26.1.19

Adeuzinho (atrasado), 2018!

Eu sei que vocês já estão todos em 2019, que 2018 já lá vai, que já mal se lembram dele, que até parece que já se passaram meses, mas com a mudança de casa não tive hipótese de fechar aqui o meu 2018 e escrever os meus objectivos para 2019, que é coisa que eu gosto sempre de fazer e que me anda aqui entalada desde dia 1 de Janeiro. Ora portanto, vamos lá rever o ano de 2018:

Pessoalmente, achei que foi o ano mais rápido de sempre. Não digo que uma vez por outra não tenha já tido esta sensação mas acho que nunca como este ano. O tempo passou tão depressa que dei por mim em Junho a pensar "Ai, tenho de tratar de coisas para o baptizado da Mini-Tété". Que tinha já ocorrido no mês anterior. Em Maio, portanto. E foi aí que percebi que metade do ano já lá ia, que tinha passado tudo tão correr que eu não tinha conseguido absorver nada do que estava a acontecer. Achei que a segunda metade do ano ia ser mais lenta até que dei por mim em Novembro sem saber muito bem como é que tinha chegado ali. Puf, fugiu-me assim um ano inteiro entre os dedos e eu não sei bem como.
Foi também um ano importante: o meu último ano como mãe-a-tempo-inteiro-com-a-criança-em-casa-a-tempo-inteiro; foi o ano em que baptizei a Mini-Tété no mesmo mosteiro onde eu fui baptizada e onde casei, uma cerimónia simples seguida de um almoço simples para a família mais próxima, tal como eu queria; foi o ano em que a Mini-Tété entrou na escola, com uma adaptação complicada que levou a uma redução de horário escolar e que este ano pretendo aos poucos que volte ao normal; foi um ano de mudança laboral para o Jack; foi um ano de 2154852 atrasos na nossa casa e a minha pequenina fez 3 anos.

Quanto à lista dos meus desejos para 2108 (podem lê-la aqui), vamos lá ver como me saí.

1. Mudar de Casa 
Ahahahahahah. Pois, já cá estamos mas a mudança foi mesmo em 2019.

2. Baptizar a Mini-Tété
Feitinho e bem feitinho, sim senhor. Foi um dia muito agradável, a pequenita odiou terem-lhe molhado a cabeça e ainda fala disso quando olha para o mosteiro, e mais uma vez foi óptimo ter a família reunida.

3. Mini-Tété vai entrar na escola.
Entrou de facto, não houve problemas a esse nível. 

4. Que ela goste da escola.
Nhé. Quer dizer, agora já posso dizer que gosta, mas ao início não gostou. Odiou mesmo. Não ajudou nada ter começado com o horário completo em vez de reduzido como eu queria, mas teve sorte com a educadora que tem e acho mesmo que houve verdadeiro interesse em fazê-la gostar de lá estar.

5. Perder peso.
Não vamos falar disto. Uma pessoa tem direito a estar em negação.

6. Destralhar.
Bom, não destralhei taaaaanto quanto queria, até porque como empacotámos tudo em poucos dias, não houve propriamente tempo para analisar calmamente os pertences, mas agora que vou tirando das caixas e arrumando algumas coisas, continuo a destralhar. Mas vá, o processo começou em 2018 por isso acho que se pode dizer que consegui.

7. Arranjar emprego.
A Mini-Tété lixou-me este plano ao ter reduzido o horário escolar para uma melhor adaptação. Admito que me custou adiar mais uma vez esta procura mas também sei que saber que estava disponível nesta fase da minha filha compensa tudo o resto.

8. Fazer mais saídas a dois.
Bahhhh, teria sido giro se não houvesse a construção de uma casa a roubar todos os bocadinhos de tempos livres.

9. Que tenhamos todos saúde.
Ora foi um bom ano, sim senhora. Os velhinhos da família andam a portar-se bem e a Mini-Tété surpreendeu-me. Depois de praticamente 3 anos a viver comigo, estava convencidíssima que ao chegar à escola seria uma verdadeira esponja de todas as doenças que por ali circulassem. Afinal, fora as viroses que sempre foi tendo desde que nasceu (muito à base de nariz entupidos e tosse que passam com o tempo), ainda não trouxe nada de novo. Nem otites, nem amigdalites, nem gastroenterites, nem bronquiolites, niente (deixem-me cá bater na madeira). Teve ali em Abril uma infecção urinária que a levou a ficar internada e a tomar antibiótico pela primeira vez mas foi tranquilo e resolveu-se.

10. Aproveitar bem este último ano em casa.
Quis aproveitar ao máximo o último ano da Mini-Tété em casa e acho que consegui. Continuo a achar que não nasci para ser mãe a tempo inteiro mas também sei que se era esse o meu papel, então tinha de fazer o melhor que podia e aproveitar o melhor que podia, também porque o tempo não volta atrás e a Mini-Tété não volta a ter esta idade.

11. Aprender a fazer novos pratos.
Nhé. Ou pelo menos não tanto como gostaria.

12. Focar-me.
Não. De todo. Continuo a sentir-me perdida. Talvez porque precise de ordem para me focar e ainda há uma série de coisas à minha volta que não estão como deviam.

Cinco concretizados contra sete não concretizados. Ainda assim, sinto que foi um bom ano, talvez porque algumas das coisas que concretizei fossem mais importantes do que outras não concretizadas. E talvez porque, mesmo tendo havido chatices e tristezas ao longo do ano, ele acabou bem, com alguns dos problemas resolvidos e isso faz com que sinta alguma paz em relação a este ano tão apressado. 

23.1.19

Não me volto a meter numa destas!

