Já é o segundo Carnaval que passamos com a Mini-Tété nas nossas vidas e este será mais um em que não há máscaras para ninguém. Nenhum de nós acha particular piada ao Carnaval (eu adorei até aos 10 anos, altura em que entrei no ciclo e tive na escola a festa de Carnaval mais seca de sempre. Desde aí nunca mais me apanharam mascarada tal foi o desgosto que sofri...), não nos faz muito sentido estar a gastar dinheiro em roupa e acessórios que ela não entenderia (e não estando numa creche, não há nenhuma festa obrigatória a cumprir) e depois porque tenho a ideia de que aqui em França se vive muito mais o Halloween do que o Carnaval pois é nessa altura que vejo as crianças todas mascaradas na rua. E não vou andar com a pequena mascarada na rua sem ninguém entender o porquê. :)
27.2.17
26.2.17
A minha vizinha de baixo
Os nossos vizinhos de baixo, inquilinos do proprietário intitulado A Besta, parecem ser um casal normal, pais de duas crianças de pouca idade. Não imagino que profissão têm uma vez que vejo frequentemente os dois a irem pôr a pé os filhos à escola de manhã, a irem buscá-los ao almoço, a voltarem a ir pô-los à tarde e novamente a irem buscá-los. Não sei se estão desempregados, se trabalham à noite, se trabalham por turnos, não faço ideia. Mas parecem um casal calmo, ela vai rindo pelo caminho, ele leva à pequenita às cavalitas muitas vezes. Às 21h as crianças já estão deitadas e não se ouve nem um ai, é um sossego. É aquele tipo de casal que, à primeira vista, imaginamos na cozinha a fazer biscoitos com os filhos, a cantar em rodinha, com mil abraços e beijos por dia, sentados os quatro a ver filmes da Disney e a comer pipocas. É por isso que não deixo de me surpreender com a quantidade e elevado volume de gritos que começam logo pela manhã. A ele não o oiço mas ela fica absolutamente histérica. De manhã, ao almoço e ao final do dia. Não condeno, atenção, parece-me que as duas crianças estão mesmo na idade certa para só fazerem disparates, para dizerem que "não" a tudo, para dificultar qualquer tarefa ou ordem mais simples, deve ser de pôr os cabelos em pé. Ainda assim, custa-me ouvi-la gritar uma série de asneiras e sobretudo coisas como "Estou farta de vocês!". Não sei o que me espera, não sei que tipo de criança a Mini-Tété vai ser, não quero cuspir para o ar até porque sei bem que sou uma pessoa com reduzida paciência para birras e que facilmente poderei dar por mim a dar-lhe um berro, mas não gostaria de chegar a este ponto em que lhe diria este tipo de coisas. E esta semana, enquanto ouvia esta mãe num crescendo de berros, cuja resposta da filha era um choro cada vez maior, tive vontade de ir lá bater à porta e perguntar "Quer ajuda? É que a situação parece um bocadinho fora do controlo....", não porque seja melhor mãe, não porque ache que a filha seja uma santa com uma mãe diabólica que lhe grita, mas porque nem à criança ajuda ouvir certas coisas nem à mãe faz bem dizer certas coisas que com certeza mais tarde, penso eu, se arrependerá de ter dito.
22.2.17
É daquelas coisas que acontecem....
Mini-Tété aprendeu a assoar-se, o que dá muito jeito, sobretudo agora que anda meio constipada. E lá andamos nós de lenços de papel em riste, deixando-a fazer a nova gracinha ao mesmo tempo que lhe limpamos o nariz. Outras vezes anda ela satisfeita de lenço de papel na mão a assoar-se quando muito bem lhe apetece.
Esta noite, enquanto fazíamos o jantar, eu e o Jack ouvimos mais uma vez o som característico de uma boa assoadela. Quando nos virámos para lhe dizer "muito bem" e lhe tirar o lenço condenado das mãos, damos com a Mini-Tété a assoar-se alegremente...ao pano da loiça. Escusado será dizer que o referido pano já está na máquina de lavar roupa.
