21.11.18

Campanhas com vinhetas, quem é fã? :D


Costumo fazer as compras quase todas no Intermarché e quase bato palminhas quando os vejo a fazer uma campanha de troca de produtos por vinhetas. Claro que nem todas as campanhas valem a pena, ainda me lembro de uma em que não só se tinha de acumular uma série de vinhetas, como depois ainda tinha de pagar 15€ ou 20€ para receber em troca uma toalha ou um roupão de banho. Bolas, a qualidade até poderia ser muito boa mas que era uma roubalheira, lá isso era, e verdade seja dita não teve grande adesão. 
O ano passado andei toda contente a coleccionar vinhetas para depois, pagando 1€, receber um pirex de vidro com tampa plástica vedante. A colecção era grande, a cada 10€ gastos em compras recebíamos uma vinheta e na altura quando fiz contas ao que costumo gastar por mês percebi que não conseguiria ter vinhetas suficientes para ter as peças todas pelo que escolhi logo quais é que me interessavam mais. Acabei por ter não apenas a colecção toda como ainda algumas peças repetidas, graças às funcionárias que iam dando um jeitinho e umas vinhetas a mais em quase todas as compras. Adoro estes pyrex, vão ao congelador, vão ao forno, vão ao microondas, ah, maravilha! E o que eu gosto de servir o jantar num pyrex destes e ao ver que ainda sobrou, bastar colocar a tampa e frigorífico com ele, sem andar a passar de recipiente em recipiente? Estou fã.
Agora ando novamente entretida a coleccionar vinhetas para uma campanha com facas em inox. A colecção é gira mas não tenho qualquer interesse nas facas todas, por isso ando basicamente a ir buscar sempre a mesma mal acabo de preencher a folha correspondente. Gosto imenso do tamanho desta faca para a preparação das refeições diárias, lá vou recebendo umas vinhetas a mais e com esta brincadeira já tenho umas quatro ou cinco, se não me engano. 

Adoro mesmo estas campanhas. Tenho conseguido artigos que dificilmente compraria pelo preço que custam, mas isto assim é praticamente um prémio, faço as minhas compras normalmente, sem gastar mais do que já gastaria e depois pagando um euro a mais trago para casa algo que me dá um jeitaço. Lá está, nem todas as campanhas valem a pena. Se calhar se me pedissem 15€ por um pyrex depois de eu já ter coleccionado 30, 40, 60 vinhetas, se calhar já não aderia com tanta vontade. Aliás, não tenho aderido a nenhuma campanha onde o custo seja mais do que 1€ porque acho que não compensa e me faz gastar dinheiro que eu não estava a contar gastar. E também não vou em campanhas onde os produtos a trocar não valem a pena (andaram com uma campanha de copos tão feios, nem quero lembrar, não valiam mesmo o euro extra).

Tenho ideia que em Portugal também vão surgindo campanhas destas, também com a Pyrex, copos, etc. Quem gosta como eu? Compensa também?

20.11.18

Deixem lá os javalis descansadinhos....

É incrível como ainda ontem comentava o belo sol que se andava a fazer sentir este mês e hoje aqui escrevo a ver a neve a cair em grandes flocos. Este São Pedro é maluco. Mas também é verdade que tivemos até agora muito bom tempo para o que é normal aqui em França e eu regalei-me o mais que pude com o sol todo que me entrava em casa, que iluminava as árvores com as suas folhas amarelas e laranjas, que aquecia a pele e que dava um pouco de cor a um país pouco habituado a um tempo assim nesta altura do ano.
A única coisa que me assombra um bocado as viagens de carro entre a nossa-casa-agora e a nossa-futura-cas ou a escola da Mini-Tété a é o facto de estarmos em época de caça. Ora aqui a Tété vive nos meio dos campos, passo por não-sei-quantos tractores todos os dias, vaquinhas, ovelhas e cavalos, campos de cultivo a perder de vista, mas também floresta, com javalis, veados, raposas e outros animais que atraem os caçadores. E neste momento, passo por florestas cheias de caçadores de armas em punho, o que não é nada agradável se pensarmos que os acidentes acontecem e que só este ano já houve mortes. Nunca mais me esqueço da história que ouvi há uns anos sobre um homem morto ao volante do seu carro por uma bala que tinha feito ricochete num javali. É preciso estar no sítio errado à hora errada, é verdade, mas passando junto a caçadores, a probabilidade de isto acontecer aumenta e eu não acho piada nenhuma a estas contas matemáticas. Ainda no outro dia estava na nossa-futura-casa e ouvi claramente dois tiros, vindos de uma pequena floresta ali perto. Estou desertinha que a época da caça acabe para poder voltar a conduzir sem enfiar a cabeça nos ombros sempre que atravesso uma floresta.


