7.12.17

Bebés e o sono #1


Já iniciei este tópico pelo menos umas sete vezes e seja de que maneira for que o inicie vou sempre parar ao colo, por isso mais vale assumir que a primeira dica é sobre o colo e a sua importância no sono dos bebés.
Durante a gravidez, o bebé está num local pouco iluminado, onde os sons chegam abafados, onde há um barulho constante e ritmado que o acalma (o coração da mãe), onde a temperatura é constante, onde não é incomodado e onde pouco ou nada o assusta. Depois do parto, que às vezes é traumatizante para a mãe mas também o pode ser para o bebé, este entra num mundo barulhento e iluminado, cheio de vozes e luzes, onde é vestido e despido constantemente, picado, beijado, medido, pesado, banhado, onde fica borrado até ao pescoço, onde sente frio e calor, onde há imensos cheiros e toques. É simplesmente assustador e o bebé precisa de se sentir seguro e protegido. E é aqui que entram os pais e o seu maravilhoso colo. E se nós, enquanto pais, vamos conhecendo diariamente o nosso filho, também ele vai aprendendo que aquele colos, aqueles cheiros, aquelas vozes, aqueles corações que ele ouve, significam segurança e que por isso ele pode dormir. Nós adultos precisamos de nos sentir em segurança para conseguirmos adormecer e o bebé não é diferente. Por isso, dêem colo, muito colo, não ignorem o bebé que chora por colo para que este não fique mal-habituado pois o objectivo é exactamente o oposto: que eles se habituem a que o colo está sempre ali, que eles estão em segurança, que podem dormir, que ninguém está a falhar com eles e com isso transmitir-lhes a confiança de que não precisam de colo sempre porque se mudarem de ideias e o quiserem novamente, ele está lá. 

Eu sei que nem todas as mães pensam como eu e eu assumo-me o tipo de mãe que nunca foi capaz de ter a filha a chorar por colo e não lho dar porque agora tenho de ir comer ou tomar um banho e "ela tem de aprender a saber esperar". Mas eu sempre soube que ia ser assim, mesmo durante a gravidez e como já algumas vezes referi aqui, nos primeiros 3 meses a Mini-Tété dormiu grande parte das sestas ao nosso colo e adormeceu seguramente todas as vezes ao colo.

Mas eu não sou diferente das outras mães no desejo de não querer uma criança já com os dentes todos a adormecer só ao colo, não só pela minha sanidade mental mas também pelas minhas costas que muito prezo. E eis então a segunda dica:

Da mesma forma que o colo é reconhecido pelo bebé como um "factor de segurança", podemos arranjar outros "factores de segurança" para que todos eles em conjunto criem o ambiente seguro em que o bebé pode adormecer. A ideia disto é que havendo 3 ou 4 "factores de segurança", poderemos mas tarde retirar um deles sem que o bebé se sinta desamparado pois ainda tem outros "factores de segurança" que o acalmam. Não me lembro onde li esta dica que agora vos dou mas achei-a preciosa e resultou na perfeição com a Mini-Tété. No nosso caso, um destes elementos de segurança que quisemos que ela tivesse era um ursinho amarelo. Outro elemento era o som constante e calmo "sssssshhhhh", uma espécie de white noise. E ainda a chupeta. A completar então pelo colo. Aos 2 meses apresentei o pequeno urso à Mini-Tété que obviamente não lhe ligou nenhuma e que obviamente não via nele qualquer suporte de segurança. Assim, o que passei a fazer foi adormecê-la ao colo com o ursinho pousado na barriga dela, para que assim se fosse tornando num elemento constante ao adormecer e ela o integrasse nesse momento. Durante o dia, colocava por vezes o urso entre a minha camisola e a pele para que ele ganhasse o meu cheiro, de forma a que ele servisse para acalmar a Mini-Tété. Portanto, para adormecer havia quase sempre 4 coisas: colo, "shhhhh", chupeta e ursinho.

Aos poucos fomos deitando a Mini-Tété na cama em diferentes estados de sonolência: primeiro profundamente adormecida (há que esperar cerca de 20 minutos depois de o bebé adormecer pois é o tempo que ele demora a chegar ao sono mais profundo. Tentar deitar o bebé antes disso pode fazê-lo despertar); depois acabadinha de adormecer; e por fim quando já estava quase, quase, quase a adormecer (estando frio, aquecer previamente a cama com um saco de água quente ajuda pois corta a desagradável sensação que é passar de um colo quente para uma cama fria). O ursinho e a chupeta iam sempre com ela e o som "ssssh" acompanhava os movimentos de a deitar para que ela não despertasse. Ao 5 meses, bastava pousá-la na cama acordada que ela adormecia sozinha sem ser preciso a nossa presença. Infelizmente, depois vieram fases piores de sono e ainda hoje adormece com a nossa presença no quarto (por opção nossa). Acordando durante a noite, muitas vezes bastou um "shhhh" para que sossegasse e voltasse a dormir. Nos dias de hoje, se acorda pega na chupeta e no urso e continua a dormir. Se tentarem esta técnica com algum bebé mais velho podem dar-lhe a escolher qual o boneco com que querem que adormeça. Às vezes insistimos num quando o bebé até se sente mais seguro e acompanhado se for outro. Aos 5 meses a Mini-Tété trocou-nos as voltas e passou a adormecer nas sestas com uma coelha cor-de-rosa, era uma paixão sem explicação, mas bastava mexer-lhe nas orelhas e lá se ferrava ela. À noite mantivemos sempre o ursinho para adormecer e ainda bem porque de repente o amor pela coelha desapareceu e ela voltou a adormecer com o bonequinho de sempre.

Como não amamentei, não passei pela dificuldade de ter um bebé que adormece apenas com a mama, mas ao que sei esta técnica funcionará também nesses casos, bastando por isso criar um conjunto de elementos que, a par com a mama, formem o tal ambiente seguro para o bebé. Depois, com calma, resultando às vezes e noutras não, ir retirando a mama do momento de adormecer.

Obviamente haverá bebés que adormecem como pequenos anjos sem usar estes truques e haverá bebés com os quais nada disto resulta. Connosco resultou (não faço ideia se teria sido diferente se não tivesse feito isto mas não quis arriscar), não é um truque milagroso porque é um processo que demora o seu tempo mas pode ser uma opção a considerar, e por isso fica a partilha.






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