29.6.13

Caiu-me agora a ficha....

Agorinha mesmo. Nem há dois segundos atrás.
...
O meu irmão fez no último domingo 25 anos.
Eu liguei-lhe, dei-lhe os parabéns, mas nem pensei na idade.
VINTE E CINCO ANOS????
Aquele bebé que eu fui ver à maternidade, aquele bebé que estava enfiado numa incubadora (o que me levou durante anos a achar que os bebés vinham em caixas), aquele bebé que depois vi num berço meio amarelo da icterícia e debaixo de uma luz (o que me levou durante anos a achar que depois de tirar os bebés da caixa, estes eram postos debaixo de uma luz amarela para crescerem, como se estivessem a fazer fotossíntese), aquele bebé gordo que fazia parecer os bonecos michelin, fez vinte e cinco anos?? Aquele puto com o cabelo à escovinha, com um dente de leite negro depois de uma queda  que deu (mas vá lá, o definitivo veio branco como os outros :)), aquele puto de olhos azuis que já na primária tinha várias namoradas, fez vinte e cinco anos?? Aquele puto que nunca chorava nas vacinas e ainda gozava comigo, quatro anos mais velha, por chorar feita doida mal via as agulhas; aquele puto com quem eu descascava nozes para dar às galinhas (e eu achava que era daí que vinha a expressão "dá Deus nozes a quem não tem dentes"); que sabia comigo de cor as falas do filme da Branca de Neve, fez vinte e cinco anos?? Mas eu lembro-me, como se tivesse sido ontem, dele vestido de palhaço no Carnaval. E dele a ir de bibe para a escola. E dele a brincar comigo com as bonecas (nisso, coitado, tinha azar porque eu não brincava com ele a brincadeiras de meninos, tipo corrida de carros ou com os power rangers). E de brincarmos às escondidas. Ok, o puto foi crescendo. Eu lembro-me dele a entrar no décimo ano. E lembro-me dele na altura dos exames nacionais (em que já não os fez a todas as disciplinas como eu e mesmo assim queixava-se de que tinha muito que estudar). E depois o malandro tirou a carta enquanto eu estava em erasmus e por isso quando voltei já ele conduzia. Mas eu parei ali nos 22/23....E de repente ele já tem vinte e cinco?? Então mas ele chega a esta idade de homem feito sem me avisar, sem me dar a possibilidade de me preparar um bocadinho? Mas, mas....oh pá...Nunca fomos daqueles irmãos que sempre se deram bem (muito pelo contrário), não somos daqueles irmãos que ligam um ao outro para contar novidades, sempre fomos terríveis um com o outro e fizemos a cabeça dos nossos pais em água (muuuita água), sempre disse cobras e lagartos dele (e ele de mim, que eu o bem sei) porque sempre me tirou do sério, mas tenho-lhe uma paixão enorme. É o meu mano e ai de quem se meta com ele porque tem de se haver comigo. Mesmo que de repente tenha vinte e cinco anos, sem eu perceber muito bem como.

27.6.13

Que mania de acabarem com as coisas......

Ai, ai, ai, que o google reader acaba daqui a uns dias e eu ainda não tenho substituto para continuar a ler os blogs. A ver se hoje trato disso. Alguma sugestão??

26.6.13

E continuamos com os vizinhos

1. Os vizinhos de cima têm um cão, já aqui o disse. E o pobre do bicho quando é deixado sozinho (às vezes dias inteiros) ladra e ladra e ladra e ladra e ladra e ladra. E eu bem o mando calar mas ele só ladra ainda mais. Por isso até fico meio contente quando vejo os donos a chegar. Infelizmente para mim, o cão cala-se mas a criancinha deles começa logo com birras de meia-noite como se estivesse a ser esfolado viva. E eu só rebolo os olhos e penso que é preciso ter azar.....

2. As férias dos miúdos não dão jeito nem aos pais que não sabem o que fazer com eles, nem aos pobres dos vizinhos (nós) que passamos a ter as crianças por perto o dia todo. Os adolescentes dos vizinhos de baixo devem ter convidado amigos hoje tal é a barulheira que oiço. E estou convencida que se tivessem soltado dez macacos naquele apartamento o barulho não seria maior.

Coisas estúpidas.....


Estou coxa. Anteontem à noite deu-me uma cãibra leve na barriga da perna. Nada de estupidamente doloroso. Aliás, eu levantei-me segundos depois e andei sem dificuldades, sentindo apenas o músculo meio preso. Mas ontem ao acordar ia chorando. A sensação é de estar constantemente com a cãibra, sendo a dor por vezes tão grande que eu não sei o que fazer para que ela passe. O músculo está rijo que nem uma porta. Já pus calor, já pus frio, já pus um anti-inflamatório, já levantei a perna, já baixei, já a estiquei, já a dobrei, já fiquei quieta, já andei e isto não passa. Hoje está igual a ontem mas eu espero mesmo que isto melhore rapidamente. E ontem decidida a não deixar que isto que me afectasse o dia decidi na mesma ir ao supermercado (toma, que te lixaste, que logo para sair de casa tenho de descer escadas), onde fiz uma figurinha linda, a coxear de um lado para o outro. A alternativa a não se notar (muito) o coxear é andar de-va-ga-ri-nho, mas tão de-va-ga-ri-nho que até os velhotes me ultrapassavam nos corredores. Enfim, alguém tem ideias para que isto passe? É que mais uns dias assim e desarranjo a coluna toda por andar a coxear.

25.6.13

Era giro, era giro....:)



No sábado à noite fomos ver o Homem de Aço (Super-homem para pessoas como eu). Confesso que ia sem grandes expectativas pois não é de todo o meu género de filme. Tinha visto o trailer (que tenho a sensação de não ser o mesmo que está a passar em Portugal) e tinha gostado muito das primeiras imagens, mas depois lá aparecia o Super-homem com o seu fatinho azul e capa vermelha e isso estragava tudo. Imaginava-me já num filme em que ia gostar dos primeiros cinco minutos do filme e o resto iam ser as habituais lutas do super-homem contra tudo o resto do mundo e mais do mesmo. Estava enganada. Estava enganada, sim senhora. Gostei muito do filme. Mesmo estando com uma dor de cabeça brutal (que me fazia encolher e rezar aos santinhos para que a minha cabeça não rebentasse de cada vez que havia uma explosão ou algum barulho mais forte), achei o filme muito bem feito, ao ponto de eu, nada fã deste tipo de filmes, ter gostado. Claro que há lutas, mal seria se não houvesse, e claro que na minha perspectiva estas foram um bocadinho longas de mais (vá, já todos sabemos que o Super-homem ganha tudo, por isso podiam despachar a coisa em dez segundos), mas não tomam conta do filme todo e a história está muito bem contada. Sinceramente, aconselho.

Para quem não gostar, sempre dá para lavar as vistas (ao menos escolheram alguém giro para o papel. O sonsinho que faz de Homem-aranha mexe-me com os nervos.....).








