8.1.22

2022

Vamos às metas para 2022? :D Vamos! E aqui estão elas, sem qualquer ordem de importância:

1. Destralhar.

O Jack quando viu esta, comentou logo: "Então mas tu já não destralhaste o suficiente?". Não, há sempre tantas coisas a entrar cá em casa como aquelas que consigo fazer sair. Vá, é mentira, até porque há coisas que entram e nunca saem (como livros) mas há sempre coisas que acumulamos sem necessidade e eu quero continuar a desfazer-me delas.

2. Perder peso.

Eu já não sei o que dizer mais neste ponto que já só me envergonha. Por isso, é melhor não dizer grande coisa. 

3. Ler um livro em francês.

Pronto, a ver se é este ano. Fora os livros infantis que leio para a Mini-Tété, nunca li um livro a sério, de adultos, em francês. Mas tenho dois cá em casa e outro que ofereci à minha cunhada no seu aniversário e que me ficou debaixo de olho. Ela já leu e diz que a história é boa. Talvez me arrisque nesse, agora que me sinto mais confortável na leitura nesta língua.

4. Voltar a abrir a Science Bijoux. 

Por uma série de razões, não tenho conseguido dedicar-me a este projecto. Quero ver se este ano lhe volto a pegar.

5. Engordar o Fundo de Emergência.

Depois do sucesso do ano passado nesta área, tenho um novo patamar onde gostaria de chegar com as minhas poupanças.

6. Começar a estudar sobre investimentos.

Ao longo do ano foi lendo e aprendendo algumas coisas. Mas sei que estou ainda demasiado ignorante para começar a investir o meu dinheiro, que tanto me custa a ganhar e a poupar. Por isso, há que estudar e aprender primeiro.

7. Dormir melhor.

Não bebo café e por isso tenho algum cuidado em dormir aquele mínimo de horas que me permitem estar acordada e funcional durante o dia. Maaaas, há fases em que descamba e durmo mesmo apenas este mínimo durante demasiado tempo, o que faz que com para além de acordada e funcional, também fique cansada e rabugenta. E eu não gosto de me sentir cansada, sobretudo quando sei que a culpa é minha e que podia ter ido para a cama mais cedo. Por isso, este ano, quero dar mais atenção às minhas horas de sono.

8. Acabar a casa-de-banho no 1° andar.

É um dos projectos a fazer este ano na nossa casa e que já está em andamento.

9. Ir à Disney com a Mini-Tété e o Jack.

Comprámos um porquinho mealheiro e vamos lá colocando dinheiro. Pessoalmente, acho os preços um absurdo de tão caros que são. Por outro, a Mini-Tété já tem 6 anos, já conhece as princesas dos filmes e acho uma pena vivermos tão perto da Disney e não aproveitarmos este facto para lá ir. Mesmo podendo comprar os bilhetes sem problemas, decidimos que seria boa ideia mostrar à Mini-Tété que às vezes é preciso esperar para alcançar algo que queremos muito e que o dinheiro não cai do céu. E por isso, todos meses ela conta o dinheiro que temos no mealheiro e espera pelo dia em que compraremos os bilhetes. :)

10. Pôr o caderno de infância da Mini-Tété em dia.

Tenho um caderno onde comecei a escrever as fases de bebé da Mini-Tété, coisas engraçadas que disse, datas que rapidamente se esquecem (quando cai o primeiro dente, por exemplo) mas nunca me dediquei a ele devidamente. Tenho várias notas soltas enfiadas entre as folhas. Coisas escritas no telemóvel e no computador. E quero dedicar-me a isto. Acho que ela vai gostar de ler quando um dia for mais crescida. E porque não sei o dia de amanhã, e gostaria que ela ficasse com esta recordação minha, com textos para ela, momentos nossos.

11. Ter um aumento de salário.

Eu acho que mereço, falta o patrão concordar. :D Veremos se surge a oportunidade, se o momento é favorável, se o meu trabalho continua a merecer o que eu acho que merece.

