30.1.18

Super Nanny


Vocês já sabem como é que eu sou, sempre a falar dos assuntos polémicos quando já metade do país se começa a esquecer deles. Gosto de ter tempo de pensar, gosto de ler as diversas opiniões, gosto de ir formando a minha opinião antes de a escrever, e como ainda por cima estive de férias, só agora escrevo aqui sobre o programa.

Depois de já ter rebentado o escândalo e curiosa por saber de que falavam, tentei ver o primeiro episódio. Não consegui. Ao fim de alguns minutos e já com os nervos em franja, desliguei a televisão. Custou-me imenso ver uma miúda, que não é um bebé que não sabe ainda o que é uma câmara, a chorar a implorar à mãe para que fossem para o quarto desta de forma a fugir das câmaras. Custou-me vê-la, já no quarto da mãe, a chorar por continuar a ser filmada. Custou-me ver uma estranha e uma câmara a assistir ao banho de uma miúda, que não é um bebé e que tem já com certeza alguma noção de privacidade e intimidade suficiente para se sentir incomodada com estas presenças. Caramba, se me filmassem quando eu não quisesse ou me filmassem no banho sem eu conseguir impedir, acho que mesmo eu me desfazeria em lágrimas e já tenho mais de 30 anos.

Não digo que ela não seja mal-educada, que não lhe faltem regras, que não ultrapasse uma série de limites dos quais nem se devia aproximar. Acho até que a mãe, ao procurar ajuda, assumiu também ela a sua cota parte da culpa, o que não deixa de ser de louvar pois há muitos pais de crianças mal-educadas que descartam qualquer responsabilidade sua e que se desculpam com o "feitio" da criança.
Não acho é que recorrer a este tipo de programas seja a única e última solução a que poderiam ter recorrido. Basta um passeio pela internet, uma pesquisa com as palavras-chave certas, para se encontrar toda uma série de dicas de educação. É verdade, são dicas generalizadas, não adequadas a 100% a casos específicos, mas também não acho que seja com uma ou duas visitas de uma psicóloga lá a casa, que são desenhadas regras mais específicas para cada caso. Aliás, segundo li (porque não cheguei a essa parte em nenhum dos programas), os métodos da Super Nanny foram semelhantes em ambas as famílias, o que significa que há efectivamente um conjunto de dicas "generalizadas" que pode funcionar na grande maioria dos casos.
Atenção que não condeno de todo a procura de soluções e consigo até ver a utilidade que um programa deste tipo poderia ter. A verdade é que não nascemos a saber ser pais, não há um grande livro de instruções e facilmente se cometem erros por desconhecimento. E há uma série de comportamentos a ter na educação de uma criança que a mim me podem parecer muito óbvios e intuitivos mas que à minha vizinha do lado podem nunca lhe ter passado pela cabeça e é preciso que alguém lhe diga ou que ela procure essa informação. Este tipo de programas pode ter dicas que fará alguns pais encolher os ombros achando que tudo o que foi dito é do mais básico possível mas que a outros pais dará ideias e fará pensar.
O problema passa contudo pela exposição das crianças, sobretudo quando estão a fazer algo tão condenável ao olhos de muitos. Não estão a cantar, não estão a representar, não estão a sorrir para as fotografias. Estão a fazer birras, estão a ser mal-educadas, estão a desrespeitar os pais. E não são só estes que estão a assistir, são milhares de pessoas. Eu e o meu irmão fizemos birras como qualquer criança do mundo mas conseguíamos ser perfeitos anjos perante os vizinhos, na escola, em casa de outros familiares...Foi-nos dado o direito de decidir onde expor as nossas frustrações, caprichos, zangas, desacordos. E é este mesmo direito que é tirado às crianças que aparecem neste género de programas, tornando-os algo a evitar (porque mais do que dicas preciosas, as crianças e a sua privacidade têm mais importância).
Eu compreendo que haja muitos pais que não sabem lidar com as birras, eu própria admito que tenho um medo enorme delas e de como lidar com elas, mas por isso mesmo já comprei livros, pesquiso na internet, procuro informação que me ajude e procuro aplicá-la. E se eu posso fazer isto, acho que qualquer pai que consiga recorrer à internet para se inscrever num programa, também consegue recorrer a ela para se informar.



