29.3.17

Apostas

Há 2 meses, começámos a fazer apostas sobre a idade com que a Mini-Tété começará a andar, livremente e sem apoios ou medos. O Jack, confiante, aposta nos 18 meses. O meu pai, cauteloso, aposta nos 20 meses. A minha mãe não sabe bem se aposta também nos 18 ou nos 20. Eu, uma descrente, digo aos 22 meses (e só não digo 2 anos porque ainda tenho uma ponta de fé na minha filha). E por aí? Palpites? :)

Porque continuo a dormir profundamente?

Já aqui disse várias vezes que depois da Mini-Tété nascer não passei a dormir pior. Quer dizer, tive de adaptar o meu ritmo de sono ao dela mas não fiquei com o sono mais leve nem acordo com qualquer barulhinho que ela faça ou em pânico para ver se ela respira. Já andava a matutar numa provável razão para isso mas em conversa com uma amiga grávida sobre quando passar os bebés para o seu próprio quarto, cheguei à conclusão definitiva: o facto de a Mini-Tété ainda dormir no nosso quarto ajuda e muito a que eu seja assim.

Nunca planeámos conscientemente ter a Mini-Tété a dormir no nosso quarto com quase 1 ano e meio de vida, muito pelo contrário, mas uma reviravolta nos planos iniciais levou-nos mais tarde a adiar a ideia de a mudar de quarto. Quando ela nasceu, não lhe fizemos um quarto pois a ideia seria mudar de casa após o nascimento por isso não valia a pena. Além do mais, pelo menos os primeiros seis meses seriam passados no nosso quarto devido ao risco de morte súbita (não é que possamos fazer grande coisa, não é isso, mas é uma das medidas que se acredita reduzir este risco tal como o uso de chupeta, por exemplo. Penso que tem qualquer coisa a ver com a respiração dos pais.). Tenho a ideia pessoal que os pais que preparam os quartinhos dos bebés durante a gravidez têm mais pressa em colocar lá os bebés a dormir. No nosso caso, este factor não existiu porque não havia quarto pronto. Tê-la ali a dormir ao meu lado durante os primeiros 6 meses de vida permitiu-me dormir profundamente pois se ela começasse a chorar, não haveria maneira de eu não ouvir no mesmo segundo pelo que eu não precisava de "ficar alerta".

As obras atrasaram imeeeenso e de repente a pequena tinha 6 meses e tivemos de ponderar se fazíamos o quarto e se a mudávamos ou não. A Mini-Tété dormia já noites completas sem acordar para comer desde que tinha 1 mês de vida (eu sei, eu sei, um anjinho, coisa mais fofa da sua mãe) pelo que não custaria nada tê-la a dormir noutro quarto pois provavelmente ela nem daria pela diferença. Mas eis que aos 6 meses, deu-lhe para perder constantemente a chupeta durante a noite e não a encontrar. Com a cama de grades logo ali ao lado e ao nível do meu colchão, bastava esticar o braço, dar a chupeta antes que ela acordasse completamente (e eu também) e a noite continuava sossegada. Nem pensar em mudar de quarto enquanto esta situação se mantivesse pois nem pensar em andar toda a noite entre quartos por causa de uma chupeta. Mais uma vez, com ela logo ali ao pé, eu podia dormir profundamente pois quando ela se começava a queixar da falta de chupeta, eu ouvia logo e em segundos a situação ficava resolvida, por isso o "modo alerta" não precisava de estar ligado.

Quando a fase da chupeta caída passou, voltámos a ponderar e a adiar. E ainda bem. Com o tempo, novas fases vieram e foram, e em todas ela dei por mim a pensar que ainda que ela ainda dormia ali ao nosso lado pois poupava-me a andar a deambular pela casa durante a noite até ela.

Isto também permitiu que nunca cedêssemos à tentação de a pôr a dormir na nossa cama. Com ela logo ali ao lado não sentimos essa necessidade, nem ela porque mesmo em bebé bastava eu esticar uma mão para lhe fazer uma festa para se sentir logo mais acompanhada. Adormecê-la também sempre foi fácil e confortável: ela na cama dela, nós na nossa. Tão confortável que o Jack adormece sempre antes dela.

