Fui hoje marcar a análise de tolerância à glicose e quase que posso jurar que pela primeira vez vi pena nos olhos da menina que me atendeu. Explicou-me que terei de ficar no laboratório três horas e deu-me a receita para ir comprar o açúcar à farmácia. Ora se a ideia de beber água com açúcar é assustadora, quando se vê o pacote de 75 gramas de açúcar que será diluído fica-se ainda pior. É imenso!! E depois lembrei-me: eu não bebo água com açúcar há anos porque...vomito. Está-se mesmo a ver que esta análise vai correr bem, não está?
30.6.15
29.6.15
O calor deixa-me de mau humor
Enquanto cumprimento a médica, queixo-me do calor que se tem feito sentir em França. Diz-me ela:
- Ah, pensei que já estivesse habituada ao calor visto em Portugal fazer bastante
Respondo eu, com todo o meu mau humor em evidência....
- Lá por estar habituada não significa que goste.
E não voltámos a falar do tempo.
- Ah, pensei que já estivesse habituada ao calor visto em Portugal fazer bastante
Respondo eu, com todo o meu mau humor em evidência....
- Lá por estar habituada não significa que goste.
E não voltámos a falar do tempo.
Gravidez não é doença....mas às vezes parece.
Segunda-feira passada:
Ecografia: feita.
Sexta-feira passada:
Consulta: feita.
Hoje:
Marcar consulta: feito.
Marcar ecografia: feito.
Amanhã:
Marcar análises.
Depois de amanhã:
Marcar consulta.
Ecografia: feita.
Sexta-feira passada:
Consulta: feita.
Hoje:
Marcar consulta: feito.
Marcar ecografia: feito.
Amanhã:
Marcar análises.
Depois de amanhã:
Marcar consulta.
Eu não mereço
- Bom dia, estou grávida e sou seguida pela doutora. Gostaria de marcar uma consulta para o fim de Julho.
- Só tenho vaga para Setembro.
- Mas a doutora disse-me para marcar consulta para Julho.
- Porquê? O que é que você tem?
- Bom, porque tive consulta em Junho e como sou seguida todos os meses....
- Mas porquê? Está grávida?
- Sim...
- Ah, tem de me dizer que está grávida. Eu não adivinho!
- .....
(e nestas alturas bloqueio e não me lembro logo de como dizer em francês "E você tem de limpar os ouvidos!").
27.6.15
Então como correu a consulta, Tété? A doutora ralhou muito?
Ralhar, ralhou um pouco quando viu que este mês eu tinha ganho dois pequeninos quilos. Mas caramba, estou de cinco meses e ainda nem atingi o peso com que estava quando engravidei, por isso não se pode dizer que me esteja a portar mal. De qualquer forma, prometi que no próximo mês terei mais cuidado. E acho que não ralhou mais porque a primeira coisa que fiz quando me sentei à frente dela foi pedir-lhe para me medir a tensão. Ficou espantada a olhar para mim sem perceber a razão do meu pedido, já que medir a tensão é aquilo que faz no fim de cada consulta. Expliquei-lhe que não é normal ter a máxima da tensão a 16 ali no consultório dela, quando em casa ronda os 9, 10 ou 11, e que gostaria de testar se não é a própria consulta que me faz subir a tensão (já sabendo eu que sim). Pouco convencida, acedeu ao meu pedido e quando acabou a medição soltou um "Que rica ideia que teve!". Tensão 11/7, maravilha! Juro-vos que vim de lá como se tivesse passado num dos exames mais difíceis da minha vida, de tão contente e aliviada que fiquei por lhe conseguir assim provar que não tenho mesmo a tensão alta no dia-a-dia e sim que esta é resultante do meu desconforto em ambiente médico. Acho contudo que ela ficou um bocadinho magoada comigo e até me perguntou "Então...sou eu que lhe faço subir a tensão?". Não sei se a consegui convencer que não é ela em específico, mas sim todo e qualquer médico, todo e qualquer exame, e acho que acabou por ser por isto que ela não ralhou muito comigo quanto ao peso (para ver se não me criava um pico de tensão). Magoada ou não, decidiu vingar-se e vai de me obrigar a fazer o teste de tolerância à glicose. Este teste não é obrigatório cá em França desde que ao longo da gravidez não se apresentem valores de glicose que justifiquem fazer o teste. E eu andava toda satisfeita porque os meus valores andavam bem e eu ia escapar ao teste que sempre me meteu medo por causa da tão má falada bebida doce. Pois, mas esqueci-me que me insiro num dos grupos de risco (excesso de peso) para os quais o belo teste se torna obrigatório. Ainda fiz olhinhos de gato, ainda torci o nariz e fiz um pouco de beicinho enquanto dizia "Mas eu não quero beber o sumo.....", mas claro que levei com a resposta "Pois, mas vai ter de beber". Bem, lá terei eu de ir marcar o teste e levar o Jack comigo para me dar força caso me sinta mal. Oh. Não quero.
