27.1.19

Olá 2019

Eu sei, eu sei, também acho estranho estar só agora a pensar nos desejos de 2019 estando já o primeiro mês a acabar, mas também Janeiro é um mês que passa tããããooo devagar que quando finalmente chegarmos a dia 31, este post vai-vos parecer ter sido lido há semanas.
Ora vamos lá então à lista de 12 desejos sem qualquer ordem de importância:

1. Recuperar elasticidade/flexibilidade.
É terrível dizer isto aos 34 anos mas nos últimos anos senti uma clara falta de flexibilidade, coisa que no último ano começou realmente a incomodar-me. Em coisas absolutamente simples, como estar no carro e rodar o pescoço e o tronco para ver pelo vidro traseiro e sentir uma certa tensão, como se estivesse perra. Ou esticar-me para alcançar qualquer coisa e sentir que os músculos não esticam tanto como esticavam. Por isso, a ver se faço alguns exercícios ao longo do ano, com calma, para alongar estes músculos e voltar a sentir-me melhor.

2. "Acabar" a casa.
Escrevo assim "acabar" entre aspas porque há planos para esta casa que não serão feitos este ano, sobretudo na parte exterior. Mas gostava de ter o interior feito e acabado quando chegasse ao fim deste ano. 

3. Apostar no lado profissional.
É preciso dar este passo, ainda não sei muito bem o quê porque os meus objectivos mudaram desde que vim para França, mas está na altura de descobrir.

4. Mini-Tété de volta ao horário escolar completo.
Agora que finalmente deixou de ver a escola como um bicho-papão, que entra de mão dada com uma amiguinha, que sai feliz, gostava de voltar a aumentar o horário. Preciso de tempo para mim, para os meus objectivos, para ser a Tété que não é apenas mãe. E para conseguir concretizar o ponto 3, preciso de facto que a Mini-Tété passe mais tempo na escola do que as 12h semanais que passa neste momento. E para que depois não haja uma mudança brusca, o melhor será aumentar aos poucos.

5. Ver mais filmes e séries.
Preciso de me sentar no sofá com o Jack, depois do jantar, com a Mini-Tété a dormir, e vermos filmes e séries, como tanto gostamos e como temos feito tão pouco.

6. Gerir-me melhor economicamente.
Acho sinceramente que sou uma pessoa poupada, que sabe organizar-se bem monetariamente, mas também consigo identificar perfeitamente as três vezes ao longo da vida em que me desnorteei com o dinheiro, em que a gestão não foi grande coisa, em que a cabeça não estava devidamente concentrada ou não havia condições para tal. E acho que em 2018 entrei (ou entrámos) numa fase dessas, por isso queria que em 2019 voltássemos a tomar devidamente as rédeas das nossas finanças.

7. Cozinhar pratos mais saudáveis.
Ando a sentir alguma necessidade de comer melhor, de aprender pratos novos e não fazer sempre os mesmos pratos e cometer sempre os mesmos erros.

8. Sair da gruta.
Sou um "bocadinho" anti-social, tenho as minhas pessoas e sinto que não preciso de acrescentar mais ninguém ao meu mundo. Mas agora a entrada da Mini-Tété na escola tem-me feito conhecer e contactar obrigatoriamente com outras pessoas e acho que devo realmente fazer o esforço de não me afastar.

9. Treinar o meu francês.
Que anda péssimo, ali pelas ruas da amargura, uma pessoa até tem vergonha de abrir a boca. Mas depois é "voluntária à força" nos jogos de sociedade semanais com os coleguinhas da Mini-Tété e é obrigada a falar não só com os adultos que ali estão como com as crianças ( e de modo a que estas me percebam e respeitem). E pronto, vai-se treinando assim, mesmo que depois tenha uma mãe simpática a perguntar-me se sou alemã dado o meu forte sotaque (e a minha aparência claramente pouco latina).

10. Perder peso.
Este desejo tem lugar cativo na minha ordem de desejos todos os anos, paga as suas quotas a tempo e horas e é um desejo fofinho que me incomoda pouco durante o ano e que só aparece no fim para me relembrar que mais uma vez não o cumpri. Mas este ano dava mesmo jeito, até porque melhoraria uma pequena questão de saúde.

