12.6.18

10 coisas que já me disseram e que acabaram por não acontecer

Uma das coisas que a maternidade me ensinou é que somos todas tipos de mães diferentes com bebés diferentes. Já aqui referi uma vez que por muita empatia que possa tentar sentir por uma mãe trabalhadora com dois filhos, a verdade é que nunca saberei exactamente aquilo pelo que ela passa pois sou mãe a tempo inteiro e tenho apenas uma filha. Nem ela saberá exactamente o que é estar no meu lugar. 
Além do mais os bebés são tão diferentes que cai-se muitas vezes no erro de achar que todos são iguais aos nossos. Eu própria cometo este erro quando me deparo com outros bebés e assumo automaticamente que com ano e meio já falam pelos cotovelos (porque a Mini-Tété foi precoce neste campo) ou os acho super avançados para a idade quando com 12 meses se aguentam de pé ou já gatinham (que são coisas normais mas que a Mini-Tété fez bem mais tarde), não evitando soltar um "Uau!" de espanto.
E é por isso que às vezes as mães se vêem inundadas de conselhos, avisos e previsões que depois mais tarde não chegam a acontecer. Eu assumo que já devo ter feito o mesmo (embora faça o esforço de que não aconteça). Estas foram algumas das coisas que ouvi, verdades para outros pais e mães, mas que não se aplicaram a mim:

1. "Dorme pior porque tem um dentinho a nascer. Agora até nascer o último vai ser sempre um sofrimento."
Felizmente, isto não aconteceu! Eu juro que fiquei sem pinga de sangue quando ouvi isto e estive quase para ir devolver a pequena ao hospital e explicar que não estava pronta para aquilo. Tivemos sorte e o nascimento dos dentes da Mini-Tété não foi uma tortura nem para ela nem para nós. Ela mostrava-se um pouco incomodada, deu-nos umas quantas noites piores e alguns dias de resmunguice, mas nada mais do que isso.

2. "É calminha agora mas deixem-na fazer os 6 meses e vão ver como muda completamente."
De facto notámos que aos 6 meses houve uma maior abertura para o mundo, a interacção passou a ser maior, o interesse também, mas felizmente para nós continuou a ser uma bebé calma e a dormir bem.

3. "Todos os bebés adoram comandos! É óptimo para os motivar a gatinhar ou porem-se de pé pois tentam apanhá-los."
Ainda hoje me rio para dentro quando oiço isto. A Mini-Tété até achava piada aos comandos mas a força de vontade era sempre menor comparada com a curiosidade que o comando suscitava. Fazia um ligeiro esforço para lhe chegar, não conseguia e nem voltava a tentar. Motivação para lhe chegar? Zero.

4. "Ui quando começam a gatinha/andar é que se acabou o sossego!"
Aqui em casa aconteceu o oposto, como já cheguei a relatar neste blogue. Quando finalmente ela aprendeu a deslocar-se, para mim foi um descanso. Finalmente podia sair de uma divisão para a outra com coisas nas mãos sem ela desatar a chorar por ter sido deixada para trás. Passou a arrastar-se de rabo atrás de mim, de divisão em divisão, e foi um sossego. Quando começou a andar, ainda melhor porque finalmente podia sair à rua com ela sem ser no carrinho ou ao colo. Tanto jeito que me deu!

5. "Aos 18 meses (ano e meio) começam as birras!"
Felizmente, não! Do que tenho lido, por esta altura as maiores birras surgem pela dificuldade em se fazerem entenderem. Como a Mini-Tété já dizia o suficiente para a percebermos, não passou por esta fase de frustração, o que deve ter ajudado. Já vamos com 2 anos e meio e a coisa está controlada. Notamos um maior braço de ferro, um certo teste aos limites, alguma surdez momentânea ao que lhe estamos a dizer mas não é de grandes birras. Há uns meses passou por uma fase em que a frustração de lhe ser negado algo levava imediatamente ao choro mas até isso abrandou consideravelmente. Cheira-me que as verdadeiras birras chegarão aos 3 anos.

6. "Vais ver, quando começar a comer sozinha, até ganhas umas pinturas novas na parede!"
Até agora zero manchas decorativas de sopa e afins. Começou a comer à mão. Com 10 meses, começou a aprender a levar a colher à boca. Com 1 ano e 4 meses, um dia pegou no garfo e começou a comer sozinha, assim do nada. Nem dois meses depois, já comia toda a refeição sozinha. O chão, ainda agora, tem dias que dá vontade de ter um cão que coma a meia refeição que lá foi parar, mas nunca lhe deu para andar a fazer voar sopa ou arroz em direcção à paredes.

7. "Quando eles aprendem a segurar os lápis, vais ficar com as paredes cheias de desenhos!"
Até agora, houve apenas um risco há uns meses e que me foi contado entusiasticamente pela Mini-Tété ("Mamã, a Mini-Tété fez um "chico" na parede!"). Fora isso, até vivemos no limite e de vez em quando colamos uma folha branca na parede com fita-cola para ela pintar. Nunca se lembrou de pintar fora dos limites da folha. Mas vamos aguardar. Eu desenhei uma rosa numa parede em casa dos meus pais e já era adolescente.

