17.12.17

Desafio - 10 perguntas

Tinha quase a certeza que já tinha respondido a este desafio mas quando há dias estava a fazer uma limpeza aos posts em rascunho, encontrei o post a meio ainda por completar. Por isso, aqui vai, com algum atraso mas com todas as perguntas respondidas.

Quem me nomeou para este desafio foi a Rita do blog Minnie me e as regras são simples: Agradecer e indicar quem te nomeou, responder a 10 perguntas, indicar 10 bloggers e avisá-las, e criar novas 10 perguntas. Aqui vão as minhas respostas:


1. Para ti a blogosfera é...?
É um mundo de blogs, onde cada um escreve sobre o que lhe apetece. É um mundo onde encontro blogs que me distraiam, onde leio opiniões, dicas, relatos de viagens ou textos com bom sentido de humor.

2. Como defines o teu blog?
Neste momento quase que se pode chamar de "baby blog" uma vez que a Mini-Tété é a estrela principal, mas acho que é sobretudo um lugar onde vou escrevendo pequenas coisas da minha vida, episódios engraçados que vivi, marcos importantes como o casamento, a gravidez, a mudança para França, onde procuro de vez em quando dar dicas, onde desabafo e escrevo pensamentos soltos.

3. Como conheceste o meu blogue e o que te fez ficar por cá?
Para ser sincera não me lembro mesmo como fui parar ao teu antigo blogue, suponho que tenha visto um comentário teu num outro blogue e tenha tido curiosidade para ver que tipo de blogue tinhas. Depois acabei por ficar para acompanhar a história com o Pedro e ir vendo a evolução que ias tendo no teu blogue, pois acho piada à seriedade com que o encaras.

4. Que blogger segues diariamente?
Não sigo muitos blogues neste momento por falta de tempo mas acho que o primeiro que comecei a ler assiduamente foi A Pipoca Mais Doce e continuo a seguir.

5. Qual a tua viagem de sonho?
Quero muito ir a Itália com o Jack, falamos muitas vezes disto, de fazer uma viagem passando por várias cidades italianas. Também gostava de ir com ele a Moçambique e à África do Sul. E de vez em quando surge aqui a vontade de ir para um daqueles resort de não-fazer-nada, embora nem seja muito o meu estilo.

6. Qual o teu próximo destino? (de férias, mini-férias, descanso...)
Portugal, claro. Quase 15 dias, apenas eu e a Mini-Tété (até tremo só de pensar nas viagens de avião). Vamos visitar a família enquanto ela não anda na escola e nos podemos permitir a estas ausências a meio do ano.

7. O que não abdicarias na tua vida?
Neste momento, dela. Da minha bebé. Da minha Mini-Tété. É uma extensão de mim, é o meu dia-a-dia, é a minha filha. E depois claro, a minha família: o Jack, os meus pais, os meus avós, o meu irmão, os meus tios e primos. E do meu grande e único objectivo de vida: ser feliz. É a única coisa que eu sempre quis e pela qual luto.

8. Qual a coisa que mais falta te faz?
A minha família e os meus amigos. Estão longe.

9. Não sais de casa sem?
Chaves de casa, telemóvel, carteira e lenços de papel. Muitos. Chego a ter 8 pacotes de lenços na carteira. Pode parecer um exagero, mas como sofro de alergias durante todo o ano e posso ter no mínimo um ataque de alergia por dia, os lenços são essenciais na minha vida.

10. Qual a maior dica que deixas a novos bloggers?
Que escrevam para se divertirem. Abrir um blogue sem que este nos dê prazer é uma seca e mais vale não ter esse trabalho. E se o que procuram é serem conhecidos, trabalhem para isso. Escrevam, procurem ser diferentes e melhores (há tantos blogues já, que é preciso ser especial para marcar a diferença), aprendam e informem-se. 