11. Continuar a destralhar.
Nesta casa temos mais arrumação, mas ainda assim sinto que tenho coisas a mais (tipo roupas que já não uso há tantos anos que nem me lembro da última vez que a vesti) e desnecessárias. Ainda ontem fiz uma boa limpeza ao meu armário e tenho ali um monte de roupa para dar mas acho que brevemente ainda vou dar uma segunda volta. A verdade é que quando nos mudámos, fiz uma mala para 7 dias para não andar à procura de roupa em caixotes e outras malas, e tenho-me aguentado basicamente com essa mala (vou lavando e usando, claro), o que prova que não preciso claramente de tooooda a roupa que estava empacotada.

12. Saúde. Muita saúde.
Eu continuo a aguardar pacientemente que a Mini-Tété comece a trazer as maleitas escolares (é que não é que elas não andem por lá, a turma já esteve reduzida a metade à conta das gastroenterites, bronquites e maravilhas destas) mas a pequena lá vai passando ilesa. Estou convencida que quando se fartar, vão ser umas atrás das outras, e eu que me lixe a tentar gerir isso. Mas enquanto isso, muita saúde para ela, para nós, para a família e para todos.


26.1.19

Adeuzinho (atrasado), 2018!

Eu sei que vocês já estão todos em 2019, que 2018 já lá vai, que já mal se lembram dele, que até parece que já se passaram meses, mas com a mudança de casa não tive hipótese de fechar aqui o meu 2018 e escrever os meus objectivos para 2019, que é coisa que eu gosto sempre de fazer e que me anda aqui entalada desde dia 1 de Janeiro. Ora portanto, vamos lá rever o ano de 2018:

Pessoalmente, achei que foi o ano mais rápido de sempre. Não digo que uma vez por outra não tenha já tido esta sensação mas acho que nunca como este ano. O tempo passou tão depressa que dei por mim em Junho a pensar "Ai, tenho de tratar de coisas para o baptizado da Mini-Tété". Que tinha já ocorrido no mês anterior. Em Maio, portanto. E foi aí que percebi que metade do ano já lá ia, que tinha passado tudo tão correr que eu não tinha conseguido absorver nada do que estava a acontecer. Achei que a segunda metade do ano ia ser mais lenta até que dei por mim em Novembro sem saber muito bem como é que tinha chegado ali. Puf, fugiu-me assim um ano inteiro entre os dedos e eu não sei bem como.
Foi também um ano importante: o meu último ano como mãe-a-tempo-inteiro-com-a-criança-em-casa-a-tempo-inteiro; foi o ano em que baptizei a Mini-Tété no mesmo mosteiro onde eu fui baptizada e onde casei, uma cerimónia simples seguida de um almoço simples para a família mais próxima, tal como eu queria; foi o ano em que a Mini-Tété entrou na escola, com uma adaptação complicada que levou a uma redução de horário escolar e que este ano pretendo aos poucos que volte ao normal; foi um ano de mudança laboral para o Jack; foi um ano de 2154852 atrasos na nossa casa e a minha pequenina fez 3 anos.

Quanto à lista dos meus desejos para 2108 (podem lê-la aqui), vamos lá ver como me saí.

1. Mudar de Casa 
Ahahahahahah. Pois, já cá estamos mas a mudança foi mesmo em 2019.

2. Baptizar a Mini-Tété
Feitinho e bem feitinho, sim senhor. Foi um dia muito agradável, a pequenita odiou terem-lhe molhado a cabeça e ainda fala disso quando olha para o mosteiro, e mais uma vez foi óptimo ter a família reunida.

3. Mini-Tété vai entrar na escola.
Entrou de facto, não houve problemas a esse nível. 

4. Que ela goste da escola.
Nhé. Quer dizer, agora já posso dizer que gosta, mas ao início não gostou. Odiou mesmo. Não ajudou nada ter começado com o horário completo em vez de reduzido como eu queria, mas teve sorte com a educadora que tem e acho mesmo que houve verdadeiro interesse em fazê-la gostar de lá estar.

5. Perder peso.
Não vamos falar disto. Uma pessoa tem direito a estar em negação.

6. Destralhar.
Bom, não destralhei taaaaanto quanto queria, até porque como empacotámos tudo em poucos dias, não houve propriamente tempo para analisar calmamente os pertences, mas agora que vou tirando das caixas e arrumando algumas coisas, continuo a destralhar. Mas vá, o processo começou em 2018 por isso acho que se pode dizer que consegui.

