18.5.19

Porque é que sinto que está para breve a bela questão de "como é que se fazem os bebés?"...?

A Mini-Tété anda novamente curiosa por já ter estado na minha barriga, eu ter estado na barriga da avó, as amigas terem estado nas barrigas das mães, etc...
Ontem ao jantar procurava novamente compreender:
- A Mini-Tété era muito pequenina?
- Sim, quando estavas na barriga eras pequenina.

- E tinha uma mantinha!
- Sim. [não perguntem, Mini-Tété parece achar que estar numa barriga sem uma manta para estar quentinha não é muito confortável]
- E estava lá assim encolhida?
- Sim.
- Então...a mamã comeu a Mini-Tété toda?
- Não!!

Ahahahahahaha, cheira-me que ainda vamos ter muitas conversas e explicações para dar.

4.5.19

Mãe-a-tempo-inteiro vs Mãe trabalhadora

Estando agora a trabalhar, achei que seria interessante comparar aqui a vida enquanto mãe-a-tempo-inteiro e enquanto mãe-trabalhadora, porque obviamente há diferenças, ambas têm os seus prós e contras e também porque pode ser útil ler para quem trabalha e tem o desejo de ficar em casa e vice-versa. 

- Dinheiro: esta é fácil. Uma das vantagens de ser mãe trabalhadora é o facto de ganharmos o nosso próprio dinheiro. Existe quem não veja nisto uma prioridade desde que o salário do marido chegue para as despesas mas há também quem o sinta como uma necessidade, não gostando de estar dependente de outra pessoa. Eu gosto de ter o meu próprio salário embora viver apenas com o salário do Jack a entrar em casa não me fizesse sentir mal, sentindo apenas que um único salário numa família é sempre uma situação mais instável.

- Custos: Aqui, a partir dos 3 anos a escolaridade é gratuita. E obviamente que antes disso, pagar uma creche ou a uma ama (parece-me ser o mais comum por aqui) teria um custo, que não seria baixo. Ficar com a Mini-Tété em casa libertou-nos dessa despesa e agora, mesmo sendo a escola gratuita, o horário não é compatível com um trabalho a tempo inteiro (4 dias por semana, das 8h30 às 16h30), pelo que é preciso pagar o ATL antes e/ou depois da escola e ainda às quartas-feira todo o dia. É também preciso acrescentar o preço da cantina (varia segundo o escalão salarial dos pais, sendo que o preço máximo é 7€ por refeição) e o seguro escolar. No dia-a-dia, acrescento agora a gasolina que gasto em muito maior quantidade.

- Disponibilidade: esta é das que ainda me custa. Durante 3 anos estive disponível para a Mini-Tété fosse em que situação fosse, e não sendo uma criança muito dada a doenças, tem grande tendência para aquelas viroses que lhe dão 3 dias de febre e que se vão embora da mesma maneira como chegaram. Não estando a trabalhar, tinha a liberdade de poder ficar em casa com ela nestas alturas ou noutras em que não a achasse tão em forma para ir para a escola. Da mesma forma que deixei de estar tão disponível para a acompanhar melhor na adaptação à escola e ao ATL, deixei de estar tão presente na escola e de conseguir falar tão facilmente com a educadora, de conhecer as outras mães e crianças, e tudo isto ainda me faz alguma confusão.
Em relação ao tempo que estou com ela, como a Mini-Tété estava a fazer um horário reduzido na escola (12h semanais) passávamos muito tempo juntas durante a semana, tempo esse que foi reduzido para os finais de dia e fins-de-semana. Há dias que me custam mais do que outros, porque de alguma maneira me sinto a falhar para com ela quando sinto que às vezes ela precisa mais de mim ou porque sinto saudades de algumas das nossas rotinas calmas durante o dia.

- Vida de adulto: é definitivamente diferente passar o dia em casa com uma criança com menos de 3 anos e lidar com adultos num dia de trabalho. Eu lembro-me da inveja que cheguei a sentir em certas fases por o Jack almoçar sossegado sozinho ou com outros adultos. Eu percebo, a sério que sim, a vontade de muitas mães de largarem os seus empregos e ficarem com os filhos em casa mas tenho para mim que em muitos casos não saberão ao certo como não é comparável estar tanto tempo em casa com crianças e estar com elas ao final do dia/fins-de-semana/férias. E de como é diferente estar em casa com elas a tempo inteiro ou com elas a passar algumas horas por dia nas creches/infantários/escola (esta situação é mais fácil e apelativa mas não foi a minha realidade nos primeiros anos e por isso sei bem como é diferente), ou como é diferente estar em casa a tempo inteiros nos primeiros meses do bebé ou estar em casa nos anos seguintes. Ser mãe-a-tempo inteiro (e refiro-me mesmo a tempo inteiro, sem horas onde o bebé/criança está na creche, na escola, com os avós, etc) durante anos não é fácil, tem muitas coisas boas mas não é fácil. 