26.6.15
Não quero ir à consulta....
A minha médica é uma mulher de poucas palavras. Usa-as simplesmente para me explicar os passos burocráticos que tenho de ir fazendo, para uma outra pergunta, um ou outro esclarecimento que lhe peço e....para me dar na cabeça. É simpática, é carinhosa, menos....quando me dá na cabeça. E se até agora tenho ouvido apenas por causa da minha tensão no consultório dela e de estar sempre com o fogo no rabo, pronta para me levantar da cadeira e sair do consultório (da última vez levantei-me três vezes já a despedir-me, quando a consulta na verdade ainda não tinha terminado. Acho que à terceira detectei ali um tremor na voz como quem diz "Volta a fazer isso e eu dou-lhe um berro!"), hoje sei que vou ouvir um raspanete por causa do peso. Este mês deu-me a fome, abusei e cheira-me que se não ganhei o limite de peso que ela me deu para toda a gravidez (que é baixo, muito baixo), andarei lá perto. E ela vai ralhar comigo, eu sei que vai. E eu não gosto que ralhem comigo. Sinto-me como uma menina que está a ir para a escola, sabendo perfeitamente que não fez os trabalhos de casa e que ouvirá um raspanete da professora. Será que posso fazer gazeta?
25.6.15
Habituá-la já a bons livros
Perguntaram-me há dias se já lia histórias de encantar à nossa bebé. Admito que fiquei surpreendida com a pergunta. É suposto? É que convencida como estou que depois do parto, tempo para a leitura é coisa que não vai haver, estou a regalar-me agora com os meus livros. Se Pequena Papaia gostar de dramas e de crime, óptimo. Se não gostar....olhe, que espere para chegar cá fora que eu conto-lhe histórias da Disney.
O nome
O nome vai ser uma dor de cabeça. Namorávamos há pouco tempo e já falávamos de nomes de futuros filhos (mais ou menos como os padrinhos de casamento que já estavam escolhidos desde o início, mesmo que casamento só tenha vindo a acontecer quase dez anos depois).
É engraçado que o nome de rapaz foi o primeiro a ser decidido já que eu gostava de uma combinação específica de dois nomes próprios e o Jack tinha como única exigência que o segundo nome próprio fosse o mesmo que o dele. E tão alinhados que somos, a minha combinação específica dos nomes era formada exactamente com o segundo nome próprio do Jack.
Para o caso de ser menina, os gostos foram-se alterando ao longo do tempo e por isso não houve nunca um acordo de ambos quanto a este assunto.
Quis a vida (e o lixado do karma) que viéssemos para França e que fosse aqui que fosse nascer o nosso primeiro filho.
Surge por isso a questão de encontrar um nome que, sendo escrito em português já que será essa a nacionalidade de Pequena Papaia, soasse bem lido por portugueses e por franceses. Não procuramos um nome que tenha "tradução" para francês, como João que passaria a ser Jean, mas sim um nome que possa ser lido nos dois países. A cereja no topo do bolo seria tratar-se de um nome que não só os franceses conseguissem ler, mas também um nome considerado comum aqui, mesmo que escrito de maneira diferente (ou seja, portuguesa).
Isto restringe obviamente o leque de opções. E caso fosse rapaz, eu estaria aqui furiosa pois o nosso nome preferido não encaixa de todo nestes pressupostos todos. Sendo menina, estamos completamente em branco e vamos atirando nomes para cima da mesa a ver se algum pega, enquanto um de nós torce, quase sempre, o nariz. Pequena Papaia é por isso carinhosamente tratada pelo fruto a que mais se assemelha nesse momento ou por "bebé", que é absolutamente original. Tenho para mim que o facto de achar tanta piada tratá-la por nomes de legumes e frutos está a fazer com que não tenha pressa nenhuma para encontrar um nome de gente, mas terei mesmo de o fazer mais tarde ou mais cedo, sob pena de registarmos esta bebé com o nome "Melancia" (e não é tão giro?).