Soooooooooooooooooooooooooool!
E cores bonitas!


Neve!

14.11.18

Raios partam Novembro...

Ando ausente, a falta de tempo não ajuda e nas poucas vezes em que chego aqui ao blogue para escrever tenho a cabeça tão cheia de coisas que nem sei bem o que partilhar ou não. Estava convencida que este mês de Novembro seria um mês espectacular mas definitivamente acho que o meu sexto sentido não existe ou é extremamente fraquinho, e tem sido um mês chatinho, mas chatinho mesmo. A Obra sofreu (e está a sofrer) novo atraso; A Besta (o meu vizinho queriduxo que dou a quem quiser!) escolheu este mês para nos chatear a vidinha e tem sido um vê-se-te-avias e uma perda de tempo a tentar impedi-lo de levar as suas vontades avante; a incompetência generalizada deste país é de tirar as forças a qualquer pessoa (a sério, eu nunca vi tamanha falta de brio no trabalho); reuniões que são canceladas sem ninguém se lembrar de nos avisar; bati com o carro num passeio para fugir a um despassarado que não sabe o que é um "stop" e rebentei um pneu; a bateria do carro do Jack morreu; voltei a ter noites de insónias; adoeci outra vez; esqueci-me de colocar fraldas na Mini-Tété à noite o que resultou num dilúvio daqueles-à-grande numa das noites; a minha filhota anda entretida a ser uma "threenager", a querer esquecer todas as regras que aprendeu e a testar os limites todos, o que mesmo sabendo que é apenas uma fase, não deixa de ser uma fase desafiante e em que foi preciso voltar a rever a nossa postura enquanto pais e qual o caminho a seguir; já devia ter metade da minha vida encaixotada e continuo com os meus caixotes de há 2 meses; o Jack entalou-me dois dedos; a pintura da cozinha não ficou nada bem, e vamos ter de voltar a pintar, os nossos planos para o Natal estão em risco de serem alterados, entre tantas outras coisas.

Claro que também há coisas boas que vão acontecendo (ganhei um dos prémios do IKEA!!) e tento focar-me o mais possível nelas mas acreditem que este mês tem sido uma coisa chata todos, to-dos, os dias. Ai, mês de Novembro, mês de Novembro, nunca te achei particular piada e não me parece que seja este ano que vou passar a adorar-te.

4.11.18

Novembro

Nunca achei particular piada ao mês de Novembro. É assim um mês meio nhé, em que o frio já se começa a sentir com mais força, não acontece nada de muito relevante (fora alguns aniversários de pessoas especiais) e é ali aquele mês que ocupa simplesmente tempo entre Outubro, o mês dos meus anos (e da Mini-Tété) e Dezembro, o mês do Natal. Mas este ano estou cheia de fé neste mês, não sei porquê  mas algo me diz que vai ser um bom mês, o que pensando bem deveria pôr-me alerta visto que o meu sexto sentido funciona tão bem como um relógio avariado. Mas pronto, vamos fingir que estas minhas "sensações" dão sempre certo, que eu acerto sempre em tudo e que de facto este mês vai correr mesmo sobre rodas.
Amanhã já temos uma prova de fogo, com um pequeno confronto com A Besta (o nosso espectacular vizinho), o regresso da Mini-Tété à escola, uma fuga isolada à rotina pois são os avós que a vão buscar depois, e  esta semana sai também o resultado do concurso IKEA onde participei (e vou ficar com uma neura tão graaaaaande se não ganhar um dos 75 prémios, nem imaginam). Mas para já o mês começou bem, com o nosso quarto e o quarto da Mini-Tété com as pinturas terminadas, yeah! Também já temos metade do corredor pintado e e quando terminarmos esta parte, em princípio poderemos começar a colocar o chão. É sem dúvida uma tarefa demorada porque temos as vigas originais da casa para proteger com um produto próprio e paredes de 5 metros para pintar, pelo que neste andar tudo parece andar a passo de caracol. Espero que no andar de baixo as pinturas sejam mais rápidas, e que brevemente se possa começar a pôr o chão e a instalar a cozinha. Desejem-me sorte. Este tem mesmo de ser um bom mês. :)