Pede-se a quem roubou a Primavera que a devolva já e em bom estado....


Dizem que o Verão já começou, mas por aqui ainda é Inverno. No domingo chovia, ontem chovia, ontem à noite estavam 4ºC e hoje o tempo continua fresco e sem sol. Estou farta deste Inverno, deste tempo, deste frio. Eu nem peço que venha o Verão em força porque se agora reclamo do frio, sei bem que depois vou reclamar do calor exagerado. O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo era a Primavera. Onde é que a enfiaram?

24.6.13

:)


Ontem foi dia de Disneyland Paris. Aproveitou-se uns bilhetes que me foram dados e toca de ir lá passar o dia com os sobrinhos do Jack. Estava muita gente, mas bem menos do que aquela que esperava. Tinha ido à Disney Village dois dias antes à noite e aquilo era basicamente um mar de gente sem se conseguir dar dois passos sem pisar alguém ou empurrar uma criancinha. Claro que havia filas de um hora para algumas atracções, outras tinham filas mais pequenas, outras tinham ainda filas para mais de uma hora de espera. Lá nos conseguimos ir safando de manhã nas atracções queríamos e cujas filas não nos fariam estar à espera a manhã toda. De tarde houve as atracções que eu simplesmente não consigo ir, por isso fiquei a guardar mochilas enquanto o resto da malta se divertia a cair de alturas impensáveis e depois me vinha contar como aquilo era o fantástico. Ainda tentei ir a uma, mas depois de quase ter destruído o sistema nervoso enquanto esperava na fila e via a altura a que as pessoas subiam, fiz a triste figurinha de já estar sentada na cadeira e pedir para me deixarem sair antes daquilo arrancar. Conclusão da história: Maria Tété, mete na cabeça de uma vez por todas que há coisas que tu não gostas de fazer. Não interessa se é divertido para os outros, não interessa se toda a gente faz e adora. Tu não gostas, não fazes. Porque mesmo que faças, a verdade é que não te divertes. Por isso, fica quietinha e serás bem mais feliz.

Buuuh, Tété, buuuhhh


Ando mesmo desaparecida, não ando? Não sei o que me anda a dar. Eu até tenho ideias para posts. Tenho e-mails para responder. Tenho emprego para procurar. Mas falta-me a vontade de me sentar aqui ao computador. Vamos lá ver se isto esta semana arrebita. :)


21.6.13

A greve dos professores

O quê? Só agora vais falar disso? Pois, já se sabe que neste blog os assuntos são abordados com dias de atraso. Não sou pessoa de andar sempre em cima do acontecimento e gosto de deixar amadurecer as minhas ideias. Neste caso, estas continuam iguais às que tinha ainda antes da greve acontecer, ou seja, acho mal a greve ter sido feita em dia de exame nacional.

Não digo que os professores não tenham direito a fazer greve, que não tenham direito a lutar por melhores condições ou a exigir o que quiserem, mas são professores. E se são professores, a sua principal prioridade são os alunos. Sentiria o mesmo se tivessem sido os condutores de autocarros a fazer greve nesse dia, impossibilitando alguns alunos (sem possibilidade de usar outros transportes) a chegar às escolas. E se já acharia mau condutores de autocarro (cuja prioridade não são os alunos) fazerem greve em dia de exame, acho terrível serem professores a fazê-lo. 

E aquele argumento de que o Ministério da Educação podia ter trocado a data do exame não me convence. O exame estava marcado e a greve foi marcada para esse dia com más intenções. Inteligente teria sido aperceberem-se disso e remarcarem a greve para outro dia em vez de virem para a televisão dizer que a culpa dos alunos não terem fazerem o exame é a casmurrice do Ministério da Educação por não mudar a data.

Mais, não entendo os professores que aderiram a esta greve. Greves há muitas mas não é preciso concordar com todas as elas. E por muito boas que fossem as razões para esta greve, havia uma difícil de aceitar: a greve era em dia de exame nacional. Eu nunca fiz greve na minha profissão, mas enquanto estudante passaram por mim muitas greves estudantis. E eu bem lembro de no secundário ter sido a única (sim, a única) pessoa da minha turma a entrar na escola, para ter aulas, em dia de greve. Já não me lembro dos motivos da greve, mas lembro-me de concordar com todos eles. Menos com um. E por não concordar com aquele ponto, recusei-me a fazer greve lutando por aquele motivo.

Já não estudante. Felizmente já não tenho mais exames nacionais a fazer. Nunca fui contra as greves dos professores. Mas se, quando fiz os meus exames, os meus professores se tivessem lembrando de descurar o seu papel (aumentando ainda mais os níveis de ansiedade e preocupação daqueles que estudam já ansiosos e preocupados para estes exames) e não me tivessem permitido fazer o exame para o qual estudei e o qual contava fazer naquele dia, ter-lhes-ia perdido muito o respeito que lhes tinha. Porque, para mim, eu e os restantes alunos que ali estávamos para fazer o exame seríamos importantes o suficiente para aquela greve ser esquecida naquele dia.

19.6.13

Factos da (minha) vida real

1. Está um calor que não se pode. Estão 26ºC e eu já não sei para onde me virar. Isto de passar de um frio gélido para um calor destes só pode dar asneira. Está daqueles calores que antecedem as trovoadas, o ar está parado, abafado, e custa a respirar. E de vez em quando a trovoada lá rebenta, mas acho que nem isso está a fazer este ar mais respirável.

2. Tem havido trovoadas e trovoadas. Ontem à noite pusemos à casa às escuras e ficámos simplesmente a ver os relâmpagos a traçarem riscos brilhantes no céu. 

3. Estou muuuuuito constipada. Entre espirros e tosse, até parece que tenho uma banda cá em casa a fazer música.

4. Já sei que quando estou assim (a espirrar e a assoar-me de cinco em cinco segundos) pintar as unhas é um erro crasso. Mas continuo a insistir em fazer este disparate e a estragar as unhas 2 segundos depois de as ter pintado.

5. Eu bem estava tentada a fazer dieta a partir de segunda, mas desde segunda só ando a pensar que sobremesas hei-de fazer (e eu que nem gosto de cozinhar!). Isto é que força de vontade...