As novas 10 perguntas:
1. Qual seria a melhor prenda de Natal que poderias receber?
2. O que querias ser quando eras criança?
3. Qual o teu maior medo ou fobia?
4. O que fazias se ganhasses o Euromilhões?
5. Qual o último livro que leste?
6. Qual o último filme que viste?
7. Porque lês este blogue?
8. O que gostarias de ler por aqui?
9. Alguém te deve um pedido de desculpas?*
10. Deves um pedido de desculpa a alguém?*

*perguntas roubadas descaradamente ao programa "Alta Definição" da Sic.

As nomeadas...É difícil pois leio poucos blogues e sei que a maioria daqueles que leio não é apreciadora deste tipo de desafios. Vou nomear algumas pessoas mas quem me lê fique à-vontade para responder (avisem-me, sim?). E a ti, Rita Minnie Me, ficam as 10 perguntas novas também, caso te apeteça fazer um post ou um vídeo a dar as respostas. :)

- Maria, do O que tinha de ser



16.12.17

Bebés e o sono #2


Estava para aqui sem saber muito bem como começar este segundo post, quando olhei para o sofá e vi-me uma mim, ao Jack e à Mini-Tété, numa imagem mental, ele com ela ao colo e eu de secador na mão, às 3h da manhã. E lembrei-me de vos falar dos white noise.
Estes white noise são barulhos que de alguma forma recriam os barulhos constantes que os bebés ouvem quando estão na barriga das mães. Agora até existem brinquedos que reproduzem "o som do útero", o bater de um coração, e há até diversas aplicações nos telemóveis com diferentes barulhos destes. Aqui por casa não usámos nada disto e resolvemos a coisa com o barulho do secador (que por acaso o Jack acabou por gravar no telemóvel caso fosse necessário), mas há bebés que gostam do som do aspirador, do som da máquina de lavar a funcionar, é uma questão de experimentarem. Connosco o secador resultou muito bem em duas situações. A primeira para vestir a Mini-Tété depois do banho uma vez que desde o primeiro dia que vestir mangas à Mini-Tété era quase como queimá-la com um ferro quente. Até tarde odiou vestir mangas e, nos primeiros meses, qualquer manga que fosse preciso vestir implicava um choro vindo do coração como se a estivéssemos a torturar. Ora, tendo a pequena atravessado um Inverno de vários meses, com várias camadas de roupa e muitas mangas, o processo de a vestir era um terror. Assim, enquanto o Jack a tirava do banho, eu ligava logo o secador que ficava pousado no chão, a fazer o barulho característico que acalmava e hipnotizava a nossa filha, permitindo que a vestíssemos sem qualquer berreiro. Um beijinho ao senhor que inventou o secador! 

A segunda situação em que o usámos, e chegou a estar constantemente ligado à tomada na sala para ser usado sempre que fosse preciso, foi naquelas noites em que se via que a nossa pequenina estava cheia de sono mas o cansaço não permitia que ela dormisse, resultando num choro de exaustão. Ora, adormecer um bebé nem sempre é fácil, adormecer um bebé que chora desalmadamente é quase um caso perdido. Não vale muita pena estar ali a embalar o bebé e a pedir que ele durma quando ele está histérico. Primeiro é preciso acalmá-lo e com a Mini-Tété o secador funcionava perfeitamente, fazendo com que ela parasse de chorar e estivesse mais disposta a perceber que estava ao colo dos pais, que estava em segurança, que não havia barulhos nem luzes assustadoras e que podia adormecer. No fundo, é esta a minha dica: se têm um bebé a chorar desalmadamente enquanto o tentam adormecer, parem. Acalmem-no primeiro (com recurso aos white noise, por exemplo) e adormeçam-no depois.

