3.1.20

Olá 2020

Vamos lá às resoluções de 2020? Não sei se arranjo 12 ou até se me apetece tentar alcançar 12 objectivos este ano mas aqui vamos nós:

1. Ler mais.
Tenho lido pouco comparado com o que lia antes de ser mãe, o que é absolutamente normal mas ainda assim acho que podia largar mais o telemóvel e aproveitar meia-hora à noite ou a hora do almoço para avançar mais a leitura. Tenho mantido as minhas escritoras favoritas em dia, não há livro novo que saia que não seja rapidamente devorado, mas começo a ter uns quantos novos na estante que ainda não li e isso não me agrada.

2. Organizar-me mais.
Um pouco mais de organização, não para conseguir acrescentar ainda mais coisas ao meu dia-a-dia mas para que este flua melhor, sem atropelos ou pressas desnecessárias. Perceber que às vezes mais vale perder um bocadinho mais de tempo agora para ganhar mais tempo depois.

3. Vender o apartamento.
Pois é, meus amigos. Isto não está só mau para quem compra mas também para quem vende. O apartamento até nos tem dado jeito pois é onde vamos almoçar (não é longe da empresa) mas está mais do que na hora de o despachar.

4. Poupar. Poupar. Poupar.
Nota-se que as minhas poupanças andam na rua da amargura? :D 

5. Destralhar.
Eu já ando neste processo mas ainda há coisas em caixotes que vieram do apartamento (e outras que ainda lá estão, socooorro) e a brincar, a brincar, já passou um ano. E senhores, como eu guardo coisas. Ora "isto que ainda me vai dar jeito", ora "aquilo por razões sentimentais", ora "estas 4587542 peças de roupa que ainda me poderão vir a servir quando eu voltar a pesar metade do que peso agora", ora "aqueloutro que eu sei lá bem se vai ser útil ou não". Arrrrggggh. E coisas da Mini-Tété? Tenho toda uma vida de 4 anos enfiada cá em casa, logo eu que não faço ideia se algum dia ganhamos coragem/vontade para ir a segundo filho. E enquanto uma pessoa não decide, guarda tudo que é para depois não ter despesa em coisas que deitou fora. Há-de vir a menopausa e eu ainda a guardar as coisinhas todas....

6. Acalmar. 
Os últimos anos mexeram muito connosco. A construção de uma casa, cheia de imprevistos, avanços e recuos, que demorou o quádruplo do tempo esperado, não foi fácil. Financeiramente não é fácil. Com um bebé (entretanto criança) à mistura. Algumas fases da vida mais complicadas. Nada de desgraças, graças a Deus, há que reconhecer e agradecer a saúde que todos temos, mas ainda assim não tem sido um mar de rosas e acho que "o estado constante de alerta" para eventuais chatices precisa de ser desligado. Preciso de olhar para o Jack e não pensar logo "Bolas, o que é que aconteceu agora?" ou não assumir que vem uma má notícia só porque ele está com um ar sério. Respirar fundo, aproveitar mais o que temos de bom sem receio que logo algo de chato aconteça a seguir. Deixar fluir. E até ando com vontade de começar a fazer ioga, imaginem.

7. Não me divorciar. :D
Ahah, não estamos perto disso mas eu digo e repito que nunca quis trabalhar com o Jack porque sinceramente sempre achei que ia dar mau resultado. Somos tão diferentes na maneira de trabalhar que eu sempre achei que ia haver discussões dia sim, dia não. Porque eu sou extremamente ansiosa, porque ele é uma drama queen quando lhe dá para isso, porque eu não tenho paciência para repetir a mesma pergunta ou resposta duas vezes, porque ele não ouve metade das coisas que lhe digo (estou a ser generosa, para aí 75% das coisas), porque eu simplesmente congelo e entro em negação em momentos de stress, porque vemos os horários de maneira diferente, porque somos teimosos quando achamos que temos razão (e ele nunca dá o braço a torcer), enfim, tudo para correr mal. Mas depois somos os dois surpreendentemente iguais na forma séria como encaramos o trabalho, como somos exigentes com o próprio trabalho, como nos protegemos e apoiamos um ao outro numa empresa exigente e stressante, como sentimos que estamos lá um para o outro quando os outros falham. Eu reconheço que trabalhar com ele foi a melhor maneira de ingressar no mercado de trabalho depois de tantos anos e ele diz que a segunda coisa que melhor fez na vida foi ter convencido a empresa a contratar-me (a primeira foi a Mini-Tété :P). Mas isto de trabalhar com quem se vive leva a que sejam 24h horas por dia a ver a mesma pessoa e isso tira um bocadinho da magia de regressar a casa, encontrar quem se deixou de manhã e contar o nosso dia. Corre-se o risco de levar os problemas de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Acho sinceramente que trabalhar juntos pode pôr um casamento mais à prova. Até agora temo-nos saído bem, espero que assim continue. 