12. Mais um projecto secreto que fica para mim. :)


Adeus 2021

Quatro. Quatro posts em 2021. Que tristeza de blogue em que este se tornou. Mas cá estou eu, depois de quatro míseros posts num ano, para rever as minhas metas para 2021 e preparar as de 2022. A ver se não serão os únicos posts deste ano neste pobre blogue abandonado. Se calhar já ninguém lê isto...mas vamos lá na mesma ver o que escrevi eu há um ano:


1. Poupar para o Fundo de Emergência

Poupei, sim senhora. E atingi o valor de FE que gostaria de ter atingido este ano pelo que estou muito satisfeita. Foi talvez o ano em que mais e melhor poupei. Registei todas as minhas despesas numa folha Excell, todos os meses, e isso ajudou muito a perceber em que é que gastava o dinheiro. Não que eu fosse alguém completamente desatenta aos meus gastos, sempre tive algum controlo até porque sempre tive a regra de acabar cada mês com mais dinheiro do que tinha acabado o mês anterior. E não houve surpresas do género "Ai, que gasto tanto dinheiro em tabaco, logo eu que nem fumo!". Mas ver ali todas as minhas despesas numa folha, fez-me repensar alguns gastos, adiar para o mês seguinte, priorizar certos gastos, e isso permitiu-me poupar mais do que teria poupado se não o tivesse feito. Isso e incluir nas minhas despesas fixas um certo montante para poupança. Só depois deste dinheiro "pago a mim mesma" e das despesas fixas, é que vinham os outros gastos. E foi interessante chegar ao final do ano e ver exactamente quanto gastei em supermercado (tinha uma ideia mensal mas nunca pensei anualmente), em gasolina (nem tinha bem noção de quanto gastava mensalmente, por exemplo), em roupa e outras coisas. Também anotei todas as despesas de supermercado para ter noção de quanto gastei em cada produto ao fim de um ano, mas já não o farei em 2022. Foi um exercício interessante, serviu o seu propósito mas é demasiado trabalhoso.

2. Perder peso

Ahahahahaha. Pronto, está dito. Próximo.

3. Tratar de mim.

De uma certa forma acho que sim, que o fiz. Não tanto como gostaria mas acho que até tratei mais de mim, de facto. E estive mais leve, ri-me, dancei.

4. Arrumar as fotografias no computador.

Siiiiiim. Quer dizer, ainda não arrumei as de Dezembro, mas fora isso, está tudo arrumadinho, organizado, muito lindo. Foi de facto uma tarefa hércula mas consegui. Agora é manter. :P

5. Imprimir fotografias e pendurar molduras nas paredes. 

Huuum, vou deixar esta num assim-assim. Pendurei uma moldura com 3 fotogafias. Já é alguma coisa. Mas não foi tanto como queria. Fica assim, meio alaranjado.

6. Procurar um novo emprego.

Nop. Continuo onde estou. Não é o emprego dos meus sonhos mas dá-me a estabilidade que preciso nesta fase da minha vida. E isso é importante também.

7. Passar um fim-de-semana fora.

Fomos a Viena de Áustria. :D E adorei. Estou cheia de vontade de voltar, desta vez uma semana e apenas com o Jack. Gostámos imenso da cidade e soube tão, mas tão bem esta escapadela. 

8. Voltar a desenhar.

Voltei. Aos poucos. Mas faço pelo menos um desenho por mês como página inicial mensal de cada mês do meu Bullet Journal. E isso conta. Fora os desenhos pequenos que vou fazendo no escritório quando o computador se põe a pensar na morte da bezerra e eu tenho de estar à espera que ele se lembre de desbloquear para eu poder continuar a trabalhar.

9. Usar mais o robot de cozinha.

Não foi realmente uma das minhas prioridades este ano.

10. Destralhar.

Sim, mais no início do ano do que no fim, mas sem dúvida que destralhei. Claro que entretanto por cada coisa que fiz sair desta casa, tenho a sensação que entraram mais seis ou sete.