Na verdade, é até conhecida uma técnica que ajuda a acalmar os bebés e à qual se dá o nome de "5 S":
- Swaddling: embrulhar o bebé numa manta, reproduzindo a forma contida em que se encontram no útero. Oh, quantas vezes não adormeci assim a Mini-Tété nas primeiras semanas. Até lhe chamava Pequeno Sushi por a ver assim embrulhadinha. Depois deixou de gostar de se sentir assim presa numa manta, mas antes disso havia vezes em que bastava embrulhá-la para que parasse de chorar.
- Side: colocar o bebé ao colo, de lado, virado para si.
- Shushing: é fazer o barulho "Shhhhh", de forma a que o bebé oiça. Se ele estiver a chorar, têm de fazer alto de forma a que esse barulho calmante se sobreponha aos próprios gritos. Este "Shhhh" é um white noise, ou seja, podem substitui-lo por um secador ou por outro som usado em aplicações.
- Swinging: Embalar suavemente. Há quem use as bolas de pilates para não andar de pé de um lado para o outro.
- Sucção: mama ou chupeta.
Experimentem. Mal não faz. :)

A minha segunda dica fez-me procurar os vídeos que tenho da Mini-Tété, recostada no sofá, a palrar alegremente às 3h da manhã, quando tinha 4 meses. São vídeos fofos, ela está com um sorriso de orelha a orelha enquanto palra e ouve-se a minha voz a perguntar-lhe se não quer ir dormir visto serem as horas que são. Foi nesta altura que eu aprendi que o sono dos bebés passa por fases: há uma primeira fase em que eles mostram que têm sono através de leves sinais (no caso da Mini-Tété era mexer numa orelha, mas pode ser coçar a cabeça, esfregar um olho, bocejar uma ou outra vez, por exemplo), depois se não forem adormecidos entram num momento de aparente grande energia que faz os pais pensarem que o bebé não tem sono, ficando assim à espera que este chegue. O problema é que quando finamente chega, vem acompanhado de muito choro porque o bebé está exausto, quer dormir e devido ao estado de cansaço não consegue (a mim acontece-me o mesmo, estar tão cansada que tenho dificuldade em adormecer). Era isto que se passava com a Mini-Tété, que palrava divertida até às 4h ou 5h da manhã, altura em que desatava num berreiro sem igual, em que se recusava a adormecer, em completa histeria, levando-me a mim e ao Jack à loucura e à busca de soluções. Aprender a reconhecer os primeiros sinais de sono foi uma delas, e quando passámos a deitar a Mini-Tété mal ela começava a coçar uma orelha, o adormecer passou a ser pacífico, sem choros e rápido, pois ela estava com sono mas não exausta. 

Ainda assim, a Mini-Tété tinha sono (e adormecia) mais tarde do que aquilo que desejávamos pelo que foi necessário aplicar outro truque. Mas dele falo-vos num próximo post. :)



15.12.17

Acreditar no Pai Natal?


Faltam dez dias para o Natal, yeaaah!

Adoro o Natal, guardo as melhores memórias dos meus Natais de infância, ainda hoje gosto imenso do Natal pelo convívio que há na minha família, e mesmo depois de ter começado a alternar esta época entre a minha família e a família do Jack (que vive obviamente o Natal de forma diferente da minha), não perdi nada o encanto que tenho por estes dias de Dezembro.

Nunca acreditei verdadeiramente no Pai Natal pois a minha família não montou nenhuma história ou teatro à volta da personagem. Falavam dele, havia a lista para o Pai Natal, os meus pais tinham o cuidado de, ao chegarmos a casa dos meus avós, não tirarem logo as prendas da mala do carro para que não víssemos que eram eles que as traziam, mas mal nos apanhavam distraídos iam-nas colocando debaixo do pinheiro, onde ficavam até ser altura de as abrir. Para além do mais era-nos dito que esta prenda era dos tios, esta prenda é dos avós, e como tal, o Pai Natal tinha um papel muito pouco importante no Natal.

Este ano, com a Mini-Tété a ter mais noção do Natal, das prendas, da família reunida, quisemos decidir se haverá Pai Natal na vida da nossa filha. Eu acho que não há razão para ignorar esta figura, faz parte da nossa infância, ajuda a haver ainda mais magia, mas não tenho qualquer vontade de embarcar em teatros, pessoas mascaradas de Pai Natal, ameaças de que o Pai Natal não trará prendas se ela não se portar bem e afins. Além do mais, há a questão de tanto na minha família como na família do Jack haver a distribuição de presentes indicando bem quem ofereceu a prenda a quem, pelo que não queríamos agora estar a pedir para se alterar as rotinas e tradições, fingindo ser o Pai Natal que entrega as prendas. 