Antes disso, ainda temos de tratar do problema dos apelidos, mas isto ficará para outro post.
24.6.15
Que giro (ou não)
Hoje é o primeiro dia de saldos e lá fui eu toda lampeira ver como andavam os descontos e ver se aproveitava alguma coisa para a pequena papaia. Já trouxe algumas coisas e ainda quero ver se volto lá com o Jack para decidirmos em conjunto se vale a pena aproveitar para comprar outras. O único ponto negativo é ver tanta gente a assobiar para o lado e a jogar o jogo "vamos ignorar a grávida". É que nem é apenas nas filas, pois mesmo a percorrer os corredores não há qualquer cuidado e empurra-se sem problemas. Chegam os saldos e a pouca boa educação que ainda restava desaparece.
23.6.15
A revelação! :D
Já ouvi várias vezes que este ano é o ano dos meninos e de facto, assim de repente, tenho uma amiga que vai ter um menino e duas primas do Jack que vão ter também meninos. Em relação a mim, as teorias eram mais do que muitas: a barriga redonda indicava uma menina, a cara sem alterações indicava um menino. O primeiro palpite do médico foi que seria provavelmente uma menina, mas na altura a pequena Papaia mexia-se muito e ele estava a ter alguma dificuldade em apanhá-la a jeito e fez questão de dizer que era apenas um palpite. Não nos apegámos por isso muito à ideia até porque o meu querido marido foi menina até ao parto e não queríamos assim fiar-nos em algo que nem o próprio médico tinha a certeza. O meu primeiro instinto quando fiquei grávida é que seria um menino e já se sabe, instinto de mãe nunca erra. A não ser o meu, que mais uma vez fez questão de me provar que nunca mas nunca posso confiar no meu instinto para nada. É verdade, é uma menina! :)
22.6.15
Mais uma ecografia
Fazer uma ecografia (principalmente para quem como eu não é seguida por um médico que tenha o seu próprio ecógrafo e por isso faça apenas habituais três ecografias durante a gravidez) é sem dúvida um momento emocionante. Hoje acordei como se fosse dia de Natal, acordando o Jack ao mesmo tempo que cantarolava "Vamos ver o nosso bebé hoje!". Não interessa se ainda tínhamos mil e uma coisas para fazer antes, se ia andar no Leroy Merlin a ver cabos de electricidade e afins (coisas fascinantes, portanto) porque o que importava é que hoje era dia de ecografia e nós íamos ver o nosso bebé. Não sei porquê, a verdade é que para esta ecografia fui bem menos nervosa do que para a ecografia do 1º trimestre. Mesmo tendo avisado o Jack ontem à noite que nesta ecografia se fariam várias medições que poderiam detectar vários problemas, a verdade é que estava mais em pulgas para ver as imagens do que apreensiva que algo estivesse errado. Se estivesse, teria de lidar com isso, como é óbvio, mas acho que estava tão contente que não havia espaço para pensamentos mais negros ou preocupantes. E vimos então a cabeça, os membros, as coluna, o coração e todas as traquitanas que é suposto um pequeno ser (agora promovido a papaia) ter com 5 meses a viver dentro de uma barriga. O médico, não sendo de grandes palavras, vai dizendo o que está a medir, o que nos ajuda a perceber melhor as imagens e a saber que está tudo dentro do normal. E eu, que tenho uma curiosidade doida por estas coisas, reprimi toda a minha vontade de lhe pedir que me explicasse tudo, que me voltasse a mostrar o coração (eu sei, eu sei, há grávidas que se babam por ver as mãozinhas dos bebés mas a minha imagem favorita hoje foi mesmo a do coração em grande-plano), que me dissesse onde estava cada orgão e o seu estado de formação. Oh, o que eu gosto do corpo humano e de saber tudo sobre o seu funcionamento. E acho que não parei de sorrir em toda a ecografia porque é realmente maravilhoso ver este pequeno alien que já sinto mexer dentro de mim. :)
19.6.15
E eu que até gosto de silêncio
Tenho os homens das obras a ouvir música indiana e uma adolescente cá em casa a ouvir sei-lá-que-tipo-de-música-é-aquele. Tudo isto acompanhado claro do alegre martelar das obras. Se não aparecer aqui nos próximos dias é porque a minha cabeça explodiu.
