31.10.14

Até segunda!

Xaaaaau, vou de fim-de-semana! Portem-se bem na minha ausência e não se esqueçam de que até segunda-feira os portes de envio são oferta na Science Bijoux! É só ir aqui e escolher as peças que mais gostam. :)

 Eis algumas das peças:

30.10.14

Basicamente, ele que se contente com o que lhe calhar em sorte....

A sobrinha do Jack tem uma paixão por ele. E ele por ela. Para além de tio e sobrinha, são também padrinho e afilhada e gostam mesmo muito um do outro. Eu sou apenas a Tété, que isto do casamento não me trouxe o acrescento de "tia" depois de nove anos a não permitir que assim me chamasse. 

Continuava assim a conversa com ela sobre maus-tratos:

Eu: Tu sabes que eu gosto muito do teu tio e ele de mim, certo?

Ela: Sim...

Eu: Mas o teu tio sabe que no dia em que levantar a mão e me bater, eu saio de casa e não lhe dou nem mais uma oportunidade.

Ela: Pois.

Eu: Da mesma forma que o tio também sairá de casa se eu lhe bater. E sabes porquê? Porque ele merece mais do que uma mulher que lhe bate. Ele merece melhor.

E ela olha para ele, desconfiada, e pergunta-me "A sério? Porquê?".

Ainda bem que o adora. Imagino se não adorasse....

Nos dias de hoje, uma gravata é pior que um estalo.

Eu: Nunca, mas nunca permitas que um rapaz te bata ou te maltrate. Se ele gostar mesmo de ti, nunca fará uma coisa dessas. E não vale a pena gostar de alguém que nos faz mal.

Ela: Mas não sou eu que mando no coração. Não sou que decido de quem gosto ou não gosto!

Eu: Sim, mas não há razão nenhuma para gostares de alguém que é tão mau para ti. 

Ela: Não é assim tão fácil.

Eu: Acredita que é. Que tipo de rapazes gostas?

Ela: Giros. E que não usem gravata mais tarde.

Eu (aproveitando a deixa): Então e se eles usarem? Não vai conseguir deixar de gostar deles porque não és tu que mandas no teu coração.

Ela: Ah, mas nesse caso é fácil deixar de gostar.


Eu não era assim quando era adolescente, não era.....

Eles vão ver!

Este fim-de-semana será passado com a família e amigos num parque conhecido pelas suas piscinas e escorregas aquáticos, onde não é possível andar de carro, apenas a pé ou de bicicleta e em que a rede te telemóvel é praticamente inexistente. Tenho tentado fazer o exercício de memória e lembrar-me da última vez que entrei numa piscina (eu que tantos anos andei na natação) ou andei de bicicleta. Não me lembro, é um facto.

Ontem, em conversas com o Jack, falávamos sobre este fim-de-semana e das actividades que o parque oferece e comenta ele: "O problema contigo é que a gravidade puxa mais por ti do que puxa qualquer outra pessoa neste mundo. Faças o que fizeres acabas sempre estatelada no chão...". Mandei-lhe uma almofada à cabeça e ignorei-o. 
À noite, contava eu ao meu pai:
- Vou andar de bicicleta!
- Hum...é melhor levares capacete e essas coisas todas.
- Mas eu ando bem de bicicleta! Sou uma pessoa equilibrada...
- Ouve, mentalmente és equilibrada. Fisicamente passas a vida a bater contra tudo e a cair no chão, mais vale admitir.

Quem os ouvir falar até parece que passo o tempo a magoar-me! E vou mostrar que sou capaz de sair deste fim-de-semana ilesa!*

* Dando-me a liberdade de fazer pelo menos três nódoas negras, duas esfoladelas e uma queda, porque há mínimos aos quais eu não consigo fugir, vá. Só depois disto é que começa a contagem...

29.10.14

Yey!

E após muitas tropelias, muita busca pelo preço mais barato, muitos sites a dar erro, muitas transferências internacionais a dar erro (mas porquê, senhores, porquê?? Por que raio temos serviços online se estes não funcionam??), muitas lágrimas de sangue choradas pelo preço pago....Já temos bilhetes para Portugal! Caraças, que nos saía mais barato ir a Portugal já para a semana do que na altura do Natal....

E juizínho, não?

Tenho a sensação que aquele tempo em que as pessoas eram civilizadas e assumiam as responsabilidades já passou e podemos dar por terminada toda esta era de pessoas com coragem. Deixem-me cá ser velha e dizer: Eu ainda sou do tempo...em que se por acidente se batesse num carro estacionado, se deixava um papel com o nosso contacto para que quando o dono da viatura danificada chegasse ao local soubesse como nos contactar e combinar o arranjo. 

