4.8.13

Discussões

Dizia eu neste post que na minha relação discordo mas não discuto. Os meus pais sempre foram pessoas muito dadas a conversas e troca de argumentos. Mais facilmente se sentavam comigo e me explicavam o porquê de não me deixarem ir a tal sítio do que me mandavam um par de berros do género "Não vais porque sou eu que mando!". Aliás, na minha casa praticamente não se grita. Somos todos sensíveis a barulhinhos e escusamos de ser nós próprios a fazer barulho. Cresci a aprender que conversando é que as pessoas se entendem e confesso que ainda hoje não compreendo aquelas pessoas que acham que ganham uma discussão só porque estão a falar mais alto. A única pessoa com quem gritei e apanhei gritos foi com o meu irmão quando éramos mais pequenos, mas agora olhando para trás vejo que nenhum de nós tinha mesmo intenção de ganhar qualquer discussão. Queríamos era gritar e enervar o outro.

Desta forma algo que me cativa nas pessoas é o seu poder de argumentação inteligente. Adoro ouvir pessoas que sabem argumentar. Aquelas pessoas que usam argumentos lógicos, que escolhem o argumento certo conforme o argumento utilizado pela outra pessoa, e que ouvem de facto os argumentos dados pelo opositor e os têm em consideração. Já aqueles debates televisivos em que todos falam uns por cima dos outros, em que querem apenas expor as ideias que têm na cabeça sem ouvir os argumentos dos outros, fazem-me perder a paciência e em dez segundos mudo de canal.

Eu própria não considero que tenha um elevado nível de argumentação. Geralmente bloqueio e só mais tarde é que me lembro de bons argumentos, mas lá vou fazendo um esforço. Não me verão é com certeza a dizer disparates a um nível sonoro elevado. A minha regra é simples "Se num confronto de ideias, desatas a gritar, perdes a discussão". É simples, a razão até pode estar do teu lado, mas se gritas, perdes a razão e ganho eu. Gritar em vez de trocar argumentos é simplesmente um acto idiota. E eu não discuto com idiotas.

Assim sendo na minha relação com o Jack (que foi avisado deste meu feitio) não há cá berros nem discussões em que se atiram pratos pelos ares. Se os meus pais nunca gritavam comigo, porque hei-de eu aceitar que venham outros fazê-lo? Claro que não concordamos em tudo (de todo mesmo). Mas falamos, e voltamos a falar, e argumentamos, e vamos achando que argumentos são válidos e quais aqueles fáceis de responder. E é assim que vamos resolvendo as coisas. Ou não. Há coisas que não se resolvem, mas também não seria aos berros que encontraríamos uma solução. Por isso quando me dizem que não acreditam em relações em que os casais nunca discutem, eu rio-me. Porque nós não discutimos. Argumentamos. :)

4 comentários:

  1. Por aqui é exactamente igual. Recuso-me a discutir e em dois anos de namoro, nunca discutimos. Sempre que há algum desentendimento, falamos calmamente. As coisas são logo encaradas de outra forma e muito mais facilmente encerradas. :)

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  2. Bem visto! Nunca gritei com ninguém por mais furiosa que estivesse. Não compreendo a necessidade desse descontrolo. Mas acabo por ser mal interpretada, porque quando alguém esta entusiasticamente a discutir e tu lhe respondes ponderadamente e em baixo tom, o outro pensa sempre que o estas a gozar e enerva-se mais.

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  3. Não resisto em impor o meu tom de voz. É com ele que expulso tudo o que me irrita!

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  4. Anónimo:

    Mas já pensou se a pessoa com quem está decidir fazer o mesmo? Está o anónimo descansadinho da vida e de repente a pessoa que ama está ao seu lado a gritar frustrações e a despejar em si tudo o que a irrita. :) Como é que se lida com isto? :)

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Digam-me coisas. :)