21.12.20

Não sei dançar

Esta é a conclusão à qual chego (mais uma vez) depois de 3 meses de aulas de dança Jazz. Não é uma grande surpresa, a coordenação motora nunca foi o meu forte e já andar direita sem tropeçar em mim mesma é um feito extraordinário e um esforço diário, por isso ninguém poderia estar à espera que eu encarnasse uma Catherine Zeta-Jones ou uma Renée Zellweger do filme Chicago.

Desde que começou o segundo confinamento em França, no fim de Outubro, que as nossas aulas passaram a ser por Zoom, o que de uma certa forma é uma bênção porque a professora não consegue ver os 4215486452 erros que fazemos através de um ecrã de computador mas também implica uma aprendizagem mais difícil dado tamanho do ecrã e a qualidade da chamada.

Como contei no post anterior, faço estas aulas em casa da nossa vizinha, exactamente a mesma que por artes de bruxaria me levou a inscrever nisto. Há umas semanas, sentindo nós alguma dificuldade com alguns passos, a minha vizinha lembrou-se de pedir à professora que gravasse as coreografias e nos enviasse de forma a podermos treinar em casa sem estarmos sempre a falhar passos ou a cometer erros. Claramente é ela o elemento demoníaco desta amizade porque tal pedido veio simplesmente a tornar-se no maior exemplo do que é uma pessoa querer um buraco para se enfiar e ficar lá a viver nos 100 anos seguintes.

A nossa professora, pessoa amorosa, cheia de paciência e com uma enorme esperança (já a desvanecer-se, penso eu...) em fazer de nós algo a que se possa chamar bailarinas e não parecer apenas que estamos a ser submetidas a choques eléctricos com as pernas e os braços a disparar em todas as direcções, gravou uma aula. 

E enviou. 

A toda a gente. 

E quem é que aparece no vídeo? Ela. 

E quem é que aparece mais? Vários quadradinhos com todas as alunas. 

Incluindo quem? Nós.

Lembro-me que recebi o mail com o vídeo num dia de trabalho. À hora de almoço espreitei e o horror e o ataque de riso que nasceram em mim foram de tal forma que tive de deixar para quando estivesse em casa. Danço mal. Danço mesmo muito mal. O problema é que a vizinha dança apenas ligeiramente melhor do que eu. E juntas é simplesmente como assistir a um comboio a descarrilar e esperar que não haja mortos. Houve de tudo, desde toda a gente parada a ouvir a professora e eu de repente começar a dançar do nada, a vizinha perdida nos passos a começar a nadar bruços com as bochechas cheias de ar, as duas perdidas a tentar perceber qual o passo a seguir, enfim...Eu chorei de vergonha e de tanto rir a assistir àqueles loooongos minutos de tragédia. E há um momento que eu acho que resume perfeitamente o desastre que somos: chamei o Jack para ver uns segundos de forma a que percebesse porque razão eu me desfazia em risos e lágrimas. Ele observa e no fim pergunta:

- Mas vocês não estavam as duas a ouvir e a dançar a mesma música? 

Estávamos. Mas ninguém diria, de facto. Eu ia para a direita, ela para a esquerda. Eu esticava uma perna, ela um  braço, eu rodopiava, ela baixava-se, e assim continuávamos, convictas de que alguma coisa haveríamos de estar a fazer bem. É tudo tão mau, mas tão mau, que nem tive coragem de mostrar aos meus pais, pessoas com quem estou mais do que habituada a rir de mim mesma. Mas há um limite e acho que o encontrei.

Querem saber o melhor? É suposto virmos a fazer um espectáculo final para o público.

Vai ser óptimo. 

4 comentários:

  1. olha, eu ri-me só de ler a descrição! Repensa isso de não mostrares aos teus pais ahahah

    Feliz Natal! :)

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    1. Naaaaaa, já nos rimos todos o suficiente com a descrição que fiz do pequeno horror que é aquele vídeo, não é preciso passar ainda mais vergonhas. :P

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  2. Hello :)
    Por acaso dançar não é mesmo a mesma cena. Aahahah
    Boa sorte para esse espetáculo público.
    Beijinho*

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  3. Eu sou a pessoa mais desajeitada que existe e também tropeço nos próprios pés, torço-os sem razão aparente (sem saltos e em piso direito), tenho nódoas negras que não sei de onde vieram (desde q me lembro 😂), vou contra móveis, maçanetas e paredes. Mas felizmente, sempre gostei e tive jeito para dançar, deve ser a única altura em q consigo contrariar a minha natureza desajeitada 😂 o que importa é que te divirtas!

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Digam-me coisas. :)