia-hora depois, já sentados na sala, digo-lhe:
- Tive medo.
- Sim, eu percebi pela forma como correste na minha direcção.
Fiquei a pensar e disse-lhe:
- Temos uma filha agora. Sempre que tiver medo, correrei. Prefiro correr sem necessidade do que ter de correr verdadeiramente para salvar a vida.
Mas não gosto disto, não gosto de ouvir um alarme e pensar logo o pior porque efectivamente pode ser o pior, não gosto de ter medo, não gosto de correr por ter medo. Que treta de mundo.

Mini-Tété, o papagaio

Brinca ao meu lado, enquanto eu parto pão seco para dentro de um saco para mais tarde irmos dar aos patos e cisnes do rio. Olha para mim e diz:
- Quá-quá?
- Sim, vamos dar pão aos patinhos.
- Quá-quá?
- Sim, aos patinhos.
- Quá-quá?
- Sim, amor, vamos aos patinhos.
- Quá-quá?
- Sim, querida, aos patinhos.
- Quá-quá?
- Já vamos ver os patinhos, sim?
- Quá-quá?
- Sim, querida, deixa só a mamã preparar o pão, está bem?
- Pão?
- Sim, o pão para os patinhos.
- Pão?
- Sim, pão.
- Pão?
- ...

(um disco riscado, é o que ela é)

A toda a velocidade


Temos sempre na cabeça aquela imagem típica dos bebés de pé na cama de grades, agarrados a estas. Já para a Mini-Tété, de ano e meio, o interesse nesta posição sempre foi nulo. Na cama, ou está a dormir ou está sentada, de pé nem pensar, sentando-se à mais pequena tentativa de a colocar direita. Mesmo no resto da casa, não fica de pé agarrada aos móveis nem tenta andar agarrada a estes. Quer estar sentada e pronto. Há dois dias, voltei a colocá-la de pé junto às grades e abri a boca de espanto quando a vi começar a dar pequenos passos bamboleantes. Ah, marota, passa de não querer estar de pé para querer logo começar a ensaiar uns passinhos. Ontem, ouvi-a acordar e chamar-me. Abri os olhos e quase berrei de susto, com a cara dela por cima das grades, a olhar para mim. Tinha-se levantado sozinha pela primeira vez. O Jack está pronto a esconder as chaves do carro não vá a pequena, visto a rápida progressão, achar que dentro de uma semana está apta a conduzir. (não tarda começa a andar) (acabou-se o sossego) (mas as minhas costas agradecem)
:)