Ah, então defendes com unhas e dentes que as crianças devem ficar no quarto dos pais tanto tempo? Não de todo, até porque também tem os seus inconvenientes. Nas fases em que ela está com o sono mais leve e acorda com qualquer coisa, a ideia do quarto partilhado é péssima. Sobretudo se um membro do casal tem de pôr o despertador para as quatro ou cinco da manhã. Também não deixa de interferir no à-vontade dos pais enquanto casal pois a privacidade é menor. Mas a verdade é que mesmo com estes inconvenientes, as vantagens de a ter ali tem sido muitas mais. E uma delas é a profundidade do meu sono (o do Jack, então, mantém-se igual. No outro dia acordei-o com uma valente cotovelada nas costelas e ele nem se apercebeu do que o acordou). E acho que no geral o sono da Mini-Tété também tem saído a ganhar.

No fundo, o que defendo é que cada casal encontre a altura que mais jeito lhe dá para mudar o bebé de quarto, e não a altura que as 1001 vozes em seu redor farão questão de dizer ser a melhor. A melhor é aquela que deixa os pais e o bebé confortáveis. E não me venham com aquelas teorias de "ah, mas uma criança tanto tempo no quarto dos pais vai ficar dependente deles para o resto da vida, vai ser um mariquinhas cheio de medos, um tótó, nunca vai saber desenrascar-se sozinho" porque enfio essas no mesmo saco onde enfio as brilhantes teorias de "não se deve dar colo a um recém-nascido para não ficar mal-habituado" ou "Colo a mais torna-os muito apegados à mãe" (deveriam ser apegados a quem? Ao padeiro?). No tempo das cavernas e das cabanas, mães e filhos dormiam todos juntos, não havia cá bebés despachados para a sua própria gruta aos 6 meses de idade. Por isso, não sinto mesmo que haja um altura assim tão certa quanto dizem muitas vozes. Por enquanto, resulta assim para nós. E o meu sono agradece.


28.3.17

Confiar no instinto?

No último mês, tenho andado num limbo por a Mini-Tété estar prestes a fazer 18 meses e nada de andar sozinha (ou agarrada aos móveis, ou sequer ficar de pé sem estar com a barriga a apoiar numa mesa ou sofá). Por um lado o meu coração de mãe, o meu instinto, diz-me que está tudo bem com ela, que cresceu a concentrar-se noutras coisas, que encontrou a sua própria forma de se deslocar rapidamente pelo que não tem qualquer interesse em andar de pé e mais lentamente, que mesmo estando a fazer tudo o que tem a ver com a locomoção mais tarde que o habitual é possível ver uma evolução e que isso é um descanso. Por outro lado, tenho medo de ser uma daquelas mães que não quer ver que existe um problema, que à força de querer acreditar que tudo é normal se recusa a encarar a realidade e a ajudar a própria filha. Depois penso que talvez a devesse ter estimulado mais cedo e com maior frequência, mas aqui entre nós como é que se estimula uma criança que até aos 16 meses se recusa terminantemente a pôr-se de pé, sentando-se ou que, sentindo-se agarrada pelo corpo, encolhe as pernas como se o chão lhe queimasse o pés? Mas e agora, serei eu suficiente para a estimular? Estarei a fazer um bom trabalho ou seria melhor optar pela fisioterapia? E depois tenho o coração que me grita que está tudo bem com ela e que se iniciar esta cruzada de ir à procura de respostas posso encontrar um médico alarmista que nos obrigue a fazer uma série de exames e sessões de fisioterapia absolutamente desnecessários porque é só preciso dar tempo ao tempo, e eu não quero sujeitá-la a este tipo de coisa se a única coisa que ela precisa é de paciência. E assim, dou por mim, todos os dias a estimulá-la, atenta para que ela não ganhe aversão a estar de pé, atenta a se mostra qualquer sinal de dor, a dar-lhe tempo, a permitir fazer as coisas ao ritmo dela, confiando no meu instinto 90% das vezes e hesitando nos outros 10%.