- Tempo para tudo o resto: ainda me estou a adaptar. Passei os últimos anos com grande disponibilidade para tratar de alguns assuntos às horas que eu queria e isso agora deixou de acontecer. Há certos serviços que não consigo apanhar abertos durante a semana por isso só posso tratar deles ao fim-de-semana (como ir aos correios) e outros que como me demoram mais tempo também não são tão exequíveis durante a semana (como ir às compras). Também ainda estamos a tentar criar uma rotina familiar no que toca a limpezas e arrumações de forma a não gastarmos demasiado tempo nestas tarefas mas ainda há por aqui algumas falhas, até porque ainda não temos toda a casa pronta, ainda há obras e falta-nos por exemplo instalar a máquina de lavar louça que muita falta nos faz para agilizar o dia-a-dia. Sempre disse que quando ambos trabalhássemos, arranjaria maneira de ter a ajuda de uma empregada doméstica para não ter de gastar o meu tempo livre com limpezas, mas neste momento tal não é possível por isso temos mesmo de acertar na rotina. Algumas ideias? 
Lembrei-me agora de há uns tempos ter participado numa discussão num blogue sobre as arrumações sendo mãe-a-tempo-inteiro ou mãe-trabalhadora e continuo a defender a minha visão: embora haja menos tempo para limpezas/arrumações, a casa desarruma-se muito, muito menos estando a Mini-Tété na escola e nós a trabalhar. As poucas horas que passamos acordados em casa ao final do dia não se comparam com uma vivência de 24 horas por dia, com refeições a serem feitas, brincadeiras por toda a casa. Pode não ser a dinâmica familiar de toda a gente, mas cá em casa é o que sinto.

Cansaço: uma vénia a todas as mães-trabalhadoras que têm filhos que dormem mal. Eu nem digo que estou convosco ou que sei pelo que passam porque não sei e não vou estar aqui a fingir que sim. Mas gostava de saber o vosso segredo (sem ser recorrer a litros de café porque eu não bebo). A Mini-Tété foi um bebé e é uma criança que dorme bem, mas teve e tem as suas fases de más noites e eu só penso como é que vocês fazem, muitas vezes durante anos, para irem trabalhar sem adormecerem ao volante ou em cima das secretárias. Uma das grandes vantagens de ser mãe-a-tempo inteiro são as sestas. Uma vez que eu estava em casa, era eu quem ficava encarregue de me levantar a meio da noite nas fases de pior sono da Mini-Tété, mesmo que o Jack se oferecesse porque eu sabia que ele precisava de ir trabalhar daí a umas horas e eu tinha sempre a hipótese de fazer uma sesta com ela se me sentisse a desfalecer. Saber que tinha esta alternativa ajudou-me a lidar com relativa tranquilidade com algumas destas fases, mas agora basta a miúda acordar uma vez durante a noite e eu já começo a resmungar por saber que se me corta muito a noite, no dia seguinte vou ter sono e não há sesta para ninguém. E com todas as mudanças que tem havido ultimamente, a Mini-Tété já nos deu algumas noites do arco-da-velha que me fizeram concluir que quem aguenta isto durante anos deve realmente ter um segredo muito bem escondido.

Agora não me lembro de mais pontos a comparar mas se alguém quiser saber a minha opinião sobre algo específico, é só dizer. :D







1.5.19

Insta-Abril

Como sei que nem toda a gente me segue no instagram e/ou facebook, ou que mesmo quem me segue nem sempre vê todas as fotografias, aqui ficam as do mês de Abril. :)


Fotografia tirada no primeiro fim-de-semana do mês, pertinho de casa.



Um cantinho do closet. Ainda falta decorar com mais alguns elementos mas para já está assim. O que acham?


Devem ser os folhados de salmão, queijo e ervas mais toscos do mundo. Mas até estavam bons. :D 


Brincadeiras. Está a ficar tão crescida.


