15.8.17

Demasiado perto de mim. Demasiado perto do Jack. Demasiado perto da nossa filha.

É verdade que estas coisas quando acontecem longe, quando não nos tocam, não afectam directamente a nossa vida. Os ataques terroristas aqui em França deixaram um sentimento que já referi várias vezes e do qual não gosto nada (ainda hoje me cruzei com militares dentro de um centro comercial, o que me causa desconforto por saber porque razão estão ali) mas sempre me senti segura, vivo no campo, a uma hora de Paris, vejo raposas, coelhos, javalis nas estradas à volta do sítio onde vivo, nenhum louco se lembraria deste sítio. Mas esta noite houve um idiota que se lembrou e que decidiu entrar com o carro numa esplanada de uma pizzaria. 
Pizzaria essa onde já estive várias vezes, onde já fui com os meus pais, com a família do Jack, com a minha filha. Estaciono vezes sem conta ali perto e passo-lhe à frente para ir a outros sítios. Hoje não tinha nada em casa preparado para jantar e fomos jantar a casa dos pais do Jack, mas eu podia bem ter sugerido irmos comer uma pizza, porque não? Não foi um acto terrorista, dizem, mas este foi demasiado perto para mim.

4.8.17

A Mini-Tété não faz asneiras (dependendo da perspectiva)

No outro dia, estava à conversa com o meu pai no Skype, a Mini-Tété cirandava por ali, entrando na sala, indo à cozinha, mostrando novas habilidades ao avô (como andar para trás), e comentávamos que por enquanto, para a idade que tem (1 ano e 9 meses), não é uma bebé muito dada a asneiras. Nisto, o meu pai pergunta-me o que estava ela a fazer naquele momento. Olhei para ela e respondi:
- Está a tentar enfiar uma camisola minha na caixa das batatas.
E continuei a conversar enquanto o meu pai se desatava a rir. 

Fiquei a pensar nesta conversa o resto da tarde, naquilo que a Mini-Tété estava a fazer e na minha reacção, que foi simplesmente não lhe dizer nada. Na verdade, acho que minutos mais tarde lhe perguntei o que estava ela a fazer, e ela disse simplesmente algo como "A guardar". Dei por mim a pensar que conheço pessoas para quem isto seria considerado uma asneira e que seja talvez nessa diferença que reside o facto de eu achar que a Mini-Tété faz poucas asneiras. Para mim, ela faz asneiras quando faz coisas que eu lhe disse que não pode fazer. Por exemplo, quando pisa um livro, depois de eu já ter explicado que assim os estraga. Ou quando se afasta de mim na rua quando eu já lhe disse que tem de estar sempre junto a mim. Ou quando agarra no telemóvel sabendo bem que não pode. Na situação da camisola, ela não sabe que não se enfiam camisolas nas caixas das batatas, eu nunca lhe expliquei isso e ela não nasceu ensinada, por isso ela está simplesmente a fazer algo que até acha bem: a arrumar.
E depois, há também o factor de quais as situações em que devemos ralhar, impedir, dizer não, zangarmo-nos. Como estou com a Mini-Tété em casa, esta tem de ser o seu local de brincadeira e exploração. Para além disso, estou convencida que se passar o dia a dizer-lhe "não" vamos acabar as duas exaustas e birrentas. Eu, porque não vou parar de lho dizer e vou achar que tenho uma criança que só faz asneiras, não me dando descanso, e ela porque vai sentir que não pode fazer nada, ficando frustrada e entrando facilmente numa birra (com a qual terei de lidar, cansando-me ainda mais) e fazendo coisas que sabe que não pode (apenas por sentir que não pode fazer nada). Assim, esta casa tem regras claras e específicas que são para cumprir (e quando não cumpre, é quando faz asneiras, recebendo novamente um não e sendo chamada à atenção) e fora isso tem (quase) toda a liberdade do mundo. Quer meter a minha camisola na caixa das batatas? Tudo bem. Quer ir buscar as mantas do sofá e esticá-las no chão da cozinha? Tudo bem (quanto muito, terei de as pôr na máquina a seguir). Quer ir colocar todas as suas meias no meio das minhas camisolas? Tudo bem. Quer brincar com copinhos com água no chão da cozinha? Tudo bem. Quer andar a fechar as portas? Tudo bem. Ela anda pela casa livremente, pode fazer quase tudo o que quer com aquilo a que tem acesso e eu acho que isto leva também a que faça poucas asneiras. Como há regras simples e claras, acho que é mais fácil aprendê-las e o meu pai conta sempre a história de um dia a ter visto ir na direcção do meu telemóvel que estava a carregar. Parou a poucos centímetros dele, virou-se para o meu pai e disse-lhe "Não, não", como se lhe dissesse que sabia bem que não podia mexer (e não mexeu). Mesmo agora, se lhe falarem do forno, ela diz que é perigoso e que está muito quente. São poucas regras, há explicação para algumas e isto torna tudo mais fácil. A única consequência é ter a casa constantemente desarrumada e encontrar sempre coisas no sítio mais improvável, mas ao menos a mãe e a bebé vivem pacificamente. 

