14.11.18

Raios partam Novembro...

Ando ausente, a falta de tempo não ajuda e nas poucas vezes em que chego aqui ao blogue para escrever tenho a cabeça tão cheia de coisas que nem sei bem o que partilhar ou não. Estava convencida que este mês de Novembro seria um mês espectacular mas definitivamente acho que o meu sexto sentido não existe ou é extremamente fraquinho, e tem sido um mês chatinho, mas chatinho mesmo. A Obra sofreu (e está a sofrer) novo atraso; A Besta (o meu vizinho queriduxo que dou a quem quiser!) escolheu este mês para nos chatear a vidinha e tem sido um vê-se-te-avias e uma perda de tempo a tentar impedi-lo de levar as suas vontades avante; a incompetência generalizada deste país é de tirar as forças a qualquer pessoa (a sério, eu nunca vi tamanha falta de brio no trabalho); reuniões que são canceladas sem ninguém se lembrar de nos avisar; bati com o carro num passeio para fugir a um despassarado que não sabe o que é um "stop" e rebentei um pneu; a bateria do carro do Jack morreu; voltei a ter noites de insónias; adoeci outra vez; esqueci-me de colocar fraldas na Mini-Tété à noite o que resultou num dilúvio daqueles-à-grande numa das noites; a minha filhota anda entretida a ser uma "threenager", a querer esquecer todas as regras que aprendeu e a testar os limites todos, o que mesmo sabendo que é apenas uma fase, não deixa de ser uma fase desafiante e em que foi preciso voltar a rever a nossa postura enquanto pais e qual o caminho a seguir; já devia ter metade da minha vida encaixotada e continuo com os meus caixotes de há 2 meses; o Jack entalou-me dois dedos; a pintura da cozinha não ficou nada bem, e vamos ter de voltar a pintar, os nossos planos para o Natal estão em risco de serem alterados, entre tantas outras coisas.

Claro que também há coisas boas que vão acontecendo (ganhei um dos prémios do IKEA!!) e tento focar-me o mais possível nelas mas acreditem que este mês tem sido uma coisa chata todos, to-dos, os dias. Ai, mês de Novembro, mês de Novembro, nunca te achei particular piada e não me parece que seja este ano que vou passar a adorar-te.

4.11.18

Novembro

Nunca achei particular piada ao mês de Novembro. É assim um mês meio nhé, em que o frio já se começa a sentir com mais força, não acontece nada de muito relevante (fora alguns aniversários de pessoas especiais) e é ali aquele mês que ocupa simplesmente tempo entre Outubro, o mês dos meus anos (e da Mini-Tété) e Dezembro, o mês do Natal. Mas este ano estou cheia de fé neste mês, não sei porquê  mas algo me diz que vai ser um bom mês, o que pensando bem deveria pôr-me alerta visto que o meu sexto sentido funciona tão bem como um relógio avariado. Mas pronto, vamos fingir que estas minhas "sensações" dão sempre certo, que eu acerto sempre em tudo e que de facto este mês vai correr mesmo sobre rodas.
Amanhã já temos uma prova de fogo, com um pequeno confronto com A Besta (o nosso espectacular vizinho), o regresso da Mini-Tété à escola, uma fuga isolada à rotina pois são os avós que a vão buscar depois, e  esta semana sai também o resultado do concurso IKEA onde participei (e vou ficar com uma neura tão graaaaaande se não ganhar um dos 75 prémios, nem imaginam). Mas para já o mês começou bem, com o nosso quarto e o quarto da Mini-Tété com as pinturas terminadas, yeah! Também já temos metade do corredor pintado e e quando terminarmos esta parte, em princípio poderemos começar a colocar o chão. É sem dúvida uma tarefa demorada porque temos as vigas originais da casa para proteger com um produto próprio e paredes de 5 metros para pintar, pelo que neste andar tudo parece andar a passo de caracol. Espero que no andar de baixo as pinturas sejam mais rápidas, e que brevemente se possa começar a pôr o chão e a instalar a cozinha. Desejem-me sorte. Este tem mesmo de ser um bom mês. :)

