8.9.19

Sesta na escola - sim ou não?

Tracey Hocking

Andei irritada este Verão. A Mini-Tété iniciou a semana passada o segundo ano do ensino pré-escolar (jardim de infância) e a antiga directora da escola tinha-nos dito que já não haveria sesta e que esta seria substituída por um momento de repouso no qual as crianças pousariam a cabeça nos braços por cima das mesas. E eu fiquei chateada. A Mini-Tété ainda dormia a sesta na altura e eu não estava a ver o cenário a mudar nos dois meses seguintes pelo que a ideia de não haver sesta na escola estava a ficar-me atravessada. Comecei a pesquisar, li fóruns franceses, li a opinião de outras mães, li a opinião de educadoras e mais irritada ficava. Logo para começar porque a principal justificação que encontrava para a supressão da sesta era começar a habituar as crianças ao ritmo da escola primária, onde já não se faz sesta. Escola primária essa onde a Mini-Tété vai entrar daqui a 2 anos. Ora sendo que a crianças mudam imenso em dois e ainda haverá o próximo ano para fazer esta habituação, esta justificação parece-me simplesmente uma treta. Até porque com 3-4 anos ainda é normal que muitas crianças precisem de fazer a sesta por isso para quê estar a exigir que a deixem de fazer?

Comecei a perceber que dependia muito das escolas. Nalgumas a sesta é simplesmente trocada pelo momento de repouso em cima das mesas, noutras permitem que as crianças façam sesta até pelo menos fazerem 4 anos, noutras permitem que as crianças façam sesta até às primeiras férias (em Outubro), noutras permitem que a façam até às férias de Natal, noutras a sesta é feita na primeira semana, avaliam e a partir daí permitem que aqueles que não a fazem fiquem a brincar e aqueles que ainda adormecem possam ir descansar. E eu ficava irritada. Queria que a Mini-Tété fizesse a sesta, não a queria a dormir em cima de braços cruzados em cima de uma mesa, queria ter uma filha a gostar da escola e não a odiá-la por a deixar exausta (sendo que o ano passado, tanto a educadora como o ATL tinham sido unânimes em afirmar que os dias na escola - com sesta! - eram demasiado compridos e exigentes para a personalidade da Mini-Tété e que ela ficava extremamente cansada), queria uma filha capaz de conversar, brincar e jantar quando a fosse buscar e não um pequeno ser, cheio de sono, resmungão, birrento e a querer simplesmente ir para a cama. Oh, como este assunto me irritava.

Na última semana de férias começámos a preparar a Mini-Tété para a eventualidade de realmente não haver sesta na escola (a directora ia mudar, eu ainda tinha uma pequena esperança), reduzindo a mesma para apenas uma hora (e Deus sabe como era difícil acordá-la ao fim desse tempo) e eu começava a preparar-me para ter uma conversa com a educadora no final da primeira semana, de forma a que juntas chegássemos a entendimento, pretendendo explicar-lhe como ficava a Mini-Tété sem sesta e perguntar-lhe como é que aos 3-4 anos os objectivos escolares podem ser mais importantes que a sesta e consequente falta dela quando ainda é tão precisa. Eu sei, eu sei, que há crianças que com esta idade já não fazem sesta e por isso até posso concordar que em casos destes ou daqueles em que a criança já só faz sestas de 10 minutos, esta supressão faça sentido. Mas a verdade é que ainda há quem precise (até eu gosto de fazer uma sestinha de vez em quando...).

