9.12.18

Jesus birrento

A caminho de casa, passamos por uma igreja e a Mini-Tété exclama:
- Que casa tão grande!
- Não é bem uma casa, é uma igreja.
- Não é uma casa?
- Bom, sim, também é uma casa. É a casa de Jesus. [a avó tinha-lhe falado disto há pouco tempo]

Silêncio, achei que tinha adormecido. Minutos depois:
- Mamã, e Jesus está em casa ou anda por aí fora?

Ahahahahahahahahahah, achei que explicar o conceito de "omnipresença" era demasiado para uma miúda de 3 anos pelo que reverti a situação e perguntei-lhe onde achava ela que ele estava. E fiquei a saber que Jesus estava na escola, preferia comer em casa do que na cantina e faz birras para dormir a sesta. :D

7.12.18

Dezembro pouco natalício

Este é capaz de ser o ano com menor espírito natalício de seeeempre. Pensando bem, acho que senti o mesmo quando vim morar para França, faz agora 6 anos. É o que dá fazer mudanças de casa em plena época natalícia: em 2012 tínhamos este apartamento em pantanas, com caixas e malas por todo o lado e a última coisa em que pensámos foi em decorá-lo para o Natal, até porque o íamos passar a Portugal; e agora é quase a mesma coisa: temos o apartamento em pantanas, com caixas, roupa em montes para dar, coisas para triar, desarrumação total, temos a casa nova a ficar habitável mas ainda muito desarrumada e em obras, pelo que não faz sentido estar a tirar as decorações de Natal para logo a seguir ter de arrumar novamente, até porque também este ano vamos passar o Natal a Portugal. Por isso é estranho ver as ruas a começarem a ter as luzes de Natal, as casas iluminadas, a Mini-Tété a decorar a escola e eu nem o presépio tirei da caixa. É como se toda a gente soubesse que é Natal menos eu, mas ainda assim já tratei de algumas prendas de Natal e outras já estão pensadas.

Estes dias têm sido caóticos, as obras na casa nova estão a avançar a todo o vapor para ver se nos mudamos ainda este ano - nem que seja no dia 31 de Dezembro :D - mesmo que nem tudo esteja finalizado, a Mini-Tété deixou finalmente de chorar ao entrar na escola (esta semana!), claro está que daqui a menos de 2 semanas está de férias e eu depois quero ver como é que vai ser o regresso..., hoje teve direito a ver um espectáculo oferecido pela Câmara Municipal e veio satisfeitíssima porque a bruxa lhe disse adeus, depois de uma fase mais threenager, agora andamos mais calmas (sim, eu também porque se tenho pouca paciência para adolescentes, muito menos tenho para uma adolescente num corpo de miúda de 3 anos) e só me apetece dar-lhe abracinhos a toda a hora.

Definitivamente, a era do papel está a acabar e eu andei grega à procura de postais de Natal para enviar mas só vi de passagem numa loja e não tenho oportunidade de lá voltar, por isso a todos os amigos e família que costumam receber religiosamente e ansiosamente os meus postais, este ano vou falhar (até porque o caderno com as vossas moradas está enfiado num qualquer caixote desta casa). Ando aqui consumida em remorsos porque gosto verdadeiramente de enviar postais e do carinho com que o faço, mas realmente este ano não tenho tempo para o espírito natalício. Mas para o ano, volto a enviar, prometo!

E agora devia estar a enfiar a minha vida em caixotes porque o meu belo plano de "faço uma caixa por dia para não ficar tudo para o fim" foi-se embora com a água da chuva e basicamente tenho os mesmos caixotes de há 2 meses, por isso agora ou deito as mãos ao trabalho ou não vou destralhar nada e terei de me limitar a enfiar tudo o que está nesta casa em sacos e caixas e levar para a nova sem pensar muito no que estou a fazer (e eu não quero isto!).

5.12.18

Uma selva

Às vezes lembro-me de uma conversa que tive com o chefe do departamento onde trabalhei quando vim fazer Erasmus para França. Falávamos sobre como os franceses são muito dados a manifestações e a greves. Como só a ideia de alguma coisa vir a mudar no futuro os faz sair à rua, muitas vezes sem dar qualquer hipótese de ver se funciona ou não, outras vezes até cheios de razão. Na altura comentei que nós, portugueses, somos mais calmos, não saímos assim à rua constantemente, não nos corre nas veias este lado manifestante. O meu interlocutor sorriu e respondeu-me "Pois, os portugueses são mais de fazer revoluções de tempos a tempos...". 