7. Arranjar emprego.
A Mini-Tété lixou-me este plano ao ter reduzido o horário escolar para uma melhor adaptação. Admito que me custou adiar mais uma vez esta procura mas também sei que saber que estava disponível nesta fase da minha filha compensa tudo o resto.

8. Fazer mais saídas a dois.
Bahhhh, teria sido giro se não houvesse a construção de uma casa a roubar todos os bocadinhos de tempos livres.

9. Que tenhamos todos saúde.
Ora foi um bom ano, sim senhora. Os velhinhos da família andam a portar-se bem e a Mini-Tété surpreendeu-me. Depois de praticamente 3 anos a viver comigo, estava convencidíssima que ao chegar à escola seria uma verdadeira esponja de todas as doenças que por ali circulassem. Afinal, fora as viroses que sempre foi tendo desde que nasceu (muito à base de nariz entupidos e tosse que passam com o tempo), ainda não trouxe nada de novo. Nem otites, nem amigdalites, nem gastroenterites, nem bronquiolites, niente (deixem-me cá bater na madeira). Teve ali em Abril uma infecção urinária que a levou a ficar internada e a tomar antibiótico pela primeira vez mas foi tranquilo e resolveu-se.

10. Aproveitar bem este último ano em casa.
Quis aproveitar ao máximo o último ano da Mini-Tété em casa e acho que consegui. Continuo a achar que não nasci para ser mãe a tempo inteiro mas também sei que se era esse o meu papel, então tinha de fazer o melhor que podia e aproveitar o melhor que podia, também porque o tempo não volta atrás e a Mini-Tété não volta a ter esta idade.

11. Aprender a fazer novos pratos.
Nhé. Ou pelo menos não tanto como gostaria.

12. Focar-me.
Não. De todo. Continuo a sentir-me perdida. Talvez porque precise de ordem para me focar e ainda há uma série de coisas à minha volta que não estão como deviam.

Cinco concretizados contra sete não concretizados. Ainda assim, sinto que foi um bom ano, talvez porque algumas das coisas que concretizei fossem mais importantes do que outras não concretizadas. E talvez porque, mesmo tendo havido chatices e tristezas ao longo do ano, ele acabou bem, com alguns dos problemas resolvidos e isso faz com que sinta alguma paz em relação a este ano tão apressado. 

23.1.19

Não me volto a meter numa destas!