6. À conta da trovoada ficámos sem net durante um dia. A ver se não se repete. =S

5. E é isto. Agora vou ali abraçar-me à minha nova melhor amiga (a caixa de lenços) e ver se me curo.

16.6.13

Livros

Já há algum tempo que não ponho aqui nenhum livro lido e qual a minha opinião. A razão é: ando a tentar ler um livro em francês. Infelizmente a motivação de lhe pegar não é a mesma que num livro em português. Por muito que tenha vontade de conhecer a história (escolhi um policial, daqueles que eu acho capazes de me prender a sério) a verdade é que o nível de concentração tem de ser bem maior e a velocidade de leitura bem menor. Resultado, ao fim de um página estou farta de puxar pelo cérebro para compreender a história e quero é ir fazer outra coisa qualquer. Ainda por cima trouxe de Portugal uns quantos livros que estão ali a piscar-me o olho. Bem, vou ver se me mantenho fiel ao livro francês.....Daqui a 6 meses já o devo ter terminado. =P

Regresso #5

Que voo tãããão comprido. Realmente sempre que regresso a casa o relógio parece andar para trás. Ignorando os gritos das crianças (há sempre crianças aos gritos ao pé de mim....), eis a novidade do meu voo: estava lá o José Cid! Claro que isso não fez com que o voo fosse melhor ou pior, ou que o relógio passasse mais depressa ou mais devagar, mas pronto, um dia já poderei dizer aos meus netos que apanhei o mesmo avião que o José Cid. E provavelmente vou receber como resposta "Quem é esse, vó?" ou "E.....?". Mas não interessa.

15.6.13

Regresso #4

Adeusinho. Tenho de ir apanhar um avião. :)

Regresso #3

E porque me acontece sempre qualquer coisa em todos os voos e visto a minha experiência ontem no cinema, acho que hoje vou apostar num avião cheio de crianças barulhentas em viagem de estudo ou algo-que-o-valha. 

Regresso #2

Tal como os antigos emigrantes levavam as batatas, os frangos e as hortaliças de Portugal, eu levo na mala uma forma de bolo, saquinhos e saquinhos  de gelatina (mas comi tanta gelatina cá que acho que enjoei) e medicamentos. Esperemos que ninguém pense que as embalagens de gelatina sejam droga (não levo a caixa, levo só mesmo a embalagem de alumínio).

Regresso #1

Levo na mochila do computador 5 livros grossos (do estilo Senhor dos Anéis) mais o computador. Quem aposta que as alças da mochila não vão aguentar?

14.6.13

Deixem-me ser pirosa 2 segundos porque hoje eu mereço.....


Amanhã já estou em casa....:)

Socorro.....

Hoje apeteceu-me ir ao cinema. Desanuviar. Aproveitar as nossas pipocas (que acabei por não comer) e umas legendas em português. Escolhi as 14h como sessão do cinema achando que a sala estaria mais ou menos vazia. Errado. Estava sentada na sala há 30 segundos quando mandei mensagem à minha mãe e ao Jack: "Socorro! Estou numa sala só com pré-adolescentes! Se sair viva daqui vou precisar seguramente de terapia!". Saí de lá stressada e a sentir-me velha. Era a ÚNICA pessoa da sala com mais de 14 anos. Não, não estou a exagerar. Bem procurei na sala lotada alguma alma atormentada e adulta como eu, mas estava definitivamente sozinha contra aquela horda de hormonas. A certa altura ouvi um deles referir-se à "senhora" e percebi que a "senhora" era eu. E tenho-vos a dizer: eu não era assim com aquela idade. E não, não me venham cá coisas que todos dizemos isso e que no fundo até éramos. Não, eu posso pôr as mãos no fogo como não era assim. Nem o fui sequer mais tarde e em plena idade do armário. Estou absolutamente convencida que a adolescência que antes começava ali pelos 12/13 anos, começa agora pelos 10/11. Metade daquela sala devia estar no quinto ou sexto ano e portavam-se como vi, na minha altura, adolescentes de 15 anos a portarem-se. Tenho também a certeza que se perguntar aos miúdos daquela sala como era o filme, 80% não me saberão responder. E 99% perdeu pelo menos 10 cenas. Quando numa sala de cinema em que toda a gente está calada, basta duas pessoas começarem a sussurrar para eu já não me conseguir concentrar no filme sem estar também a ouvir a conversa (não, não é cusquice. Quem me dera a mim não ouvir e conseguir fechar-me numa bolha, mas não consigo), imaginem como (não) me consegui concentrar com para cima de uma centena de adolescentes constantemente a falar. Senti-me literalmente fechada numa colmeia com um zum-zum constante em meu redor. Mas perdeu-se aquele respeito pelos outros? Os miúdos não aprendem estas coisas? Tive de pedir à menina atrás de mim para tirar os pés do meu encosto, já a ver que daí a pouco o meu cabelo estaria a servir de tapete. E claro que recebi um olhar do tipo "Oh, caraças, olha-me esta velha a chatear-me". Mas é mesmo necessário pedir uma coisa destas? O trio à minha frente chateou-se a certa altura e um das raparigas mudou de cadeira. Depois a outra foi atrás dela. Depois esta regressou ao pé do rapaz. Depois a primeira regressou. Depois mudou outra vez de cadeira. Ao meu lado um grupinho insistia com um par de namorados para que este se beijasse. O intervalo então foi passado nisto, com argumentos do género "Vááá láááá, eu não viiiiiiiiiiiiii!", "Um bom beijo vale mais que mil beijos!", "Vá lááá, é só um beijinho!", "Qual é o mal? Ele quer, só falta tu quereres!", e a rapariga envergonhadíssima, dizia que não queria beijar à frente de estranhos (mas depois lá deu um daqueles beijos bate-chapa), e olhava para mim, que obviamente não tirava os olhos de cima da cena toda. Para já, porque não tinha mais nada para fazer no intervalo e se estavam com aquelas cenas à minha frente é porque não se importam de ter público, e depois porque é bom que a rapariga perceba que só porque as amigas dizem "Mas ninguém está a ver!" é bom que ela tenha olhos na cara e veja por ela própria onde se encontra e decidir por si mesma o que faz ou não (não que seja contra a menina dar um beijo ao rapaz, mas os adolescentes de hoje fazem coisas em público que definitivamente só deveriam fazer fechados em casa a sete chaves e nem têm noção disso). Metade daquela sala passou o filme de pé. Ora ia conversar com o amigo que estava três filas mais abaixo, ora ia buscar pipocas à amiga que estava cinco filas mais acima, ou chateavam-se e mudavam de cadeiras, ou faziam as pazes e mudavam de cadeiras, ou iam sentar-se mais próxima da rapariga gira (e nestas idades em que elas são maiores que eles? E eles dizem em voz ainda de menino "Olááááá, Riiiiiitaaaaaa" e elas já com tiques de cinema, abanam o cabelo, olham para eles e dizem um olá distante). E depois a cereja no topo do bolo: ignorando as palmas cada vez que uma piada era dita (era um filme cómico, bem podem imaginar o meu calvário), as bocas para o filme eram para lá de espectaculares. Confesso que nalguns filmes já me saiu de vez em quando um "Olha que estúpido.....", "Valha-me Deus....", assim baixinho e mais para mim do que para os outros. Ali era para toda a gente ouvir e suponho eu para os próprios actores que estão do outro lado do Atlântico "ÉS MESMO BURRO!", "TOMA!", "ESTÚPIDO!!!". E eu que fui para lá para relaxar vim de lá 10 anos mais velha, stressadíssima, a precisar de terapia daqui a 10 anos e a achar que um dia que tenha um filho tranco-o num quarto desde os 10 aos 20 anos (ou ainda é demasiado cedo para o deixar sair?).