17.6.15
Ou então não percebo mesmo nada disto de educar uma criança
Ontem, a jantar num restaurante, não conseguia tirar os olhos da mesa que se encontrava a seguir à nossa. Bom, nem eu, nem quem também por ali jantava, nem sequer os próprios empregados do restaurante. Dois adultos e três crianças. Ou melhor, três terrores. Os mais velhos já com cerca de 9 ou 10 anos, falavam alto, levantavam-se e sentavam-se, enfim, faziam de tudo para chamar a atenção dos dois adultos que os acompanhavam. E eles bem tentavam dividir-se na atenção que lhes davam mas cada criança exigia ter ambos os adultos a olhar para si, o que era fisicamente impossível. De ementas nas mãos, gritavam os nomes dos pratos que queriam, depois gritavam o nome do prato escolhido, e as ementas em constante movimento entre as mãos deles e as dos adultos, no ar ou atiradas pela mesa. A terceira criança, no carrinho, chateada por não estar a ser também ela o centro das atenções, berrava "Mamã, mamã, mamã, mamã, mamã, mamã, mamã, mamã, mamã!" até esta se virar para ela para lhe dar atenção durante poucos segundos até os mais velhos voltarem a exigi-la para si. E a criança mais pequena tentava levantar-se do carrinho mas não conseguia por estar presa, e por isso insistia e insistia e eu só via o carrinho a inclinar-se para a frente e para trás e só pensava que mais tarde ou mais cedo ele virar-se-ia e o espectáculo não seria bonito. Ao mesmo tempo, as mãos agarravam-se à mesa, numa busca de apoio para as tentativas de levantar, e a mesa abanava e ameaçava também ela virar-se, não fossem os adultos fazer força para que esta se mantivesse no lugar. A determinada altura, a criança mais pequena lá conseguiu ter nas mãos as ementas que os mais velhas tinham tido, coisa que bastou para a manter sossegada durante 10 segundos antes de as atirar pelo ar, indo elas aterrar no chão, junto a outra mesa. E os empregados tentavam apressar as coisas, indicando que a cozinha fecharia dentro de 10 minutos, e os adultos sem conseguirem ver as próprias ementas porque os filhos tinham coisas para contar, já, ali, naquele preciso momento, os dois ao mesmo tempo, cada um mais alto que o outro, enquanto a criança mais pequena balouçava o carrinho e a mesa, exigindo atenção também para si. E os empregados rebolavam os olhos e resmungavam de exasperação enquanto atendiam os clientes das mesas mais próximas, e nós sem conseguirmos desviar os olhos de tudo aquilo, vendo ainda os dois adultos a tentar conversar entre si sem qualquer sucesso. E eu só pensava porque razão nenhum dos adultos dizia num tom que metesse respeito "Quero os três calados já e não quero ouvir nem mais um piu durante os próximos 10 minutos!". Era capaz de resultar, digo eu.
Terrível
Ainda antes da visita a Portugal, acabámos a série que andávamos a ver e ficámos um bocadinho perdidos a pensar no que ver a seguir. Enquanto não optávamos por uma nova série, decidimos entretermo-nos a ver alguns filmes que tínhamos no computador e um dos escolhidos por mim foi o "(500) Days of Summer". Não puxava muito a atenção do Jack, mas eu tinha ideia de ter lido, na altura em que saiu para as salas de cinema, que era bom, que valia a pena, que era maravilhoso, e com isto lá o convenci. Pois bem, tenho a ideia que ainda não estarei totalmente perdoada por ter insistido nesta ideia. O filme é tão mau, mas tão mau, mas tão mau, que tivemos de o ver aos bocados em dias diferentes. Aliás, vimos uma primeira parte num dia e depois andou o Jack atrás de mim a insistir que agora tínhamos de pelo menos ver o resto enquanto eu arranjava mil e uma desculpas para não voltar a ver nem mais um minuto que fosse. E o resto do filme continuou tão mau como tinha começado e acabou exactamente da mesma forma. Sinto-me enganada por todas as críticas que li sobre ele, a sério que sim. É que eu até gosto bastante dos dois actores (ela para mim será sempre a Zooey do "New Girl"e ele o puto do "Terceiro calhau a contar do sol"), mas a história é terrível, terrível, e eu quase que fiquei com vontade de os abanar por terem um feito um filme destes.
16.6.15
Eu não mereço
Hoje estava tão cansada e tão pedrada de sono que nem dei pelo Jack sair de casa. Estava tão cansada e tão pedrada de sono que nem dei pela chegada dos homens das obras aos apartamentos vizinhos. Estava tão cansada e tão pedrada de sono que eles trabalharam durante duas horas sem eu acordar. Mas nem o maior cansaço ou pedrada de sono me impediram de acordar com a chegada do vizinho, dono dos apartamentos, que imediatamente começou aos berros. O homem parece uma sirene dos bombeiros, caramba!