Amor (também) é isto. Não gostar de marisco mas cozinhar para que o marido e a filha comam. :P



A Primavera no meu jardim.


Eram 23h, estava morta de sono e ainda fui fazer um bolo...no que me meto.


O meu bolinho de Páscoa a ser atacado por uma Mini-Tété. :D


Cheia de estilo!


Fotografia sem filtros.
Nem sempre gosto de viver aqui, como em qualquer lado há dias em que preferia estar noutro sítio mas depois há todos os outros dias em que penso que tenho muita sorte em ter esta paisagem ao pé de minha casa e poder ir trabalhar com a mente cheia de flores amarelas logo pela manhã. 



Aproveitar o sábado e fazer um bolo de chocolate. 


 Uma foto da paisagem que tenho quando vou trabalhar (ou quando vou a qualquer lado, que tenho quase sempre de passar por aqui :P )

4.4.19

Estou viva!

Estou de volta!

Que desgraça, quase um mês sem cá vir. Aposto que já se foi toda a gente embora e que ninguém vai ler isto. 

Ando atarefada, não há outra desculpa. Regressei ao trabalho há quase 2 meses e obviamente a vida do dia-a-dia dá assim uma volta de 180°C, sobretudo quando sabemos numa terça que vamos começar a trabalhar...no dia seguinte. Foi necessário gerir muita coisa em pouco tempo, até porque a Mini-Tété ia à escola apenas 12h por semana e foi preciso inscrevê-la na cantina, no ATL, arranjar solução para as férias que se avizinhavam, e lidar com as várias doenças (e proibição de ir à escola nalguns casos) que a pequenina decidiu ter no mês que se seguiu: teve a sua primeira conjuntivite, uma virose, varicela e a sua primeira otite. Um regresso ao trabalho em bom, portanto. :D

Para além de ter de gerir a adaptação da Mini-Tété a uma carga horária escolar muito maior, novas rotinas e ambientes (e infelizmente a minha filha sai a mim e dá-se muito mal com mudanças, sobretudo assim sem qualquer pré-aviso), tenho de gerir a minha própria adaptação depois de anos sem trabalhar e em casa a cuidar de uma criança (que dá trabalho mas o cérebro não é usado para as mesmas coisas). Nos primeiros dias senti-me completamente burrinha e com problemas de concentração, juro. E parecia aquelas crianças que não conseguem estar sentadas quietas na escola. Quando trabalhava em Portugal, o meu trabalho não passava por estar horas a uma secretária. Em casa, também não o fazia claro. Por isso, estar horas sentada à frente de um computador foi sem dúvida um desafio. :P Isso e não estar a trabalhar na minha área. 

O gabinete de desenho técnico onde o Jack trabalha está com uma pessoa ausente e fui contratada para prestar apoio enquanto a situação se mantém. É algo provisório que tanto pode acabar este mês como manter-se assim mais algum tempo, mas farto-me de aprender e fazer coisas novas, por isso aproveito. :) 

O dia-a-dia de mãe trabalhadora é bem diferente do dia-a-dia de mãe a tempo inteiro mas isso fica para outro post. :)




10.3.19

Eu bem digo que durmo profundamente

Deitei-me. Ferrei-me a dormir. A meio da noite acordei, levantei-me, fui à casa-de-banho, voltei a deitar-me. Começo a ouvir a Mini-Tété a tossir. Mais uma vez. E outra. E outra. Digo ao Jack que vou dar água à pequena e que já volto. Entro no quarto da Mini-Tété e deparo-me com o Jack ferrado a dormir na cama dela.

Ao que parece a Mini-Tété esteve aos gritos, o Jack levantou-se, acalmou-a, deitou-se ao pé dela e adormeceu. Horas depois, eu levanto-me, deito-me e ainda falo com ele sem me aperceber que estou na cama sozinha. Caramba, o homem podia andar a sair todas as noites para ir ter com uma amante que eu não dava por nada.

3.3.19

Eu não durmo. Eu entro em coma profundo.

