29.5.17

"I am your father"

O Jack fez anos ontem. 
Esta foi a prenda que a Mini-Tété lhe ofereceu (feita por mim, obviamente, que a pequena é inteligente mas só tem ano e meio). Adoro esta fotografia dos dois, em que ela com menos de uma semana de vida não conseguia tirar os olhos dele. É a menina do papá. E ele merece. 


25.5.17

Qualquer dia aprende a conduzir

E eis que a 23 de Maio de 2017, andávamos nós na rua a passear, com ela segura pelas duas mãos e a Mini-Tété decide simplesmente largar uma mão e aventurar-se a caminhar sozinha apenas de mão dada, comigo ao lado dela. Estou fascinada com esta evolução e com esta capacidade de aprender a andar (eu sei, eu sei, a maioria dos bebés faz isto muuuitos meses antes dela mas talvez tenha sido este "atraso" que me faz olhar para este progresso com ainda mais espanto). :)

21.5.17

Eu mereço-a

Já aqui disse que a Mini-Tété é a bebé menos carinhosa que alguma vez conheci. Sim, sim, façam-me inveja falando dos beijinhos que os vossos dão, dos abracinhos e do quão fofinhos conseguem ser. Por aqui, aos 19 meses, já pousa a cabeça no nosso ombro quando está cheia de sono (admito, parecemos dois tolinhos a apanhar migalhas de carinho com estas), gosta de estar ao colo encostada a nós a ler histórias e faz festinhas muuuuuito de vez em quando. No outro dia, pedi-lhe uma festinha e ela simplesmente tocou na minha cara com a ponta do dedo, tirando-o logo. Mais contacto físico? Para quê? Pffff. Em contra-partida também não é uma bebé que morda, bata ou arranhe. Nunca o fez e sei que há crianças que com esta idade já o tentaram fazer. Ah, e consegue ser super-carinhosa para os peluches, brinquedos, livros e até paredes. Adora dar festinhas aos quadros cá de casa, os pais que se lixem.
No outro dia, sentadas lado a lado, depois de ela acordar e estando ela ainda com a chupeta e o seu ursinho, que esfregava vigorosamente no nariz, pedi-lhe para me fazer uma festinha (uma pessoa tem de ir insistindo antes que ela vire mesmo anti-contacto humano). Não me deu. Ficou simplesmente parada a olhar para mim como que a analisar o pedido. Pedi novamente. Nada. Olhava para mim sem mexer um dedo. De repente, põe-me o ursinho dela na mão como se me dissesse "Pronto, queres miminhos? Fica com o meu urso que ele é boa companhia" e foi à sua vida.
Já disse que tenho inveja dos vossos bebés que vos dão beijinhos e abracinhos?

19.5.17

Fazemos tudo o que é complicado e esquecemos de fazer o mais simples

Tenho a sensação que no mundo de hoje cheio de artigos e informações sobre parentalidade com avisos constantes como "Isto é o melhor para o bebé", "Deve-se fazer assim", "Não se deve fazer assado", "Isto é certo", "Isto é errado", "Isto é importante" nos esquecemos facilmente de ser simplesmente pais, de parar para respirar e simplesmente apreciar os filhos que temos. 