P.s. Entretanto fui desafiada a criar uma conta instagram com a evolução d'A Obra, desde a fase Celeiro até à fase em que estará uma Casa habitável. Francamente, é o tipo de coisa que sempre achei que teria pouco interesse até perceber que eu própria sigo e espreito contas de instagram deste género, por isso fiquei a pensar. Talvez seja uma ideia engraçada. :)

1.11.18

Casamentos e divórcios #2

No seguimento do post anterior, eis outra coisa que não consigo compreender: o programa "Casados à primeira vista". Eu entendo o que é achar que não se encontra a pessoa certa, o que é sentir que se escolhe sempre a pessoa errada (e há de facto pessoas que não sabem escolher com quem estão, isso é verdade), o que é achar que começam a faltar alternativas para conhecer pessoas novas (às vezes nem é preciso, no meu caso foi um amor de infância emigrado que decidiu dar notícias 8 anos depois), o que é ver a idade a avançar e o desejo de ter uma família a pesar cada vez mais (então sobre as mulheres, é um peso imenso), entendo o recurso a aplicações como o tinder ou sites de encontros, eu entendo tudo isto...agora casar com um desconhecido? Pronto, sou demasiado velha para estas modernices, é a única conclusão a tirar.

Ou então, dou realmente mais importância ao casamento do que estas pessoas, que vêem nisto uma experiência de vida, um teste a ver se dá certo, com recurso fácil a divórcio se não resultar. Para mim, seria impensável casar com alguém sabendo que um de nós poderia querer o divórcio no dia seguinte. Pior, convidar toda a família e amigos para celebrar aquele "amor", ui, a vergonha. Que peça de teatro para algo tão importante. E se depois não resultasse (oh, que surpresa, francamente!), que humilhação seria...Porque os casamentos não incluem apenas os noivos, há toda uma família por trás, com sentimentos, que vive este dia, para quem este dia é importante, tem valor...Quão horrível seria obrigá-los a ficarem felizes por eu me casar para depois lhe dizer que não resultou, como seria quase de esperar? Nem consigo imaginar a cara dos meus pais e avós tal a vergonha que sinto logo que me engoliria.
Teria muita pena se um dia a minha filha me fizesse uma partida destas, obrigando-me a representar num casamento a fingir, em vez de estar verdadeiramente feliz e emocionada por a ver subir ao altar.

Eu até não digo que estes "especialistas" não consigam verdadeiros "matchs" (se o tinder consegue....), mas há obviamente um lado que lhes escapa, que eles não conseguem controlar, é preciso que haja química no casal. O meu homem-tipo ideal e pelo qual mais facilmente me apaixono tem olhos azuis e cabelo escuro (pronto, já sabem como é o Jack :D). Mas há homens com estas duas características que não são nada bonitos aos meus olhos pelo que não bastaria colocarem-me qualquer um de olhos azuis e cabelo escuro à frente para eu o achar uma brasa (sim, sim, há tudo o resto, a beleza interior e tal, mas a parte física também conta, certo?). E não havendo atracção física, a pessoa até pode ser compatível connosco em muita coisa, mas já falta algo essencial. E mesmo assim, corre-se o risco? Sabendo que há esta probabilidade de erro, valerá a pena tentar? Porque uma coisa é conhecer alguém no facebook, no tinder, num bar, ter um primeiro encontro, ir vendo se há compatibilidade, se a chama aumenta ou se apaga, sem pressões, sem envolver logo a família, sem compromissos para o resto da vida...Mas casar logo? Porque a questão não está apenas no dia do casamento, o verdadeiro ponto está nos dias todos que virão depois. E uma relação não é só felicidade, só paixão, só descobrir coisas boas, e estando já casados, o que é menos bom toma rapidamente um peso muito maior. Digo eu do alto da minha vasta experiência em relações amorosas e casamentos, ahah.

31.10.18

Casamentos e divórcios #1

Este Verão, enquanto lia revistas, com as vidas dos famosos, os seus casamentos e divórcios, comentei com o Jack que embora defenda que não devemos ficar com alguém para sempre apenas porque nos casámos, há separações e divórcios que me deixam sempre incrédula. 
Tenho alguma dificuldade em compreender casais que se separam menos de um ano após o casamento e que partilham depois que nos últimos anos as coisas já não andavam bem ou que quando casaram a relação já estava com problemas. Mas se assim é, como é que casam? Se a relação já está tremida, se as coisas já não estão a funcionar, se já há problemas, para quê chegar ao ponto do casamento? Para quê comprometerem-se com alguém para o futuro, sabendo já que se calhar as coisas não serão assim tão eternas quanto isso?

