21.7.17

Carta a uma grávida

Tenho uma amiga grávida a quem tenho feito o esforço de não estar sempre a fazer perguntas nem a encher de informação. 
A primeira razão é porque de facto não quero ser chata e tenho a certeza que ela tem outras pessoas na vida dela para lhe darem mais de mil conselhos. 
A segunda razão é que não sou nenhum guru da maternidade e metade dos conselhos que eu poderia dar provavelmente não resultarão com ela e com o bebé dela. Tal como cada pessoa tem a sua vida, também cada pessoa tem a sua experiência da maternidade, não só porque somos pessoas diferentes mas também porque os bebés o são. Há uns tempos falava do lado mais negro da maternidade com uma amiga que tem duas filhas (beijinho, S!) e a certa altura dei por mim a pensar que estava para ali a falar mas no fundo que sabia eu da realidade desta minha amiga? Eu só tenho uma filha, não faço a mais pequena ideia do que é ter duas, do que é ter de gerir a chegada de um bebé a uma casa onde até há pouco só havia uma criança, do que é dividir atenção entre as duas, adaptar rotinas para que nenhuma saia lesada...Aliás, temos as duas experiências absolutamente opostas: ela é mãe trabalhadora com 2 crianças e eu sou mãe a tempo inteiro de apenas uma. Haverá conselhos que nos ajudarão mutuamente mas outros aplicar-se-ão apenas a uma das realidades não funcionando de todo com a outra.
A terceira razão para não andar a chatear a amiga grávida é que sinto que há coisas que por muitos que nos avisem antes, só saberemos como é quando lá estivermos, quando passarmos por isso. Por muitos pormenores que nos dêem, vamos sempre imaginar que vai ser uma coisa e a realidade será outra.
Mas depois penso que a devia avisar de certas coisas, sim, que é para isso que servem as amigas e eu não sei se alguém lhe diz estas coisas e fico ali no limbo de falar ou não. Que se calhar devia dizer-lhe que a seguir ao parto é mais do que normal não sentir um amor arrebatador pelo bebé que nasceu, que isso não faz de nós más mães, que é normal gostarmos ou preocuparmo-nos apenas com ele e que só isso já é bom. Também lhe devia dizer que a amamentação pode não correr logo bem à primeira e que se ela quiser mesmo amamentar (porque é o melhor para o bebé) tem todo o direito de pedir ajuda até conseguir que tudo corra bem. Mas também lhe devia dizer que não é má mãe se por acaso tiver de dar leite adaptado. Porque no fundo, o que o bebé precisa é que a mãe o alimente, seja de que maneira for. E devia também dizer-lhe que a descarga hormonal a seguir ao parto, os babyblues e a depressão pos-parto existem, não são coisa de mães fracas e que se sentir que algo não está bem, que fale, que peça ajuda. Que é normal que a racionalidade e lógica que se tem antes do parto sejam um bocado afectadas após este pois de repente temos ali um ser, cheio de necessidades, com médicos e enfermeiras a darem-nos várias informações, a ter de gerir visitas, e a tentar equilibrar tudo isto enquanto se recupera de um parto. É um pouco como se agora dessem a qualquer um de nós uma girafa e dissessem "Vá, toma conta dela, não deixes que lhe falte nada, tens isto, isto e isto que deves fazer, e evita aquilo e aquilo, e agora toma lá um grupo de várias pessoas para olharem para a girafa e falar contigo enquanto tentas aprender num par de horas tudo o que precisas de saber para cuidar dela". É muito para gerir, certo? E devia também dizer-lhe que tooooda a gente sabe que os bebés comunicam pelo choro mas que