24.8.18

Aleluia!

Finalmente voltei a receber e-mails quando há novos comentários por aqui. O Blogger tinha deixado de funcionar neste ponto, eu não recebia nenhuma notificação de novos comentários e quando me lembrava de vir ao blogue espreitar, já tinha comentários por ler e sem reposta há vários dias (eu não vos andei a ignorar, sim? Foi mesmo culpa do Blogger). Agora finalmente lá consegui voltar a ter tudo a funcionar de vez (espero eu!) e estou contente.

No entanto recebi o aviso de que o blog não anda a aceitar alguns comentários anónimos. Eu fiz  o teste e comigo resultou mas gostava de saber se isto anda a acontecer a muitas pessoas. 
Quem não conseguir comentar aqui, mande-me um mail (andolaporfora@gmail.com) a dizer algo como "Sim, eu, eu, tenho tentado dizer coisas super-interessantes no teu blogue super-giro-e-fabuloso e não tenho conseguido" para eu ver se encontro o problema, sim?

Obrigada!

23.8.18

Fula.

Em 2014, num dos bancos em que já tivemos contas, depois de uma conversa informal entre o gestor de conta e o Jack, este comentou que tínhamos casado. Dias depois ao aceder às minhas contas online apercebo-me que os meus apelidos tinham sido apagados e que tinha sido colocado o apelido do Jack. (a fúria com que mandei um e-mail a exigir os meus apelidos de volta não é possível descrever).

Em 2015, ao abrirmos novas contas noutro banco, o Jack teve de passar uma declaração em como eu de facto vivia com ele pois eu não tinha comprovativos de morada (todas as contas foram postas em nome do Jack) e embora fossemos casados, como não temos o mesmo apelido, isso pode significar que não partilhamos o mesmo lar...

Em 2018, descubro que não tenho acesso aos extractos da minha conta pessoal mas que o Jack tem! Da minha conta pessoal, da qual ele não é titular, à qual ele não tem acesso, que em nada está ligada a ele, mas que o banco achou por bem colocar os meus extractos a serem consultados na área cliente dele. Eu não posso vê-los mas ele pode. Não tenho nada a esconder do Jack, não tenho problema que me veja os extractos bancários, mas essa decisão de partilha tem de passar por mim e não por alguém num banco. Fui em fúria ao banco e não sabem como resolver o problema, que têm de procurar uma solução. E eu regresso a casa na mesma: com o meu marido a ter mais direito sobre os meus extractos de conta do que eu.

Para os bancos daqui eu não sou a Tété, sou simplesmente um acessório do meu marido. Em França. Em 2018. Estou fula.

22.8.18

Meu estranho mês de Agosto


Este mês tinha tudo para ser diferente mas acho que conseguiu romper todas as expectativas e ser ainda mais estranho do que eu pensava que seria. É o último mês antes da Mini-Tété entrar na escola, o nosso último mês desta aventura a duas que durou 2 anos e 10 meses, o último mês deste meu papel de mãe-a-tempo-inteiro-24h-por-dia-7-dias-por-semana.

Esperava aproveitar bem este mês, tentar guardar na minha péssima memória os mais pequenos pormenores, esquecer quase na totalidade as tarefas domésticas e brincar, brincar, brincar muito a Mini-Tété. Mas a minha pequenita está virada do avesso este mês e decidiu ser absolutamente do contra em tu-do. Tu-di-nho. A mudança de comportamento que eu esperava haver em Setembro começou agora, com ela a fazer tudo aquilo que sabe que não lhe é permitido, a disparatar, a querer sempre o oposto do que eu quero ou lhe digo. Não estou certa da razão, inicialmente achei que era o regressar a casa depois de umas férias ao pé do mar com toda a atenção dos avós, depois talvez o passar de ter o pai 24h por dia para o ter novamente apenas 1h ou 2h por dia, ou talvez o início do desfralde e os primeiros dias fechadas em casa para gerir melhor este processo, e depois talvez o aperceber-se que a escola está quase aí, o não ver o seu quarto novo pronto, o adivinhar as mudanças que vêm aí, ou apenas uma fase normal da idade. No fundo, talvez tudo isto junto. Não interessa, lida-se o melhor que se pode e suspira-se por não se poder aproveitar este mês como se queria.

Sentimentalmente está a ser o que eu esperava. Tem sido assim nos 3 últimos meses. Uma montanha-russa entre o nem pensar muito no assunto, o achar que vai correr tudo bem e a angústia de como vai correr. Há 3 meses não descansava a pensar na dificuldade da Mini-Tété a expressar-se em francês, depois passou-me, agora começo a sentir o nervoso miudinho a voltar. Depois preocupei-me com o desfralde, agora já está resolvido. Depois andava super calma e tive a infeliz ideia de ler uns casos de algumas cantinas em que forçam as crianças a comer e tive direito a noites de insónias a pensar nisto. Acalmia. Depois houve uma fase em que me parecia que todos os dias um professor/auxiliar/explicador/monitos/etc era preso por molestar as crianças e andei com um nó no estômago dias seguidos. Mar calmo. Nova onda ao lembrar-me do bullying. Depois passou outra vez. Parece-me normal, pelo menos, é-o para mim, e aceito estas ondas de preocupação da mesma maneira que aceito a maré baixa em que tudo correrá bem.