13.6.13

Diferentes tipos de relações

Torço sempre o nariz quando alguém me diz que não acredita nos casais que nunca discutem. Eu nunca discuto. Discordo, mas não discuto. Mas sobre isto falarei noutro post. Dizia eu que torço o nariz quando me dizem isto, deixando a entender que casais que não discutem não têm qualquer futuro. Isso e casais em relações à distância. Ora tendo eu feito até à pouco tempo parte dos dois grupos, sentia-me sempre picada quando alguém dizia isto. E na verdade ficava sempre pronta a debater o assunto e a dizer que isto de não acreditar em casais com relações diferentes das nossas não tem qualquer cabimento. Felizmente nunca o fiz porque verdade seja dita eu própria não acredito inteiramente nalguns tipos de casais. E são eles:

- Casais incapazes de reconhecer defeitos na cara-metade. Ao início é tudo muito bonito e parece que estamos com uns óculos de lentes cor-de-rosa e só vemos qualidades e mais qualidades no nosso mais-que-tudo. Mas à medida que a relação avança e o conhecimento se aprofunda é natural perceber que afinal a pessoa com quem estamos não é 100% perfeita. E ainda bem que assim é, senão seria uma seca das antigas estar com alguém que não apresenta o mínimo defeito ao pé de nós que, como comuns mortais, temos a nossa quota-parte deles. Lembro-me bem de quando comecei a namorar o Jack de dizer a uma amiga que "Ele é igual a mim mas versão masculina". Agora olhando para ele dou por mim a pensar que estava mesmo parva ao dizer aquilo. Claro que ele não é igual a mim. Tem os seus gostos (alguns parecidos com os meus, outros não), tem a sua maneira de ser (que não sendo igual à minha, se conjuga bem), e claro tem defeitos (diferentes dos meus). Não são obviamente defeitos com os quais não consigo lidar ou até não dar qualquer importância. São apenas características nele que caso deixassem de existir eu não sentiria propriamente falta, não sendo contudo algo que me incomode ao ponto que não conseguir viver com isso. Mas reconheço-o. Não olho para ele e não vejo um homem perfeito, mas sim um ser humano. E tenho para mim que quando começas a ver os defeitos no outro e mesmo assim continuas a querer estar com ele é quando finalmente a paixão inicial se está a transformar em amor duradouro. Daí não acreditar em casais que passado anos ainda olham um para o outro e se acham à frente de um anjo sem asas.

- Casais que discutem por tudo e por nada. Já estive com casais que nem na presença de estranhos são capazes de se controlar e não armar confusão. E é vê-los a discutir pelas coisas mais estúpidas, ora porque ele pediu um bolo para o lanche e ela está de dieta e não gosta de o ver comer essas coisas, ora porque o empregado fez um sorriso à namorada e ele fica cheio de ciúmes, ora porque deixa-me-cá-arranjar-algo-absolutamente-idiota-que-aconteceu-há-3-anos-atrás-e-aproveitar-agora-para-lhe-atirar-isso-à-cara, enfim, coisas estúpidas. Acredito que isto canse. Pelo menos, a mim cansa-me assistir quanto mais vivenciar isto todos os dias. Acredito que se chegue a um ponto de saturação tão grande que mais tarde ou mais cedo se dê a ruptura. Porque acredito também que ninguém é feliz a discutir todos os dias.

- Casais que exageram tuuuuuuuuudo. Um beijo é uma declaração apaixonada, quase um pedido de casamento. Uma mera discussão é uma provação dos diabos. Não dá. Já vi casos de casais que ao fim de alguns meses e uns quantos desacordos pregam aos peixes que "já passámos por tanta coisa e o nosso amor aguentou!". Mas tanta coisa o quê? Eu namoro há 8 anos, metade deste tempo foi em países diferentes, claro que houve fases em que nos perguntámos se fazia sentido continuar, e ainda assim aqui estou eu a achar que o meu namoro tem sido calmo e felizmente não tivemos grandes dificuldades. "Ah, mas eu estive desempregada e isso custou". E? Eu também estou desempregada e então? É chato mas não põe a relação em risco, felizmente. "Ah, mas ele tinha uma ex-namorada que o andava sempre a rondar". E? Pois que é chato, claro. Mas se ele for homenzinho não lhe dá atenção e a relação mantém-se. "Ah, mas a minha sogra odiava-me". E? A não ser que namorem com alguém que não é capaz de lutar por vocês, isso não é problema. Até porque a maior parte das vezes estes problemas nem existem. A tal namorada que não pára de o rondar afinal mandou-lhe apenas uma mensagem no último ano, e a sogra que odeia na verdade não quer simplesmente tornar-se a vossa melhor amiga. Não acredito neste tipo de relações porque acredito que à custa de acreditar que já passaram muito, quando realmente aparecer um obstáculo verdadeiro, já vão estar demasiado cansados para lutar contra ele.

- Casais que vivem literalmente só um para o outro. Aqui não é bem não acreditar, é mais não compreender. Sou fã dos casais unidos, mas que têm uma vida para além do/a namorado/a. Não vou dizer que casais que vivem exclusivamente só um para o outro vão enjoar mais tarde ou mais cedo (ainda me caem em cima a dizer que se acho que vou enjoar do Jack é porque não o amo), mas acho que limitam o mundo em que crescem. Acho que deixam de ter assunto para falar (e nem me refiro à vida dos outros, mas sim a temas que os outros falaram connosco), deixam de conhecer opiniões diferentes, e principalmente deixam de ter apoio dos outros. E em alturas mais complicadas é bom haver pessoas fora da relação que possam dar apoio, opiniões, ajuda.

E com isto, com este meu não acreditar neste tipo de casais (até podem resultar mas acho sempre que serão relações mais complicadas que o necessário) que eu perco o direito de barafustar quando dizem não acreditar no tipo de relação que por acaso eu até tenho.

12.6.13

Coisas boas de cá ficar


#1 - Aproveitar os pais mais um bocadinho :D

#2 - Ver programas de televisão que não tenho em França.

#3 -  Esquecer qualquer ideia de dieta e continuar a comer porcarias por cá (começo a dieta segunda-feira, em França...=P)

#4 - Amanhã vou aproveitar para ver mais uns quantos amigos. :)

#5 - Perceber que afinal em Portugal ainda há sol e calor. Hoje foi um dia bom. :)

#6 - Aproveitar para dar mais uma volta aos caixotes que ainda tenho na garagem (já está quase tudo arrumado!) e encontrar dois envelopes com dinheiro. Uhuh! Isto então hoje deixou-me mesmo bem disposta. :D

11.6.13

Quando estou de mau-humor, dá-me notoriamente para o disparate....