27.1.18

6 anos de blogue

Caramba, que blogue tão crescido que eu tenho. E o quanto ele tem mudado...Começou por ser um blog criado após a minha decisão de vir para França, que acompanhou a eterna espera que as obras no apartamento me obrigaram a ter (eu e as obras temos esta relação especial e eterna....), assistiu de perto ao meu maior susto a nível de saúde, viu-me emigrar, relatou a minha adaptação, contou o meu pedido de casamento, mostrou detalhes do meu casamento, viu a compra d'A Obra (qualquer dia mudo-lhe o nome para "A Eterna Obra"), viveu de perto a minha gravidez e que, agora, relata as tropelias da Mini-Tété. 

Já passámos por fases em que os posts eram escritos com maior assiduidade, outras em que esteve aqui quase ao abandono, como agora. O Facebook foi criado e acaba por ir registando coisas que aqui não escrevo (como assim, não me seguem no Facebook? Depois queixem-se que não lêem coisas giras da Mini-Tété), o Instagram também existe embora seja pouco usado.

Não é nem nunca foi um blogue preocupado com os números. Houve ali uma fase em que ainda dava um salto ao sitemeter para ver quantas visitas tinha tido naquele dia mas foi sol de pouca dura uma vez que esse não é de facto o interesse deste blogue. Neste momento, não faço ideia se sou lida por 5 pessoas ou por 50 e nem quero saber. Vou escrevendo o que gosto e vou sonhando em voltar a escrever mais, até para escrever sobre coisas diferentes da pequena protagonista que tomou de assalto este blogue e fez dele um baby blog.

Gosto muito deste meu cantinho, acreditem, e tenho muita pena de não escrever nele mais vezes. Mas quero acreditar que melhores tempos virão.
A todos os que lêem, o meu grande obrigada. :)

13.1.18

Receitas da Tété

Vocês já sabem que eu não gosto de cozinhar, que se me dessem um cozinheiro como prenda de anos eu ficava encantada da vida, que tiro pouco prazer da cozinhar, de andar ali a cortar legumes, a mexer em carne crua (blargh) e a ver se não queimo nada. E como gosto pouco de cozinhar não perco grande tempo à procura de receitas, coisa que até devia uma vez que como gosto pouco de cozinhar, também não invento que é para não dar porcaria. Por isso, faço coisas simples, muitas vezes repetidas, sem grande imaginação e mal aprendo um prato novo que até não me saia muito mal, faço-o em todos os jantares de família e amigos que tenha nos meses seguintes, muito contente por conseguir oferecer-lhes um prato diferente dessa vez.
Bom, é deste último prato que vos venho aqui falar porque acho que ficou tão bom que pensei que era giro partilhar convosco. Aviso é desde já que é algo super-básico, que todos vocês já devem ter feito quando tinham 9 anos e que depois de lerem vão revirar os olhos e achar que sou tonta porque acho que inventei a roda. Mas a minha ideia é dar ideias a quem, como eu, nunca sabe o que há-de cozinhar e que tem limitações, como eu, não podendo fazer coisas que tenham 20 passos a seguir e mil e um condimentos a gerir. 
Por isso, vocês que sabem cozinhar, que fazem grandes pratos para festarolas de 50 pessoas, que são capazes de cozinhar durante um mês sem repetir qualquer receita, que fazem os vossos próprios condimentos em casa, que plantam ervinhas e coisas que tais para usar na comida, isto não é para vocês. Ide, ide, e voltai quando eu falar de outra coisa qualquer e mais gira, sim? :)

Quanto à receita de hoje, tenho a dizer-vos que a vi num site ou numa revista, já nem sei. Uma imagem de umas espetadas passou-me à frente dos olhos, voltei para trás, li por alto a receita e pensei "Vou fazer isto!". E ala para o supermercado. Claro que nem tomei nota dos ingredientes e por isso tive de inventar, o que me levou a comprar molho "cocktail" em vez de molho "barbecue" como dizia a receita. Surpreendentemente, resultou na perfeição. Eis a receita:

Ingredientes:
- 1 pimento verde, 1 pimento vermelho, 1 pimento amarelo, aos bocados
- Chouriço cortado às rodelas
- Peitos de frango cortados aos cubos
- Molho Cocktail
- Azeite
- Especiarias "México - Sabores do Mundo" da Margão
- Alho picado