O fecho deste ciclo de 3 anos em que estive com a Mini-Tété está a custar-me. Não mais do que o esperado pois afinal eu nunca gostei de mudanças, mas é mais um sentimento com que lidar.

A casa não avança à velocidade que queremos. Queremos mudar o quanto antes e iremos fazê-lo mesmo sem as obras estarem todas completas, até porque a fase final vai ser feita à medida que o mealheiro for permitindo. Mas antes das mudanças há coisas básicas que têm mesmo de ser feitas e tudo parece demorar o triplo do tempo que pensávamos demorar. O stress, a resolução de problemas, o pensar em alternativas, a burocracia francesa, está a deixar-nos para lá de fartos com tudo isto.

E por isso neste mês
a paciência não é a esperada, a Mini-Tété não está a ajudar (não está um pequeno diabo, mas está realmente numa fase cansativa de medir os limites, a juntar à fase dos "porquês" que nunca mais abranda), e eu passo os meus dias a saltitar entre o "raios partam, que a escola nunca mais começa, eu não nasci mesmo para ser mãe a tempo inteiro" e o "nãããããããoooo, eu não quero que ela vá para a escola, quero-a ao pé de mim, eu não conheço aquelas pessoas, nãããããoooo".

Estranho mês de Agosto, cheio de coisas para gerir.

16.8.18

A idade certa para entregarmos os nossos filhos

Acho sinceramente que não há uma idade certa para entregar os nossos filhos nas mãos de estranhos. Tenho vindo a pensar nisto desde que me disseram que, por ter deixado para agora a entrada da Mini-Tété na escola, tornei simplesmente tudo mais difícil para mim e para ela. 

Para ela, talvez, não sei. É verdade que terá uma maior consciência da ausência da mãe, terá mais medos, será um corte grande do cordão umbilical que nos uniu nos últimos 2 anos e 10 meses. Por outro lado, ficou claramente a ganhar nestes 2 anos e 10 meses em que pôde usufruir da mãe a tempo inteiro, de um acompanhamento personalizado, de um crescimento ao ritmo dela, de uma atenção dedicada.

Para mim, não consigo mesmo ver porque é que agora é pior do que seria quando ela tinha 4 meses, um ano, ou seja que idade for. Não acho mesmo que haja uma idade certa para entregar os nossos filhos nas mãos de estranhos sem ficar com o coração do tamanho de uma ervilha. Quando a Mini-Tété fez 4 meses, eu lembro-me de ter pensado que era uma sortuda por poder ficar com ela em casa e cheguei a dizer ao Jack que não imaginava o sofrimento que era para algumas mães terem de deixar os seus bebés tão pequeninos nas mãos das amas ou das creches. 

Entregar um bebé quando tem meses de vida seria, para mim, um corte demasiado cedo, os medos seriam demasiado grandes, o bebé não se exprime, eu não teria maneira de saber se estaria a ser bem-tratado e acarinhado numa fase em que precisaria tanto de mim*. Esta é a vantagem de ter a Mini-Tété a ir só agora, já é mais independente, já precisa de convivência social pelo que damos este passo certos que é algo positivo para ela, já fala e vai poder explicar-me como se sente. Por outro lado, é verdade que aos poucos meses de vida a consciência não é tão grande, estando as necessidades básicas satisfeitas, os bebés ficam bem e mais tarde não passam por esta separação tão duramente.

Não sei como funciona com as outras mães, mas eu acho que o meu coração ficaria sempre do mesmo tamanho, mirradinho e a precisar de mimo, fosse qual fosse a idade de entregar a Mini-Tété nas mãos de estranhos. Porque é o meu maior tesouro. E porque não serão as minhas mãos.

(*digo isto sem qualquer culpabilização das mães que o fazem. Eu também fui com meses de vida para uma creche e não sei se um dia, se tiver um segundo filho, não farei o mesmo por circunstâncias da vida).



10.8.18

A sério?!