2.8.17

O meu reino por umas especiarias

Se há coisa que me faria feliz era ter alguém que cozinhasse por mim que nasci sem qualquer jeito nem gosto pela cozinha. Não acho qualquer piada andar ali de roda dos tachos, panelas e frigideiras, perder horas de vida a descascar legumes, cortar carne (bllarg, e o que eu odeio mexer em carne crua?), preparar os pratos..Para depois sentir que faço basicamente sempre a mesma coisa e que o sabor é sempre o mesmo. Verdade seja dita, que a nível de temperos vai quase tudo corrido a sal (quando não me esqueço) e azeite (quando é necessário), para além de não ter o hábito de fazer refogados. Acho que se percebe bem porque é que sabe quase tudo ao mesmo. 
Bom, há uns anos descobri a gama Segredos do Mundo da Margão e foi amor à primeira vista. 
(Já tiveram diferentes embalagens)

O sucesso foi tal que cada vez que ia a Portugal, trazia na mala vários frascos de vários sabores. Graças a estas misturas de especiarias comecei a fazer um frango com caril que já me levou a receber vários elogios, um cuzcuz que até recebeu a aprovação do rei dos cuzcuz da família do Jack, um arroz de frango muito saboroso, enfim, uso-os para quase todos os pratos e passei até a não usar sal nalguns pratos por sentir que não preciso.

Podem portanto imaginar a minha alegria quando descobri a mesma gama da Ducros, cá em França. Encontrei-os num hipermercado que não é o meu habitual mas onde passei a ir apenas e só para comprar estes frasquinhos.


Tenho assim uma pequena paixão pelo Índia, México, Marrocos e Espanhol.

Bom, agora, o drama, a tragédia, o horror: a semana passada fui reabastecer-me e nada, nem um para amostra. Estão lá os da gama "Arroz", "Massa", "Peixe", "Carne" mas estas misturas não me interessam, eu quero a gama de misturas exóticas! Comprei um frasquinho de paprica mas não é a mesma coisa, não tem obviamente o sabor da mistura espanhola que para além de paprica tem uma série de outras coisas. E não vale a pena encher-me de frasquinhos de especiarias simples porque eu não as sei misturar, dá mais trabalho e o meu objectivo é ter pratos saborosos com pouco trabalho e sem inventar muito. Portanto, estou assim um bocadinho desanimada, já a ver-me a regressar aos meus pratos sem sabor ou a ter de trazer novamente de Portugal, o que não é assim tão prático. 

Enviei um e-mail para a Ducros a perguntar onde é que posso encontrar estas misturas de especiarias na minha zona e espero que me respondam. Ou então a Margão que seja uma querida e me envie cá para casa uns quantos frascos que eu não me importo nada.