É verdade que também nos manifestamos e que também nas nossas manifestações há sempre uns quantos que tentam (e às vezes conseguem) levar aquilo para onde ninguém quer, para a violência, para os confrontos, mas é igualmente verdade que nisto os franceses ganham-nos aos pontos. Neste momento, as manifestações dos Coletes Amarelos (Gilets Jaunes) são a prova disso mesmo. Um povo farto das 5248541254 taxas a que os franceses são sujeitos (o salário mínimo é maior que o português de facto mas o custo de vida e os impostos levam grandes fatias, e para 2019 estavam previstos mais aumentos de taxas), uma manifestação para mostrar o descontentamento e eis que de repente está a selva instalada. 

Logo no primeiro dia de manifestação, enquanto espreitávamos a mesma na televisão, vimos passar alguns manifestantes com meia-cara tapada por lenços. Na altura comentei com o Jack: "aqueles não vão apenas manifestar-se, vão armar confusão, não está assim tanto frio que os obrigue a protegerem-se assim". Meu dito, meu feito, começaram os desacatos logo nesse dia e têm piorado numa escalada acelerada todos os fins-de-semana, sobretudo em Paris mas também em várias outras cidades de França. Já me cruzei com alguns manifestantes, felizmente pacíficos, que não me barraram a passagem nem incomodaram. Odiaria estar no mesmo sítio que os idiotas que acham que para se manifestarem têm de provocar estragos ou daqueles que, não querendo saber nada da manifestação, a aproveitam apenas como desculpa para destruírem tudo o que vêem. Compreendo verdadeiramente alguns dos pontos pelos quais os Coletes Amarelos se manifestam mas quando se passa para estragar e queimar carros de inocentes, pegar fogo a um hotel, destruir obras de arte de um museu, partir as vitrinas de lojas, cafés e restaurantes, saquear o que mais der jeito, agressões a civis e polícias, o objectivo há muito que se esqueceu e deixa de ser importante.

As imagens do fim-de-semana passado foram terríveis, diz-se que este fim-de-semana será ainda pior. Estou convencida que chegando ao fim-de-semana na véspera de Natal ou se as temperaturas começarem a descer as coisas acalmarão. Mas até lá, tenho muita pena de quem decidiu visitar Paris (e outras cidades como Tours, onde fiz Erasmus, que também virou uma selva) nesta altura do ano, dos polícias que são obrigados a estar ali a enfrentar um grupo de selvagens que acha que é atirando pedras e peças de andaimes que marcam uma posição, de quem ali vive e que vê os carros destruídos sem culpa nenhuma, dos lojistas e comerciantes que se trancam dentro dos estabelecimentos por medo, dos pais com crianças assustadas com tudo isto e rezo para que esta selvajaria não chegue onde vivo. 





4.12.18

Ganhei um prémio IKEA!!

Tinha contado aqui que estava a preparar-me para participar num concurso do IKEA, cujo objectivo era ganhar um dos 75 prémios de 750€ que o IKEA ia dar. As regras eram simples e não permitiam grandes alterações: devia-se personalizar a superfície de um produto IKEA, não furando ou cortando nada, e não alterando a sua função.

Não quis ir comprar nada de propósito para o concurso pelo que explorei o que é que tinha aqui por casa e decidi alterar este cesto, um produto barato e que seria facilmente substituível se eu depois não gostasse do resultado. 




Comprei uns novelos de lã, meti mãos ao trabalho, passei muitas horinhas a passar dezenas de fios, massacrei as pontas dos dedos, mas aqui está o resultado que me valeu um dos prémios do concurso:


À medida que os participantes iam submetendo as suas obras, eu ia espreitando e havia trabalhos de pintura belíssimos que espero que tenham também ganho um prémio. No meu caso, acho que as minhas hipóteses aumentaram por não ter pintado o cesto (porque seria apenas mais uma pintura no meio de tantas outras e melhores) e por isso, embora tenha ficado algo simples, acho que foi uma alteração original no meio de todas as participações.
Estava convencida que ia desfazer tudo depois do concurso, até porque usava este cesto como fruteira e agora já não serve para isso, mas deu-me tanto trabalho e ficou tão giro que não tive coragem. 