Tento colocar-me no lugar destes casais e só me assola uma enorme vergonha alheia. Não consigo imaginar como seria fazer um casamento, fazer uma festa, convidar toda a família e todos os amigos (e revistas, no caso dos famosos), para festejarem connosco este amor, este compromisso, e meses depois dizer "Olhem, malta, acabou. No fundo, as coisas não estavam muito bem, já deveríamos ter adivinhado, mas obrigadinha por terem gasto o vosso tempo e o vosso dinheiro em roupas bonitas e prendas de casamento, sim? Foi giro mas já acabou". Eu acho que só quereria um buraco para me enfiar de tanta vergonha, sentir-me-ia uma farsa, sentiria que tinha enganado todas as pessoas ao estar naquele dia a fingir que seria um compromisso para sempre já sabendo que haveria problemas que poderia levar a um fim. Pondo-me no lugar dos convidados, acho que ficaria na mesma incrédula se uma amiga recém-casada me dissesse que se iria divorciar e que nos últimos anos a relação já não estaria bem. Teria todo o meu apoio no divórcio (não vale a pena ficar com alguém que não nos traz felicidade) mas sentiria ainda assim que tinha ido a uma espécie de teatro onde os noivos fingem ser o casal perfeito, escondendo uma relação prestes a ruir. 

Não compreendo como se casa assim e como se afirmam estas coisas com tanta leveza, mas talvez seja eu que não concebo a ideia de me casar já a pensar que o divórcio possa ser uma opção real no futuro. Não que eu acho que devemos ficar presos à pessoa com quem casámos se isso nos fizer infelizes, mas é suposto que quando casamos, achemos do fundo do nosso coração que aquela relação é para sempre e que não seja apenas uma tentativa de "vamos lá ver se isto resulta ou melhora a nossa relação". Ou então sou eu que sou demasiado romântica...

26.10.18

Halloween

Halloween #1
Em França festeja-se com mais pompa e circunstância o Halloween do que o Carnaval. As lojas enchem-se de máscaras, adereços, pinturas faciais, decoração, autocolantes, enfim, uma explosão de Halloween. Mas nem por isso, as lojas desistem de começar também a expor todos os seus produtos natalícios quando ainda faltam 2 meses para o Natal. 
Por isso, fazer compras neste momento é uma experiência no mínimo bizarra, pois temos mortos-vivos com sangue a sair por vários orifícios ao lado de pequenos anjos e presépios fofinhos, ou então máscaras de bruxas e demónios ao lado de Pais Natais de chocolate, ou abóboras assustadoras a fazer companhia às bolas de Natal.

Estou ansiosamente à espera do dia em que vou ver um Pai Natal com com os intestinos de fora, as pernas partidas em várias zonas e a sangrar dos olhos...:P

Halloween #2
Entro numa loja com a Mini-Tété e deparamo-nos com um manequim, zombie, com os intestinos a sair de um buraco na barriga, a boca a escorrer sangue, a perna numa posição de quem lhe passou um carro por cima 58 vezes, um buraco na cabeça, enfim, uma imagem que até a mim me impressionou à primeira-vista. Ao meu lado, oiço a vozinha da minha filha:
- Mamã, este senhor está um bocadinho doente, não está?


Ahahahahahahahahhahahaha.

Halloween #3
Ah, como é bom fazer compras em plena fase Halloween. Poder estar tranquilamente a escolher uma toalha e ouvir a Mini-Tété:
- Mamã, porque é que aquele senhor tirou a cabeça e está a segurá-la nas mãos????