No primeiro dia, preparei-me para ir buscar uma Mini-Tété apática, sem paciência, resmungona e infeliz. Mas apareceu-me uma criança bem-disposta, a saltar e feliz. Pergunta imediata: "Fizeste a sesta?". "Sim!", "Na mesa?", "Não, mamã, nuns tapetes vermelhos!". Ufa, que peso que me saiu de cima. Faltava agora saber quanto tempo teria ela direito a isto. Na sexta, tivemos a reunião com a educadora que nos explicou que embora já não tivessem acesso ao dormitório, as crianças repousavam deitadas na sala ao som de música suave. Algumas poderiam dormir, outras não mas que surpreendentemente todas as crianças deste ano adormeciam (e como alguns pais ficaram espantados uma vez que em casa os filhos já não dormem). A medo perguntei até quando poderiam fazer a sesta. "Todo o ano! Se precisam de dormir, então dormem!". E eu venho mais leve, mais contente, menos irritada. Porque me chateia solenemente esta pressa de fazer as crianças crescerem e saltarem etapas, de não se respeitar o ritmo a que têm direito, de lhes mexer com algo tão básico como a necessidade de descansar. E por aí, o que pensam disto?

28.7.19

Adaptação à escola - dica

Quando comecei a trabalhar, houve quem me pedisse para depois contar como tinha sido a adaptação da Mini-Tété e eu prometi escrever aqui quando tivesse oportunidade.
Não foi, mais uma vez, uma adaptação fácil: a Mini-Tété estava com um horário bastante reduzido (12h semanais: 4 manhãs de 3 horas) e de repente, pumba, estava na escola todo o dia com ATL logo a seguir. Pior, como ficou logo doente e proibida de ir à escola, quando finalmente teve autorização para voltar estava em pleno período de férias e passou logo a ir todo o dia para o ATL, onde nunca tinha estado. Pobre Mini-Tété, tão avessa a mudanças e sempre a apanhar com elas assim em grande.
Portanto, a adaptação à escola que até estava a começar a correr bem, deu mil passos para atrás e numa terça-feira em que ela esteve a chorar 2h ao nosso colo depois de a termos ido buscar, percebi que ou fazia alguma coisa ou a minha pequenina não ia ultrapassar este sofrimento rapidamente.

Uma das coisas a fazer e que demorou o seu tempo foi explicar a nova rotina à Mini-Tété, explicar que eu ia sempre buscá-la à mesma hora (sendo que tendo 3 anos ela não sabe ver as horas por isso tinha de usar a rotina do ATL para lhe explicar em momento daquela rotina é que a ia buscar) e fazê-la ganhar a confiança de que eu iria mesmo sempre. Neste momento, já me posso dar ao "luxo" de às vezes poder chegar 15 minutos mais tarde sem que ela perceba, mas na altura fiz mesmo o esforço de todos os dias estar lá à mesma hora.  Demorou mas aos poucos a Mini-Tété percebeu mesmo que eu ia sempre buscá-la (o medo que ela tinha de passar a noite na escola era terrível) e se agora até já se permite a brincar sem estar preocupada, durante muito tempo dei com ela sentada no chão à porta do ATL à minha espera por saber que era mais ou menos naquela altura que eu deveria aparecer. Ai, coração de mãe apertadinho.

Outro truque que pus em marcha naquele dia e que teve logo efeito imediato foi desenhar um calendário semanal, onde em cada dia estava desenhado o que iria acontecer (se era dia de escola + ATL, se era apenas dia de ATL, se era fim-de-semana...) e coloquei-o na porta do frigorífico. Todos os dias de manhã, a Mini-Tété avançava um íman para o dia correcto e via o que iria acontecer nesse dia. Foi desta forma que percebeu que só havia um dia completo de ATL (o que ela menos gostava) por semana e que após 5 dias de escola vinha sempre o fim-de-semana em que passava o dia com os pais. Uso também para os dias de férias (em que vai ao ATL, ou vai para casa de uns avós, ou fica com outros, ou vai apanhar o avião...) e usarei sem dúvida no próximo ano lectivo. Fica a dica. :)




11.7.19

As mães só se queixam?