é muito difícil imaginar até que ponto este consegue ser stressante. Sobretudo se durar horas. Sobretudo se a única coisa que queres fazer é dormir porque sempre que piscas os olhos sentes que adormeces durante aquele nano-segundo. E avisá-la também que vai sentir a paciência fugir, que pode pensar onde é que tinha a cabeça quando se lembrou de engravidar, que não vai conseguir aguentar isto nem mais uma noite quando mais umas semanas ou meses. Que vai querer chorar e que o deve fazer se isso ajudar a depois respirar fundo, ganhar força e continuar a lidar com aquele pequeno ser que parece berrar sem razão. 
Dizer-lhe que aquilo a que muitas mães chamam de cólicas e que surgem ao final do dia é a maior parte das vezes o bebé a descompensar, a libertar todos os estímulos do dia e que isso leva ao choro. Afinal ele saiu de um sítio escuro e calmo para este mundo tão confuso. É como se agora nos colocassem a nós num país onde se fala pelo menos 7 línguas diferentes, das quais nenhuma nos é familiar e nos dissessem para irmos à vidinha, trabalhar normalmente, tratar de assuntos, apanhar transportes...O stress seria tal que muito provavelmente também choraríamos ao final do dia. E devia dizer-lhe para tapar os ouvidos e fazer "lá-lá-lá" (ou ignorar simplesmente) sempre que alguém lhe disser que o colo vicia e que o bebé está demasiado apegado à mãe. É uma crueldade alguém tentar fazer com que uma mãe pense que o seu filho de 1 mês, 2 meses deveria passar mais tempo sentado algures que no colo dos pais e que deveria ser mais apegado ao padeiro do que à mãe. Que dê colo, que cheire, que mime. Por todo o lado se ouvem vozes em como a amamentação ajuda a criar o vínculo entre mãe e filho, mas tê-lo ao colo sem a mama na boca é que não! Eles precisam do calor dos pais, do cheiro dos pais, da pele dos pais, seja a mamar ou não. Devia dizer-lhe que a privação de sono é terrível e que aquele conselho de "dorme quando o bebé dorme" deve ser seguido à risca. Não somos super-mães, somos a mãe daquele bebé e ele precisa que estejamos funcionais. Devia dizer-lhe que é fácil para muitos casais cair no erro de "o pai trabalha e está cansado quando chega a casa". Pois claro que está mas a mãe também. E juntos fizeram o filho por isso há que partilhar, entregar o bebé e ir dormir, tomar banho, sair meia-hora. E se for preciso acordar a meio da noite, entregar o bebé aos gritos e dizer "Já venho, preciso de 2 minutos para respirar fundo". 
E dizer-lhe sobretudo que tudo são fases. O bebé não será recém-nascido durante muito tempo, que depois o choro deixa de ser sempre em modo histeria porque ele passa a confiar nos pais e a perceber que se chorar mais baixinho os pais dão-lhe de comer/mudam a fralda/embalam na mesma. E que não o vão deixar para trás, sozinho e indefeso. Dizer-lhe que aprendemos com eles e eles connosco e que é preciso os primeiros tempos de confusão para chegar a esse ponto. E que tudo melhora. 
Mas se calhar o melhor é ficar caladinha porque esta foi a minha realidade na maior parte dos pontos e a dela pode ser completamente diferente. E todos estes conselhos não servirão para nada. Ou até pode vir a ser igual mas não interessa dizer-lhe isto agora porque ela só saberá como é quando tiver o bebé nos braços. Por isso, fica aqui para quando e se um dia lhe apetecer ler. E para que saiba que estou aqui, com toda a minha experiência e realidade, para a ajudar e/ou ouvir mesmo que a experiência e realidade dela sejam diferentes.