P.s. Entretanto fui desafiada a criar uma conta instagram com a evolução d'A Obra, desde a fase Celeiro até à fase em que estará uma Casa habitável. Francamente, é o tipo de coisa que sempre achei que teria pouco interesse até perceber que eu própria sigo e espreito contas de instagram deste género, por isso fiquei a pensar. Talvez seja uma ideia engraçada. :)

1.11.18

Casamentos e divórcios #2

No seguimento do post anterior, eis outra coisa que não consigo compreender: o programa "Casados à primeira vista". Eu entendo o que é achar que não se encontra a pessoa certa, o que é sentir que se escolhe sempre a pessoa errada (e há de facto pessoas que não sabem escolher com quem estão, isso é verdade), o que é achar que começam a faltar alternativas para conhecer pessoas novas (às vezes nem é preciso, no meu caso foi um amor de infância emigrado que decidiu dar notícias 8 anos depois), o que é ver a idade a avançar e o desejo de ter uma família a pesar cada vez mais (então sobre as mulheres, é um peso imenso), entendo o recurso a aplicações como o tinder ou sites de encontros, eu entendo tudo isto...agora casar com um desconhecido? Pronto, sou demasiado velha para estas modernices, é a única conclusão a tirar.

Ou então, dou realmente mais importância ao casamento do que estas pessoas, que vêem nisto uma experiência de vida, um teste a ver se dá certo, com recurso fácil a divórcio se não resultar. Para mim, seria impensável casar com alguém sabendo que um de nós poderia querer o divórcio no dia seguinte. Pior, convidar toda a família e amigos para celebrar aquele "amor", ui, a vergonha. Que peça de teatro para algo tão importante. E se depois não resultasse (oh, que surpresa, francamente!), que humilhação seria...Porque os casamentos não incluem apenas os noivos, há toda uma família por trás, com sentimentos, que vive este dia, para quem este dia é importante, tem valor...Quão horrível seria obrigá-los a ficarem felizes por eu me casar para depois lhe dizer que não resultou, como seria quase de esperar? Nem consigo imaginar a cara dos meus pais e avós tal a vergonha que sinto logo que me engoliria.
Teria muita pena se um dia a minha filha me fizesse uma partida destas, obrigando-me a representar num casamento a fingir, em vez de estar verdadeiramente feliz e emocionada por a ver subir ao altar.

Eu até não digo que estes "especialistas" não consigam verdadeiros "matchs" (se o tinder consegue....), mas há obviamente um lado que lhes escapa, que eles não conseguem controlar, é preciso que haja química no casal. O meu homem-tipo ideal e pelo qual mais facilmente me apaixono tem olhos azuis e cabelo escuro (pronto, já sabem como é o Jack :D). Mas há homens com estas duas características que não são nada bonitos aos meus olhos pelo que não bastaria colocarem-me qualquer um de olhos azuis e cabelo escuro à frente para eu o achar uma brasa (sim, sim, há tudo o resto, a beleza interior e tal, mas a parte física também conta, certo?). E não havendo atracção física, a pessoa até pode ser compatível connosco em muita coisa, mas já falta algo essencial. E mesmo assim, corre-se o risco? Sabendo que há esta probabilidade de erro, valerá a pena tentar? Porque uma coisa é conhecer alguém no facebook, no tinder, num bar, ter um primeiro encontro, ir vendo se há compatibilidade, se a chama aumenta ou se apaga, sem pressões, sem envolver logo a família, sem compromissos para o resto da vida...Mas casar logo? Porque a questão não está apenas no dia do casamento, o verdadeiro ponto está nos dias todos que virão depois. E uma relação não é só felicidade, só paixão, só descobrir coisas boas, e estando já casados, o que é menos bom toma rapidamente um peso muito maior. Digo eu do alto da minha vasta experiência em relações amorosas e casamentos, ahah.