Volta e meia, surge nas caixas de comentários de alguns blogues (este inclusive) a conversa sobre se vale a pena ser mãe dado o cansaço e as queixas que existem. Surge sobretudo muitas vezes o argumento de que as mães só se queixam, só falam das noites mal dormidas, das crianças doentes, da desarrumação, de andarem cansadas, de não terem paciência, de lhes faltar tempo. Há até quem só conheça mães arrependidas da decisão que tomaram e que invejam a vida daqueles que sabiamente decidiram não ter filhos. Tive sempre alguma dificuldade em conseguir acreditar a 100% nestas histórias, não por achar pouco provável que uma mãe se queixe, mas por já não achar assim tão normal que todas as conversas sobre filhos sejam um rio de lamentos e arrependimentos.

Sempre achei que estava a ser dada demasiada importância às queixas das mães como se antes de sermos mães nunca nos queixássemos de nada e sem que isso significasse um arrependimento profundo das nossas decisões. Também tinha para mim que é daqueles assuntos que mais facilmente nos queixamos do que partilhamos o que há de bom (da mesma forma que acho mais provável uma amiga desabafar comigo várias vezes que o namorado ressona demasiado alto do que se sente ao meu lado todas as semanas e desfie todo um mar de elogios e nomes carinhosos que lhe chamou nos últimos anos).

Há uns dias, tive a confirmação disso mesmo quando ao chegar ao trabalho comentei com uma colega (sem filhos) o quão cansada estava porque a Mini-Tété tinha dado uma noite terrível. Levei como resposta "Meu Deus, tiveram mesmo azar, a vossa filha dorme mesmo mal!". Fiquei a pensar naquilo boqueaberta e sem perceber. A Mini-Tété é uma criança que sempre dormiu bem (adormece tarde mas depois é um sossego), fora uma ou outra fase (ou se está doente, como naquela noite), temos os dois perfeita noção disso e da sorte que temos, mas de alguma forma a pessoa com que trabalhamos tem uma ideia completamente oposta da realidade e uma vez que ela não conhece a Mini-Tété tivemos de ser nós a criar essa ideia. Não foi difícil perceber o porquê: nunca chegámos ao trabalho e comentámos a maravilhosa noite que a Mini-Tété nos deu, mesmo sendo estas noites uma larga maioria. Pelo contrário, só falamos das noites quando referimos que ela dormiu mal ou para, em brincadeira, contarmos as grandes conversas filosóficas que a Mini-Tété decide ter quando finalmente se deita (é a hora do dia em que decide que tem imensa coisa para partilhar e dizer ao mundo...). E acreditem que não foram muitas as vezes que nos queixámos mas dado a ausência de lado bom, a pequena amostra do lado mau levou a que se criasse uma ideia muito mais negativa que a realidade. E imagino que se isto foi assim para o sono, também o será para outros assuntos em que a nossa filha vem à baila. Porque se há histórias divertidas para contar ou pequenos episódios de terror para partilhar, a verdade é que simplesmente nunca embarquei em conversas em que apenas a elogiasse ou dissesse tudo o que de bom ela faz e nos traz (e não é por ser mãe, acho mesmo que há série de assuntos fora da maternidade onde fazemos exactamente  o mesmo. Eu só falo do meu carro se for para contar algo de chato que aconteceu - pneu furado, barulho esquisito, falta de gasolina - nunca começo uma conversa para elogiar o carro em que me desloco...).

É engraçado como tantas vezes se ouvem e lêem queixas sobre como muitas vezes só é partilhado o lado cor-de-rosa da maternidade (em blogues, entrevistas, vídeos no youtube) mas depois na prática temos o oposto e as consequências da partilha apenas do lado menos bom.








6.7.19

O primeiro ano de escola já acabou...

