9.2.19

Ausência (mas será curta, espero!)


A vida deu uma volta de 180°C esta semana, a Mini-Tété decidiu ficar doente e faltar toda a semana à escola, eu e o Jack também andamos com umas viroses quaisquer e eu ainda estou um bocado azamboada (quem conhece a expressão? :D ) com tudo isto, à procura de novas rotinas, logísticas e calma. Ando um bocadinho desaparecida daqui mas eu volto, prometo!  

1.2.19

Não sei qual de nós dois é o pior.

Na quarta-feira, o Jack diz-me:
- Tens de ir às compras amanhã!
- Porquê? (perguntei eu enquanto lhe deitava um olhar assassino porque já tinha dito 5548562 vezes que não ia às compras esta semana por causa da neve e do gelo e era o que faltava sair de casa nestas condições com o carro. Até podia ter acabado o papel higiénico que eu nem queria saber!)
- Porque na sexta-feira a Nutella vai aumentar de preço.

Sou uma fraca.



28.1.19

Preciso de dicas!

A Mini-Tété herdou o meu cabelo fininho, com uma enorme tendência a fazer nós. Pior, para sofrer mais do que eu sofri na infância (ao ponto da minha mãe ter inventado que havia uns duendes que tinham como trabalho dar-me nós no cabelo durante a noite, coitadinhos, não tinham culpa, era a vida...), a pequena tem caracóis, enquanto que eu na altura tinha o cabelo liso (e sabe-se lá como agora é a selva que é, cheio de jeitos, caracóis e ondas).
E isto é uma treeeeta. Eu adoro os caracóis da pequena, gosto mesmo, mas o berreiro que é desembaraçar aquele cabelo é de partir o coração a qualquer um e quase que dá vontade de atirar a toalha (ou a escova, neste caso) ao chão e desistir. Mas não pode ser porque se uma pessoa desiste, horas depois ainda está pior. E a pequena não é fiteira, até colabora e deixa ser penteada mas uma pessoa mal põe a escova, esta fica logo lá presa sozinha sem mexer um centímetro e percebe-se então que vai ser impossível desembaraçar aquele cabelo sem parecer uma tortura.
Por isso, preciso de dicas.
A escova que uso é uma Tangle Teezer, porque descobri que é aquela que nos desembaraça melhor o cabelo com menos dor. Ponho-lhe um spray desembaraçante mas aquilo não faz milagres. Já cheguei a pôr-lhe o meu óleo de cabelo (que me ajuda muito nos nós) mas também não faz com que penteá-la não pareça uma sessão de tortura. Ponho-lhe condicionador ou máscara nas pontas e tento desembaraçar no banho mas mesmo assim parece que nada desfaz aquele ninho de ratos sem provocar dor.
Portanto, malta com caracóis, cabelo fino ou com grande tendência a fazer nós, dêem-me dicas!

27.1.19

Olá 2019

Eu sei, eu sei, também acho estranho estar só agora a pensar nos desejos de 2019 estando já o primeiro mês a acabar, mas também Janeiro é um mês que passa tããããooo devagar que quando finalmente chegarmos a dia 31, este post vai-vos parecer ter sido lido há semanas.
Ora vamos lá então à lista de 12 desejos sem qualquer ordem de importância:

1. Recuperar elasticidade/flexibilidade.
É terrível dizer isto aos 34 anos mas nos últimos anos senti uma clara falta de flexibilidade, coisa que no último ano começou realmente a incomodar-me. Em coisas absolutamente simples, como estar no carro e rodar o pescoço e o tronco para ver pelo vidro traseiro e sentir uma certa tensão, como se estivesse perra. Ou esticar-me para alcançar qualquer coisa e sentir que os músculos não esticam tanto como esticavam. Por isso, a ver se faço alguns exercícios ao longo do ano, com calma, para alongar estes músculos e voltar a sentir-me melhor.

2. "Acabar" a casa.
Escrevo assim "acabar" entre aspas porque há planos para esta casa que não serão feitos este ano, sobretudo na parte exterior. Mas gostava de ter o interior feito e acabado quando chegasse ao fim deste ano. 