O dia até tinha começado a correr bem e enquanto a Mini-Tété estava na escola, reparei que estava a começar a nevar. Fiquei contente porque a pequenina andava cheia de vontade de ver neve e desejei que ainda nevasse quando a fosse buscar para podermos apreciar juntas esse fenómeno. Mas eu já devia saber, quantas vezes é que eu já aqui escrevi que o São Pedro não gosta de mim, quantas, quantas? Se peço sol, manda chuva, se penduro a roupa, chove no minuto seguinte, se peço um pouco de neve, manda-me uma tempestade dela. Não o suporto.
Saí de casa, contentinha da minha vida, a ver a neve e a pensar que a Mini-Tété devia estar a delirar, e mal entro na estrada, o carro foge do meu controlo e vai de descer rua abaixo aos S, comigo completamente em pânico, a pensar que só poderia acontecer uma de três coisas: ou me enterrava numa valeta, ou me espetava contra uma árvore ou entrava a direito pelo campo de vacas que existe ao fundo da rua e ainda acabava com uma sentada no banco do passageiro. Sem saber muito bem como, não aconteceu nada disto e ao fim de umas centenas de metros sempre a deslizar lá controlei minimamente o carro e fui buscar a Mini-Tété. Claro que cheguei à escola num estado de nervos que nem vos conto, ao telefone com o Jack a tentar saber o que fazer da minha vida porque voltar pela mesma estrada seria um suicídio certo. Apanho a miúda e num momento claro de loucura decido apanhar outra estrada, contornando e esquivando-me de carros bloqueados e que deslizavam estrada fora. E o que é que aconteceu, o que foi, o que foi? Pois, o meu carro bloqueou também. Mas não bloqueou num sítio qualquer, não, isso teria sido simples, bloqueou atravessado numa curva apertada numa estrada bem inclinada sem qualquer visibilidade para os carros que desciam. Não vale a pena esconder que aqui os meus nervos já estavam tão picadinhos que duvido que algum dia se restabeleçam e que quase entrei em histeria quando de repente um camião enorme surge a descer na curva. Isto com o Jack sempre em alta voz, coitado, a tentar dar indicações às cegas à mulher que não foi propriamente abençoada com um grande jeito ao volante em situações extremas. Oh, e como nevava, raios partam o São Pedro!
Lá consegui fazer inversão de marcha e fui estacionar o carro na terra da escola da Mini-Tété, que é uma terra pequena sem grandes serviços. Procurei o café/restaurante para poder dar comida à Mini-Tété mas a cozinheira tinha ido embora com a neve e não tinham mais nada para servir, nem pão. Encontrei a padaria e tive a sorte de comprar a última baguette. Vi passar o limpa-neves duas vezes mas a estrada voltava a ficar coberta ao fim de uns minutos pelo que voltar a pegar no carro estava fora de questão. Esperar no carro que a neve acalmasse não me seduzia porque não estava previsto que a neve abrandasse e passar horas num carro com uma miúda de 3 anos, sem ter a certeza que conseguiria regressar a casa a conduzir ou que o Jack conseguisse chegar até mim não me estava a convencer. Por isso, peguei na mochila com uma muda de roupa da Mini-Tété, no resto do pão, uma manta e expliquei à Mini-Tété que teríamos de ir a pé para casa. E foi aqui que a minha pequenina, corajosa até então, quebrou. A fome, o frio, o sono e o cansaço de andarmos na neve de um lado para o outro foram demais para ela e só eu sei o que me custou fazer os poucos quilómetros no meio da neve, com os óculos sempre molhados, com ela ao colo a cantar-lhe músicas, a tentar distraí-la e a prometer que hoje veria os desenhos animados todos que quisesse e comeria todo o pão com nutella que quisesse (e foi realmente o almoço dela que isto um dia não são dias), a gerir o cansaço das duas, o medo que ela estava a sentir e o meu receio que algum carro deslizasse para cima de nós ou que escorregássemos e nos magoássemos. A certa altura, parou uma senhora ao pé de nós que me perguntou se queríamos boleia e eu nem pensei duas vezes. Eu, que sou a stressadinha com a segurança da Mini-Tété dentro do carro, atirei com a miúda para dentro do carro de uma desconhecida, sem cinto de segurança, sem cadeira, nada. Infelizmente, dado o estado da estrada, a boleia só durou uns metros mas ajudou a descansar um pouco.
Eu sei que para quem vive em terras onde neva todos os anos, deve estar mais do que habituado a estas coisas e tudo isto deve parecer quase corriqueiro (estou aqui a pensar numa amiga que vive na Guarda, por exemplo), mas eu não fui feita para isto e tenho mesmo a certeza que se estivesse sozinha não teria sido tão difícil como foi por ter a minha pequenina comigo. Isto de sermos mães tem muitas coisas boas, mas durante aquelas duas horas que passaram até chegarmos a casa (geralmente demoramos 5-10 minutos de carro), com o carro a patinar, bloqueado, procurar comida para ela e depois a viagem a pé, acho que o meu coração parou com medo de um acidente que a magoasse.
Enfim, primeiro dia de neve do ano e eu já não a posso ver à frente. E não me voltam a apanhar numa destas porque a partir de agora mal veja um flocozinho de neve que seja, envio logo um e-mail à escola a dizer que não estão reunidas as condições necessários para levar a Mini-Tété. Até podem fazer 30°C logo a seguir, com um sol maravilhoso, que a mim ninguém me arranca de casa.
A única parte boa de tudo isto (para além de chegarmos vivas a casa e com as duas perninhas inteiras) é que ainda tirei umas fotografias.


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16.1.19

Ponto da situação

Caos. É a palavra que melhor define os meus dias neste momento. E a minha casa. Isto de fazer mudanças com uma criança de 3 anos para uma casa que ainda está em obras é de deixar qualquer um de cabelos em pé porque basicamente agora vivemos no meio de caixotes, caixotes esses com coisas que eu não arrumo porque os móveis ainda não estão montados ou porque ainda vão andar a passear-se graças às obras e quanto mais leves melhores. E há pó por todo o lado. E uma criança a adaptar-se ao quarto novo, eu a adaptar-me a uma casa com escadas (coisa que nunca quis), ela com metade dos brinquedos ainda por arrumar, eu às aranhas na cozinha que foi arrumada por outros e não por mim, e os três ainda a adaptarmo-nos aos novos horários e rotinas. E andamos assim numa mistura de contentes e confusos.

