28.12.18

Não parece mas estou viva :)

Ando completamente desaparecida mas por boas razões. Fomos passar o Natal a Portugal, para onde não levei o computador e onde me desliguei o mais possível do telemóvel. Passamos tão poucos dias com a família, que cada minuto tem de ser bem aproveitado. E foram férias tããããão booooooas! Rever alguns amigos (nunca dá para ver todos infelizmente), abraçar a família, ir duas vezes ao cinema ("Bohemian Rhapsody" - adorei - e "Assim nasce uma estrela" - nhé...), ler um livro de 700 páginas (isto de ter os avós a entreter a neta dá tanto jeito para a mãe ler um livro inteiro), voltar aos restaurantes favoritos, comprar as últimas prendas de Natal, passear, cortar um palmo de cabelo (99% do tempo adoro, 1% do tempo penso que raio fui eu fazer), apanhar sol, dormir, jogos de cartas até às tantas, estar na conversa com a mãe até às 4h da manhã, enfim, só boas memórias e o coração cheio de mimo.

A Mini-Tété adorou, claro, e hoje já me perguntou quando é que voltamos a Portugal. Foi aos parques, teve a atenção dos avós e bisavós o tempo quase todo, brincou com amigos e primos, comeu arroz de marisco, arroz de polvo, roubou o esparregado do prato da avó, brincou na praia, andou na trotinete que os tios e primos lhe deram, maquilhou a bisavó (base, baton, lápis de sobrancelhas, tudo) que corajosamente saiu à rua assim maquilhada, leu histórias, foi ao café, provou bolo-rei, comeu o bacalhau que a minha avó fazia e que o meu avô aprendeu a fazer da mesma maneira, comeu caldeirada de peixe, litros de sopa e 548547652 mangas, não gostou de diospiros, comeu como se aqui não lhe déssemos de comer e dormiu bem pior do que dorme por cá, mas fez sestas de 3 horas que causavam inquietação à bisavó. Dormiu toda a viagem para Portugal (ma-ra-vi-lho-so) e veio acordada toda a viagem para cá, num voo já com um atraso de 1h30 (na-da ma-ra-vi-lho-so), deu de comer às galinhas, fez festas a gatos, e tantas outras coisas que acho que até cresceu uns centímetros.

E agora tenho malas para arrumar, roupa para lavar e toda uma casa para empacotar. Ano novo, casa nova. Vamos lá. Até 2019 e entrem neste novo ano com o pé direito. :)

12.12.18

Coração de mãe apertadinho

Há umas semanas uma amiga perguntava-me se ao fim de alguns anos, o controlo reforçado de segurança na entrada de certos espaços se tornava algo normal para nós. Respondi-lhe que não. Pelo menos para mim, ainda que já quase tenha o reflexo de abrir a carteira e a mostrar quando entro num centro comercial ou num hospital. Continuo a estranhar, continua-me a fazer confusão, continuo a não gostar de ser relembrada da razão pela qual estas medidas são necessárias.
No início do ano lectivo, tivemos uma reunião de pais na escola da Mini-Tété onde, entre outras coisas, se falou de alguns exercícios de segurança que iriam ser feitos. Pensei logo: ensinar as crianças sobre o que devem fazer em caso de incêndio e terramoto. Falhei por pouco. Um dos simulacros é de facto o que devem fazer em caso de incêndio, o outro é o que devem fazer em caso de invasão/atentado à escola.
Fiquei estarrecida. 
Foi-nos explicado que dada a idade das crianças, não lhes é verdadeiramente dito o sentido do exercício mas que lhes é na mesma ensinado o que devem fazer através de um jogo. Custou na mesma ouvir. A Mini-Tété entrava na altura na escola com 2 anos e a última coisa que uma mãe quer ouvir é que vai ser treinada para a eventualidade de um intruso invadir a escola. Tenho acompanhado mais ou menos o exercício que têm feito, muito à base da história dos 3 porquinhos, em que ensinam as crianças a esconderem-se do lobo, colocando-se debaixo das mesas e não fazendo barulho. Num dos e-mails com fotografias semanais das actividades escolares, lá estão estão elas escondidas debaixo das mesas. Um murro no estômago. Acredito que não fará confusão a todos os pais, se calhar até mesmo à maior parte, mas a mim faz. Esta semana, fomos avisados que se vai realizar o exercício final, uma vez que dado o "contexto actual de uma ameaça terrorista persistente, convém assegurar que cada um desenvolve reflexos específicos à situação de invasão no estabelecimento de pessoas exteriores com o objectivo de cometer um acto terrorista", e que devemos sensibilizar as crianças para que tentem cumprir o exercício eficazmente.
A Mini-Tété tem 3 anos e anda a aprender a reagir em caso de atentado. E eu só penso que raio de mundo é este em que a tive. Preferia que aprendesse o que fazer em caso de terramoto...