Há coisa de um ano, andavam uns miúdos a passear de scooter aqui na rua. Horas mais tarde, quando saímos de casa apercebemo-nos que uma das scooters devia ter tombado para cima do nosso carro e tínhamos uma porta com uma amolgadela funda e bem visível. Contactos de quem tinha feito aquilo nem vê-los e claro que tivemos de suportar o custo do arranjo e pintura da porta. 

No domingo fomos jantar com a família do Jack a um restaurante cujo parque de estacionamento estava vazio. Ainda assim tivemos o cuidado de colocar os carros numa das pontas do parque de estacionamento. Imaginem pois a nossa cara quando ao olhar para o nosso carro, temos o pára-choques traseiro fora do sítio. E se me custa perceber como (como???) é que alguém conseguiu atravessar um parque de estacionamento deserto para nos ir bater, custa-me ainda mais que mais uma vez não haja um contacto do responsável. Ah, não tinha papel. Fácil: entrava no restaurante e explicava a situação a um empregado que procuraria o dono da viatura ou no mínimo emprestava um papel e uma caneta.

Cambada de medricas....Se não sabem conduzir sem estragar os carros dos outros, não conduzam. Ponto.

28.10.14

Ai

As companhias aéreas roubam mesmo à séria e à francesa na altura do Natal. Cada vez que vejo os preços até me encolho. E encolho-me ainda mais quando sei que mais dia menos dia tenho de dizer ao Jack qual o valor que nos vão roubar à carteira...

26.10.14

Ora bolas

O mal de estar a ver todas as fotografias do casamento para escolher aquelas que ficarão no nosso álbum é apercebermo-nos que não comemos nem um décimo das iguarias que lá estavam. E havia coisas com tão bom aspecto....

24.10.14

Depois queixo-me que não durmo bem

A minha preocupação é tanta em enviar as encomendas mal o dinheiro das transferências chega à conta que hoje sonhei que uma cliente me mandava um e-mail zangada comigo por ainda não ter enviado a sua encomenda. Resultado: dois segundos depois de ter acordado já estava agarrada à caixa de correio a confirmar que tinha sido só mesmo um sonho e que tudo está a correr nos prazos previstos. Ufa.

23.10.14

Tenho frio

Ainda ontem alguém comentava as noites quentes que se fazem sentir por Portugal e eu, bem aconchegada debaixo de três camadas de roupa, com um par de meias e a pensar se não deveria arranjar um par mais grosso, olhava para o termómetro que marcava os 4ºC e pensava "noites quentes? Quais noites quentes?". Já percebi que o São Pedro está a ser um fofo convosco e que aqui o primo Saint Pierre já decidiu em pleno Outubro começar a fazer-nos perceber que este ano o Inverno não vai ser como o ano passado. Ai, não usaste as tuas botinhas para a neve? Ai, nem precisaste de usar gorros? Ai, nem foi preciso usar o casaco-que-mais-parece-um-cobertor-que-roubaste-à-tua.mãe-que-por-sua-vez-já-o-tinha-surripiado-à-tua-avó? Não te preocupes que este ano mal Novembro entre em cena já vais usar essas coisinhas todas e em Dezembro vou fazer-te recusar sair da cama e pensar seriamente na hipótese de hibernar. Brrrr, já disse que está frio?

22.10.14

E então?

Passado o casamento, cá por casa fala-se agora de filhos. Fala-se apenas, nada de ideias para esses lados, sim? Como em tudo na vida, mulher e homem têm visões diferentes. Se pergunto ao Jack quais os seus receios quanto a uma futura gravidez minha ou quanto a ter filhos, a resposta é invariavelmente "nada". O homem está confiante que irei engravidar enquanto um gato pisca um olho, que a gravidez não vai trazer qualquer percalço, que serei a mesma mas apenas com uma barriga de grávida, que o parto vai custar menos que tirar sangue e que depois da criança nascer aprenderemos no dia-a-dia a tratar dela. Já eu, quando começo a falar dos meus receios, sai-me imediatamente pela boca uma lista (que vai crescendo à medida que penso no assunto):