11. Avançar com as obras na casa. 

Não fizemos grandes avanços mas já estamos com a casa-de-banho do 1° andar em andamento e isso deixa-me contente. :)

12. Este deixo para mim. Em aberto. :)

Não concretizei esta meta mas deixo-a na mesma para mim. :)

18.11.21

Uma questão de expectativas - parte I

Nalguma altura da minha vida, e sei lá como ou porquê, defini que aos 35 anos já devia ter a vida organizada, tudo certinho e constante, a parte profissional bem orientada (um emprego para a vida) e a parte pessoal já mais que resolvida (casamento, dois filhos, casa, carro e dinheiro no banco). Não sei mesmo de onde me veio esta ideia, não me foi incutida pelos meus pais ou restante família, e sei que não sou a única com este sentimento pelo que atribuo alguma culpa à sociedade e às ideias que nos vai criando na cabeça e contra as quais cada vez lutamos mais.

Esta tem sido a minha luta nos últimos dois/três anos. Aceitar que os 35 anos não são o "fim da linha", a meta na qual já devíamos ter tudo e a partir da qual gozaríamos apenas aquilo que conquistámos. Contrariar a ideia que aos 35 anos já estou demasiada velha para arriscar em novas coisas, novas aventuras, mudar o rumo à minha vida. Para de achar que o que tenho e o que sou aos 35 anos define aquilo que sou e terei a partir desta idade. Agora, com 37 anos, continuo a tentar mudar esta ideia tão enraizada que há dias em que é mesmo difícil sentir que mexe um milímetro que seja. Noutros já consigo rir-me de mim própria e do disparate que isto é.

Há uns dias, li alguém que escrevia que aos 30 anos já tinha casado, já tinha um filho, já tinha casa...e dei por mim a pensar "Xiii, tão cedo" e depois ri-me ao aperceber-me como não só tenho a ideia de que aos 35 anos já temos de ter tudo isto como também tenho, pelos vistos, a ideia que antes dos 30 é demasiado cedo. Muito bem, Tété, uma pessoa vai viver dezenas de anos (se tudo correr bem) mas é naqueles 5 anos entre os 30 e os 35 que tem de meter todos os objectivos e alcançá-los a todos. Zero pressão, de facto. Mas ainda fica pior quando depois faço as contas e me apercebo que fui viver com o Jack com 28 anos acabados de fazer e que casei com ele aos 29 anos. 

Ainda assim, tenho noção que este meu "limite dos 35 anos" não o aplico aos outros como o aplico a mim. Se para mim, aos 35 anos já tinha de estar casada e com 2 filhos porque a partir desta idade é demasiado tarde para estes planos, para as minhas amigas (da mesma idade que eu) a história é outra: acho que ainda vão mais do que a tempo de encontrar as pessoas certas, de casar, de ter filhos, de mudarem de vida, escolherem outro rumo. Olho para elas e acho-as ainda novas (que são) e com uma vida inteira pela frente (que têm). E então uso isto para ir mudando a minha mentalidade. Porque se as vejo assim, então também hei-de conseguir ver-me da mesma maneira. Mas que é uma batalha, isso é. Não sei mesmo de onde veio esta ideia mas tenho pena que ela exista porque já me trouxe muito sofrimento e muita frustração. Mas aos poucos vou mudando. Porque, afinal de contas, a vida não acaba mesmo aos 35 anos. 