15.6.15
E assim se começa o dia
Um dia hás-de chegar ao carro e perceber que a senhora ao teu lado estacionou o carro demasiado encostado ao teu e hás-de espremer-te entre os dois carros para conseguir alcançar a tua porta e conseguir abri-la. Nessa altura, terás de te espremer para conseguir entrar no carro por uma porta que mal abre o suficiente para permitir a passagem a quem tu eras antes de transportar uma pequena beringela, quanto mais agora que te estás a transformar num globo terrestre com pernas. E um dia, quando finalmente já estarás a sentar-te e a fazer entrar a última perna no carro, hás-de dar um jeito estúpido com o pé e a sabrina há-de saltar-te e enfiar-se debaixo do carro vizinho. E tu passarás os minutos seguintes nas mais variadas posições, enfiada no estreito espaço entre dois carros estacionados, a tentar alcançar a sabrina idiota que obviamente por uma questão de um centímetro não está facilmente ao teu alcance. Hoje foi o dia.
Momentos da Gravidez #2
Aquele momento em que te apercebes que não, já não consegues passar em sítios mais apertados encolhendo a barriga porque esta...já não encolhe.
13.6.15
Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas
Uma pessoa começa a fazer uma lista de coisas que é preciso comprar, baseando-se em listas que vai vendo na internet, mas depara-se constantemente com coisas que a fazem pensar "A sério? Isto é mesmo preciso?". Deixo aqui uns exemplo e quem quiser dar uma ajudinha com opiniões, estas serão muito bem-vindas:
1. Almofada de amamentação.
Vale mesmo a pena ou é daquelas coisas que uma almofada normal e bem mais barata substitui sem problemas?
2. Espreguiçadeira.
É mesmo preciso ter logo quando o bebé nasce? Chega sequer a ser uma coisa fundamental? Ou é daqueles brinquedos giros que se compra e depois se chora o dinheiro?
3. Marsúpios/Slings:
Vale a pena comprar? E marsúpio? Ou sling?
4. Biberões:
Vale mesmo a pena ter um ou dois biberões em casa, caso a coisa dê para o torto e haja problemas com a amamentação? Ou compra-se depois?
5. Bomba de amamentação.
A esta então torço mesmo o nariz a comprar antes. E se eu não conseguir amamentar? O que é que eu faço com a bomba? Não vale a pena comprar apenas se for preciso mais tarde?
Botem lá aqui opiniões (quer tenham filhos quer não, porque há sempre conselhos que se ouvem de amigas, irmãs, primas, etc), se faz favor, sim? :)
12.6.15
Dormi uma horinha maravilhosa
Ando cansada. Não porque a gravidez já me pesa, não porque me sinto com menos energia, mas sim porque as minhas noites fantásticas de sono estão a ir-se embora. As preocupações do dia-a-dia estão novamente a atacar-me, o que me faz passar horas na cama a pensar e a repensar naquilo que não devo. O calor não ajuda e as alergias muito menos (ainda esta semana, numa das noites, tive 3 ataques de alergia entre a meia-noite e as 8h da manhã). E depois por alguma razão, tenho tido que acordar com despertador o que me faz levantar quando finalmente entrei em sono profundo. Hoje, como não tinha nenhum compromisso, decidi que não colocaria despertador e deixar-me-ia dormir até o corpo dizer "Já chega!". Imaginem pois o meu ar de felicidade quando às 8h30 da manhã as obras nos apartamento, que tinham estado paradas nas últimas semanas, voltaram em força. E é aqui que eu vejo o quão cansada me sinto: às 10h30, já depois de um banho tomado e um pequeno-almoço comido, o sono era tal que eu não estava a conseguir focar as coisas. E mesmo com os martelos em frenética actividade e os homens aos berros, decidi deitar-me um bocadinho e tentar adormecer. E consegui. Nunca mas nunca na vida fui capaz de dormir ao som de obras. Até hoje.
11.6.15
Ainda não nasceu e já não me ouve.
