5.10.17

Ela. Num parque sem crianças.


Não sei se é um mal de França no geral ou apenas da zona onde moro, e não quero cometer o erro de ser generalista como se de uma estrangeira me tratasse acabada de chegar ao norte de Portugal e dizer que os portugueses dizem todos muitas asneiras ou acabada de chegar ao Algarve e dizer que em Portugal a água é sempre quentinha. Por isso, admito que não sei mesmo se é geral ou apenas daqui, mas é efectivamente a minha experiência pessoal. 

Na aldeia onde vivo existe um parque infantil. Onde nunca vi crianças. Passo por lá frequentemente, antes empurrando o carrinho de bebé e agora que levo a Mini-Tété para lá ir brincar. E nunca, mas nunca lá vi uma criança que fosse a brincar. Tenho de admitir que a primeira vez que lá levei a Mini-Tété ia com medo que a diversões já estivessem podres de tão pouco uso que se nota que têm. Para além do mais, alguém muito idiota achou que na zona ficavam bem alguns carvalhos o que faz com que nesta altura estejam constantemente a cair bolotas que por pouco não nos acertam. Na cidade mais perto, um outro parque onde nos últimos meses me cruzei apenas duas vezes com outras crianças. 
E se antes não reparava muito nisto, a verdade é que as férias em Portugal me chamaram a atenção. Os culpados foram os meus pais que encontraram um parque giríssimo* e para o qual levavam todos os dias a neta (e onde ela finalmente andou de baloiço, coisa que não existe em nenhum parque aqui). Num dos dias em que lá fui havia crianças por todo o lado, imensas mesmo, embora os meus pais tenham dito que às vezes eram menos e que noutras até turmas de escolas iam ali brincar. A Mini-Tété, apesar da sua veia anti-social, delirou e ainda hoje, um mês depois das férias, fala do parque onde estavam muitos meninos. Sim, senti o coração a apertar quando percebi que aqui a esperavam parques vazios.

Em passeios pela aldeia penso ter percebido qual a razão: todas as casas onde habitam crianças têm, no jardim, escorregas, baloiços, trampolins, balancés, etc, e por isso as crianças daqui não têm qualquer necessidade de ir para o parque pois têm o seu próprio prque infantil no seu próprio jardim. As que vivem em apartamentos ou não brincam ou vão até casa das crianças que os tenham, suponho eu. Já na cidade, onde este fenómeno não é tão existente, não encontro verdadeira razão. Existe um outro parque com 2 ou 3 diversões onde já percebi que alguns pais levam os filhos à saída da escola, e onde a Mini-Tété já pôde ver outras crianças. Ainda assim, não é nada comparado com aquilo que vi em Portugal.

Porque será? Não sei. Mas lembro-me de uma professora em Tours me ter dito que a vida das crianças em França era sempre casa-escola-casa, sem haver tempo para grandes amizades. Talvez isso explique os parques privados em casa, talvez os pais aqui não tenham tanta tendência a levarem os filhos aos parques. O clima não ajudará, é um facto, pois o bom tempo de Portugal leva a uma maior disposição a actividades ao ar livre. Não sei, não compreendo. Mas tenho pena. Porque ainda hoje a Mini-Tété me fala do parque com muitos meninos que viu em Portugal.

* Malta de Coimbra, o parque giro é nos prédios atrás do McDonalds da Solum. Está dividido por zonas, com diversões próprias para cada grupo etários, embora as crianças sejam livres de andar em todas as diversões. Muito giro e bem cuidado. Ficámos fãs.

2.10.17

Parabéns a mim!


Hoje faço 33 anos e é estranho como eu, que sempre adorei fazer anos, não andei propriamente entusiasmada com a ideia este ano. Geralmente começo em contagem decrescente uns meses antes e nas últimas semanas já ando assim um bocadinho doida com a chegada deste dia em que nem sequer faço uma grande festa ou nada de muito diferente mas que sinto como o Meu Dia, o dia em que nasci, um dia importante e a festejar. Mas este ano passei as últimas semanas até desanimada por não sentir a alegria normal que o meu aniversário me traz, com o Jack já a perguntar-me "Mas queres fazer algo diferente? O que gostavas mesmo de fazer para este dia?". Acho que os meus 32 anos se traduziram num ano bastante duro, com muitas coisas com que lidar, muitas surpresas e desilusões e suponho que seja daí que vem este sentimento de pouca esperança no novo ano em que entro hoje.
Maaaaaaaaas.....há que dar a volta isto. São os meus anos e eu mereço um dia bom (e já agora, um ano ainda melhor :D), mereço mimos, beijinhos, prendas e parabéns! E lembrar-me, como lembro todos os anos, que a razão pela qual gosto tanto de aniversários (no geral, não só do meu) é o facto de simbolizarem mais um ano de vida, mais um ano em que estivemos vivos para presenciar uma série de coisas, e que isto é uma benção enorme que todos temos. São os meus anos! :) Vá, toca a desejar-me um Feliz Aniversário porque eu mereço. :)