  • Tenho receio de não conseguir engravidar facilmente, de andar a tentar meses e meses, de ter de recorrer a clínicas, de haver problemas. Tantos anos a ter cuidados e se calhar as coisas nem funcionam como deve ser e poderia não ter tido juízo nenhum porque não haveria consequências deste tipo.
  • Tenho receio de engravidar aqui, num país que não é o meu e no qual eu não faço ideia de como as coisas funcionam. 
  • Tenho receio de ser uma grávida com tudo de mau a que tenho direito: enjoos, vómitos, pés de elefante (disto não me livro devido aos problemas de circulação que tenho), etc, etc, etc...
  • Tenho receio de engordar 40 quilos e ter passado a gravidez toda com cuidados para não engordar 70 quilos....
  • Tenho receio, não, corrijo, tenho medo, PÂNICO mesmo, do parto. Eu tive um ataque de ansiedade em plena sala de espera do dentista da última que lá fui, no mínimo dos mínimos ficarei histérica durante nove meses por causa do parto.
  • Tenho receio de sentir a falta, de sentir saudades da minha família, de me faltar este apoio apenas porque estamos em países diferentes (e o skype ajuda muito, mas não resolve tudo-tudo).
  • Tenho receio de não conseguir lidar com todos os fluidos normais de um bebé. Eu sou muito sensível a estas coisas e só de imaginar já tenho o estômago às voltas.
  • Tenho receio de não ser boa mãe e de educar um ser humano absolutamente execrável.
  • Tenho receio de não ser boa mãe pela falta de paciência que tenho para crianças barulhentas e para adolescentes parvos.
  • Tenho receio de financeiramente poder haver algum revés e de repente sou a responsável não só por mim mas também por um filho.
  • Tenho receio de ser uma mãe-galinha.
  • Tenho receio que algo mude na minha relação com Jack. Nada aponta para isso, mas eu sei lá, é algo absolutamente novo.
  • Tenho receio que todos os meus receios se concretizem e que eu não saiba lidar com isto. E/ou que o o Jack não saiba também.
Também gostava de arranjar um emprego antes de engravidar, por outro lado já estou literalmente há anos à procura de um e até agora nada. Valerá a pena adiar a maternidade para continuar à procura, ou aproveito o facto de estar por casa para poder tomar conta de um filho? Será que estou para aqui com estas 1001 dúvidas e mais valia nem pensar em nada disto (conselho do Jack)? Afinal de contas há quem viva em piores condições do que eu, em situações instáveis, em relações menos perfeitas que a minha, sem apoios, sem maturidade, e ainda assim tenha filhos. E depois...de que é que estou à espera? Tenho 30 anos, queria ter sido mãe nova....Vale a pena adiar?

Visões diferentes

Há uns meses o meu pai falava-me da sensação de "mortalidade" com que andava. Não o entendi, mas achei que o Jack o perceberia melhor pois também nele a sensação de "mortalidade" se instala. Sei disto por conversas que temos os dois, quando fazemos planos para o futuro, e em que a nossa visão é tão diferente. O Jack tem 31 anos, para ele JÁ tem 31 anos e ainda não alcançou na vida tudo o que quer, nem tem tudo o que deseja. Sente o tempo a escapar-se entre os dedos, acha que se não tiver já certas coisas então já não vai a tempo de as aproveitar, que a vida é agora, hoje, neste momento, que o amanhã já é tarde, e que daqui a dez anos já será tarde para muita coisa. Eu tenho 30 anos, para mim AINDA só tenho 30 anos, ainda tenho tantos anos pela frente, ainda nem a meio da minha vida vou (sou uma optimista!), não há pressa para ter certas coisas, para viver certas coisas, confiante que estou que se as viver agora, o que viverei daqui a dez anos? Não vivo um dia de cada vez a achar que é o último (pois se ainda me esperam tantos dias), faço planos a longo prazo, não tenho pressa de viver da mesma forma que nunca tive. Saboreio a vida, confiante que a saborearei ainda durante muito tempo.

Mas tenho medo mais medo da morte que ele. Tenho medo que ele me seja roubado demasiado cedo, tenho medo que os meus avós partam sem eu estar preparada, tenho medo que os meus pais desapareçam quando ainda preciso tanto deles. Tenho medo que algo me aconteça e eu não esteja aqui para apoiar aqueles que mais amo e de lhes causar um sofrimento enorme que eles não merecem. Tenho medo de ter um filho e não o poder ver crescer (e se já penso assim, então quando tiver um vou viver em constante terror), Tenho medo um medo da morte imenso porque ainda tenho tanto para viver com aqueles de quem gosto. Porque ainda só tenho 30 anos.

Pronto, pronto, já está resolvido

Lembram-se disto? Pronto, hoje já recebi a carta a cancelar a reunião de...ontem. Obrigado, Centro de Emprego, pelo trabalho excelente!