8. Encontrar-me como mãe.
Pois é, ainda não estou a 100% neste papel de mãe trabalhadora. Adoro deixar a pequena na escola e ir trabalhar mas não gosto de o fazer quando a sinto cansada ou com ar de quem está a chocar qualquer coisa (antes ficava logo em casa a ver se não ficava pior e se não ia para a escola pôr outros miúdos doentes). Ainda estou a aprender a gerir o tempo entre as tarefas domésticas e o dar-lhe atenção. Agora pesquiso menos, leio menos e eu preciso de sentir que tenho conhecimento das coisas para sentir que sei o que fazer. Os 4 anos da Mini-Tété vieram com um feitiozinho que nem vos digo (quais terrible two ou terrible three, quais quê! Parece que tenho uma mini-adolescente em casa) e eu estou ainda a perceber como é que hei-de resolver isto sem sentir que estou a falhar nalguma coisa.

9. Comer melhor (e emagrecer).
Já estava a faltar, não era? Desejos de ano novo que sejam desejos de ano novo têm de ter o famoso "este ano é que é!" para o peso. Isto depois fica tudo igual, já se sabe, mas pronto, aqui fica ele para me relembrar que devia ter juízo.

10. Viver mais.
Tenho a sensação que nos últimos anos estive sempre à espera de qualquer coisa para poder viver. À espera que as obras começassem, à espera que a Mini-Tété nascesse, à espera que as obras acabassem, à espera que a Mini-Tété entrasse para a escola, à espera de começar a trabalhar, à espera de vender o apartamento, à espera de ver se regressamos a Portugal ou ficamos por aqui, à espera de maior folga financeira, à espera de decidir se um dia iremos a um segundo filho ou não, à espera, à espera, à espera...E vou vivendo mas acho que podia viver mais. Estou sempre naquela de que se calhar não vale a pena fazer isto ou aquilo porque depois talvez vá acontecer isto ou aqueloutro. Dar mais passeios a pé, ir andar de bicicleta, dançar mais, rir mais, ir conhecer terras aqui perto, aproveitar mais a terra onde vivemos, sentir mais que pertenço aqui, viver mais portanto. 

11. Melhorar o meu francês. 
Começo a semana a atropelar-me nas palavras depois de um fim-de-semana só a falar português e acabo a semana a enrolar as palavras porque estou cansada do esforço que fiz na semana toda para comunicar em francês. Eu nunca tive jeito para línguas, senhores, porque raio vim viver para aqui?

12. Saúde.
Haja saúde para todos nós. Depois do susto de 2012, eu só quero muita saúde para todos porque o resto arranja-se, com menor ou maior dificuldade.

Bom ano para todos!

29.12.19

2019 - Outra perspectiva das coisas

Como escrevi no último post, 2019 foi um ano de mudança. Nova casa, novo trabalho, novas rotinas...e sinto que houve também algumas mudanças na forma como vejo a vida e como a quero viver. Por exemplo, foi o ano em que passei a ver com outros olhos as redes sociais, o que, a par com a menor disponibilidade que o trabalho me trouxe, me levou também a ser menos activa no blogue, facebook e instagram. 

Em 2019 abandonei uma série de contas que seguia depois de ter passado por uma fase em que percebi que essas contas, embora me inspirassem em vários aspectos, me traziam também um sentimento de "se ela/ele consegue, porque razão não haveria eu de conseguir?" e uma consequente frustração por de facto não alcançar o mesmo objectivo. Uma das contas que seguia mostrava uma casa enorme irrepreensivelmente arrumada, limpa e decorada, e da qual tirei óptimas dicas de arrumação e decoração, mas cujo objectivo me parecia muito distante por haver uma empregada a tomar conta daquele serviço todo, ajuda essa que eu não tinha ao meu dispor. Até que a empregada se foi, a casa continuou linda e maravilhosa e começou a surgir o sentimento de "se ela consegue, porque é que eu não consigo?". Tempos depois, surgia a resposta pela autora que confidenciava que para manter a casa assim, se deitava à 1h ou 2h da manhã depois de todas as tarefas feitas. Acho que foi neste preciso momento que eu percebi que nunca estaria disposta a deitar-me tarde só para poder andar várias horas por dia a limpar a casa e que este pensamento se aplicava a uma série de contas que eu seguia. Como aqueles pais trabalhadores que parecem sempre ter muito mais tempo com os filhos do que eu mas que depois contam que para ser assim se deitam todos os dias às 3h da manhã para conseguirem manter o trabalho em dia. E aos poucos e poucos comecei olhar para as contas com outros olhos e a perceber que para ter ou fazer as mesmas coisas que aquelas pessoas então teria de fazer trocas que eu não estava disposta a fazer (ou não conseguia), como de repente perceber que se aquela pessoa fica no escritório até tarde então só vê os filhos mesmo antes de irem para cama, que aquele casal que se farta de viajar e passar fins-de-semana fora tem de deixar os filhos com alguém, que aquela mãe a tempo inteiro que vê séries, bebé chá e tem a casa imaculada na verdade não tem os filhos em casa como eu tinha, mas sim na escola todo o dia, que aquela mãe que treina para a maratona todos os  fins de tarde, está todos os dias menos horas com os filhos, que aquela mulher que faz pinturas e bricolages várias aproveita as semanas em que não tem a guarda da filha e esta está com o pai, que aquela mãe que despacha todas as tarefas domésticas antes do jantar é porque não vai ao parque com o filho e o pai ou não vai passear com ambos...Algumas contas deixei de seguir por sentir que já não tinha muito mais para aprender ou para me inspirar, outras continuo a seguir porque consigo perceber que são realidades diferentes da minha mas que ainda assim me conseguem dar uma ou outra ideia que eu consigo aplicar. E atenção, nada do que disse são modos de vida errados, são apenas modos de vida que eu não quero ou não consigo aplicar à minha vida. 

