31.1.17

Não suporto

Ligam para o telefone fixo cá de casa, coisa que me surpreende sempre por saber que não demos este número a ninguém, embora saiba que a própria operadora vende os seus números e isso me chateie.
Atendo:
- Bom dia, estou a falar com a Senhora ABC?
- Não, enganou-se no número, lamento.
- Oh, a sério? Não é da casa da Senhora ABC?
- Não, não é, desculpe. Deve ter o número errado.
- Oh, que pena. Desculpe, importa-se de me dizer apenas qual é o departamento para o qual liguei?
- É o 77.
- Pois bem, estou a ligar-lhe para lhe dizer que vamos abrir uma nova loja XYZ e que estamos a fazer um concurso. Para isso, basta escolher....

E deixei de ouvir, vermelha de raiva. Que acção de marketing é esta? Fingirem que se enganaram no número para depois começarem com a conversa da publicidade? Isto funciona realmente com alguém? No meu caso, disse apenas "não estou interessada" e desliguei, depois de uns segundos em que ponderei dar-lhe uma descasca de todo o tamanho. Mas já tinha perdido demasiado tempo com quem não interessa. Estas coisas deixam-me doente.

28.1.17

É que eu nem sei como é que chegam a adormecer.

Mini-Tété passou agora uma semana terrível, a acordar a meio da noite. Na penúltima noite, a energia toda deu-lhe para estar acordada a conversar da 1h da manhã até às 5h, dando completamente cabo dos ricos paizinhos que só queriam dormir. E uma pessoa respira fundo, pensa que é uma fase, coitadinha, deve estar para nascer algum dente porque até anda a parecer um São Bernardo com tanta baba que produz, há que respirar fundo, tudo passa. E eis que esta noite, às 21h estava a dormir e só acordou às 6h45 (podia ser melhor e acordar ali entre as 8h e as 9h, como habitual, mas já foi bom, já foi bom). Eu? Dormi 1h30. Porque passei a noite toda em modo "estou quase a adormecer, ai não que ela está a acordar, olha afinal não, continua a dormir, vou dormir também, espera agora é que está a acordar....", tudo porque me custa horrores adormecer e ser acordada naqueles primeiros minutos de sono, por isso nem queria adormecer com medo que ela acordasse logo a seguir.
Definitivamente, não fui feita para ter um bebé que acorda de noite. E mando um abraço a todas as mães que passam meses a acordar de noite. Não sei como aguentam.

26.1.17

Como assustar um pai de família

O Jack não tem por hábito ligar-me durante o dia e quando o faz é porque alguma coisa se passa. Um dia destes, estava eu a dar o almoço à Mini-Tété quando o telefone começa a tocar. Vejo que é ele e atendo:
- Olá.
- Olá, tudo bem convosco?
- Sim, e contigo? O que é que se passa para me estares a ligar?
- Nada, era só para saber se estava tudo bem.
- Huuum....ok, então mas não se passa mesmo nada? Não costumas ligar.
- Pois eu sei, mas é que esta manhã dei-te um beijo e nem te mexeste. Dei outro à Mini-Tété e ela nem reagiu. Fiz-lhe uma festa e nada. Tive de lhe meter uma mão nas costas para que ela resmungasse. Bom, só queria ter a certeza que vocês tinham acordado....

Ahah, coitadinho. De facto nesse dia não me lembro de o ter visto sair da cama nem do quarto e Mini-Tété dormiu mais 3 horas que o habitual. Devíamos mesmo estar num sono profundo quando ele saiu. Pobre Jack, que se assustou. 

24.1.17

1 ano e 3 meses


Estou a adorar esta fase da Mini-Tété ou, para ser mais verdadeira, esta fase de nós as duas. Parece que estamos numa fase de equilíbrio e paz (e tudo na maternidade são fases, hei-de falar sobre isso num post) e que estamos as duas em sintonia. Gosto imenso de a ouvir dizer "mamã!" quando abro a porta do quarto ao perceber que ela acordou da sesta, gosto de estar ali na palhaçada com ela a tentar tirá-la da cama e ela a rebolar e a tapar-se, rindo-se a bandeiras despegadas para que não a tire de lá. Já não acho tanta piada que me chame de manhã com o seu típico queixume que às vezes me entra nos ouvido e me faz chegar ao final do dia com aquele barulho cravado no cérebro. Delicio-me a vê-la repetir-me os gestos à sua maneira como no outro dia em que pegou num guardanapo e se pôs a limpar os seus pratos de plástico, tal como eu faço quando estou a secar a louça com um pano. Ou quando limpa o pó com um bocado de algodão (não me seguem no facebook? Depois perdem estas coisas...). Adoro vê-la a "ler", agarrada a um livro e a palrar muito seriamente, não há um dia em que não tire todos os livros da estante e não queira que lhe leia histórias, passamos horas agarradas aos livros com ela a apontar para as coisas e eu a dizer-lhe o nome para que ela aprenda, gosto que venha atrás de mim (eu sei que há quem tema o momento em que eles começam a gatinhar, mas no meu caso a minha vida ficou tão mais facilitada em tanta coisa...), que brinquemos às escondidas, que já se entretenha sozinha durante momentos. Gosto quando me faz uma festinha (quando peço e nem sempre, raça da miúda, que mais facilmente distribui festinhas pelos quadros e armários cá de casa), quando lhe pego ao colo e ela pousa a cabeça no meu ombro (adooooooooro! Sou incapaz de ir fazer o que estava a pensar fazer no momento, fico simplesmente ali a apreciar o momento, o resto pode esperar) ou quando me agarra a mão e a coloca na cabeça para que lhe faça festas para adormecer. Continuo a apaixonar-me sempre que a vejo dormir, mesmo que agora tenha passado por uma fase em que acordava às 5h da manhã com a mesma energia com que acordaria ao meio-dia (fases, tudo são fases). Não acho assim tanta piada que queira comer a sopa sozinha porque na verdade quer apenas brincar com a colher e o resultado não é o melhor. Acho piada que chore muito mais quando não lhe posso pegar ao colo do que quando entala um dedo (coisa que já aconteceu por diversas vezes em gavetas e fica ali simplesmente a choramingar até que eu perceba porque razão é que ela não se mexe). Não digo que não chegue ao final do dia morta de cansaço (continuo a ter de cuidar de uma bebé de 1 ano e da casa, o que não é um trabalho fácil), não digo que muitas vezes a partir de uma certa hora já não comece a olhar para o relógio a ver quando é que o Jack chega a casa para que ele brinque com ela e eu possa tirar 5 minutos para mim numa divisão com a porta fechada, mas o facto de andar a tentar dormir mais dá-me tão mais paciência. Já não me lembro do último dia em que senti desespero com a Mini-Tété (que os houve, hei-de falar disso no tal post das fases) e isso faz-me sentir bem e em paz. Estou mesmo a gostar desta fase. Espero que dure.