21.2.17
Nem a Mini-Tété é assim tão bem educadinha nem eu tenho um dom escondido
Há uns dias uma amiga perguntava-me "Mas vocês nunca vão deixar a Mini-Tété ver televisão?" e eu demorei um pouco a perceber de onde vinha a minha pergunta até me lembrar que tinha já falado disso aqui no blog e que ela deveria ter lido. É verdade que eu e o Jack assumimos uma série de comportamentos no 1° ano de vida da Mini-Tété que acreditamos terem sido os melhores para ela, da mesma forma que agora no 2° ano de vida mantemos alguns, retirámos uns quantos e acrescentámos outros. A televisão é talvez um dos aspectos que mais suscita curiosidade ou estranheza, embora na verdade não seja tão complicado assim. No 1° ano de vida determinámos que a Mini-Tété não teria acesso à televisão e que para ecrãs bastaria o skype quase diário com os avós (que não é o mesmo que televisão pois há uma interacção). Agora com 1 ano e 4 meses ainda não vê desenhos animados na televisão (na verdade, acho que ela nunca viu a televisão cá de casa ligada a não ser nos jogos do Euro) mas já lhe mostrámos algumas canções da Disney no computador e uma vez um pouco de Tom&Jerry. Nunca vimos a televisão como um bicho papão por isso é natural que mais cedo ou mais tarde ela comece a ter acesso a ela, simplesmente ainda não sentimos que tenha chegado a altura e que ela pode entreter-se com outras coisas. E perguntava ainda a minha amiga se as minhas dicas sobre a introdução alimentar acabavam mesmo com as birras à hora das refeições e aí percebi que talvez tenha sido mal interpretada. Eu não tenho nas mãos o segredo para "zero birras para comer a sopa" (era bom, não era?), tenho dicas para reduzir as hipóteses de elas existirem, pelo menos numa fase inicial. Porque não pensem que eu não sei a potência que tenho em casa e que acho que isto vai ser boa boca e calminha para sempre. Na, na, na, aliás, eu ponho as minhas mãos no fogo em como a Mini-Tété ainda vai fazer birras para comer, e vai fazer birras no supermercado, e nos restaurantes, e em plena rua, e em casa de familiares e amigos. Da mesma forma que um dia verá televisão. Da mesma forma que um dia comerá chocolate ou bolos ou rebuçados. Porque é natural uma criança ver televisão, comer doces e fazer birras. Não tenho qualquer esperança de que tudo aquilo que faço se traduza numa criança sempre bem-comportada, muito pelo contrário. Mini-Tété vai tentar esticar a corda, pisar o risco, testar limites, mostrar desagrado e frustração. Afinal de contas, é uma criança absolutamente normal.
20.2.17
Sai a mim, claramente.
Mini-Tété parece ter tanto jeito como eu para reconhecer as pessoas pela cara. Tudo o que seja mulher abaixo dos 50 anos é "mamã" e acima dos 50 é "vovó". Tudo o que seja homem abaixo dos 50 anos é "papá" e acima dos 50 é "vovô". Então lá ando eu de 2 em 2 minutos no supermercado a dizer-lhe "Não, não é o vovô", "Não, esta não é a vovó", enquanto a impeço de tentar tocar nas pessoas para lhes chamar a atenção achando que se trata dos avós e bisavós.
16.2.17
Como quase morrer de susto no dia dos namorados
3:00 da manhã.
Mini-Tété (finalmente!) a dormir ferrada no quarto.
Jack a trabalhar fora de casa (só chegaria às 7:00)
Eu na casa de banho.
E de repente oiço passos e alguém a mexer em coisas.
Sinto que os passos param do lado de fora da casa-de-banho e eu só penso que tenho a minha bebé a dormir sozinha no quarto e que há um desconhecido entre mim e ela. Penso rapidamente se terei trancado a porta de casa ou não. Penso se não terei deixado as chaves na porta no lado de fora (acontece-me, não vale a pena negar, já perdi a conta à quantidade de vezes que os vizinhos me bateram à porta para me dizer que deixei as chaves na fechadura), mas tenho a quase a certeza que não.
Procuro qualquer coisa que possa usar para atacar e para me defender.
E nisto oiço um autoclismo.