1.10.17

A minha filha é anti-social como eu


Quem me segue no facebook (se não seguem, não sabem o que perdem porque as maiores pérolas da Mini-Tété estão por lá) soube que há umas semanas tive o meu primeiro encontro social com outra mãe para que as respectivas bebés pudessem brincar. Na verdade, é uma mãe que mora na mesma rua que eu e cuja filha tem, se não me engano, 3 dias de diferença da Mini-Tété. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu tenho uma veia anti-social enorme e por isso todas as células do meu corpo gritavam "Nãããããoooo" quanto a este encontro. A senhora é simpática, a filha é amorosa, o marido é simpático também mas eu tenho efectivamente um lado que me leva a querer viver numa gruta e a dar-me com o mínimo de gente possível. Bom, mas por um filho uma pessoa faz tudo e foi assim que eu me vi a aceitar um convite para uma hora de brincadeira num sábado de manhã. Sabe-se lá como convenci o Jack a ir comigo. Eu ia curiosa, admito. Às vezes oiço comentários sobre o facto da Mini-Tété, de quase 2 anos, estar em casa comigo, que se calhar fazia-lhe bem ir para uma creche, que ela devia brincar com outras crianças da mesma idade, que ela até tem curiosidade quando vê outras crianças no supermercado ou no parque...por isso queria ver o quanto esta sociabilização lhe faz falta. Não é que eu tenha a Mini-Tété trancada em casa todo o dia, vamos passear, vamos ao parque, se lá estiver algum bebé da idade dela, deixo-a conviver, no supermercado deixo-a aproximar-se à vontade das outras crianças que por lá estejam, mas a verdade é que a Mini-Tété nunca mostrou grande vontade de interacção, ficando muitas vezes apenas a observar os outros. Mesmo com esta nossa vizinha, a vontade de interagir é praticamente nula. A outra lambuza-a com beijos, fala com ela, oferece-lhe coisas, e a minha filha vira estátua e pisca apenas os olhos. A única reacção que já lhe vi várias vezes é o facto de ser um pouco Maria-vai-com-as-outras, no sentido de que as outras crianças pegam-lhe na mão, começam a andar e ela vai atrás, sem oferecer qualquer resistência. Por isso, como disse, estava curiosa.

Foi uma manhã bem passada a rirmo-nos de como é que duas crianças nascidas quase no mesmo dia podem ser tão diferentes. A bebé da vizinha simplesmente não pára um minuto, corre para todo o lado, sobe para o sofá, dança, espalha brinquedos. Já a Mini-Tété manteve-se igual a si mesma, sentando-se num pequeno sofá e dividindo a atenção entre observar a amiga que corria de um lado para o outro e ver um livro que lhe tinham emprestado. No fundo, mais do que ir brincar com alguém da idade dela, a Mini-Tété adorou o sofá. Chegava ao ponto de o arrastar sentada para conseguir chegar ao brinquedo que queria sem ter de levantar o rabo, porque mal o fazia a amiga sentava-se. E mal esta se levantava, a Mini-Tété aproveitava logo para ocupar o sofá. Foi um verdadeiro "quem vai ao mar, perde o lugar", que fez com que raramente estivessem as duas de pé. Com o nosso incentivo, ainda tentou dar abraços e festinhas à outra bebé mas esta não parava o suficiente para o conseguir, pelo que rapidamente desistia e ir explorar outros brinquedos. 

Não sei como é que se passam as coisas nas creches, não me vou pôr para aqui a inventar ou a fingir que sei, mas o que vi foram duas miúdas de quase 2 anos, que fora breves momentos de interacção, passaram a maior parte do tempo entretidas cada um com o seu brinquedo ou actividade. Combinámos voltar a encontrarmo-nos para repetir o momento, mas por enquanto acho que a Mini-Tété aceitaria viver numa gruta comigo.