8. "Todos os bebés adoram tomadas/puxam as toalhas das mesas/mordem e batem nos pais/atiram-se para o chão e gritam durante as birras/atiram-se das camas de grades/tiram meias e sapatos."
Nop. Pelo menos até agora (bom, já se calça e descalça sozinha mas neste momento isso é uma mais-valia).

9. "Aproveitem agora porque quando a vossa filha nascer a televisão nunca mais sairá do canal Panda e os cd's no carro passarão a ser com músicas infantis. Em loop."
Pois, também não. Em primeiro porque cá em casa não se vê televisão. Desde que ela nasceu, deve ter sido ligada em duas ou três ocasiões (sobretudo para ver os jogos do Euro 2016). Usamos sobretudo o computador para assistir aos programas que queremos e ler notícias, a maior parte das vezes já depois de ela ter ido para a cama. No meu computador ela assiste a desenhos animados no youtube, mas sendo o meu computador e estando ela proibida de lhe mexer, só vê quando eu quero e quando não tenho eu de o usar. Não tem acesso ao iPad, o que também facilita. No carro, ouve a nossa música. A única situação em que não nos deixa ouvir a nossa música é quando não se cala, mas aí o rádio fica desligado.

10. "Antes de sermos pais dizemos que nunca faremos isto e aquilo mas depois...acabamos por ter de engolir tudo o que dissemos."
Hum, não. Já falei disso aqui. Ou cuspi muito pouco para o ar, ou perdi metade da memória no parto ou de facto as poucas coisas que disse que não faria, não faço mesmo. Minto. Os meus pais, por viverem num T1, dormiram no mesmo quarto que eu até quase aos meus 3 anos, antes de finalmente terem conseguido um apartamento maior. Obviamente que eu não me lembro disto mas lembro-me de uma ou outra vez ter pensado que era demasiado tempo para partilhar o quarto e que não o faria com um filho meu. Ora com quem é que a Mini-Tété partilha o quarto até finalmente o pais terem arranjado uma casa maior e ela finalmente poder ter o seu quarto com quase 3 anos, com quem? :D




2 comentários:

  1. Em quase todos os pontos eu vejo uma ou outra situação em que me aconteceu algo parecido. É verdade a parte em que nos dizem muitas coisas que depois acabam por não acontecer, mas outras sim e é aí que pensamos que de facto de um modo geral as crianças passam por muitos comportamentos iguais, embora sejam muito diferentes umas das outras. A parte de gatinhar/andar e acabar o sossego eu percebo porque depois o medo de se magoarem é muito maior, passam pelas esquinas como se elas não estivessem lá, tentam correr e por vezes escorregam, fazem os maiores galos que já se viu :( para mim foi o fim do sossego nesse sentido, não podia "confiar" virar costas nem um segundo.
    As birras notei mais ao fazer os 2 anos e não aos 18 meses, mas nada de exagerado, acho que é o normal quando ouvem um não. Não gostam e eu percebo :)

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    1. EscritaDela

      Sim, há de facto muitos comportamentos semelhantes e até esperados de cada idade. E eu não duvido que estas coisas tenham mesmo acontecido aos filhos de quem me disse, não duvido mesmo. Algumas coisas são de facto quase "universais" e acontecem a quase toda a gente. Mas a questão é mesmo essa: a "quase toda a gente" mas não "a toda gente mesmo", e senti isso: há "previsões" que de facto se confirmam mas há outras que nem por isso, e por isso mesmo eu já tento não o fazer ao conversar com mães de crianças mais novas.
      A Mini-Tété das vezes que mais se magoou foi quando ainda não se conseguia deslocar. :D Uma das vezes foi no meu aniversário, estava sentada a brincar e deixou-se simplesmente cair para a frente, sem se proteger com os braços nem nada. Ou seja, bateu com a testa no chão com tanta força que acordou o Jack. Ficou com um galo enorme e apanhámos um susto enorme. :) O facto de ela ser pouco arisca e ter desenvolvido mais devagar a parte motora, andado mais tarde e assim, ajudou com certeza a não ter esses medos. Tentar correr só com 2 anos e meio. Tive de ser eu a ensiná-la a subir para um sofá porque nem isso ela queria fazer. Agora com 2 anos e 8 meses é que a vejo finalmente a ser um pouco menos cuidadosa nas brincadeiras e a cair por arriscar. :) Por isso, eu não passei mesmo por essa fase de medos e de falta de sossego quando aprendeu a deslocar-se.
      As birras são mais do que esperadas, aliás, a ausência de birras é que é preocupante. :) Mas admito que me pintaram um cenário negro para os 18 meses e para os 2 anos que até agora não se revelou. Estou pacientemente à espera dos 3 anos.:P

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