E quem fala de outras contas, fala também da minha própria conta. Depois de um ou outro mail, depois de um ou outro comentário, comecei a perceber que de alguma forma estaria pelos vistos a passar uma imagem de mãe zen, sempre calma, sempre a conseguir controlar o momento, com uma filha sem birras, sempre a saber o que fazer, que não bate, que não grita, que não ralha. O que não sou, nunca fui e não tenho qualquer intenção de ser. É incrível como, ao mostrarmos apenas uma parte das nossas vidas, influenciamos tantos a percepção que os outros têm de nós. Como um casal que conheço que chega a casa às 18h30, jantam às 19h e às 20h as crianças estão na cama. Com uma filha que o ano passado adormecia depois das 23h, isto parecia o paraíso até ter visto o outro lado: pais que chegam a casa às 18h30, fazem o jantar, jantam e deitam as crianças, sem que tenha havido tempo para brincadeiras ou tempo com os filhos. Resulta para eles mas eu não quereria este lado da moeda na minha vida.

Sinto que o facebook, o instragram, os blogs, o youtube conseguem ser extremamente úteis, dão-nos a conhecer outras realidades, outro mundo, outras opiniões, outras maneiras de ver as coisas, ensinam, mostram e podem realmente ser ferramentas bastante úteis se quisermos. Mas também acho que se corre o risco de observarmos mais a vida do outros do que vivermos mais a nossa realidade.

Mas esta análise das contas e das vidas dos outros também me trouxe bons ensinamentos e aprendi por exemplo que andava a organizar-me mal. Que por exemplo é preferível perder 30 minutos ao fim-de-semana a planear o que vou cozinhar em cada dia da semana e fazer as compras só para isso, do que estar todos os dias a pensar o que vou cozinhar e a tentar inventar pratos com o que tenho e o que não tenho no frigorífico ou na despensa. Que é mais fácil ter uma casa arrumada quando cada coisa tem o seu lugar porque é só pegar e colocar no sítio (objectos sem lugar, passeiam-se simplesmente e desarrumadamente pela casa). Que se arrumar a louça lavada quando faço o jantar é mais fácil e rápido arrumar a cozinha depois. E sobretudo, andava a organizar-me mal em termos de tempo: é óbvio que não terei o tempo livre daquela mãe que está em casa e tem as crianças na escola, ou daquele casal que tem empregada doméstica todos os dias que limpa, lava roupa e cozinha (que sonho! :P) mas há trocas, como acima dizia, que posso fazer e que estou disposta a fazer: menos tempo na internet e ler mais ou ver uma série, seguir menos séries e assim ler mais, organizar melhor o meu tempo para ter todos os dias 30 minutos ou 1h para um passatempo meu...

Sinto mesmo que no segundo semestre de 2019 comecei a aproveitar melhor o meu tempo. Acho que ainda há muita coisa que posso mudar e melhorar mas como disse sinto que virei uma página.

26.12.19

Adeuzinho 2019

E mais um ano que se acaba e que passou a correr. O ano de 2019 começou logo com a mudança para uma casa ainda em obras, com toda a adaptação e contratempos que isto acarreta. Lembro-me de na altura dizer que gostava de ter a casa acabada passado um ano, o que não vai acontecer, precisamos de mais tempo, maior folga financeira, alguma força de vontade. Depois de tantos anos com obras nesta casa, acho que este ano fomos fazendo as coisas de forma mais vagarosa, a tirar umas "férias" de tantos fins-de-semana de obras e pouco tempo pessoal. 
Além do mais, logo no início de Fevereiro comecei a trabalhar, o que foi também uma das maiores reviravoltas de 2019. Numa área completamente diferente da minha, começou por ser algo temporário e acabei por ficar na empresa. Deixei de ser mãe a tempo inteiro (parcialmente porque a Mini-Tété já ia à escola, já não estava 24h/dia comigo) para ser mãe trabalhadora e depois de tantos anos parada tive de me adaptar a este novo papel. A entrada nesta empresa também fez com que passasse a trabalhar com o Jack, coisa que sempre disse que não queria fazer. E como pela boca morre o peixe, não só estou a trabalhar com ele como a maior parte do tempo (semanas e semanas e semanas) somos só nós os dois enfiados numa sala sem mais contacto com os restantes funcionários. Acho que ainda não nos vomitamos um ao outro por sorte. :P

Estou curiosa para saber o que realizei ou não dos meus desejos para 2019 por isso vou já buscar a lista e vamos lá ver isso:

1. Recuperar elasticidade/flexibilidade.
É terrível dizer isto aos 34 anos mas nos últimos anos senti uma clara falta de flexibilidade, coisa que no último ano começou realmente a incomodar-me. Em coisas absolutamente simples, como estar no carro e rodar o pescoço e o tronco para ver pelo vidro traseiro e sentir uma certa tensão, como se estivesse perra. Ou esticar-me para alcançar qualquer coisa e sentir que os músculos não esticam tanto como esticavam. Por isso, a ver se faço alguns exercícios ao longo do ano, com calma, para alongar estes músculos e voltar a sentir-me melhor.
Aaaaa...mais ou menos. Os exercícios ficaram apenas pela teoria mas como passo agora imensas horas sentada ao computador apenas a mexer a ponta dos dedos, tenho o cuidado de me ir levantado e esticando as costas, mexer o pescoço, os ombros...

