9.7.18

Ter uma miúda calma dá nisto

Todos sabemos que ser mãe/pai daquelas crianças que não param um segundo quietas, que fazem várias birras seja onde for e a que hora for, que parecem ter bichos carpinteiros no rabo e que parecem não ligar a qualquer regra, dá azo a ouvir-se comentários menos simpáticos ao melhor estilo "ai, se fosse eu..." ou "no meu tempo...".

Com a Mini-Tété fico livre de semelhantes postas-de-pescada mas acreditem que não me livro de outras na mesma. Se quando era bebé chegaram a perguntar-me se ela fazia barulho/sons uma vez que nunca a tinham visto chorar e não achavam normal (deviam achar que eu tinha comprado uma boneca e andava a fingir que era minha filha...), agora os comentários continuam por causa da sua calma. 

Já tive duas mães que, vendo a Mini-Tété sentada simplesmente a observar as outras crianças da mesma idade a correr, olharam para mim e comentaram que eu não sabia o quer era tomar conta de uma criança "de verdade" (lá está, comprei uma boneca e ando a fingir...). Maravilhoso. E há dias uma outra mãe comentava comigo, enquanto olhava para a Mini-Tété a caminhar calmamente ao meu lado, que a escola faz muito  bem a crianças "como ela", que vai puxar por ela, que a vai fazer desenvolver-se, fazê-la falar (logo ela que não se cala), fazê-la saber contar (já sabe), fazê-la ficar "mais igual às outras crianças". Lindo. Outra mãe ao ver a Mini-Tété dar um salto de pés juntos comentou comigo que era tão bom ver "uma criança como ela" a conseguir fazer estas coisas. 

E eu reviro os olhos e guardo para mim o quão normal a minha filha é e como eu gosto dela assim.

7.7.18

A nova moda em França

Já tinha visto um comentário no instagram sobre esta moda mais recente. Depois comecei eu a reparar que a maioria dos jovens com que me cruzava nas ruas vinha calçada com meias e chinelos-para-ir-à-piscina. Nalguns casos, a coisa estica-se e estão mesmo de meias e chinelos de quarto, daqueles com pêlo fofinho. E uma pessoa fica ali, sem saber se há-de morrer um bocadinho de vergonha alheia ou perguntar se os paizinhos as deixaram mesmo sair assim de casa, ao ver raparigas com vestidinhos de Verão e com tamanho atentado ao bom gosto enfiado nos pés.
Segundo li, a origem de tal disparate é uma música lançada por um rapper francês, onde todos no videoclip aparecem assim calçados.

Agora, vá, ide rezar a todos os anjinhos para que a moda não chegue aí a Portugal e não se propague 
(e se, entretanto, o primo adolescente emigrado em França vos aparecer em Agosto nestes preparos ficam já a saber que ele não está sob o efeito de drogas ou que perdeu os sapatos na viagem. É la mode française!).


1.7.18

A Besta

Já aqui falei algumas vezes da Besta. A Besta é o proprietário de alguns dos apartamentos do prédio onde vivo, que os aluga a todos e sempre a famílias sem grande educação ou respeito pelos outros, que grita o tempo todo sempre que cá vem e que nos tem feito a vida num inferno desde que para aqui viemos porque nos recusámos a tratá-lo como dono e senhor deste sítio. Não vou descrever tudo aquilo porque já passámos com ele, mas já atirou ovos ao nosso carro, colou-lhe papéis, ainda há semanas atirou-lhe com água suja para cima, já houve participação à polícia, são raras as vezes que passa pelo Jack sem iniciar uma discussão, estamos convencidos que já abriu pelo menos uma vez correio nosso, quando estava grávida berrou comigo de tal forma que fiquei com a pulsação a 160 bpm e no dia seguinte tive um pico de tensão alta, acordava a Mini-Tété com os berros que dava, enfim, é uma Besta. A única coisa que sempre nos deu sossego foi o facto de ele não viver aqui pelo que não tínhamos de lidar com ele todos os dias. 
Mas a presença dele afecta-nos de tal forma que basta vermos o carro dele estacionado para ficarmos os dois tensos. Nota-se nos gestos que temos e no silêncio que enche esta casa, sempre à espera que de ver quando é que ele vai embora e o ar fica mais respirável.