18.5.17

Uma sucessão de stresses

Ao fim da tarde.
O Jack liga-me, diz-me que teve um acidente de automóvel, que o carro ficou destruído mas que está bem (e está, confirma-se, os amigos que lêem o blogue podem ficar descansados) e pede que o vá buscar. Lá me consegue explicar por onde anda, entre rotundas e pequenas aldeias cujos nomes nunca sei, enquanto acabo de dar o lanche à Mini-Tété. Visto-me, visto-a, enfio uma sopa e fruta numa mala térmica porque não sei se ainda vamos ter de ir a algum lado e não vamos estar assim tão perto de casa pelo que mais vale levar o jantar da pequenita. Pego no saco de saída dela, acho-o estranhamente leve mas nem o abro porque não quero perder tempo. Mudança de fralda e lá saímos de casa. 
Coloco a Mini-Tété na sua cadeirinha do carro e enquanto me dirijo para a saída da aldeia onde vivemos, recordo-me que fecharam a estrada ao longo de vários (bastantes) quilómetros para obras e que por isso tenho de procurar um caminho alternativo, caminho esse que desconheço por completo. Deixem-me explicar-vos novamente: eu vivo numa aldeia no meio do campo. Literalmente no meio do campo, basta passar a última casa e temos vários quilómetros de terrenos agrícolas, campos com vacas, cavalos, florestas com veados, raposas, javalis e coelhos. Por isso, qualquer desvio que se faça a um caminho normal obriga-nos a dar grandes voltas por meio de campos onde tudo parece igual, a atravessar pequenas aldeias com uma mão-cheia de casas, a fazer quilómetros e quilómetros sem rotundas ou qualquer indicação da direcção em que vamos. O que é óptimo quando se tem pressa.
E assim fomos nós, por caminhos nunca antes percorridos, a perder tempo e a ganhar stress porque nem consigo avisar o Jack que vou demorar pois ele ficou sem bateria no telemóvel. A Mini-Tété vai sossegada atrás de mim, vejo-a no espelho a olhar pela janela e penso que realmente tenho uma sorte imensa em ter uma filha calma como ela. Mas cerca de um quilómetro antes de ver o Jack, ela dá um berro e desata num choro sem igual. Olho pelo espelho, vejo-a numa aflição enorme com as mãos na cara, penso se se terá assustado com os relâmpagos e trovões que resolveram dar o ar de sua graça e tento acalmá-la falando com ela mas não resulta. Paro junto à polícia que está a orientar o trânsito na zona do acidente, explico (com os berros da Mini-Tété a sobrepor-se à minha voz) que sou a mulher do Jack, dizem-me onde posso parar o carro e enquanto saio do carro, começam a parar o trânsito para que eu possa atravessar a estrada. Mas mal abro a porta do lado da Mini-Tété percebo a razão do choro: está enfiada numa poça de vómito. Pego nela, tentando que não se encoste muito, embora como seja natural ela tente imediatamente enrolar-se ao meu colo, atravesso o campo que me separa da estrada para dizer aos polícias que não vou atravessar e grito ao Jack que tenho de trocar a Mini-Tété. No carro, começo a despi-la enquanto rezo para que a leveza do saco de sair não se deva facto de não haver uma muda de roupa. Felizmente há e troco assim uma Mini-Tété em prantos, de mãos bem afastadas do corpo, pois odeia sentir-se suja e não há uma gota na roupa ou na pele que ela não veja e que não a incomode. Pára de chorar para depois recomeçar ao ver o estado da cadeira dela. O Jack dá-me o casaco dele para que eu cubra a cadeira de forma a que ela se sente sem chorar mais. Regressamos a casa.
Há fins de tarde maravilhosos, não há?

14.5.17

Uma pessoa até se habitua a ganhar coisas.

Mesmo tendo razões pessoais para apoiar o Salvador Sobral, fiz o esforço de o ouvir cantar como se não as tivesse, de forma a criar a minha própria ideia. Gostei da música mal a ouvi, achei-a pouco festivaleira, assumindo assim que não iríamos longe na Eurovisão, e achei também os gestos demasiado exagerados. Embora compreenda que se devem à sua interpretação da música que canta, senti que, pelo menos no meu caso, os gestos atraiam o meu olhar, distraindo-me da música em si e dando até ao Salvador um aspecto um pouco tolo. Comentei diversas vezes com o Jack que, não querendo que ele cantasse de braços abandonados ao lado do corpo, sentia que menos exuberância faria sobressair mais a música, colocando-nos assim mais perto da vitória. Estava enganada. A simplicidade da música e a não contenção na sua interpretação foi exactamente o que fez Portugal ganhar. Que noite de doidos, com a Mini-Tété a ter pesadelos, comigo e com o Jack a revezarmo-nos no seu cuidado pois nenhum de nós queria perder a pontuação, com a hesitação no final de "Então, mas fomos nós que ganhámos, é isso?" e a certeza de que mais uma vez Portugal fez história. Goste-se ou não da música, goste-se ou não do Salvador e da Luísa, goste-se ou não da interpretação, a verdade é que fomos os melhores. Fomos Portugal.