O dia até tinha começado a correr bem e enquanto a Mini-Tété estava na escola, reparei que estava a começar a nevar. Fiquei contente porque a pequenina andava cheia de vontade de ver neve e desejei que ainda nevasse quando a fosse buscar para podermos apreciar juntas esse fenómeno. Mas eu já devia saber, quantas vezes é que eu já aqui escrevi que o São Pedro não gosta de mim, quantas, quantas? Se peço sol, manda chuva, se penduro a roupa, chove no minuto seguinte, se peço um pouco de neve, manda-me uma tempestade dela. Não o suporto.
Saí de casa, contentinha da minha vida, a ver a neve e a pensar que a Mini-Tété devia estar a delirar, e mal entro na estrada, o carro foge do meu controlo e vai de descer rua abaixo aos S, comigo completamente em pânico, a pensar que só poderia acontecer uma de três coisas: ou me enterrava numa valeta, ou me espetava contra uma árvore ou entrava a direito pelo campo de vacas que existe ao fundo da rua e ainda acabava com uma sentada no banco do passageiro. Sem saber muito bem como, não aconteceu nada disto e ao fim de umas centenas de metros sempre a deslizar lá controlei minimamente o carro e fui buscar a Mini-Tété. Claro que cheguei à escola num estado de nervos que nem vos conto, ao telefone com o Jack a tentar saber o que fazer da minha vida porque voltar pela mesma estrada seria um suicídio certo. Apanho a miúda e num momento claro de loucura decido apanhar outra estrada, contornando e esquivando-me de carros bloqueados e que deslizavam estrada fora. E o que é que aconteceu, o que foi, o que foi? Pois, o meu carro bloqueou também. Mas não bloqueou num sítio qualquer, não, isso teria sido simples, bloqueou atravessado numa curva apertada numa estrada bem inclinada sem qualquer visibilidade para os carros que desciam. Não vale a pena esconder que aqui os meus nervos já estavam tão picadinhos que duvido que algum dia se restabeleçam e que quase entrei em histeria quando de repente um camião enorme surge a descer na curva. Isto com o Jack sempre em alta voz, coitado, a tentar dar indicações às cegas à mulher que não foi propriamente abençoada com um grande jeito ao volante em situações extremas. Oh, e como nevava, raios partam o São Pedro!
Lá consegui fazer inversão de marcha e fui estacionar o carro na terra da escola da Mini-Tété, que é uma terra pequena sem grandes serviços. Procurei o café/restaurante para poder dar comida à Mini-Tété mas a cozinheira tinha ido embora com a neve e não tinham mais nada para servir, nem pão. Encontrei a padaria e tive a sorte de comprar a última baguette. Vi passar o limpa-neves duas vezes mas a estrada voltava a ficar coberta ao fim de uns minutos pelo que voltar a pegar no carro estava fora de questão. Esperar no carro que a neve acalmasse não me seduzia porque não estava previsto que a neve abrandasse e passar horas num carro com uma miúda de 3 anos, sem ter a certeza que conseguiria regressar a casa a conduzir ou que o Jack conseguisse chegar até mim não me estava a convencer. Por isso, peguei na mochila com uma muda de roupa da Mini-Tété, no resto do pão, uma manta e expliquei à Mini-Tété que teríamos de ir a pé para casa. E foi aqui que a minha pequenina, corajosa até então, quebrou. A fome, o frio, o sono e o cansaço de andarmos na neve de um lado para o outro foram demais para ela e só eu sei o que me custou fazer os poucos quilómetros no meio da neve, com os óculos sempre molhados, com ela ao colo a cantar-lhe músicas, a tentar distraí-la e a prometer que hoje veria os desenhos animados todos que quisesse e comeria todo o pão com nutella que quisesse (e foi realmente o almoço dela que isto um dia não são dias), a gerir o cansaço das duas, o medo que ela estava a sentir e o meu receio que algum carro deslizasse para cima de nós ou que escorregássemos e nos magoássemos. A certa altura, parou uma senhora ao pé de nós que me perguntou se queríamos boleia e eu nem pensei duas vezes. Eu, que sou a stressadinha com a segurança da Mini-Tété dentro do carro, atirei com a miúda para dentro do carro de uma desconhecida, sem cinto de segurança, sem cadeira, nada. Infelizmente, dado o estado da estrada, a boleia só durou uns metros mas ajudou a descansar um pouco.
Eu sei que para quem vive em terras onde neva todos os anos, deve estar mais do que habituado a estas coisas e tudo isto deve parecer quase corriqueiro (estou aqui a pensar numa amiga que vive na Guarda, por exemplo), mas eu não fui feita para isto e tenho mesmo a certeza que se estivesse sozinha não teria sido tão difícil como foi por ter a minha pequenina comigo. Isto de sermos mães tem muitas coisas boas, mas durante aquelas duas horas que passaram até chegarmos a casa (geralmente demoramos 5-10 minutos de carro), com o carro a patinar, bloqueado, procurar comida para ela e depois a viagem a pé, acho que o meu coração parou com medo de um acidente que a magoasse.
Enfim, primeiro dia de neve do ano e eu já não a posso ver à frente. E não me voltam a apanhar numa destas porque a partir de agora mal veja um flocozinho de neve que seja, envio logo um e-mail à escola a dizer que não estão reunidas as condições necessários para levar a Mini-Tété. Até podem fazer 30°C logo a seguir, com um sol maravilhoso, que a mim ninguém me arranca de casa.
A única parte boa de tudo isto (para além de chegarmos vivas a casa e com as duas perninhas inteiras) é que ainda tirei umas fotografias.


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16.1.19

Ponto da situação

Caos. É a palavra que melhor define os meus dias neste momento. E a minha casa. Isto de fazer mudanças com uma criança de 3 anos para uma casa que ainda está em obras é de deixar qualquer um de cabelos em pé porque basicamente agora vivemos no meio de caixotes, caixotes esses com coisas que eu não arrumo porque os móveis ainda não estão montados ou porque ainda vão andar a passear-se graças às obras e quanto mais leves melhores. E há pó por todo o lado. E uma criança a adaptar-se ao quarto novo, eu a adaptar-me a uma casa com escadas (coisa que nunca quis), ela com metade dos brinquedos ainda por arrumar, eu às aranhas na cozinha que foi arrumada por outros e não por mim, e os três ainda a adaptarmo-nos aos novos horários e rotinas. E andamos assim numa mistura de contentes e confusos.

A Mini-Tété regressou à escola sem chorar, o que é uma vitória das grandes. Vá, um beicinho ou outro e um choro no primeiro dia depois da minha sessão de jogos de sociedade na turma dela. Este fim-de-semana teremos o George cá em casa, que é a mascote de peluche da escola dela e que traz uma mala e um diário, e a quem é suposto ensinarmos a fazer qualquer coisa, tirar fotografias e descrever o fim-de-semana. Ora o George já aprendeu a andar de bicicleta, a fazer biscoitos, a saltar no trampolim...Uma vida de luxo para um cão de peluche, é o que é. Nós ainda estamos a ponderar o que fazer mas se calhar o George vai aprender palavras em português que é um mimo. 

Dia 4 a nossa máquina de lavar a louça avariou. À noite, o Jack pediu-me para procurar a factura para ver se ainda estávamos na garantia. Adivinhem quando é que a garantia acabava, adivinhem? Dia 4, pois claro. Tivemos sorte porque a factura tinha sido carimbada  em como foi entregue dia 11 e a loja cobria a garantia até 2 anos após a entrega. Máquina arranjada.