2. "Acabar" a casa.
Escrevo assim "acabar" entre aspas porque há planos para esta casa que não serão feitos este ano, sobretudo na parte exterior. Mas gostava de ter o interior feito e acabado quando chegasse ao fim deste ano. 
Pois. Não. De todo.

3. Apostar no lado profissional.
É preciso dar este passo, ainda não sei muito bem o quê porque os meus objectivos mudaram desde que vim para França, mas está na altura de descobrir.
Pronto, este realizei, assim meio que de repente e sem pensar muito no assunto, mas já trabalho.

4. Mini-Tété de volta ao horário escolar completo.
Agora que finalmente deixou de ver a escola como um bicho-papão, que entra de mão dada com uma amiguinha, que sai feliz, gostava de voltar a aumentar o horário. Preciso de tempo para mim, para os meus objectivos, para ser a Tété que não é apenas mãe. E para conseguir concretizar o ponto 3, preciso de facto que a Mini-Tété passe mais tempo na escola do que as 12h semanais que passa neste momento. E para que depois não haja uma mudança brusca, o melhor será aumentar aos poucos.
Pobre Mini-Tété que de um dia para o outro largou as 12h de escola semanais para passar a fazer não só o horário escolar completo mas ainda a ir para o ATL.

5. Ver mais filmes e séries.
Preciso de me sentar no sofá com o Jack, depois do jantar, com a Mini-Tété a dormir, e vermos filmes e séries, como tanto gostamos e como temos feito tão pouco.
Aaaaa.....pois, era bom, não era? Este era um bom objectivo se não tivéssemos uma filha que adormecesse tão tarde. O ano passado, a Mini-Tété adormecia depois das 23h, este ano depois das 22h. Com coisas da casa ainda por fazer depois de a pequena finalmente cair para o lado, não sobra propriamente tempo para filmes e séries. Mas começámos agora a ver a terceira temporada da Casa de Papel e eu mantenho a Anatomia de Grey em dia, o que não é mau. :P

6. Gerir-me melhor economicamente.
Acho sinceramente que sou uma pessoa poupada, que sabe organizar-se bem monetariamente, mas também consigo identificar perfeitamente as três vezes ao longo da vida em que me desnorteei com o dinheiro, em que a gestão não foi grande coisa, em que a cabeça não estava devidamente concentrada ou não havia condições para tal. E acho que em 2018 entrei (ou entrámos) numa fase dessas, por isso queria que em 2019 voltássemos a tomar devidamente as rédeas das nossas finanças.
Correu melhor que 2018, sem dúvida, mas sinto que em 2020 ainda posso melhorar.

7. Cozinhar pratos mais saudáveis.
Ando a sentir alguma necessidade de comer melhor, de aprender pratos novos e não fazer sempre os mesmos pratos e cometer sempre os mesmos erros.
Não, não sinto que tenha efectivamente cumprido este ponto.

8. Sair da gruta.
Sou um "bocadinho" anti-social, tenho as minhas pessoas e sinto que não preciso de acrescentar mais ninguém ao meu mundo. Mas agora a entrada da Mini-Tété na escola tem-me feito conhecer e contactar obrigatoriamente com outras pessoas e acho que devo realmente fazer o esforço de não me afastar.
O regresso ao mercado de trabalho afastou-me das pessoas que eu estava a começar a ver mas trouxe-me outras. Não são amigos, não são sequer visitas de casa mas permitem-me sociabilizar um bocadinho. 

9. Treinar o meu francês.
Que anda péssimo, ali pelas ruas da amargura, uma pessoa até tem vergonha de abrir a boca. Mas depois é "voluntária à força" nos jogos de sociedade semanais com os coleguinhas da Mini-Tété e é obrigada a falar não só com os adultos que ali estão como com as crianças ( e de modo a que estas me percebam e respeitem). E pronto, vai-se treinando assim, mesmo que depois tenha uma mãe simpática a perguntar-me se sou alemã dado o meu forte sotaque (e a minha aparência claramente pouco latina).
Esta é difícil avaliar. Por um lado, estando a trabalhar sou obrigada a falar francês com outros funcionários, leio mails todos os dias em francês e escrevo até alguns, pelo que posso dizer que vou treinando. Por outro lado, dado o estado de quase reclusão a que eu e o Jack estamos sujeitos no gabinete, sem mais ninguém, é óbvio que comunico com ele em português a maior parte do tempo.