E percebo que os passos e barulhos eram de algum vizinho que foi à casa-de-banho e que, num prédio mergulhado no silêncio da noite, me pareceu ser na minha própria casa.
Respiro fundo, vou ver a Mini-Tété e olho para o espelho.
Eu sou branca mas naquele momento parecia estar mesmo sem pinga de sangue.
9.2.17
Ao calhas
Mini-Tété passou por uma fase muito chatinha de "mãezite". Para quem acha que é super fofo um bebé só querer a mãe, tenho de vos dizer que é ainda mais cansativo pois nem com o pai aceitava ficar para eu ir à casa-de-banho, tomar banho ou comer. Depois passou-lhe e agora está novamente a sofrer do mesmo mal mas numa versão mais soft. Posso desaparecer durante 1 minuto sem que ela entre em pânico, pode ser o pai a dar-lhe de comer e até a ficar com ela para que eu trate de algumas coisas, mas cai o carmo e a trindade se me passar pela cabeça ter uma refeição sem que a madame esteja ao meu colo. Isso e se se assustar ou se magoar não há pai que lhe valha ou consiga consolar, desatando num berreiro desgraçado até vir parar aos meus braços, onde miraculosamente se cala no mesmo segundo.
Mini-Tété vai assistir à sua primeira cerimónia, um baptismo de um primo da sua idade, e eu estou curiosa para ver como se porta. Acho que o Jack passará mais tempo fora da igreja com ela do que lá dentro. Eu, como vou fazer duas leituras, tenho de lá ficar e já imagino a Mini-Tété a gritar "mamã!" quando me vir a ir nave fora em direcção ao púlpito.
Diz imensas palavras e a cada dia que passa parece que aprende uma nova. Agora anda a repetir insistentemente "peixe!". No outro dia, disse-lhe "Vou só arrumar esta caixa" e ouvi claramente um "caixa" repetido. Ontem enquanto lhe dava de comer, apontou para o queijo e disse "queijo" sem qualquer hesitação. O meu pai, com que conversava eu no skype, até abriu a boca e dizia "Ela disse queijo, não disse? Percebeu-se claramente!". Pois, parece que tenho uma tagarela cá em casa e que faz jus à sentença "bebés que andam tarde, falam cedo; bebés que andam cedo, falam tarde", pois embora já diga dezenas de palavras, continua sem ter qualquer intenção de se pôr de pé ou andar.
Mas desloca-se a alta velocidade sentada. Aí ninguém a apanha e já li que com esta maneira de se deslocar os bebés têm tendência para andar mais tarde que os que gatinham. Provavelmente porque se deslocando sentada, continua a ter um raio de visão na vertical bastante grande, não sentindo assim necessidade de se levantar para ver até "mais alto". Vamos aguardando, sem pressas nem ansiedades.
Tenho a sensação que está a querer reduzir as duas sestas do dia a apenas uma, mas com isso vêm as alterações no sono até conseguir encontrar o equilíbrio. E por isso há dias em que dorme apenas uma sesta de meia-hora e noutros faz ainda duas sestas de 2h30. As noites também sofrem com isto e acorda várias vezes, bebe o biberão ainda é de noite, desregula-me o sono e as refeições. Uma vénia a todas as mães que passam meses com bebés a acordar várias vezes por noite. Não sei como aguentam. Eu estou assim há umas semanas e até tenho medo de conduzir de tão sonolenta que me sinto todo o dia.
Não é grande fã de comida a sério. Come arroz, come esparguete, pão, bolachas, queijo, tangerinas, banana, pêra, ovo cozido e alguns bocados de legumes cozidos, mas ainda não conseguimos instaurar o 2° prato a sério a seguir à sopa. Como para nós, o importante era que aprendesse a mastigar para não atrapalhar a evolução da fala, estamos descansados nesse ponto pois de facto ela mastiga muito bem. O resto virá com o tempo e com paciência.
Continua a não ser muito sociável, raramente diz adeus às pessoas mas farta-se de dizer adeus a todos os carros que passam. Aliás, acho que por ela podia passar os dias sentada a ver carros a passar e a acenar-lhes Mas também já sorri de vez em quando para as empregadas da caixa do supermercado, para grande felicidade destas.