A Mini-Tété está a puxar por nós e nós estamos naquele limbo entre pô-la na linha e compreender que foram muitas mudanças em pouco tempo: esteve em Portugal com a atenção dos avós e bisavós o tempo todo, regressou a França onde o pai regressou logo ao trabalho e a mãe andou ocupada a embalar a casa toda, mudança de casa e logo a seguir entrada na escola, um quarto novo, novas rotinas, a somar ao estado da casa e ao ar confuso dos pais. A minha pequenina ainda usava chupeta para adormecer e quando comprámos a última avisámos que era mesmo a última. E fomos avisando e avisando até que a chupeta rasgou dias antes da mudança. Fomos coerentes e não comprámos mais nenhuma mas calhou realmente numa altura péssima. 

E é isto. Estou desejosa de mostrar mais pormenores desta casa mas só depois de algumas obras estarem feitas, móveis no sítio e caixotes arrumados. 


10.1.19

14 anos

A brincar, a brincar, vai-se a ver e já passaram 14 anos desde que naquela tarde ele me disse, numa tentativa falhada de me tranquilizar de que não apressaria nada, que "Não te preocupes, não te vou pedir em namoro para já". Devo ter ficado de todas as cores, era o que me faltava estar metida numa amizade colorida. Ou aquilo era a sério ou então não queria brincar mais. Por isso pouco depois, no mesmo sítio onde viria a ser pedida em casamento 9 anos mais tarde, perguntei-lhe se queria namorar comigo, a rir-me com os nervos. Bom, a rir-me de tal maneira que ele quis confirmar que eu estava mesmo a falar a sério. 

Eu não sei muito bem como é que já passaram 14 anos. Como é que nestes 14 anos conseguimos enfiar um namoro de 10 anos e um casamento de 4 anos, alguns anos a viver em cidades diferentes, um ano a viver na mesma cidade, um ano comigo a viver em França e ele em Portugal para depois trocarmos e ele passar 3 anos em França e eu em Portugal, um casamento, uma gravidez, uma filha e a construção desta casa. Este ano, este aniversário sabe-me ainda melhor por estarmos aqui, no meio do caos que uma mudança recente de casa traz, sobretudo para uma casa ainda em obras, mas que é uma casa pela qual tanto lutámos nos últimos anos. Dizem que as duas coisas que mais abalam um casal é ter um filho e construir uma casa, e nós decidimos meter-nos a fazer ambas as coisas ao mesmo tempo, num claro momento de loucura. É sem brincar que digo que esta casa foi feita "a sangue, suor e lágrimas" e que ainda hoje comentava com o Jack como é bom estar aqui com ele, a festejar este aniversário de namoro, porque houve momentos neste processo de construção em que abanámos de tal maneira que por momentos temi que não chegássemos aqui. Mas chegámos, como chegaremos sempre, a qualquer lado. Porque há 14 anos eu sabia que queria aquele rapaz só para mim e hoje continuo com a mesma certeza que quero que ele continue comigo nesta aventura que é a vida. E de mão dada. Sempre.

31.12.18

Adoro as casas dos outros, despojadas e arrumadas, como a minha nunca será

Não tenho qualquer jeito para decoração, sou verdadeiramente uma naba, para mim qualquer coisinha está bem, gosto de quase todos os estilos, e mesmo que haja ali qualquer coisa que não me encha as medidas, não consigo perceber se é um questão de proporção, de número de elementos, de cor, de luz, sei lá eu. Uma naba, já o disse.
Por isso, acho imensa piada ver as casas dos outros, numa fraca tentativa de aprender qualquer coisa, e adoro aqueles programas de "remodelação total" ou vídeos no youtube tipo "tour pela minha casa". Babo-me por aquelas casas com estilo escandinavo, minimalista ou simplesmente com pouca tralha. Gosto mesmo do ar limpinho, despojado, arrumadinho, cores neutras, muito branco, e penso que se tivesse de escolher uma casa já decorada para mim , seria uma assim. Mas depois também não há vez nenhuma em que não me venha o pensamento de que logo no primeiro dia encheria a casa de coisas que ficariam para ali a ocupar espaço e a tropeçar-me nos pés, como já acontece.
Ainda há umas semanas, estava a ver o vídeo de uma casa, liiiinda, decoração óptima, tudo muito clean e confortável, casa pequena e com pouca tralha, e saltou-me logo a pergunta "Mas onde é que está o aspirador?". É daquelas coisas que, a não ser que casa tenha imensa arrumação escondida, caves, anexos, garagens ou sótãos que não são mostrados (sim, sim, porque ter uma divisão destas à parte onde esconder toda a tralha faz uma enorme diferença), me salta logo à vista: "Onde está o aspirador?", " Se eu vivesse ali, onde é que punha os meus livros todos?", "E onde estão os casacos?", "E as malas de viagem???", "E a tábua de passar a ferro?", "E o balde e a esfregona?", "E não há DVD's, CD's, nada?", "E o cesto da roupa suja?", etc, etc, etc. Pronto, já perceberam a ideia. Adoro aquelas casas, mas não sei onde é que guardam estas coisas que a mim me ocupam mais espaço do que aquele que gostaria, para além de sentir quase sempre que falta ali um toque mais pessoal e personalizado (umas fotografias, ou um gosto evidenciado pela leitura, pela arte, pela música, qualquer coisa...). 
É que eu até poderia dizer que a minha casa está atulhada de coisas da Mini-Tété (que está, uma pessoa quer ser poupadinha e guardar tutti tutti para um eventual futuro filho e já não sabe onde inventar espaço para guardar tanta coisa), ou do Jack que anda claramente a tentar fazer carreira como acumulador (é incapaz de dizer que não a qualquer coisa dada, nem que seja "Olha, estou a ver se me desfaço dos 25485425 dossiers vazios e estragados que lá tenho em casa, queres?". É que até lhe brilham os olhinhos enquanto me enche a casa de coisas que os outros não querem), e até mesmo coisas minhas que sou assim um bocado sentimentalista e me recuso a separar-me de um dos 54857 livros, e que guardo to-dos os postais semanais que a minha avó e a minha mãe mandam à Mini-Tété (que tem 3 anos, podem fazer as contas...), mais os de Natal, aniversários, etc, que faço álbuns de fotos, que colecciono cadernos onde nunca escrevo porque são demasiado bonitos, que tenho ali uma pilha de 548756 puzzles (com caixas muito mal concebidas, senhores, tanto espaço interior para pecinhas daquele tamanho!), enfim, tudo isto ocupa espaço, mas aquilo que me intriga meeeeesmo nas casas clean dos outros é mesmo onde é que está toda a tralha doméstica que parece estar sempre a ocupar-me demasiado espaço. 

