Quando a Mini-Tété tinha semanas de vida, os meus pais tiveram um ataque de riso quando me ouviram fazer perguntas à pequenina, explicar que ia aquecer o leite e outras conversas parecidas. Na altura ouvi "Até parece que estás à espera que ela te responda!". Ri-me, expliquei que obviamente sabia que a Mini-Tété não me ia responder (não estava assim tão tolinha) mas que me fazia sentido dizer e perguntar as coisas porque um dia ela haveria de perceber e também porque assim ia aprendendo a entoação das coisas que eram ditas, para mais tarde entender melhor o que eram perguntas, o que eram explicações, o que eram afirmações, e já agora aprender como se comunica....Além do mais tinha lido que descrever o que se estava a fazer e conversar com o bebé era a melhor maneira do bebé aprender as palavras, por isso, ainda mais sentido fazia começar logo desde cedo.
Coincidência ou não, já se sabe que a Mini-Tété começou a falar muito cedo. E não é apenas falar, pois como ainda no outro dia ouvi, a verdade é que com 2 anos, ela explica-se, tem raciocínios e consegue verbalizá-los. Eu acho que o mérito é quase todo dela mas deixem-me acreditar que há ali uma pequena percentagem que se deve às horas de conversa (vá, monólogos), explicações e afins que eu tive com ela.
E estou a escrever isto porque tenho andado a ler diferentes blogues a comentar as palavras de uma especialista em educação sexual que afirmou que se deve pedir autorização a um bebé para lhe mudar a fralda, de forma a começar a ensinar noções de privacidade e intimidade. E como andei a espalhar a minha opinião por diferentes caixas de comentários, achei que mais valia escrever aqui, no meu próprio blogue, aquilo que penso sobre o assunto.
A ideia de perguntar a um recém-nascido "Deixas-me mudar-te a fralda, por favor?" parece, no mínimo, roçar o ridículo. Mas informar à medida que se vai crescendo, com um "Agora vamos mudar a fralda para ficares mais fresquinho" é meio-caminho andado para não virem a existir birras para mudar a fralda, porque o bebé (que ganha capacidade de compreensão mais cedo do que aquilo que mostra) vai perceber para onde vai e o que vai acontecer.
A um bebé de um ou dois anos, é perfeitamente possível informar ou perguntar antes de se ir mudar a fralda. É lógico que se a criança disser que "não" não vamos pensar "Oh, está bem, se não queres, não mudamos", mas sim aproveitar o momento para explicar o porquê de ser necessário mudar a fralda, de forma a que compreenda e colabore, e para a próxima a probabilidade de ela contestar é menor. Não é estar à mercê do bebé e da sua resposta porque no fundo a fralda é mudada quando os adultos querem.
E quem diz fralda, diz tudo o resto. Ainda há muito o hábito de passar o dia a despejar ordens a uma criança (vai vestir o pijama!, vai lavar os dentes!, vamos mudar a fralda!, come a sopa toda!, arruma os brinquedos!) quando se nos fizessem a mesma coisa estaríamos a enervar-nos ao fim de umas horas. Da mesma forma que se desliga a televisão abruptamente e se manda para a mesa (como se aceitássemos que alguém nos fizesse o mesmo...) ou se manda abruptamente de parar de brincar e ir calçar os sapatos, o que geralmente leva a birras que seriam desnecessárias se se agisse de outra forma.
Sou uma absoluta defensora da comunicação desde cedo, desde recém-nascidos, com perguntas e explicações, para que o bebé compreenda que há razões para se fazerem as coisas, para que perceba como se comunica, para que sinta que há respeito, para diminuir as probabilidades de birras, por isso, não faço ideia se pedir autorização para mudar a fralda ensina o que é a privacidade e intimidade, mas acredito que perguntar e informar que se vai fazê-lo, ajuda a obter a colaboração do bebé e ensina a comunicar.