Cá estou eu novamente. :) O blogue anda completamente ao abandono, é uma pequena desgraça, penso nisto todos os dias mas para ser sincera, acabo por encolher os ombros pois sei que embora tenha muita coisa para escrever aqui, simplesmente não tenho tempo. Poderia dizer que quem quer mesmo arranja tempo e eu até concordo com isto, acho que quando queremos verdadeiramente algo poderemos conseguir mas temos na grande maioria das vezes de abdicar de outras coisas. E eu sei que para escrever aqui teria de abdicar de tempo com a Mini-Tété (não quero) ou de horas de sono (o que não me faz sentido). Por isso, é mesmo assumir que neste momento da minha vida não dá mesmo para escrever aqui com a regularidade que (tanto) gostaria e que uma dia poderei voltar em força. :)

A Mini-Tété acabou ontem o seu primeiro ano de (pré-)escola. Andei a sentir-me estranha todo o dia, talvez estivesse apenas cansada, talvez fosse do calor ou talvez fosse por não estar a conseguir processar a informação de que o ano tinha acabado, que já tem o seu primeiro ano de escolaridade feito, que conseguimos mesmo superar tudo isto. Não foi um ano nada fácil, nunca imaginei como iria ser difícil, como a personalidade da Mini-Tété iria dificultar tanto a sua integração, como um erro de comunicação logo no início condicionaria a adaptação e a arrastaria durante tantos meses. E houve uma mudança de casa pelo meio. E eu comecei a trabalhar. E a cada mudança, nova adaptação.

Gostei muito da escola, da educadora, das auxiliares. Todas as semanas recebia umas fotografias tiradas nessa semana com um pequeno texto descritivo sobre o que tinham andado a fazer e era giro mostrar à Mini-Tété e falar com ela sobre o que estava a fazer naquela fotografia ou na outra.
E estou ainda fascinada com tudo o que a Mini-Tété aprendeu este ano. A nível físico deu um salto enorme no desenvolvimento. É verdade que continua uma miúda calma e pouco dada a actividades físicas, muito cautelosa na maior parte dos passos que dá fora da sua zona de conforto, a própria educadora diz que nunca a viu correr e que acha que no fundo poucas serão as coisas que a motivarão a correr (tem razão, ahah. Mas nós já a vimos correr. Não corre muito nem muitas vezes, mas já corre :P) e que não adora as bicicletas a não ser que alguém pedale e ela vá sentada atrás sem fazer qualquer esforço (di-va, a minha filha é uma diva), mas nós já a vimos pedalar pela primeira vez um triciclo (esqueçam lá as bicicletas para já :P) quando fez 3 anos e meio. Também já sobe (trepa) melhor e acho-a mesmo mais desembaraçada. :)
Aprendeu a desenhar bonecos, casas, flores, corações, cruzes, bolas, o sol....Aprendeu a colorir, a fazer correspondências e sequências. Aprendeu a escrever o nome dela. E nós fizemos uma festa tão grande que acho que foi mesmo um momento de viragem naquela cabecinha e ela percebeu finalmente um dos propósitos da escola: aprender. O orgulho que sente ao aprender as letras trouxe-lhe finalmente o lado bom da escola e ajudou muito a ir para a escola mais contente. Também aprendeu a contar e a associar os números às quantidades. E músicas, tantas músicas que ela aprendeu este ano (e nós por acréscimo porque à força de ouvir cada uma 42486452 vezes não há quem não decore qualquer coisa).

De resto, a nossa pequenina é ainda um botão de flor a abrir devagarinho. Tanto a escola como o ATL são consensuais: os dias são demasiado longos para ela (Mini-Tété surpreendia tudo e todos com a velocidade a que adormecia na sesta...), muito cansativos e a energia das outras crianças é demasiada para ela. Para já, prefere o sossego de estar ao pé dos adultos, protegida das correrias, encontrões, brincadeiras e gritos dos colegas. Mas aos poucos está a mudar e a educadora acredita que para o ano já esteja mais habituada e tudo lhe faça menos confusão e cansaço. Não me admira, sei a criança que tenho em casa e divirto-me até a vê-la a brincar com outras crianças porque se alguma lhe diz "Anda, vamos correr", a Mini-Tété dá dois passos e diz alegremente "Olha, uma cadeira! Vamos sentar-nos!", ahahahaha. 