Este bebé ainda não nasceu e nos últimos tempos já descobri que mudaram duas leis que só nos vão dar mais trabalho burocrático. Alguém faz o favor de explicar à pequena beringela que pode parar já de tentar mudar o mundo? Em primeiro lugar porque não passa de uma pequena beringela e em segundo lugar porque se é para mudar as coisas, então que ao menos estas o beneficiem. Ouve, pequena beringela, quando pensámos em te ter falámos das noites em branco, das fraldas sujas e dos choros incompreensíveis, mas não falámos de nos atolares com papéis até aos olhos, sim? Por isso, ou acabas já com a brincadeira ou não tratamos de papéis nenhuns para ti.
(Mais) um acto de má fé
O processo da compra do celeiro (que será uma casa algures no futuro) foi longo, demasiado longo, muito devido a birras (comprar algo a um casal em processo de divórcio porque ela se meteu com o melhor amigo dele é complicado, aviso-vos) e muito devido à falta de profissionalismo de alguns dos intervenientes.
Num dos casos, a pessoa em questão meteu o pé na poça e para que a coisa se resolvesse e o processo avançasse era necessário contratar um serviço que obviamente a pessoa em questão foi adiando, primeiro dizendo que estava a tratar do assunto, depois dizendo não ser necessário, até admitir que sim, que era, mas esperando que fossemos nós a arcar com a contratação e consequentemente com a despesa. Bastou uma palavra minha num tom especial a meio de uma reunião (e a partir do Jack gosta de me ter em todas reuniões) para a pessoa ter percebido que obviamente teria de ser ela a contratar o serviço e que era melhor que fosse feito o mais rapidamente possível (ainda assim e só para perceberem toda a frustração que acompanhou esta compra, o serviço foi contratado praticamente um ano depois de decidirmos comprar a propriedade). Mantivémo-nos em contacto com o serviço contratado, sendo até muito claros no motivo pelo qual o fazíamos: não confiávamos na pessoa que tinha feito a encomenda e queríamos ter a certeza que tudo se passaria bem. E passou, e assinámos a compra da casa, e toda a gente feliz, até recebermos uma chamada da notária a dizer que tinha agora chegado às suas mãos uma factura em nosso nome do tal serviço contratado.
Hoje de manhã, houve uma reunião com a notária para lhe dizermos que estava fora de questão pagar um cêntimo que fosse daquela factura e dirigimo-nos pessoalmente e pela primeira vez aos escritórios do serviço contratado para perceber o que se tinha passado, E ficámos então a saber que a pessoa em questão, aquele mau profissional que se entreteve a meter o pé na poça durante um ano, contratou o serviço especificando que a factura deveria vir em nosso nome (e eles não estranharam uma vez ser habitual este tipo de acordo), nunca tendo, obviamente, esclarecido ao serviço que nós não sabíamos disto e nunca tendo, ainda mais obviamente, nos comunicado que no fundo a despesa seria nossa. Felizmente o serviço compreendeu a nossa posição e como muito concordámos todos: a encomenda e o contrato não tem a nossa assinatura, mas sim a assinatura da pessoa em questão, por isso sabem bem a quem dirigir a factura.
Mas com isto perdeu-se uma manhã, simplesmente porque um dos muitos idiotas chicos-espertos que habitam neste planeta teve aquilo que pensou ser um rasgo de inteligência e decidiu ter a lata de contratar um serviço e colocar a conta em nosso nome, como se nós nunca fossemos reparar. Oh, haja paciência para estas coisas. Agora estou aqui na dúvida se hei-de comprar um barco ou um cavalo e mandar colocar a conta em nome dele. Besta.
10.6.15
Não têm qualquer consideração pela grávida....
1. Durante uma conversa telefónica com o Jack que se encontrava preso no trânsito decidi contar-lhe as histórias dos últimos dois livros que li para o entreter. Comecei com "Bem, houve um crime...." e ouvi imediatamente do outro lado "Já reparaste que não há livro nenhum de que me fales que não meta desaparecimentos ou mortes? Depois queixas-te que tens pesadelos e não consegues dormir. E ler livros de princesas apaixonadas em que tudo corre bem, não queres?".
Eu leio romances, sim? Mas se houver ali algum drama e mistério pelo meio agradeço.
2. Durante a conversa via skype com os meus pais, comento "Olhem, já li o segundo livro e não gostei do final! Mas é mesmo gosto pessoal porque não gosto deste tipo de final.". Pergunta imediata do meu pai "Ah, deixa-me adivinhar: acabou com toda a gente feliz?".
O meu pai lê praticamente os mesmos livros que eu por isso não é a melhor pessoa para gozar com o meu gosto literário.