Banda desenhada da Maitena

Hoje acordei de mau-humor. A esta hora já estaria a chegar a casa se tudo tivesse corrido bem. Já estaria a pensar no jantar, a contar as novidades, a matar saudades. Ainda por cima, ontem o nosso vizinho de cima deve ter adormecido com a televisão ligada (muito aaaaalta) e era impossível adormecer (bem tocámos à campainha, mas o senhor é idoso e muito mouco por isso não serviu de nada). Quando finalmente adormeci, acordei pouco depois com um ataque de tosse incontrolável. Resultado, eram 6h da manhã e eu ainda acordada. E tudo isto fez-me acordar de muito mau-humor. E contrariando a banda desenhada da maitena, decidi enfiar-me no cabeleireiro. Claro que a minha cabeleireira, sabendo como eu sou (discreeeeta, nada aventureira com o cabelo) estranhou quando comecei a falar de fazer uma mudança, de pintar o cabelo de uma cor perto do arruivado, de dar um corte, e claro que quando disse que estava de mau-humor, ela percebeu que o melhor era arriscar pouco para eu depois não me arrepender. E lá me cortou as pontas que estavam a precisar de um corte e pintou-me o cabelo todo com uma cor não muito diferente da minha. Acho que amanhã quando acordar com melhor humor lhe vou agradecer por não me ter cortado 10 cm de cabelo e não mo ter pintado de cor-de-laranja.

10.6.13

Nããããããoooooooooooooooooooooo.....

Tal como disse anteriormente sempre apanhei greves nas minhas viagens. Não sei porquê, mas há ali qualquer coisa que estando o meu nome nas listas de voo, alguém decide marcar uma greve. E fora todo o stress e ansiedade gerados por isso, nunca na vida perdi um voo. Já me aconteceu chegar a Orly e meterem-me numa camioneta para o Charles de Gaulle pois afinal o meu voo partiria de lá, mas nada mais do isso. E também já apanhei atrasos e esperas nos aeroportos, mas isso aguenta-se. Em Março tive de fazer alteração de voo, que depois acabou por não ser necessário uma vez que a TAP desistiu da greve. Mas desta vez, à custa da greve dos controladores aéreos franceses, a TAP cancelou cerca de metade dos seus voos. Inclusive o meu. Pela primeira vez não vou poder efectivamente viajar no dia que quero. Queria mesmo ir amanhã e não posso. Nem posso na quarta-feira porque ainda é greve. Nem posso na quinta-feira porque ainda é greve. Com sorte posso ir na sexta mas não me dá jeito. Vou no sábado. Sim, sabe-me bem estar em Portugal, sabe-me bem estar com a família, mas não gosto nada que me troquem os planos. Oh, controladores aéreos maus. Depois admiram-se que eu embirre com os franceses.....

9.6.13

Oh, raios ta partam......


Não há voo que faça que não apanhe greve. É assim há anos. No meu ano de Erasmus todos (sim, todos!) os meus voos calharam em dias de uma greve qualquer. Ora são as companhias aéreas, ora são os controladores aéreos, ora é greve de comboios dos quais eu dependo para apanhar os voos, ora é greve de outra coisa qualquer. Em Março deste ano apanhei a greve da TAP, e agora que estava eu tão contente com uma viagem sem a nuvem negra das greves a pairar sobre mim, recebo a notícia que há voos para França a serem cancelados entre terça e quinta-feira, devido à greve dos controladores aéreos.  Por enquanto o meu voo está confirmado....Vamos ver se até lá não há alterações. Mas porquê, porquêêêêêê???.......

Venha o Diabo e escolha

E quem conduz pior, Tété? Os franceses ou os portugueses? Sinceramente, quando me mudei para França achava que nada bateria a má condução dos portugueses. A quantidade de radares em França, as patrulhas com que uma pessoa se cruza e os helicópteros a controlar a velocidade ajudavam a criar a ideia que em França a condução seria melhor. Enfim, não é. No fundo, França partilha os mesmos problemas que Portugal: os sinais de "stop" existem apenas para decoração; os piscas devem vir como opção nos carros porque a maioria parece não ter, ou então a crise é tão grande que as pessoas parecem querer poupar as lâmpadas dos piscas e por isso não usam; o estacionamento parece ser algo que não assiste a pessoas das duas nacionalidades e bom-bom é chegar com o carro, parar e puxar o travão de mão, não interessando se está a ocupar dois lugares ou se está no meio da estrada; as placas de limite de velocidade parecem indicar o valor mínimo e não máximo a que se deve andar; os traços contínuos são apenas traços brancos no chão e "distância de segurança" é um termo que a maioria nua ouviu falar.

8.6.13

Crónicas da viagem #5


E depois, claro (seria impossível) não deixo de encontrar pessoas com quem não fazia questão de me cruzar. E uma pessoa faz um sorriso amarelo, um aceno de cabeça, responde à pergunta "tudo bem?" se esta chegar a acontecer e pronto. E isto quando simplesmente nem me dizem nada. E eu prefiro assim. Porque os sorrisos verdadeiros, os beijinhos, os abraços, esses estão reservados para quem realmente me interessa. E eu tenho cada vez menos paciência para falsas alegrias e reencontros.

Crónicas da viagem #4


E o que me sabe bem estar com os amigos? E o que me sabe bem rir com eles e não conseguir dar uma garfada e a comida arrefecer porque as perguntas não param e eu não páro de falar? E o que me sabe bem aqueles abracinhos com sabor a reencontro? E o que me sabe ver-lhes os sorrisos, os novos cortes de cabelo, ouvir as novidades, sentir que tudo está na mesma? E o que me sabe bem despedir-me deles sempre com a sensação de que o tempo não chega para tudo, que por nós ficávamos ali mais 20 horas na conversa? Infelizmente as minhas viagens não dão para estar com todos eles, mas eu tento. E com aqueles que não estou agora, hei-de estar na próxima viagem. Afinal de contas, são estes momentos que me enchem o coração para os próximos meses longe deles. Hoje foi um dia com amigos. Ainda tenho mais uns encontros marcados e isso deixa-me tão feliz. :) 