11.5.17

Ver o mundo parar

No domingo, estávamos a jantar num restaurante particularmente barulhento. Pensar que quando o descobrimos até era um sítio pacato e que com a fama que tem vindo a ganhar está constantemente cheio, com filas de espera e um barulho ensurdecer constante, quem diria. Bom, mas ali estávamos nós, minimamente atentos à televisão à espera que as 20 horas chegassem para vermos qual o Presidente eleito, com base nas sondagens. Segundos antes, começou a contagem decrescente na televisão e faltavam 3 segundos quando todo o restaurante mergulhou num silêncio, ainda mais ensurdecedor. Acho que até as crianças estavam caladas, espantadas com o desaparecimento do barulho característico. Surgiram os resultados, dois segundos ainda de silêncio com a informação a ser processada na cabeça de cada um, e novamente vozes, barulhos de pratos e talheres, gritos de crianças e pessoas de um lado para o outro encheram a sala. Quem entrasse naquele momento não saberia que naquela sala o mundo parou durante 5 segundos.

Anúncio fofinho

Cada vez que vou ao cinema aqui em França, reclamo por causa da quantidade de anúncios que nos obrigam a ver antes do filme começar. Se a sessão começa, por exemplo, às 20h, é certinho e direitinho que temos pelo menos 20 minutos de anúncios pela frente, seja a diferentes marcas seja aos filmes que vão estrear brevemente. E quando temos o tempo contado, começar um filme às 20h não é a mesma coisa que o começar as 20h20...
Ainda dentro dos anúncios, alguns fazem-nos rebolar os olhos, outros abrir a boca, outros dar uma gargalhada e alguns achamos fofinhos. É o caso deste que aqui vos deixo. Só peca por ser longo.


(Não aprecio muito a mensagem final do anúncio pois claro que se algum dia uma funcionária da caixa se lembrar de comentar aquilo que eu compro por achar que posso comer melhor, sou capaz de lhe dar uma resposta torta que ela não vai gostar...)

10.5.17

3 anos de casados

No dia 10 de Maio de 2014, entrava eu no Mosteiro a sentir-me uma princesa, a não querer demorar nem mais um segundo a chegar ao pé dele e a pensar que ia casar com o homem da vida. Porque ele é de facto o homem da minha vida, não há grande volta a dar, soube no momento em que me apaixonei por ele quando éramos ainda miúdos. 
Foram três anos de casamento muito bons, dos quais nasceu a Mini-Tété que é a nossa maior prova de amor e que nos manterá ligados para sempre mesmo que, por acaso, um dia este amor acabe. Lançámo-nos em grandes projectos, o que não nos facilita a vida de todo. Tivemos a Mini-Tété e eu reclamo por tê-lo mais presente, e estamos a construir uma casa praticamente de raiz e ele reclama por mais apoio. E é assim, reclamando e amando que vamos avançando com a certeza que dias melhores virão. Porque tal como a vida, estar casada com o homem da minha vida é uma montanha-russa de momentos felizes e outros menos bons, mas que no final nos farão olhar para trás e pensar que tudo valeu a pena. 
Três anos de casados.
Um ano de cada vez. Até à velhice.






(de mão dada, sempre)

8.5.17

Convidar e não convidar

A meio de um jantar de amigos e família, um casal conta-nos a novidade: vão casar. Depois de mil beijinhos de parabéns, de falar da boa nova, de perguntar quando é, comentam que obviamente estamos todos convidados. Todas as vozes dizem que farão de tudo para lá estar, é um dia importante, queremos estar presentes. E nisto, eles olham para nós e dizem que sabem que não foram ao nosso casamento mesmo tendo sido convidados, mas que não puderam mesmo, que não conseguiam mesmo ausentar-se do país naquela altura e que tiveram muita pena de não ir, esperando então que não estivéssemos chateados ao ponto de não irmos ao casamento deles. Olhámos para eles surpreendidos. Sempre nos demos bem, gostamos imenso uns dos outros, ficaram felicíssimos quando anunciámos que íamos casar, avisaram com antecedência que não poderiam mesmo ir embora gostassem muito, continuámos a encontrarmo-nos como antes, viram o nosso vídeo de casamento, entregámos as lembranças deles, conheceram a Mini-Tété, nunca demos qualquer ideia de que pudéssemos ter levado a mal a ausência deles no nosso casamento. E muito menos somos pessoas que não iriam a um casamento porque os noivos não foram ao nosso. 

