3.9.15

Tenho contado até 10 mais vezes que o habitual

Então e alterações de humor, desejos, sensibilidades, chorar por tudo e por nada, não falas dessas coisas, Maria Tété? Falo, claro que falo, embora não tenha grande coisa a dizer. Toda a gente brinca com o Jack perguntando-lhe se eu já o acordei às três da manhã com desejos de morangos ou qualquer outra coisa. E o felizardo diz sempre que tem tido sorte e que por acaso nem me tem dado para isso. Normalmente depois voltam-se para mim e perguntam-me porque é que não estou a aproveitar o facto de estar grávida para fazer pedidos estranhos. Pois, ora bem, eu sou esquisitinha e a gravidez não me tirou isso. Não gosto assim de tantas coisas e não é por estar grávida que a lista se alterou. Claro que me apetecem coisas (assim de repente era menina parar comer já ao pequeno-almoço uns crepes chineses de um certo restaurante em Portugal) mas apetecem-me porque estou longe, porque não tenho acesso a elas, como sempre me tem apetecido desde que vim para França, estando grávida ou não.

Chorar por tudo e por nada também não tem sido o caso, embora já tenha dado por mim com uma lágrima fácil no canto do olho em mais do que uma situação. Esta semana por exemplo ia entretida a cantar no carro uma das minhas músicas de infância, música essa que dancei com o meu pai no meu casamento já depois de todos os convidados terem partido e à qual nunca associei nenhum sentimento de nostalgia, mas de repente lá estava ela, uma lágrima pequenina a querer formar-se e eu a pensar "Mas o que é isto? Olha que disparate!". Pronto, também me acontece pois pelos vistos não sou de ferro.

Sensibilidades...já passei aí por uma fase em que andei mais sensível, sim. Mas não perdi a lucidez e percebi que se de repente as piadas que já ouvi 1001 vezes me estavam a cair mal é porque algo tinha mudado em mim e a culpa não era dos outros. Acho que andei um bocadinho mais susceptível, mais sensível, mais "vidrinho de cristal" e qualquer coisa que me dissessem era levado muito a peito naquele momento. Mas penso que nunca reagi de forma errada exactamente por ter percebido que deveriam ser as hormonas a actuar-me no cérebro e os outros não tinham culpa. Acho que já passou (ufa).

Agora uma coisa que me atingiu em cheio, com a força de um camião, foi....a falta de paciência. Eu sou uma pessoa paciente (a minha mãe dirá que não) mas tenho efectivamente falta de paciência para situações específicas: disparates de adolescentes, que teimem comigo que eu tenho/devo mesmo fazer algo e outras situações assim pontuais. Bom, neste momento, o leque de situações aumentou consideravelmente. Não ando de mau-humor, não ando chateada, simplesmente não tenho paciência para ouvir tudo e calar ou responder de forma politicamente correcta. E nem acho isto mau porque nalguns casos acho que sempre me faltou um bocadinho de à-vontade para dizer as coisas que penso e a única prejudicada fui eu. Mas também digo que há situações em que dou por mim a medir bem as palavras que vou dizer e a evitar rolar os olhos porque continuo a ter de saber viver em sociedade e a lidar com os outros. Mas que não tenho nem metade da paciência que tinha antes, isso não tenho.

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