7.6.13

Crónicas da viagem #3

Nestas minhas viagens a Portugal é óptimo encontrar a família. É sempre uma festa, é bom estar em casa, adoro ver os meus pais e irmão, adoro ir ver os meus avós, adoro estar na mesma mesa de sempre com as mesmas conversas de sempre e as mesas gargalhadas de sempre. Quando alguém me diz que não consegue emigrar porque é muito próximo da família, sinto sempre um ligeiro aperto no coração. Porque eu também sou chegada à família, sou assumidamente menina do papá, até ir para França falava ao telefone com a minha mãe todos os dias, os fins-de-semana eram sempre passados em casa dos meus pais, e tenho um medo terrível que algo aconteça aos meus avós e eu não esteja cá para os acudir e cuidar deles. Nunca fui daquelas filhas adolescentes doidas por sair de casa, que não queria estar com os pais, que têm pouca ligação aos pais. Eu gosto imenso do Natal da minha família, quando nos sentamos todos à mesa na conversa e eu vejo o meu avô em silêncio a olhar para nós, orgulhoso da família que construiu. Gosto do silêncio caseiro da minha casa, cada um nos seus afazeres silenciosos, na mesma divisão. Porque nós somos assim, independentes. Somos pessoas de família, gostamos de estar juntos, mas a educação baseia-se muito na independência. Por isso não me custou escolher uma Universidade noutra cidade que não a minha, por isso tive os meus pais a incentivarem-me a fazer Erasmus (onde continuei todos os dias a falar com eles), por isso não houve problemas de ir para França. Somos uma família feliz, não interessando onde está cada um de nós. Talvez o que nos facilite a vida é o facto de lidarmos bem com as saudades. Não há cá telefonemas infelizes, de choradeira. Os telefonemas de hoje têm o mesmo grau de disparate e alegria que tinham quando saí de casa aos 18 anos. Mas ainda assim, por muito independente que sejamos, gostamos de estar juntos e eu gosto mesmo, mesmo de regressar a casa dos pais por uns dias. :)

6.6.13

Ainda sobre a falta de interesse em sociabilizar com estranhos

Quando cheguei a casa, decidi ir dar um passeio a um centro comercial ver as modas (dos livros). Ora numa das caixas de uma loja, a menina tentou insistir comigo para fazer o cartão da loja. À segunda insistência puxei dos meus galões de emigrante (que geralmente funciona tão beeeem) e disse que não valia a pena porque vivia fora do país. E pronto, começou a perguntar-me onde estava, se estava a gostar, como eram os franceses, como era o emprego...=S E ali fiquei a falar com alguém que nunca vi na vida. Na segunda loja a mesma insistência, a mesma resposta, e de repente, a mesma reacção: como é a vida em França, é fácil falar francês, também gostava de ir, etc. E lá estava eu novamente a falar com alguém que nunca vi na vida. Dois segundos depois estava eu a abandonar o centro comercial não fosse isto acontecer uma terceira vez.

Crónicas da viagem #2

Não há voo que eu faça que possa dizer no final "Ah, foi mesmo um voo sossegado". Ora tenho crianças a dar-me pontapés no assento, ou tenho alguém a falar altíssimo ao meu lado, ou alguém a tossir tanto que quase cospe um pulmão cá para fora, ora alguém que ressona, tudo isto para além dos meus típicos ataques de alergia. Hoje calhou-me ao lado uma senhora toda pintada e toda esticaaaaaada (parecia a mulher do Castelo Branco), que passou o voo a ver um vídeo no ipad e que chorava, e chorava, e fungava, e assoava-se, e chorava, e limpava as lágrimas. Ainda deitei um olho ao filme mas não o reconheci. Com o nariz já entupido, os olhos pouco abertos, a cara cheia de comichão, tentei adormecer para ver se o tempo passava mais depressa. E olhem que não é fácil adormecer quando de 15 em 15 segundos temos de nos assoar ou espirramos (fora o choro, as fungadelas e o assoar da minha vizinha cinéfila). Mas consegui. Para 5 minutos depois receber um pontapé (dado estrategicamente?) no pé por uma hospedeira que me queria dar uma sandes (que não gostei e não comi). Não voltei a adormecer. Nem eu nem as duas crianças sentadas perto de mim, que foram o resto do voo aos gritos. Tété, não, ainda não foi desta que tiveste um voo sossegado. Talvez seja para a próxima!

Crónicas da viagem #1

Ainda ontem comentava com a cunhada do Jack que eu não sou uma pessoa sociável com estranhos. Não gosto de dar confiança a quem não conheço, nunca me ponho em amena cavaqueira com cabeleireiras, ou com vizinhos, e nem sequer concebo a ideia de ir a um psicólogo porque realmente esta coisa de falar com alguém que não conheço é coisa que não me assiste (e a este ainda por cima tinha de lhe pagar no fim). Não sou mal-educada, não passo rasteiras a quem não conheço nem rosno quando algum estranho mete conversa comigo, mas simplesmente não sou uma pessoa que anseie conhecer pessoas novas todos os dias. Pelo contrário, gosto que me deixem descansada no meu canto. O aeroporto é por exemplo um dos meus sítios favoritos. Gosto de chegar cedo (nem que isso implique levantar às 5h da manhã), gosto de fazer o check-in enquanto não se formam filas descomunais, gosto de passear, ver as montras, sentar-me e observar as pessoas. Gosto daquele meu sossego no meio do corre-corre típico de um aeroporto. Gosto de  tirar da minha carteira o livro que ando a ler, os meus jogos de lógica, o ipod, o caderno, a caneta, e fechar-me na minha bolha e desfrutar daquele ambiente de calma no meio da confusão. Pois hoje não consegui usufruir de nada disso.

Ao chegar à parte do aeroporto em que nos fazem o sacanner às malas (ou seja, onde a partir dali apenas existem passageiros, sendo os familiares e amigos destes impedidos de passar), apercebo-me de um senhor idoso muito atrapalhado, enquanto um jovem (o genro, sei-o agora) e outro idoso (o compadre) lhe tentavam explicar que a partir dali não o poderiam acompanhar, que ele teria de ir sozinho, como haveria de encontrar a porta de embarque, e o velhote olhava para um e para outro e dizia-se lá capaz de o fazer sozinho, que se ia perder, que não percebia nada daquilo. Sendo a conversa toda em português lá me dirigi ao grupo e perguntei se o senhor por acaso iria apanhar o avião para o Porto e que, em caso afirmativo, não me importava de lhe mostrar qual a porta de embarque. E assim foi. E claro que não consegui mais ficar sozinha até entrar no avião. Fiquei a saber quantos filhos, quantos netos, em que trabalhou, o que foi fazer a França, a idade dos filhos, a idade dos netos, que a crise em Portugal é grave, que a mulher está acamada. E com isto tudo, juntou-se outra idosa que queria informações e acabou por ficar ali também a trocar histórias. E eu, ladeada pelos dois, a ouvir tudo aquilo só pensava "E olha se eu fosse gostasse de falar com estranhos...".

Não gosto de falar com estranhos, não gosto de sociabilizar com estranhos, mas não sou um coração de pedra para com estes. 

Mas confesso que hoje senti falta do "meu momento" no aeroporto.


5.6.13

Telemóvel novo


Ontem foi o dia de ir buscar o novo telemóvel! Yeaah, já tenho um telemóvel que não me morre nas mãos várias vezes por dia (até ver, até ver.....)! Ora vantagens de ter um telemóvel novo: a descoberta, a organização de tudo, o ser um brinquedo novo. Desvantagens de ter um telemóvel novo: ter de descobrir tudo, organizar tudo, e por ser um brinquedo novo não encontrar nada. E ainda por cima aqui a esperta decidiu pôr o telemóvel em francês. Está bem, abelha....Hoje já está em português e pronto, que isto de não compreender os nomes dos menus não ajuda nada.