20.5.21

Vacinada

No sábado, fui vacinada contra a Covid-19 e correu tudo lindamente. Achei tudo muito organizado, as pessoas extremamente simpáticas e não achei a administração nada dolorosa (e eu sou piegas, muito piegas; namorava com o Jack há pouquíssimo tempo quando fui levar uma vacina e tiveram de o ir chamar à sala de espera porque eu estava a ficar braaaanca e eles queriam que ele me acalmasse para poder ser vacinada). Tive alguns efeitos secundários, nada dramáticos e que foram a prova que não me injectaram apenas soro fisiológico, o que é um descanso, verdade seja dita. :) Alguma febre baixa, uma sensação de estar a chocar uma virose qualquer e, o mais chato, umas moínhas nas articulações que ainda demoraram uns 4 dias a desaparecer. 
Achei que ia estar nervosa na véspera e no dia da vacina (piegas, lembram-se?) mas acabei por estar muitíssimo descontraída, muito mais do que eu esperava, até ao momento em que cheguei ao carro depois de sair do centro de vacinação. E aí desabei em lágrimas. E chorei o caminho todo até casa (ainda são uns 20 minutos de carro...), numa mistura de sentimentos que ainda hoje tenho dificuldade em verbalizar. 
Chorei de alívio, por finalmente ter chegado o momento de ser vacinada, por ter conseguido chegar aqui sem ter apanhado Covid, por não me ter dado uma coisinha má após a toma da vacina (juntem "historial familiar de alergias a medicamentos" + "alergias várias de origem desconhecida" e uma pessoa não vai 100% confiante). Chorei de alívio por finalmente poder ir a Portugal sem tantos receios de apanhar este vírus, por a família também estar a ser toda vacinada nesta altura o que nos traz a todos uma segurança maior. E chorei ao pensar em tanta gente que já morreu porque teve o azar de ficar doente antes de apanharem esta vacina, chorei ao pensar em tanta gente que ficou sem pais, mães, irmãos, avós, pessoas que se tivessem escapado mais um mês, dois meses, seriam vacinadas e poderiam ter outro fim. Chorei por todas as pessoas que passaram pelos serviços de reanimação, do medo que tiveram, do medo que as famílias tiveram por eles. Chorei por a vida de tanta gente ter sido afectada por este vírus (negócios, planos de vida, tratamentos para doenças...).
E chorei. Porque não acho que o mundo precisasse disto para mudar para melhor (porque não mudou) e porque eu não precisava disto para dar valor ao que tinha, aos meus, para rever prioridades. Não precisava de nada disto e o último ano teve momentos bem difíceis para os quais começo, agora, a ver a luz ao fundo do túnel. 
Depois foi chegar a casa, secar as lágrimas, tirar o adesivo (porque a pessoa às vezes faz reacção à cola destes adesivos....), esperar que a Mini-Tété acordasse para a encher de beijos e pensar, mais uma vez, que temos muita sorte.:)

25.3.21

Atendimento ao público

Há uns meses fiz uma compra on-line numa cadeia de lojas de roupa onde ia amiúde com a Mini-Tété quando ainda estávamos as duas por casa nos seus primeiros anos de vida. Uma vez que as lojas estavam fechadas, havia apenas a possibilidade de ir levantar a encomenda à porta de loja, coisa que fiz. Ainda estava a atravessar a rua quando da loja sai uma funcionária claramente entusiasmada por me ver dizendo alto e alegremente "Madame C!". Fez-me uma festa, perguntou-me como estava, ai que contente que tinha ficado ao ver-me, que ainda bem que tinha comprado, se estava tudo bem de saúde, volte sempre, ai que gosto em a ter visto. Entrei no carro com a minha encomenda, meio abananada e a pensar que provavelmente me tinha confundido com alguém. Não sou mal-educada mas também não sou a pessoa mais social do mundo nem do tipo de pôr conversa com as funcionárias das lojas, pelo que acho sempre que nem devem reparar em mim.

Meses mais tarde, nova encomenda mas desta vez as lojas estavam abertas e perante alguma dificuldade em perceber se haveria uma fila específica para o levantamento de encomendas, dirigi-me a uma funcionária para perguntar. Era a mesma. Novamente uma festa! "Ora essa, Madame C, dou-lhe já a sua encomenda! Como tem passado, Madame C? Siga-me, por favor, Madame C. Tomei a liberdade de já ter introduzido os dados do seu cartão de loja por isso agora é só pagar, Madame C.". Não sabia se havia de rir com o meu apelido dito tantas vezes ou com a evidente alegria da senhora ou se me escondia atrás de uns cabides por ter outras clientes curiosas por saber quem seria a Madame C. que suscitava tal reacção. 

Ontem tive de ligar para a loja para marcar uma hora para poder levantar uma nova encomenda (lojas fechadas novamente e tal...) e apanhei a mesma funcionária. Novamente uma festa, "Que prazer falar consigo Madame C, venha então a essa hora, cá a espero, até amanhã então Madame C". Hoje, à hora combinada lá estava eu mas desta vez, despois da festa por me ver e de dois minutos de conversa, convidou-me a entrar. Entrei na loja vazia, de portas fechadas ao público e diz-me ela: Já aqui tenho a sua encomenda Madame C, mas esteja à vontade, tem a loja só para si, pode ir ver tudo o que quiser. Admirada, expliquei que estava na hora do almoço, que não tinha muito tempo mas que agradecia a simpatia. Retribuiu-me com um "Compreendo, Madame C, mas já sabe, se um dia quiser vir aqui fazer as suas compras, ligue, marcamos uma hora e terá a loja só para si como hoje, caso precise de alguma coisa para si ou para a sua menina".