31.10.18

Casamentos e divórcios #1

Este Verão, enquanto lia revistas, com as vidas dos famosos, os seus casamentos e divórcios, comentei com o Jack que embora defenda que não devemos ficar com alguém para sempre apenas porque nos casámos, há separações e divórcios que me deixam sempre incrédula. 
Tenho alguma dificuldade em compreender casais que se separam menos de um ano após o casamento e que partilham depois que nos últimos anos as coisas já não andavam bem ou que quando casaram a relação já estava com problemas. Mas se assim é, como é que casam? Se a relação já está tremida, se as coisas já não estão a funcionar, se já há problemas, para quê chegar ao ponto do casamento? Para quê comprometerem-se com alguém para o futuro, sabendo já que se calhar as coisas não serão assim tão eternas quanto isso?

Tento colocar-me no lugar destes casais e só me assola uma enorme vergonha alheia. Não consigo imaginar como seria fazer um casamento, fazer uma festa, convidar toda a família e todos os amigos (e revistas, no caso dos famosos), para festejarem connosco este amor, este compromisso, e meses depois dizer "Olhem, malta, acabou. No fundo, as coisas não estavam muito bem, já deveríamos ter adivinhado, mas obrigadinha por terem gasto o vosso tempo e o vosso dinheiro em roupas bonitas e prendas de casamento, sim? Foi giro mas já acabou". Eu acho que só quereria um buraco para me enfiar de tanta vergonha, sentir-me-ia uma farsa, sentiria que tinha enganado todas as pessoas ao estar naquele dia a fingir que seria um compromisso para sempre já sabendo que haveria problemas que poderia levar a um fim. Pondo-me no lugar dos convidados, acho que ficaria na mesma incrédula se uma amiga recém-casada me dissesse que se iria divorciar e que nos últimos anos a relação já não estaria bem. Teria todo o meu apoio no divórcio (não vale a pena ficar com alguém que não nos traz felicidade) mas sentiria ainda assim que tinha ido a uma espécie de teatro onde os noivos fingem ser o casal perfeito, escondendo uma relação prestes a ruir. 

Não compreendo como se casa assim e como se afirmam estas coisas com tanta leveza, mas talvez seja eu que não concebo a ideia de me casar já a pensar que o divórcio possa ser uma opção real no futuro. Não que eu acho que devemos ficar presos à pessoa com quem casámos se isso nos fizer infelizes, mas é suposto que quando casamos, achemos do fundo do nosso coração que aquela relação é para sempre e que não seja apenas uma tentativa de "vamos lá ver se isto resulta ou melhora a nossa relação". Ou então sou eu que sou demasiado romântica...

26.10.18

Halloween

Halloween #1
Em França festeja-se com mais pompa e circunstância o Halloween do que o Carnaval. As lojas enchem-se de máscaras, adereços, pinturas faciais, decoração, autocolantes, enfim, uma explosão de Halloween. Mas nem por isso, as lojas desistem de começar também a expor todos os seus produtos natalícios quando ainda faltam 2 meses para o Natal. 
Por isso, fazer compras neste momento é uma experiência no mínimo bizarra, pois temos mortos-vivos com sangue a sair por vários orifícios ao lado de pequenos anjos e presépios fofinhos, ou então máscaras de bruxas e demónios ao lado de Pais Natais de chocolate, ou abóboras assustadoras a fazer companhia às bolas de Natal.

Estou ansiosamente à espera do dia em que vou ver um Pai Natal com com os intestinos de fora, as pernas partidas em várias zonas e a sangrar dos olhos...:P

Halloween #2
Entro numa loja com a Mini-Tété e deparamo-nos com um manequim, zombie, com os intestinos a sair de um buraco na barriga, a boca a escorrer sangue, a perna numa posição de quem lhe passou um carro por cima 58 vezes, um buraco na cabeça, enfim, uma imagem que até a mim me impressionou à primeira-vista. Ao meu lado, oiço a vozinha da minha filha:
- Mamã, este senhor está um bocadinho doente, não está?


Ahahahahahahahahhahahaha.

Halloween #3
Ah, como é bom fazer compras em plena fase Halloween. Poder estar tranquilamente a escolher uma toalha e ouvir a Mini-Tété:
- Mamã, porque é que aquele senhor tirou a cabeça e está a segurá-la nas mãos????