Bem, devia parar de brincar com o telemóvel (até porque me mantive na samsung e por isso o novo telemóvel não é assim tão diferente do anterior) e ir fazer outras coisas importantes como, sei lá, imprimir o bilhete, fazer a mala. É que afinal de contas a viagem é já amanha. :)

6 meses


Faz hoje seis meses (que engraçado, também calhou a uma terça-feira) que acordámos pela primeira vez no nosso apartamento e iniciámos formalmente a nossa vida a dois numa casa. Receios havia alguns, porque afinal de contas ouvem-se histórias de casais que são a personificação do Romeu e da Julieta antes de juntarem os trapinhos, e depois de juntos acabam como candidatos a "assassino do século". Além do mais gosto muito da minha loiça (pintada pela minha avó) e já estava a ver os pratos a voarem em todas as direcções. A verdade é que nós somos um casal pouco dado a confusões, não levantamos a voz um ao outro, não fazemos cenas em público (porque eu sigo a máxima do "não dou espectáculo, e se um dia der é porque vou cobrar bilhetes"), conversamos sobre tudo e assim se passaram oito anos sem dar por ela. Mas um facto importante é que os últimos 3 anos da relação foram em países diferentes e isso poderia ter-nos feito crescer em direcções opostas, coisa que só descobriríamos quando estivéssemos debaixo do mesmo tecto. Acresce-se a isto o receio da maior parte dos casais: a nossa educação em casa é diferente (na minha família há a partilha de tarefas entre homens e mulheres, já na dele as coisas não se passam assim), eu já tinha vivido sozinha e estava muito habituada a ter tudo ao meu gosto e ao meu jeito, ele habituado às suas rotinas por cá, eu a ter de criar novas, e com tudo isto uma pessoa pergunta-se: e será que nos vamos entender, e será que ele não vai achar que eu sou criada dele, e será que vou ter de levar  com comparações com a mãe dele, e será que vou ter de lhe mandar um par de berros para ele se levantar do sofá, e será que....uma série de coisas. Dizem que os primeiros meses de uma vida conjunta são os piores porque é a adaptação, e era esse o meu receio. Por outro lado, às vezes acho que os primeiros meses são uma espécie de "lua-de-mel" e que só depois surgem os problemas.
Por cá as coisas têm-se passado bem. É de facto uma adaptação, mas quero acreditar que quando nos juntamos a alguém porque queremos e quando já o conhecemos bem, não há surpresas. Eu já conheço o feitio dele, ele já conheço meu, e ambos sabemos que numa relação há cedências, e sobretudo (muito importante) odiamos discutir por coisas pequenas. Um exemplo bem simples: a nossa maneira de fazer a cama é diferente. A última a levantar-se sou eu (pobre de mim estar desempregada e levantar-me às 5h da manhã....), por isso sou eu quem faz a cama. Ao meu jeito. E ele aceita. Quando for ele a levantar-se mais tarde, faz ele ao jeito dele. Nada de discussões por uma coisa tão parva como fazer uma cama. Sendo sincera, não vi nestes seis meses grandes razões para discussões. Claro que por exemplo a partilha de tarefas podia ter trazido problemas, mas lá está: namoramos há 8 anos, por isso não há surpresas. O Jack sabia bem que quando viesse morar comigo eu não seria a "dona-de-casa perfeita" (até porque nem tenho feitio para isso) e quereria as tarefas partilhadas. Ouviu-me falar disto durante anos por isso não se juntou a mim ao engano, achando que eu trataria de tudo com um sorriso na cara e sem um queixume. Claro que há coisas nos dois que não agradam e têm de ser trabalhadas (esta mania que os homens têm de ir buscar qualquer coisa e não conseguirem voltar a colocar no mesmo sítio, é algo que me transcende; já a minha incapacidade em cozinhar carne de vaca também o faz revirar os olhos), mas lá está: para quê discutir? Conversa-se e isto com jeito vai lá. Somos pessoas diferentes, qual é a surpresa?
Foram sem dúvida seis meses muito bons e é bom sentir que numa vida debaixo do mesmo tecto continuamos a seguir as regras nas quais apoiámos sempre o nosso namoro. E é bom sentir que este Jack é o mesmo Jack de sempre, que continua a superar as minhas expectativas e sentir que ao lado dele as coisas não têm outro remédio senão correr muito bem. :)

P.s. Eu comecei a escrever o texto na terça, mas só o acabei na quarta. A culpa não é minha.:)

3.6.13

O meu sistema nervoso vai morrer antes de eu fazer 30 anos....

Eu gostava de ter um gato. Na verdade, o que eu gostava mesmo era de ter um tigre, mas quando era miúda os meus pais nunca me satisfizeram este pedido e agora eu mesma acho um pouco improvável que tal se concretize. Também não me importava de ter um cão. Não um cão qualquer, porque aquelas raças pequenas e nervosinhas deixam-me fora de mim e para andar nervosa não preciso de ajuda. Ainda assim, ainda não tenho gato nem cão. A primeira razão é que ainda não perdi amor ao meu sofá ou às minhas coisas e bem sei que à primeira mordidela ou arranhadela começaria a trepar pelas paredes. A segunda razão prende-se um bocado com as viagens Portugal-França e vice-versa e toda a logística de com quem deixar os bichos. E por fim, porque vivo num apartamento, tenho a grande esperança de arranjar trabalho brevemente e teria de deixar o bicho, seja ele qual for, em casa sozinho o dia todo. E isso é coisa que a mim me custa. Em primeiro sei lá o que vai ele decidir estragar para se entreter, e depois sei lá se não vai começar a miar ou a uivar por se sentir só. E eu, que não gosto de sociabilizar com os vizinhos, tenho-lhes respeito e não gosto de os incomodar. Isto tudo para dizer que os meus vizinhos de cima, acabadinhos de mudar, têm um cão. Nada de problemático pois em 6 apartamentos, dois têm gatos e outros dois têm cães. O problema deste cão é que deve estar a estranhar a casa e foi deixado sozinho, e portanto para além de ter começado a uivar meia-hora antes do meu despertador tocar (e acreditem que eu acordar de outra maneira que não seja sozinha ou com o meu despertador é algo que me estraga logo o dia de manhã), ainda não se calou. E entre os uivos e o arranhar das unhas no chão, eu já estou aqui com os nervos todos esfrangalhados. Resta-me a esperança que as minhas preces sejam ouvidas e que quando os donos chegarem a casa, o cão lhes tenha destruído os sofás, cagado nos tapetes, roído os sapatos e feito xixi em todos os cantos da casa.