21.10.14

Ainda na senda da burocracia

Caras entidades com serviço online (e isto serve para a segurança social, bancos, finanças, centro de emprego, etc, etc...), a ver se nos entendemos: se vocês criam um serviço online onde cada pessoa pode ter uma conta, com uma password com maiúsculas, minúsculas, algarismos e símbolos e do tamanho de um comboio, através do qual vocês às vezes até entram em contacto connosco, por que raio exigem constantemente que vos sejam enviadas declarações, pedidos, anulações, etc, por carta??
Melhor, chegam ao ponto de ter um formulário online que se preenche e que no fim...temos de imprimir e enviar por correio. Não me gozem! Qual é a ideia? Perder tempo? É que ainda ontem acrescentei online o meu número de telemóvel aos contactos de segurança da minha conta bancária para receber através dele o código que me permite fazer transferências internacionais. Pois claro que o número só fica activo depois de me ser enviada uma cartinha (e-mail para a própria conta bancária? Nááá...vamos gastar papel) a confirmar que o número foi adicionado. E a Tété que espere, porque afinal não tem mais nada que fazer, nem sequer tem pressa em fazer isto... 

20.10.14

E quem é que não está a aproveitar??

Até 3 de Novembro, os portes de envio são oferta! :)

Para encomendar basta ir a www.sciencebijoux.com ou à página de facebook. :)


Então e a reunião correu bem, Tété?

Então não correu? Era às 14h35 e às 14h40 já eu estava cá fora. Basicamente foi sentar e ter este diálogo:
- Temos aqui um pequeno problema...
- Então?
- A sua inscrição foi cancelada e por isso a reunião foi anulada.
- Eu recebi duas cartas a cancelar outras duas reuniões que nem tinham sido marcadas, agora sobre esta não recebi nenhuma.
- A sério? Pois, e infelizmente o sistema está em baixo e por isso não posso ver o que aconteceu à sua inscrição. Mas tem de se inscrever de novo.
- E a reunião de Novembro?
- Qual reunião de Novembro?
- Bem, também recebi uma carta a marcar um reunião para Novembro.
-....É melhor ignorar. Inscreva-se novamente e depois recebe uma carta com a data da nova reunião.

A minha sorte e a dos outros todos é que estamos desempregados. Assim temos a possibilidade de andar a perder tempo com isto. E o gasto de papel no envio de tantas cartas, hã? Viva a burocracia!

19.10.14

Agora a sério:

Para que servem os centros de emprego? Assim de repente não me lembro de alguma vez ter ouvido alguém contar a história de ter arranjado emprego através deste tipo de centros. Aqui propõem umas reuniões semanais durante 3 meses para ajudarem a fazer o currículo e ensinarem a procurar emprego. Fui a uma e recuso-me novamente a fazê-lo. A maneira como trataram cada pessoa que ali entrou foi absurda, como se nenhum de nós tivesse dois neurónios, cheirássemos mal e ali estivéssemos simplesmente a fazê-los perder tempo (e não vi uma única pessoa a aprender ou a ser ajudada no que quer que fosse). Além de que é, para mim, inconcebível que peçam a um desempregado que gaste dinheiro em gasolina ou transportes todas as semanas para ir a estas reuniões (de carro ainda tenho de conduzir mais de meia-hora para lá chegar, fora o estacionamento que é a pagar).

Não compreendo porque razão me pedem para levar na reunião de amanhã provas de que estou activamente à procura de emprego. Sim, estou. Da mesma forma que estaria se não estivesse inscrita no centro de emprego. Porque precisam eles de saber para onde estou a enviar os meus currículos? O meu envio de currículos não deveria ser independente do trabalho deles? Se me cabe apenas a mim, de forma independente, continuar a procurar emprego, para que é que estou inscrita no centro de emprego? Não levarei quaisquer provas do que quer que seja. O que é que me pode acontecer? Cancelarem a inscrição? Se sim, estarei verdadeiramente a perder alguma coisa?


Er.......

Não sei como funcionam os centros de emprego em Portugal mas aqui não me parece que sirvam de grande coisa. E depois fazem coisas bestiais como enviarem no mesmo dia três cartas: uma a marcar uma reunião no centro de emprego dia 20, e outras as duas a avisarem-me que as reuniões marcadas para os dias 13 e 21 terão de ser desmarcadas. Sendo que eu nunca recebi carta nenhuma a marcar estas duas reuniões...

A burocracia foi inventada em França? Sem dúvida alguma. 

17.10.14

Ah, pois, faz sentido.

