Eu sei, eu sei, a maior parte dos leitores deste blogue vive em Portugal e não tem qualquer interesse em saber como se processam as coisas por terras francesas, mas eu gosto que este blogue tenha esta pequena rubrica com a etiqueta "Ter um filho em França" pois pode sempre vir a dar jeito a alguém. Bem, eu ainda não estou muito a par da escolaridade em França pois tive a Mini-Tété há apenas 2 anos e tenho-a em casa comigo, por isso ainda não tive necessidade de grandes pesquisas. Mas com a iminente entrada dela na escola, partilho aqui o que sei e algumas diferenças que encontro com Portugal:
Por aqui, a escolaridade é obrigatória entre os 6 anos e os 16 anos (em Portugal, a obrigatoriedade vai neste momento até aos 18 anos). Contudo, ontem, o presidente francês Emannuel Macron anunciou que para o ano a escolaridade passa a ser obrigatória a partir dos 3 anos.
As crianças aos 3 anos entram no ensino gratuito e são matriculadas na Maternelle, nome dado ao jardim-de-infância, na qual ficarão até aos 6 anos, sendo divididas por turmas de Pequena Secção (onde entrará a Mini-Tété), Média Secção e Grande Secção, dependendo das idades. Algumas escolas começam a aceitar turmas com criança de 2 anos mas não é o normal. Aqui qualquer aluno que faça 3 anos até dia 31 de Dezembro desse ano pode entrar na Maternelle.
Não é difícil arranjar vaga (aliás, como se vê dado que querem tornar a Maternelle obrigatória). No nosso caso, na nossa área de residência há apenas uma Maternelle pelo que a inscrição era obrigatoriamente nessa (a não ser que fizéssemos questão de inscrever numa escola particular). A inscrição não é feita inicialmente na escola. Na, na, na, era o que faltava, a burocracia francesa permitir que se vá a um único lugar tratar directamente do assunto, isso é que era bom. A inscrição começa então por ser feita na Maire (câmara municipal), onde temos de apresentar para além do Livret de Famille (Livro de Família, com as nossas informações), os nossos cartões de cidadão e o Carnet de Santé da criança (equivalente ao boletim de vacinas mais mais completo), um justificativo de morada. Na Marie dizem-nos então qual a escola que pertence àquela região e dão-nos um papel para que possamos ir efectivamente matricular a criança à escola (aaaaah, tudo isto por causa de um papelinho, é sempre preciso um papelinho...).
No caso da escola da Mini-Tété, as matrículas estavam a decorrer todas as sextas de manhã com a própria directora. Deixo-vos o relato deste encontro para outro post, fiquemo-nos apenas nas informações úteis. Era-nos pedido que levássemos, para além do importante papel da Maire, o Livret de Famille, o Carnet de Santé e duas fotografias (uma tipo-passe da Mini-Tété e outra da família). Feita a reunião, a matrícula estava feita. Nalgumas zonas, como em Paris, as matrículas decorrem logo no início do ano, noutras como a nossa em Março já se pode matricular e penso que nalguns sítios até Junho é possível fazer a matrícula.
Agora voltaremos em Junho para visitar a escola e onde será permitido às crianças estarem nas salas e no recreio, mas com a presença dos pais, para que façam a descoberta do espaço com algum apoio familiar. As aulas começaram depois logo no início de Setembro.
No que toca à matrícula, não tenho qualquer experiência pessoal de como é feita em Portugal, mas do que leio em fóruns achei todo o procedimento mais simples aqui (mesmo com o passeizinho à Maire em busca do papel-super-importante-e-essencial...) pelo facto de haver facilmente vaga no jardim-de-infância público, por não ter de andar a visitar escolas, perguntar preços, ter de escolher, e por em Março ter conseguido logo tratar do assunto. Este post é mais informativo, mas tenho já em mente mais um ou dois com relatos, opiniões pessoais e mais informações sobre este assunto. :)





