29.11.17

Bebés e o sono


Parece-me que estando eu a atravessar uma fase em que a Mini-Tété poderia estar a dormir bem melhor (agora deu-lhe para demorar duas a três horas para adormecer) e portanto estando mais uma vez a tentar acertar-lhe os sonos, esta será uma boa altura para escrever alguns posts sobre o sono dos bebés sem que alguém me diga "mas a tua filha é um anjo para dormir!".

Tenho no entanto de confirmar que, na sua grande maioria do tempo, a Mini-Tété é realmente um anjo para dormir, gosta de dormir, nunca foi bebé de passar horas e horas acordada (tem 2 anos e a não ser em dias de festa, não fica 7 horas seguidas acordada, por exemplo), e crendo eu que grande parte das suas boas noites de sono se devem à sua própria personalidade, também acho que eu (e o pai, claro) demos aqui uma mãozinha.

Eu sou, infelizmente, aquele tipo de pessoa muito pouco funcional quando tem sono e, não bebendo café ou qualquer outra bebida estimulante, quando tenho sono, este só passa realmente se...eu dormir. Sou sincera, não sei como conseguem aguentar-se as mães que dizem "há 3 anos que não sei o que é uma noite de sono", "Já passou um ano e ainda acorda duas ou três vezes a chamar por mim", "Tenho noites em que chama 7 vezes...". Se fosse esta a minha experiência, acho que a privação de sono seria a suficiente para ir à maternidade (de táxi, porque nem pensar em tentar conduzir) tentar inconscientemente devolver o bebé. Tal como quando tinha 4 anos e perguntava aos meus pais se não podíamos ir à maternidade trocar o meu irmão por outro bebé que chorasse menos. 

Ainda este Verão ouvi a  história de uma rapariga que ponderava divorciar-se do marido pois assim a guarda do bebé seria partilhada, o que significaria que este ficaria em semanas alternadas em casa da mãe e do pai, e isto permitiria a esta recém-mamã ter uma semana a poder dormir normalmente. Imagino o cansaço que uma pessoa não sentirá par chegar a este ponto de pensamento. Já aqui o disse e repito: estou absolutamente convencida que um casal que se divorcie nos primeiros seis meses de um bebé ou 1) a relação já não estava bem antes da gravidez ou 2) é o cansaço e o sono os verdadeiros culpados e não a falta de amor. Eu própria me lembro de ter falado de divórcio ao Jack cerca de 3 vezes nesses primeiros 6 meses da Mini-Tété, o que vendo agora em perspectiva não me teria resolvido em nada o problema pois eu só queria dormir, nada mais.

Exactamente por saber o meu baixo limite a noites mal dormidas, informei-me o mais que pude durante a gravidez (durante a qual dormi maravilhosamente e na qual fiquei muito mal-habituada a óptimas noites de 12h de sono seguido) sobre o sono dos bebés, li todos os artigos que me apareciam à frente dos olhos na internet, procurei experiências em fóruns de mães e continuei assim sempre que a Mini-Tété entrava numa fase de dormir pior.

A minha ideia é portanto partilhar este meu conhecimento para o caso de algum dia vos ser útil. A quem tem bebés que neste momento durmam mal e já não sabem o que tentar, podem sempre experimentar algumas dicas mesmo que achem que o vosso bebé é diferente da Mini-Tété. Houve dicas que usei por ter lido que funcionavam em bebés com feitios bem diferentes da Mini-Tété e achei que não perdia nada. Não sou nenhuma guru do sono, sou apenas uma mãe que precisa muito de dormir bem e foi aprendendo alguns truques que por aqui funcionaram. É apenas a minha experiência pessoal relatada em posts futuros.



28.11.17

Ensinar desde pequenina


Cresci numa família onde não havia diferenciação entre mim e o meu irmão, nem por sermos de géneros diferentes nem sequer por sermos de idades diferentes. As responsabilidades eram divididas de forma igual, as aprendizagens também, e por isso também eu fiz pesca e o meu irmão tornou-se num cozinheiro bem melhor do que eu. 