10. Perder peso.
Este desejo tem lugar cativo na minha ordem de desejos todos os anos, paga as suas quotas a tempo e horas e é um desejo fofinho que me incomoda pouco durante o ano e que só aparece no fim para me relembrar que mais uma vez não o cumpri. Mas este ano dava mesmo jeito, até porque melhoraria uma pequena questão de saúde.
Mais uma moeda, mas uma voltinha. Posso dizer que "para o ano é que é!"?

11. Continuar a destralhar.
Nesta casa temos mais arrumação, mas ainda assim sinto que tenho coisas a mais (tipo roupas que já não uso há tantos anos que nem me lembro da última vez que a vesti) e desnecessárias. Ainda ontem fiz uma boa limpeza ao meu armário e tenho ali um monte de roupa para dar mas acho que brevemente ainda vou dar uma segunda volta. A verdade é que quando nos mudámos, fiz uma mala para 7 dias para não andar à procura de roupa em caixotes e outras malas, e tenho-me aguentado basicamente com essa mala (vou lavando e usando, claro), o que prova que não preciso claramente de tooooda a roupa que estava empacotada.
Está a ser um processo. Lento, demasiado lento, mas um processo. Acho que das minhas coisas até me vou desapegando mas a casa está saturada de coisas da Mini-Tété dos seus 4 anos de vida porque sei lá se um dia não decido ter um segundo filho e elas não me vão fazer falta. Acho que corro o sério risco de ser como a minha cunhada, já com os dois filhos maiores de idade, e ainda com os brinquedos de bebés deles guardados, a ocupar espaço. 

12. Saúde. Muita saúde.
Eu continuo a aguardar pacientemente que a Mini-Tété comece a trazer as maleitas escolares (é que não é que elas não andem por lá, a turma já esteve reduzida a metade à conta das gastroenterites, bronquites e maravilhas destas) mas a pequena lá vai passando ilesa. Estou convencida que quando se fartar, vão ser umas atrás das outras, e eu que me lixe a tentar gerir isso. Mas enquanto isso, muita saúde para ela, para nós, para a família e para todos.
Temos definitivamente sorte com a saúde da nossa pequenina. Tem imenso jeito para apanhar viroses de 3 dias que a põem com febre acima de 40°C que não desce nem com medicação mas depois fora isso continua alegremente a passar ao lado das maleitas escolares. Ainda antes do Natal várias crianças da turma apanharam o vírus mãos-pés-e-boca, uma das melhores amigas da Mini-Tété apanhou, a nossa vizinha também apanhou, e para já, não há sinal disso. Mas tem uma otite, pronto, que é para não se ficar a rir. O Jack também apanhou no início do ano uma infecção pulmonar para aprender que há coisas que não se curam sozinhas e que a sua querida mulher tinha toda a razão ao insistir com ele para ir ao médico. Mas fora isso, não houve problemas de maior nem cá por casa nem no resto da família.

Acho sinceramente que 2019 foi um ano de mudança, não tantas como as que queríamos, mas uma página foi virada. Falarei disto e dos meus desejos para 2020 num próximo post.

8.9.19

Sesta na escola - sim ou não?

Tracey Hocking

Andei irritada este Verão. A Mini-Tété iniciou a semana passada o segundo ano do ensino pré-escolar (jardim de infância) e a antiga directora da escola tinha-nos dito que já não haveria sesta e que esta seria substituída por um momento de repouso no qual as crianças pousariam a cabeça nos braços por cima das mesas. E eu fiquei chateada. A Mini-Tété ainda dormia a sesta na altura e eu não estava a ver o cenário a mudar nos dois meses seguintes pelo que a ideia de não haver sesta na escola estava a ficar-me atravessada. Comecei a pesquisar, li fóruns franceses, li a opinião de outras mães, li a opinião de educadoras e mais irritada ficava. Logo para começar porque a principal justificação que encontrava para a supressão da sesta era começar a habituar as crianças ao ritmo da escola primária, onde já não se faz sesta. Escola primária essa onde a Mini-Tété vai entrar daqui a 2 anos. Ora sendo que a crianças mudam imenso em dois e ainda haverá o próximo ano para fazer esta habituação, esta justificação parece-me simplesmente uma treta. Até porque com 3-4 anos ainda é normal que muitas crianças precisem de fazer a sesta por isso para quê estar a exigir que a deixem de fazer?

Comecei a perceber que dependia muito das escolas. Nalgumas a sesta é simplesmente trocada pelo momento de repouso em cima das mesas, noutras permitem que as crianças façam sesta até pelo menos fazerem 4 anos, noutras permitem que as crianças façam sesta até às primeiras férias (em Outubro), noutras permitem que a façam até às férias de Natal, noutras a sesta é feita na primeira semana, avaliam e a partir daí permitem que aqueles que não a fazem fiquem a brincar e aqueles que ainda adormecem possam ir descansar. E eu ficava irritada. Queria que a Mini-Tété fizesse a sesta, não a queria a dormir em cima de braços cruzados em cima de uma mesa, queria ter uma filha a gostar da escola e não a odiá-la por a deixar exausta (sendo que o ano passado, tanto a educadora como o ATL tinham sido unânimes em afirmar que os dias na escola - com sesta! - eram demasiado compridos e exigentes para a personalidade da Mini-Tété e que ela ficava extremamente cansada), queria uma filha capaz de conversar, brincar e jantar quando a fosse buscar e não um pequeno ser, cheio de sono, resmungão, birrento e a querer simplesmente ir para a cama. Oh, como este assunto me irritava.