Autora do cartoon: https://www.facebook.com/A-minha-vida-dava-um-cartoon-292543747583198/

17.7.17

Vá, gozem lá comigo...

A nossa casinha vai avançando e ao contrário do que era suposto, o andar superior da casa está muito mais avançado que o andar inferior. A nossa ideia seria fazer o rés-do-chão para o caso de termos de mudar mais cedo que o previsto, e assim poderíamos acampar na sala enquanto os quartos em cima fossem feitos. Outra razão para este plano é que estando o andar de baixo finalizado poderia-se pôr a escada definitiva, de madeira, com espelho, estável, degraus como deve ser....para assim se ter um acesso mais facilitado ao andar de cima. 
Mas porquê esta preocupação com a escada, Tété? Porque aqui a menina tem vertigens e não consegue subir escadotes ou aquelas escadas de metal/ madeira que se põem contra uma parede. É que simplesmente não consigo, toda eu tremo como varas verdes. E não vale a pena dizerem-me para não ser medricas, que aquilo é só uma escada, que até o Jack a sobe com coisas nos braços (até com a Mini-Tété já subiu, nem me quero lembrar...) porque à custa de tanta insistência, eu tentei subir há 2 semanas. Subi devagarinho, o suficiente para que os meus olhos vissem o chão do segundo piso e bloqueei. O Jack tentava que eu subisse, eu tremia tanto que mal me segurava à escada, ele a querer mostrar-me o que já foi feito, eu sem conseguir sequer rodar a cabeça, ele a dizer-me para descer, eu sem conseguir mexer um dedo, ele a dizer para eu respirar, eu a chorar como uma madalena cheia de medo, ele já a pensar em saltar para o andar de baixo (é doido) e fazer-me um colchão com o isolamento das paredes para que eu me deixasse cair sem me magoar (é mesmo doido), e ali estivemos meia-hora, eu pendurada na escada, ele a pensar que devia ter casado com outra qualquer que conseguisse subir uns míseros degraus, até que finalmente eu lá consegui descer, de maquilhagem toda borrada, nariz a pingar, e a prometer a mim mesma que não me volto a meter numa destas.
Assim, há todo um andar da casa, já com os quartos quase fechados, com portas e janelas já colocadas, com os fios da electricidade já quase nos lugares certos, e eu sem conseguir ver nada. Aliás, eu nunca subi àquele piso desde que ele foi construído. O Jack vai tirando fotografias, fazendo vídeos, chamadas em Facetime e suspirando coisas como "Dava mesmo jeito que lá fosses acima para decidirmos uma série de coisas....". 
E é isto, estou a construir uma casa em que só terei acesso aos quartos quando esta estiver toda acabada. Só eu.

Isto é o que consigo ver com os pés no chão do piso de baixo. Há todo um mundo de quartos fora da minha vista. Aposto que o Jack os vai pintar de cores horríveis e eu só vou descobrir mesmo no fim.

13.7.17

A salvação da Mini-Tété

Eu não quero dizer isto muito alto não vá agoirar porque a verdade é que estas coisas acontecem. Mini-Tété andou uns tempos a dormir mal e depois quando começou a dormir bem, tive a infeliz ideia de o comentar com o meu pai. Foi certinho e direitinho: voltou a dormir mal e assim se manteve mais uns tempos. Agora parece ter voltado a dormir bem mas vamos fingir que eu não disse nada, sim?
Bom, mas depois do meu último post, venho dizer-vos que tivemos um banho com muito maior sucesso. O tapete com bonecos não tinha resultado, os livros próprios para o banho também não e eu disse ao Jack "é a minha última cartada, comprei uns animais que se colam e descolam. Se não resultar, não compro mais nada porque o duche mais parece um parque infantil". E bom, Mini-Tété adorou os animais, descolou e colou 1001 vezes, punha-os debaixo de água toda satisfeita e com isto foi-se dando o banho sem histerismos (apenas um pouco de choro para tirar o shampoo da cabeça). No final, fechei a torneira e ouvi uma vozinha "Não! Mais água! Mais banho!". Como assim, mais banho?? Esperemos que no próximo os animais continuem a fazer sucesso e que tudo corra pelo melhor. Mas, mais uma vez, eu não disse nada, sim?

Os autocolantes dos animais são estes que aqui aparecem na imagem abaixo. Os patinhos ao lado foram usados quando a Mini-Tété ainda tomava banho na sua banheira de bebé e é com eles que o Jack lhe anda a tentar ensinar as cores. :)