Mais tarde, contavam que tinham descoberto que uns amigos próximos iam casar e que tinham convidado todo o grupo de amigos menos a eles e que, como tal, estavam também a pensar riscá-los da lista de convidados. Gerou-se assim uma discussão, com uns a defender que se não nos convidam, então também não temos de convidar, com outros a defender que não é bem assim. Entre mim e o Jack, as ideias não são sempre iguais. Eu defendo que devemos convidar quem queremos independentemente de se fomos convidados ou não por eles. Já ele tem uma enorme tendência a convidar quem um dia o convidou a ele, mesmo que a presença dessas pessoas não lhe pareça de todo essencial ou importante, e não acha importante convidar quem não nos convidou. 
E isto fez-me lembrar um outro casal de noivos, que falando connosco da sua lista de convidados, referia que não ia convidar este e aquele porque não tinham ido ao nosso casamento pelo que também não deveriam querer ir ao deles, e que não convidariam este e aquele porque não costumam ir a estas coisas, e mais uma série de razões. E eu pensava nuns familiares do Jack, testemunhas de jeová, que o Jack queria apenas convidar para a festa e não para a cerimónia pois afirmava que estes não iriam e não valia a pena constar no convite (para além de que se podiam melindrar, achava ele). Bati o pé e quis que o convite deles fosse igual a toda a gente, que para mim não fazia qualquer sentido uma religião diferente impedir a presença das pessoas numa cerimónia religiosa de outro tipo, e que eles até poderiam querer ir. Se não fossem, tudo bem, mas não devíamos partir do princípio que não entrariam na igreja. E assim foi, o Jack foi obrigado a engolir o que pensava pois os familiares assistiram à cerimónia do princípio ao fim. Assumir que as pessoas não vão e que por isso não vale a pena convidar é demasiado estranho para mim.
Mas verdade seja dita, já vi convidados a recusarem-se a ir a casamentos porque os convites não foram entregues em mão, porque vai estar demasiado frio, porque os noivos não convidaram outros convidados que eles também acham que deviam estar presentes...Enfim, todo um sem-número de razões, cada uma pior que a outra. Quem diria que convidar pessoas daria tanto trabalho?

7.5.17

Feliz dia da Mãe!


Mais um dia da mãe enquanto filha de uma mulher espectacular e enquanto mamã da Mini-Tété, e que felizmente passarei com as duas. Ser filha dela é o mesmo de sempre, é saber que ela está ali, é saber que mesmo chocando, mesmo não concordando com tudo, ela está ali. Está sempre, como poderia ser de outra forma? Da mesma maneira que eu estarei sempre aqui para a Mini-Tété, sempre. De que outra forma poderia ser? Há dias em que esta amostra de gente com mais de 10 quilos me tira do sério, me faz perder a paciência (como nestas últimas noites em que acorda por exemplo às 2h da manhã e só volta a adormecer às 6h, e eu não percebo porquê), me faz pensar que não nasci para isto de ser mãe. Mas depois olha para mim, sorri, vejo-a concentrada em mais uma conquista, faz-me festinhas, aconchega-se no meu colo enquanto lhe dou leite e eu penso que tenho uma sorte imensa em tê-la na minha vida, este meu raio de sol maravilhoso e gorducho.
É ainda demasiado pequenina para perceber que é dia da mãe, viverá este dia como simplesmente mais um da sua existência, em que me tirará do sério e me fará apaixonar um bocadinho mais. E para mim, também é mais um dia da nossa existência, mais um para me mostrar que tenho a melhor filha que podia ter tido. Tenho mesmo sorte.