Cresci também de forma a aproveitar o melhor possível a minha infância (que adorei e só gostaria de poder dar à minha filha a mesma alegria com que a vivi) mas ainda assim foi-nos sempre dada alguma responsabilidade nos afazeres de casa, para além da escola. Éramos os responsáveis pelas nossas camas, por pôr a mesa, por a levantar, entre outras coisas. Mesmo nas férias, era criado um quadro de tarefas rotativo, calhando à vez a tarefa de ir pôr o lixo, lavar a louça, pôr a mesa. Estando estas tarefas cumpridas, nada mais nos era exigido e tínhamos todo o tempo do mundo para brincar.
Sigo de perto uma família onde o oposto foi feito, onde as crianças cresceram sem qualquer responsabilidade em casa e agora, em plena adolescência, vejo o quão difícil é convencê-los a fazer seja o que for, para além da notória falta de capacidade em fazer coisas muito básicas. Não quero isto para ela.

Por isso, a Mini-Tété é envolvida nas tarefas cá de casa, não apenas porque por enquanto lhes acha piada e é uma forma de a entreter, como também porque espero que seja assim, no meio da brincadeira, que ela vá aprendendo e ganhe noção de que a louça não aparece nos armários porque algum duende a arrumou, que a roupa não é lavada por fadas e que mesmo as camas não se fazem sozinhas. E ontem, com 2 aninhos acabados de fazer, pôs a mesa quase toda sozinha. Colocou os individuais nos lugares habituais, levou os talheres e distribui-os por cada lugar, colocou um guardanapo em cada lugar, levou o seu prato e o seu copo (por serem de plástico) e ainda uma base. Ficou orgulhosa e eu também.

27.11.17

Manha

Não gosto de ouvir alguém dizer que bebés recém-nascidos têm manhas e nem sequer compreendo muito bem de onde surge esta ideia. "Ah, chora a ver se lhe pegam ao colo, é mesmo manha". Não, não é manha, é necessidade. Quando é que se criou a ideia de que um bebé que saiu há horas, dias, semanas de um corpo quente e sossegado não tem qualquer necessidade de ser aconchegado num colo quente, para se sentir seguro em vez de perdido neste mundo frio, barulhento, desconhecido e cheio de estímulos? Não compreendo por isso a ideia de não se fazer algo que dê conforto a um recém-nascido (seja colo ou qualquer outra coisa que o ajude naquele momento) para que este não ganhe "manha", não fique "manhoso". E cada vez que oiço alguém dizer que um bebé de 1 mês já tem manhas, lembro-me da primeira vez que percebi que efectivamente a Mini-Tété estava a ser "manhosa". Tinha 5 meses.

Nessa altura, andava a adormecer tardíssimo, lá para as 3h da manhã, e até lá era uma energia sem fim. Mas depois desatava num berreiro de sono que parecia que o prédio vinha abaixo e notava-se claramente que muito daquele choro era cansaço e sono e que ela já só queria dormir. Depois de algumas leituras sobre o tema, aprendi que o sono dos bebés passa por fases: eles começam por dar ligeiros sinais de sono, e se não forem logo deitados, entram na fase da energia em que ninguém diria que a hora de eles adormecerem já passou, até finalmente chegarem a um ponto de cansaço tal que já não conseguem adormecer por estarem exaustos. O truque passa então por reparar quais os primeiros leves sinais de sono que eles nos transmitem (no caso da Mini-Tété era algo tão simples como mexer numa orelha) e deitá-los logo.
Bom, enquanto não descobrimos isto e a pequena achava que era um morcego, havia ali pelo meio diversas tentativas de a deitar mais cedo, mas ela desatava num berreiro de protesto e como o Jack tinha de dormir para acordar ainda antes do sol nascer, lá ia eu com ela para a sala passar mais umas horas até ela ficar cansada. No nosso processo de mudança, que incluiu uma série de passos (desde a hora de acordar até ao tamanho das sestas) a hora de deitar passou realmente a ser mais cedo, mediante a tal visualização dos sinais de sono. Mas a pequena Mini-Tété, mesmo deitada à hora certa, não estava habituada aquilo e mal a pousava na cama, desatava num berreiro por não querer dormir. Até que um dia, mal lhe peguei e me dirigi à porta do quarto, ela calou-se. E eu percebi que afinal aquele choro todo era com o intuito que a levasse para a sala para brincar mais um bocado. Manhosa e espertinha, a minha filha! E nessa noite acabou-se. Posso dizer-vos que as noites seguintes foram de berreiros de fazer estremecer o prédio, mas ficávamos ali as duas, no quarto, com ela ao meu colo (tenho um problema com "deixar ficar na cama a chorar até que se cale"), com o Jack a tentar dormir, até a pequenina ter percebido que por muito que chorasse, já não voltava à sala para brincar e que mais valia dormir porque não havia nada de divertido ali no quarto para fazer. E foi assim que controlámos a primeira "manha" da Mini-Tété e a fizemos começar a dormir a horas decentes.