A nível da língua, está uma francesinha de primeira. Aprendeu muito rapidamente e tem orgulho em falar duas línguas. Se em casa é uma verdadeira tagarela, na escola é mais calada (sai tanto à mãe...) mas logo nos primeiros meses a educadora fez questão de me mostrar como ela já lhe respondia em francês sem problemas. Agora quem se lixa sou eu pois não percebo metade do que ela diz simplesmente porque não conheço as palavras. Li-xa-da!

Enquanto não trabalhei, ia todas as semanas fazer jogos de grupo à escola. Não adoooorei a actividade porque se para a minha filha tenho a maior das paciências, o mesmo não se pode dizer quanto às crianças dos outros. Sobretudo porque com o meu parco francês e sendo a grande maioria dos jogos com o objectivo de estimular o vocabulário das crianças, eu às vezes via-me e desejava-me para ser bem sucedida. Por outro lado, deu-me a oportunidade de estar mais por dentro da escola, observar a dinâmica da mesma, ver os coleguinhas da Mini-Tété, ver como se relacionavam, conhecê-los melhor, conhecer algumas mães e conversar mais facilmente com a educadora.

É mesmo incrível como é que este ano passou assim tão depressa, como é que tanta coisa aconteceu, como é que tanta coisa mudou. Não foi um ano fácil mas gosto mesmo de ter a Mini-Tété naquela escola e só espero que ela tenha tanta sorte com a próxima educadora como teve com esta. :)

21.5.19

Estou curiosa! :D

Mini-Tété vai sair amanhã pela primeira vez com a escola de autocarro. Não vão longe, o destino é a cerca de 15 minutos da nossa aldeia, por isso o meu coração de mãe não está em grandes apertos. Na verdade estou é curiosa porque a saída é um "encontro desportivo" entre vários ATLs e digamos que Mini-Tété e actividades desportivas na mesma frase só me dão vontade de sorrir. :D Bastava verem o franzir de nariz que a minha filha fez quando lhe disse que amanhã tem de levar sapatilhas porque vai andar a correr para perceberem porque me rio (e o problema não está em usar sapatilhas, que isso ela adora! :P). Mas espero que goste e que se divirta. :D

18.5.19

Porque é que sinto que está para breve a bela questão de "como é que se fazem os bebés?"...?

A Mini-Tété anda novamente curiosa por já ter estado na minha barriga, eu ter estado na barriga da avó, as amigas terem estado nas barrigas das mães, etc...
Ontem ao jantar procurava novamente compreender:
- A Mini-Tété era muito pequenina?
- Sim, quando estavas na barriga eras pequenina.

- E tinha uma mantinha!
- Sim. [não perguntem, Mini-Tété parece achar que estar numa barriga sem uma manta para estar quentinha não é muito confortável]
- E estava lá assim encolhida?
- Sim.
- Então...a mamã comeu a Mini-Tété toda?
- Não!!

Ahahahahahaha, cheira-me que ainda vamos ter muitas conversas e explicações para dar.

4.5.19

Mãe-a-tempo-inteiro vs Mãe trabalhadora

Estando agora a trabalhar, achei que seria interessante comparar aqui a vida enquanto mãe-a-tempo-inteiro e enquanto mãe-trabalhadora, porque obviamente há diferenças, ambas têm os seus prós e contras e também porque pode ser útil ler para quem trabalha e tem o desejo de ficar em casa e vice-versa. 

- Dinheiro: esta é fácil. Uma das vantagens de ser mãe trabalhadora é o facto de ganharmos o nosso próprio dinheiro. Existe quem não veja nisto uma prioridade desde que o salário do marido chegue para as despesas mas há também quem o sinta como uma necessidade, não gostando de estar dependente de outra pessoa. Eu gosto de ter o meu próprio salário embora viver apenas com o salário do Jack a entrar em casa não me fizesse sentir mal, sentindo apenas que um único salário numa família é sempre uma situação mais instável.