5.5.17

Aprender um bocadinho

Quando a Mini-Tété era mesmo pequenina, eu tinha muito medo do Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL). Não quando ela estava na cama, o que é engraçado, acho que assumia que aí estava a fazer tudo bem e por isso é que dormia descansada sem ter medo que ela deixasse de respirar durante o sono. Mas por exemplo, quando a via no ovo, acho que por causa da posição, tinha algum receio e não foram poucas as vezes que chegada a casa depois de uma saída à rua, de carro ou no carrinho, com a Mini-Tété no ovo, o coração me parou por não a ouvir e sentir a respirar. Ainda por cima, a Mini-Tété reagia ao frio ficando muito branca. Tentem olhar para o vosso bebé pálido e aparentemente sem respirar e digam-me se conseguem manter a calma. Admito, sem grandes vergonhas, que cheguei a acordá-la para ver se estava mesmo tudo bem. 

Já vi grávidas incomodadas por se falar do SMSL nesta altura da vida delas mas para mim é quando mais faz sentido tocar neste assunto. Falar sobre isto quando ainda nem se está grávida, não vale a pena porque não decoramos nada e falar depois do bebé nascer pode ser tarde demais para além de ser desnecessário sobrecarregar os pais com ainda mais informações nessa altura. Eu li sobre o assunto e ouvi falar nas aulas de preparação para o parto (não sou a única a achar que faz sentido...), e agora deixo aqui o que fui aprendendo. 

Diz o pediatra Mário Cordeiro que "Sem que se saiba, exactamente porquê, os factos demonstram que, relativamente a um bebé deitado de bruços, um que fique de lado tem metade do risco de ocorrência de SMSL, e se estiver deitado de costas o risco ainda se reduz mais, para cerca de um quarto. Por outro lado, estes estudos também confirmaram que um dos grandes receios dos pais e dos profissionais - o engasgamento e sufocação caso o bebé bolsasse ou vomitasse - não acontecia em maior grau com qualquer uma das posições alternativas a estar de bruços". Acrescenta também que "em algumas maternidades a recomendação continua a ser deitar de lado. Mas a ciência e as normas são muito taxativas: salvo casos muito raros que o médico diagnosticará, todos os recém-nascidos e crianças devem ser deitados de costas nos primeiros meses de vida (até se voltarem por eles próprios)". 

Admito que me faz uma certa confusão quem, nos dias de hoje, não segue esta recomendação "porque antigamente era de lado " ou "porque não sou de extremismos e não vou nessas coisas". 
A questão da posição é realmente essencial mas outras medidas parecem também ajudar na prevenção:
- Evitar expor os bebés a ambientes com tabaco.
- O uso da chupeta parece reduzir a incidência do SMSL
- Não cobrir a cabeça do bebé (já sabem que aqui em França são adeptos do saco de dormir até aos 18 meses, no mínimo, de forma a evitar acidentes com mantas e lençóis)
- Não sobreaquecer o bebé, seja com demasiada roupa, seja em ambientes muito quentes, seja com muita roupa de cama. Nas aulas de preparação para o parto, deram-nos a indicação de ter o quarto a 19°C.
- Dormir no quarto dos pais até aos 6 meses (já ouvi a explicação que o facto de ouvirem a respiração dos pais ajuda a que inconscientemente se mantenham a respirar)
- Dar de mamar pelo menos até aos 6 meses
- Arejar o quarto todos os dias. É engraçado porque me lembro de ter torcido o nariz perante o ar grave da sage-femme quando nos disse isto. A minha filha nasceria com temperaturas lá fora a rondar os 0°C, seria mesmo necessário andar a abrir a janela todos os dias? E atenção que eu gosto de arejar a casa frequentemente, mas no Inverno com temperaturas negativas não o fazia todos os dias. Depois li que os bebés são extremamente sensíveis a ligeiros aumentos de CO2, aumentos esses que a nós pais não nos causam qualquer transtorno mas que podem ser extremamente perigosos para os recém-nascidos. Daí também se começar a alertar para que os pais não tapem o ovo com as tradicionais fraldinhas, mesmo que achem que o ar circula na mesma (porque pode não o fazer o suficiente).

Infelizmente, o SMSL é daquelas coisas que pode acontecer qualquer um, uma vez que nem sequer são conhecidas as causas e que não depende dos pais para que não aconteça de certeza. Ainda assim, se pudermos reduzir o risco, faz-se sempre esse esforço, esperando que corra tudo pelo melhor. :)

4.5.17

Certas marcas deviam ter um cartão de pontos...