3. Apostar no lado profissional.
É preciso dar este passo, ainda não sei muito bem o quê porque os meus objectivos mudaram desde que vim para França, mas está na altura de descobrir.

4. Mini-Tété de volta ao horário escolar completo.
Agora que finalmente deixou de ver a escola como um bicho-papão, que entra de mão dada com uma amiguinha, que sai feliz, gostava de voltar a aumentar o horário. Preciso de tempo para mim, para os meus objectivos, para ser a Tété que não é apenas mãe. E para conseguir concretizar o ponto 3, preciso de facto que a Mini-Tété passe mais tempo na escola do que as 12h semanais que passa neste momento. E para que depois não haja uma mudança brusca, o melhor será aumentar aos poucos.

5. Ver mais filmes e séries.
Preciso de me sentar no sofá com o Jack, depois do jantar, com a Mini-Tété a dormir, e vermos filmes e séries, como tanto gostamos e como temos feito tão pouco.

6. Gerir-me melhor economicamente.
Acho sinceramente que sou uma pessoa poupada, que sabe organizar-se bem monetariamente, mas também consigo identificar perfeitamente as três vezes ao longo da vida em que me desnorteei com o dinheiro, em que a gestão não foi grande coisa, em que a cabeça não estava devidamente concentrada ou não havia condições para tal. E acho que em 2018 entrei (ou entrámos) numa fase dessas, por isso queria que em 2019 voltássemos a tomar devidamente as rédeas das nossas finanças.

7. Cozinhar pratos mais saudáveis.
Ando a sentir alguma necessidade de comer melhor, de aprender pratos novos e não fazer sempre os mesmos pratos e cometer sempre os mesmos erros.

8. Sair da gruta.
Sou um "bocadinho" anti-social, tenho as minhas pessoas e sinto que não preciso de acrescentar mais ninguém ao meu mundo. Mas agora a entrada da Mini-Tété na escola tem-me feito conhecer e contactar obrigatoriamente com outras pessoas e acho que devo realmente fazer o esforço de não me afastar.

9. Treinar o meu francês.
Que anda péssimo, ali pelas ruas da amargura, uma pessoa até tem vergonha de abrir a boca. Mas depois é "voluntária à força" nos jogos de sociedade semanais com os coleguinhas da Mini-Tété e é obrigada a falar não só com os adultos que ali estão como com as crianças ( e de modo a que estas me percebam e respeitem). E pronto, vai-se treinando assim, mesmo que depois tenha uma mãe simpática a perguntar-me se sou alemã dado o meu forte sotaque (e a minha aparência claramente pouco latina).

10. Perder peso.
Este desejo tem lugar cativo na minha ordem de desejos todos os anos, paga as suas quotas a tempo e horas e é um desejo fofinho que me incomoda pouco durante o ano e que só aparece no fim para me relembrar que mais uma vez não o cumpri. Mas este ano dava mesmo jeito, até porque melhoraria uma pequena questão de saúde.

11. Continuar a destralhar.
Nesta casa temos mais arrumação, mas ainda assim sinto que tenho coisas a mais (tipo roupas que já não uso há tantos anos que nem me lembro da última vez que a vesti) e desnecessárias. Ainda ontem fiz uma boa limpeza ao meu armário e tenho ali um monte de roupa para dar mas acho que brevemente ainda vou dar uma segunda volta. A verdade é que quando nos mudámos, fiz uma mala para 7 dias para não andar à procura de roupa em caixotes e outras malas, e tenho-me aguentado basicamente com essa mala (vou lavando e usando, claro), o que prova que não preciso claramente de tooooda a roupa que estava empacotada.

12. Saúde. Muita saúde.
Eu continuo a aguardar pacientemente que a Mini-Tété comece a trazer as maleitas escolares (é que não é que elas não andem por lá, a turma já esteve reduzida a metade à conta das gastroenterites, bronquites e maravilhas destas) mas a pequena lá vai passando ilesa. Estou convencida que quando se fartar, vão ser umas atrás das outras, e eu que me lixe a tentar gerir isso. Mas enquanto isso, muita saúde para ela, para nós, para a família e para todos.