1. Fazer as espetadas, alternando o frango, os pimentos e o chouriço.
2. Colocar o molho cocktail numa taça, juntar uma colher de sopa de azeite, cobrir com as especiarias e um pouco de alho. Juntar um pouco de água para que o molho fique mais líquido. Nesta fase, o aspecto é horrível, tenho de dizer.  A minha mãe viu-me a começar a preparar esta mistura e acho que se arrependeu ligeiramente de ter aceite fazer este prato comigo, mas depois reconheceu que bem misturado o aspecto melhora. Eu não uso sal, nem para temperar a carne nem no molho. São gostos. Quando o prato leva assim molho, às vezes opto por não acrescentar sal, sobretudo se depois não sinto que fizesse falta.
3. Dispor as espetadas num pyrex, de forma que as pontas pousem nas laterais do pyrex para que as espetadas não toquem no fundo, ficando penduradas. Por cima, verter o molho.
4. Vai forno (180°C, perto disso) e vai-se vigiando. Quando começa a ganhar cor por cima, rodam-se as espetadas e volta-se a regá-las com o molho que está no fundo do pyrex.
5. Servir com arroz. Fica bem bom e pode-se comer sem abusar no molho ou, como eu gosto, colocando um pouco do molho por cima da carne, dos legumes e do arroz no prato.

Agora, aproveitando a onda e tornando esta receita mais calórica:

1. Numa frigideira, colocar os pimentos cortados, o chouriço e a carne de frango. Esta aqui costumo temperar previamente com sal e alho em pó. Cozinhar.
2. Cozer massa à parte.
3. Preparar o molho como descrito na receita acima. Juntar na frigideira e levar a ferver.
4. Com a massa ainda quente, colocar um quantidade generosa de queijo ralado e misturar. Juntar o conteúdo da frigideira, misturando bem.
Fica uma massa divinal. Aqui é preciso é juntar água na quantida
de certa ao molho. Da última vez não juntei a suficiente e no fim a massa ficou com pouco molho, o que foi uma pena.

E pronto, já acabei de fingir que sei cozinhar. O blogue retomará o seu conteúdo habitual já de seguida.

(é este o molho que uso)

10.1.18

13 anos de namoro

"Ali, 
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda."

Ali, perguntei-lhe se ele queria namorar comigo. A ele, que naquele mesmo dia me tinha dito que não tinha qualquer intenção de me pedir em namoro, o parvo. 
Achava ele que me estaria a assustar se mostrasse querer uma relação mais definida e que o que eu queria é que ficássemos assim naquela indeterminação de "somos mais que amigos mas não somos namorados" (logo eu...).
E pela segunda vez na nossa vida, tive de ser eu a chegar-me à frente e a pedi-lo em namoro. E ele perguntou-me se eu estava a falar a sério porque deu-me para rir com os nervos e com o medo que ele me dissesse que não (afinal de contas só nos tínhamos reencontrado há exactamente um mês). 
Ele disse que sim.
Faz hoje 13 anos. 
Acho que não sei bem como é que passámos daquele momento para de repente, no mesmo sítio, estar a ser pedida em casamento (era o que faltava ser eu a fazer este pedido) e para de repente já termos uma filha. Na verdade, acho que não sei bem como é que já passaram 22 anos desde o primeiro pedido de namoro que lhe fiz.
Mas sei que tanto no primeiro pedido de namoro, como no segundo, como quando ficámos noivos, como no dia do casamento, como no dia em que nos transformámos em pais, como hoje, eu sempre soube que "era um amor para a vida toda". 



8.1.18

Uma paulada na cabeça de cada um que me diz isto e a vontade de dizer coisas era capaz de começar a passar-lhes...

Já aqui relatei uma situação semelhante e no Facebook também, mas o problema mantém-se e eu estou a começar a atingir um ponto de saturação que me faz começar a pensar em reagir, seja simplesmente com um revirar de olhos, uma resposta menos agradável ou até dar um calduço a quem me interpela acrescentando depois um "Ganhe juízo" ou "Por qué no te callas?".