Já aqui o disse várias vezes que sou fã da marca Mr.Wonderful e já tenho cadernos, agenda e capa de telemóvel. E agora estou de olho no unicórnio luminoso, coisinha mais gira (é, não é?). Já tentei dizer ao Jack que seria uma luz de presença linda para a Mini-Tété mas ele não foi na conversa. Mas não desisto e volta não volta, lá vai ele recebendo mais umas dicas como "Olha estas borrachas tão giras!", "Olha este caderno tão bonito!", "Olha para aqui...", a ver se o rapaz não me quer fazer uma surpresa um dia destes. :P
(carregar nas imagens para mais informações)

3.5.17

Jantares com convidados-surpresa

Desde que vim para França, acontece frequentemente ver-me numa situação que me deixa um pouco de boca aberta e a pensar que nunca tal me aconteceu em Portugal. Eu explico: somos convidados para jantar, pode até haver uma ou outra conversa sobre este mesmo jantar, tudo indicando que seremos apenas nós e os anfitriões. Chegados à casa (ou ao restaurante) na noite combinada, rapidamente percebemos que há outros convidados, algumas vezes nossos conhecidos, outras vezes nem por isso. E é completamente aleatório, tanto pode haver quatro ou cinco jantares em que não há qualquer surpresa destas, como um convite feito exactamente da mesma forma que os anteriores leva a vermo-nos rodeados por convidados inesperados para nós (o que nem sempre significa que seja mau, muitas vezes são amigos com quem se passa um bom bocado, mas não deixa de ser estranho ser feito desta forma). 
Admito que me faz uma certa confusão pois já nos aconteceu por exemplo estarmos vestidos de forma bastante informal, eu sem maquilhagem, prontos para um jantar descontraído com amigos, e acabamos por dar de caras com pessoas e um jantar requintado que mereciam um aspecto mais cuidado. Ficamos desconfortáveis e era desnecessário. Da mesma forma que já aconteceu aceitarmos um convite, achando que sendo só entre os habituais comensais, vamos poder ir cedo para casa e de repente damos por nós num jantar com um grupo enorme de pessoas que dura obrigatoriamente muito mais do que aquilo que nos apetecia. Ou ser convidada para um tarde de chá e conversa e chegando ao local dar com um grupo de amigas da anfitriã, em que não conheço nem uma e acaba por ser uma tarde bem diferente do que me foi proposto inicialmente.
Em Portugal (comigo, pelo menos), comenta-se sem grandes problemas "Olha, também vou convidar o Manel e a Maria", "A Joana e o João também vêm", "Estava a pensar juntar um grupo de amigos para um lanche", de forma que os convidados percebam que não serão os únicos e podendo assim saber com o que é que contam. Estarei mal-habituada? Não sei, mas a verdade é que passei a recusar-me sair para um jantar sem estar devidamente arranjada por não saber o que me espera.

2.5.17

Dica 9# - Socorro, o meu filho cospe a sopa!

Liga-me a minha mãe:
- Estava aqui a rever os vídeos da Mini-Tété e fui dar com aquele em que ela está a cuspir a sopa. Fartei-me de rir só de lembrar.