Há pouco tempo passei pelo Dolce Vita Coimbra e por perto uma série de caloiros era praxada. Os veteranos gritavam, conseguindo dizer uma asneira das grossas entre cada palavra mais aceitável, incitando os caloiros a subirem para os bancos do jardim, a pespegarem-se contra uma parede, a deitarem-se no chão, a voltarem a subir para cima dos bancos. Quanto mais eles faziam, mais os veteranos gritavam e vociferavam. Não costumo passar perto de grupos de praxes com receio que passe pela cabeça de algum idiota incitar um caloiro a vir fazer-me uma pergunta parva ou uma declaração. Porque não querendo eu ser desagradável para o caloiro, teria de lhe dizer calmamente que não tenho paciência para cenas daquelas ou então virar-me para o veterano e explicar-lhe que já tem idade para ter juízo e para não andar aos berros em plena praça pública como se isso lhe desse algum poder. Mas ali estavam eles mesmo no meu caminho e por isso passei suficientemente perto para ouvir uma caloiro, em tom cansado e de queixa, perguntar à colega que com ela partilhava o banco "Agora é para fazer o quê...?". O ar de alegria, motivação e felicidade com que aqueles caloiros ali estavam a ser praxados era praticamente inexistente e eu dei por mim a pensar "Ah, sim, isto é que é a integração....". Ficam a conhecer melhor a Universidade? Não. Ficam a conhecer melhor a cidade? Não. Ficam a conhecer melhor os colegas? Não. Ficam a conhecer melhor o curso? Não. Mas não interessa: o importante é ter alguém a gritar com eles. E eles ficam logo integrados. 

16.10.14

Eu


Não estou propriamente a sentir o peso da idade aos 30, não estou a ter (ainda) uma crise existencial, não me ponho todas as manhãs à procura de novas rugas (mas elas já por aqui andam e cabelos brancos então é melhor nem falar deles), mas aproveitei a última estadia em casa dos meus pais para fazer o scanner de fotos antigas guardadas nos álbuns e assim matar saudades e puxar recordações. Cá em casa não temos molduras com os membros de ambas as famílias, nem de infância, nem sequer do casamento. É algo a resolver nos próximos meses, porque estando longe é um miminho que gostaria de dar a mim mesma: ter os meus em fotografias espalhadas pela casa. E partilhando assim convosco um pedacinho bem pequenino destas memórias, aqui fico eu, com quatro aninhos de idade. :)

Casas-de-banho turcas

De regresso a casa depois do baptizado no Luxemburgo, pedi ao Jack que parasse numa estação de serviço para eu ir à casa-de-banho. Já era de noite, estávamos cansados e eu tentei ser o mais rápida possível. Imaginem pois a minha cara quando abro a porta da casa-de-banho e me deparo com uma casa-de-banho turca: dois apoios para os pés e um buraco no chão. Nada de sanita. O Jack já me tinha falado da existência destas casas-de-banho em França e que até as havia na escola primária dele. Eu nunca fui muito na conversa pois achei sempre que com o avançar do tempo, estas já tivessem sido erradicadas e substituídas por casas-de-banho normais. Errado! Muito errado! Ainda tive uma secreta esperança que me tivesse enganado e tivesse aberto a porta para a zona de duches, mas não havia chuveiros. E não havia mesmo outras casas-de-banho diferentes daquela. E por segundos senti-me longe do mundo moderno ou então de volta aos acampamentos com as famosas latrinas.

15.10.14

Sensibilidades....

Queixava-se o meu pai há uns dias que a minha mãe tinha acendido a luz por duas vezes durante a noite por causa de uma melga. Não compreendia ele qual era o stress de haver uma melga no quarto, sem contar com o irritante barulho que elas fazem. E eu expliquei-lhe da mesma forma que tenho de explicar ao Jack: não é o barulho que incomoda, é o facto de sabermos que seremos picadas e a reacção que teremos. Quem não é sensível a picadas não entende quem o é, não percebe o alarmismo nem o stress que um pequeno insecto nos pode causar. O meu pai é picado, o Jack é picado, o meu irmão é picado e no entanto a pele deles não reage ou reage muito pouco. Eu e a minha mãe reagimos de tal maneira que às vezes é impossível pensar noutra coisa que não na comichão que sentimos. Já acordei com uma mordedura de aranha no pulso e mal sentia os dedos. A mancha que apareceu na pele demorou mais de dois anos a desaparecer. Um dia fui picada na perna, atrás, acima do joelho, e a reacção foi tal que nem me conseguia sentar pois parecia ter uma batata debaixo da pele. Já cheguei a ir à dermatologista com um tal ataque de uma pulga que até ela se assustou quando viu o estado da minha pele. A minha mãe já acordou com um olho inchado à custa de uma picada de melga.

Não satisfeitas apenas com a reacção que fazemos, também somos uma óptima atracção para a bicharada. Como diz o Jack, não há mosquito que o pique se eu estiver na sala porque o alvo serei sempre eu. Se estiver junto a um cão com pulgas é certinho que passado um bocado o cão já não as terá e eu estarei toda mordida.