E depois há dias como o de hoje, em que após fazermos as compras, a tiro do carrinho do supermercado e ela me diz "chão!" não querendo entrar no carro. Explico-lhe que não se pode sentar no chão, que está sujo, que terá de ficar de pé. Vejo-a hesitar e insistir depois "chão!". E assim esqueço-me das horas, esqueço-me das compras que deveriam ser arrumadas no frigorífico e no congelador, esqueço-me que são horas de jantar, e fico ali com, num parque de estacionamento quase deserto a vê-la ganhar coragem e equilíbrio, segura pelas duas mãos, depois só por uma, a arriscar dar uns passinhos agarrada às minhas mãos, a apontar para as árvores e para os pássaros. Devagar isto vai lá, ela só precisa de tempo, é o que diz o meu coração.







24.3.17

Pânico

Há dois dias, estava eu a adormecer a Mini-Tété quando oiço o Jack a entrar em casa. Ouvia-o a mexer em coisas na sala, a arrastar uma cadeira, e antes que ele se lembrasse de entrar pelo quarto adentro para ver se estávamos a dormir, despertando assim a Mini-Tété quase adormecida, enviei-lhe uma mensagem: 
"Estou a adormecer a Mini-Tété."
"Ok, eu daqui a pouco vou para casa."
"Como assim: vens para casa?? Não estás na sala??"
"Não, estou no escritório."

Gelei de medo. Eu continuava a ouvir barulhos, alguém estava na sala de certeza. Enviei nova mensagem:
"Está alguém casa, Jack! Chama a polícia! Não estou a brincar!"
"Tens a certeza?? Não será um vizinho??"
" Não, rápido, chama a polícia!"

Por baixo da porta fechada do quarto, vi uma sombra a passar. Estava realmente alguém em casa. Levantei-me devagar a pensar se conseguiria arrastar rapidamente o armário da Mini-Tété para trás da porta de forma a que ninguém entrasse. Depois abriria a janela e gritaria por socorro. Estava em pânico. Mas antes de pôr o meu plano em prática, a maçaneta da porta do quarto rodou.

E eu acordei. 
Pesadelos estúpidos.



21.3.17

Vou começar a esconder as chaves do carro, não vá a pequena enquanto dorme aprender a conduzir.

Ontem comentei com os meus pais que uma da capacidades que a Mini-Tété deveria adquirir até aos 18 meses é conseguir beber sozinha por um copo mas que estava convencida, que da mesma forma que há muitas coisas que ela faz antes, esta seria uma daquelas que fará mais tarde pois não tendo ela sede, pouco lhe interessa o copo e como tal não há maneira de lhe ensinar isso. Estava portanto a apontar para que ela desenvolvesse esta capacidade por altura do Verão. Hoje, enquanto tomava o pequeno-almoço com ela ao colo, pousei a minha caneca com iogurte líquido na mesa. No segundo a seguir, a Mini-Tété deitou-lhe as duas mãos, levou aos lábios, deu um gole e pousou a caneca. Afinal já aprendeu.*

*Ou então vai ser como a mãe dela e mal alguém lhe diga que ela não é capaz, ela vai querer mostrar que sim, que é, ora essa.

20.3.17

A teoria é bonita, mas na prática...

É verdade que a ideia, perante actos de terrorismo, é não nos deixarmos vencer pelo medo, continuar a ter a nossa vida normal, não lhes darmos aquilo que eles querem, mas já aqui o referi uma vez: podemos continuar a viver, mas vivemos com muito menos paz de espírito
Exemplo disso é o facto de na quarta-feira ser a estreia do filme "A Bela e o Monstro" e de recentemente termos conversado sobre a hipótese de deixarmos a Mini-Tété com os meus sogros durante umas horas e irmos ver o filme. A ideia agrada-me, gostava de ir ver e se tudo correr bem vamos mesmo, mas...disse ao Jack que não quero ir no dia da estreia nem nos dias logo a seguir (imaginando que ainda haveria bilhetes). O cinema ao qual vamos é na Disney, já temos de passar por toda uma série de medidas de segurança que me chateiam e relembram o mundo em que vivemos, e acho que se alguém ou um grupo quisesse fazer uma estupidez e atacar, a ideia da estreia de um filme tão badalado num recinto tão ligado ao filme e à magia como é a Disney pode ser extremamente atractiva. 
Não se pode viver assim, com medo, podem dizer-me, mas valerá a pena ir ao cinema e não apreciar a 100% por se ter medo? Viverei, irei ao cinema, mas mais tarde para ir com a maior paz mental possível.