(E uma pessoa anda a empacotar noite e dia, sente que a casa continua basicamente na mesma porque para onde quer que olhe continua a ver coisas por arrumar, e só pensa "Mas como é que aquela malta faz?". É que eu estou em processo de "destralhanço", vou-me livrando de coisas, mas mesmo assim parece que vive uma família de 12 pessoas nesta casa, pela quantidade de coisas que temos e não estou a ver como é que vai ficar tudo arrumado na casa nova. Nitidamente, está a falhar-me qualquer coisa) 

28.12.18

Não parece mas estou viva :)

Ando completamente desaparecida mas por boas razões. Fomos passar o Natal a Portugal, para onde não levei o computador e onde me desliguei o mais possível do telemóvel. Passamos tão poucos dias com a família, que cada minuto tem de ser bem aproveitado. E foram férias tããããão booooooas! Rever alguns amigos (nunca dá para ver todos infelizmente), abraçar a família, ir duas vezes ao cinema ("Bohemian Rhapsody" - adorei - e "Assim nasce uma estrela" - nhé...), ler um livro de 700 páginas (isto de ter os avós a entreter a neta dá tanto jeito para a mãe ler um livro inteiro), voltar aos restaurantes favoritos, comprar as últimas prendas de Natal, passear, cortar um palmo de cabelo (99% do tempo adoro, 1% do tempo penso que raio fui eu fazer), apanhar sol, dormir, jogos de cartas até às tantas, estar na conversa com a mãe até às 4h da manhã, enfim, só boas memórias e o coração cheio de mimo.

A Mini-Tété adorou, claro, e hoje já me perguntou quando é que voltamos a Portugal. Foi aos parques, teve a atenção dos avós e bisavós o tempo quase todo, brincou com amigos e primos, comeu arroz de marisco, arroz de polvo, roubou o esparregado do prato da avó, brincou na praia, andou na trotinete que os tios e primos lhe deram, maquilhou a bisavó (base, baton, lápis de sobrancelhas, tudo) que corajosamente saiu à rua assim maquilhada, leu histórias, foi ao café, provou bolo-rei, comeu o bacalhau que a minha avó fazia e que o meu avô aprendeu a fazer da mesma maneira, comeu caldeirada de peixe, litros de sopa e 548547652 mangas, não gostou de diospiros, comeu como se aqui não lhe déssemos de comer e dormiu bem pior do que dorme por cá, mas fez sestas de 3 horas que causavam inquietação à bisavó. Dormiu toda a viagem para Portugal (ma-ra-vi-lho-so) e veio acordada toda a viagem para cá, num voo já com um atraso de 1h30 (na-da ma-ra-vi-lho-so), deu de comer às galinhas, fez festas a gatos, e tantas outras coisas que acho que até cresceu uns centímetros.

E agora tenho malas para arrumar, roupa para lavar e toda uma casa para empacotar. Ano novo, casa nova. Vamos lá. Até 2019 e entrem neste novo ano com o pé direito. :)

12.12.18

Coração de mãe apertadinho

Há umas semanas uma amiga perguntava-me se ao fim de alguns anos, o controlo reforçado de segurança na entrada de certos espaços se tornava algo normal para nós. Respondi-lhe que não. Pelo menos para mim, ainda que já quase tenha o reflexo de abrir a carteira e a mostrar quando entro num centro comercial ou num hospital. Continuo a estranhar, continua-me a fazer confusão, continuo a não gostar de ser relembrada da razão pela qual estas medidas são necessárias.
No início do ano lectivo, tivemos uma reunião de pais na escola da Mini-Tété onde, entre outras coisas, se falou de alguns exercícios de segurança que iriam ser feitos. Pensei logo: ensinar as crianças sobre o que devem fazer em caso de incêndio e terramoto. Falhei por pouco. Um dos simulacros é de facto o que devem fazer em caso de incêndio, o outro é o que devem fazer em caso de invasão/atentado à escola.
Fiquei estarrecida. 
Foi-nos explicado que dada a idade das crianças, não lhes é verdadeiramente dito o sentido do exercício mas que lhes é na mesma ensinado o que devem fazer através de um jogo. Custou na mesma ouvir. A Mini-Tété entrava na altura na escola com 2 anos e a última coisa que uma mãe quer ouvir é que vai ser treinada para a eventualidade de um intruso invadir a escola. Tenho acompanhado mais ou menos o exercício que têm feito, muito à base da história dos 3 porquinhos, em que ensinam as crianças a esconderem-se do lobo, colocando-se debaixo das mesas e não fazendo barulho. Num dos e-mails com fotografias semanais das actividades escolares, lá estão estão elas escondidas debaixo das mesas. Um murro no estômago. Acredito que não fará confusão a todos os pais, se calhar até mesmo à maior parte, mas a mim faz. Esta semana, fomos avisados que se vai realizar o exercício final, uma vez que dado o "contexto actual de uma ameaça terrorista persistente, convém assegurar que cada um desenvolve reflexos específicos à situação de invasão no estabelecimento de pessoas exteriores com o objectivo de cometer um acto terrorista", e que devemos sensibilizar as crianças para que tentem cumprir o exercício eficazmente.
A Mini-Tété tem 3 anos e anda a aprender a reagir em caso de atentado. E eu só penso que raio de mundo é este em que a tive. Preferia que aprendesse o que fazer em caso de terramoto...

Mini-Tété, a rebelde dos exercícios escolares

Recebemos por estes dias o caderno de actividades da Mini-Tété, onde pudemos contemplar alguns dos trabalhos que a nossa pequenina tem feito nas últimas semanas, entre colagens, desenhos, carimbos, pinturas, e outros que tais. 
Num dos exercícios propostos, inspirado na história dos Três Porquinhos, estavam 3 casas desenhadas num papel, devidamente numeradas, e era suposto as crianças colarem um porquinho na casa com o número "1", dois porquinhos naquela que tinha o número "2" e 3 porquinhos na que estava marcada com um "3". Num qualquer rasgo de criatividade, a Mini-Tété tinha colado um porquinho dentro de cada casa e empoleirado os restantes 3 em cima dos telhados. Ao tentar explicar-lhe o que deveria ter sido feito, a Mini-Tété decidiu elucidar-me:
- Sabes porque é que eu pus estes porquinhos em cima do telhado, mamã? Porque assim quando o lobo chegar não os vê dentro de casa. Estão muito bem escondidos, não estão?