21.10.18

Beijinhos, avós e violência

Este é daqueles assuntos em que consigo perfeitamente perceber quem não concorda com obrigar as crianças a cumprimentar os avós ou seja quem for quem um beijo, mas que na prática faço o oposto. Não li em lado nenhum como se deve fazer, qual a postura correcta a adoptar, por isso é efectivamente um daqueles temas em que cá em casa seguimos o nosso instinto e aquilo que nos parece correcto.
Eu fui educada a cumprimentar todas as pessoas que os meus pais conheciam com um beijinho. Fossem os avós, fossem os tios, fossem os amigos de longa data ou simplesmente aquela colega de trabalho que via apenas uma vez por ano. Nem me era dada outra hipótese e às vezes era realmente a última coisa que me apetecia fazer, sobretudo quando eram imensas tias, quase que em fila indiana para receber um beijinho. Agora, à luz dos olhos de adulta, percebo que para aquelas tias-bisavós que eu pouco via, este beijinho da sobrinha-bisneta era importante e por consequência era importante para a minha mãe, cujas tias-avós eram um forte pilar na vida dela e que ela gostava de ver felizes. Consigo até colocar-me no lugar delas, com uma sobrinha-neta que ajudaram a criar e que agora lhes apresenta os filhos, uma nova geração, que querem conhecer, beijar e abraçar. 
Não acho de todo que isto me tenha criado uma ideia distorcida dos limites do meu corpo ou mais vulnerável a qualquer contacto menos próprio. Um beijinho é um beijinho, ponto. Tudo o que se passasse daí, que nunca aconteceu, era obviamente errado.

Não ajuda também conhecermos de perto um caso em que os netos, entrando na casa de avós que vêem com relativa frequência e em cuja casa chegaram a pernoitar sem os pais, passem por eles sem um beijo lhes dar. Não chocará toda a gente, mas a mim choca-me. Choca-me a falta de sensibilidade, de educação e o ar magoado que os avós tentam disfarçar por ficarem de cara esticada à espera de um beijinho que não chegou. Ou o caso em que o pai chegado a casa depois de um dia de trabalho não merece sequer um olhar de boas-vindas dos filhos que permanecem nos sofás agarrados aos telemóveis. A Mini-Tété sabe que quando o pai chega a casa, pára o que está a fazer e vai dar-lhe um beijinho. Acho que é o mínimo que ele merece. Eu também o faço e gosto que mo façam a mim. Odiaria chegar a casa e ter a minha filha a continuar a ver desenhos animados e o meu marido a ler um livro, sem nenhum dar sinal que deu pela minha entrada.

Por arrasto, e porque são pessoas importantes para nós, os avós, bisavós e tios merecem um beijinho quando nos encontramos e despedimos. Por skype, a Mini-Tété sabe que não é obrigada a aparecer e a participar na conversa, pode continuar na brincadeira, mas deve vir mandar um beijinho de despedida quando a conversa termina. Acho uma questão de educação, mesmo que muitos não concordem. No fundo, vejo isto como uma maneira de educar a mostrar o carinho e respeito que temos por aquelas pessoas.

Li por várias vezes que as crianças beijam e abraçam espontaneamente as pessoas com quem se sentem confortáveis. Provavelmente é o que fará a maioria mas a Mini-Tété não é nada virada para demonstrações físicas de amor. Beijinhos e abraços aos pais só dá em duas situações: se pedirmos ou numa tentativa de nos acalmar se estivermos a ralhar com ela. E se é assim com os pais, com os outros muito menos é. Por isso, se estivermos à espera que cumprimente com um beijinho por livre e espontânea vontade acho que temos um longo caminho pela frente, pelo que mais vale ir educando e pedindo que dê. E há que reconhecer que a Mini-Tété não se faz rogada quando pedimos que dê um beijinho a um familiar ou amigo, o que ajudará também nesta postura.

No fundo, acho que depende da criança, da ligação aos avós, amigos e outros familiares (insisto com a Mini-Tété para dar um beijinho aos avós mas não o farei se ela recusar beijar aquela tia que nunca viu na vida), da nossa própria ligação a essas pessoas (há pessoas que cumprimento com um beijinho mas nem peço à Mini-Tété que o faça, e há pessoas que evito beijar e que me irritam solenemente se tentam fazê-lo à Mini-Tété), das circunstâncias e da própria maneira como fomos educados. Agora, parece-me um claro exagero dizer que obrigar uma criança a beijar os avós é violência. Diria mesmo que é não ter noção nenhuma do que é realmente violentar uma criança.