O Jack, ao fim de quase dez anos de relação, já começa a saber conviver com alguém com uma pele hipersensível e atractiva a estas coisas. Já não estranha quando me vê atravessar a rua para não passar junto a um cão rafeiro, sabe que evito ao máximo passar por zonas relvadas (pois pode ter passado por lá um cão ou gato e deixado ficar uma pulga), compreende que estar na mesma sala que uma melga significa que daí a pouco já terei sido picada e estarei com uma reacção de pelo menos 2 cm e uma comichão danada, pelo que é obrigatório matá-la. Entende porque razão me irrito silenciosamente com os donos de cães e gatos que passeiam os seus animais sem qualquer problema de desparasitação e perante o meu ar quando os visito me dizem "Oh, ele não tem pulgas, não te preocupes!" (sejamos claros: lá porque não as vêem, lá porque não são picados, não significa que o animal não as tenha). Já não me acha doida quando eu, vendo um fileira de picadas numa perna, dou um salto do sofá e me dispo toda, enfiando logo a roupa na máquina de lavar e a mim mesma no banho, para ver se mato o intruso. Percebe porque razão fico tensa quando estou de visita em casa de alguém e vejo uma melga sem poder interromper o jantar e pôr toda a gente atrás dela, ou porque razão prefiro não me sentar muito próximo de alguém que sei que tem animais (e que não sei se tratam deles ou não). Também sabe porque razão não enfio os pés nas pantufas de manhã sem garantir que não está lá nenhuma aranha. E compreende que ir à praia quando temos mais de trinta picadelas no corpo do tamanho de moedas de 2€ não é lá muito agradável .Talvez ainda ache estranho ver-me a mim e à minha mãe pulverizar a roupa com anti-pulgas quando vamos visitar algumas pessoas com animais. Mas penso que já entende porque razão é raro sair nas noites de verão de sandálias ou sem um casaquinho de mangas compridas. E ele próprio já responde que não vale a pena quando alguém me recomenda o Fenistil.

Ter uma pele sensível a este tipo de coisas é chato e não há nada a fazer. Também sou sensível ao sol, não bronzeio, e a única solução é ficar à sombra. E da mesma forma que os que bronzeiam facilmente não entendem esta incapacidade em bronzear, os pouco sensíveis a picadas não entendem os que mais sensíveis. É a vida, é a vida....:)

Malta em França chamada à recepção

Meninas que me lêem e que vivem em França ou já viveram (eu sei que há):

É impressão minha ou o ensino aqui em França não é levado tão a sério como em Portugal? Não tenho filhos, mas o Jack tem sobrinhos e cada vez mais vou ficando com a sensação que aqui estar a ensinar ou não os alunos é a mesma coisa. Dá-me ideia que a escola não é levada muito a sério, o que me espanta. =S

Olha-m'este....

O Jack come sopa em casa de toda a gente, menos na nossa. Até canja come, embora não goste e já me fez passar a vergonha de avisar a minha mãe que o pobre coitado não gostava canja e para ela não levar a mal se ele não comesse, e o malandro ter aceite todo satisfeito um prato bem cheio que a minha mãe lhe propôs. 
Cá em casa, parece uma criança, não come por preguiça mas já me fez pensar que talvez a culpa fosse das minhas sopas, talvez não lhe agradassem. Anteontem, com uma sopa acabadinha de fazer, pus-lhe uma taça em frente sem lhe dar qualquer hipótese de recusa. Após a primeira colherada, pergunta-me:
- Foste tu que fizeste a sopa?
(o que não deixa de ser uma pergunta extremamente interessante, uma vez que não temos empregada, cozinheira, alguém que cozinhe para nós nem o hábito de irmos a alguma lado buscar comida caseira)
- Sim, porquê?
- Está boa!

....É impressão minha ou o meu marido não tem grande fé nas minhas (poucas) capacidades culinárias?


14.10.14

Maneiras de ver as coisas....

Hoje dei por mim a pensar: Mas esta malta da Casa dos Segredos nunca participou em acampamentos organizados? É que nos acampamentos em que eu participava, enquanto adolescente e jovem adulta, estávamos ali todos juntos durante dez dias, 24h por dia, sem relógios, nem telemóveis, sem noção do tempo, sem contactar com outras pessoas, sem notícias dos pais nem dos amigos, a participar em actividades propostas e organizadas por outros, a ter de cozinhar, lavar a louça, cavar latrinas, com poucas horas de sono, sem sair dali, a ver constantemente as mesmas caras....e nunca, mas nunca me lembro de algum de nós ter começado ao fim de 24 horas a dizer que a pressão era enorme, nem ao fim de três dias andar meio mundo enrolado com o outro com a desculpa que ali 24h parecem corresponder a vários meses, e que a pressão e tal, parece que já nos conhecemos há uma vida, e que ninguém cá fora compreende...