Adoro-a. :D 

10.12.18

Um telefonema e a vida muda

- Quem diria que um telefonema iria mudar a tua vida para sempre, não é?
- Sim. E ainda bem que liguei. 

Faz hoje 14 anos que o Jack me ligou depois de oito anos de ausência e um namoro de crianças. Faz hoje 14 anos que tive de me sentar quando percebi quem é que me estava a ligar. Faz hoje 14 anos que achei que ele estava a querer marcar um jantar de turma com ex-colegas quando na verdade só queria jantar comigo. Faz hoje 14 anos e eu ainda me lembro tão bem daquele momento. Porque foi ali que tudo começou. Ainda bem que ele ligou.

9.12.18

Jesus birrento

A caminho de casa, passamos por uma igreja e a Mini-Tété exclama:
- Que casa tão grande!
- Não é bem uma casa, é uma igreja.
- Não é uma casa?
- Bom, sim, também é uma casa. É a casa de Jesus. [a avó tinha-lhe falado disto há pouco tempo]

Silêncio, achei que tinha adormecido. Minutos depois:
- Mamã, e Jesus está em casa ou anda por aí fora?

Ahahahahahahahahahah, achei que explicar o conceito de "omnipresença" era demasiado para uma miúda de 3 anos pelo que reverti a situação e perguntei-lhe onde achava ela que ele estava. E fiquei a saber que Jesus estava na escola, preferia comer em casa do que na cantina e faz birras para dormir a sesta. :D

7.12.18

Dezembro pouco natalício

Este é capaz de ser o ano com menor espírito natalício de seeeempre. Pensando bem, acho que senti o mesmo quando vim morar para França, faz agora 6 anos. É o que dá fazer mudanças de casa em plena época natalícia: em 2012 tínhamos este apartamento em pantanas, com caixas e malas por todo o lado e a última coisa em que pensámos foi em decorá-lo para o Natal, até porque o íamos passar a Portugal; e agora é quase a mesma coisa: temos o apartamento em pantanas, com caixas, roupa em montes para dar, coisas para triar, desarrumação total, temos a casa nova a ficar habitável mas ainda muito desarrumada e em obras, pelo que não faz sentido estar a tirar as decorações de Natal para logo a seguir ter de arrumar novamente, até porque também este ano vamos passar o Natal a Portugal. Por isso é estranho ver as ruas a começarem a ter as luzes de Natal, as casas iluminadas, a Mini-Tété a decorar a escola e eu nem o presépio tirei da caixa. É como se toda a gente soubesse que é Natal menos eu, mas ainda assim já tratei de algumas prendas de Natal e outras já estão pensadas.

Estes dias têm sido caóticos, as obras na casa nova estão a avançar a todo o vapor para ver se nos mudamos ainda este ano - nem que seja no dia 31 de Dezembro :D - mesmo que nem tudo esteja finalizado, a Mini-Tété deixou finalmente de chorar ao entrar na escola (esta semana!), claro está que daqui a menos de 2 semanas está de férias e eu depois quero ver como é que vai ser o regresso..., hoje teve direito a ver um espectáculo oferecido pela Câmara Municipal e veio satisfeitíssima porque a bruxa lhe disse adeus, depois de uma fase mais threenager, agora andamos mais calmas (sim, eu também porque se tenho pouca paciência para adolescentes, muito menos tenho para uma adolescente num corpo de miúda de 3 anos) e só me apetece dar-lhe abracinhos a toda a hora.

Definitivamente, a era do papel está a acabar e eu andei grega à procura de postais de Natal para enviar mas só vi de passagem numa loja e não tenho oportunidade de lá voltar, por isso a todos os amigos e família que costumam receber religiosamente e ansiosamente os meus postais, este ano vou falhar (até porque o caderno com as vossas moradas está enfiado num qualquer caixote desta casa). Ando aqui consumida em remorsos porque gosto verdadeiramente de enviar postais e do carinho com que o faço, mas realmente este ano não tenho tempo para o espírito natalício. Mas para o ano, volto a enviar, prometo!

E agora devia estar a enfiar a minha vida em caixotes porque o meu belo plano de "faço uma caixa por dia para não ficar tudo para o fim" foi-se embora com a água da chuva e basicamente tenho os mesmos caixotes de há 2 meses, por isso agora ou deito as mãos ao trabalho ou não vou destralhar nada e terei de me limitar a enfiar tudo o que está nesta casa em sacos e caixas e levar para a nova sem pensar muito no que estou a fazer (e eu não quero isto!).

5.12.18

Uma selva

Às vezes lembro-me de uma conversa que tive com o chefe do departamento onde trabalhei quando vim fazer Erasmus para França. Falávamos sobre como os franceses são muito dados a manifestações e a greves. Como só a ideia de alguma coisa vir a mudar no futuro os faz sair à rua, muitas vezes sem dar qualquer hipótese de ver se funciona ou não, outras vezes até cheios de razão. Na altura comentei que nós, portugueses, somos mais calmos, não saímos assim à rua constantemente, não nos corre nas veias este lado manifestante. O meu interlocutor sorriu e respondeu-me "Pois, os portugueses são mais de fazer revoluções de tempos a tempos...". 

É verdade que também nos manifestamos e que também nas nossas manifestações há sempre uns quantos que tentam (e às vezes conseguem) levar aquilo para onde ninguém quer, para a violência, para os confrontos, mas é igualmente verdade que nisto os franceses ganham-nos aos pontos. Neste momento, as manifestações dos Coletes Amarelos (Gilets Jaunes) são a prova disso mesmo. Um povo farto das 5248541254 taxas a que os franceses são sujeitos (o salário mínimo é maior que o português de facto mas o custo de vida e os impostos levam grandes fatias, e para 2019 estavam previstos mais aumentos de taxas), uma manifestação para mostrar o descontentamento e eis que de repente está a selva instalada. 

Logo no primeiro dia de manifestação, enquanto espreitávamos a mesma na televisão, vimos passar alguns manifestantes com meia-cara tapada por lenços. Na altura comentei com o Jack: "aqueles não vão apenas manifestar-se, vão armar confusão, não está assim tanto frio que os obrigue a protegerem-se assim". Meu dito, meu feito, começaram os desacatos logo nesse dia e têm piorado numa escalada acelerada todos os fins-de-semana, sobretudo em Paris mas também em várias outras cidades de França. Já me cruzei com alguns manifestantes, felizmente pacíficos, que não me barraram a passagem nem incomodaram. Odiaria estar no mesmo sítio que os idiotas que acham que para se manifestarem têm de provocar estragos ou daqueles que, não querendo saber nada da manifestação, a aproveitam apenas como desculpa para destruírem tudo o que vêem. Compreendo verdadeiramente alguns dos pontos pelos quais os Coletes Amarelos se manifestam mas quando se passa para estragar e queimar carros de inocentes, pegar fogo a um hotel, destruir obras de arte de um museu, partir as vitrinas de lojas, cafés e restaurantes, saquear o que mais der jeito, agressões a civis e polícias, o objectivo há muito que se esqueceu e deixa de ser importante.