15.10.18

3 anos


"I hope you don't mind, I hope you don't mind, that I put down in words/ How wonderful life is, now you're in the world".🎵🎶

Este meu coração fora do peito faz hoje 3 anos. E eu, para além de sentir que o tempo me foge entre os dedos, só penso que tenho uma sorte imensa em tê-la na minha vida e no meu mundo. ❤️

6.10.18

As Youtubers e a Nossa Privacidade

Nos últimos tempos tenho dado uma vista de olhos pelo youtube e vou espreitando alguns vídeos de youtubers portuguesas. Vejo um pouco de tudo, desde culinária, a dicas de maquilhagem, vlogs do dia ou da semana, vídeos de opinião, humorísticos, enfim, o que me for aparecendo. E para além de achar que eu não teria a coragem de andar no meio da rua a falar sozinha para uma câmara fotográfica nem a pachorra de andar constantemente a filmar tudo o que faço, o que como, onde vou e com quem, há um assunto que me encanita um pouco. 

A primeira vez que me chamou a atenção, a youtuber em questão filmava-se a tomar o pequeno-almoço com outras duas youtubers (que também filmavam), mostrando o que cada uma estava a comer, o espaço e claro as pessoas que também por ali estavam àquela hora. Não havendo qualquer desfocagem das caras destas pessoas, foi-me possível ver nitidamente cada uma. Ou seja, quem ali estava apareceu em pelo menos três vídeos no youtube, sem fazer a mais pequena ideia disso. Num outro vídeo, outra youtuber filmava a montra de um café, ao longo da qual uma mesa corrida permite às pessoas almoçar a olhar para a rua. Como seria de esperar, todas as pessoas que ali se encontravam naquele dia, àquela hora, têm a cara escarrapachada num vídeo publicado no youtube.

E isto faz-me uma imensa confusão, não deveríamos nós ter o direito de poder ir almoçar a algum sítio sem ter a nossa imagem divulgada sem qualquer consentimento nosso? A minha mãe diz que eu tenho "uma elevada noção de privacidade", o que significa basicamente que acha que eu sou muito picuinhas com este tipo de coisas, e eu não digo que ela não esteja a dizer a verdade, mas não vos incomoda? É só a mim?

Imaginem que vão de férias para o Algarve, não fazem questão de todo em partilhar esta informação com as vossas colegas de trabalho mas eis que, dias depois, elas vos vêem a comer tranquilamente um gelado num café algarvio, frequentado por uma youtuber que filmou quem ali estava. Ou dizem àquela amiga que não podem mesmo ir ter com ela porque estão cheias de trabalho e, pimba, aparecem a almoçar com um possível-interessado-a-futuro-namorado, ali na internet para toda a gente ver. Ou andam a fazer dieta, toda a gente sabe disso, mas tcharã, toda a gente vai também ficar a saber que na quinta-feira estavam na verdade a lambuzar-se com uma pizza de quatro queijos e um copo XXL de coca-cola naquele restaurante em cascos-de-rolha onde sabiam que não havia qualquer hipótese de encontrar alguém conhecido. Ou aparecem no cabeleireiro com pratas na cabeça a fazer madeixas e a parecer um ET ridículo. Ou aparecem naquele dia em que estavam super-constipadas e o vosso nariz vermelho vê-se a quilómetros de distância. Ou no ginásio, a escorrer suor e a parecer estar a ter um ataque cardíaco. Ou aparecem simplesmente num sítio onde não querem que se saiba que estiveram porque têm direito a isso. Ou aparecem num sítio onde não têm nada a esconder mas simplesmente não querem a vossa imagem difundida por esta internet fora.

Pronto, faz-me confusão. E mais confusão me fez quando num vídeo recente, uma youtuber pixelizou a cara da irmã e do noivo, no casamento destes, por estes terem direito à sua privacidade. Mas e a cara de todos os convidados? Não têm estes o mesmo direito? Eu vejo estas coisas e fico a pensar se serei só eu a incomodar-me com isto, com a certeza absoluta que não gostaria nada de um dia estar descontraída a ver um vídeo no youtube e ver-me lá, a ser filmada sem saber, com a minha imagem disponível para toda a gente.