22.11.17

Como fazer-me perder tempo....

Ainda a propósito da obra, há um episódio engraçado para vos contar. Uma vez que estamos a recuperar um celeiro antigo com um orçamento limitado, há componentes estruturais nos quais não mexemos, um dos quais uma grande viga de suporte do telhado que determinou a altura dos pisos. Assim sendo, o andar de cima ficou com um pé direito enoooorme (mesmo enorme, podem pôr uma porta em cima de outra e ainda sobra espaço) e o andar de baixo com um pé direito menor. Uns bons meses antes do Verão, perguntei ao Jack qual seria a medida do chão ao tecto no rés-do-chão por ter a sensação que talvez estivesse demasiado baixo. Respondeu-me 2,38 metros. Gelei porque, segundo sei, a altura mínima confortável é 2,40 metros, sendo que grande parte das casas é construída com um pé direito de 2,50 metros. Eu sei que são apenas 2 centímetros mas acreditem que é daquelas coisas que pode fazer diferença. Passei noites a pesquisar na internet, a procurar e a rever as medidas, a ler sobre como brincar com as cores de forma a que as paredes parecessem mais altas, tudo para evitar sentir que viveríamos num bunker. Acabei por descobrir que o tecto da casa-de-banho da casa onde ainda vivemos tem 3 níveis, sendo um deles a 2,38 metros (normal, uma vez que em casas-de-banho, é aceitável um pé direito mínimo de 2,20 metros) e ali passei eu horas a imaginar como seria ter uma sala e cozinha com o tecto àquela altura. Andei realmente preocupada com isto e até o meu pai conta que reparou em mim a olhar para o tecto da nossa casa de férias e a perguntar ao Jack se o nosso seria mais baixo ou alto que aquele.
A semana passada, já com as paredes levantadas, o Jack (que obviamente não stressou nada com a altura do tecto) enviou-me uma mensagem a perguntar a que altura ficarão os armários da cozinha. Pedi-lhe para rever a altura do tecto para eu poder fazer as contas e eis que me responde 2,46 ou 2,48 metros. Coooomo? Pedi-lhe para medir novamente e a resposta foi a mesma. Admito que tive de lá ir ver com os meus próprios olhos e confirmar que mesmo visualmente, agora que o piso já não está em open space, as divisões parecem mais altas.
E é isto, à conta de um valor que sabe-se lá como o Jack me deu (e que não se lembra de me ter dado), passei uns valentes meses a ler sobre pés direitos, a comparar tectos de diferentes casas, preocupada por haver a possibilidade de ir viver para uma casa onde teria a sensação de ter o tecto demasiado próximo da cabeça.
As horas de vida que perdi à conta disto, senhores, as horas de vida....Eu devia dar cabo dele.

14.11.17

A Obra

Ando muito desaparecida do blogue e mesmo pouco activa no facebook, mas os dias têm passado a correr, a Mini-Tété está numa fase em que me absorve as energias todas, só dorme uma sesta que não tem sido especialmente comprida e portanto à noite sobram-me mil e uma coisas com que ainda gastar tempo. Mas estamos bem, estamos vivos e cada vez mais perto do Natal. :)

A Obra (futura casa) avançou agora rapidamente e abri a boca de espanto quando, depois de várias semanas sem a ter visto, o Jack me pediu que lá fosse ver o que já tinham feito. Ora então, o telhado está acabado (gritem "Yeeeah!") e o rés-do-chão que era por enquanto em "open space" já tem as estruturas das paredes todas montadas, o que faz com que de repente aquilo pareça mais uma casa e menos um celeiro (o andar de cima está mais avançado e deve dar mais essa ideia mas como eu ainda não o vi, ainda não tinha tido esta sensação). Já dá para entrar na cozinha, na casa-de-banho, ver o tamanho que terá a zona da sala de estar, da sala de jantar, o pequeno arrumo, e começar a imaginar onde ficará o sofá, a mesa, as estantes...
Em princípio esta semana acaba-se a trabalheira de andar a passar os cabos todos da electricidade para as lâmpadas, tomadas, interruptores, etc, e com mais um dia de trabalho do canalizador, podem começar a fechar-se as paredes e o tecto. Depois, como diz o meu sogro, é entrar nos pormenores: preparar a massa das paredes e pintar, colocar o chão, rodapés, montar a cozinha e as casas-de-banho...É verdade que quem viu a casa como era e como está agora, parece mesmo que estamos quase a mudar-nos para lá, mesmo sabendo que ainda temos mais uns meses de trabalho pela frente.