As imagens do fim-de-semana passado foram terríveis, diz-se que este fim-de-semana será ainda pior. Estou convencida que chegando ao fim-de-semana na véspera de Natal ou se as temperaturas começarem a descer as coisas acalmarão. Mas até lá, tenho muita pena de quem decidiu visitar Paris (e outras cidades como Tours, onde fiz Erasmus, que também virou uma selva) nesta altura do ano, dos polícias que são obrigados a estar ali a enfrentar um grupo de selvagens que acha que é atirando pedras e peças de andaimes que marcam uma posição, de quem ali vive e que vê os carros destruídos sem culpa nenhuma, dos lojistas e comerciantes que se trancam dentro dos estabelecimentos por medo, dos pais com crianças assustadas com tudo isto e rezo para que esta selvajaria não chegue onde vivo. 





4.12.18

Ganhei um prémio IKEA!!

Tinha contado aqui que estava a preparar-me para participar num concurso do IKEA, cujo objectivo era ganhar um dos 75 prémios de 750€ que o IKEA ia dar. As regras eram simples e não permitiam grandes alterações: devia-se personalizar a superfície de um produto IKEA, não furando ou cortando nada, e não alterando a sua função.

Não quis ir comprar nada de propósito para o concurso pelo que explorei o que é que tinha aqui por casa e decidi alterar este cesto, um produto barato e que seria facilmente substituível se eu depois não gostasse do resultado. 




Comprei uns novelos de lã, meti mãos ao trabalho, passei muitas horinhas a passar dezenas de fios, massacrei as pontas dos dedos, mas aqui está o resultado que me valeu um dos prémios do concurso:


À medida que os participantes iam submetendo as suas obras, eu ia espreitando e havia trabalhos de pintura belíssimos que espero que tenham também ganho um prémio. No meu caso, acho que as minhas hipóteses aumentaram por não ter pintado o cesto (porque seria apenas mais uma pintura no meio de tantas outras e melhores) e por isso, embora tenha ficado algo simples, acho que foi uma alteração original no meio de todas as participações.
Estava convencida que ia desfazer tudo depois do concurso, até porque usava este cesto como fruteira e agora já não serve para isso, mas deu-me tanto trabalho e ficou tão giro que não tive coragem. 

E vocês que acham? :D

21.11.18

Campanhas com vinhetas, quem é fã? :D


Costumo fazer as compras quase todas no Intermarché e quase bato palminhas quando os vejo a fazer uma campanha de troca de produtos por vinhetas. Claro que nem todas as campanhas valem a pena, ainda me lembro de uma em que não só se tinha de acumular uma série de vinhetas, como depois ainda tinha de pagar 15€ ou 20€ para receber em troca uma toalha ou um roupão de banho. Bolas, a qualidade até poderia ser muito boa mas que era uma roubalheira, lá isso era, e verdade seja dita não teve grande adesão. 
O ano passado andei toda contente a coleccionar vinhetas para depois, pagando 1€, receber um pirex de vidro com tampa plástica vedante. A colecção era grande, a cada 10€ gastos em compras recebíamos uma vinheta e na altura quando fiz contas ao que costumo gastar por mês percebi que não conseguiria ter vinhetas suficientes para ter as peças todas pelo que escolhi logo quais é que me interessavam mais. Acabei por ter não apenas a colecção toda como ainda algumas peças repetidas, graças às funcionárias que iam dando um jeitinho e umas vinhetas a mais em quase todas as compras. Adoro estes pyrex, vão ao congelador, vão ao forno, vão ao microondas, ah, maravilha! E o que eu gosto de servir o jantar num pyrex destes e ao ver que ainda sobrou, bastar colocar a tampa e frigorífico com ele, sem andar a passar de recipiente em recipiente? Estou fã.
Agora ando novamente entretida a coleccionar vinhetas para uma campanha com facas em inox. A colecção é gira mas não tenho qualquer interesse nas facas todas, por isso ando basicamente a ir buscar sempre a mesma mal acabo de preencher a folha correspondente. Gosto imenso do tamanho desta faca para a preparação das refeições diárias, lá vou recebendo umas vinhetas a mais e com esta brincadeira já tenho umas quatro ou cinco, se não me engano. 

Adoro mesmo estas campanhas. Tenho conseguido artigos que dificilmente compraria pelo preço que custam, mas isto assim é praticamente um prémio, faço as minhas compras normalmente, sem gastar mais do que já gastaria e depois pagando um euro a mais trago para casa algo que me dá um jeitaço. Lá está, nem todas as campanhas valem a pena. Se calhar se me pedissem 15€ por um pyrex depois de eu já ter coleccionado 30, 40, 60 vinhetas, se calhar já não aderia com tanta vontade. Aliás, não tenho aderido a nenhuma campanha onde o custo seja mais do que 1€ porque acho que não compensa e me faz gastar dinheiro que eu não estava a contar gastar. E também não vou em campanhas onde os produtos a trocar não valem a pena (andaram com uma campanha de copos tão feios, nem quero lembrar, não valiam mesmo o euro extra).

Tenho ideia que em Portugal também vão surgindo campanhas destas, também com a Pyrex, copos, etc. Quem gosta como eu? Compensa também?

20.11.18

Deixem lá os javalis descansadinhos....

