Estando agora a trabalhar, achei que seria interessante comparar aqui a vida enquanto mãe-a-tempo-inteiro e enquanto mãe-trabalhadora, porque obviamente há diferenças, ambas têm os seus prós e contras e também porque pode ser útil ler para quem trabalha e tem o desejo de ficar em casa e vice-versa.
- Dinheiro: esta é fácil. Uma das vantagens de ser mãe trabalhadora é o facto de ganharmos o nosso próprio dinheiro. Existe quem não veja nisto uma prioridade desde que o salário do marido chegue para as despesas mas há também quem o sinta como uma necessidade, não gostando de estar dependente de outra pessoa. Eu gosto de ter o meu próprio salário embora viver apenas com o salário do Jack a entrar em casa não me fizesse sentir mal, sentindo apenas que um único salário numa família é sempre uma situação mais instável.
- Custos: Aqui, a partir dos 3 anos a escolaridade é gratuita. E obviamente que antes disso, pagar uma creche ou a uma ama (parece-me ser o mais comum por aqui) teria um custo, que não seria baixo. Ficar com a Mini-Tété em casa libertou-nos dessa despesa e agora, mesmo sendo a escola gratuita, o horário não é compatível com um trabalho a tempo inteiro (4 dias por semana, das 8h30 às 16h30), pelo que é preciso pagar o ATL antes e/ou depois da escola e ainda às quartas-feira todo o dia. É também preciso acrescentar o preço da cantina (varia segundo o escalão salarial dos pais, sendo que o preço máximo é 7€ por refeição) e o seguro escolar. No dia-a-dia, acrescento agora a gasolina que gasto em muito maior quantidade.
- Disponibilidade: esta é das que ainda me custa. Durante 3 anos estive disponível para a Mini-Tété fosse em que situação fosse, e não sendo uma criança muito dada a doenças, tem grande tendência para aquelas viroses que lhe dão 3 dias de febre e que se vão embora da mesma maneira como chegaram. Não estando a trabalhar, tinha a liberdade de poder ficar em casa com ela nestas alturas ou noutras em que não a achasse tão em forma para ir para a escola. Da mesma forma que deixei de estar tão disponível para a acompanhar melhor na adaptação à escola e ao ATL, deixei de estar tão presente na escola e de conseguir falar tão facilmente com a educadora, de conhecer as outras mães e crianças, e tudo isto ainda me faz alguma confusão.
Em relação ao tempo que estou com ela, como a Mini-Tété estava a fazer um horário reduzido na escola (12h semanais) passávamos muito tempo juntas durante a semana, tempo esse que foi reduzido para os finais de dia e fins-de-semana. Há dias que me custam mais do que outros, porque de alguma maneira me sinto a falhar para com ela quando sinto que às vezes ela precisa mais de mim ou porque sinto saudades de algumas das nossas rotinas calmas durante o dia.
- Vida de adulto: é definitivamente diferente passar o dia em casa com uma criança com menos de 3 anos e lidar com adultos num dia de trabalho. Eu lembro-me da inveja que cheguei a sentir em certas fases por o Jack almoçar sossegado sozinho ou com outros adultos. Eu percebo, a sério que sim, a vontade de muitas mães de largarem os seus empregos e ficarem com os filhos em casa mas tenho para mim que em muitos casos não saberão ao certo como não é comparável estar tanto tempo em casa com crianças e estar com elas ao final do dia/fins-de-semana/férias. E de como é diferente estar em casa com elas a tempo inteiro ou com elas a passar algumas horas por dia nas creches/infantários/escola (esta situação é mais fácil e apelativa mas não foi a minha realidade nos primeiros anos e por isso sei bem como é diferente), ou como é diferente estar em casa a tempo inteiros nos primeiros meses do bebé ou estar em casa nos anos seguintes. Ser mãe-a-tempo inteiro (e refiro-me mesmo a tempo inteiro, sem horas onde o bebé/criança está na creche, na escola, com os avós, etc) durante anos não é fácil, tem muitas coisas boas mas não é fácil.
- Tempo para tudo o resto: ainda me estou a adaptar. Passei os últimos anos com grande disponibilidade para tratar de alguns assuntos às horas que eu queria e isso agora deixou de acontecer. Há certos serviços que não consigo apanhar abertos durante a semana por isso só posso tratar deles ao fim-de-semana (como ir aos correios) e outros que como me demoram mais tempo também não são tão exequíveis durante a semana (como ir às compras). Também ainda estamos a tentar criar uma rotina familiar no que toca a limpezas e arrumações de forma a não gastarmos demasiado tempo nestas tarefas mas ainda há por aqui algumas falhas, até porque ainda não temos toda a casa pronta, ainda há obras e falta-nos por exemplo instalar a máquina de lavar louça que muita falta nos faz para agilizar o dia-a-dia. Sempre disse que quando ambos trabalhássemos, arranjaria maneira de ter a ajuda de uma empregada doméstica para não ter de gastar o meu tempo livre com limpezas, mas neste momento tal não é possível por isso temos mesmo de acertar na rotina. Algumas ideias?
Lembrei-me agora de há uns tempos ter participado numa discussão num blogue sobre as arrumações sendo mãe-a-tempo-inteiro ou mãe-trabalhadora e continuo a defender a minha visão: embora haja menos tempo para limpezas/arrumações, a casa desarruma-se muito, muito menos estando a Mini-Tété na escola e nós a trabalhar. As poucas horas que passamos acordados em casa ao final do dia não se comparam com uma vivência de 24 horas por dia, com refeições a serem feitas, brincadeiras por toda a casa. Pode não ser a dinâmica familiar de toda a gente, mas cá em casa é o que sinto.
Cansaço: uma vénia a todas as mães-trabalhadoras que têm filhos que dormem mal. Eu nem digo que estou convosco ou que sei pelo que passam porque não sei e não vou estar aqui a fingir que sim. Mas gostava de saber o vosso segredo (sem ser recorrer a litros de café porque eu não bebo). A Mini-Tété foi um bebé e é uma criança que dorme bem, mas teve e tem as suas fases de más noites e eu só penso como é que vocês fazem, muitas vezes durante anos, para irem trabalhar sem adormecerem ao volante ou em cima das secretárias. Uma das grandes vantagens de ser mãe-a-tempo inteiro são as sestas. Uma vez que eu estava em casa, era eu quem ficava encarregue de me levantar a meio da noite nas fases de pior sono da Mini-Tété, mesmo que o Jack se oferecesse porque eu sabia que ele precisava de ir trabalhar daí a umas horas e eu tinha sempre a hipótese de fazer uma sesta com ela se me sentisse a desfalecer. Saber que tinha esta alternativa ajudou-me a lidar com relativa tranquilidade com algumas destas fases, mas agora basta a miúda acordar uma vez durante a noite e eu já começo a resmungar por saber que se me corta muito a noite, no dia seguinte vou ter sono e não há sesta para ninguém. E com todas as mudanças que tem havido ultimamente, a Mini-Tété já nos deu algumas noites do arco-da-velha que me fizeram concluir que quem aguenta isto durante anos deve realmente ter um segredo muito bem escondido.
Agora não me lembro de mais pontos a comparar mas se alguém quiser saber a minha opinião sobre algo específico, é só dizer. :D