Tenho uma filha amorosa, não o posso negar, e que sai muito aos pais no que toca à timidez. Em casa é uma grafonola, simplesmente não se cala, chego até a ficar saturada de tanto blá-blá-blá, sobretudo porque desde as primeiras palavras que tem uma capacidade absurda de repetição e fica mais de meia-hora a repetir a mesma palavra ou frase. Neste momento é quase impossível conversar via skype ou com o Jack ao jantar porque ela não-se-ca-la-nem-um-só-mi-nu-to. Ou está a falar connosco, ou sozinha, ou com os bonecos, ou com o prato, ou a perguntar uma dezena de vezes "o que estás a fazer?" e "o que é isto?". Mas na rua está calada. 
Para além disso é uma miúda sossegada, é um facto. Entro numa loja e ela ali fica geralmente ao pé de mim, simplesmente a observar tudo, sem reagir se alguém se mete com ela. Não faz birras, não tenta agarrar tudo e mais alguma coisa, não se põe aos saltos nem em correrias, não fala, não grita. Nos passeios vai de mão dada comigo, às vezes conversamos, outras vezes vamos apenas em silêncio. 
E eu compreendo que as pessoas olhem para ela e comentem esta calma, levando-me a ouvir uma referência a ela quase todas as semanas.

Já não compreendo tão bem que o limite do bom senso seja ultrapassado e as pessoas se sintam no direito de me dizer tudo o que pensam ou acham. Sobretudo se é um tema que pode de facto preocupar/afligir/incomodar uma mãe. No nosso caso, o ponto-chave é a entrada da Mini-Tété este ano na escola. Como mãe dela e conhecendo-a como a palma da minha mão, tenho os meus receios e angústias quanto a esta entrada (que nem sequer passam pela sua timidez, hei-de falar disso num post), e mesmo que fosse uma mãe despreocupada, acharia na mesma desagradável ter de ouvir constantemente perfeitos estranhos a dizerem "A sua filha é tão tímida/sossegada/etc. Vai sofrer imenso quando entrar na escola!".

Mas porquêêêê? O que é que leva alguém a ver uma mãe e uma filha calmamente a viver a vida delas e a pensar "Eu não me aguento, tenho de ir ali dizer-lhes que a miúda é calma de mais e vai sofrer, pobres criaturas a viver assim na ignorância, o que seria delas sem mim?", alguém me explica?
Já me aconteceu estar a ser atendida numa loja e de repente uma funcionária ou cliente dizer-me isto sem sequer haver um "bom dia" antes. É literalmente um vomitar de parvoíce sem qualquer aviso prévio. Já me aconteceu ser interpelada na rua para me dizerem isto. Já me aconteceu estar a ser atendida por uma funcionária que começa a comentar com outros clientes o futuro sofrimento da minha filha como se eu não estivesse ali. Fosse eu uma pessoa que desse importância ao que os outros dizem e acharia que isto não é apenas desagradável, mas sim cruel. 

Quando eu andava na creche, não havia dia que não regressasse a casa com uma nova marca de dentada dada por um dos outros miúdos da minha sala. Não havia dia que escapasse a isto e a minha personalidade sossegada e tímida assim o permitiam [sim, a Mini-Tété não sai ao vento]. Até ao dia em que a minha mãe me foi buscar e foi informada que a sua menina calma e sossegada aproveitou uma distracção das funcionárias e mordeu os miúdos todos da sala a eito, sem escapar nenhum. Eu não sei como vai ser a entrada da Mini-Tété na escola mas talvez ela saia à mãe. Calma e sossegada até atingir o ponto de saturação. 

Já disse que estou a atingir o meu ponto de saturação com este "aviso" vindo de quem não me conhece de lado nenhum, não já?