Já eu faço um esforço hérculo para esquecer. De todas as fases da Mini-Tété, esta foi provavelmente a que mais odiei. Acordar de hora a hora? Venha! Deixar cair a chupeta um milhão de vezes por noite? Siga! Cólicas? Pff, venham elas. Birras? Veremos mas cheira-me que não conseguirão tirar o lugar do pódio à maldita fase "cuspir a sopa". Odiei a primeira vez que aconteceu e odiei todas as vezes seguintes, sem nunca achar a mais pequena graça. Odiei de tal maneira que as refeições passaram a ser um sacrifício para mim e quando o Jack chegava a casa, calhava-lhe sempre em sorte ser ele a dar a sopa à Mini-Tété, mesmo que não lhe desse jeito nenhum. Eu não queria saber, eu só queria fugir a mais um massacre depois de duas refeições (almoço e lanche) a apanhar com uma chuva de sopa e papa em cima. Os meus pais e avós deliravam com a nova gracinha da menina (muito obrigada, através do skype também eu) a tal ponto que passei a não permitir chamadas durante as refeições por duas razões: 1) Não queria que ela tivesse a força dos avós e dos bisavós para continuar com aquilo e 2) a minha sanidade mental não me permitia estar a apanhar com sopa na cara e ter gente a rir-se quando só me apetecia dar um berro. Acho que naquele momento ter-me-ia sabido bem um abracinho e alguém me ter dito "Sim, é uma porcaria. Mas vai passar. Faz isto que resulta.". Pelo contrário, enquanto a família e as amigas riam e diziam que era fofinho, eu embarcava em pesquisas na internet à procura de uma forma para acabar com esta gracinha. Porque eu tinha noção que a Mini-Tété não fazia aquilo para me aborrecer ou stressar (mas stressava, oh se stressava. Perguntem ao Jack e ele ainda hoje vos diz o estado de nervos com que me encontrava quando chegava a casa), era apenas uma gracinha, tal como descobrir descobrir-me as orelhas ou tentar enfiar os dedos no meu nariz. Era apenas uma descoberta mas, infelizmente para mim, uma descoberta à qual ela estava a achar piada. Pelas minhas viagens via internet não encontrei dicas nenhumas, pior até, encontrava relatos de mães cujos filhos aos 2 anos ainda faziam esta brincadeira. Era uma fase, acabaria por passar, lia eu. A ver vamos, ela tinha 8-9 meses quando começou com isto e era mais do que óbvio que eu não aguentaria tal coisa até aos 2 anos sem pelo menos ganhar uma depressão pós-parto, o que aqui entre nós, seria uma pequena vergonha ter de explicar a um médico que me sentia deprimida à conta de uma sopa e papa cuspidas.

Eu tenho perfeita noção que para a maior parte das mães este tipo de coisa não é assim tão mau. Vejo pelo próprio Jack, a quem se perguntar qual a pior fase da Mini-Tété, não me dirá obviamente esta. A verdade é que todos temos diferentes sensibilidades e se eu vejo desabafos de mães à beira da loucura com coisas que a mim não me incomodaram assim tanto, parece-me normal que eu tenha ficado uma pequena pilha de nervos à conta de algo insignificante para os outros. Definitivamente, o meu calcanhar de aquiles nesta coisa da maternidade é, até agora, apanhar com sopa em cima. Podia ser pior. Podia ser trocar fraldas e aí é que estava bem tramada.

Posto tudo isto, deixo aqui a maneira como resolvi a questão já que não encontrei esta dica tão simples em lado nenhum.

"Socorro, o meu filho cospe a sopa! Como o faço parar??"

Fácil, não lhe dando sopa. Não havendo sopa para cuspir, não há gracinha para se fazer. Ah, maravilha das maravilhas, o sossego. Então, mas eles não têm de comer sopa? Têm pois, mas aqui entre nós, se se dão ao luxo de cuspir a sopa é porque não estão assim com tanta fome, certo? Foi seguindo este pensamento, que alterei as minhas refeições com a Mini-Tété, passando a parar de dar a sopa a cada "brrrrrr". Sempre que ela o fazia, eu interrompia a refeição e ia fazer o meu almoço. Depois continuava até haver novo "brrrr", e nessa altura ia buscar o meu almoço e começava a comer. Nova tentativa, novo "brrrrrr" e continuava a comer até acabar a refeição. Entretanto, por esta altura a Mini-Tété já começava a perceber que ou engolia a sopa e deixava-se de gracinhas ou não comia. Começou a reduzir a quantidade de cuspidelas durante as refeições e dias depois, a brincadeira tinha acabado e não voltou até hoje. Fica a dica para aqueles que, como eu, um dia desesperem (ou não mas queiram acabar com isto antes da criança ter a dentição toda e saber falar 5 línguas).