26.1.19

Adeuzinho (atrasado), 2018!

Eu sei que vocês já estão todos em 2019, que 2018 já lá vai, que já mal se lembram dele, que até parece que já se passaram meses, mas com a mudança de casa não tive hipótese de fechar aqui o meu 2018 e escrever os meus objectivos para 2019, que é coisa que eu gosto sempre de fazer e que me anda aqui entalada desde dia 1 de Janeiro. Ora portanto, vamos lá rever o ano de 2018:

Pessoalmente, achei que foi o ano mais rápido de sempre. Não digo que uma vez por outra não tenha já tido esta sensação mas acho que nunca como este ano. O tempo passou tão depressa que dei por mim em Junho a pensar "Ai, tenho de tratar de coisas para o baptizado da Mini-Tété". Que tinha já ocorrido no mês anterior. Em Maio, portanto. E foi aí que percebi que metade do ano já lá ia, que tinha passado tudo tão correr que eu não tinha conseguido absorver nada do que estava a acontecer. Achei que a segunda metade do ano ia ser mais lenta até que dei por mim em Novembro sem saber muito bem como é que tinha chegado ali. Puf, fugiu-me assim um ano inteiro entre os dedos e eu não sei bem como.
Foi também um ano importante: o meu último ano como mãe-a-tempo-inteiro-com-a-criança-em-casa-a-tempo-inteiro; foi o ano em que baptizei a Mini-Tété no mesmo mosteiro onde eu fui baptizada e onde casei, uma cerimónia simples seguida de um almoço simples para a família mais próxima, tal como eu queria; foi o ano em que a Mini-Tété entrou na escola, com uma adaptação complicada que levou a uma redução de horário escolar e que este ano pretendo aos poucos que volte ao normal; foi um ano de mudança laboral para o Jack; foi um ano de 2154852 atrasos na nossa casa e a minha pequenina fez 3 anos.

Quanto à lista dos meus desejos para 2108 (podem lê-la aqui), vamos lá ver como me saí.

1. Mudar de Casa 
Ahahahahahah. Pois, já cá estamos mas a mudança foi mesmo em 2019.

2. Baptizar a Mini-Tété
Feitinho e bem feitinho, sim senhor. Foi um dia muito agradável, a pequenita odiou terem-lhe molhado a cabeça e ainda fala disso quando olha para o mosteiro, e mais uma vez foi óptimo ter a família reunida.

3. Mini-Tété vai entrar na escola.
Entrou de facto, não houve problemas a esse nível. 

4. Que ela goste da escola.
Nhé. Quer dizer, agora já posso dizer que gosta, mas ao início não gostou. Odiou mesmo. Não ajudou nada ter começado com o horário completo em vez de reduzido como eu queria, mas teve sorte com a educadora que tem e acho mesmo que houve verdadeiro interesse em fazê-la gostar de lá estar.

5. Perder peso.
Não vamos falar disto. Uma pessoa tem direito a estar em negação.

6. Destralhar.
Bom, não destralhei taaaaanto quanto queria, até porque como empacotámos tudo em poucos dias, não houve propriamente tempo para analisar calmamente os pertences, mas agora que vou tirando das caixas e arrumando algumas coisas, continuo a destralhar. Mas vá, o processo começou em 2018 por isso acho que se pode dizer que consegui.

7. Arranjar emprego.
A Mini-Tété lixou-me este plano ao ter reduzido o horário escolar para uma melhor adaptação. Admito que me custou adiar mais uma vez esta procura mas também sei que saber que estava disponível nesta fase da minha filha compensa tudo o resto.

8. Fazer mais saídas a dois.
Bahhhh, teria sido giro se não houvesse a construção de uma casa a roubar todos os bocadinhos de tempos livres.