Assim, decidimos que a existência do Pai Natal será criada apenas na nossa própria casa, na rotina de nós os 3, com o velhinho senhor a deixar à Mini-Tété uma pequena lembrança para ela abrir quando acordar no dia 25. Espero que ela goste desta ideia, que lhe ache piada e que dure até ela acreditar.

7.12.17

Bebés e o sono #1


Já iniciei este tópico pelo menos umas sete vezes e seja de que maneira for que o inicie vou sempre parar ao colo, por isso mais vale assumir que a primeira dica é sobre o colo e a sua importância no sono dos bebés.
Durante a gravidez, o bebé está num local pouco iluminado, onde os sons chegam abafados, onde há um barulho constante e ritmado que o acalma (o coração da mãe), onde a temperatura é constante, onde não é incomodado e onde pouco ou nada o assusta. Depois do parto, que às vezes é traumatizante para a mãe mas também o pode ser para o bebé, este entra num mundo barulhento e iluminado, cheio de vozes e luzes, onde é vestido e despido constantemente, picado, beijado, medido, pesado, banhado, onde fica borrado até ao pescoço, onde sente frio e calor, onde há imensos cheiros e toques. É simplesmente assustador e o bebé precisa de se sentir seguro e protegido. E é aqui que entram os pais e o seu maravilhoso colo. E se nós, enquanto pais, vamos conhecendo diariamente o nosso filho, também ele vai aprendendo que aquele colos, aqueles cheiros, aquelas vozes, aqueles corações que ele ouve, significam segurança e que por isso ele pode dormir. Nós adultos precisamos de nos sentir em segurança para conseguirmos adormecer e o bebé não é diferente. Por isso, dêem colo, muito colo, não ignorem o bebé que chora por colo para que este não fique mal-habituado pois o objectivo é exactamente o oposto: que eles se habituem a que o colo está sempre ali, que eles estão em segurança, que podem dormir, que ninguém está a falhar com eles e com isso transmitir-lhes a confiança de que não precisam de colo sempre porque se mudarem de ideias e o quiserem novamente, ele está lá. 

Eu sei que nem todas as mães pensam como eu e eu assumo-me o tipo de mãe que nunca foi capaz de ter a filha a chorar por colo e não lho dar porque agora tenho de ir comer ou tomar um banho e "ela tem de aprender a saber esperar". Mas eu sempre soube que ia ser assim, mesmo durante a gravidez e como já algumas vezes referi aqui, nos primeiros 3 meses a Mini-Tété dormiu grande parte das sestas ao nosso colo e adormeceu seguramente todas as vezes ao colo.

Mas eu não sou diferente das outras mães no desejo de não querer uma criança já com os dentes todos a adormecer só ao colo, não só pela minha sanidade mental mas também pelas minhas costas que muito prezo. E eis então a segunda dica:

Da mesma forma que o colo é reconhecido pelo bebé como um "factor de segurança", podemos arranjar outros "factores de segurança" para que todos eles em conjunto criem o ambiente seguro em que o bebé pode adormecer. A ideia disto é que havendo 3 ou 4 "factores de segurança", poderemos mas tarde retirar um deles sem que o bebé se sinta desamparado pois ainda tem outros "factores de segurança" que o acalmam. Não me lembro onde li esta dica que agora vos dou mas achei-a preciosa e resultou na perfeição com a Mini-Tété. No nosso caso, um destes elementos de segurança que quisemos que ela tivesse era um ursinho amarelo. Outro elemento era o som constante e calmo "sssssshhhhh", uma espécie de white noise. E ainda a chupeta. A completar então pelo colo. Aos 2 meses apresentei o pequeno urso à Mini-Tété que obviamente não lhe ligou nenhuma e que obviamente não via nele qualquer suporte de segurança. Assim, o que passei a fazer foi adormecê-la ao colo com o ursinho pousado na barriga dela, para que assim se fosse tornando num elemento constante ao adormecer e ela o integrasse nesse momento. Durante o dia, colocava por vezes o urso entre a minha camisola e a pele para que ele ganhasse o meu cheiro, de forma a que ele servisse para acalmar a Mini-Tété. Portanto, para adormecer havia quase sempre 4 coisas: colo, "shhhhh", chupeta e ursinho.