7.7.17

Mini-Tété e o medo da água


Mini-Tété está a passar por uma fase de aversão à água. Qualquer gota que caia na roupa é motivo para uma crise de ansiedade ("Molhado! Molhado!"), lavar as mãos é molhar a ponta dos dedos e dizer "Já está!", e tomar banho é simplesmente um exercício de tortura. A pequenita nunca gostou de sentir a água na cabeça, havia sempre umas gotas que acabam por ir para a cara e ela reclamava. Arranjámos um copo com uma borda de silicone para que não houve estes acidentes, mas ela simplesmente recusava-se a colocar a cabeça para trás, chorava na mesma e eu ficava sempre com a sensação que não tinha tirado bem o shampoo. Para além disso, era uma choradeira por sentir o cabelo molhado como se isso fosse sinal de estar sujo. Nem no meu cabelo molhado gosta de tocar. Vai daí, passámos a dar banho de chuveiro e aí, meus amigos, parece que a estamos a esventrar. A pequena tem um medo de morte do chuveiro (tem a quem sair pois a sua rica mãezinha tinha medo do chuveiro e do ralo), mal ouve a palavra banho em qualquer conversa começa logo a fazer beicinho e a dizer "medo!", e perante o mesmo chora de tal forma que já chegou a vomitar enquanto a molhávamos. Portanto, o que fazemos? Estamos assim um bocadinho desesperados pois temos uma filha fácil na maioria dos aspectos e custa-nos ver toda aquela aflição por causa do banho pois a última coisa que queremos é submetê-la a uma tortura. Regressar à banheira de bebé não nos parece boa ideia pois ela também não morre de amores por ela (porque tem água lá dentro...) e por isso não nos parece compensar andar para trás, molhar o cabelo com um copo e não com o chuveiro é a mesma coisa, ela não gosta por isso não nos parece valer a pena voltar aí...Já demos banho a bonecos (chora na mesma a vê-los), já a pusemos apenas a lavar as mãos e os pés para se ir habituando ao chuveiro (não chora tanto mas repete mil vezes que tem medo), já arranjei um tapete com bonecos giros, já arranjei livros próprios para a água...E nada resulta pois, mal percebe que a hora do banho se aproxima, entra em crise. Vá, vocês que são pessoas cheias de ideias e experiência, que dicas me dão?

1.7.17

A minha filha vai ter de me ouvir a resmungar sobre isto até me enfiar num lar*

Os factos: 

- Eu estou em casa com a Mini-Tété, 24h por dia.
- Como o Jack dorme poucas horas de sono e eu tenho a liberdade de poder dormir a sesta com ela se estiver mesmo de rastos, sou eu que acordo caso ela precise de alguma coisa durante a noite.
- Sou eu que lhe dou o biberão da manhã, que faço torradas a contar com ela, que lhe faço o almoço, preparo o lanche e faço o jantar.
- Sou eu a adormeço na sesta e a adormeço noite sim, noite não.
- Sou eu que vou às compras com ela, que a levo ao parque, a dar pão aos patos, a passear...
- Sou eu que lhe aturo as birras, que a entretenho, que a ocupo, que a visto, que lhe lavo as mãos, que lhe ensino coisas
- E já disse que estou com ela 24h por dia, certo?

- O Jack, nesta fase da nossa vida, chega a casa antes do jantar nos dias bons e depois de ela se deitar nos dias maus. Esta semana, os dias maus ganharam.
- Quando ele sai de casa, ela ainda está a dormir.
- Quando está presente, é ele que lhe dá o jantar e dá o banho (com o meu apoio logístico).
- Ele adormece-a noite sim, noite não.

Adivinhem portanto com quem é que ela decidiu dar os seus primeiros passos de forma independente?

Ele chegou a casa para nos apanhar para irmos a um jantar. Eu aproveitei para ir à casa-de-banho sem a eterna companhia da pequenita e demorei nem cinco minutos. Quando saio, ele pergunta-me "Já a viste a andar sozinha?". Eu não me ausentei nem 5 minutos, Mini-Tété! Depois de (mais) um dia inteiro passado comigo, tinhas mesmo de aproveitar a minha única breve ausência para dar os teus primeiros passos?

Irra, que é mesmo filhinha do papá. :P

*Não resmungo assim tanto. Tenho a grande sorte de ser eu a assistir a praticamente tudo o que a Mini-Tété faz pela primeira vez. E visto a semana que o Jack teve e o quanto lhe custou não ter estado muito com ela, acho que foi uma boa prenda ter-lhe calhado este(s) passos(s) tão importante(s) da filha. :)