Na última semana de férias começámos a preparar a Mini-Tété para a eventualidade de realmente não haver sesta na escola (a directora ia mudar, eu ainda tinha uma pequena esperança), reduzindo a mesma para apenas uma hora (e Deus sabe como era difícil acordá-la ao fim desse tempo) e eu começava a preparar-me para ter uma conversa com a educadora no final da primeira semana, de forma a que juntas chegássemos a entendimento, pretendendo explicar-lhe como ficava a Mini-Tété sem sesta e perguntar-lhe como é que aos 3-4 anos os objectivos escolares podem ser mais importantes que a sesta e consequente falta dela quando ainda é tão precisa. Eu sei, eu sei, que há crianças que com esta idade já não fazem sesta e por isso até posso concordar que em casos destes ou daqueles em que a criança já só faz sestas de 10 minutos, esta supressão faça sentido. Mas a verdade é que ainda há quem precise (até eu gosto de fazer uma sestinha de vez em quando...).

No primeiro dia, preparei-me para ir buscar uma Mini-Tété apática, sem paciência, resmungona e infeliz. Mas apareceu-me uma criança bem-disposta, a saltar e feliz. Pergunta imediata: "Fizeste a sesta?". "Sim!", "Na mesa?", "Não, mamã, nuns tapetes vermelhos!". Ufa, que peso que me saiu de cima. Faltava agora saber quanto tempo teria ela direito a isto. Na sexta, tivemos a reunião com a educadora que nos explicou que embora já não tivessem acesso ao dormitório, as crianças repousavam deitadas na sala ao som de música suave. Algumas poderiam dormir, outras não mas que surpreendentemente todas as crianças deste ano adormeciam (e como alguns pais ficaram espantados uma vez que em casa os filhos já não dormem). A medo perguntei até quando poderiam fazer a sesta. "Todo o ano! Se precisam de dormir, então dormem!". E eu venho mais leve, mais contente, menos irritada. Porque me chateia solenemente esta pressa de fazer as crianças crescerem e saltarem etapas, de não se respeitar o ritmo a que têm direito, de lhes mexer com algo tão básico como a necessidade de descansar. E por aí, o que pensam disto?

28.7.19

Adaptação à escola - dica

Quando comecei a trabalhar, houve quem me pedisse para depois contar como tinha sido a adaptação da Mini-Tété e eu prometi escrever aqui quando tivesse oportunidade.
Não foi, mais uma vez, uma adaptação fácil: a Mini-Tété estava com um horário bastante reduzido (12h semanais: 4 manhãs de 3 horas) e de repente, pumba, estava na escola todo o dia com ATL logo a seguir. Pior, como ficou logo doente e proibida de ir à escola, quando finalmente teve autorização para voltar estava em pleno período de férias e passou logo a ir todo o dia para o ATL, onde nunca tinha estado. Pobre Mini-Tété, tão avessa a mudanças e sempre a apanhar com elas assim em grande.
Portanto, a adaptação à escola que até estava a começar a correr bem, deu mil passos para atrás e numa terça-feira em que ela esteve a chorar 2h ao nosso colo depois de a termos ido buscar, percebi que ou fazia alguma coisa ou a minha pequenina não ia ultrapassar este sofrimento rapidamente.

Uma das coisas a fazer e que demorou o seu tempo foi explicar a nova rotina à Mini-Tété, explicar que eu ia sempre buscá-la à mesma hora (sendo que tendo 3 anos ela não sabe ver as horas por isso tinha de usar a rotina do ATL para lhe explicar em momento daquela rotina é que a ia buscar) e fazê-la ganhar a confiança de que eu iria mesmo sempre. Neste momento, já me posso dar ao "luxo" de às vezes poder chegar 15 minutos mais tarde sem que ela perceba, mas na altura fiz mesmo o esforço de todos os dias estar lá à mesma hora.  Demorou mas aos poucos a Mini-Tété percebeu mesmo que eu ia sempre buscá-la (o medo que ela tinha de passar a noite na escola era terrível) e se agora até já se permite a brincar sem estar preocupada, durante muito tempo dei com ela sentada no chão à porta do ATL à minha espera por saber que era mais ou menos naquela altura que eu deveria aparecer. Ai, coração de mãe apertadinho.

Outro truque que pus em marcha naquele dia e que teve logo efeito imediato foi desenhar um calendário semanal, onde em cada dia estava desenhado o que iria acontecer (se era dia de escola + ATL, se era apenas dia de ATL, se era fim-de-semana...) e coloquei-o na porta do frigorífico. Todos os dias de manhã, a Mini-Tété avançava um íman para o dia correcto e via o que iria acontecer nesse dia. Foi desta forma que percebeu que só havia um dia completo de ATL (o que ela menos gostava) por semana e que após 5 dias de escola vinha sempre o fim-de-semana em que passava o dia com os pais. Uso também para os dias de férias (em que vai ao ATL, ou vai para casa de uns avós, ou fica com outros, ou vai apanhar o avião...) e usarei sem dúvida no próximo ano lectivo. Fica a dica. :)




11.7.19

As mães só se queixam?