Gostava de vos ir mostrando fotografias (e tenho-as prometidas a uma série de amigos) mas é o Jack que as tem todas no computador e ainda não mas deu, por isso, terão de esperar. Espero que agora os imprevistos deixem de acontecer e que as obras avancem a todo o gás para brevemente poder começar a pensar na parte gira que é a decoração (mas pensar apenas porque teremos de amealhar primeiro antes de passar das ideias para a prática, ooooooh).


A Mini-Tété na futura cozinha. É incrível como ela já adora esta casa, fica toda contente quando aqui vem e pede sempre para ir ver o futuro quarto dela (onde já sabe que vai dormir sozinha porque os pais vão ter outro quarto ao lado para eles). Aos poucos vamos também preparando a mudança na cabeça dela para que não lhe custe.




31.10.17

Destralhar e organizar


Nos últimos anos, a nossa casa tem começado a transformar-se lentamente num armazém e a minha vontade de destralhar vai crescendo de forma directamente proporcional. A situação chegou a um ponto em que não encontramos rapidamente algo que procuramos, em que papéis importantes desaparecem e em que a arrumação e limpeza demoram mais tempo a fazer. A casa não está inabitável nem perto disso, calma, mas efectivamente começou a dar mais trabalho do que eu sinto que uma casa deve dar. A cada nova passagem de ano, lá estou eu a dizer "Este ano é que vou destralhar" mas depois nada feito. Problema, eu até sou uma pessoa organizada, que gosta de ter tudo bem classificado e arrumado, que gosta de ver as coisas bonitas e direitinhas, e como tal, esta casa-armazém começou efectivamente a tomar-me conta dos nervos. Por isso, nas últimas semanas decidi por mãos à obra e vai de encher sacos e sacos com coisas para deitar fora e outras para reciclar. É incrível a quantidade de tralha que uma pessoa acumula em poucos anos. Eu não tenho um espírito minimalista nem é esse o meu propósito pois efectivamente eu gosto de coisas, eu gosto de ter coisas, eu apego-me às coisas.
Sou incapaz de me desfazer dos meus livros, tenho mil cadernos dos quais não me desfaço porque acho lindos mesmo que não os use porque...os acho lindos, tenho uma pasta a rebentar pelas costuras de postais que fomos recebendo nos últimos anos (e cuja colecção está a aumentar a uma velocidade vertiginosa pois a minha mãe e a minha avó enviam todas as semanas, cada uma, um postal para a Mini-Tété), tenho roupa que já não me serve mas que acho um desperdício dar a alguém porque um dia hei-de perder peso e vou precisar dela :D, e assim continua.
Ainda assim, decidi juntar todos os papéis espalhados em pequenos montes numa única pilha cuja altura ultrapassou os 50 cm e ataquei-a, descobrindo coisas como talões de desconto cujo prazo acabou em 2013, contas para pagar e que foram ali esquecidas (ups), papéis da gravidez, uma receita que andei feita doida a procurar este Verão e cujo desaparecimento me obrigou a voltar ao médico e a pagar mais uma consulta, catálogos de roupa para bebés, cartas ainda por abrir e mais um ror de papelada. Foi tudo triado, arrumado em pastas e para aí 80% da pilha foi para a reciclagem.
A cozinha também já levou uma grande volta, quer a nível da despensa quer a nível de ver efectivamente o que é preciso, o que não se usa, o que uso mais, o que raramente uso, o que guardo apenas porque gosto e sou incapaz de deitar fora. Organizei tudo de outra forma, ficou uma cozinha mais funcional e isso tem-me dado um jeitão. Estava realmente a precisar.
O segundo quarto que temos e que serve como quarto das visitas, de escritório, de closet e de arrumo também já teve uma boa volta. Este é aquele quarto onde tudo vai parar para que o resto da casa não fique inabitável mas que rapidamente se transformou num buraco negro onde tudo o que entrasse, desaparecia (menos as visitas porque a cada vinda delas, eu dava um jeito para que ele ficasse um aspecto mais normal :D ). Mas fartei-me desta trabalheira e depois da volta que lhe dei, tem sido mais fácil o aspecto manter-se controlado.
O nosso quarto, a casa-de-banho e a sala também já tiveram dedo meu embora ainda precisem de mais. Sei bem que quando finalmente mudarmos de casa, vou aproveitar para destralhar ainda mais, mas preferi começar já o trabalho para depois não ficar com essa tarefa a sobrecarregar-me as mudanças.
Como disse, não pretendo ser minimalista, continuo por isso a ter imensas coisas, muitas deles apenas pelo significado que têm. Além do mais, não o conseguiria ser pois casei com um acumulador. Sim, o Jack é um acumulador, mesmo que não o admita. Eu talvez também seja um bocadinho mas não lhe chego aos calcanhares e estou em processo de mudança, o que é um ponto positivo a meu favor. Já o Jack é aquele tipo de pessoa que guarda tudo. Mesmo que as coisas não funcionem (porque um dia ele poderá arranjar e mesmo que não arranje...são giras e não se deitam fora), mesmo que estejam estragadas ou partidas, mesmo que não tenham qualquer utilidade. Alguém não quer mais aquelas roupas? Dá ao Jack que ele aceita  (nalguns casos guarda sem experimentar, noutros experimenta, não gosta/não serve mas guarda na mesma). Alguém anda a destralhar e não sabe o que fazer daquilo que não quer? Dá ao Jack que ele aceita. Há umas semanas esteve a trabalhar numa exposição em Paris e no fim o responsável apontou para uma série de objectos inúteis e disse que se alguém quisesse podia ficar com aquilo. Adivinhem quem disse logo que ficava e trouxe uma série de coisas para casa?
Às vezes é um bocadinho frustrante porque a sensação que tenho é que ando a arranjar espaço para que ele traga ainda mais coisas. Mas há que ter esperança e esperar que um dia o meu marido seja um bocadinho afectado por este meu espírito de "destralhar". Ou isso, ou um dia chega a casa e descobre que me desfiz de metade do recheio (e das coisas dele) sem lhe ter perguntado nada. :D