Aos poucos fomos deitando a Mini-Tété na cama em diferentes estados de sonolência: primeiro profundamente adormecida (há que esperar cerca de 20 minutos depois de o bebé adormecer pois é o tempo que ele demora a chegar ao sono mais profundo. Tentar deitar o bebé antes disso pode fazê-lo despertar); depois acabadinha de adormecer; e por fim quando já estava quase, quase, quase a adormecer (estando frio, aquecer previamente a cama com um saco de água quente ajuda pois corta a desagradável sensação que é passar de um colo quente para uma cama fria). O ursinho e a chupeta iam sempre com ela e o som "ssssh" acompanhava os movimentos de a deitar para que ela não despertasse. Ao 5 meses, bastava pousá-la na cama acordada que ela adormecia sozinha sem ser preciso a nossa presença. Infelizmente, depois vieram fases piores de sono e ainda hoje adormece com a nossa presença no quarto (por opção nossa). Acordando durante a noite, muitas vezes bastou um "shhhh" para que sossegasse e voltasse a dormir. Nos dias de hoje, se acorda pega na chupeta e no urso e continua a dormir. Se tentarem esta técnica com algum bebé mais velho podem dar-lhe a escolher qual o boneco com que querem que adormeça. Às vezes insistimos num quando o bebé até se sente mais seguro e acompanhado se for outro. Aos 5 meses a Mini-Tété trocou-nos as voltas e passou a adormecer nas sestas com uma coelha cor-de-rosa, era uma paixão sem explicação, mas bastava mexer-lhe nas orelhas e lá se ferrava ela. À noite mantivemos sempre o ursinho para adormecer e ainda bem porque de repente o amor pela coelha desapareceu e ela voltou a adormecer com o bonequinho de sempre.

Como não amamentei, não passei pela dificuldade de ter um bebé que adormece apenas com a mama, mas ao que sei esta técnica funcionará também nesses casos, bastando por isso criar um conjunto de elementos que, a par com a mama, formem o tal ambiente seguro para o bebé. Depois, com calma, resultando às vezes e noutras não, ir retirando a mama do momento de adormecer.

Obviamente haverá bebés que adormecem como pequenos anjos sem usar estes truques e haverá bebés com os quais nada disto resulta. Connosco resultou (não faço ideia se teria sido diferente se não tivesse feito isto mas não quis arriscar), não é um truque milagroso porque é um processo que demora o seu tempo mas pode ser uma opção a considerar, e por isso fica a partilha.






1.12.17

Mini-Tété e a osteopatia

Nunca aqui contei mas a Mini-Tété aos dois meses foi reencaminhada para um osteopata por ter um lado da cabeça ligeiramente achatado. Nos dias de hoje aconselha-se a colocar os bebés a dormir de barriga para cima, medida que reduziu cerca de 60% os casos de morte súbita, comparativamente a quando eram colocados a dormir de lado. No tempo das nossas mães e avós, os bebés eram assim deitados e alternava-se o lado de forma a que a cabecinha ficasse redonda. Nesta nova posição (de barriga para cima), há que ter o cuidado de ir colocando a cabeça do bebé virada para um lado numa sesta e virada para o outro noutra sesta. Eu, igual a tantas outras mães e com receio de ter de colocar um capacete na Mini-Tété para curar eventuais assimetrias de causa posicional, lá ia estando atenta à posição da cabeça da Mini-Tété e passava-lhe a mão para ver se sentia algo diferente. Aos 2 meses, numa das consultas de rotina, a médica detectou então um ligeiro achatamento e reencaminhou-nos para o osteopata.