A Mini-Tété regressou à escola sem chorar, o que é uma vitória das grandes. Vá, um beicinho ou outro e um choro no primeiro dia depois da minha sessão de jogos de sociedade na turma dela. Este fim-de-semana teremos o George cá em casa, que é a mascote de peluche da escola dela e que traz uma mala e um diário, e a quem é suposto ensinarmos a fazer qualquer coisa, tirar fotografias e descrever o fim-de-semana. Ora o George já aprendeu a andar de bicicleta, a fazer biscoitos, a saltar no trampolim...Uma vida de luxo para um cão de peluche, é o que é. Nós ainda estamos a ponderar o que fazer mas se calhar o George vai aprender palavras em português que é um mimo. 

Dia 4 a nossa máquina de lavar a louça avariou. À noite, o Jack pediu-me para procurar a factura para ver se ainda estávamos na garantia. Adivinhem quando é que a garantia acabava, adivinhem? Dia 4, pois claro. Tivemos sorte porque a factura tinha sido carimbada  em como foi entregue dia 11 e a loja cobria a garantia até 2 anos após a entrega. Máquina arranjada.

A Mini-Tété está a puxar por nós e nós estamos naquele limbo entre pô-la na linha e compreender que foram muitas mudanças em pouco tempo: esteve em Portugal com a atenção dos avós e bisavós o tempo todo, regressou a França onde o pai regressou logo ao trabalho e a mãe andou ocupada a embalar a casa toda, mudança de casa e logo a seguir entrada na escola, um quarto novo, novas rotinas, a somar ao estado da casa e ao ar confuso dos pais. A minha pequenina ainda usava chupeta para adormecer e quando comprámos a última avisámos que era mesmo a última. E fomos avisando e avisando até que a chupeta rasgou dias antes da mudança. Fomos coerentes e não comprámos mais nenhuma mas calhou realmente numa altura péssima. 

E é isto. Estou desejosa de mostrar mais pormenores desta casa mas só depois de algumas obras estarem feitas, móveis no sítio e caixotes arrumados. 


10.1.19

14 anos

A brincar, a brincar, vai-se a ver e já passaram 14 anos desde que naquela tarde ele me disse, numa tentativa falhada de me tranquilizar de que não apressaria nada, que "Não te preocupes, não te vou pedir em namoro para já". Devo ter ficado de todas as cores, era o que me faltava estar metida numa amizade colorida. Ou aquilo era a sério ou então não queria brincar mais. Por isso pouco depois, no mesmo sítio onde viria a ser pedida em casamento 9 anos mais tarde, perguntei-lhe se queria namorar comigo, a rir-me com os nervos. Bom, a rir-me de tal maneira que ele quis confirmar que eu estava mesmo a falar a sério. 

Eu não sei muito bem como é que já passaram 14 anos. Como é que nestes 14 anos conseguimos enfiar um namoro de 10 anos e um casamento de 4 anos, alguns anos a viver em cidades diferentes, um ano a viver na mesma cidade, um ano comigo a viver em França e ele em Portugal para depois trocarmos e ele passar 3 anos em França e eu em Portugal, um casamento, uma gravidez, uma filha e a construção desta casa. Este ano, este aniversário sabe-me ainda melhor por estarmos aqui, no meio do caos que uma mudança recente de casa traz, sobretudo para uma casa ainda em obras, mas que é uma casa pela qual tanto lutámos nos últimos anos. Dizem que as duas coisas que mais abalam um casal é ter um filho e construir uma casa, e nós decidimos meter-nos a fazer ambas as coisas ao mesmo tempo, num claro momento de loucura. É sem brincar que digo que esta casa foi feita "a sangue, suor e lágrimas" e que ainda hoje comentava com o Jack como é bom estar aqui com ele, a festejar este aniversário de namoro, porque houve momentos neste processo de construção em que abanámos de tal maneira que por momentos temi que não chegássemos aqui. Mas chegámos, como chegaremos sempre, a qualquer lado. Porque há 14 anos eu sabia que queria aquele rapaz só para mim e hoje continuo com a mesma certeza que quero que ele continue comigo nesta aventura que é a vida. E de mão dada. Sempre.