Volta e meia, surge nas caixas de comentários de alguns blogues (este inclusive) a conversa sobre se vale a pena ser mãe dado o cansaço e as queixas que existem. Surge sobretudo muitas vezes o argumento de que as mães só se queixam, só falam das noites mal dormidas, das crianças doentes, da desarrumação, de andarem cansadas, de não terem paciência, de lhes faltar tempo. Há até quem só conheça mães arrependidas da decisão que tomaram e que invejam a vida daqueles que sabiamente decidiram não ter filhos. Tive sempre alguma dificuldade em conseguir acreditar a 100% nestas histórias, não por achar pouco provável que uma mãe se queixe, mas por já não achar assim tão normal que todas as conversas sobre filhos sejam um rio de lamentos e arrependimentos.

Sempre achei que estava a ser dada demasiada importância às queixas das mães como se antes de sermos mães nunca nos queixássemos de nada e sem que isso significasse um arrependimento profundo das nossas decisões. Também tinha para mim que é daqueles assuntos que mais facilmente nos queixamos do que partilhamos o que há de bom (da mesma forma que acho mais provável uma amiga desabafar comigo várias vezes que o namorado ressona demasiado alto do que se sente ao meu lado todas as semanas e desfie todo um mar de elogios e nomes carinhosos que lhe chamou nos últimos anos).

Há uns dias, tive a confirmação disso mesmo quando ao chegar ao trabalho comentei com uma colega (sem filhos) o quão cansada estava porque a Mini-Tété tinha dado uma noite terrível. Levei como resposta "Meu Deus, tiveram mesmo azar, a vossa filha dorme mesmo mal!". Fiquei a pensar naquilo boqueaberta e sem perceber. A Mini-Tété é uma criança que sempre dormiu bem (adormece tarde mas depois é um sossego), fora uma ou outra fase (ou se está doente, como naquela noite), temos os dois perfeita noção disso e da sorte que temos, mas de alguma forma a pessoa com que trabalhamos tem uma ideia completamente oposta da realidade e uma vez que ela não conhece a Mini-Tété tivemos de ser nós a criar essa ideia. Não foi difícil perceber o porquê: nunca chegámos ao trabalho e comentámos a maravilhosa noite que a Mini-Tété nos deu, mesmo sendo estas noites uma larga maioria. Pelo contrário, só falamos das noites quando referimos que ela dormiu mal ou para, em brincadeira, contarmos as grandes conversas filosóficas que a Mini-Tété decide ter quando finalmente se deita (é a hora do dia em que decide que tem imensa coisa para partilhar e dizer ao mundo...). E acreditem que não foram muitas as vezes que nos queixámos mas dado a ausência de lado bom, a pequena amostra do lado mau levou a que se criasse uma ideia muito mais negativa que a realidade. E imagino que se isto foi assim para o sono, também o será para outros assuntos em que a nossa filha vem à baila. Porque se há histórias divertidas para contar ou pequenos episódios de terror para partilhar, a verdade é que simplesmente nunca embarquei em conversas em que apenas a elogiasse ou dissesse tudo o que de bom ela faz e nos traz (e não é por ser mãe, acho mesmo que há série de assuntos fora da maternidade onde fazemos exactamente  o mesmo. Eu só falo do meu carro se for para contar algo de chato que aconteceu - pneu furado, barulho esquisito, falta de gasolina - nunca começo uma conversa para elogiar o carro em que me desloco...).

É engraçado como tantas vezes se ouvem e lêem queixas sobre como muitas vezes só é partilhado o lado cor-de-rosa da maternidade (em blogues, entrevistas, vídeos no youtube) mas depois na prática temos o oposto e as consequências da partilha apenas do lado menos bom.








6.7.19

O primeiro ano de escola já acabou...

Cá estou eu novamente. :) O blogue anda completamente ao abandono, é uma pequena desgraça, penso nisto todos os dias mas para ser sincera, acabo por encolher os ombros pois sei que embora tenha muita coisa para escrever aqui, simplesmente não tenho tempo. Poderia dizer que quem quer mesmo arranja tempo e eu até concordo com isto, acho que quando queremos verdadeiramente algo poderemos conseguir mas temos na grande maioria das vezes de abdicar de outras coisas. E eu sei que para escrever aqui teria de abdicar de tempo com a Mini-Tété (não quero) ou de horas de sono (o que não me faz sentido). Por isso, é mesmo assumir que neste momento da minha vida não dá mesmo para escrever aqui com a regularidade que (tanto) gostaria e que uma dia poderei voltar em força. :)

A Mini-Tété acabou ontem o seu primeiro ano de (pré-)escola. Andei a sentir-me estranha todo o dia, talvez estivesse apenas cansada, talvez fosse do calor ou talvez fosse por não estar a conseguir processar a informação de que o ano tinha acabado, que já tem o seu primeiro ano de escolaridade feito, que conseguimos mesmo superar tudo isto. Não foi um ano nada fácil, nunca imaginei como iria ser difícil, como a personalidade da Mini-Tété iria dificultar tanto a sua integração, como um erro de comunicação logo no início condicionaria a adaptação e a arrastaria durante tantos meses. E houve uma mudança de casa pelo meio. E eu comecei a trabalhar. E a cada mudança, nova adaptação.