Há dias contei que estava a haver mudanças para o apartamento por cima de nós. É ele. Como diz o Jack, se não tivéssemos o plano B de nos mudarmos rapidamente e ainda este ano, estaríamos neste momento a viver um inferno. E não sei o que me afecta mais: se os berros a que ele sempre nos habituou ou facto de, desde que se mudou para cá, estar em quase perfeito silêncio.
Conhecem a anedota daquele homem que todas as noites ouvia o vizinho de cima a atirar um sapato e depois o outro quando se deitava, até que uma vez ouviu o primeiro sapato a cair e ficou à espera de ouvir o segundo, ficando acordado toda a noite? É mais ou menos assim que eu me sinto. Estou tão habituada a vê-lo chegar para minutos depois haver toda uma orquestra de barulhos variados, ferramentas eléctricas, pancadas e berros, que agora vejo-o chegar, sei que está cá e fico em suspenso à espera que comece a fazer barulho, coisa que inexplicavelmente não tem acontecido

Para desanuviar temo-nos entretido a imaginar tudo o que lhe pode ter corrido mal na vida (ele tem/tinha mulher e filhos) para ter vindo viver para o lugar que sempre repudiou e onde, palavras dele, sempre fez questão de meter famílias barulhentas e porcas para nos chatearem. Somos boas pessoas, a sério que somos, mas a ele desejamos-lhe todo o mal do mundo. A boa notícia é que não teremos de o aturar muito tempo. E a outra boa notícia é que os nossos vizinhos de baixo, inquilinos dele, estão-se a mudar-se.

30.6.18

Ahaha

Cruzo-me frequentemente no parque com uma outra mãe que também leva a sua filha mais ou menos à mesma hora a que nós vamos. Acabámos por criar uma relação e conversamos enquanto tomamos conta das duas, que embora gostem uma da outra, não poderiam ser mais diferentes. A Mini-Tété é a paz e calma que é, a outra é um pequeno furacão de actividade. Um dia destes, a outra mãe perguntava-me:
- Consegue tomar banho com ela acordada?
- Hum, sim. Enquanto tomo banho, ela fica a ver bonecos ou vem para a casa-de-banho brincar, ler...
- E consegue comer?
- Sim. Comemos as duas ao mesmo tempo.
- E ela faz a sesta?
- Sim, isso é essencial.
- (suspiro)...Já percebo porque é que é a única mãe do parque que nunca tem um ar cansado.

Isto já foi há dias e ainda hoje me rio com este desabafo, ahah. :D

Coisas que não compreendo

Há crianças mais activas que outras, mais brutas nas brincadeiras, mais caprichosas, com maior dificuldade em lidar com as frustrações. Vê-se um pouco de tudo num parque para crianças e eu não sou o tipo de mãe que intervém logo quando a Mini-Tété tem algum confronto com outra. Ainda há dias, uma miúda mais pequena, frustrada por a Mini-Tété não lhe emprestar um brinquedo, começou-lhe a bater com outro no braço. Analisei a situação, percebi que não havia força suficiente para a magoar, vi que a mãe da pequena já se estava a aproximar para impedir a filha e por isso deixei a Mini-Tété lidar sozinha com a situação (limitou-se a olhar muito espantada para a miúda). 

Acho portanto normal que haja crianças muito mais expeditas que a Mini-Tété, que às vezes haja erros e aprendizagens (como a miúda que empurrou outra no escorrega, resultando num choro de uma e numa explicação de como há coisas que não se fazem para a outra), que haja maior brusquidão de gestos sem maldade, etc, etc.

O que já me custa a compreender é como é que crianças de 7-8 anos conseguem estar a ser pequenos terroristas para com as outras, sem que as mães digam uma palavra que seja, tão desatentas que estão aos filhos e embrenhadas na conversas as duas. Crianças que, vigiando as próprias mães e as mães dos outros, chateiam até ao tutano outras que tentam brincar  e depois ainda são capazes de ir fazer queixas às suas mães de como estavam a ser vítimas. Hoje vim do parque verdadeiramente incomodada com o vi e tive de me conter para não dizer nada (porque não gosto de me meter em situações dos filhos dos outros, sobretudo quando no mesmo espaço estão as mães que deveriam intervir). 
Tentaram fazê-lo à Mini-Tété há umas semanas, barrando-lhe a passagem para o escorrega. Pouco satisfeitos com a ausência de reacção dela (Mini-Tété continua a ter a tremenda capacidade de se fazer de estátua quando a situação não lhe agrada), encheram o peito para cima dela acusando-a de ter magoado um deles de propósito. Dois miúdos de 7-8 anos contra uma miúda de 2 anos e meio! Ainda me ferve o sangue quando me lembro disto. Claro que eu estava ao lado e mandei-os calar e sair dali rapidamente para que ela passasse. Mas e se não estivesse perto? E se tivesse outro filho e estivesse a dar atenção àquele, não me apercebendo logo da situação? 

E como podem aquelas mães estar tão ausentes dos filhos que a poucos metros de distância lhes permitem ter estes comportamentos? Não compreendo, a sério que não compreendo.