24.6.17

Não entendo

No fim-de-semana passado, a sair da aldeia com a Mini-Tété para irmos até um parque brincar, cheguei a uma zona de estrangulamento de estrada onde todos os avisos indicam que quem tem prioridade sou eu. Do lado contrário, um carro aproximava-se a alta velocidade, obrigando-me a travar de repente depois de ter percebido que ele, mesmo que quisesse e fizesse o esforço (que não fez), não conseguiria parar a tempo para que eu passasse e que se eu continuasse bateríamos simplesmente de frente. Admito que nestas alturas às vezes me passa pela cabeça um "Que se lixe! Caramba, quem tem prioridade sou eu, por que raio tenho de ser eu a parar enquanto estes idiotas continuam a achar que a estrada é deles?". Claro que travo sempre porque mais do que querer destruir o carro do outro, quero salvar o meu e sobretudo quero salvar-me a mim. E desde que a Mini-Tété nasceu, não pode mesmo ser de outra maneira. De modo que travei (como sempre), um travagem bruta e seca mesmo à última da hora (porque o estrangulamento está a seguir a uma curva, não permitindo grande visibilidade), enquanto o via passar e levantava os braços em sinal de protesto. O condutor levantou a mão em jeito de desculpa (vá lá, já apanhei uns quantos que ainda reclamam comigo). E nessa altura vejo: ao lado dele, uma criança pouco mais velha que a Mini-Tété, sem qualquer cadeira necessária, presa apenas com o cinto de segurança. Passei o resto da tarde angustiada, a pensar no que teria sido se eu não tivesse tido o reflexo de travar, se eu (como tantos ali) fosse mais depressa do que ia e não conseguisse travar a tempo, se estivesse a olhar para o telemóvel (como tantos), coisa que nunca faço, ao ponto de não o ter visto a tempo, se chocássemos os dois de frente. A Mini-Tété vai protegida (quero acreditar que sim) na sua cadeira no sentido contrário à marcha, quero acreditar que não sofreria mazelas. Mas e eu? E aquela criança, tão mal presa e em tão grande falha de segurança? Mas sou só eu que vejo o perigo? Aquele idiota que conduzia em excesso de velocidade ao ponto de nem conseguir ceder passagem obrigatória não consegue chegar às mesmas conclusões que eu?

E da mesma forma que não consigo entender quem põe assim a vida de uma criança em risco, também não compreendo o que vejo diariamente na internet, nas redes sociais, de gente que até considero que tem dois dedos de testa. Não comento, não aponto o dedo, acho que se o fazem é lá com eles, mas não compreendo:
- Sigo algumas páginas de pessoas do "jetset" e é ver crianças com menos de 3 anos a viajar ao colo dos pais, ou sentadas nos bancos apenas presas com o cinto de segurança, ou até nas suas cadeiras mas com os cintos completamente folgados. Não pensam na possibilidade de haver um acidente?
- Pessoas que tiram fotografias, filmam e transmitem directos para o facebook e instagram enquanto conduzem. Oh, senhores, eu já vi um brutal acidente acontecer porque um carro avariou, o senhor saiu do carro (foi a sorte dele) e segundos depois, um carro em excesso de velocidade com o condutor distraído com o rádio, bateu de tal maneira no da frente que este deu meia-volta. Eu própria já tive um acidente num semáforo exactamente porque a senhora atrás de mim ia distraída com o rádio e não viu que eu parei no semáforo vermelho. Porque é que pensam que controlam tudo? Porque é que acham que estar a filmar e a olhar para o ecrã "só dois segundos" não é perigoso? 
- Marcas que oferecem as cadeiras às pessoas famosas com filhos com menos de 3 anos: porque é que insistem em oferecer cadeiras que vão no sentido da marcha? Porque são mais baratas? Acredito. Mas já que é publicidade do género "a-pessoa-famosa-fala-maravilhas-da-cadeira-e-toda-a-gente-vai-comprar-porque-querem-ser-iguais-aos-famosos" não seria uma tão melhor ideia fazerem publicidade às mais caras? E pôr esses famosos a falar da importância de ir contra o sentido da marcha?
- E mesmo estes famosos, aceitando prendas e parcerias com marcas, por que não têm como condição o que é mais seguro? Porque não dizem "Querem oferecer uma cadeira? Boa!Mas só se for uma que viaje no sentido contrário à marcha"?
- Pessoas que permitem que os filhos de 5 anos conduzam ao colo dos pais "apenas 50, 100 metros", admitindo que é perigoso. Mas se sabem que é porque é que fazem...?

Eu admito, sou paranóica com a condução. E infelizmente também já cometi um erro dos qual tentei tirar a maior lição possível para que nunca mais volte a acontecer. Tenho um medo imenso de conduzir mas não é por mim, é por todos os idiotas que circulam na estrada. Quando chamo a atenção para excessos de velocidade, para ultrapassagens perigosas, para o facto de não controlarmos quem vai a conduzir outros carros, oiço frequentemente a resposta "Mas se eu estiver a fazer algo legal e outro me bater, a culpa é dele e é ele que paga os estragos no carro!". A minha resposta é sempre a mesma: e se morreres, isso interessa?