Sempre ouvi dizer que depois de se ser mãe não se volta a dormir da mesma maneira, o que não deixa de ser verdade porque as pequenas criaturas que parimos nem sempre assimilam perfeitamente o conceito do quão bom é ficar na ronha toda a manhã, levantar às tantas, acordar devagarinho (sobretudo quando, como a minha, saem à mãe e acordam mortas de fome e a exigir alimento imediatamente) e mal o sol nasce já estão prontas para começar o dia (felizmente a Mini-Tété não é para já especialmente madrugadora mas, lá está, mal abre os olhos, diz-me logo duas coisas: "Tenho fome" e "Olha, mamã, já é dia! Vamos levantar!". Aaaargh, saudades da ronha...).
Outra razão que leva as mães (e pais, suponho) a dormir pior é o facto se manterem alerta mesmo durante a noite. Pelo menos foi o que sempre li e ouvi: mães que acordam de noite nas primeiras semanas (meses?) do bebé para ver se ele está a respirar, mães que quase dormem com um olho fechado e outro aberto não vá a cria chamar e mães que se queixam que o sono passou a ser mais leve, mais alerta, menos descansado.

Quando a Mini-Tété tinha um ano e meio, escrevi este texto em que assumia não ter sentido diferenças no meu sono, excluindo claro a adaptação aos horários de sono da pequena (não dá para querer dormir até às 10h quando ela acordou às 8h....) e o facto de o meu distúrbio de sono estar muuuuuito melhor (já mal sei o que é chegar à cama e demorar horas a adormecer porque agora em 10 segundos apaguei para a vida, uhuh...). Nunca fui mãe de acordar para ver se ela respirava porque nunca foi um medo que verdadeiramente tive e na altura relacionava tudo isto ao facto de a Mini-Tété ainda partilhar o quarto connosco pelo que o meu sono não precisava de ser leve dado que eu acordava sem dificuldades se ela me chamasse logo ali ao meu lado. Estava convencida (e um pouco com medo, admito) que a passagem para o quarto dela nesta nova casa me levasse a dormir pior.

E levou. Na primeira noite. Desde aí, durmo tão profundamente que quando ela me chama, o "Jack-que-dorme-tão-profundamente-que-podia-cair-da-cama-e-continuar-a-dormir" acorda primeiro que eu. Já perdi a conta às manhãs em que ele me diz que a pequenita acordou a chorar, a chamar, que esteve a chorar à porta do nosso quarto, que ele se levantou não-sei-quantas-vezes, e eu...nada. Podia pôr as mãos no fogo em como tínhamos todos dormido maravilhosamente.  Eu, que antes de ser mãe, acordava se uma mosca passasse lá fora ou qualquer coisa caísse na casa dos vizinhos ao fundo da rua. Durmo tão descansada que chego a ter o intercomunicador ligado ao pé de mim (para ajudar a ouvir se ela chamar, mesmo estando ela no quarto logo ao lado do nosso) e nem com ele a acender luzes e a reproduzir a voz da Mini-Tété me faz sequer alterar a respiração.

Quem não acha piada nenhuma a isto é o Jack que passou a ser o bombeiro-de-serviço enquanto eu represento meu papel de Bela-Adormecida-em-Coma. Eu estou convencida que isto é um qualquer alinhamento dos astros e que após ter sido eu acordar primeiro sempre que necessário nos primeiros anos de vida da Mini-Tété, agora o Universo está a recompensar-me e a deixar-me descansar. Eu mereço.

Ponto da situação para quem não me segue no facebook:


28.2.19

Eu mereço-a tanto :D

Mini-Tété está de férias e foi pela primeira vez para o « ATL » da escola passar um dia. Quando a fui buscar perguntei-lhe o que tinha sido o almoço. Depois perguntei o que tinha sido o lanche. Disse que não tinha existido. Insisti, perguntando se não tinha ido duas vezes comer à cantina. Garantiu-me que não. Perguntei se não tinha comido nada nas salinhas do ATL. Disse-me que não, que ali era para brincar e não para comer. E que estava cheia de fome. Comecei a ferver, já a pensar na conversa que teria de ter com o ATL, que isto de se deixar crianças de 3 anos sem comer tantas horas não se faz, que se é para levar lanche têm de avisar, que mesmo que não seja a miúda leva lanche na mochila da próxima vez de certeza, era o que faltava não comer nada, eles que se atrevam a dizer seja o que for, paga uma pessoa um balúrdio para este tipo de serviço, não pode ser, e vou dizer-lhes que...
Mini-Tété interrompe-me alegremente os pensamentos:
- E sabes, mamã, a seguir à sesta comi pão nas escadas da cantina! E bebi água mas depois entornei o copo nas escadas sem querer...

Afinal lanchou. Não na cantina, não nas instalações do ATL, mas sim no recreio. Tão literal como eu e o meu pai. Eu mereço isto.