- Custos: Aqui, a partir dos 3 anos a escolaridade é gratuita. E obviamente que antes disso, pagar uma creche ou a uma ama (parece-me ser o mais comum por aqui) teria um custo, que não seria baixo. Ficar com a Mini-Tété em casa libertou-nos dessa despesa e agora, mesmo sendo a escola gratuita, o horário não é compatível com um trabalho a tempo inteiro (4 dias por semana, das 8h30 às 16h30), pelo que é preciso pagar o ATL antes e/ou depois da escola e ainda às quartas-feira todo o dia. É também preciso acrescentar o preço da cantina (varia segundo o escalão salarial dos pais, sendo que o preço máximo é 7€ por refeição) e o seguro escolar. No dia-a-dia, acrescento agora a gasolina que gasto em muito maior quantidade.

- Disponibilidade: esta é das que ainda me custa. Durante 3 anos estive disponível para a Mini-Tété fosse em que situação fosse, e não sendo uma criança muito dada a doenças, tem grande tendência para aquelas viroses que lhe dão 3 dias de febre e que se vão embora da mesma maneira como chegaram. Não estando a trabalhar, tinha a liberdade de poder ficar em casa com ela nestas alturas ou noutras em que não a achasse tão em forma para ir para a escola. Da mesma forma que deixei de estar tão disponível para a acompanhar melhor na adaptação à escola e ao ATL, deixei de estar tão presente na escola e de conseguir falar tão facilmente com a educadora, de conhecer as outras mães e crianças, e tudo isto ainda me faz alguma confusão.
Em relação ao tempo que estou com ela, como a Mini-Tété estava a fazer um horário reduzido na escola (12h semanais) passávamos muito tempo juntas durante a semana, tempo esse que foi reduzido para os finais de dia e fins-de-semana. Há dias que me custam mais do que outros, porque de alguma maneira me sinto a falhar para com ela quando sinto que às vezes ela precisa mais de mim ou porque sinto saudades de algumas das nossas rotinas calmas durante o dia.

- Vida de adulto: é definitivamente diferente passar o dia em casa com uma criança com menos de 3 anos e lidar com adultos num dia de trabalho. Eu lembro-me da inveja que cheguei a sentir em certas fases por o Jack almoçar sossegado sozinho ou com outros adultos. Eu percebo, a sério que sim, a vontade de muitas mães de largarem os seus empregos e ficarem com os filhos em casa mas tenho para mim que em muitos casos não saberão ao certo como não é comparável estar tanto tempo em casa com crianças e estar com elas ao final do dia/fins-de-semana/férias. E de como é diferente estar em casa com elas a tempo inteiro ou com elas a passar algumas horas por dia nas creches/infantários/escola (esta situação é mais fácil e apelativa mas não foi a minha realidade nos primeiros anos e por isso sei bem como é diferente), ou como é diferente estar em casa a tempo inteiros nos primeiros meses do bebé ou estar em casa nos anos seguintes. Ser mãe-a-tempo inteiro (e refiro-me mesmo a tempo inteiro, sem horas onde o bebé/criança está na creche, na escola, com os avós, etc) durante anos não é fácil, tem muitas coisas boas mas não é fácil. 