Mini-Tété, a rebelde dos exercícios escolares

Recebemos por estes dias o caderno de actividades da Mini-Tété, onde pudemos contemplar alguns dos trabalhos que a nossa pequenina tem feito nas últimas semanas, entre colagens, desenhos, carimbos, pinturas, e outros que tais. 
Num dos exercícios propostos, inspirado na história dos Três Porquinhos, estavam 3 casas desenhadas num papel, devidamente numeradas, e era suposto as crianças colarem um porquinho na casa com o número "1", dois porquinhos naquela que tinha o número "2" e 3 porquinhos na que estava marcada com um "3". Num qualquer rasgo de criatividade, a Mini-Tété tinha colado um porquinho dentro de cada casa e empoleirado os restantes 3 em cima dos telhados. Ao tentar explicar-lhe o que deveria ter sido feito, a Mini-Tété decidiu elucidar-me:
- Sabes porque é que eu pus estes porquinhos em cima do telhado, mamã? Porque assim quando o lobo chegar não os vê dentro de casa. Estão muito bem escondidos, não estão?

Adoro-a. :D 

10.12.18

Um telefonema e a vida muda

- Quem diria que um telefonema iria mudar a tua vida para sempre, não é?
- Sim. E ainda bem que liguei. 

Faz hoje 14 anos que o Jack me ligou depois de oito anos de ausência e um namoro de crianças. Faz hoje 14 anos que tive de me sentar quando percebi quem é que me estava a ligar. Faz hoje 14 anos que achei que ele estava a querer marcar um jantar de turma com ex-colegas quando na verdade só queria jantar comigo. Faz hoje 14 anos e eu ainda me lembro tão bem daquele momento. Porque foi ali que tudo começou. Ainda bem que ele ligou.

9.12.18

Jesus birrento

A caminho de casa, passamos por uma igreja e a Mini-Tété exclama:
- Que casa tão grande!
- Não é bem uma casa, é uma igreja.
- Não é uma casa?
- Bom, sim, também é uma casa. É a casa de Jesus. [a avó tinha-lhe falado disto há pouco tempo]

Silêncio, achei que tinha adormecido. Minutos depois:
- Mamã, e Jesus está em casa ou anda por aí fora?

Ahahahahahahahahahah, achei que explicar o conceito de "omnipresença" era demasiado para uma miúda de 3 anos pelo que reverti a situação e perguntei-lhe onde achava ela que ele estava. E fiquei a saber que Jesus estava na escola, preferia comer em casa do que na cantina e faz birras para dormir a sesta. :D

7.12.18

Dezembro pouco natalício

Este é capaz de ser o ano com menor espírito natalício de seeeempre. Pensando bem, acho que senti o mesmo quando vim morar para França, faz agora 6 anos. É o que dá fazer mudanças de casa em plena época natalícia: em 2012 tínhamos este apartamento em pantanas, com caixas e malas por todo o lado e a última coisa em que pensámos foi em decorá-lo para o Natal, até porque o íamos passar a Portugal; e agora é quase a mesma coisa: temos o apartamento em pantanas, com caixas, roupa em montes para dar, coisas para triar, desarrumação total, temos a casa nova a ficar habitável mas ainda muito desarrumada e em obras, pelo que não faz sentido estar a tirar as decorações de Natal para logo a seguir ter de arrumar novamente, até porque também este ano vamos passar o Natal a Portugal. Por isso é estranho ver as ruas a começarem a ter as luzes de Natal, as casas iluminadas, a Mini-Tété a decorar a escola e eu nem o presépio tirei da caixa. É como se toda a gente soubesse que é Natal menos eu, mas ainda assim já tratei de algumas prendas de Natal e outras já estão pensadas.

Estes dias têm sido caóticos, as obras na casa nova estão a avançar a todo o vapor para ver se nos mudamos ainda este ano - nem que seja no dia 31 de Dezembro :D - mesmo que nem tudo esteja finalizado, a Mini-Tété deixou finalmente de chorar ao entrar na escola (esta semana!), claro está que daqui a menos de 2 semanas está de férias e eu depois quero ver como é que vai ser o regresso..., hoje teve direito a ver um espectáculo oferecido pela Câmara Municipal e veio satisfeitíssima porque a bruxa lhe disse adeus, depois de uma fase mais threenager, agora andamos mais calmas (sim, eu também porque se tenho pouca paciência para adolescentes, muito menos tenho para uma adolescente num corpo de miúda de 3 anos) e só me apetece dar-lhe abracinhos a toda a hora.

Definitivamente, a era do papel está a acabar e eu andei grega à procura de postais de Natal para enviar mas só vi de passagem numa loja e não tenho oportunidade de lá voltar, por isso a todos os amigos e família que costumam receber religiosamente e ansiosamente os meus postais, este ano vou falhar (até porque o caderno com as vossas moradas está enfiado num qualquer caixote desta casa). Ando aqui consumida em remorsos porque gosto verdadeiramente de enviar postais e do carinho com que o faço, mas realmente este ano não tenho tempo para o espírito natalício. Mas para o ano, volto a enviar, prometo!

E agora devia estar a enfiar a minha vida em caixotes porque o meu belo plano de "faço uma caixa por dia para não ficar tudo para o fim" foi-se embora com a água da chuva e basicamente tenho os mesmos caixotes de há 2 meses, por isso agora ou deito as mãos ao trabalho ou não vou destralhar nada e terei de me limitar a enfiar tudo o que está nesta casa em sacos e caixas e levar para a nova sem pensar muito no que estou a fazer (e eu não quero isto!).

