3.2.14

Calma e histérica, em questão de segundos

Quando me perguntam se sou uma pessoa que reage calmamente em situações de stress, nunca sei bem o que responder. Na verdade, não acho que entre em pânico imediato mas também sei que não sou a pessoa mais lúcida e calma nesses momentos. No fundo, acho que o meu cérebro bloqueia com o choque impedindo-me de entrar em stress visível, mas também não me permitindo tomar decisões calmas e seguras. E como me conheço, sei que o choque passa minutos depois e aí é o descalabro. O Jack está convencido que eu seria uma óptima pessoa para estar com quem no caso de haver algum terramoto. Acha que eu facilmente e calmamente encaminharia toda a gente para porto seguro e que depois de toda a gente a salvo, desataria num pranto devido ao stress. Eu acrescento: eu entraria em histeria completa. O que aconteceu ontem mostra bem estas minhas reacções:

A porta do nosso apartamento tem uma armadilha e é preciso ter atenção ao dedos quando a fechamos. Eu própria já lá entalei um dedo e andei durante uma semana com a tinta da porta marcada a fundo numa unha. Ontem, após uma enxaqueca que o tinha deixado muito agoniado, saímos de casa e, suponho que ainda meio aluado devido à enxaqueca, o Jack não prestou atenção e entalou um dedo. Vi a cara dele de dor, agarrado ao dedo, e eu própria me encolhi sabendo bem como aquilo dói. Dizendo palavras de conforto enquanto trancava a porta, olhei para ele quando ele decidiu ver como estava o dedo. Sangue. Só via sangue. Nunca vi o Jack desmaiar e não o acho propriamente sensível a estas coisas, mas ele mal tinha comido e já estava agoniado com a enxaqueca e eu fiquei com receio que o corpo decidisse dar de si. Por isso, enquanto abria a porta, obriguei-o a olhar para mim, repetindo calmamente que estava tudo bem, que aquilo ia passar, ele que pusesse a mão para cima e que olhasse para mim. Escoltei-o até à casa de banho, passando mil e um cenários pela minha cabeça: um dedo partido, uma unha arrancada, um dedo desfeito, eu sei lá mais o quê. Abri a torneira de água fria e ele colocou o dedo por baixo, enquanto eu pensava que talvez fosse melhor ir buscar uma cadeira para ele se sentar caso se sentisse mal. Mas ele estava com melhor cara, já a inspeccionar o estrago (não foi tão mau como nos meus cenários, mas ainda assim tem ali uma bela de uma ferida) e foi aí que o meu corpo decidiu reagir ao choque de o ver magoado e de ver aquele sangue todo. Acabei eu sentada no chão da casa de banho, a ver tudo à roda, enquanto ele com o dedo debaixo de água me perguntava se eu estava bem.

Por isso, sim, tenho a certeza que após um terramoto, eu entraria em histeria completa. :)

3 comentários:

  1. São as maravilhas da adrenalina. Permitem-nos concentrar e funcionar quando estamos "em perigo", mas quando passa o "efeito"... Ups :)

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Digam-me coisas. :)