1.5.17

Não gosto disto

Ontem fomos ao cinema (ver o "Logan", filme que desaconselho fortemente a não ser que queiram ver duas horas de sangue e violência), debaixo de um imenso temporal que nos deixou encharcados. Mal entrámos no átrio, estranhámos a imensa fila para entregar os bilhetes, visto que esta já não costuma ser pequena mas que estava verdadeiramente exagerada. Separámo-nos: eu fiquei na fila dos bilhetes, ele foi para a fila das pipocas, também ela estranhamente enorme. À minha volta, as pessoas olhavam para os relógios, com medo de perder o início dos filmes, esticavam o pescoço para ver o que se passava mas a fila não mexia nem um passo. De repente começa um alarme a tocar. Olhei para o Jack, que longe, na fila dele, encolheu os ombros sem também perceber o que se passava. Depois, uma voz no altifalante que, com tanta gente a falar num átrio tão grande, era praticamente impossível de se perceber. Voltei a olhar para o Jack que me faz sinal que não percebeu também o que foi dito. À minha volta as pessoas começaram a mexer-se, a desfazer a fila e eu apurava o ouvido a tentar perceber o que se passava. Vi os empregados dos bilhetes e das pipocas a saírem de trás do balcão e a afastarem-se. Atrás de mim, um homem disse para quem o acompanhava "Estão a mandar evacuar. Temos de sair". E é disto que não gosto. Estávamos no cinema da Disney, lá fora os parques temáticos estavam a esvaziar e era um mar de gente em direcção ao metro, passando mesmo ao lado dos cinemas. O cinema cheio com toda a gente enfiada no átrio, ao abrigo da chuva. No fundo, todo um ambiente chamativo a quem quiser fazer uma estupidez, coisa que infelizmente não se pode dizer que não aconteça por cá. Corri para o Jack, agarrei-lhe um braço e disse-lhe "Estão a mandar evacuar!". Saímos para a chuva, para o meio da multidão que saía dos parques e que abandonava os cinemas. Passado uns minutos diz-me o Jack que se tratava de um alarme de incêndio e que é por isso que as clarabóias do átrio do cinema estavam abertas quando chegámos, deixando entrar a chuva. Meia-hora depois, já sentados na sala, digo-lhe:
- Tive medo.
- Sim, eu percebi pela forma como correste na minha direcção.
Fiquei a pensar e disse-lhe:
- Temos uma filha agora. Sempre que tiver medo, correrei. Prefiro correr sem necessidade do que ter de correr verdadeiramente para salvar a vida.
Mas não gosto disto, não gosto de ouvir um alarme e pensar logo o pior porque efectivamente pode ser o pior, não gosto de ter medo, não gosto de correr por ter medo. Que treta de mundo.

Mini-Tété, o papagaio

Brinca ao meu lado, enquanto eu parto pão seco para dentro de um saco para mais tarde irmos dar aos patos e cisnes do rio. Olha para mim e diz:
- Quá-quá?
- Sim, vamos dar pão aos patinhos.
- Quá-quá?
- Sim, aos patinhos.
- Quá-quá?
- Sim, amor, vamos aos patinhos.
- Quá-quá?
- Sim, querida, aos patinhos.
- Quá-quá?
- Já vamos ver os patinhos, sim?
- Quá-quá?
- Sim, querida, deixa só a mamã preparar o pão, está bem?
- Pão?
- Sim, o pão para os patinhos.
- Pão?
- Sim, pão.
- Pão?
- ...

(um disco riscado, é o que ela é)

A toda a velocidade


Temos sempre na cabeça aquela imagem típica dos bebés de pé na cama de grades, agarrados a estas. Já para a Mini-Tété, de ano e meio, o interesse nesta posição sempre foi nulo. Na cama, ou está a dormir ou está sentada, de pé nem pensar, sentando-se à mais pequena tentativa de a colocar direita. Mesmo no resto da casa, não fica de pé agarrada aos móveis nem tenta andar agarrada a estes. Quer estar sentada e pronto. Há dois dias, voltei a colocá-la de pé junto às grades e abri a boca de espanto quando a vi começar a dar pequenos passos bamboleantes. Ah, marota, passa de não querer estar de pé para querer logo começar a ensaiar uns passinhos. Ontem, ouvi-a acordar e chamar-me. Abri os olhos e quase berrei de susto, com a cara dela por cima das grades, a olhar para mim. Tinha-se levantado sozinha pela primeira vez. O Jack está pronto a esconder as chaves do carro não vá a pequena, visto a rápida progressão, achar que dentro de uma semana está apta a conduzir. (não tarda começa a andar) (acabou-se o sossego) (mas as minhas costas agradecem)
:)