Acredito que faça isto com todas as clientes, não sou especial nem deixo ali rios de dinheiro (estas encomendas por exemplo foram todas de artigos com boas promoções), não sou um poço de simpatia nem extremamente sociável, mas como disse ao Jack, sinto-me sempre com se tivesse ido à Louis Vuitton nos Campos Elísios e venho sempre de lá meio abananada e com um sorriso na cara. :)

2.1.21

Metas para 2021

 Li algures que não devemos ter objectivos mas sim metas e que cada ponto deve ser preciso e não algo demasiado geral (por exemplo, em vez de "Ler mais", decidirmos que vamos "Ler 10 livros no mínimo). Tentei respeitar isso ao fazer a minha lista, que agora vos transmito embora nalguns pontos não vá ser um livro aberto e muito específica nos números a atingir para alcançar cada meta. :)

1. Poupar para o Fundo de Emergência

Este ano foi um ano de aprendizagem sobre finanças pessoais e a gestão das mesmas. Sempre fui de "poupar por poupar", sem nenhum objectivo preciso nem valor específico a alcançar. E sempre me dei bem com este sistema. Mas depois de uns anos em que não havia propriamente uma poupança a ser aumentada (porque não trabalhava, por exemplo), depois de alguns debates em blogues, senti necessidade de ir à procura de informação, de que percentagem devemos poupar do nosso salário, o que é o Fundo de Emergência e qual o valor que deve ter. Por isso este ano quero engordar o Fundo de Emergência que tenho para valores mais confortáveis.

2. Perder peso

Tinha de ser, não era? :D Mas este ano tenho um objectivo mais preciso que é alcançar o peso que tinha quando casei. No fim do ano voltamos a falar. :P

3. Tratar de mim.

Já o comecei a fazer este ano de uma forma mais regular mas quero realmente ser disciplinada. Pintar as unhas mais vezes, fazer máscaras de cabelo mais vezes, fazer máscaras de argila mais vezes. Dormir mais horas. Comer melhor. Dançar. Rir. Ler. Pequenos pontos que todos juntos farão um bem imenso por mim e pela minha auto-estima.

4. Arrumar as fotografias no computador.

Oh, que tarefa hércula. Tenho-as desorganadíssimas e isso não é nada meu e causa-me urticária. Este é o ano em que as vou arrumar devidamente em pastinhas bem identificadas. E fazer salvaguardas.

5. Imprimir fotografias e pendurar molduras nas paredes. 

Continuo com as paredes da casa vazias à espera de fotografias. E quadros. Este ano é o ano.

6. Procurar um novo emprego.

É altura de ganhar asas e procurar outras oportunidades. Já o sentia em 2020 mas bom, pandemia e tal, não senti que fosse o momento para arriscar. Não estou desesperada, não estou a querer sair de onde estou à força e cheia de pressa, mas acredito que posso ser mais feliz a fazer outras coisas por isso posso ir procurando.

7. Passar um fim-de-semana fora.

Huuuu, que doida, um fim-de-semana fora. Pois, mas com isto do covid um fim-de-semana já me parece um luxo, nem me arrisco a pedir uns dias mais. Apetece-me pegar no Jack e na Mini-Tété e ir passar um fim-de-semana algures, num hotel com piscina, para sairmos da nossa rotina e irmos conhecer outras coisas.

8. Voltar a desenhar.

Gosto tanto, dá-me tanto prazer e deixei de o fazer há medida que os anos foram passando. No outro dia, o vizinho comentou que a vizinha gosta de desenhar e eu fiquei surpreendida pois não sabia nem nada indicava tal. E depois percebi que eles também não sabem que eu gosto de desenhar simplesmente porque já não o faço. E quero voltar a fazer.