5.1.18

Ela e a Batata-doce

Eu sou uma esquisitinha com a comida. Assumo. Gosto de poucas coisas, odeio provar coisas novas, sou picuinhas com a consistência e textura das comidas, enfim, não sou fácil neste campo. E embora gostasse que a Mini-Tété saísse a mim em várias coisas, não faço questão que ela seja igual a mim neste ponto nem que se torne uma daquelas crianças que se recusa a comer seja que legume for ou que torça o nariz a algo só porque "é verde". Por isso, embora ainda haja um mundo de coisas que ela nunca experimentou, temos também o cuidado de a ir incentivando a provar algumas coisas, de lhe propor novos sabores e não desistir à primeira.
Já aqui o disse, uma das nossas estratégias passou por não dar a conhecer à Mini-Tété o sabor de doces como chocolates, rebuçados, pipocas, gelados, ou batatas fritas, refrigerantes, etc...Achámos que havendo tanta coisa para experimentar, não fazia muito sentido começar desde cedo a fazê-la experimentar todas estas coisas que conseguem ser muitas vezes mais agradáveis que outras mais saudáveis como, por exemplo, os bróculos. No fundo, não lhe quisemos viciar o sabor. É claro que haverá crianças que desde cedo comem de tudo, açúcar e salgados incluídos, e mesmo assim apreciam uma boa sopa, uma boa peça de fruta, comem de tudo sem refilar e ainda repetem. Não digo que não, nós é que não quisemos correr o risco (aliado a sentirmos que nada destas coisas lhe fazem falta, sobretudo quando é assim tão pequenina).
Outra estratégia é ter à disposição, comer à frente dela, abrindo assim espaço à curiosidade. Um dos exemplos que tenho é o tomate-cereja. As primeiras vezes que dei tomate-cereja à Mini-Tété, ela deitou-o fora, não gostou. Li não sei onde que se deve oferecer pelo menos 10 vezes para que a pessoa possa verdadeiramente dizer que não gosta, por isso, continuei a ter à disposição, punha na mesa ao jantar, comia e oferecia. Houve vezes em que nem quis experimentar, outras em que nem engolia. Um dia pediu-me, comeu e pediu mais. Mas continuou a não gostar de tomate normal. Até à semana passada. Esta semana já o comeu duas vezes. Ou seja, o truque está em não desistir, não forçar e ter à disposição, oferecendo sempre. E dar o exemplo, comendo. A verdade é que vermos os outros a deliciarem-se com algo abre-nos muitas vezes a curiosidade. Eu que o diga pois quando era pequena via o meu irmão a babar-se por pães de Deus e entrecosto e ainda tentei algumas vezes comer pois se ele gostava tanto, então aquilo devia mesmo ser bom (e não dá, não gosto mesmo e não foi realmente por falta de tentativa).

Ainda assim, não tenho qualquer ilusão ou objectivo que a Mini-Tété goste de tudo e coma de tudo. Não quero ser e não serei aquele tipo de mãe que vai obrigar a filha a ficar na mesa até rapar o prato, sem que esta tenha direito a dizer que não gosta. Mas também não sou nem serei o tipo de mãe que só cozinha o que a filha gosta, até porque embora a Mini-Tété coma bem, ainda torce o nariz a muita coisa. Por exemplo, ela não é fã de batatas e não é por isso que não as faço. Come menos, não insisto muito para que coma mais do que um pouco de batata, mas continua a ser algo que lhe é apresentado.

Em conversas com o Jack, sempre lhe disse que os meus filhos teriam direito a não gostar de algumas coisas sem que houvesse insistência para que comessem. O meu avô era obrigado a comer todas as favas do prato embora não as suportasse e não me revejo neste tipo de comportamento. Aliás, os meus pais tiveram comigo a mesma compreensão e perceberam rapidamente que certas comidas por muito que eu tente nem consigo engolir de tal forma a textura me agonia (como o entrecosto que referi acima. Sei lá eu quantas vezes tentei comer numa tentativa de imitar o meu irmão e nem mastigar aquela carne consigo, quanto mais engolir). Bom, até agora não havia nada que dissessemos "A Mini-Tété não gosta mesmo", pois embora torça o nariz e deite fora uma série de coisas, acho que é sobretudo por ainda não se ter habituado ao sabor. 

Nos últimos meses contudo começámos a reparar que a nossa filha que até então nunca tinha sido muito amante de batata doce, parecia de facto fazer um esforço enorme para a comer, recusando a maior parte das vezes. Da última vez, talvez por estar com fome, lá ia picando os bocadinhos que tinha no prato sem nos dizer nada mas a cada garfada, havia uma careta inevitável, um engolir em seco, um golo de água a seguir. Estou convencida que encontrámos a primeira coisa que lhe desagrada mesmo. E por isso, amanhã o jantar será salmão. Com batata doce para nós. Com batata normal para ela. [a batata-doce continuará à disposição, quem sabe o gosto não mudará mas por enquanto damos um pouco de espaço a esta miúda que até come bem e não nos dá grandes problemas à mesa].

31.12.17

12 Desejos para 2018


Vamos lá então à nova lista para o novo ano.