Fez 3 sessões que foram uma tortura completa, pois a Mini-Tété ou chorava de sono ou chorava de fome. O osteopata dizia-me para marcar a consulta para uma altura do dia em que eu achasse que ela estaria mais disponível mas era absolutamente impossível quando falávamos de uma bebé que basicamente dormia e comia o dia todo. Estaria sempre com fome ou com sono. O berreiro era tal que na segunda consulta, já ele me dizia que nunca tinha visto um bebé chorar daquela maneira, que nenhum alguma vez lhe tinha reagido assim, e quando saímos para a sala de espera, os olhares curiosos eram mais que muitos. Provavelmente, achariam que estavamos a estripar algum bebé. Verdade seja dita, já voltei a estar naquela sala de espera mais uma série de vezes (a nossa médica de família é no mesmo local) e nunca ouvi bebé nenhum chorar durante as consultas com o osteopata. Mini-Tété bateu realmente todos os recordes.

A mim também me custou. Não apenas pelo preço de cada consulta, não apenas porque a minha filha chorava como se a estivessem a matar mas também porque sou um bocadinho céptica quanto a estas vertentes da medicina e porque me fazia uma confusão danada ter um adulto com as mãos pousadas na cabeça pequenina e delicada da minha bebé de 2 meses, a fazer pressão de forma a orientar devidamente os ossos. Explicou-me ele (e eu já tinha lido porque o meu cepticismo me obrigou a uma pesquisa prévia) que os ossos da cabeça de um recém-nascido se deslocam durante o parto para passar na bacia da mãe e que nem sempre ficam perfeitamente orientados depois do nascimento (podendo até originar desconforto para o bebé). Este seria então o problema da Mini-Tété, que teria então um dos ossos ligeiramente desalinhado, nada de grave, pelo que bastariam poucas sessões. Ainda tentou perceber se o achatamento não seria provocado por a colocar a dormir sempre com a cabeça para aquele lado (ou seja, alguma causa posicional), mas expliquei-lhe que na verdade a Mini-Tété tinha até preferência em dormir com a cabeça virada na direcção contrária, facto que ele mesmo pôde comprovar quando a deitei após uma consulta e ela adormeceu exausta depois de quase uma hora a chorar.

Numa das consultas, massajou-lhe também a barriga e concluiu que sentia ali alguma tensão, que seria provavelmente a causa de ser uma bebé que chorava tanto. E foi aqui que torci o nariz porque para além de me parecer normal que houvesse tensão na barriga de um bebé a chorar desalmadamente, a Mini-Tété não era nem nunca foi uma bebé de muito choro. Acho que foi este episódio que fez com que o meu ligeiro cepticismo quanto à osteopatia não tivesse desaparecido completamente, embora reconheça que as sessões da Mini-Tété foram essenciais à correcção do seu pequeno problema. Por isso, não hesitem se acharem que há algum achatamento ou assimetria, ou se o vosso médico vos aconselhar a recorrer a um osteopata, pois quanto mais cedo melhor uma vez que a cabeça está mais maleável e é mais fácil corrigir os problemas.

29.11.17

Bebés e o sono


Parece-me que estando eu a atravessar uma fase em que a Mini-Tété poderia estar a dormir bem melhor (agora deu-lhe para demorar duas a três horas para adormecer) e portanto estando mais uma vez a tentar acertar-lhe os sonos, esta será uma boa altura para escrever alguns posts sobre o sono dos bebés sem que alguém me diga "mas a tua filha é um anjo para dormir!".

Tenho no entanto de confirmar que, na sua grande maioria do tempo, a Mini-Tété é realmente um anjo para dormir, gosta de dormir, nunca foi bebé de passar horas e horas acordada (tem 2 anos e a não ser em dias de festa, não fica 7 horas seguidas acordada, por exemplo), e crendo eu que grande parte das suas boas noites de sono se devem à sua própria personalidade, também acho que eu (e o pai, claro) demos aqui uma mãozinha.