Não sei se isto acontece a mais gente, se é só comigo, se há qualquer coisa em mim que faz as pessoas perderem o bom senso, mas as idas ao supermercado começam a tornar-se cada vez mais caricatas. Começou por ter as funcionárias das caixas a fazerem comentários àquilo que eu estava a comprar: 
- "Mas vai levar mesmo este verniz? Eu acho-o caro." (E...?),
- "Mas eu disse-lhe que outra marca deste produto estava em promoção, porque é que leva esta?" (Porque não gosto daquela que está em promoção, posso?), 
- "Tanta quantidade! Precisa mesmo disto tudo?" (Não, vou pagar e depois mandar ao rio...)
- "Vai levar isto? Eu não gosto." (Mas gosto eu...)
E muitos mais exemplos há, tanto de funcionárias que já me vêem por lá há anos como de outras que devem ter começado a trabalhar há uma semana, e não interessa se sou extremamente seca nas respostas (ou bruta, como me acusa o Jack) porque isso não lhes parece resfriar o entusiasmo.

Hoje, decidi comprar uma gulodice e ao chegar à caixa, era a Mini-Tété que a trazia nas mãos (isto suscita sempre comentários porque assume-se naturalmente que é ela que vai comer e por isso as funcionários começam a perguntar-lhe se gosta, se é bom, até eu explicar que ela não faz ideia porque ainda não come - o que suscita novos comentários. Yep...é a minha vida). Por acaso, desta vez era mesmo para ela e a novidade de hoje é que foi o casal atrás de mim que decidiu lançar o seu palpite, olhando para a Mini-Tété e atirando:
- "Isso não te faz bem, pois não?"
Olhei para eles surpreendida, estaria mesmo um casal com quase idade para serem meus pais, em franca falta de forma, a criticar o que eu estava a comprar para a minha filha? Sim, estavam. Fizeram questão de mo repetir mais duas vezes. 

O Jack pergunta-me porque não lhes pedi eu para se meterem na vida deles. Eu acho que se as pessoas chegam a esta idade com tamanha falta de bom senso, já não serei eu que as educarei. 

Mas digam-me por favor que não é só  a mim que estas coisas acontecem!

7.8.18

Filhinha do papá

Mini-Tété põe as mãozinhas na cara do Jack, olha-o olhos nos olhos e diz:
- Tu és o meu amor...

Estou em casa com ela há 2 anos, 9 meses e 23 dias e não oiço nada destas coisas dirigidas à minha pessoa. Amuei.

6.8.18

O Desfralde (novamente)

Em Junho tínhamos tentado o desfralde. Dava jeito, era antes das férias, fazer em Agosto parecia-nos muito em cima da entrada na escola, enfim, todo um sem número de vantagens visto que queríamos que a Mini-Tété largasse as fraldas antes da entrada na escola. Mas não correu bem, a Mini-Tété recusava-se terminantemente a fazer fosse-o-que-fosse no bacio ou na sanita, se a deixássemos sem fralda era acidente no chão pela certa, e começámos a ver que ela se continha para não fazer até lhe ser colocada uma fralda. Pior, começou a ter receio de fazer nas fraldas e no dia em que começou a chorar na sanita, a contorcer-se de tão aflita que estava mas sem querer fazer, percebemos que estava a acontecer aquilo que não queríamos: stress para ela. Parámos o processo nesse mesmo dia e esquecemos o assunto até Agosto, um mês e meio depois.

Durante as férias fui pensando qual a melhor abordagem: tentar fazer novamente o "treino de bacio"? Tirar as fraldas de vez pura e simplesmente, mesmo sabendo que ela não fazia nada onde devia? O uso das cuecas-fraldas, dica simpática que me foi dada no facebook, foi um bocado "flop". Ela percebeu rapidamente que podia fazer nelas sem se sentir suja, tal como nas fraldas, e por isso tinha continuado sem fazer nada na sanita/bacio. Quanto muito terão ajudado no processo de a fazer sentir uma "menina mais crescida" pois aprendeu que só os bebés usam fraldas e que as meninas grandes usam "cuecas fonhinhas" (cueca-fralda), cortando assim o uso das fraldas durante o dia. Ainda assim, aqui entre nós, acho que estas cuecas-fraldas podem dar muito jeito a muitas mães, sobretudo àquelas cujos filhos preferem trocar a fralda de pé, mas eu não fiquei nada fã. Não achei tão prático como as fraldas, absorvem menos, com menos líquido ficam rapidamente com aquele "ar pingão e pesado" que eu não gosto nada de ver...Enfim, não deixarão saudades.

Regressámos das férias e dois dias depois, nova tentativa de desfralde com dois pontos importantes na cabeça: a) acabavam-se as fraldas e pronto, pois não há tempo para outro método, b) tinha de haver alguma evolução logo na primeira semana senão considerava-se que não era mesmo o momento e ficava para Setembro, com o desfralde a ser feito juntamente com a escola.