Sentir medo

No sábado, os meus pais chegavam a Paris para uma pequena visita. Geralmente, apanham o comboio até nossa casa pois nem sempre o Jack está disponível para os ir buscar e eu não me entendo nas estradas até ao aeroporto, mas nesse dia decidimos surpreendê-los e aparecer de surpresa no aeroporto Charles de Gaulle com a Mini-Tété. Chegámos uns minutos mais cedo, a contar ter ainda tempo de ver em que porta sairiam eles, mas mal saímos do elevador na zona das chegadas, demos com uma barreira de polícias a mandar-nos para a esquerda, e um técnico a começar a bloquear os elevadores. Admito que nem liguei muito e, indo para a esquerda, parei para ver num ecrã se já apareceria a informação que eu queria. Mas os polícias avançavam, pedindo-nos para continuar a andar. As lojas fechavam, toda a gente continuava a ser encaminhada pela polícia ao longo do corredor até finalmente chegarmos a uma zona de partidas. Percebi nessa altura que estava um ambiente estranho, um clima de grande tensão, muito mais do que alguma vez vi (e não foram poucas) quando se trata de bagagem abandonada. Olhei para o Jack e vi-o de sobrolho franzido, com a Mini-Tété ao colo, e percebi que ele também estava a reparar que algo estava diferente. À nossa volta, as pessoas perguntavam a funcionários como se encontrariam com quem estaria a sair dos aviões e era explicado que a zona das chegadas estava também bloqueada para os passageiros, pelo que não haveria maneira de ninguém sair. Na rua, a estrada estava bloqueada e não havia táxis para quem se queria ir embora. Pareceu-me ouvir dizer o piso inferior estava também fechado. Um ou outro funcionário explicava tratar-se de uma bagagem abandonada, o que não duvido, mas realmente nunca vi um aparato como este. E pela primeira vez num aeroporto senti medo, tinha ali a Mini-Tété e não queria que nada lhe acontecesse. Comentei com o Jack que se algo nos fizesse começar a fugir, correríamos os dois para a saída mais próxima de forma a não nos separarmos. Acho que fiquei ainda um bocadinho pior quando uma funcionária nos pediu para nos afastarmos um pouco mais por termos uma bebé. Fomos depois informados que os passageiros bloqueados nas chegadas seriam reencaminhados para aquela zona das partidas. O tempo foi passando e de repente tudo foi desbloqueado e pudemos ir até à porta por onde os meus pais sairiam minutos depois. Segundos antes, o meu pai recebia uma mensagem de Portugal "Ainda conseguiram aterrar em Orly??" e a minha mãe recebia um telefonema da minha avó que estava a ver as notícias sobre o atentado. Estava explicado o clima de tensão no aeroporto Charles de Gaulle depois do que se tinha passado nessa manhã em Orly. Mas, aqui entre nós, só acalmei o coração quando nos afastámos do aeroporto, com a Mini-Tété em segurança na sua cadeira, à conversa com os avós.

17.3.17

Eu devia ter gravado a cena.

Mini-Tété não tem mesmo qualquer interesse em andar mas é uma criança super interessada em aprender coisas e todos dias tenho de a ouvir dizer "Mais!" seja quando a estou a ensinar coisas, seja quando estamos a repetir coisas já aprendidas.
Esta semana, estávamos entretidas a relembrar "Onde fica o nariz?", "E o cabelo?", "E os pés?", quando a lista das coisas que ela já reconhece acabou. Mas a pequena insistia "Mais! Mais! Mais!", por isso comecei a ensinar coisas novas: o pescoço, os dedos,etc. À noite, em conversa via skype com a minha mãe decidi mostrar as novas habilidades:
- Mini-Tété, onde está o teu pescoço.
Ela apontou.
- Muito bem. E o teu ombro?
Ela apontou.
- E os braços?
Ela apontou.
- E os dedos?
Ela apontou. 
A minha mãe decide meter-se e brincar com ela:
- Ai que linda, sabe tantas coisas. E mostra lá à avó onde está o esternocleidomastoideu!
E ela apontou.

Neta - 1
Avó - 0