3. Os meus pais andam a ser comidos vivos por melgas por isso no meio de algumas soluções falei-lhes daquele tipo de velas que, dizem, ajuda a manter afastado este tipo de praga. A minha mãe torceu o nariz e disse que provavelmente libertariam cheiro, coisa que não lhe agradava. Expliquei que os meus sogros usavam e que nunca tinha sentido cheiro nenhum em particular. Nisto, olho para o Jack que sentado à minha frente apresentava um ar de imenso gozo. Perguntei-lhe em que pensava e ele replicou "Tu nunca sentes cheiro nenhum! Tens o olfacto estragado!", seguido imediatamente pela minha mãe "Ele tem razão e eu já estava a ir na tua conversa!".
Bom, aqui nada tenho a dizer em minha defesa. Eles têm razão mas escusavam de gozar comigo.
Vá, impliquem com a grávida, vá. Mexam-lhe com as hormonas e depois queixem-se.
9.6.15
Como irritar uma grávida
Uma gravidez vivida em França é diferente de uma gravidez vivida em Portugal, não apenas porque alguns procedimentos são diferentes mas também porque a nível administrativo as coisas parecem sempre muito complicadas (já vos contei o quanto os franceses adoram papéis?). Não ajuda também o facto de não fazer ideia de como as coisas se processam e por isso dificilmente consigo estar a par de tudo ou antecipar o próximo passo. Aqui admito que em Portugal era capaz de sentir a mesma coisa, visto ser a primeira gravidez e haver um comportamento generalizado por parte dos serviços de achar que uma pessoa já nasce ensinada e que sabe automaticamente o que tem de fazer e onde se dirigir. É então complicado saber cada passo que devemos dar se ninguém nos informar e acabamos por ficar sempre com a ideia que já devíamos ter tratado de alguma coisa, sentimento este que aumenta quando vivemos num país em que parece que há coisas que devíamos fazer ainda antes de descobrirmos que estamos grávidas (o que não deixa de ser irónico porque para muitas outras coisas parece que só estamos grávidas quando faltarem poucos dias para parir. Exemplo: nas urgências do hospital só sou vista por um obstetra a partir das 22 semanas; até lá sou vista por uma ginecologista). Aqui, só podemos declarar a gravidez à Segurança Social e a outros serviços após a ecografia das 12 semanas (cerca de 3 meses), o que implica que antes disso não sejamos consideradas grávidas para muita coisa. Pouco depois, tentei fazer a inscrição no hospital onde queria fazer o parto (atenção que esta inscrição é apenas para o parto e para 3 consultas pré-parto, mas não para passar a ser lá seguida) e já não havia vagas. Tive sorte e ainda consegui inscrever-me quando a lista foi actualizada. De seguida, era preciso marcar consulta para o 7º mês de gravidez (algures ali por Agosto) e para isso tive de ligar em Maio. Ah, mas que tolice, liguei a meio do mês e já não havia vaga para mim. Tinha de ligar logo no primeiro dia de Maio, antes que a agenda fiquei completa. Entretanto, no primeiro dia de Junho já consegui marcar a consulta do 8º mês (ufa) e aproveitei também para marcar a consulta com o anestesista, que terá também de ocorrer no 8º mês. A semana passada decidi inscrever-me nas aulas de preparação para o parto. Estou de 4 meses, achei que ainda tinha tempo. Errado. Fui logo chamada à atenção que para estas aulas deveria inscrever-me mal saiba que estou grávida. Ainda assim, acho (!!!) que consegui inscrever-me. Saberei quando lá aparecer para a primeira aula: ou me deixam entrar ou me barram a passagem. E é isto e eu começo a ficar um bocadinho farta de quando tento fazer as coisas parecer que estou sempre atrasada, mesmo quando até acho que as estou a fazer dentro do prazo. E não deixo de pensar que amanhã vou descobrir que tenho de marcar mais uma consulta (e tenho, dia 1 de Julho, tenho de marcar a consulta do 9º mês em Outubro) ou inscrever-me em mais não sei o quê, e que vou ter de ouvir "Ahhhh, mas olhe que para isso já devia ter ligado mal soube que estava grávida...." (e querem que eu saiba como????).
