25.5.17

Qualquer dia aprende a conduzir

E eis que a 23 de Maio de 2017, andávamos nós na rua a passear, com ela segura pelas duas mãos e a Mini-Tété decide simplesmente largar uma mão e aventurar-se a caminhar sozinha apenas de mão dada, comigo ao lado dela. Estou fascinada com esta evolução e com esta capacidade de aprender a andar (eu sei, eu sei, a maioria dos bebés faz isto muuuitos meses antes dela mas talvez tenha sido este "atraso" que me faz olhar para este progresso com ainda mais espanto). :)

21.5.17

Eu mereço-a

Já aqui disse que a Mini-Tété é a bebé menos carinhosa que alguma vez conheci. Sim, sim, façam-me inveja falando dos beijinhos que os vossos dão, dos abracinhos e do quão fofinhos conseguem ser. Por aqui, aos 19 meses, já pousa a cabeça no nosso ombro quando está cheia de sono (admito, parecemos dois tolinhos a apanhar migalhas de carinho com estas), gosta de estar ao colo encostada a nós a ler histórias e faz festinhas muuuuuito de vez em quando. No outro dia, pedi-lhe uma festinha e ela simplesmente tocou na minha cara com a ponta do dedo, tirando-o logo. Mais contacto físico? Para quê? Pffff. Em contra-partida também não é uma bebé que morda, bata ou arranhe. Nunca o fez e sei que há crianças que com esta idade já o tentaram fazer. Ah, e consegue ser super-carinhosa para os peluches, brinquedos, livros e até paredes. Adora dar festinhas aos quadros cá de casa, os pais que se lixem.
No outro dia, sentadas lado a lado, depois de ela acordar e estando ela ainda com a chupeta e o seu ursinho, que esfregava vigorosamente no nariz, pedi-lhe para me fazer uma festinha (uma pessoa tem de ir insistindo antes que ela vire mesmo anti-contacto humano). Não me deu. Ficou simplesmente parada a olhar para mim como que a analisar o pedido. Pedi novamente. Nada. Olhava para mim sem mexer um dedo. De repente, põe-me o ursinho dela na mão como se me dissesse "Pronto, queres miminhos? Fica com o meu urso que ele é boa companhia" e foi à sua vida.
Já disse que tenho inveja dos vossos bebés que vos dão beijinhos e abracinhos?

19.5.17

Fazemos tudo o que é complicado e esquecemos de fazer o mais simples

Tenho a sensação que no mundo de hoje cheio de artigos e informações sobre parentalidade com avisos constantes como "Isto é o melhor para o bebé", "Deve-se fazer assim", "Não se deve fazer assado", "Isto é certo", "Isto é errado", "Isto é importante" nos esquecemos facilmente de ser simplesmente pais, de parar para respirar e simplesmente apreciar os filhos que temos. 

18.5.17

Uma sucessão de stresses

Ao fim da tarde.
O Jack liga-me, diz-me que teve um acidente de automóvel, que o carro ficou destruído mas que está bem (e está, confirma-se, os amigos que lêem o blogue podem ficar descansados) e pede que o vá buscar. Lá me consegue explicar por onde anda, entre rotundas e pequenas aldeias cujos nomes nunca sei, enquanto acabo de dar o lanche à Mini-Tété. Visto-me, visto-a, enfio uma sopa e fruta numa mala térmica porque não sei se ainda vamos ter de ir a algum lado e não vamos estar assim tão perto de casa pelo que mais vale levar o jantar da pequenita. Pego no saco de saída dela, acho-o estranhamente leve mas nem o abro porque não quero perder tempo. Mudança de fralda e lá saímos de casa. 
Coloco a Mini-Tété na sua cadeirinha do carro e enquanto me dirijo para a saída da aldeia onde vivemos, recordo-me que fecharam a estrada ao longo de vários (bastantes) quilómetros para obras e que por isso tenho de procurar um caminho alternativo, caminho esse que desconheço por completo. Deixem-me explicar-vos novamente: eu vivo numa aldeia no meio do campo. Literalmente no meio do campo, basta passar a última casa e temos vários quilómetros de terrenos agrícolas, campos com vacas, cavalos, florestas com veados, raposas, javalis e coelhos. Por isso, qualquer desvio que se faça a um caminho normal obriga-nos a dar grandes voltas por meio de campos onde tudo parece igual, a atravessar pequenas aldeias com uma mão-cheia de casas, a fazer quilómetros e quilómetros sem rotundas ou qualquer indicação da direcção em que vamos. O que é óptimo quando se tem pressa.
E assim fomos nós, por caminhos nunca antes percorridos, a perder tempo e a ganhar stress porque nem consigo avisar o Jack que vou demorar pois ele ficou sem bateria no telemóvel. A Mini-Tété vai sossegada atrás de mim, vejo-a no espelho a olhar pela janela e penso que realmente tenho uma sorte imensa em ter uma filha calma como ela. Mas cerca de um quilómetro antes de ver o Jack, ela dá um berro e desata num choro sem igual. Olho pelo espelho, vejo-a numa aflição enorme com as mãos na cara, penso se se terá assustado com os relâmpagos e trovões que resolveram dar o ar de sua graça e tento acalmá-la falando com ela mas não resulta. Paro junto à polícia que está a orientar o trânsito na zona do acidente, explico (com os berros da Mini-Tété a sobrepor-se à minha voz) que sou a mulher do Jack, dizem-me onde posso parar o carro e enquanto saio do carro, começam a parar o trânsito para que eu possa atravessar a estrada. Mas mal abro a porta do lado da Mini-Tété percebo a razão do choro: está enfiada numa poça de vómito. Pego nela, tentando que não se encoste muito, embora como seja natural ela tente imediatamente enrolar-se ao meu colo, atravesso o campo que me separa da estrada para dizer aos polícias que não vou atravessar e grito ao Jack que tenho de trocar a Mini-Tété. No carro, começo a despi-la enquanto rezo para que a leveza do saco de sair não se deva facto de não haver uma muda de roupa. Felizmente há e troco assim uma Mini-Tété em prantos, de mãos bem afastadas do corpo, pois odeia sentir-se suja e não há uma gota na roupa ou na pele que ela não veja e que não a incomode. Pára de chorar para depois recomeçar ao ver o estado da cadeira dela. O Jack dá-me o casaco dele para que eu cubra a cadeira de forma a que ela se sente sem chorar mais. Regressamos a casa.
Há fins de tarde maravilhosos, não há?