31.12.18

Adoro as casas dos outros, despojadas e arrumadas, como a minha nunca será

Não tenho qualquer jeito para decoração, sou verdadeiramente uma naba, para mim qualquer coisinha está bem, gosto de quase todos os estilos, e mesmo que haja ali qualquer coisa que não me encha as medidas, não consigo perceber se é um questão de proporção, de número de elementos, de cor, de luz, sei lá eu. Uma naba, já o disse.
Por isso, acho imensa piada ver as casas dos outros, numa fraca tentativa de aprender qualquer coisa, e adoro aqueles programas de "remodelação total" ou vídeos no youtube tipo "tour pela minha casa". Babo-me por aquelas casas com estilo escandinavo, minimalista ou simplesmente com pouca tralha. Gosto mesmo do ar limpinho, despojado, arrumadinho, cores neutras, muito branco, e penso que se tivesse de escolher uma casa já decorada para mim , seria uma assim. Mas depois também não há vez nenhuma em que não me venha o pensamento de que logo no primeiro dia encheria a casa de coisas que ficariam para ali a ocupar espaço e a tropeçar-me nos pés, como já acontece.
Ainda há umas semanas, estava a ver o vídeo de uma casa, liiiinda, decoração óptima, tudo muito clean e confortável, casa pequena e com pouca tralha, e saltou-me logo a pergunta "Mas onde é que está o aspirador?". É daquelas coisas que, a não ser que casa tenha imensa arrumação escondida, caves, anexos, garagens ou sótãos que não são mostrados (sim, sim, porque ter uma divisão destas à parte onde esconder toda a tralha faz uma enorme diferença), me salta logo à vista: "Onde está o aspirador?", " Se eu vivesse ali, onde é que punha os meus livros todos?", "E onde estão os casacos?", "E as malas de viagem???", "E a tábua de passar a ferro?", "E o balde e a esfregona?", "E não há DVD's, CD's, nada?", "E o cesto da roupa suja?", etc, etc, etc. Pronto, já perceberam a ideia. Adoro aquelas casas, mas não sei onde é que guardam estas coisas que a mim me ocupam mais espaço do que aquele que gostaria, para além de sentir quase sempre que falta ali um toque mais pessoal e personalizado (umas fotografias, ou um gosto evidenciado pela leitura, pela arte, pela música, qualquer coisa...). 
É que eu até poderia dizer que a minha casa está atulhada de coisas da Mini-Tété (que está, uma pessoa quer ser poupadinha e guardar tutti tutti para um eventual futuro filho e já não sabe onde inventar espaço para guardar tanta coisa), ou do Jack que anda claramente a tentar fazer carreira como acumulador (é incapaz de dizer que não a qualquer coisa dada, nem que seja "Olha, estou a ver se me desfaço dos 25485425 dossiers vazios e estragados que lá tenho em casa, queres?". É que até lhe brilham os olhinhos enquanto me enche a casa de coisas que os outros não querem), e até mesmo coisas minhas que sou assim um bocado sentimentalista e me recuso a separar-me de um dos 54857 livros, e que guardo to-dos os postais semanais que a minha avó e a minha mãe mandam à Mini-Tété (que tem 3 anos, podem fazer as contas...), mais os de Natal, aniversários, etc, que faço álbuns de fotos, que colecciono cadernos onde nunca escrevo porque são demasiado bonitos, que tenho ali uma pilha de 548756 puzzles (com caixas muito mal concebidas, senhores, tanto espaço interior para pecinhas daquele tamanho!), enfim, tudo isto ocupa espaço, mas aquilo que me intriga meeeeesmo nas casas clean dos outros é mesmo onde é que está toda a tralha doméstica que parece estar sempre a ocupar-me demasiado espaço. 

(E uma pessoa anda a empacotar noite e dia, sente que a casa continua basicamente na mesma porque para onde quer que olhe continua a ver coisas por arrumar, e só pensa "Mas como é que aquela malta faz?". É que eu estou em processo de "destralhanço", vou-me livrando de coisas, mas mesmo assim parece que vive uma família de 12 pessoas nesta casa, pela quantidade de coisas que temos e não estou a ver como é que vai ficar tudo arrumado na casa nova. Nitidamente, está a falhar-me qualquer coisa) 

28.12.18

Não parece mas estou viva :)

Ando completamente desaparecida mas por boas razões. Fomos passar o Natal a Portugal, para onde não levei o computador e onde me desliguei o mais possível do telemóvel. Passamos tão poucos dias com a família, que cada minuto tem de ser bem aproveitado. E foram férias tããããão booooooas! Rever alguns amigos (nunca dá para ver todos infelizmente), abraçar a família, ir duas vezes ao cinema ("Bohemian Rhapsody" - adorei - e "Assim nasce uma estrela" - nhé...), ler um livro de 700 páginas (isto de ter os avós a entreter a neta dá tanto jeito para a mãe ler um livro inteiro), voltar aos restaurantes favoritos, comprar as últimas prendas de Natal, passear, cortar um palmo de cabelo (99% do tempo adoro, 1% do tempo penso que raio fui eu fazer), apanhar sol, dormir, jogos de cartas até às tantas, estar na conversa com a mãe até às 4h da manhã, enfim, só boas memórias e o coração cheio de mimo.