Está a ficar desafiadora. Se lhe digo e repito que não pode mexer em determinada coisa, é vê-la minutos depois a tocar-lhe apenas com a pontinha de um dedo como se dissesse "Não estou a mexer, estou apenas a tocar...e agora, acontece alguma coisa?".
Palra muito. E gesticula quando palra. Não sei a quem sairá. (à mãe, claro)
E gosto da maneira como adora os avós e como mesmo com o skype se consegue criar esta ligação. Ainda hoje, o meu pai esteve a fazer desenhos de animais para ela ver e ela muito atenta esperava que ele lhe mostrasse o papel. Gosto disto, desta interacção. Da mesma forma como gosto da maneira como salta para o colo dos avós paternos. Ou como fica contente ao ver o tio no skype.
Está quase a fazer 1 ano e 4 meses, esta minha bebé. :)
8.2.17
5 anos de blogue
O mês passado este blogue comemorou 5 aninhos, quem diria. Até tinha a data na cabeça mas realmente os meus dias são de tal forma uma correria que acabei por me esquecer e só me lembrar agora. Tenho pena de o ver tão abandonado como está, gostava de lhe dar mais atenção, fazer posts mais pensados e mais frequentes, mas a vida de mãe-a-tempo-inteiro e dona-de-casa não me dá tempo suficiente para tudo o que eu gostaria de fazer e o blogue é uma das coisas que sofre com isso. Também gostava de investir mais em posts não relacionados com bebés mas agora é esta a minha vida, 24h por dia,7 dias por semana, por isso não vale a pena inventar e fingir que faço um bilião de coisas diferentes para além de cuidar de uma bebé de 1 ano. Há uns tempos li no facebook alguém que aconselhava "Não tenham pressa de ter tempo para vocês. Esse dia chegará. Aproveitem o agora" e eu penso muitas vezes nisto. Por muito desejosa que esteja para voltar a ter tempo para as minhas coisas, sei que quando esse dia chegar é porque a Mini-Tété cresceu e deixou de ser esta bebé querida e pequenina. Não podemos ter tudo na vida, é um facto, por isso agora escolho aproveitar esta fase linda da minha filha e esperar calmamente e sem pressas pelo dia em que voltarei a ter tempo para mim. E para este blogue que mesmo a meio gás vai avançando e que já tem 5 aninhos. Yey!
6.2.17
Tété sem nariz
Uma amiga mandou-me o link para este vídeo e perguntou-me "É isto que tens?". Não, não é mas identifico-me com algumas coisas que a entrevistada relata. No meu caso, devido a uma série de coisas (como adenóides aumentados), nunca respirei pelo nariz e o olfacto nunca se desenvolveu muito. Ou seja, eu não sei o que é ter olfacto e perdê-lo, uma vez que nunca o tive em grande forma.
Cresci a ter medo que, na brincadeira, outras crianças me tapassem a boca pois ficava logo sem ar, sempre achei que toda a gente respirava pela boca como eu e não compreendia como é que era possível a professora de educação física dizer para inspirar pelo nariz e expirar pela boca sem cairmos todos para o lado pois obviamente pelo nariz mal entrava ar, as cenas de rapto nos filmes e nas novelas faziam-me confusão porque não entendia como é que os actores respiravam com uma banda de fita-cola a tapar a boca e acabei por criar a teoria que eram feitos pequenos buracos na fita-cola para que o ar passasse, mas continuava a dúvida de como se passariam os raptos na vida real, achava estranho as amigas que esticavam o pulso por baixo do meu nariz e perguntavam "gostas do meu perfume?" quando não se sentia cheiro nenhum, entre toda uma série de situações. Tinha sido operada aos 3 anos, descobriu-se este problema na adolescência e fui novamente operada aos 18 anos mas o reflexo de respirar pelo nariz praticamente não existe (daí ter uma voz anasalada, que se ouve num ou noutro vídeo que está no facebook) e o olfacto também é quase inexistente.