9. Que tenhamos todos saúde.
Ora foi um bom ano, sim senhora. Os velhinhos da família andam a portar-se bem e a Mini-Tété surpreendeu-me. Depois de praticamente 3 anos a viver comigo, estava convencidíssima que ao chegar à escola seria uma verdadeira esponja de todas as doenças que por ali circulassem. Afinal, fora as viroses que sempre foi tendo desde que nasceu (muito à base de nariz entupidos e tosse que passam com o tempo), ainda não trouxe nada de novo. Nem otites, nem amigdalites, nem gastroenterites, nem bronquiolites, niente (deixem-me cá bater na madeira). Teve ali em Abril uma infecção urinária que a levou a ficar internada e a tomar antibiótico pela primeira vez mas foi tranquilo e resolveu-se.

10. Aproveitar bem este último ano em casa.
Quis aproveitar ao máximo o último ano da Mini-Tété em casa e acho que consegui. Continuo a achar que não nasci para ser mãe a tempo inteiro mas também sei que se era esse o meu papel, então tinha de fazer o melhor que podia e aproveitar o melhor que podia, também porque o tempo não volta atrás e a Mini-Tété não volta a ter esta idade.

11. Aprender a fazer novos pratos.
Nhé. Ou pelo menos não tanto como gostaria.

12. Focar-me.
Não. De todo. Continuo a sentir-me perdida. Talvez porque precise de ordem para me focar e ainda há uma série de coisas à minha volta que não estão como deviam.

Cinco concretizados contra sete não concretizados. Ainda assim, sinto que foi um bom ano, talvez porque algumas das coisas que concretizei fossem mais importantes do que outras não concretizadas. E talvez porque, mesmo tendo havido chatices e tristezas ao longo do ano, ele acabou bem, com alguns dos problemas resolvidos e isso faz com que sinta alguma paz em relação a este ano tão apressado. 

23.1.19

Não me volto a meter numa destas!