19.10.17

O feitio é do pai

O Jack é das pessoas que conheço com maior dificuldade em pedir desculpa. Chocamos imenso nisto porque a mim custa-me pouco, mesmo quando teimei com algo que venho depois a descobrir que estava errada. Lá engulo o orgulho, admito o erro, peço desculpa e por isso gosto que façam o mesmo comigo. Já o Jack engonha, tenta arranjar razões e justificações, inventa uma série de coisas, anda ali às voltas até me deixar doida.
No outro dia, a Mini-Tété fez uma asneira que sabe bem que não deve fazer. Fizemos cara séria, voltámos a explicar porque razão não deve fazer aquilo e insistimos que pedisse desculpa. Olhos no tecto, olhos no chão, olhos na mão, tira sapato, vai buscar um peluche, tenta cantar, enfim, tudo e mais um par de botas a ver se fugia ao pedido de desculpas. Após alguma insistência, lá percebeu que não tinha outro remédio e resmungou um "desculpa" entre dentes. 
Mandei a boca ao Jack:
- Sai mesmo ao pai dela, não sai?
- Não.
- Como assim?!
- Eu nunca teria cedido e pedido desculpa.

Já não me bastava um em casa, agora tenho dois.

15.10.17

2 anos

Há dois anos rebentaram-me as águas de uma forma tão discreta que eu duvidei mesmo se estaria de facto a acontecer ou não. Tinha sido uma gravidez tranquila, sem grandes sobressaltos, nada de contracções de treino, dores ou incómodos. Andava como sempre, apenas com um barrigão que não enganava ninguém. O parto foi simples, discreto, em 5 minutos estava cá fora desfazendo as minhas ideias de que se tem de estar ali a fazer força durante horas até se ficar exausta. Eu devia ter adivinhado que tal entrada neste mundo me traria uma bebé assim, calma, discreta e fácil. Este último ano passou a correr, parece que foi ontem que estava a olhar embevecida para a minha bebé de 1 ano e hoje ela já faz 2. É cada vez menos uma bebé e eu acho que não lido lá muito bem com isto. Nunca tive pressa para nada com a Mini-Tété, nem para que ela nascesse, nunca a forcei a nada, nunca quis que ela aprendesse isto ou aquilo já e agora, nunca ansiei que ela começasse a comer sopas, a falar ou andar, porque sempre soube que estas coisas chegariam a seu tempo e eu sempre quis aproveitar bem cada dia com ela. Ainda assim o tempo passou mais depressa do que eu gostaria.