21.10.18

Beijinhos, avós e violência

Este é daqueles assuntos em que consigo perfeitamente perceber quem não concorda com obrigar as crianças a cumprimentar os avós ou seja quem for quem um beijo, mas que na prática faço o oposto. Não li em lado nenhum como se deve fazer, qual a postura correcta a adoptar, por isso é efectivamente um daqueles temas em que cá em casa seguimos o nosso instinto e aquilo que nos parece correcto.
Eu fui educada a cumprimentar todas as pessoas que os meus pais conheciam com um beijinho. Fossem os avós, fossem os tios, fossem os amigos de longa data ou simplesmente aquela colega de trabalho que via apenas uma vez por ano. Nem me era dada outra hipótese e às vezes era realmente a última coisa que me apetecia fazer, sobretudo quando eram imensas tias, quase que em fila indiana para receber um beijinho. Agora, à luz dos olhos de adulta, percebo que para aquelas tias-bisavós que eu pouco via, este beijinho da sobrinha-bisneta era importante e por consequência era importante para a minha mãe, cujas tias-avós eram um forte pilar na vida dela e que ela gostava de ver felizes. Consigo até colocar-me no lugar delas, com uma sobrinha-neta que ajudaram a criar e que agora lhes apresenta os filhos, uma nova geração, que querem conhecer, beijar e abraçar. 
Não acho de todo que isto me tenha criado uma ideia distorcida dos limites do meu corpo ou mais vulnerável a qualquer contacto menos próprio. Um beijinho é um beijinho, ponto. Tudo o que se passasse daí, que nunca aconteceu, era obviamente errado.

Não ajuda também conhecermos de perto um caso em que os netos, entrando na casa de avós que vêem com relativa frequência e em cuja casa chegaram a pernoitar sem os pais, passem por eles sem um beijo lhes dar. Não chocará toda a gente, mas a mim choca-me. Choca-me a falta de sensibilidade, de educação e o ar magoado que os avós tentam disfarçar por ficarem de cara esticada à espera de um beijinho que não chegou. Ou o caso em que o pai chegado a casa depois de um dia de trabalho não merece sequer um olhar de boas-vindas dos filhos que permanecem nos sofás agarrados aos telemóveis. A Mini-Tété sabe que quando o pai chega a casa, pára o que está a fazer e vai dar-lhe um beijinho. Acho que é o mínimo que ele merece. Eu também o faço e gosto que mo façam a mim. Odiaria chegar a casa e ter a minha filha a continuar a ver desenhos animados e o meu marido a ler um livro, sem nenhum dar sinal que deu pela minha entrada.

Por arrasto, e porque são pessoas importantes para nós, os avós, bisavós e tios merecem um beijinho quando nos encontramos e despedimos. Por skype, a Mini-Tété sabe que não é obrigada a aparecer e a participar na conversa, pode continuar na brincadeira, mas deve vir mandar um beijinho de despedida quando a conversa termina. Acho uma questão de educação, mesmo que muitos não concordem. No fundo, vejo isto como uma maneira de educar a mostrar o carinho e respeito que temos por aquelas pessoas.

Li por várias vezes que as crianças beijam e abraçam espontaneamente as pessoas com quem se sentem confortáveis. Provavelmente é o que fará a maioria mas a Mini-Tété não é nada virada para demonstrações físicas de amor. Beijinhos e abraços aos pais só dá em duas situações: se pedirmos ou numa tentativa de nos acalmar se estivermos a ralhar com ela. E se é assim com os pais, com os outros muito menos é. Por isso, se estivermos à espera que cumprimente com um beijinho por livre e espontânea vontade acho que temos um longo caminho pela frente, pelo que mais vale ir educando e pedindo que dê. E há que reconhecer que a Mini-Tété não se faz rogada quando pedimos que dê um beijinho a um familiar ou amigo, o que ajudará também nesta postura.

No fundo, acho que depende da criança, da ligação aos avós, amigos e outros familiares (insisto com a Mini-Tété para dar um beijinho aos avós mas não o farei se ela recusar beijar aquela tia que nunca viu na vida), da nossa própria ligação a essas pessoas (há pessoas que cumprimento com um beijinho mas nem peço à Mini-Tété que o faça, e há pessoas que evito beijar e que me irritam solenemente se tentam fazê-lo à Mini-Tété), das circunstâncias e da própria maneira como fomos educados. Agora, parece-me um claro exagero dizer que obrigar uma criança a beijar os avós é violência. Diria mesmo que é não ter noção nenhuma do que é realmente violentar uma criança.