30.9.17

Cinema

Aproveitamos sempre as férias em Portugal para ir ao cinema devido ao facto de aí os preços serem muito mais baratos do que aqui em França. Assim, desta vez aproveitámos para ver estes quatro filmes:

Baby Driver
Se não me engano começámos por este. Eu ia sem grande vontade a pensar que era apenas mais um filme de carros mas estava enganada e gostei bastante. 


O Guarda-costas e o Assassino. 
Só o trailer já me tinha feito esboçar um sorriso mas ainda assim lembro-me de comentar com o Jack que só esperava que não fosse mais um daqueles filmes em que as partes engraçadas estão todas no trailer. Não estão e o filme é verdadeiramente engraçado. Por toda a sala ouviam-se gargalhadas e o Jack ao meu lado torcia-se de riso. Este é daqueles que aconselho se ainda estiver nas salas de cinema.



Wind River.
Pelo trailer parecia muito o nosso estilo de filme. E foi, uma morte, suspense, investigação, mas saímos de lá com o coração apertado. A forma animalesca como alguns homens olham para as mulheres é assustadora e arrepiante e estivemos a falar disto durante horas depois do filme acabar. 



Sorte à Logan. 
A melhor descrição que posso fazer deste filme é que ele é tão parvo mas tão parvo, tão parvo, que chega a ser bom. E o final é inesperado, o que dá ali um gostinho ainda melhor ao filme. Mas é um filme parvo que me fez pensar vezes sem conta como é que os actores aceitaram fazê-lo. Não acho que valha a pena vê-lo no cinema. É mais o tipo de filme que se vê num domingo à tarde de chuva, no sofá com uma manta e umas pipocas a acompanhar. 

21.9.17

As férias da Mini-Tété

- Dormiu durante todo o voo a caminho de Portugal.
- Fez uma festa quando viu os avós à nossa espera.
- Foi a um casamento onde depois de se fazer ouvir bem duas vezes durante a cerimónia, se aborreceu e dormiu o tempo todo enquanto o padre falava.
- Foi à praia, odiou a areia e o mar. Chorou por ter as mãos "sujas" de areia. Ensinámos-lhe a limpá-las à t-shirt. Chorou por ter a t-shirt com areia. Todos os dias lá voltámos e ao fim de uma semana já aceitava chapinhar no mar e "sujar" pedrinhas com areia para logo de seguida as lavar num balde de água. Mas sempre bem posicionada em cima da toalha não fosse algum pedacinho de pele, que não a ponta dos dedos que seguravam as pedrinhas, ficasse com areia.
- Ainda não tinha passado uma semana de férias, quando começou a pedir para voltar para a casa dela e para a cama dela. Percebemos que nunca lhe tínhamos explicado o que eram férias, que era temporário e que, na sua cabecinha, ela tinha sido simplesmente arrancada das rotinas dela e das coisas dela para sempre. Quando lhe explicámos que eram só uns dias de férias e que depois voltaríamos, acalmou. Não disse a ninguém, mas passei as férias a pensar o quão doloroso deve ser para as mães que são obrigadas a fugir das suas casas com os seus filhos e vê-los a pedir para regressarem, sabendo que nunca lhes poderão dizer que isso vai acontecer.
- Comeu sardinhas como gente grande, salmão, arroz de polvo e de peixe, comeu uvas e pêssegos sem fim, até favas provou. Comeu com todos os avós, comeu em restaurantes, comeu com amigos. Comeu comida italiana e chinesa. E engordou. E cresceu. E estes dias de regresso têm sido uma verdadeira provação pois chega a muitos mais sítios que antes não chegava e a casa não estava preparada para isso (nem eu).
- Viu o rio com os avós, o mar com outros avós, viu cavalos, vacas e ovelhas, bem pertinho. Deu comida às galinhas e tentou apanhá-las. Esteve com os três bisavós. Viu um moinho que o bisavô construiu e tocou na farinha de milho que ele estava a fazer. Foi mimada até mais não.
- Chorou de todas as vezes que tomou banho. Teve pesadelos nas noites de sono e nas sestas. Dormiu muitas sestas connosco. Outra vezes, dormia ela e um de nós velava-lhe o sono, para a acalmar quando acordava assustada.
- Falou, falou, falou e encantou avós e bisavós. Já à frente dos amigos dos pais, manteve-se calada ou de poucas palavras, fazendo-nos quase ganhar a fama de mentirosos depois de tanto dizermos que até frases já faz.
- Esteve com outras crianças, primos e amigos, foi ao parque quase todos os dias com os avós, andou de escorrega e baloiço e nos últimos dias já sussurrava para as outras crianças "Como te chamas?", tão baixinho que elas não a ouviam mas sem dúvida um passo enorme para minha pequenina anti-social.
- Comeu muita comidinha boa feita pelos avós e bisavós, mas todos estes se portaram bem e resistiram à vontade de lhe dar gelados, chocolates, bolos e outras guloseimas, como os pais pediram. Para o ano já lhes devemos fazer a vontade. Logo veremos, não é daquelas coisas que se planeie.
- Adorou as idas ao café depois do almoço e mal acabava de comer já pedia para ir.
- As saudades de casa foram sempre muitas, mas agora que regressou vai pedindo coisas que teve nas férias e que aqui não tem. É sinal que gostou, esperamos nós.