2.6.13

Sou uma pessoa que se contenta com pouco...mesmo em dias de neura. :)

Sabem aqueles dias que parecem não correr bem em nada? Ontem foi assim. Não é que tenha sido um dia mau mas para aquilo que eu esperava dele não estava a ser assim tão bom. Entre a minha grande esperança que o meu telemóvel novo chegasse à loja ontem para o ir buscar (e não chegou. Vamos ver se amanhã tenho sorte), o meu telemóvel a querer mesmo dar o badagaio e a ficar leeeento impedindo-me de o usar, o Jack a tentar fazer o IRS aos pais num computador que também já só pede reforma e demorava um ror de tempo, eu a querer ir embora passear, enfim....Quando chegou a noite estávamos os dois num tal estado de nervos que embora em cima da hora decidimos tentar ir ao cinema. E ainda bem! Acho que nos salvou de uma noite de neura. Fomos ver o "The Call". Muito giro, muito bom, mas péssima ideia para medricas como eu que só deviam ver este tipo de filmes ao meio-dia num dia de Verão, e não à meia-noite numa noite de praticamente Inverno. Quem é que depois me arrancava da cadeira onde eu tremia por todos os lados de medo? Enfim. O segundo ponto que me salvou literalmente o dia foi a menina do cinema à qual pedi uma garrafa de água e que decidiu meter conversa comigo, dizendo que tinha um sotaque muito bonito (olha o meu ego a inchar!), fazendo-me perguntas às quais consegui responder sem problemas (yeah) e dizendo que falava bem francês (acho que nesta altura só não lhe dei uma beijoca porque pareceria mal). Uma simpatia, esta menina, que me fez regressar a casa com um sorriso enorme. :)

1.6.13

1.06.2013


Há seis meses atrás estava eu a aterrar em Paris, de malas e bagagens, pronta a iniciar uma nova etapa da minha vida. Vinha cheia de alegria, porque afinal de contas esta vinda tinha-se atrasado seis meses e eu já só queria vir sem mais um dia de atraso. Vinha cansada porque os últimos dias a arrumar tudo tinham sido extenuantes, e porque a viagem de avião tinha sido feita a uma temperatura horrível, como se nos tivessem a tentar cozer. E vinha com medo, porque vinha para um país que não sendo tão estranho assim (já cá tinha estudado 9 meses) não era o meu país, era um país pelo qual eu não morria de amores, com uma língua diferente da minha. E porque vinha viver com ele. Mas disso falarei noutro post, quando fizer seis meses desde que viemos para nossa casa. Este post serve para assinalar os meus primeiros seis meses em França.

E como se passaram estes seis meses? No fundo depende da expectativa de cada um. Para o Jack, os meses correram optimamente. Dado a minha péssima experiência quando cá estudei e o facto de ter demorado 3 anos a decidir-me mudar para cá porque de facto não queria vir, ele estava convencido que eu me trancaria em casa nos primeiros meses, recusando-me a sair de casa e a pegar no carro. E eu era de facto menina para fazer isso, mas vinha com ideia de me tentar habituar o mais depressa possível, e por isso toca de conduzir, toca de ir às compras, toca de ir à farmácia, aos correios, à padaria...Por isso, para as expectativas dele, as coisas não podiam ter corrido melhor.
Depois por outro lado, temos aqueles amigos e familiares que estavam à espera que eu cá chegasse, arranjasse imediatamente emprego, desatasse a falar com uma autêntica francesa e me sentisse em França como se estivesse em Portugal. E para esses sei que as coisas não estão a ir como gostariam e que estou a ir demasiado devagar.
Para mim, é um misto de sensações. Porque como disse em cima, eu sou mesmo menina para chegar a um novo país e trancar-me em casa. Porque não gosto de mudanças e odeio sair das minhas rotinas. E aqui fiz realmente o esforço de sair de casa, tratar de coisas para nós e para a casa, pegar no carro e conduzir. Mas, por outro lado, tenho a sensação de que ainda não conduzo até muito longe, não perdi ainda o medo das auto-estradas daqui, e nas minhas poucas saídas vou a sítios onde não tenho de me expressar muito em francês. A questão do emprego é outro ponto: eu tenho enviado currículos (ainda ontem fui ao correio enviar vinte), contudo têm-me dito que não perdia nada se os fosse entregar pessoalmente. E eu sei disso. Se estivesse em Portugal era a primeira coisa que eu faria, porque sei que consigo causar uma boa impressão inicial, sei falar, sei ser simpática. Aqui, ignorando o facto de ter de conduzir para cada um dos locais, sei também que a primeira impressão não seria grande coisa, porque provavelmente não compreenderia tudo o que me dissessem, meteria os pés pelas mãos ao tentar responder, e em vez de simpática e carismática passaria uma figura de tola. E sim, eu sei que algum dia serei chamada para entrevistas, mas não me perguntem porquê tenho mais confiança em mim numa entrevista em que o meu currículo já foi visto e querem falar comigo do que antes de o entregar.
Eu já compreendo algum francês, se souber o assunto já entendo mais ou menos, se falarem devagar já entendo quase tudo, às vezes emburro numa palavra e a partir daí não há conversa que não me escape mas sei que isso ainda vai acontecer mais uns tempitos. Eu nunca fui boa a línguas, a minha memória não me permite decorar vocabulário estrangeiro, e se decoro uma palavra agora daqui a meia-hora já nem me lembro da primeira letra. Para além disso, sou uma pessoa que fala rápido português, que falo e escrevo sem dar erros catastróficos, e estando habituada a isso, tento fazer o mesmo com o francês, o que dá uma asneira enorme. Quanto mais depressa falo, pior me sai, claro, e fico irritada. E ficando irritada, fecho a boca e não quero falar mais. Mas não pensem que ando simplesmente a arranhar por aí "oui" e "non". No outro dia estive cerca de duas horas à conversa com uma francesa, por isso já me consigo fazer entender, mas tenho noção que não devo ter dito uma frase totalmente correcta. Enfim, tudo isto para dizer que se me tivessem perguntado há seis meses atrás como estaria agora, eu teria respondido que provavelmente já estaria a falar correntemente francês, que já teria arranjado um emprego, que já pegaria no carro e iria para todo o lado sem medos. E como se vê, nada disto acontece e eu sinto-me ligeiramente frustrada. Por outro lado, sei que não sou daquelas pessoas que pega numa mochila e parte à aventura, sei que não morro de paixão por França, sei que este não é o meu país e que eu não me habituo facilmente àquilo que não é meu, sei que sou medricas até aos ossos, e por isso tudo o que já consegui alcançar deixa-me menos frustrada e mais contente. Até porque acho que cada pessoa tem o seu tempo de adaptação e conhecendo-me já deveria saber que o meu será grande. Mas sobretudo, o que me deixa menos frustrada por os meus planos não estarem a correr exactamente como eu quero, é que mesmo assim foram seis meses em que me senti feliz aqui. E se me sinto feliz, então é porque não estou a fazer tudo errado.:)