Gostei muito da escola, da educadora, das auxiliares. Todas as semanas recebia umas fotografias tiradas nessa semana com um pequeno texto descritivo sobre o que tinham andado a fazer e era giro mostrar à Mini-Tété e falar com ela sobre o que estava a fazer naquela fotografia ou na outra.
E estou ainda fascinada com tudo o que a Mini-Tété aprendeu este ano. A nível físico deu um salto enorme no desenvolvimento. É verdade que continua uma miúda calma e pouco dada a actividades físicas, muito cautelosa na maior parte dos passos que dá fora da sua zona de conforto, a própria educadora diz que nunca a viu correr e que acha que no fundo poucas serão as coisas que a motivarão a correr (tem razão, ahah. Mas nós já a vimos correr. Não corre muito nem muitas vezes, mas já corre :P) e que não adora as bicicletas a não ser que alguém pedale e ela vá sentada atrás sem fazer qualquer esforço (di-va, a minha filha é uma diva), mas nós já a vimos pedalar pela primeira vez um triciclo (esqueçam lá as bicicletas para já :P) quando fez 3 anos e meio. Também já sobe (trepa) melhor e acho-a mesmo mais desembaraçada. :)
Aprendeu a desenhar bonecos, casas, flores, corações, cruzes, bolas, o sol....Aprendeu a colorir, a fazer correspondências e sequências. Aprendeu a escrever o nome dela. E nós fizemos uma festa tão grande que acho que foi mesmo um momento de viragem naquela cabecinha e ela percebeu finalmente um dos propósitos da escola: aprender. O orgulho que sente ao aprender as letras trouxe-lhe finalmente o lado bom da escola e ajudou muito a ir para a escola mais contente. Também aprendeu a contar e a associar os números às quantidades. E músicas, tantas músicas que ela aprendeu este ano (e nós por acréscimo porque à força de ouvir cada uma 42486452 vezes não há quem não decore qualquer coisa).

De resto, a nossa pequenina é ainda um botão de flor a abrir devagarinho. Tanto a escola como o ATL são consensuais: os dias são demasiado longos para ela (Mini-Tété surpreendia tudo e todos com a velocidade a que adormecia na sesta...), muito cansativos e a energia das outras crianças é demasiada para ela. Para já, prefere o sossego de estar ao pé dos adultos, protegida das correrias, encontrões, brincadeiras e gritos dos colegas. Mas aos poucos está a mudar e a educadora acredita que para o ano já esteja mais habituada e tudo lhe faça menos confusão e cansaço. Não me admira, sei a criança que tenho em casa e divirto-me até a vê-la a brincar com outras crianças porque se alguma lhe diz "Anda, vamos correr", a Mini-Tété dá dois passos e diz alegremente "Olha, uma cadeira! Vamos sentar-nos!", ahahahaha. 

A nível da língua, está uma francesinha de primeira. Aprendeu muito rapidamente e tem orgulho em falar duas línguas. Se em casa é uma verdadeira tagarela, na escola é mais calada (sai tanto à mãe...) mas logo nos primeiros meses a educadora fez questão de me mostrar como ela já lhe respondia em francês sem problemas. Agora quem se lixa sou eu pois não percebo metade do que ela diz simplesmente porque não conheço as palavras. Li-xa-da!

Enquanto não trabalhei, ia todas as semanas fazer jogos de grupo à escola. Não adoooorei a actividade porque se para a minha filha tenho a maior das paciências, o mesmo não se pode dizer quanto às crianças dos outros. Sobretudo porque com o meu parco francês e sendo a grande maioria dos jogos com o objectivo de estimular o vocabulário das crianças, eu às vezes via-me e desejava-me para ser bem sucedida. Por outro lado, deu-me a oportunidade de estar mais por dentro da escola, observar a dinâmica da mesma, ver os coleguinhas da Mini-Tété, ver como se relacionavam, conhecê-los melhor, conhecer algumas mães e conversar mais facilmente com a educadora.

É mesmo incrível como é que este ano passou assim tão depressa, como é que tanta coisa aconteceu, como é que tanta coisa mudou. Não foi um ano fácil mas gosto mesmo de ter a Mini-Tété naquela escola e só espero que ela tenha tanta sorte com a próxima educadora como teve com esta. :)

21.5.19

Estou curiosa! :D

Mini-Tété vai sair amanhã pela primeira vez com a escola de autocarro. Não vão longe, o destino é a cerca de 15 minutos da nossa aldeia, por isso o meu coração de mãe não está em grandes apertos. Na verdade estou é curiosa porque a saída é um "encontro desportivo" entre vários ATLs e digamos que Mini-Tété e actividades desportivas na mesma frase só me dão vontade de sorrir. :D Bastava verem o franzir de nariz que a minha filha fez quando lhe disse que amanhã tem de levar sapatilhas porque vai andar a correr para perceberem porque me rio (e o problema não está em usar sapatilhas, que isso ela adora! :P). Mas espero que goste e que se divirta. :D