Não sei até que ponto o meu paladar é afectado por esta falta de olfacto mas acredito que seja uma vez que sei que estes dois sentidos estão ligados. Também sei que grande parte da minha "esquisitice" com a comida se baseia mais na consistência da mesma do que no sabor (ou cheiro). No entanto, não me acontece como a entrevistada a quem beber um café é o mesmo beber água, longe disso até, pois não suporto o cheiro nem o sabor do café. Também não gosto do cheiro a gasolina mas adoro o cheiro a laranjas, para grande mal dos pecados do Jack já que insisto em comprar sabão para as mãos com cheirinho a laranja (e pelos vistos serei das poucas pessoas que gosta de lhe sentir o cheiro nas mãos). Ou seja, eu tenho olfacto, não o tenho é a 100% nem está treinado.
Já me aconteceu estar em casa com o gás ligado e não sentir nada. Tive a sorte de ter passado a tarde a estudar junto a uma janela aberta e assim nada ter acontecido até a minha mãe chegar e entrar em pânico com o cheiro que se fazia sentir. Por essa razão, quando vim viver com o Jack acordámos os dois que nunca teríamos gás em casa de forma a evitar uma futura tragédia. Acontece frequentemente o Jack perguntar se não se está a queimar alguma coisa no forno, coisa que eu só constato quando vejo o fumo ao abrir a porta do mesmo. Para mim, o cheiro da sardinha assada e do frango grelhado é o mesmo, não consigo distinguir. Vivi vários anos em Aveiro e senti apenas uma ou outra vez o famoso "cheiro a Cacia" pelo que não compreendo quando me dizem que Aveiro cheira muitas vezes mal. Troco as fraldas sujas da Mini-Tété sem reclamar e esqueço-me frequentemente de fechar o balde das fraldas sujas, o que faz o Jack ficar ali à beira de me pedir o divórcio pois quase que desmaia com o cheiro Quando trabalhava em laboratório também não sentia o forte odor de alguns reagentes, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Acredito que de facto o paladar seja afectado pois há uma série de carnes e peixes que me parecem ter o mesmo sabor, embora os meus pais e o Jack insistam que nada têm a ver entre si. Não me acontece, como na entrevista, beber leite estragado ou comer sopa estragada sem reparar porque sinto logo o mau sabor que têm mas sei que desperdiço leite e sopa pois quando não sei se ainda estará bom já nem chego a provar e prefiro deitar fora. Podem estar a deitar um pivete de tão estragados que estão que eu não sinto. Gosto de usar perfume mas uso sempre os mesmos dois pois não posso arriscar-me a comprar um numa perfumaria podendo ele ser muito mais forte do que aquilo que eu sinto e pergunto frequentemente ao Jack se não pus perfume a mais. Bom, e obviamente sou a pior pessoa para, através do olfacto (e até do paladar, há que reconhecer) conseguir identificar a comida que está numa panela e quais os seus componentes. E por vezes, tenho receio de em caso de curto-circuito e incêndio, eu não ser capaz de detectar o cheiro a queimado.
Mas como sempre vivi assim, não sinto que isto me afecte o dia-a-dia pois de facto não sei o que é ter mais paladar e olfacto do que aqueles que tenho. Claro que tenho pena de não sentir o cheiro a bebé da Mini-Tété (mas não choro por isso) ou de ter sempre de a despir para ver se tem a fralda suja (porque a pequena pode estar suja até ao pescoço que eu nada sentirei), de não ter grandes memórias olfactivas (tenho duas), de não sentir certos cheiros que vejo que agradam à maior parte das pessoas, de ser assim mais sensível a um conjunto de cheiros que me deixam até mal-disposta e com dores de cabeça, mas acabo sempre por pensar que dos cinco sentidos que temos, custar-me-ia muito mais não ter um dos outros quatro. E assim adapto-me.
Faz bem sonhar
Quando começamos a conversar sobre o que gostaríamos de ter numa casa se um dia pudéssemos construir uma ao nosso gosto sem olhar a gastos, o Jack diz-me sempre "E construiria uma biblioteca como a da Bela e do Monstro só para ti". Não sei se não daria cabo do nosso casamento pois acho que nunca mais sairia de lá.
3.2.17
Eu não casei para isto
Mini-Tété está uma copiona nata. Imita sons, imita palavras, imita gestos. Se a vejo a fazer algum disparate e me sai um "Então?", é quase certo que receberei um "Tão?" como resposta. Há que por isso ter cuidado com o que se faz, não esquecer que o exemplo vem de cima e que não vale dizer uma coisa e fazer outra.