Eu sou, infelizmente, aquele tipo de pessoa muito pouco funcional quando tem sono e, não bebendo café ou qualquer outra bebida estimulante, quando tenho sono, este só passa realmente se...eu dormir. Sou sincera, não sei como conseguem aguentar-se as mães que dizem "há 3 anos que não sei o que é uma noite de sono", "Já passou um ano e ainda acorda duas ou três vezes a chamar por mim", "Tenho noites em que chama 7 vezes...". Se fosse esta a minha experiência, acho que a privação de sono seria a suficiente para ir à maternidade (de táxi, porque nem pensar em tentar conduzir) tentar inconscientemente devolver o bebé. Tal como quando tinha 4 anos e perguntava aos meus pais se não podíamos ir à maternidade trocar o meu irmão por outro bebé que chorasse menos. 

Ainda este Verão ouvi a  história de uma rapariga que ponderava divorciar-se do marido pois assim a guarda do bebé seria partilhada, o que significaria que este ficaria em semanas alternadas em casa da mãe e do pai, e isto permitiria a esta recém-mamã ter uma semana a poder dormir normalmente. Imagino o cansaço que uma pessoa não sentirá par chegar a este ponto de pensamento. Já aqui o disse e repito: estou absolutamente convencida que um casal que se divorcie nos primeiros seis meses de um bebé ou 1) a relação já não estava bem antes da gravidez ou 2) é o cansaço e o sono os verdadeiros culpados e não a falta de amor. Eu própria me lembro de ter falado de divórcio ao Jack cerca de 3 vezes nesses primeiros 6 meses da Mini-Tété, o que vendo agora em perspectiva não me teria resolvido em nada o problema pois eu só queria dormir, nada mais.

Exactamente por saber o meu baixo limite a noites mal dormidas, informei-me o mais que pude durante a gravidez (durante a qual dormi maravilhosamente e na qual fiquei muito mal-habituada a óptimas noites de 12h de sono seguido) sobre o sono dos bebés, li todos os artigos que me apareciam à frente dos olhos na internet, procurei experiências em fóruns de mães e continuei assim sempre que a Mini-Tété entrava numa fase de dormir pior.

A minha ideia é portanto partilhar este meu conhecimento para o caso de algum dia vos ser útil. A quem tem bebés que neste momento durmam mal e já não sabem o que tentar, podem sempre experimentar algumas dicas mesmo que achem que o vosso bebé é diferente da Mini-Tété. Houve dicas que usei por ter lido que funcionavam em bebés com feitios bem diferentes da Mini-Tété e achei que não perdia nada. Não sou nenhuma guru do sono, sou apenas uma mãe que precisa muito de dormir bem e foi aprendendo alguns truques que por aqui funcionaram. É apenas a minha experiência pessoal relatada em posts futuros.



28.11.17

Ensinar desde pequenina


Cresci numa família onde não havia diferenciação entre mim e o meu irmão, nem por sermos de géneros diferentes nem sequer por sermos de idades diferentes. As responsabilidades eram divididas de forma igual, as aprendizagens também, e por isso também eu fiz pesca e o meu irmão tornou-se num cozinheiro bem melhor do que eu. 

Cresci também de forma a aproveitar o melhor possível a minha infância (que adorei e só gostaria de poder dar à minha filha a mesma alegria com que a vivi) mas ainda assim foi-nos sempre dada alguma responsabilidade nos afazeres de casa, para além da escola. Éramos os responsáveis pelas nossas camas, por pôr a mesa, por a levantar, entre outras coisas. Mesmo nas férias, era criado um quadro de tarefas rotativo, calhando à vez a tarefa de ir pôr o lixo, lavar a louça, pôr a mesa. Estando estas tarefas cumpridas, nada mais nos era exigido e tínhamos todo o tempo do mundo para brincar.
Sigo de perto uma família onde o oposto foi feito, onde as crianças cresceram sem qualquer responsabilidade em casa e agora, em plena adolescência, vejo o quão difícil é convencê-los a fazer seja o que for, para além da notória falta de capacidade em fazer coisas muito básicas. Não quero isto para ela.