E vocês que acham? :D

21.11.18

Campanhas com vinhetas, quem é fã? :D


Costumo fazer as compras quase todas no Intermarché e quase bato palminhas quando os vejo a fazer uma campanha de troca de produtos por vinhetas. Claro que nem todas as campanhas valem a pena, ainda me lembro de uma em que não só se tinha de acumular uma série de vinhetas, como depois ainda tinha de pagar 15€ ou 20€ para receber em troca uma toalha ou um roupão de banho. Bolas, a qualidade até poderia ser muito boa mas que era uma roubalheira, lá isso era, e verdade seja dita não teve grande adesão. 
O ano passado andei toda contente a coleccionar vinhetas para depois, pagando 1€, receber um pirex de vidro com tampa plástica vedante. A colecção era grande, a cada 10€ gastos em compras recebíamos uma vinheta e na altura quando fiz contas ao que costumo gastar por mês percebi que não conseguiria ter vinhetas suficientes para ter as peças todas pelo que escolhi logo quais é que me interessavam mais. Acabei por ter não apenas a colecção toda como ainda algumas peças repetidas, graças às funcionárias que iam dando um jeitinho e umas vinhetas a mais em quase todas as compras. Adoro estes pyrex, vão ao congelador, vão ao forno, vão ao microondas, ah, maravilha! E o que eu gosto de servir o jantar num pyrex destes e ao ver que ainda sobrou, bastar colocar a tampa e frigorífico com ele, sem andar a passar de recipiente em recipiente? Estou fã.
Agora ando novamente entretida a coleccionar vinhetas para uma campanha com facas em inox. A colecção é gira mas não tenho qualquer interesse nas facas todas, por isso ando basicamente a ir buscar sempre a mesma mal acabo de preencher a folha correspondente. Gosto imenso do tamanho desta faca para a preparação das refeições diárias, lá vou recebendo umas vinhetas a mais e com esta brincadeira já tenho umas quatro ou cinco, se não me engano. 

Adoro mesmo estas campanhas. Tenho conseguido artigos que dificilmente compraria pelo preço que custam, mas isto assim é praticamente um prémio, faço as minhas compras normalmente, sem gastar mais do que já gastaria e depois pagando um euro a mais trago para casa algo que me dá um jeitaço. Lá está, nem todas as campanhas valem a pena. Se calhar se me pedissem 15€ por um pyrex depois de eu já ter coleccionado 30, 40, 60 vinhetas, se calhar já não aderia com tanta vontade. Aliás, não tenho aderido a nenhuma campanha onde o custo seja mais do que 1€ porque acho que não compensa e me faz gastar dinheiro que eu não estava a contar gastar. E também não vou em campanhas onde os produtos a trocar não valem a pena (andaram com uma campanha de copos tão feios, nem quero lembrar, não valiam mesmo o euro extra).

Tenho ideia que em Portugal também vão surgindo campanhas destas, também com a Pyrex, copos, etc. Quem gosta como eu? Compensa também?

20.11.18

Deixem lá os javalis descansadinhos....

É incrível como ainda ontem comentava o belo sol que se andava a fazer sentir este mês e hoje aqui escrevo a ver a neve a cair em grandes flocos. Este São Pedro é maluco. Mas também é verdade que tivemos até agora muito bom tempo para o que é normal aqui em França e eu regalei-me o mais que pude com o sol todo que me entrava em casa, que iluminava as árvores com as suas folhas amarelas e laranjas, que aquecia a pele e que dava um pouco de cor a um país pouco habituado a um tempo assim nesta altura do ano.
A única coisa que me assombra um bocado as viagens de carro entre a nossa-casa-agora e a nossa-futura-cas ou a escola da Mini-Tété a é o facto de estarmos em época de caça. Ora aqui a Tété vive nos meio dos campos, passo por não-sei-quantos tractores todos os dias, vaquinhas, ovelhas e cavalos, campos de cultivo a perder de vista, mas também floresta, com javalis, veados, raposas e outros animais que atraem os caçadores. E neste momento, passo por florestas cheias de caçadores de armas em punho, o que não é nada agradável se pensarmos que os acidentes acontecem e que só este ano já houve mortes. Nunca mais me esqueço da história que ouvi há uns anos sobre um homem morto ao volante do seu carro por uma bala que tinha feito ricochete num javali. É preciso estar no sítio errado à hora errada, é verdade, mas passando junto a caçadores, a probabilidade de isto acontecer aumenta e eu não acho piada nenhuma a estas contas matemáticas. Ainda no outro dia estava na nossa-futura-casa e ouvi claramente dois tiros, vindos de uma pequena floresta ali perto. Estou desertinha que a época da caça acabe para poder voltar a conduzir sem enfiar a cabeça nos ombros sempre que atravesso uma floresta.


