18.6.14

A lua-de-mel

Desde que começámos a namorar e que começámos a falar em casamento, que sempre achámos que se um dia realmente déssemos este passo, a lua-de-mel seria em Portugal. Não sendo nenhum de nós apaixonado pela ideia de conhecer as Maldivas, Tailândia e outros destinos tão comuns em lua-de-mel, não valia a pena investir e insistir em tais viagens. E também não somos os maiores fãs de praia já que o nosso tom de pele só nos permite atingir uma cor entre o "branco mais branco não há" e o "vermelhinho como um camarão" (tenho tanta pena, mas tanta pena dos nossos futuros filhos). Ainda ponderámos a ideia de conhecer alguma cidade, um passeio mais cultural, mas rapidamente pusemos a ideia de parte após ter sido relembrada pelo Jack da nossa viagem a Barcelona, na qual jurei que seria uma semana sossegada e na qual acabei a acordá-lo sempre cedíssimo porque queria visitar tudo e ver tudo o que podia, não o deixando nunca descansar. A ideia de ficar por Portugal prendia-se não só ao facto de acharmos que o nosso país não pode ser apenas considerado bom para férias pelos estrangeiros e também porque o Jack, tendo passado grande parte da sua vida em França, pouco conhece do nosso país. Além do mais, estando eu desempregada, não nos parecia correcto estar a gastar muito dinheiro numa grande lua-de-mel neste momento (mas também não queríamos abdicar de uma semaninha algures). Por ele o destino era certo: Algarve. Já lá fomos algumas vezes e mesmo evitando o sol, o Jack gosta simplesmente da sensação que o Algarve lhe dá de estar de férias e poder esvaziar a cabeça. Eu torcia o nariz. Não me apetecia ir para o Algarve. E depois lembrei-me de uma viagem que já fiz, da qual já tinha falado mil e uma vezes ao Jack e que muitas vezes tinha dito que um dia haveríamos de lá ir os dois: Açores. Ainda poderei visitar várias ilhas, mas o orçamento disponível não nos permitia estar com grandes aventuras e por isso acabámos por passar uma semana em São Miguel, num óptimo hotel mesmo ao pé da marina, num quarto onde, coincidências das coincidências, tinham sido colocadas as mesmas flores escolhidas por mim para o casamento. O bom da ilha de São Miguel é que há coisas para ver e vale mesmo a pena alugar um carro e visitar a ilha, parar nos miradouros, ir ao mar, visitar os pontos mais turísticos, comer o belo cozido das furnas, mas não é algo que nos ocupe uma semana inteira a ver, o que permite que haja dias em que se pode simplesmente relaxar e não ir a lado nenhum. Nesta semana, mandei o meu tratamento de sono e a dieta às urtigas, e dormi até tarde, dormi sestas e tentei acabar com o stock de gelados e cachorros quentes da ilha. Na viagem de avião para lá, percebemos que tínhamos companhia especial, pilotos de rally barulhentos e festivos. Não liguei muito convencida que aquele voo seria apenas o primeiro de outros que fariam, até o piloto do avião nos ter informado que iria decorrer um rally em São Miguel. Boa! Logo eu que (não) adoro carros...Acabei por isso por andar à volta dos carros, por ver a apresentação dos carros, por falar até com um piloto e tirar um foto ao Jack com ele, por me sentar simplesmente a vê-los arrancar e a fazer barulhos com o motor (as coisas que se fazem por amor, Jesus!). É que eu percebo tanto disto que só comentava com o Jack "Meu Deus, que barulheira que aquele carro faz! Deve ter alguma peça solta, não? O motor deve pifar a qualquer momento! Eles andam com aquilo assim??", até ter percebido com o rolar de olhos e mil explicações que sim, que era normal os carros de rally fazerem aquele barulho (eu continuo a dizer que se fosse o meu carro eu levava-o logo à oficina). Assim temos fotografias do mar, das vacas, das paisagens verdes, dos pássaros, dos jardins, das coisas típicas dos Açores, e outras tantas de...carros. Mas foi uma semana óptima, mais um bocadinho do nosso Portugal apresentado ao Jack, e uma viagem para recordar. :)

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