O dia até tinha começado a correr bem e enquanto a Mini-Tété estava na escola, reparei que estava a começar a nevar. Fiquei contente porque a pequenina andava cheia de vontade de ver neve e desejei que ainda nevasse quando a fosse buscar para podermos apreciar juntas esse fenómeno. Mas eu já devia saber, quantas vezes é que eu já aqui escrevi que o São Pedro não gosta de mim, quantas, quantas? Se peço sol, manda chuva, se penduro a roupa, chove no minuto seguinte, se peço um pouco de neve, manda-me uma tempestade dela. Não o suporto.
Saí de casa, contentinha da minha vida, a ver a neve e a pensar que a Mini-Tété devia estar a delirar, e mal entro na estrada, o carro foge do meu controlo e vai de descer rua abaixo aos S, comigo completamente em pânico, a pensar que só poderia acontecer uma de três coisas: ou me enterrava numa valeta, ou me espetava contra uma árvore ou entrava a direito pelo campo de vacas que existe ao fundo da rua e ainda acabava com uma sentada no banco do passageiro. Sem saber muito bem como, não aconteceu nada disto e ao fim de umas centenas de metros sempre a deslizar lá controlei minimamente o carro e fui buscar a Mini-Tété. Claro que cheguei à escola num estado de nervos que nem vos conto, ao telefone com o Jack a tentar saber o que fazer da minha vida porque voltar pela mesma estrada seria um suicídio certo. Apanho a miúda e num momento claro de loucura decido apanhar outra estrada, contornando e esquivando-me de carros bloqueados e que deslizavam estrada fora. E o que é que aconteceu, o que foi, o que foi? Pois, o meu carro bloqueou também. Mas não bloqueou num sítio qualquer, não, isso teria sido simples, bloqueou atravessado numa curva apertada numa estrada bem inclinada sem qualquer visibilidade para os carros que desciam. Não vale a pena esconder que aqui os meus nervos já estavam tão picadinhos que duvido que algum dia se restabeleçam e que quase entrei em histeria quando de repente um camião enorme surge a descer na curva. Isto com o Jack sempre em alta voz, coitado, a tentar dar indicações às cegas à mulher que não foi propriamente abençoada com um grande jeito ao volante em situações extremas. Oh, e como nevava, raios partam o São Pedro!
Lá consegui fazer inversão de marcha e fui estacionar o carro na terra da escola da Mini-Tété, que é uma terra pequena sem grandes serviços. Procurei o café/restaurante para poder dar comida à Mini-Tété mas a cozinheira tinha ido embora com a neve e não tinham mais nada para servir, nem pão. Encontrei a padaria e tive a sorte de comprar a última baguette. Vi passar o limpa-neves duas vezes mas a estrada voltava a ficar coberta ao fim de uns minutos pelo que voltar a pegar no carro estava fora de questão. Esperar no carro que a neve acalmasse não me seduzia porque não estava previsto que a neve abrandasse e passar horas num carro com uma miúda de 3 anos, sem ter a certeza que conseguiria regressar a casa a conduzir ou que o Jack conseguisse chegar até mim não me estava a convencer. Por isso, peguei na mochila com uma muda de roupa da Mini-Tété, no resto do pão, uma manta e expliquei à Mini-Tété que teríamos de ir a pé para casa. E foi aqui que a minha pequenina, corajosa até então, quebrou. A fome, o frio, o sono e o cansaço de andarmos na neve de um lado para o outro foram demais para ela e só eu sei o que me custou fazer os poucos quilómetros no meio da neve, com os óculos sempre molhados, com ela ao colo a cantar-lhe músicas, a tentar distraí-la e a prometer que hoje veria os desenhos animados todos que quisesse e comeria todo o pão com nutella que quisesse (e foi realmente o almoço dela que isto um dia não são dias), a gerir o cansaço das duas, o medo que ela estava a sentir e o meu receio que algum carro deslizasse para cima de nós ou que escorregássemos e nos magoássemos. A certa altura, parou uma senhora ao pé de nós que me perguntou se queríamos boleia e eu nem pensei duas vezes. Eu, que sou a stressadinha com a segurança da Mini-Tété dentro do carro, atirei com a miúda para dentro do carro de uma desconhecida, sem cinto de segurança, sem cadeira, nada. Infelizmente, dado o estado da estrada, a boleia só durou uns metros mas ajudou a descansar um pouco.
Eu sei que para quem vive em terras onde neva todos os anos, deve estar mais do que habituado a estas coisas e tudo isto deve parecer quase corriqueiro (estou aqui a pensar numa amiga que vive na Guarda, por exemplo), mas eu não fui feita para isto e tenho mesmo a certeza que se estivesse sozinha não teria sido tão difícil como foi por ter a minha pequenina comigo. Isto de sermos mães tem muitas coisas boas, mas durante aquelas duas horas que passaram até chegarmos a casa (geralmente demoramos 5-10 minutos de carro), com o carro a patinar, bloqueado, procurar comida para ela e depois a viagem a pé, acho que o meu coração parou com medo de um acidente que a magoasse.
Enfim, primeiro dia de neve do ano e eu já não a posso ver à frente. E não me voltam a apanhar numa destas porque a partir de agora mal veja um flocozinho de neve que seja, envio logo um e-mail à escola a dizer que não estão reunidas as condições necessários para levar a Mini-Tété. Até podem fazer 30°C logo a seguir, com um sol maravilhoso, que a mim ninguém me arranca de casa.
A única parte boa de tudo isto (para além de chegarmos vivas a casa e com as duas perninhas inteiras) é que ainda tirei umas fotografias.


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16.1.19

Ponto da situação

Caos. É a palavra que melhor define os meus dias neste momento. E a minha casa. Isto de fazer mudanças com uma criança de 3 anos para uma casa que ainda está em obras é de deixar qualquer um de cabelos em pé porque basicamente agora vivemos no meio de caixotes, caixotes esses com coisas que eu não arrumo porque os móveis ainda não estão montados ou porque ainda vão andar a passear-se graças às obras e quanto mais leves melhores. E há pó por todo o lado. E uma criança a adaptar-se ao quarto novo, eu a adaptar-me a uma casa com escadas (coisa que nunca quis), ela com metade dos brinquedos ainda por arrumar, eu às aranhas na cozinha que foi arrumada por outros e não por mim, e os três ainda a adaptarmo-nos aos novos horários e rotinas. E andamos assim numa mistura de contentes e confusos.