- Tempo para tudo o resto: ainda me estou a adaptar. Passei os últimos anos com grande disponibilidade para tratar de alguns assuntos às horas que eu queria e isso agora deixou de acontecer. Há certos serviços que não consigo apanhar abertos durante a semana por isso só posso tratar deles ao fim-de-semana (como ir aos correios) e outros que como me demoram mais tempo também não são tão exequíveis durante a semana (como ir às compras). Também ainda estamos a tentar criar uma rotina familiar no que toca a limpezas e arrumações de forma a não gastarmos demasiado tempo nestas tarefas mas ainda há por aqui algumas falhas, até porque ainda não temos toda a casa pronta, ainda há obras e falta-nos por exemplo instalar a máquina de lavar louça que muita falta nos faz para agilizar o dia-a-dia. Sempre disse que quando ambos trabalhássemos, arranjaria maneira de ter a ajuda de uma empregada doméstica para não ter de gastar o meu tempo livre com limpezas, mas neste momento tal não é possível por isso temos mesmo de acertar na rotina. Algumas ideias? 
Lembrei-me agora de há uns tempos ter participado numa discussão num blogue sobre as arrumações sendo mãe-a-tempo-inteiro ou mãe-trabalhadora e continuo a defender a minha visão: embora haja menos tempo para limpezas/arrumações, a casa desarruma-se muito, muito menos estando a Mini-Tété na escola e nós a trabalhar. As poucas horas que passamos acordados em casa ao final do dia não se comparam com uma vivência de 24 horas por dia, com refeições a serem feitas, brincadeiras por toda a casa. Pode não ser a dinâmica familiar de toda a gente, mas cá em casa é o que sinto.

Cansaço: uma vénia a todas as mães-trabalhadoras que têm filhos que dormem mal. Eu nem digo que estou convosco ou que sei pelo que passam porque não sei e não vou estar aqui a fingir que sim. Mas gostava de saber o vosso segredo (sem ser recorrer a litros de café porque eu não bebo). A Mini-Tété foi um bebé e é uma criança que dorme bem, mas teve e tem as suas fases de más noites e eu só penso como é que vocês fazem, muitas vezes durante anos, para irem trabalhar sem adormecerem ao volante ou em cima das secretárias. Uma das grandes vantagens de ser mãe-a-tempo inteiro são as sestas. Uma vez que eu estava em casa, era eu quem ficava encarregue de me levantar a meio da noite nas fases de pior sono da Mini-Tété, mesmo que o Jack se oferecesse porque eu sabia que ele precisava de ir trabalhar daí a umas horas e eu tinha sempre a hipótese de fazer uma sesta com ela se me sentisse a desfalecer. Saber que tinha esta alternativa ajudou-me a lidar com relativa tranquilidade com algumas destas fases, mas agora basta a miúda acordar uma vez durante a noite e eu já começo a resmungar por saber que se me corta muito a noite, no dia seguinte vou ter sono e não há sesta para ninguém. E com todas as mudanças que tem havido ultimamente, a Mini-Tété já nos deu algumas noites do arco-da-velha que me fizeram concluir que quem aguenta isto durante anos deve realmente ter um segredo muito bem escondido.

Agora não me lembro de mais pontos a comparar mas se alguém quiser saber a minha opinião sobre algo específico, é só dizer. :D







1.5.19

Insta-Abril

Como sei que nem toda a gente me segue no instagram e/ou facebook, ou que mesmo quem me segue nem sempre vê todas as fotografias, aqui ficam as do mês de Abril. :)


Fotografia tirada no primeiro fim-de-semana do mês, pertinho de casa.



Um cantinho do closet. Ainda falta decorar com mais alguns elementos mas para já está assim. O que acham?


Devem ser os folhados de salmão, queijo e ervas mais toscos do mundo. Mas até estavam bons. :D 


Brincadeiras. Está a ficar tão crescida.


Amor (também) é isto. Não gostar de marisco mas cozinhar para que o marido e a filha comam. :P



A Primavera no meu jardim.


Eram 23h, estava morta de sono e ainda fui fazer um bolo...no que me meto.


O meu bolinho de Páscoa a ser atacado por uma Mini-Tété. :D


Cheia de estilo!


Fotografia sem filtros.
Nem sempre gosto de viver aqui, como em qualquer lado há dias em que preferia estar noutro sítio mas depois há todos os outros dias em que penso que tenho muita sorte em ter esta paisagem ao pé de minha casa e poder ir trabalhar com a mente cheia de flores amarelas logo pela manhã. 



Aproveitar o sábado e fazer um bolo de chocolate. 


 Uma foto da paisagem que tenho quando vou trabalhar (ou quando vou a qualquer lado, que tenho quase sempre de passar por aqui :P )