9. Usar mais o robot de cozinha.

Uma pessoa distrai-se e acaba a usá-lo para fazer sopas e massa para pão. Tanto potencial e depois é isto. No outro dia fiz um arroz de pimentos que estava uma maravilha. É para continuar.

10. Destralhar.

Somos uns acumuladores (mais ele do que eu). Ainda há muito trabalhinho pela frente.

11. Avançar com as obras na casa. 

Pois é, ainda não temos a casa acabada e este ano queremos avançar com uma ou outra coisa que nos levará algum tempo e dinheiro. Haja coragem!

12. Este deixo para mim. Em aberto. :)


FELIZ ANO 2021 PARA TODOS!




Adeus 2020!

Tenho cá para mim que será um ano que não deixará muitas saudades à maior parte das pessoas. No meu caso, não sinto claramente que tenha sido o melhor ano da minha vida, mas acho que acabei por ter sorte num ano que podia ter sido simplesmente horrível. Não fomos apanhados pelo coronavírus nem ninguém que eu conheça. Não perdi ninguém directamente. Tivemos alguns sustos de saúde na família que me deixaram o coração apertadinho mas que se resolveram e agora é esperar que não se tornem tradição anual e que não reapareçam neste ano que agora começa. Tive a oportunidade de ficar em casa com a Mini-Tété sem estar em tele-trabalho e foi uma boa experiência. Nós sabemos estar as duas em casa, foi assim mais de metade da vida da Mini-Tété, não nos enlouquecemos uma à outra e eu sei gerir uma criança em casa 7 dias/semana, pelo que tinha a tarefa mais do que facilitada. Adorei fazer de professora da Mini-Tété, de todos os dias lhe ensinar o que era pedido pela sua professora, as letras, os números, as adições, trabalhos manuais, oh o que me diverti, sabendo claro que seria uma experiência passageira. O regresso à escola foi provavelmente o momento mais complicado pelo que passei este ano, por a escola não ser a escola, mas sim um lugar com um protocolo sanitário tão rígido e estúpido que temi pela sanidade emocional da minha pequenina. Nunca chorei tanto depois de deixar a Mini-Tété na escola como naqueles dias. E nunca a vi chorar de uma maneira tão assustada e em pânico como naquela altura (e oh, se ela chorava no primeiro ano de escola, com direito a passagens à força para o colo das auxiliares, gritos e o diabo a sete). Consegui ir de férias a Portugal no Verão matar saudades da família, não perdi o emprego, conseguimos finalmente vender o apartamento depois de muita luta. Tive de anular o Natal em Portugal o que me deitou abaixo mas não poderia correr o risco de eu ficar doente ou, pior, levar os meus a ficarem doentes, sabendo perfeitamente do quão arriscado seria para eles. Acabámos o ano todos com saúde, o que, tratando-se de 2020, parece-me uma maravilha.

As minhas resoluções de 2020 devem ter ido todas pelo cano mas farei a tradicional análise na mesma:

1. Ler mais

Bom, não sei se li mais do que em 2019 porque não fiz nenhuma contagem mas, do que me lembro, comecei bem lançada com 1 livro em Janeiro, 1 livro em Fevereiro e depois uma pandemia em Março que me fez focar noutras coisas. Não sei se li alguma coisa até ao Verão mas tenho ideia que li 2 ou 3 livros nas férias. Em Setembro e Outubro já não me lembro (tenho ideia que li um, sem certezas), mas sei que em Novembro reli um livro e li um novo, e que em Dezembro, embora não tivesse planeado ler, despachei em 2 dias um livro que recebi no Natal. Assim por alto, acho que posso afirmar com segurança que li pelo menos 8 livros, o que não acho nada mal. :)

2. Organizar-me mais

Huuum, esta é difícil. Mas acho que posso dizer que alcancei o objectivo porque tive de me reorganizar para criar novas rotinas com a Mini-Tété em casa para que tudo fluísse sem problemas e os dias se passassem sem stress. E se durante o confinamento abandonei o sistema da organização semanal das refeições, consegui recuperá-lo nos últimos meses, o que também me deixa contente.

