28.11.17

Ensinar desde pequenina


Cresci numa família onde não havia diferenciação entre mim e o meu irmão, nem por sermos de géneros diferentes nem sequer por sermos de idades diferentes. As responsabilidades eram divididas de forma igual, as aprendizagens também, e por isso também eu fiz pesca e o meu irmão tornou-se num cozinheiro bem melhor do que eu. 

Cresci também de forma a aproveitar o melhor possível a minha infância (que adorei e só gostaria de poder dar à minha filha a mesma alegria com que a vivi) mas ainda assim foi-nos sempre dada alguma responsabilidade nos afazeres de casa, para além da escola. Éramos os responsáveis pelas nossas camas, por pôr a mesa, por a levantar, entre outras coisas. Mesmo nas férias, era criado um quadro de tarefas rotativo, calhando à vez a tarefa de ir pôr o lixo, lavar a louça, pôr a mesa. Estando estas tarefas cumpridas, nada mais nos era exigido e tínhamos todo o tempo do mundo para brincar.
Sigo de perto uma família onde o oposto foi feito, onde as crianças cresceram sem qualquer responsabilidade em casa e agora, em plena adolescência, vejo o quão difícil é convencê-los a fazer seja o que for, para além da notória falta de capacidade em fazer coisas muito básicas. Não quero isto para ela.

Por isso, a Mini-Tété é envolvida nas tarefas cá de casa, não apenas porque por enquanto lhes acha piada e é uma forma de a entreter, como também porque espero que seja assim, no meio da brincadeira, que ela vá aprendendo e ganhe noção de que a louça não aparece nos armários porque algum duende a arrumou, que a roupa não é lavada por fadas e que mesmo as camas não se fazem sozinhas. E ontem, com 2 aninhos acabados de fazer, pôs a mesa quase toda sozinha. Colocou os individuais nos lugares habituais, levou os talheres e distribui-os por cada lugar, colocou um guardanapo em cada lugar, levou o seu prato e o seu copo (por serem de plástico) e ainda uma base. Ficou orgulhosa e eu também.

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