No outro dia, ao jantar, preparo a tangerina que o Jack daria à Mini-Tété. Na verdade, ela agarra nos pedaços e come sozinha, mas não podemos colocá-los todos à frente dela porque, sabe-se lá porquê, a pequena parece achar que a comida vai acabar no mundo amanhã e enquanto tiver pedaços de comida à frente vai enfiando todos na boca sem mastigar nem engolir o anterior, ficando com a boca completamente cheia e quase provocando um ataque aos pais que têm um medo de morte que ela sufoque. E por isso, o Jack ia colocando pedaços pouco a pouco à frente da Mini-Tété e comendo alguns. E nisto baixa a criança há muito perdida no meu marido e este lembra-se de atirar um pedaço de tangerina ao ar e tentar apanhá-lo com a boca. Lembram-se que Mini-Tété copia tudo o que vê?
Aos 33 anos é demasiado tarde para pôr um homem de castigo pelos disparates que faz?
Objectivos mensais
Este ano decidi fazer as coisas de forma diferente e para não sentir que me caía tudo em cima e que eu não tinha tempo para nada pois tentava chegar a todo o lado, dividi os meus objectivos de 2017 por meses. O mês de Janeiro serviu para dar uma arrumação à casa. Está como eu quero? Longe disso, mas está com melhor aspecto e um pouco mais organizada. Agora é ir tratando de pequenas arrumações com tempo, sobretudo dos montes de papéis que estão enfiados dentro dos armários, escondidos da vista. O mês de Fevereiro servirá para fazer o álbum do 1° ano de vida da Mini-Tété. Tenho as fotografias já impressas e o álbum comprado, tenho apenas de o preencher, o que não me deverá tomar muito tempo. E quero também começar a escrever as cartas para a Mini-Tété, num caderno que um dia ela lerá. Não tenho tanto a ideia de escrever declarações de amor, mas sim falar destas fases dela, de nós, da família, dos nossos sonhos, das nossas patetices e erros, um registo com amor. E pretendo também fazer o álbum digital com o 1° ano de vida da Mini-Tété para oferecer aos avós. Março será o mês da cozinha, quero aprender receitas novas, quero usar mais o robot de cozinha que comprei para me ajudar e que coitado está meio abandonado porque andava sem tempo para me dedicar a ele.
Sinto que me ajuda muito ter feito esta divisão, porque naqueles momentos de stress em que queria fazer mil coisas (preciso de arrumar isto, mas assim nunca mais faço o álbum da Mini-Tété, e bolas, tenho de aprender novas receitas, etc), respirava fundo e pensava "Não, este mês o objectivo é este. No próximo farás isto e no seguinte aquilo". E isto ajuda a ganhar tempo e a viver com menos stress e com menos culpa por não conseguir chegar a todo o lado e a tudo o que quero/preciso de fazer.
2.2.17
Vou acabar a tomar calmantes ao pequeno-almoço
Não sou de fã de rap, não aprecio aquelas músicas de voz zangada, mais falada que cantada, e nem é um sentimento totalmente consciente. Tal como o barulho do vento me deixa nervosa sem razão, este tipo de música provoca em mim a mesma ansiedade. Quando comecei a viver com o Jack, dava muitas vezes por mim nervosa, incomodada, ansiosa e não conseguia perceber porquê uma vez que estes sentimentos podiam assaltar-me mesmo estando eu a fazer coisas que me davam prazer como ler um bom livro, fazer um puzzle, pintar...Depois percebi: era a música do Jack, este rap, estas vozes sempre no mesmo tom, a disparar palavras, tudo isto me esfrangalhava os nervos, ao ponto de o Jack ter passado a ouvir a música dele sempre com phones de forma a que eu não oiça. Mas o Karma é lixado e eis que os meus vizinhos de cima, aquelas bestas selvagens que adoram pôr a música do carro e do apartamento a bombar achando que estão a contribuir para o conhecimento musical da vizinhança, gostam de quê? Adivinhem lá. Pois....
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