3. Vender o apartamento

Yes, yes, yes, mil vezes yes!!! Adeus vizinho idiota, adeus inquilinos idiotas do vizinho idiota, adeus problemas, adeus, adeus, adeus. Este ano contei por alto a uma amiga as coisas pelas quais passámos naquele apartamento à conta da Besta porque sei que toda a gente, ela incluída, não faz ideia e acha apenas que era um vizinho chato e implicativo. Não era. Chegámos a ter de ir à polícia por ter tentado empurrar o Jack das escadas, eu tive uma crise de tensão alta na gravidez por ele ter começado aos murros na porta do apartamento, como se a fosse deitar abaixo. Tivemos papéis colados com insultos no carro, ovos atirados ao carro, cartas abertas. E tantas, tantas, tantas outas coisas, a juntarem-se às coisas menores, como obras às 3h da manhã, urina no patamar, cocó de cão nas escadas, música a horas impróprias e gritos dias e semanas seguidos. A Mini-Tété era uma bebé calma, pouco chorava, mas houve alturas em que bastava ouvir a voz dele para desatar a chorar. Não sabíamos o que era viver em paz. Na brincadeira até dizíamos que tinha sido ele a inventar este vírus só para nos atrasar a venda do apartamento mais uns meses.

4. Poupar, poupar, poupar

Não foi um grande ano para isso, há que admitir. Gastei menos em gasolina para o trabalho mas gastei bem mais em refeições em casa porque passávamos mais tempo aqui. Ainda assim poupei um pouco e estou contente com isso.

5. Destralhar

Destralhei bastantes coisas e acho que ainda tenho bastantes por destralhar. Mas demos uma valente arrumação no arrumo que temos e destralhámos muita coisa, por isso acho que vou considerar que consegui cumprir esta resolução.

6. Acalmar

Ahahahah, facílimo com uma pandemia mundial a ocorrer, com o natural receio de apanhar este vírus ou que ele apanhe algum familiar ou amigo. Maaaaaaas, fora isto, sinto sim que andei mais calma, não tanto em pânico com a vida, com más notícias, com pequenos problemas. :)

7. Não me divorciar

Feito! Ainda aqui estamos de pedra e cal, a dias de comemorar 16 anos de namoro. Houve uma pausa obrigatória nas 24h juntos pois durante uns meses deixei de trabalhar com o Jack e fiquei em casa com a Mini-Tété, mas por outro lado tivemos de lidar com o stress de o trabalho de uma equipa de 3 pessoas ter ficado todo em cima de apenas uma: o Jack. Não foi fácil para ele, foi stressante, foi complicado, mas conseguimos gerir isso. E a pandemia aproximou-nos, permitiu mais momentos a dois em casa, e isso compensou eventuais chatices.

8. Encontrar-me como mãe

Obrigada pandemia. :) Estes meses em casa fizeram-nos bem. De repente estava novamente disponível só para ela e, como já referi, isso nós sabemos fazer bem. Regressando ao trabalho e ao equilíbrio entre "mulher trabalhadora" e "mãe" que ainda não domino a 100%, acho que estou a acabar o ano melhor do que o comecei. Bolas, eu queria mesmo era um part-time bem pago e era uma mulher feliz. :P

9. Comer melhor e emagrecer.

Buuuuh. Não faço parte do grupo que engordou na pandemia mas também não perdi peso. Podia ter aproveitado este ano para fazer mais exercício, para comer melhor, sinto mesmo isso. Mas também sinto que estive ocupada a que a sanidade mental da família sobrevivesse a esta pandemia, a ser professora da Mini-Tété, a lidar com saudades várias, a tentar ser feliz no meio deste ano caótico, a aprender sobre o vírus, a aprender novos cuidados e rotinas, e sinto que fiz um bom trabalho. Esta resolução fica para 2021.

10. Viver mais

Pois, não correu bem. A ideia era sair mais, ir conhecer sítios, passear mais...mas houve um vírus chato que mandou toda a gente ficar em casa. Pronto, nem vale a pena pensar muito nisto.

11. Melhorar o meu francês

Acho que vou simplesmente assumir que não tenho jeito para línguas e não falamos mais do assunto, está bem?