1. Mudar de casa.
Há coisa de um mês, o Jack teve ali um momento de fé e declarou que lá para a Março teríamos a casa nova pronta (hoje andaram a colocar os tectos falsos, yeah). Eu, pessoa com os pés mais assentes no chão, apontei para Maio. Agora se ficar pronta antes do Verão já me dou por satisfeita. Se ficar pronta antes do final do ano, fico agradecida que eu quero é acabar as obras, mudar-me e esquecer-me que um dia embarquei nesta aventura de comprar um celeiro e fazer dele uma casa. Não se ponham nestas coisas, a sério, isto rouba-nos anos de vida. E pode mesmo vir a acabar em homicídio se o Jack continuar a falar de "agora na próxima, fazemos uma casa de raiz!".

2. Baptizar a Mini-Tété
A não ser que aconteça algum imprevisto, o baptizado acontecerá em Maio, já está tudo marcado com a igreja. Os padrinhos estão convidados e só não fiz ainda os convites em papel porque ainda não vi se o restaurante para o almoço tem vaga nesse dia.

3. Mini-Tété vai entrar na escola.
Se tudo correr bem, em Setembro de 2018 a Mini-Tété vai entrar no infantário, prestes a fazer os seus 3 aninhos. Espero que nada corra mal nas burocracias francesas e que me seja permitido colocá-la no infantário mais perto da futura casa, mesmo que ainda não estejamos lá a morar.

4. Que ela goste da escola.
Eu não estou preparada. Ela não está preparada. E provavelmente nenhuma de nós estará quando chegarmos a Setembro. Vai haver um choque, vai haver uma adaptação, vão existir lágrimas, vai custar, mas tudo isto me parece tão natural como ela entrar na escola com esta idade. Faz parte. E eu espero que ultrapassada a primeira fase que ela goste da escola. E rezo a todos os santinhos que tenha a sorte de ter uma boa educadora, que tenha paciência e calma, que a faça sentir-se bem. 

5. Perder peso
Se este objectivo não estivesse aqui até seria de estranhar (vamos sonhar com o dia em que não precisarei de o escrever porque efectivamente emagreci o necessário :D ). Vamos lá ver se é este ano (escreve ela enquanto deita o olho aos chocolates que estão em cima da mesa...Sou uma fraca).

6. Destralhar
Eu sei que vou aproveitar as mudanças para me livrar de várias coisas que para aqui andam, mas também para me facilitar o processo das mudanças (em que também não estarei assim tão livre quanto isso para andar a triar tudo), prefiro ir-me desfazendo de coisas antes e aos poucos. Esta parte até está a correr bem, não fosse eu sentir que por cada 5 coisas que eu me livro, entram outras 15 pela porta. 

7. Arranjar um emprego
Com a entrada da Mini-Tété na escola, acaba-se o meu papel de mãe a tempo inteiro e gostava de voltar à vida profissional.

8. Fazer mais saídas a dois
Estes anos têm sido muito duros para nós. Temos tido tantos problemas à nossa volta, tantos stresses, que estamos ambos a precisar de respirar fundo e dedicarmo-nos um ao outro. Dizem que ter um filho pode abalar um pouco uma relação, dizem que construir uma casa pode abalar uma relação, e nós decidimos fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Estamos aqui de pedra e cal mas precisamos de um pouco de oxigénio. E como neste Natal nos ofereceram daqueles pacotes com estadia durante uma noite ou um jantar num restaurante diferente, temos mesmo de os aproveitar.

9. Que tenhamos todos saúde
Que os meus avós vivam mais um ano cheio de saúde. Que a Mini-Tété se mantenha a criança saudável que é e que eu, o Jack e a restante família tenhamos saúde para presenciar isso. E eu sei que a entrada da Mini-Tété na escola vai fazê-la travar conhecimento com uma série de bactérias e vírus que até agora lhe são desconhecidos, mas se forem coisas simples que um tratamento resolva, por mim tudo bem.

10. Aproveitar bem este nosso último ano em casa.
Já o tinha dito o ano passado e volto a dizer este ano. A Mini-Tété nunca mais terá 2 anos, eu não sei se terei mais filhos (e mesmo que tenha, a idade da Mini-Tété não volta atrás), por isso quero continuar a tentar aproveitar bem cada dia que tenho com ela. Há dias melhores, há dias piores, mas espero que este ano nos traga boas memórias às duas.

