Acho sinceramente que não há uma idade certa para entregar os nossos filhos nas mãos de estranhos. Tenho vindo a pensar nisto desde que me disseram que, por ter deixado para agora a entrada da Mini-Tété na escola, tornei simplesmente tudo mais difícil para mim e para ela.
Para ela, talvez, não sei. É verdade que terá uma maior consciência da ausência da mãe, terá mais medos, será um corte grande do cordão umbilical que nos uniu nos últimos 2 anos e 10 meses. Por outro lado, ficou claramente a ganhar nestes 2 anos e 10 meses em que pôde usufruir da mãe a tempo inteiro, de um acompanhamento personalizado, de um crescimento ao ritmo dela, de uma atenção dedicada.
Para mim, não consigo mesmo ver porque é que agora é pior do que seria quando ela tinha 4 meses, um ano, ou seja que idade for. Não acho mesmo que haja uma idade certa para entregar os nossos filhos nas mãos de estranhos sem ficar com o coração do tamanho de uma ervilha. Quando a Mini-Tété fez 4 meses, eu lembro-me de ter pensado que era uma sortuda por poder ficar com ela em casa e cheguei a dizer ao Jack que não imaginava o sofrimento que era para algumas mães terem de deixar os seus bebés tão pequeninos nas mãos das amas ou das creches.
Entregar um bebé quando tem meses de vida seria, para mim, um corte demasiado cedo, os medos seriam demasiado grandes, o bebé não se exprime, eu não teria maneira de saber se estaria a ser bem-tratado e acarinhado numa fase em que precisaria tanto de mim*. Esta é a vantagem de ter a Mini-Tété a ir só agora, já é mais independente, já precisa de convivência social pelo que damos este passo certos que é algo positivo para ela, já fala e vai poder explicar-me como se sente. Por outro lado, é verdade que aos poucos meses de vida a consciência não é tão grande, estando as necessidades básicas satisfeitas, os bebés ficam bem e mais tarde não passam por esta separação tão duramente.
Não sei como funciona com as outras mães, mas eu acho que o meu coração ficaria sempre do mesmo tamanho, mirradinho e a precisar de mimo, fosse qual fosse a idade de entregar a Mini-Tété nas mãos de estranhos. Porque é o meu maior tesouro. E porque não serão as minhas mãos.
(*digo isto sem qualquer culpabilização das mães que o fazem. Eu também fui com meses de vida para uma creche e não sei se um dia, se tiver um segundo filho, não farei o mesmo por circunstâncias da vida).