É incrível como ainda ontem comentava o belo sol que se andava a fazer sentir este mês e hoje aqui escrevo a ver a neve a cair em grandes flocos. Este São Pedro é maluco. Mas também é verdade que tivemos até agora muito bom tempo para o que é normal aqui em França e eu regalei-me o mais que pude com o sol todo que me entrava em casa, que iluminava as árvores com as suas folhas amarelas e laranjas, que aquecia a pele e que dava um pouco de cor a um país pouco habituado a um tempo assim nesta altura do ano.
A única coisa que me assombra um bocado as viagens de carro entre a nossa-casa-agora e a nossa-futura-cas ou a escola da Mini-Tété a é o facto de estarmos em época de caça. Ora aqui a Tété vive nos meio dos campos, passo por não-sei-quantos tractores todos os dias, vaquinhas, ovelhas e cavalos, campos de cultivo a perder de vista, mas também floresta, com javalis, veados, raposas e outros animais que atraem os caçadores. E neste momento, passo por florestas cheias de caçadores de armas em punho, o que não é nada agradável se pensarmos que os acidentes acontecem e que só este ano já houve mortes. Nunca mais me esqueço da história que ouvi há uns anos sobre um homem morto ao volante do seu carro por uma bala que tinha feito ricochete num javali. É preciso estar no sítio errado à hora errada, é verdade, mas passando junto a caçadores, a probabilidade de isto acontecer aumenta e eu não acho piada nenhuma a estas contas matemáticas. Ainda no outro dia estava na nossa-futura-casa e ouvi claramente dois tiros, vindos de uma pequena floresta ali perto. Estou desertinha que a época da caça acabe para poder voltar a conduzir sem enfiar a cabeça nos ombros sempre que atravesso uma floresta.


Soooooooooooooooooooooooooool!
E cores bonitas!


Neve!

14.11.18

Raios partam Novembro...

Ando ausente, a falta de tempo não ajuda e nas poucas vezes em que chego aqui ao blogue para escrever tenho a cabeça tão cheia de coisas que nem sei bem o que partilhar ou não. Estava convencida que este mês de Novembro seria um mês espectacular mas definitivamente acho que o meu sexto sentido não existe ou é extremamente fraquinho, e tem sido um mês chatinho, mas chatinho mesmo. A Obra sofreu (e está a sofrer) novo atraso; A Besta (o meu vizinho queriduxo que dou a quem quiser!) escolheu este mês para nos chatear a vidinha e tem sido um vê-se-te-avias e uma perda de tempo a tentar impedi-lo de levar as suas vontades avante; a incompetência generalizada deste país é de tirar as forças a qualquer pessoa (a sério, eu nunca vi tamanha falta de brio no trabalho); reuniões que são canceladas sem ninguém se lembrar de nos avisar; bati com o carro num passeio para fugir a um despassarado que não sabe o que é um "stop" e rebentei um pneu; a bateria do carro do Jack morreu; voltei a ter noites de insónias; adoeci outra vez; esqueci-me de colocar fraldas na Mini-Tété à noite o que resultou num dilúvio daqueles-à-grande numa das noites; a minha filhota anda entretida a ser uma "threenager", a querer esquecer todas as regras que aprendeu e a testar os limites todos, o que mesmo sabendo que é apenas uma fase, não deixa de ser uma fase desafiante e em que foi preciso voltar a rever a nossa postura enquanto pais e qual o caminho a seguir; já devia ter metade da minha vida encaixotada e continuo com os meus caixotes de há 2 meses; o Jack entalou-me dois dedos; a pintura da cozinha não ficou nada bem, e vamos ter de voltar a pintar, os nossos planos para o Natal estão em risco de serem alterados, entre tantas outras coisas.

Claro que também há coisas boas que vão acontecendo (ganhei um dos prémios do IKEA!!) e tento focar-me o mais possível nelas mas acreditem que este mês tem sido uma coisa chata todos, to-dos, os dias. Ai, mês de Novembro, mês de Novembro, nunca te achei particular piada e não me parece que seja este ano que vou passar a adorar-te.

4.11.18

Novembro

Nunca achei particular piada ao mês de Novembro. É assim um mês meio nhé, em que o frio já se começa a sentir com mais força, não acontece nada de muito relevante (fora alguns aniversários de pessoas especiais) e é ali aquele mês que ocupa simplesmente tempo entre Outubro, o mês dos meus anos (e da Mini-Tété) e Dezembro, o mês do Natal. Mas este ano estou cheia de fé neste mês, não sei porquê  mas algo me diz que vai ser um bom mês, o que pensando bem deveria pôr-me alerta visto que o meu sexto sentido funciona tão bem como um relógio avariado. Mas pronto, vamos fingir que estas minhas "sensações" dão sempre certo, que eu acerto sempre em tudo e que de facto este mês vai correr mesmo sobre rodas.
Amanhã já temos uma prova de fogo, com um pequeno confronto com A Besta (o nosso espectacular vizinho), o regresso da Mini-Tété à escola, uma fuga isolada à rotina pois são os avós que a vão buscar depois, e  esta semana sai também o resultado do concurso IKEA onde participei (e vou ficar com uma neura tão graaaaaande se não ganhar um dos 75 prémios, nem imaginam). Mas para já o mês começou bem, com o nosso quarto e o quarto da Mini-Tété com as pinturas terminadas, yeah! Também já temos metade do corredor pintado e e quando terminarmos esta parte, em princípio poderemos começar a colocar o chão. É sem dúvida uma tarefa demorada porque temos as vigas originais da casa para proteger com um produto próprio e paredes de 5 metros para pintar, pelo que neste andar tudo parece andar a passo de caracol. Espero que no andar de baixo as pinturas sejam mais rápidas, e que brevemente se possa começar a pôr o chão e a instalar a cozinha. Desejem-me sorte. Este tem mesmo de ser um bom mês. :)

P.s. Entretanto fui desafiada a criar uma conta instagram com a evolução d'A Obra, desde a fase Celeiro até à fase em que estará uma Casa habitável. Francamente, é o tipo de coisa que sempre achei que teria pouco interesse até perceber que eu própria sigo e espreito contas de instagram deste género, por isso fiquei a pensar. Talvez seja uma ideia engraçada. :)

1.11.18

Casamentos e divórcios #2

No seguimento do post anterior, eis outra coisa que não consigo compreender: o programa "Casados à primeira vista". Eu entendo o que é achar que não se encontra a pessoa certa, o que é sentir que se escolhe sempre a pessoa errada (e há de facto pessoas que não sabem escolher com quem estão, isso é verdade), o que é achar que começam a faltar alternativas para conhecer pessoas novas (às vezes nem é preciso, no meu caso foi um amor de infância emigrado que decidiu dar notícias 8 anos depois), o que é ver a idade a avançar e o desejo de ter uma família a pesar cada vez mais (então sobre as mulheres, é um peso imenso), entendo o recurso a aplicações como o tinder ou sites de encontros, eu entendo tudo isto...agora casar com um desconhecido? Pronto, sou demasiado velha para estas modernices, é a única conclusão a tirar.