12. Saúde

Huuuuuuuuuuuuuuuum, então ninguém apanhou Covid. O que é bom. E já me devia dar por satisfeita. Mas ainda assim tive uma familiar hospitalizada e assustada e um familiar com dores como nunca sentiu na vida. E eu ainda sinto o meu coração meio descompensado à conta deles, mesmo que já se tenham passado uns meses. Mas bom, num ano marcado pelo Covid, não o termos apanhado é um luxo, por isso resolução cumprida. 

Adeus 2020!!!


21.12.20

Não sei dançar

Esta é a conclusão à qual chego (mais uma vez) depois de 3 meses de aulas de dança Jazz. Não é uma grande surpresa, a coordenação motora nunca foi o meu forte e já andar direita sem tropeçar em mim mesma é um feito extraordinário e um esforço diário, por isso ninguém poderia estar à espera que eu encarnasse uma Catherine Zeta-Jones ou uma Renée Zellweger do filme Chicago.

Desde que começou o segundo confinamento em França, no fim de Outubro, que as nossas aulas passaram a ser por Zoom, o que de uma certa forma é uma bênção porque a professora não consegue ver os 4215486452 erros que fazemos através de um ecrã de computador mas também implica uma aprendizagem mais difícil dado tamanho do ecrã e a qualidade da chamada.

Como contei no post anterior, faço estas aulas em casa da nossa vizinha, exactamente a mesma que por artes de bruxaria me levou a inscrever nisto. Há umas semanas, sentindo nós alguma dificuldade com alguns passos, a minha vizinha lembrou-se de pedir à professora que gravasse as coreografias e nos enviasse de forma a podermos treinar em casa sem estarmos sempre a falhar passos ou a cometer erros. Claramente é ela o elemento demoníaco desta amizade porque tal pedido veio simplesmente a tornar-se no maior exemplo do que é uma pessoa querer um buraco para se enfiar e ficar lá a viver nos 100 anos seguintes.

A nossa professora, pessoa amorosa, cheia de paciência e com uma enorme esperança (já a desvanecer-se, penso eu...) em fazer de nós algo a que se possa chamar bailarinas e não parecer apenas que estamos a ser submetidas a choques eléctricos com as pernas e os braços a disparar em todas as direcções, gravou uma aula. 

E enviou. 

A toda a gente. 

E quem é que aparece no vídeo? Ela. 

E quem é que aparece mais? Vários quadradinhos com todas as alunas. 

Incluindo quem? Nós.

Lembro-me que recebi o mail com o vídeo num dia de trabalho. À hora de almoço espreitei e o horror e o ataque de riso que nasceram em mim foram de tal forma que tive de deixar para quando estivesse em casa. Danço mal. Danço mesmo muito mal. O problema é que a vizinha dança apenas ligeiramente melhor do que eu. E juntas é simplesmente como assistir a um comboio a descarrilar e esperar que não haja mortos. Houve de tudo, desde toda a gente parada a ouvir a professora e eu de repente começar a dançar do nada, a vizinha perdida nos passos a começar a nadar bruços com as bochechas cheias de ar, as duas perdidas a tentar perceber qual o passo a seguir, enfim...Eu chorei de vergonha e de tanto rir a assistir àqueles loooongos minutos de tragédia. E há um momento que eu acho que resume perfeitamente o desastre que somos: chamei o Jack para ver uns segundos de forma a que percebesse porque razão eu me desfazia em risos e lágrimas. Ele observa e no fim pergunta:

- Mas vocês não estavam as duas a ouvir e a dançar a mesma música? 

Estávamos. Mas ninguém diria, de facto. Eu ia para a direita, ela para a esquerda. Eu esticava uma perna, ela um  braço, eu rodopiava, ela baixava-se, e assim continuávamos, convictas de que alguma coisa haveríamos de estar a fazer bem. É tudo tão mau, mas tão mau, que nem tive coragem de mostrar aos meus pais, pessoas com quem estou mais do que habituada a rir de mim mesma. Mas há um limite e acho que o encontrei.

Querem saber o melhor? É suposto virmos a fazer um espectáculo final para o público.

Vai ser óptimo.