24.8.15

Ainda o vizinho

O vizinho já tem idade para ser meu pai e portanto para ter juízo, mas acho que ainda não se apercebeu disto. A semana passada dei por mim atrás de uma carrinha que a determinada altura do percurso reduziu a velocidade para 10 km/h. Estranhei, pensei que ela estaria provavelmente avariada, mas não me incomodou mais do que isso uma vez que um pouco mais à frente chegaríamos ao nosso destino, pelo que não me incomodava assim tanto fazer os últimos metros a passo de caracol. Por isso mesmo quando a estrada alargou um pouco de forma a permitir que sejam feitas ultrapassagens, eu mantive-me atrás da carrinha que avançava bem de-va-ga-rinho. O Jack ao meu lado, cada vez mais inquieto, pediu-me que não tentasse ultrapassar a carrinha. Expliquei que não estava a pensar fazê-lo, que brevemente apareceria a nova faixa para a cortada para o restaurante, mas perguntei-lhe o porquê daquela instrução. E ele disse-me que era a carrinha do vizinho. Percebi então que este estava claramente a picar-nos, e se dúvidas houvesse, tê-las-ia perdido quando ao surgir a nova faixa, o vejo a tentar entalar-me quando tentei mudar para ela. Admito que aqui já não achei grande piada uma vez que facilmente podíamos ter batido ou eu ter sido empurrada para fora da estrada, mas como ia devagar deixei-me simplesmente ficar para trás até ao ponto em que ele se viu obrigado a seguir o seu caminho e eu pude usar a faixa que queria e virar para o restaurante como pretendido.

O Jack ficou uma pilha de nervos, incomodado por o vizinho ser tão imbecil, por ter estas atitudes e por, claro, estar a fazê-lo comigo ao volante, grávida. Incomodava-o o facto de o vizinho voltar a ter este tipo de comportamento quando eu um dia fosse sozinha, que não há qualquer necessidade disto, que é um idiota.

Já eu...encolhia os ombros. Obviamente não gostei da atitude, achei-a parva e inconsciente, e se ele voltar a fazê-lo terei exactamente o mesmo comportamento de "deixa andar que a mim não picas tu...". Mas sobretudo acho triste. Não imagino que triste vida terá este meu vizinho para, nos seus cinquenta e tal anos, ter necessidade de estar assim a picar alguém na estrada, a procurar claramente confusão, para poder ir para casa com a sensação de que ganhou. Para já, porque nestas coisas ganho sempre eu que não me deixo afectar e que por isso não tenho a reacção que geralmente esta gente pretende (tentativa de ultrapassar, condução mais agressiva, barafustar, etc). E depois porque já o imagino a deitar-se à noite na cama e a pensar satisfeito para consigo mesmo "Sou mesmo bom! Hoje consegui entalar uma mulher grávida no trânsito de forma a que ela não fosse logo para a faixa que queria". E quando são precisos estes comportamentos para sentir que ganhámos o dia, é porque a nossa vida é realmente muito má. E ele que tenta picar-nos e chatear-nos ao máximo só consegue que eu, a maior parte do tempo, sinta efectivamente pena da vida que ele deve ter.

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