14.5.17

Uma pessoa até se habitua a ganhar coisas.

Mesmo tendo razões pessoais para apoiar o Salvador Sobral, fiz o esforço de o ouvir cantar como se não as tivesse, de forma a criar a minha própria ideia. Gostei da música mal a ouvi, achei-a pouco festivaleira, assumindo assim que não iríamos longe na Eurovisão, e achei também os gestos demasiado exagerados. Embora compreenda que se devem à sua interpretação da música que canta, senti que, pelo menos no meu caso, os gestos atraiam o meu olhar, distraindo-me da música em si e dando até ao Salvador um aspecto um pouco tolo. Comentei diversas vezes com o Jack que, não querendo que ele cantasse de braços abandonados ao lado do corpo, sentia que menos exuberância faria sobressair mais a música, colocando-nos assim mais perto da vitória. Estava enganada. A simplicidade da música e a não contenção na sua interpretação foi exactamente o que fez Portugal ganhar. Que noite de doidos, com a Mini-Tété a ter pesadelos, comigo e com o Jack a revezarmo-nos no seu cuidado pois nenhum de nós queria perder a pontuação, com a hesitação no final de "Então, mas fomos nós que ganhámos, é isso?" e a certeza de que mais uma vez Portugal fez história. Goste-se ou não da música, goste-se ou não do Salvador e da Luísa, goste-se ou não da interpretação, a verdade é que fomos os melhores. Fomos Portugal.

11.5.17

Ver o mundo parar

No domingo, estávamos a jantar num restaurante particularmente barulhento. Pensar que quando o descobrimos até era um sítio pacato e que com a fama que tem vindo a ganhar está constantemente cheio, com filas de espera e um barulho ensurdecer constante, quem diria. Bom, mas ali estávamos nós, minimamente atentos à televisão à espera que as 20 horas chegassem para vermos qual o Presidente eleito, com base nas sondagens. Segundos antes, começou a contagem decrescente na televisão e faltavam 3 segundos quando todo o restaurante mergulhou num silêncio, ainda mais ensurdecedor. Acho que até as crianças estavam caladas, espantadas com o desaparecimento do barulho característico. Surgiram os resultados, dois segundos ainda de silêncio com a informação a ser processada na cabeça de cada um, e novamente vozes, barulhos de pratos e talheres, gritos de crianças e pessoas de um lado para o outro encheram a sala. Quem entrasse naquele momento não saberia que naquela sala o mundo parou durante 5 segundos.

Anúncio fofinho

Cada vez que vou ao cinema aqui em França, reclamo por causa da quantidade de anúncios que nos obrigam a ver antes do filme começar. Se a sessão começa, por exemplo, às 20h, é certinho e direitinho que temos pelo menos 20 minutos de anúncios pela frente, seja a diferentes marcas seja aos filmes que vão estrear brevemente. E quando temos o tempo contado, começar um filme às 20h não é a mesma coisa que o começar as 20h20...
Ainda dentro dos anúncios, alguns fazem-nos rebolar os olhos, outros abrir a boca, outros dar uma gargalhada e alguns achamos fofinhos. É o caso deste que aqui vos deixo. Só peca por ser longo.


(Não aprecio muito a mensagem final do anúncio pois claro que se algum dia uma funcionária da caixa se lembrar de comentar aquilo que eu compro por achar que posso comer melhor, sou capaz de lhe dar uma resposta torta que ela não vai gostar...)

10.5.17

3 anos de casados

No dia 10 de Maio de 2014, entrava eu no Mosteiro a sentir-me uma princesa, a não querer demorar nem mais um segundo a chegar ao pé dele e a pensar que ia casar com o homem da vida. Porque ele é de facto o homem da minha vida, não há grande volta a dar, soube no momento em que me apaixonei por ele quando éramos ainda miúdos. 
Foram três anos de casamento muito bons, dos quais nasceu a Mini-Tété que é a nossa maior prova de amor e que nos manterá ligados para sempre mesmo que, por acaso, um dia este amor acabe. Lançámo-nos em grandes projectos, o que não nos facilita a vida de todo. Tivemos a Mini-Tété e eu reclamo por tê-lo mais presente, e estamos a construir uma casa praticamente de raiz e ele reclama por mais apoio. E é assim, reclamando e amando que vamos avançando com a certeza que dias melhores virão. Porque tal como a vida, estar casada com o homem da minha vida é uma montanha-russa de momentos felizes e outros menos bons, mas que no final nos farão olhar para trás e pensar que tudo valeu a pena. 
Três anos de casados.
Um ano de cada vez. Até à velhice.






(de mão dada, sempre)