A Mini-Tété regressou à escola sem chorar, o que é uma vitória das grandes. Vá, um beicinho ou outro e um choro no primeiro dia depois da minha sessão de jogos de sociedade na turma dela. Este fim-de-semana teremos o George cá em casa, que é a mascote de peluche da escola dela e que traz uma mala e um diário, e a quem é suposto ensinarmos a fazer qualquer coisa, tirar fotografias e descrever o fim-de-semana. Ora o George já aprendeu a andar de bicicleta, a fazer biscoitos, a saltar no trampolim...Uma vida de luxo para um cão de peluche, é o que é. Nós ainda estamos a ponderar o que fazer mas se calhar o George vai aprender palavras em português que é um mimo. 

Dia 4 a nossa máquina de lavar a louça avariou. À noite, o Jack pediu-me para procurar a factura para ver se ainda estávamos na garantia. Adivinhem quando é que a garantia acabava, adivinhem? Dia 4, pois claro. Tivemos sorte porque a factura tinha sido carimbada  em como foi entregue dia 11 e a loja cobria a garantia até 2 anos após a entrega. Máquina arranjada.

A Mini-Tété está a puxar por nós e nós estamos naquele limbo entre pô-la na linha e compreender que foram muitas mudanças em pouco tempo: esteve em Portugal com a atenção dos avós e bisavós o tempo todo, regressou a França onde o pai regressou logo ao trabalho e a mãe andou ocupada a embalar a casa toda, mudança de casa e logo a seguir entrada na escola, um quarto novo, novas rotinas, a somar ao estado da casa e ao ar confuso dos pais. A minha pequenina ainda usava chupeta para adormecer e quando comprámos a última avisámos que era mesmo a última. E fomos avisando e avisando até que a chupeta rasgou dias antes da mudança. Fomos coerentes e não comprámos mais nenhuma mas calhou realmente numa altura péssima. 

E é isto. Estou desejosa de mostrar mais pormenores desta casa mas só depois de algumas obras estarem feitas, móveis no sítio e caixotes arrumados. 


10.1.19

14 anos

A brincar, a brincar, vai-se a ver e já passaram 14 anos desde que naquela tarde ele me disse, numa tentativa falhada de me tranquilizar de que não apressaria nada, que "Não te preocupes, não te vou pedir em namoro para já". Devo ter ficado de todas as cores, era o que me faltava estar metida numa amizade colorida. Ou aquilo era a sério ou então não queria brincar mais. Por isso pouco depois, no mesmo sítio onde viria a ser pedida em casamento 9 anos mais tarde, perguntei-lhe se queria namorar comigo, a rir-me com os nervos. Bom, a rir-me de tal maneira que ele quis confirmar que eu estava mesmo a falar a sério. 

Eu não sei muito bem como é que já passaram 14 anos. Como é que nestes 14 anos conseguimos enfiar um namoro de 10 anos e um casamento de 4 anos, alguns anos a viver em cidades diferentes, um ano a viver na mesma cidade, um ano comigo a viver em França e ele em Portugal para depois trocarmos e ele passar 3 anos em França e eu em Portugal, um casamento, uma gravidez, uma filha e a construção desta casa. Este ano, este aniversário sabe-me ainda melhor por estarmos aqui, no meio do caos que uma mudança recente de casa traz, sobretudo para uma casa ainda em obras, mas que é uma casa pela qual tanto lutámos nos últimos anos. Dizem que as duas coisas que mais abalam um casal é ter um filho e construir uma casa, e nós decidimos meter-nos a fazer ambas as coisas ao mesmo tempo, num claro momento de loucura. É sem brincar que digo que esta casa foi feita "a sangue, suor e lágrimas" e que ainda hoje comentava com o Jack como é bom estar aqui com ele, a festejar este aniversário de namoro, porque houve momentos neste processo de construção em que abanámos de tal maneira que por momentos temi que não chegássemos aqui. Mas chegámos, como chegaremos sempre, a qualquer lado. Porque há 14 anos eu sabia que queria aquele rapaz só para mim e hoje continuo com a mesma certeza que quero que ele continue comigo nesta aventura que é a vida. E de mão dada. Sempre.