Por isso, a Mini-Tété é envolvida nas tarefas cá de casa, não apenas porque por enquanto lhes acha piada e é uma forma de a entreter, como também porque espero que seja assim, no meio da brincadeira, que ela vá aprendendo e ganhe noção de que a louça não aparece nos armários porque algum duende a arrumou, que a roupa não é lavada por fadas e que mesmo as camas não se fazem sozinhas. E ontem, com 2 aninhos acabados de fazer, pôs a mesa quase toda sozinha. Colocou os individuais nos lugares habituais, levou os talheres e distribui-os por cada lugar, colocou um guardanapo em cada lugar, levou o seu prato e o seu copo (por serem de plástico) e ainda uma base. Ficou orgulhosa e eu também.

27.11.17

Manha

Não gosto de ouvir alguém dizer que bebés recém-nascidos têm manhas e nem sequer compreendo muito bem de onde surge esta ideia. "Ah, chora a ver se lhe pegam ao colo, é mesmo manha". Não, não é manha, é necessidade. Quando é que se criou a ideia de que um bebé que saiu há horas, dias, semanas de um corpo quente e sossegado não tem qualquer necessidade de ser aconchegado num colo quente, para se sentir seguro em vez de perdido neste mundo frio, barulhento, desconhecido e cheio de estímulos? Não compreendo por isso a ideia de não se fazer algo que dê conforto a um recém-nascido (seja colo ou qualquer outra coisa que o ajude naquele momento) para que este não ganhe "manha", não fique "manhoso". E cada vez que oiço alguém dizer que um bebé de 1 mês já tem manhas, lembro-me da primeira vez que percebi que efectivamente a Mini-Tété estava a ser "manhosa". Tinha 5 meses.

Nessa altura, andava a adormecer tardíssimo, lá para as 3h da manhã, e até lá era uma energia sem fim. Mas depois desatava num berreiro de sono que parecia que o prédio vinha abaixo e notava-se claramente que muito daquele choro era cansaço e sono e que ela já só queria dormir. Depois de algumas leituras sobre o tema, aprendi que o sono dos bebés passa por fases: eles começam por dar ligeiros sinais de sono, e se não forem logo deitados, entram na fase da energia em que ninguém diria que a hora de eles adormecerem já passou, até finalmente chegarem a um ponto de cansaço tal que já não conseguem adormecer por estarem exaustos. O truque passa então por reparar quais os primeiros leves sinais de sono que eles nos transmitem (no caso da Mini-Tété era algo tão simples como mexer numa orelha) e deitá-los logo.
Bom, enquanto não descobrimos isto e a pequena achava que era um morcego, havia ali pelo meio diversas tentativas de a deitar mais cedo, mas ela desatava num berreiro de protesto e como o Jack tinha de dormir para acordar ainda antes do sol nascer, lá ia eu com ela para a sala passar mais umas horas até ela ficar cansada. No nosso processo de mudança, que incluiu uma série de passos (desde a hora de acordar até ao tamanho das sestas) a hora de deitar passou realmente a ser mais cedo, mediante a tal visualização dos sinais de sono. Mas a pequena Mini-Tété, mesmo deitada à hora certa, não estava habituada aquilo e mal a pousava na cama, desatava num berreiro por não querer dormir. Até que um dia, mal lhe peguei e me dirigi à porta do quarto, ela calou-se. E eu percebi que afinal aquele choro todo era com o intuito que a levasse para a sala para brincar mais um bocado. Manhosa e espertinha, a minha filha! E nessa noite acabou-se. Posso dizer-vos que as noites seguintes foram de berreiros de fazer estremecer o prédio, mas ficávamos ali as duas, no quarto, com ela ao meu colo (tenho um problema com "deixar ficar na cama a chorar até que se cale"), com o Jack a tentar dormir, até a pequenina ter percebido que por muito que chorasse, já não voltava à sala para brincar e que mais valia dormir porque não havia nada de divertido ali no quarto para fazer. E foi assim que controlámos a primeira "manha" da Mini-Tété e a fizemos começar a dormir a horas decentes.