29.6.18

A Obra em fotografias

O Jack anda cheio de trabalho e por isso A Obra vai avançando devagarinho. Gostava muito de mudar antes da Mini-Tété iniciar a escola para não andarmos a fazer quilómetros todos os dias, mas visto a baixa disponibilidade que ele está a ter já me ando a fazer à ideia de (no máximo!) no mês de Setembro andar a fazer piscinas casa-escola com a Mini-Tété.
Em princípio, este fim-de-semana vamos colocar os azulejos da casa-de-banho (yeahh!) e as pinturas finais já arrancaram. Também já temos o último degrau da escada por isso já só preciso de um corrimão para conseguir subir até lá acima sem ficar cheia de tonturas por sentir que posso cair para o lado e não há ali nada onde me apoiar. 

Deixo-vos algumas fotografias do estado do nosso-celeiro-futura-casa (a qualidade das fotografias não é melhor mas é o que se pode arranjar :)).


O corredor do piso superior. Já estamos na fase das pinturas (daí o andaime pois o pé direito deste piso é muito alto). Depois será colocado o parquet no chão, rodapés, as faces das tomadas e interruptores e...pronto. Aqui podem ver a grande viga que atravessa a casa de um lado ao outro.


 Eis uma das pontas da grande viga. Este espaço será o nosso closet. 


Esta será a parede da cabeceira da nossa cama. O closet fica atrás.



A nossa casa é uma casinha de bonecas, sobretudo se comparada com as medidas habituais de construção em Portugal. Temos áreas pequenas, sobretudo nos quartos. Já o pé direito....é o que se vê.


Visão da zona da sala de jantar para a escada e sala de estar. Devido ao estilo antigo da casa, optámos por deixar madeiras à vista.

O que acham desta nossa Obra-Casa-de-Bonecas? :)

27.6.18

Eu não mereço

Eu sei que estamos quase a sair daqui, eu sei que mais umas quantas semanas (ninguém sabe ao certo) já estaremos em mudanças, eu  sei que embora adore este apartamento e a luz toda que ele tem (tem janelas em 3 lados do prédio, pelo que apanha sol toooodo o dia, sobretudo na sala), o prédio é uma pequena desgraça graças aos vizinhos que por aqui nos calham em sorte. E depois de os do andar de cima se terem escapulido sorrateiramente num fim-de-semana (fazem sempre isto mas se eu tivesse o senhorio deles, também faria o mesmo), a paz reinou minimamente por aqui (vamos ignorar as duas vindas da polícia à procura deles, sim?), até hoje, em que já houve transporte de móveis, comidas e afins. Eu não quero novos vizinhos, buááááá. É que se uma pessoa tivesse sorte, até se aguentava, mas com o azar que temos, hão-de ser daqueles de fazer festas até às tantas e de andar sempre a arrastar móveis todo o santo dia. Buááá, Jack, acaba a casa depressa, por favor!

26.6.18

Crianças difíceis

No outro dia, ao observar uma criança no parque que procurava claramente obter a atenção da mãe que não largava o telemóvel até que, frustrada, fez um qualquer disparate que obrigou a mãe a efectivamente parar de fazer o que estava a fazer para ralhar com ela, dei por mim a pensar mais uma vez que isto deve acontecer mais vezes do que realmente reparamos.

Já tive fases em que por ter os dias mais preenchidos com tarefas que quero mesmo resolver, vi a Mini-Tété ser mais disparatada e queixosa que o habitual, fazendo até coisas que sabe serem erradas e que geralmente não faz. Lembro-me de pensar "Que galo, logo hoje que tenho isto para fazer é que ela está assim" para mais tarde perceber que era o oposto: era exactamente por eu andar tão atarefada que ela estava assim. Da mesma forma que ainda no outro dia, a ter um dia de cão por motivos alheios à minha pequenina, dei por mim a pensar "Fogo, e para ajudar à festa, ela hoje está insuportável". Não era verdade, ela estava igual a todos os dias, eu é que estava com os meus níveis de paciência abaixo de zero para aturar a maneira de ser de uma miúda de 2 anos.

Eu acredito que há crianças difíceis, com personalidades muito vincadas, teimosas, que são barulhentas e com feitios mais complicados de gerir, mas não haverá também muitos casos em que as crianças são apelidadas de difíceis quando na verdade uma mudança de postura dos pais não faria a diferença? Não precisarão às vezes das crianças que os pais lhes dêem apenas meia-hora de atenção a sério ou que conversem mais com elas todos os dias? Que lhes expliquem as coisas em vez de simplesmente dizer "não" e acabou-se a conversa? Não farão algumas crianças, como aquela que vi no parque ou mesmo a Mini-Tété quando se sente mais ignorada, disparates para que os pais finalmente lhes liguem? Não serão estas crianças muitas vezes filhas e filhos daqueles pais que se queixam aos amigos e em fóruns que os seus rebentos são difíceis e só fazem asneiras?