Soooooooooooooooooooooooooool!
E cores bonitas!


Neve!

14.11.18

Raios partam Novembro...

Ando ausente, a falta de tempo não ajuda e nas poucas vezes em que chego aqui ao blogue para escrever tenho a cabeça tão cheia de coisas que nem sei bem o que partilhar ou não. Estava convencida que este mês de Novembro seria um mês espectacular mas definitivamente acho que o meu sexto sentido não existe ou é extremamente fraquinho, e tem sido um mês chatinho, mas chatinho mesmo. A Obra sofreu (e está a sofrer) novo atraso; A Besta (o meu vizinho queriduxo que dou a quem quiser!) escolheu este mês para nos chatear a vidinha e tem sido um vê-se-te-avias e uma perda de tempo a tentar impedi-lo de levar as suas vontades avante; a incompetência generalizada deste país é de tirar as forças a qualquer pessoa (a sério, eu nunca vi tamanha falta de brio no trabalho); reuniões que são canceladas sem ninguém se lembrar de nos avisar; bati com o carro num passeio para fugir a um despassarado que não sabe o que é um "stop" e rebentei um pneu; a bateria do carro do Jack morreu; voltei a ter noites de insónias; adoeci outra vez; esqueci-me de colocar fraldas na Mini-Tété à noite o que resultou num dilúvio daqueles-à-grande numa das noites; a minha filhota anda entretida a ser uma "threenager", a querer esquecer todas as regras que aprendeu e a testar os limites todos, o que mesmo sabendo que é apenas uma fase, não deixa de ser uma fase desafiante e em que foi preciso voltar a rever a nossa postura enquanto pais e qual o caminho a seguir; já devia ter metade da minha vida encaixotada e continuo com os meus caixotes de há 2 meses; o Jack entalou-me dois dedos; a pintura da cozinha não ficou nada bem, e vamos ter de voltar a pintar, os nossos planos para o Natal estão em risco de serem alterados, entre tantas outras coisas.

Claro que também há coisas boas que vão acontecendo (ganhei um dos prémios do IKEA!!) e tento focar-me o mais possível nelas mas acreditem que este mês tem sido uma coisa chata todos, to-dos, os dias. Ai, mês de Novembro, mês de Novembro, nunca te achei particular piada e não me parece que seja este ano que vou passar a adorar-te.

4.11.18

Novembro

Nunca achei particular piada ao mês de Novembro. É assim um mês meio nhé, em que o frio já se começa a sentir com mais força, não acontece nada de muito relevante (fora alguns aniversários de pessoas especiais) e é ali aquele mês que ocupa simplesmente tempo entre Outubro, o mês dos meus anos (e da Mini-Tété) e Dezembro, o mês do Natal. Mas este ano estou cheia de fé neste mês, não sei porquê  mas algo me diz que vai ser um bom mês, o que pensando bem deveria pôr-me alerta visto que o meu sexto sentido funciona tão bem como um relógio avariado. Mas pronto, vamos fingir que estas minhas "sensações" dão sempre certo, que eu acerto sempre em tudo e que de facto este mês vai correr mesmo sobre rodas.
Amanhã já temos uma prova de fogo, com um pequeno confronto com A Besta (o nosso espectacular vizinho), o regresso da Mini-Tété à escola, uma fuga isolada à rotina pois são os avós que a vão buscar depois, e  esta semana sai também o resultado do concurso IKEA onde participei (e vou ficar com uma neura tão graaaaaande se não ganhar um dos 75 prémios, nem imaginam). Mas para já o mês começou bem, com o nosso quarto e o quarto da Mini-Tété com as pinturas terminadas, yeah! Também já temos metade do corredor pintado e e quando terminarmos esta parte, em princípio poderemos começar a colocar o chão. É sem dúvida uma tarefa demorada porque temos as vigas originais da casa para proteger com um produto próprio e paredes de 5 metros para pintar, pelo que neste andar tudo parece andar a passo de caracol. Espero que no andar de baixo as pinturas sejam mais rápidas, e que brevemente se possa começar a pôr o chão e a instalar a cozinha. Desejem-me sorte. Este tem mesmo de ser um bom mês. :)

P.s. Entretanto fui desafiada a criar uma conta instagram com a evolução d'A Obra, desde a fase Celeiro até à fase em que estará uma Casa habitável. Francamente, é o tipo de coisa que sempre achei que teria pouco interesse até perceber que eu própria sigo e espreito contas de instagram deste género, por isso fiquei a pensar. Talvez seja uma ideia engraçada. :)