E surpresa das surpresas, tem estado tudo a correr naturalmente bem. Tirámos as fraldas e ela passou a passar por nós em direcção à casa-de-banho a dizer "A Mini-Tété vai fazer xixi/cócó" e faz sem problemas nenhuns. Fora alguns acidentes, até parece que faz isto desde que nasceu, vá-se lá entender. Estamos a usar o método de "muita festa, muitas palminhas e um autocolante numa folha na parede" por cada "depósito" no bacio e parece estar a resultar bem. O calor infernal está ajudar porque ela anda como veio ao mundo. Esta semana estamos um bocado enclausuradas em casa, mas para a semana quero ver se começo a fazer pequenas saídas com ela sem fraldas, se a treino a descer e subir a roupa e se lhe tiro a fralda da sesta.

Estou verdadeiramente abismada com esta mudança, um mês e meio depois de tudo ter estado a correr tão mal. É realmente verdade que nestas idades, um ou dois meses fazem muita diferença e que este pouco tempo é muitas vezes o suficiente para se fazer um "click" qualquer [um dia conto como passámos de banho-sessão-de-tortura para banho-vamos-yupi). 

Nota: todas aquelas listas que li de "os sinais que que dão quando estão prontos para o desfralde" não me serviram para nada. A Mini-Tété cumpre apenas um deles e tudo o resto não faz. Ou seja, se um dia tiver um segundo filho, vou andar às aranhas novamente.


2.8.18

Férias

Uma viagem de avião em que nos ferrámos os três a dormir. Para depois eu acordar com um dos maiores ataques de alergia que me lembro de ter tido num avião (e tenho sempre, em todas as viagens). À chegada, metade dos passageiros com malas perdidas. Muito tempo perdido e muito stress para depois as vermos aparecer num tapete de um voo diferente. 

Praia, muita praia. E descobrir que o tempo não estava assim tãããooo quente como eu achei que estaria (em França estava - e está - um forno) e que se calhar devia ter trazido um casaquinho ou uma camisola. O Jack arrancou dois sisos de urgência. Eu perdi o meu chapéu de palha. Apareceu dias depois sem ninguém perceber como. Fiz uma contractura muscular. Comemos gelados e gelados e gelados. Voltámos aos restaurantes de sempre. Eu li um livro. E outro. E não li outro porque não o comprei. Dormimos sestas. Tomámos banho no mar. E esquecemos os problemas.

A Mini-Tété perdeu o nojo à areia. Adorou as piscinas que o avô lhe fazia junto ao mar. Aprendeu a dar saltos à chegada das ondas. Tomou banho no mar ao colo do pai. Foi ao parque todos os dias, onde aprendeu a subir mais alto, pendurar-se em cordas e a atravessar pontes a cantar. Tentou fazer castelos na areia. Provou dos nossos gelados todos os dias. Comeu sopa todos os dias. Comeu muito peixe grelhado. E manga e melão dos bons. E pão com chouriço. E leitão. Experimentou a piscina mas não gostou. Não se calou um minuto. Riu às gargalhadas todos os dias com a bisavó. Andou num triciclo puxado pelo avô. Adormeceu com a avó. Reviu primos e amigos da família. Já corre mais depressa.

Todos os dias perguntou se ia para a escola no dia seguinte. Delirou com a mochila que lhe comprámos e não a largou desde aí. Fomos ao Zoo e emocionei-me com a alegria dela ao ver os golfinhos. Comprámos livros novos. E sandálias. Aprendeu a saltar em trampolins. Dormiu bem e este ano não nos perguntou quando voltávamos para casa ou pediu para regressar. Viu o eclipse da lua. Alimentou as galinhas com o bisavô. Deu quedas e esfolou os joelhos e os cotovelos. Não houve birras. Foi besuntada com protector solar 50 várias vezes ao dia (não brincamos com o sol) e vem mais morena que os pais.

No regresso, voo atrasado quase duas horas. Uma viagem inteira sem se calar. "Porque é que estamos todos sentados? Porque é que temos de pôr os cintos? Porque é que aquele senhor está a dormir? Porque é que não há pão neste avião? Porque é que vai à casa-de-banho? Onde estão as nossas malas? Porque é que tenho de beber água? Porque é que o avião está no ar? Porque é que é de noite? Porque é que não podemos sair já? Porque é que tenho de falar baixinho? Porque é que o papá está a dormir? Porque é que aquela senhora está a rir a olhar para a Mini-Tété?" acrescentando a nova mania de não obtendo logo resposta, dizer "Porquê? Porquê? Porquê?". Peço desculpa aos passageiros à nossa volta que se calhar preferiam ter tido uma miúda de 2 anos a fazer uma birra de 10 minutos do que a falar sem parar durante duas horas. Eu percebo-vos. Mesmo. Malas recuperadas, regresso a casa muito tarde mas com a sensação de terem sido umas boas férias (demasiado rápidas).

A meio das férias, a caminho da praia, a Mini-Tété disse ao avô:
- Estou muito, muito contente por estar aqui.

 E no fundo, no fundo, é isto que importa.