A preguiça do ser humano

Porque razão se põem as pessoas na berma do passeio, olhando de um lado para o outro, esperando que chegue a longínqua oportunidade de atravessarem a estrada, no meio de tantos carros em circulação....quando têm uma passadeira a cinco passos de distância? É só dar cinco passos e os carros param para as deixar passar. Mas em vez disto preferem perder tempo e estar ali naquela de "vou-agora-ai-não-vem-lá-um-bolas-agora-até-dava-não-não-dá". Não entendo, a sério que não entendo.

13.10.14

Prendinhas!

Oooooooooh! Já acabaram os festejos do meu trigésimo aniversário. Oooooooooooooh! (Todos juntos: Oooooooooooooooooooooooh!). E pronto, estou oficialmente nos trinta. A bem da verdade, já estou nos trinta há 11 dias mas para mim, enquanto durarem as festas, é como se ainda não tivesse posto os dois pézinhos na nova idade e estivesse assim ali num limbo entre os 29 e os 30. Mas pronto, agora, já não posso negar mais: sou uma trintona! Ou uma trintinha, como diz a minha madrinha.

Os festejos foram bons, com a família e com os amigos com que se conseguiu estar (que mania que temos de estar todos espalhados por Portugal, cada um para o seu lado!). E tive umas prendinhas fabulosas! Da família: um relógio, uma botas pretas, umas botas castanhas, uma écharpe, um livro, o melhor bolo de chocolate do mundo feito pelos avós e uma fronha de almofada linda para o sofá cá de casa! As amigas esmeraram-se e basicamente decidiram oferecer duas coisas que estão sempre no meu Top 5: chocolates e brincos (as outras três hipóteses são: relógios, puzzles e livros. Não falha). Os chocolates como é óbvio já desapareceram e os brincos têm sido usados quase todos os dias. A família do Jack presenteou-me com uma mega carteira onde consigo pôr este mundo e o outro e uma agenda de 2015 que me cabe a mim ir escolher. As prendas do Jack...Ora bem, depois um saco de Kinder Schoko-Bons (nota-se muito que o meu ponto fraco é mesmo o chocolate?) e da capa mais linda de sempre, recebi também uma segunda capa para o telemóvel. A promoção que aproveitámos na altura permitia a compra de uma terceira capa....desta vez para a grande prenda: um novo ipod! O anterior tinha-me sido oferecido pelo Jack e tendo sobrevivido a uma lavagem na máquina de lavar roupa, era um verdadeiro aparelho-herói. Mas naqueles dias em que achávamos que ele não sobreviveria, tínhamos começado a ver os novos aparelhos e eu tinha-me apaixonado por um modelo. Entretanto, o meu ipod recuperou, serviu como Dj para o casamento e a ideia de um novo foi abandonada, até porque o existente não tendo sido apenas oferta do Jack, tinha também no verso uma mensagem personalizada gravada a propósito dos meus 25 anos. Mas o Jack, tendo visto a minha paixão pelo novo, decidiu oferecer-me e claro que não deixou nada ao acaso, e por isso tive direito a uma caixa com um cartão com uma declaração e novamente uma mensagem gravada no ipod, agora por ocasião dos meus 30 anos. Será que ele já se apercebeu do precedente que aqui se abriu? Porque é óbvio que agora terei um novo ipod aos 35, aos 40, aos 45....não? =P

Declaração de um taradinho Apple

Ontem, enquanto jantávamos depois de uma semana separados, diz-me ele:
- Tu no fundo és como um produto Apple.
- Aaaa....Ok...Vou supor que isso é um elogio.
- A sério! Um produto apple é uma combinação entre a arte e a tecnologia, e tu és uma combinação entre a arte e a ciência!
- Ahah!
- Além de que, tal como um produto Apple, a cada ano que passa estás cada vez mais perfeita.
- Ohhhhhhhhh.....

É um fofo este homem (e sim, tive direito à minha carta de amor). ;)

10.10.14

Coisas que me ultrapassam

Ontem, enquanto esperava ao fim do dia pela minha boleia, os mosquitos entretinham-se a pousar-me nas mãos e nos braços (tenho os braços lindos, cheios de picadas). A determinada altura começo a sentir uma comichão na perna, pouco acima do joelho. Ontem quando me deitei, lá estava ela, uma picada a deixar-me uma reacção espectacular, que hoje já atingiu o tamanho da palma da mão, alta como se ali tivesse uma batata debaixo da pele, e que me dá uma comichão tão grande que passei a noite a acordar. E só quero saber: se nem umas calças de ganga me impedem de ser picada, como é que eu fujo a estes bichos?? 

(Entendem agora quando digo que tenho uma pele sensível que só ela e tudo o que seja picada de melgas, mosquitos, aranhas, pulgas, etc, me deixam reacções de fugir?)

5 meses de casados


E nós em países diferentes. Bah.

9.10.14

Tanto faz, tanto faz!