Com dois anos, que posso eu dizer desta minha princesa?

- Que continua igual a si mesma: calma, discreta e fácil. Ainda não faz grandes birras. E deu-me 3 meses de más noites de sono que acabaram no momento em que começou a conseguir dar alguns passos agarrada às nossas mãos e que consegui ajudá-la a reduzir as duas sestas diárias para apenas uma.

 - Continua a comer a sopa sem grandes problemas e passou a interessar-se pela nossa comida.

- Passou de dizer um batalhão de palavras para dizer mil batalhões de palavras. E canta, e tenta contar histórias, e faz frases e perguntas, e fala comigo, fala sozinha, fala com os bonecos, e fala, fala, fala.  Tenho amigos aqui em França fascinados com o facto de uma piralha deste tamanho conseguir dizer tão bem o nome deles. Já disse que há dias em que ela não se cala?

- Começou a andar quando tinha 1 ano e 8 meses e meio, fazendo-me perder a aposta de que só começaria a andar agora, aos 2 anos. Com isto, segui pela primeira e única vez o meu instinto de mãe que me dizia que estava tudo bem com ela e que não valia a pena stressá-la com consultas e exames, mesmo sabendo que grande parte da literatura põe como limite o ano e meio, mesmo ouvindo constantemente opiniões sobre o assunto. Estava certa e é difícil explicar a paz que sinto por saber que não a pressionei para que andasse antes de estar pronta.

- Conseguimos cumprir os meus 2 objectivos para este 2° ano de vida dela. Um deles é minimamente controlável e passa por não lhe termos dado ainda chocolates, bolos, gelados e afins. O outro é pura sorte (tenho noção disso, não é de todo mérito meu) e é simplesmente ter passado mais um ano sem ter ficado doente ao ponto de ter precisado de antibióticos.

- Tem uma motricidade fina que acho espectacular (anda agora a tentar comer de faca e garfo) mas a nível de coordenação motora...digamos que infelizmente sai à mãe. É desengonçada a andar, ainda não sabe correr nem saltar embora tente. Desce e sobre degraus de mão dada (e ainda bem porque se assim não fosse já se tinha partido toda algumas vezes). Até mesmo a gatinhar não faz a mais pequena ideia como coordenar braços e pernas sem se arriscar a ir com um queixo ao chão. Vantagem: ainda não trepa para cima dos móveis e é um descanso. Nem foge de mim na rua (e se tentar é fácil de apanhar).

- É extremamente preocupada com a segurança. Faz questão de saber que temos o cinto quando vamos a andar de carro, os bonecos no carro também têm de ir com o cinto, na rua faz questão de ir de mão dada comigo, ralha comigo quando subo para cima de um banco, avisa-me que o forno está quente e que as escadas são perigosas. Esta semana ao jantar, espetou o dedinho e disse-me "Mamã, mastiga bem". 

- Aprendeu a dar beijinhos! E está um pouco mais carinhosa. Eu mereço depois de quase 2 anos a ouvir as outras mães a falar dos carinhos dos filhos e a ter uma filha pouco amante de contacto humano.

- É extremamente curiosa em relação às outras pessoas, ouve as conversas alheias todas e imita tudo o que fazemos, mesmo que tenham sido simples gestos que duraram um segundo. 

- Passou finalmente a gostar do banho. Um dia terei de contar a história de como passámos da histeria absoluta por saber que tomaria banho daí a umas horas para pedir para ir para o banho e não querer sair de lá.

- Tem umas saídas e respostas muito giras que penso serem mais fruto da idade do que propriamente do sentido de humor. Se bem que às vezes tenho mesmo a sensação que está a gozar comigo. Espero que sim, que esteja, porque significa que tem o sentido de humor da minha família e isso é algo que eu gostaria mesmo que ela herdasse. Mesmo que nem todos o compreendam.

- É educadinha. Pede "se faz favor", diz "obrigada", pergunta se pode antes de fazer algumas coisas. E eu acho piada a que tão novinha tenha esta maneira de ser.

E por aqui poderia continuar. Poderia tentar descrever a gargalhada dela, a forma como deita a língua de fora quando está concentrada, o sorriso grande que faz, os caracóis sempre despenteados, a covinha na bochecha. A cada dia que passa tenho uma paixão cada vez maior por esta miúda que tive a sorte de ter como filha. É a minha bebé. E hoje faz 2 anos. ♥