5.12.18

Uma selva

Às vezes lembro-me de uma conversa que tive com o chefe do departamento onde trabalhei quando vim fazer Erasmus para França. Falávamos sobre como os franceses são muito dados a manifestações e a greves. Como só a ideia de alguma coisa vir a mudar no futuro os faz sair à rua, muitas vezes sem dar qualquer hipótese de ver se funciona ou não, outras vezes até cheios de razão. Na altura comentei que nós, portugueses, somos mais calmos, não saímos assim à rua constantemente, não nos corre nas veias este lado manifestante. O meu interlocutor sorriu e respondeu-me "Pois, os portugueses são mais de fazer revoluções de tempos a tempos...". 

É verdade que também nos manifestamos e que também nas nossas manifestações há sempre uns quantos que tentam (e às vezes conseguem) levar aquilo para onde ninguém quer, para a violência, para os confrontos, mas é igualmente verdade que nisto os franceses ganham-nos aos pontos. Neste momento, as manifestações dos Coletes Amarelos (Gilets Jaunes) são a prova disso mesmo. Um povo farto das 5248541254 taxas a que os franceses são sujeitos (o salário mínimo é maior que o português de facto mas o custo de vida e os impostos levam grandes fatias, e para 2019 estavam previstos mais aumentos de taxas), uma manifestação para mostrar o descontentamento e eis que de repente está a selva instalada. 

Logo no primeiro dia de manifestação, enquanto espreitávamos a mesma na televisão, vimos passar alguns manifestantes com meia-cara tapada por lenços. Na altura comentei com o Jack: "aqueles não vão apenas manifestar-se, vão armar confusão, não está assim tanto frio que os obrigue a protegerem-se assim". Meu dito, meu feito, começaram os desacatos logo nesse dia e têm piorado numa escalada acelerada todos os fins-de-semana, sobretudo em Paris mas também em várias outras cidades de França. Já me cruzei com alguns manifestantes, felizmente pacíficos, que não me barraram a passagem nem incomodaram. Odiaria estar no mesmo sítio que os idiotas que acham que para se manifestarem têm de provocar estragos ou daqueles que, não querendo saber nada da manifestação, a aproveitam apenas como desculpa para destruírem tudo o que vêem. Compreendo verdadeiramente alguns dos pontos pelos quais os Coletes Amarelos se manifestam mas quando se passa para estragar e queimar carros de inocentes, pegar fogo a um hotel, destruir obras de arte de um museu, partir as vitrinas de lojas, cafés e restaurantes, saquear o que mais der jeito, agressões a civis e polícias, o objectivo há muito que se esqueceu e deixa de ser importante.

As imagens do fim-de-semana passado foram terríveis, diz-se que este fim-de-semana será ainda pior. Estou convencida que chegando ao fim-de-semana na véspera de Natal ou se as temperaturas começarem a descer as coisas acalmarão. Mas até lá, tenho muita pena de quem decidiu visitar Paris (e outras cidades como Tours, onde fiz Erasmus, que também virou uma selva) nesta altura do ano, dos polícias que são obrigados a estar ali a enfrentar um grupo de selvagens que acha que é atirando pedras e peças de andaimes que marcam uma posição, de quem ali vive e que vê os carros destruídos sem culpa nenhuma, dos lojistas e comerciantes que se trancam dentro dos estabelecimentos por medo, dos pais com crianças assustadas com tudo isto e rezo para que esta selvajaria não chegue onde vivo. 





4.12.18

Ganhei um prémio IKEA!!

Tinha contado aqui que estava a preparar-me para participar num concurso do IKEA, cujo objectivo era ganhar um dos 75 prémios de 750€ que o IKEA ia dar. As regras eram simples e não permitiam grandes alterações: devia-se personalizar a superfície de um produto IKEA, não furando ou cortando nada, e não alterando a sua função.

Não quis ir comprar nada de propósito para o concurso pelo que explorei o que é que tinha aqui por casa e decidi alterar este cesto, um produto barato e que seria facilmente substituível se eu depois não gostasse do resultado. 




Comprei uns novelos de lã, meti mãos ao trabalho, passei muitas horinhas a passar dezenas de fios, massacrei as pontas dos dedos, mas aqui está o resultado que me valeu um dos prémios do concurso:


À medida que os participantes iam submetendo as suas obras, eu ia espreitando e havia trabalhos de pintura belíssimos que espero que tenham também ganho um prémio. No meu caso, acho que as minhas hipóteses aumentaram por não ter pintado o cesto (porque seria apenas mais uma pintura no meio de tantas outras e melhores) e por isso, embora tenha ficado algo simples, acho que foi uma alteração original no meio de todas as participações.
Estava convencida que ia desfazer tudo depois do concurso, até porque usava este cesto como fruteira e agora já não serve para isso, mas deu-me tanto trabalho e ficou tão giro que não tive coragem. 

E vocês que acham? :D