A Mini-Tété adorou, claro, e hoje já me perguntou quando é que voltamos a Portugal. Foi aos parques, teve a atenção dos avós e bisavós o tempo quase todo, brincou com amigos e primos, comeu arroz de marisco, arroz de polvo, roubou o esparregado do prato da avó, brincou na praia, andou na trotinete que os tios e primos lhe deram, maquilhou a bisavó (base, baton, lápis de sobrancelhas, tudo) que corajosamente saiu à rua assim maquilhada, leu histórias, foi ao café, provou bolo-rei, comeu o bacalhau que a minha avó fazia e que o meu avô aprendeu a fazer da mesma maneira, comeu caldeirada de peixe, litros de sopa e 548547652 mangas, não gostou de diospiros, comeu como se aqui não lhe déssemos de comer e dormiu bem pior do que dorme por cá, mas fez sestas de 3 horas que causavam inquietação à bisavó. Dormiu toda a viagem para Portugal (ma-ra-vi-lho-so) e veio acordada toda a viagem para cá, num voo já com um atraso de 1h30 (na-da ma-ra-vi-lho-so), deu de comer às galinhas, fez festas a gatos, e tantas outras coisas que acho que até cresceu uns centímetros.

E agora tenho malas para arrumar, roupa para lavar e toda uma casa para empacotar. Ano novo, casa nova. Vamos lá. Até 2019 e entrem neste novo ano com o pé direito. :)

12.12.18

Coração de mãe apertadinho

Há umas semanas uma amiga perguntava-me se ao fim de alguns anos, o controlo reforçado de segurança na entrada de certos espaços se tornava algo normal para nós. Respondi-lhe que não. Pelo menos para mim, ainda que já quase tenha o reflexo de abrir a carteira e a mostrar quando entro num centro comercial ou num hospital. Continuo a estranhar, continua-me a fazer confusão, continuo a não gostar de ser relembrada da razão pela qual estas medidas são necessárias.
No início do ano lectivo, tivemos uma reunião de pais na escola da Mini-Tété onde, entre outras coisas, se falou de alguns exercícios de segurança que iriam ser feitos. Pensei logo: ensinar as crianças sobre o que devem fazer em caso de incêndio e terramoto. Falhei por pouco. Um dos simulacros é de facto o que devem fazer em caso de incêndio, o outro é o que devem fazer em caso de invasão/atentado à escola.
Fiquei estarrecida. 
Foi-nos explicado que dada a idade das crianças, não lhes é verdadeiramente dito o sentido do exercício mas que lhes é na mesma ensinado o que devem fazer através de um jogo. Custou na mesma ouvir. A Mini-Tété entrava na altura na escola com 2 anos e a última coisa que uma mãe quer ouvir é que vai ser treinada para a eventualidade de um intruso invadir a escola. Tenho acompanhado mais ou menos o exercício que têm feito, muito à base da história dos 3 porquinhos, em que ensinam as crianças a esconderem-se do lobo, colocando-se debaixo das mesas e não fazendo barulho. Num dos e-mails com fotografias semanais das actividades escolares, lá estão estão elas escondidas debaixo das mesas. Um murro no estômago. Acredito que não fará confusão a todos os pais, se calhar até mesmo à maior parte, mas a mim faz. Esta semana, fomos avisados que se vai realizar o exercício final, uma vez que dado o "contexto actual de uma ameaça terrorista persistente, convém assegurar que cada um desenvolve reflexos específicos à situação de invasão no estabelecimento de pessoas exteriores com o objectivo de cometer um acto terrorista", e que devemos sensibilizar as crianças para que tentem cumprir o exercício eficazmente.
A Mini-Tété tem 3 anos e anda a aprender a reagir em caso de atentado. E eu só penso que raio de mundo é este em que a tive. Preferia que aprendesse o que fazer em caso de terramoto...