15.8.17

Demasiado perto de mim. Demasiado perto do Jack. Demasiado perto da nossa filha.

É verdade que estas coisas quando acontecem longe, quando não nos tocam, não afectam directamente a nossa vida. Os ataques terroristas aqui em França deixaram um sentimento que já referi várias vezes e do qual não gosto nada (ainda hoje me cruzei com militares dentro de um centro comercial, o que me causa desconforto por saber porque razão estão ali) mas sempre me senti segura, vivo no campo, a uma hora de Paris, vejo raposas, coelhos, javalis nas estradas à volta do sítio onde vivo, nenhum louco se lembraria deste sítio. Mas esta noite houve um idiota que se lembrou e que decidiu entrar com o carro numa esplanada de uma pizzaria. 
Pizzaria essa onde já estive várias vezes, onde já fui com os meus pais, com a família do Jack, com a minha filha. Estaciono vezes sem conta ali perto e passo-lhe à frente para ir a outros sítios. Hoje não tinha nada em casa preparado para jantar e fomos jantar a casa dos pais do Jack, mas eu podia bem ter sugerido irmos comer uma pizza, porque não? Não foi um acto terrorista, dizem, mas este foi demasiado perto para mim.

4.8.17

A Mini-Tété não faz asneiras (dependendo da perspectiva)

No outro dia, estava à conversa com o meu pai no Skype, a Mini-Tété cirandava por ali, entrando na sala, indo à cozinha, mostrando novas habilidades ao avô (como andar para trás), e comentávamos que por enquanto, para a idade que tem (1 ano e 9 meses), não é uma bebé muito dada a asneiras. Nisto, o meu pai pergunta-me o que estava ela a fazer naquele momento. Olhei para ela e respondi:
- Está a tentar enfiar uma camisola minha na caixa das batatas.
E continuei a conversar enquanto o meu pai se desatava a rir. 