"Other people make mistakes. Slow down."

22.6.17

Uma praga

Os meus vizinhos vivem numa terra diferente da minha, só pode. No Inverno, com graus negativos, temos nós tudo fechado e o aquecimento a bombar, e é vê-los de janelas abertas dia e noite. No Verão, com receio das melgas, fechamos tudo à noite enquanto que eles mais uma vez mantêm tudo aberto pelo que facilmente se conclui que as melgas só voam mesmo ao nível no nosso apartamento. E todos os anos por esta altura, há uma praga de mosquitos pequeninos que facilmente nos entra pela casa dentro (aliás, basta sair de casa e entrar no carro para ficarmos logo com a roupa e a pele com vários mosquitos). No primeiro ano que aqui vivi tive a terrível experiência de abrir a janela do quarto para arejar e minutos depois uma das paredes brancas estava preta com tantos mosquitos pousados. Fui obrigada a comprar daqueles difusores mata-tudo (e eu que odeio estas coisas), pôr no quarto, e umas horas depois o chão estava preto de tantos mosquitos mortos. Desde aí tenho sempre cuidado quando os começo a ver aparecer. Nos últimos dias, já tinha visto um ou outro pousado nas janelas mas hoje, estando a casa a 32°C, decidi arriscar e abrir as janelas para arejar, pensando que poderia ser a última vez antes da praga chegar. Erro! Minutos depois, já via mosquitos nas costas da Mini-Tété. Fui a correr fechar as janelas mas já era tarde demais: tenho as paredes, o tecto, os cortinados, tudo cheio de mosquitos. E tem sido assim o meu dia: a dizer palavrões, a passar panos húmidos em todas as superfícies para os ir matando e a ver que os vizinhos mantêm as janelas abertas porque muito provavelmente lá na terra deles, que é seguramente uma terra diferente da minha, não há esta praga. 

E o bom que é ter uma casa quente e saber que não vou poder abrir uma janela que seja durante uma ou duas semanas? 


Já limpei esta janela uma dúzia de vezes. Minutos depois volta a estar assim cheia de mosquitos tal a quantidade que neste momento ainda tenho a viver cá em casa.

21.6.17

20 meses (1 ano e 8 meses)

Há uns dias, decidi experimentar por brincadeira uma aplicação na qual eram respondidas várias perguntas de forma a ver o nível do nosso bebé nas competências motoras, de linguagem, sociais, etc...Na parte da linguagem e das competências motoras aconteceu o esperado: na primeira está muito acima da média (com a aplicação a fazer-me a pergunta "Estamos perante um futuro Einstein?") e na segunda a ficar muito abaixo da média (não se pode ser bom em tudo).
Pois é, Mini-Tété já fez 20 meses e andar sozinha não é com ela. Ainda assim, os últimos dois meses traduziram-se num avanço descomunal e a bebé que não se mantinha de pé agarrada a nada passou a conseguir andar na rua de mão dada (obrigada!, gritam as minhas costas). E já se aventurou por duas ou três vezes a tentar ficar de pé sem se agarrar. Bem me dizia o instinto que ela apenas precisava de tempo e ainda bem que me mantive calma e a deixei seguir ao ritmo dela. Não tenho pressa, nunca tive, nem para que ela nascesse. É a minha preguiçosa tagarela (tem dias que não se cala, senhores, sempre a falar comigo ou sozinha. Fora as noites em que decide rever, antes de adormecer, todo o vocabulário aprendido. E não falemos do facto de falar a dormir...Já disse que ela não se cala?). 

Neste momento, anda com uma aversão à água ao ponto de a metermos na banheira e ficar com os braços levantados para que nem mais 1 cm de pele toque na água, essa coisa estranha que a deixa molhada e a incomoda.
Depois de uns dias a recusar a sopa e a dizer "Quente! Quente!" mesmo com a dita bastante morna, lembrei-me que já no Verão passado, ainda não tinha ela um ano, só aceitava comer a sopa fria. Na altura associei ao nascimento dos dentes mas parece-me agora que a tolerância dela ao calor deve ser parecida com a da mãe: zero. Assim sendo, agora tiro a sopa do frigorífico, dou-lhe uns segundos de microondas só para acalmar a minha consciência e lá lhe ponho à frente a sopa fria. E ela come, comigo a arrepiar-me toda. Blargh.