11. Aprender a fazer novos pratos
Gostava de aprender a cozinhar coisas diferentes, nada de muito elaborado já que temos gostos simples, mas a verdade é que sinto que acabamos por repetir muito o que comemos. O Jack não se queixa (ahah, era o que faltava já que deixa que me calhe a mim a tarefa de cozinhar a maior parte das vezes. Mudando de casa e tendo-o mais cedo em casa todos os dias e vamos lá ver se isto também não muda...) mas às vezes sinto falta de inspiração. Há quase 2 anos comprei um robot de cozinha e embora não o use todos os dias (nem tenha necessidade disso, não me faz sentido fazer massa ou arroz simples num robot), a verdade é que também o uso menos do que gostaria. Nos últimos meses tenho-o usado mais e assim quero continuar (já que não deixou de ser um investimento e porque de facto me ajuda a fazer pratos que não faço numa panela pelo trabalho que me dá fazê-lo desta forma mais tradicional).

12. Focar-me.
Os anos passam, temos novas vivências, algumas boas, outras más, lidamos com coisas novas, alguns stresses, alguns imprevistos, e com tudo isto crescemos. E no meio de tudo isto eu acho que não sei muito bem que tipo de adulta sou. Não estando completamente perdida, acho também que não estou assim tão focada e com certezas como eu gosto.

Bom ano a todos!

28.12.17

Balanço de 2017 - Parte II

O ano de 2017 não foi o ano tão simples e calmo como eu gostaria que tivesse sido. Perdi mais vezes a paciência do que gostaria, senti-me mais vezes impotente do que eu gostaria, senti-me com mais receio do que eu gostaria. Teve claro coisas boas e acho que se cheguei ao fim dos últimos 2 anos cansada do ano em que estava, este ano sinto alguma calma. Conquistámos algumas coisas, perdemos outras. E eu estou num misto de fé em relação a 2018 e de medo pois será um ano de mudanças (e eu sou um bocadinho avessa a elas).
Eu sou uma pessoa calma, do tipo que engole muitos sapos, que fica com muita coisa por dizer, que não gosta de reagir a quente, que gosta de ponderar o que vai dizer mesmo que com isso perca a oportunidade de me defender ou dizer o que penso. Este ano, isso alterou-se um bocadinho. Acho que passei por uma fase em que farta de não poder dizer o que quero a quem devia ouvir e farta de ficar sempre calada perante as mesmas pessoas, passei a dizer tudo. E isto até seria muito bom se não tivesse ido para o pólo oposto e não me tivesse tornado "excessivamente sincera e directa", muitas vezes com quem não o merecia. A verdade é que o "politicamente correcto" não deixa de ser necessário. :) Mas eu sentia uma espécie de urgência em dizer tudo o que me vinha à cabeça e o Jack bem sofreu com isto porque sendo ele a pessoa mais acessível, era ele que ouvia. Não havia cá 2 minutos de ponderação, dizia tudo como se o meu cérebro tivesse ganho voz e acreditem que dar palavra a todos os nossos pensamentos é extremamente cansativo. No último mês, decidi fechar a matraca em que o meu cérebro se tinha tornado e até me sinto mais inteligente, porque isto de pensar antes de falar é realmente uma mais-valia, mesmo que nos faça perder oportunidades. Numa ou outra situação, esta "sinceridade urgente" deu-me jeito, mesmo se poderia ter sido um pouco mais ponderada. É como aquela velha história do copo que vai enchendo e enchendo e de repente cai uma última gota e tudo transborda, sabem? O problema é que às vezes a gota é pequenina e quando deitamos tudo cá para fora parecemos tolinhas por estarmos assim perante algo tão pouco importante, quando podíamos ter esperado por algo mais sério para transbordar. Mas isto nem sempre se consegue gerir.
Em 2018 gostaria mesmo de encontrar um equilíbrio em relação a isto. Não posso e não quero dizer tudo o que me vem à cabeça mas também não posso deixar de me defender nalgumas situações. Não posso permitir tudo mas também não posso reagir como se já soubesse que a seguir vou ser atacada porque depois não o sendo fico a fazer figura de parva. Não posso permitir que outros achem que podem impor a sua vontade mas tenho de o saber contornar com educação porque de outra maneira não estou a ser eu.
Pfff, quem disse que ser adulta era fácil?