Mais um despachado
Depois de ler "O último minuto" de Sandra Brown, tinha de atacar "Tempo de Partir" de Jodi Picoult, já que eram as duas autoras que eu tinha trazido por as conhecer e não deixar escapar um livro que seja. Tenho de admitir que este livro não me fascinou à primeira e que andei a engonhar durante os primeiros dias, lendo poucas páginas de cada vez. Não acho que seja a história que não seja interessante, mas sim a maneira como é contada. Vai saltitando de personagem em personagem, com a visão de cada uma, e fala muito (demasiado?) de elefantes. Para quem gosta do mundo animal, como eu, não deixa de haver um certo interesse e curiosidade em ir lendo sobre isso, mas numa história que se quer dramática e policial, acho que se abusou um bocadinho. Ainda assim, a história vai prendendo quanto mais não seja porque a certa altura achei que estava a deslindar a maneira como acabaria e queria ver se tinha razão (e tinha). Por isso, ontem não descansei enquanto não acabei o livro, o que me fez estar acordada na cama até às 4h00 da manhã com a luz a ficar cada vez mais fraca (o meu candeeiro da mesinha de cabeceira trabalha com bateria recarregável com luz solar). Mas não gostei do final. Compreendo-o e acho que até é interessante para a história, mas eu não gosto deste tipo de finais e não abro excepção para este. E continuo a achar que há livros da Jodi Picoult mais interessantes do que os últimos que tenho lido dela. :)
8.6.15
Sua malandra, que se não ficas com o apelido do teu marido podes ser uma rameira que anda a dormir fora de casa.
Eu e o Jack optámos por abrir novas contas num outro banco. Ele fez a dele e mais tarde foi comigo para eu fazer a minha. Fui dando os meus dados, apresentando o cartão de cidadão e disse a minha morada. Pediram-me um comprovativo de morada e eu expliquei que não tinha, uma vez que todas contas de água, luz, etc, estão em nome do Jack, mas que não haveria problema pois éramos casados e vivíamos obviamente debaixo do mesmo tecto. Mas claro que tinha de haver problema e não imaginam a minha cara quando foi pedido ao Jack que passasse uma declaração em como afirmava que eu vivia com ele naquela morada, porque "huum, sabe, é que mesmo sendo casados, a verdade é que têm apelidos diferentes....".
Definitivamente, há um problema grave neste país para quem não adopta o apelido do marido.
7.6.15
Jack a lixar-me os posts.
No fim-de-semana passado o Jack foi ajudar uma prima a levar os móveis para a sua nova casa e aproveitou para trazer o armário que eu andava a namorar para guardar as coisas da pequena meloa. Na altura, preparei mentalmente um post dizendo que "As outras recebem flores dos maridos. Eu recebo um armário.".
No dia seguinte, ele apareceu em casa com uma rosa para mim.
Estragou-me o post, pah.
Vooooltei!
Bom, eu estive sempre por aqui mas o meu computador, esse sim, voltou do mundo dos quase-mortos pelas mãos do Jack (obrigaaaaaaadaaaaaaa) e espero que agora esteja pronto para não me dar arrelias nos próximos 20 anos, pelo menos. E assim, o blog volta a ter actividade, até porque tenho aqui uma série de posts na cabeça. :)
1.6.15
Livro lido e aprovado
Forças ocultas
A minha mãe sempre referiu o seu campo electromagnético que faz com que os aparelhos perto de si avariem. O mesmo acontece comigo. Já passei por alturas em que todos os telemóveis que comprava tinham de voltar à loja em menos de uma semana por avarias estranhas e inesperadas, e os computadores não duravam uns meses sem precisarem de ir à garantia. Este meu computador já dura há seis anos, um valente record, mas claro não sem estar a ter a falência de alguns orgãos. Eu vou contornando a questão, vou deixando de usar certas coisas, e lá nos vamos aguentando. Agora decidiu que quer mesmo dar o berro ou, pelo menos, que quer dar o berro nas minhas mãos. Depois de um sábado com ele a dar erro de dez em dez minutos no máximo, reiniciando-se sozinho, coloquei-o nas mãos do Jack. Durante mais de um dia nas mãos dele se deu erro 3 vezes foi muito, mas bastava eu tocar no computador para este dar erro e voltar a reiniciar-se. E não estamos a falar de qualquer tentativa da minha parte de abrir algum programa ou ficheiro. Estamos realmente a falar de tocar simplesmente no computador. Hoje será formatado para ver se acaba com a gracinha. E eu estou aqui há uma hora a tentar ver se tenho uma cópia feita de tudo o que me pertence e ele já deu erro cinco vezes. Quando o Jack chegar logo à noite e voltar a pegar-lhe o malandro é capaz de passar horas a funcionar perfeitamente. E sim, claro que deu erro enquanto eu escrevia este texto...
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