Na véspera do meu aniversário, relembrei o Jack que ainda me devia uma carta de amor (que por esta altura ainda não escreveu, o preguiçoso). Respondeu-me que para o dia dos meus anos não a escreveria mas que ma entregaria mais tarde. Retorqui que podia, nem que fosse, escrever uma linha. Perguntou-me:

- Tipo o quê?
- Sei lá! Diz que me amas! Que não consegues passar nem mais um segundo da tua vida comigo!
- .......
- O que foi?
- Contigo ou sem ti....?

E chegámos a este ponto: transformei-me numa mulher tão sedenta de uma declaração de amor que aquilo que for dito já nem faz grande diferença. Merecia no mínimo uma carta de amor todos os dias durante um mês.

P.s. Mas tive direito a um cartão com umas palavras lindas. Mereceu um beijinho, este meu marido, nem que seja por me aturar.

E a festa continua!

Fiz anos na quinta-feira. Celebrei estes meus 30 anos com a família, com o homem da minha vida. Na sexta-feira, foi dia de celebrar com amigos. No sábado, foi dia de ir celebrar com os avós. Agora aguardo o meu regresso a França, para ir comemorar com a família do Jack. E se assim continuasse, tenho a certeza que conseguia continuar a celebrar os 30 anos quando chegasse a altura de fazer os 31. :D

Depois conto-vos as prendinhas. Não está esquecido. ;)

As coisas que se aprendem nos blogues

Se tens uma opinião contrária à do autor do blogue, estás a perceber mal a situação, a interpretar de forma errada ou até simplesmente a ser maldosa.

Se fazes uma crítica, por muito construtiva e educada que seja, estás com inveja, és uma ressabiada, tens falta de homem ou/e estás simplesmente a ser maldosa.

Se não concordas com as ideias fundamentalistas de um autor, não tens visão, a culpa é tua por o mundo estar como está e és uma pessoa horrível.

Se um autor escreve cem posts a perguntar aos leitores se gostam e estes dizem que sim, não podes tu vir num post e dizer que não gostas porque a ti ninguém te perguntou nada. Só as festinhas no ego é que interessam.

A falta de coerência de alguns autores está intimamente ligada às ideias fundamentalistas destes ou à incapacidade de assumirem que erraram anteriormente ou que mudaram de opinião.

Se um autor começa a ter muitos leitores, o ego ganha uma dimensão difícil de controlar e acha-se no direito de dizer tudo o que quer e chamar tudo o que lhe apetece às pessoas, sem os outros terem o direito de responder.

Se um anónimo, ou dois, ou três, começa a chatear muito um autor, este passa a meter toda a gente no mesmo saco e um simples comentário como "Essa camisa é gira" pode ser interpretado de forma errada e apanhas com um discurso recheado de insultos e acusações.

Este mundo dos blogues é muito giro, mas é preciso ter muita paciência para os egos demasiado insuflados (e os blogues que eu já deixei de ler à custa disto?).





6.10.14

Magia?

Fui ao cabeleireiro porque o cabelo já precisava de um corte. Quando finalmente pude colocar os óculos para ver o resultado, pensei ao ver ao meu reflexo no espelho: Olha, parece que tenho o cabelo mais comprido...

Minutos depois a minha mãe no cabeleireiro, olha para mim e diz:
"Estranho, o teu cabelo parece mais comprido..."

E puf, o cabelo cresceu depois de cortado. 

Cinema

Quando estamos em Portugal, aproveitamos sempre para ir ao cinema o maior número possível de vezes pois em termos de preço compensa bastante. No dia do meu aniversário, decidimos ir a duas sessões (o que na verdade não dá muito jeito pois durante umas horas estou absolutamente indisponível para atender chamadas de parabéns). 

O primeiro filme que fomos ver foi escolhido pelo Jack: The Equalizer. Pessoalmente, mantive a mesma opinião com que fiquei quando vi o trailer: o filme é violento demais para mim. A história é interessante, mas a violência é em demasia. Para quem não é sensível a cenas de pancada à grande e à francesa, vale a pena ir ver.

O segundo filme foi escolhido por mim. Olhando para o cartaz e vendo o nome, achei-o familiar. Quando li a história, percebi porquê: já tinha lido o livro. Não sou grande fã de ver filmes depois de já ter lido o livro porque geralmente as expectativas saem sempre goradas. Mas como sabia que o livro tinha acabado por me prender devido à boa história, achei que valia a pena fazer o Jack ver o filme. E assim lá fomos nós. Claro que para quem já sabe como a história se desenrola e como acaba, estar ali a assistir a tudo impávida e serena é um pouco difícil. E até achei o filme bem feito, embora obviamente faltem alguns dados que constam no livro. Mas aconselho. Ide, ide, que vale a pena. :)