Ou então, dou realmente mais importância ao casamento do que estas pessoas, que vêem nisto uma experiência de vida, um teste a ver se dá certo, com recurso fácil a divórcio se não resultar. Para mim, seria impensável casar com alguém sabendo que um de nós poderia querer o divórcio no dia seguinte. Pior, convidar toda a família e amigos para celebrar aquele "amor", ui, a vergonha. Que peça de teatro para algo tão importante. E se depois não resultasse (oh, que surpresa, francamente!), que humilhação seria...Porque os casamentos não incluem apenas os noivos, há toda uma família por trás, com sentimentos, que vive este dia, para quem este dia é importante, tem valor...Quão horrível seria obrigá-los a ficarem felizes por eu me casar para depois lhe dizer que não resultou, como seria quase de esperar? Nem consigo imaginar a cara dos meus pais e avós tal a vergonha que sinto logo que me engoliria.
Teria muita pena se um dia a minha filha me fizesse uma partida destas, obrigando-me a representar num casamento a fingir, em vez de estar verdadeiramente feliz e emocionada por a ver subir ao altar.

Eu até não digo que estes "especialistas" não consigam verdadeiros "matchs" (se o tinder consegue....), mas há obviamente um lado que lhes escapa, que eles não conseguem controlar, é preciso que haja química no casal. O meu homem-tipo ideal e pelo qual mais facilmente me apaixono tem olhos azuis e cabelo escuro (pronto, já sabem como é o Jack :D). Mas há homens com estas duas características que não são nada bonitos aos meus olhos pelo que não bastaria colocarem-me qualquer um de olhos azuis e cabelo escuro à frente para eu o achar uma brasa (sim, sim, há tudo o resto, a beleza interior e tal, mas a parte física também conta, certo?). E não havendo atracção física, a pessoa até pode ser compatível connosco em muita coisa, mas já falta algo essencial. E mesmo assim, corre-se o risco? Sabendo que há esta probabilidade de erro, valerá a pena tentar? Porque uma coisa é conhecer alguém no facebook, no tinder, num bar, ter um primeiro encontro, ir vendo se há compatibilidade, se a chama aumenta ou se apaga, sem pressões, sem envolver logo a família, sem compromissos para o resto da vida...Mas casar logo? Porque a questão não está apenas no dia do casamento, o verdadeiro ponto está nos dias todos que virão depois. E uma relação não é só felicidade, só paixão, só descobrir coisas boas, e estando já casados, o que é menos bom toma rapidamente um peso muito maior. Digo eu do alto da minha vasta experiência em relações amorosas e casamentos, ahah.

31.10.18

Casamentos e divórcios #1

Este Verão, enquanto lia revistas, com as vidas dos famosos, os seus casamentos e divórcios, comentei com o Jack que embora defenda que não devemos ficar com alguém para sempre apenas porque nos casámos, há separações e divórcios que me deixam sempre incrédula. 
Tenho alguma dificuldade em compreender casais que se separam menos de um ano após o casamento e que partilham depois que nos últimos anos as coisas já não andavam bem ou que quando casaram a relação já estava com problemas. Mas se assim é, como é que casam? Se a relação já está tremida, se as coisas já não estão a funcionar, se já há problemas, para quê chegar ao ponto do casamento? Para quê comprometerem-se com alguém para o futuro, sabendo já que se calhar as coisas não serão assim tão eternas quanto isso?

Tento colocar-me no lugar destes casais e só me assola uma enorme vergonha alheia. Não consigo imaginar como seria fazer um casamento, fazer uma festa, convidar toda a família e todos os amigos (e revistas, no caso dos famosos), para festejarem connosco este amor, este compromisso, e meses depois dizer "Olhem, malta, acabou. No fundo, as coisas não estavam muito bem, já deveríamos ter adivinhado, mas obrigadinha por terem gasto o vosso tempo e o vosso dinheiro em roupas bonitas e prendas de casamento, sim? Foi giro mas já acabou". Eu acho que só quereria um buraco para me enfiar de tanta vergonha, sentir-me-ia uma farsa, sentiria que tinha enganado todas as pessoas ao estar naquele dia a fingir que seria um compromisso para sempre já sabendo que haveria problemas que poderia levar a um fim. Pondo-me no lugar dos convidados, acho que ficaria na mesma incrédula se uma amiga recém-casada me dissesse que se iria divorciar e que nos últimos anos a relação já não estaria bem. Teria todo o meu apoio no divórcio (não vale a pena ficar com alguém que não nos traz felicidade) mas sentiria ainda assim que tinha ido a uma espécie de teatro onde os noivos fingem ser o casal perfeito, escondendo uma relação prestes a ruir. 

Não compreendo como se casa assim e como se afirmam estas coisas com tanta leveza, mas talvez seja eu que não concebo a ideia de me casar já a pensar que o divórcio possa ser uma opção real no futuro. Não que eu acho que devemos ficar presos à pessoa com quem casámos se isso nos fizer infelizes, mas é suposto que quando casamos, achemos do fundo do nosso coração que aquela relação é para sempre e que não seja apenas uma tentativa de "vamos lá ver se isto resulta ou melhora a nossa relação". Ou então sou eu que sou demasiado romântica...

26.10.18

Halloween

Halloween #1
Em França festeja-se com mais pompa e circunstância o Halloween do que o Carnaval. As lojas enchem-se de máscaras, adereços, pinturas faciais, decoração, autocolantes, enfim, uma explosão de Halloween. Mas nem por isso, as lojas desistem de começar também a expor todos os seus produtos natalícios quando ainda faltam 2 meses para o Natal. 
Por isso, fazer compras neste momento é uma experiência no mínimo bizarra, pois temos mortos-vivos com sangue a sair por vários orifícios ao lado de pequenos anjos e presépios fofinhos, ou então máscaras de bruxas e demónios ao lado de Pais Natais de chocolate, ou abóboras assustadoras a fazer companhia às bolas de Natal.

Estou ansiosamente à espera do dia em que vou ver um Pai Natal com com os intestinos de fora, as pernas partidas em várias zonas e a sangrar dos olhos...:P

Halloween #2
Entro numa loja com a Mini-Tété e deparamo-nos com um manequim, zombie, com os intestinos a sair de um buraco na barriga, a boca a escorrer sangue, a perna numa posição de quem lhe passou um carro por cima 58 vezes, um buraco na cabeça, enfim, uma imagem que até a mim me impressionou à primeira-vista. Ao meu lado, oiço a vozinha da minha filha:
- Mamã, este senhor está um bocadinho doente, não está?


Ahahahahahahahahhahahaha.

Halloween #3
Ah, como é bom fazer compras em plena fase Halloween. Poder estar tranquilamente a escolher uma toalha e ouvir a Mini-Tété:
- Mamã, porque é que aquele senhor tirou a cabeça e está a segurá-la nas mãos????