28.12.17

Balanço de 2017 - Parte II

O ano de 2017 não foi o ano tão simples e calmo como eu gostaria que tivesse sido. Perdi mais vezes a paciência do que gostaria, senti-me mais vezes impotente do que eu gostaria, senti-me com mais receio do que eu gostaria. Teve claro coisas boas e acho que se cheguei ao fim dos últimos 2 anos cansada do ano em que estava, este ano sinto alguma calma. Conquistámos algumas coisas, perdemos outras. E eu estou num misto de fé em relação a 2018 e de medo pois será um ano de mudanças (e eu sou um bocadinho avessa a elas).
Eu sou uma pessoa calma, do tipo que engole muitos sapos, que fica com muita coisa por dizer, que não gosta de reagir a quente, que gosta de ponderar o que vai dizer mesmo que com isso perca a oportunidade de me defender ou dizer o que penso. Este ano, isso alterou-se um bocadinho. Acho que passei por uma fase em que farta de não poder dizer o que quero a quem devia ouvir e farta de ficar sempre calada perante as mesmas pessoas, passei a dizer tudo. E isto até seria muito bom se não tivesse ido para o pólo oposto e não me tivesse tornado "excessivamente sincera e directa", muitas vezes com quem não o merecia. A verdade é que o "politicamente correcto" não deixa de ser necessário. :) Mas eu sentia uma espécie de urgência em dizer tudo o que me vinha à cabeça e o Jack bem sofreu com isto porque sendo ele a pessoa mais acessível, era ele que ouvia. Não havia cá 2 minutos de ponderação, dizia tudo como se o meu cérebro tivesse ganho voz e acreditem que dar palavra a todos os nossos pensamentos é extremamente cansativo. No último mês, decidi fechar a matraca em que o meu cérebro se tinha tornado e até me sinto mais inteligente, porque isto de pensar antes de falar é realmente uma mais-valia, mesmo que nos faça perder oportunidades. Numa ou outra situação, esta "sinceridade urgente" deu-me jeito, mesmo se poderia ter sido um pouco mais ponderada. É como aquela velha história do copo que vai enchendo e enchendo e de repente cai uma última gota e tudo transborda, sabem? O problema é que às vezes a gota é pequenina e quando deitamos tudo cá para fora parecemos tolinhas por estarmos assim perante algo tão pouco importante, quando podíamos ter esperado por algo mais sério para transbordar. Mas isto nem sempre se consegue gerir.
Em 2018 gostaria mesmo de encontrar um equilíbrio em relação a isto. Não posso e não quero dizer tudo o que me vem à cabeça mas também não posso deixar de me defender nalgumas situações. Não posso permitir tudo mas também não posso reagir como se já soubesse que a seguir vou ser atacada porque depois não o sendo fico a fazer figura de parva. Não posso permitir que outros achem que podem impor a sua vontade mas tenho de o saber contornar com educação porque de outra maneira não estou a ser eu.
Pfff, quem disse que ser adulta era fácil?


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