Fiquei a pensar nesta conversa o resto da tarde, naquilo que a Mini-Tété estava a fazer e na minha reacção, que foi simplesmente não lhe dizer nada. Na verdade, acho que minutos mais tarde lhe perguntei o que estava ela a fazer, e ela disse simplesmente algo como "A guardar". Dei por mim a pensar que conheço pessoas para quem isto seria considerado uma asneira e que seja talvez nessa diferença que reside o facto de eu achar que a Mini-Tété faz poucas asneiras. Para mim, ela faz asneiras quando faz coisas que eu lhe disse que não pode fazer. Por exemplo, quando pisa um livro, depois de eu já ter explicado que assim os estraga. Ou quando se afasta de mim na rua quando eu já lhe disse que tem de estar sempre junto a mim. Ou quando agarra no telemóvel sabendo bem que não pode. Na situação da camisola, ela não sabe que não se enfiam camisolas nas caixas das batatas, eu nunca lhe expliquei isso e ela não nasceu ensinada, por isso ela está simplesmente a fazer algo que até acha bem: a arrumar.
E depois, há também o factor de quais as situações em que devemos ralhar, impedir, dizer não, zangarmo-nos. Como estou com a Mini-Tété em casa, esta tem de ser o seu local de brincadeira e exploração. Para além disso, estou convencida que se passar o dia a dizer-lhe "não" vamos acabar as duas exaustas e birrentas. Eu, porque não vou parar de lho dizer e vou achar que tenho uma criança que só faz asneiras, não me dando descanso, e ela porque vai sentir que não pode fazer nada, ficando frustrada e entrando facilmente numa birra (com a qual terei de lidar, cansando-me ainda mais) e fazendo coisas que sabe que não pode (apenas por sentir que não pode fazer nada). Assim, esta casa tem regras claras e específicas que são para cumprir (e quando não cumpre, é quando faz asneiras, recebendo novamente um não e sendo chamada à atenção) e fora isso tem (quase) toda a liberdade do mundo. Quer meter a minha camisola na caixa das batatas? Tudo bem. Quer ir buscar as mantas do sofá e esticá-las no chão da cozinha? Tudo bem (quanto muito, terei de as pôr na máquina a seguir). Quer ir colocar todas as suas meias no meio das minhas camisolas? Tudo bem. Quer brincar com copinhos com água no chão da cozinha? Tudo bem. Quer andar a fechar as portas? Tudo bem. Ela anda pela casa livremente, pode fazer quase tudo o que quer com aquilo a que tem acesso e eu acho que isto leva também a que faça poucas asneiras. Como há regras simples e claras, acho que é mais fácil aprendê-las e o meu pai conta sempre a história de um dia a ter visto ir na direcção do meu telemóvel que estava a carregar. Parou a poucos centímetros dele, virou-se para o meu pai e disse-lhe "Não, não", como se lhe dissesse que sabia bem que não podia mexer (e não mexeu). Mesmo agora, se lhe falarem do forno, ela diz que é perigoso e que está muito quente. São poucas regras, há explicação para algumas e isto torna tudo mais fácil. A única consequência é ter a casa constantemente desarrumada e encontrar sempre coisas no sítio mais improvável, mas ao menos a mãe e a bebé vivem pacificamente. 

2.8.17

O meu reino por umas especiarias

Se há coisa que me faria feliz era ter alguém que cozinhasse por mim que nasci sem qualquer jeito nem gosto pela cozinha. Não acho qualquer piada andar ali de roda dos tachos, panelas e frigideiras, perder horas de vida a descascar legumes, cortar carne (bllarg, e o que eu odeio mexer em carne crua?), preparar os pratos..Para depois sentir que faço basicamente sempre a mesma coisa e que o sabor é sempre o mesmo. Verdade seja dita, que a nível de temperos vai quase tudo corrido a sal (quando não me esqueço) e azeite (quando é necessário), para além de não ter o hábito de fazer refogados. Acho que se percebe bem porque é que sabe quase tudo ao mesmo. 
Bom, há uns anos descobri a gama Segredos do Mundo da Margão e foi amor à primeira vista. 
(Já tiveram diferentes embalagens)

O sucesso foi tal que cada vez que ia a Portugal, trazia na mala vários frascos de vários sabores. Graças a estas misturas de especiarias comecei a fazer um frango com caril que já me levou a receber vários elogios, um cuzcuz que até recebeu a aprovação do rei dos cuzcuz da família do Jack, um arroz de frango muito saboroso, enfim, uso-os para quase todos os pratos e passei até a não usar sal nalguns pratos por sentir que não preciso.

Podem portanto imaginar a minha alegria quando descobri a mesma gama da Ducros, cá em França. Encontrei-os num hipermercado que não é o meu habitual mas onde passei a ir apenas e só para comprar estes frasquinhos.


Tenho assim uma pequena paixão pelo Índia, México, Marrocos e Espanhol.

Bom, agora, o drama, a tragédia, o horror: a semana passada fui reabastecer-me e nada, nem um para amostra. Estão lá os da gama "Arroz", "Massa", "Peixe", "Carne" mas estas misturas não me interessam, eu quero a gama de misturas exóticas! Comprei um frasquinho de paprica mas não é a mesma coisa, não tem obviamente o sabor da mistura espanhola que para além de paprica tem uma série de outras coisas. E não vale a pena encher-me de frasquinhos de especiarias simples porque eu não as sei misturar, dá mais trabalho e o meu objectivo é ter pratos saborosos com pouco trabalho e sem inventar muito. Portanto, estou assim um bocadinho desanimada, já a ver-me a regressar aos meus pratos sem sabor ou a ter de trazer novamente de Portugal, o que não é assim tão prático. 

Enviei um e-mail para a Ducros a perguntar onde é que posso encontrar estas misturas de especiarias na minha zona e espero que me respondam. Ou então a Margão que seja uma querida e me envie cá para casa uns quantos frascos que eu não me importo nada.