Coisas que não suporto que me digam

Não sabes a sorte que tens!

Tu não sabes o que é....

Não sabes a sorte que tens por teres uma filha que dorme toda a noite. Não sabes a sorte que tens por teres uma filha que come a sopa toda. Não sabes a sorte que tens por teres uma filha que não grita o tempo todo. Não sabes a sorte que tens por ela não fazer birras no supermercado. Não sabes a sorte que tens por ela gostar de chupeta. Não sabes a sorte que tens por ela beber o leite todo. Não sabes a sorte que tens por ela se entreter sozinha.  Não sabes a sorte que tens, não sabes, não sabes e não sabes. Mas....eu sei! Eu sei a sorte que tenho em ter a filha que tenho, com o feitio que tem. Eu não sou ceguinha, sei ver as coisas, sei ver que tenho muita sorte em muita coisa. Não sou estúpida e sei admitir e agradecer a sorte que tenho. Mesmo se nalguns pontos destes em que fui "bafejada" pela sorte haja também um grande trabalho por trás. Ou pensam que se ela dorme a noite toda os pais nada fizeram para isso, se come a sopa toda os pais em nada contribuíram para isso, se se entretém sozinha a mãe não a orientou nesse sentido, se não faz birras a mãe não faz um valente jogo de cintura e tempo para que isso não aconteça? Não me importo que me digam "Tens sorte" porque a verdade é que mesmo com todo o trabalho que eu e o Jack fazemos, a verdade é que temos sorte com o feitio da Mini-Tété. Mas não me digam que não sei a sorte que tenho.

Tu não sabes o que é um bebé que acorda durante a noite. Pois não, por isso digam à Mini-Tété que aquilo que fez esta noite (acordar às 2h30 da noite e adormecer às 5h) na verdade não aconteceu. Tu não sabes o que é um bebé que não come. Pois não, por isso é que ontem Mini-Tété comeu metade da sopa e recusou-se a comer o segundo prato e a fruta (e não comeu porque não insisti), por isso é que não me lembro dos biberões todos que deixou meio-cheios ou todas as vezes em que comeu apenas a fruta e nada de sopa, só para não sair de casa de estômago vazio. Tu não sabes o que é um bebé que chora durante as viagens e por isso é que podes continuar a levar a Mini-Tété de costas para a estrada. Pois não, por isso que não passo viagens inteiras a cantar para que ela não chore, por isso que é não sei o que é ter uma filha que odeia estar parada no carro e desata a chorar sempre que paramos num semáforo ou num stop desde que nasceu, por isso é que não sei o que é estacionar o carro e começar logo a ouvir soluços se demoro mais de 30 segundos a tirá-la do carro. Tu não sabes o que é um bebé fazer fita para tudo, até para se vestir. Pois não, por isso é que não tenho uma filha que desde o nascimento que odeia vestir mangas ao ponto de quando era recém-nascida termos de a vestir com o barulho do secador a funcionar para que ela não entrasse em stress. Não sabes, tu não sabes, tu não sabes. Só que...sei. O que acontece é que em muitas dessas coisas que "supostamente não sei" consegui arranjar solução, consegui contornar, consegui adaptar o meu comportamento e o dela. Eu sei o que é ter uma filha que faz birra sempre que tem de vestir o casaco (mangas, lembram-se?), mas também sei que se lhe puser dois casacos à frente e lhe perguntar qual é que ela quer e a deixar escolher (sempre o mesmo invariavelmente), ela veste-o sem grandes problemas. Só que quem me vê a fazer isto, não vê a birra que evitei e solta logo um "Realmente tu não sabes o que são birras para vestir...". Mas sei. Sei isto e sei muito mais coisas, mesmo que não vejam.

Mini-Tété a lixar-me as sopas

Mini-Tété come optimamente a sopa, não há nada a dizer, é um sossego e sempre a aviar, a não ser quando não quer e aí não insisto. Mas tenho a sensação que acabo muito por andar à volta dos mesmos sabores porque a pequena faz reacção ao alho francês, aos espinafres, ao alho e mais uma ou duas coisas que agora nem me lembro, e se lhe coloco um pouco de cenoura, abóbora ou batata-doce na sopa, começa a ficar com o nariz cor-de-laranja (sai à mãe que na adolescência começou a ficar cor-de-laranja devido às cenouras que comia). Por isso, as sopas dela são sempre verdes e lá vou variando entre a sopa de feijão-verde, de bróculos, de alface, de couve, de ervilhas....Ainda bem que ela não enjoa.

20.1.17

Então e os teus novos vizinhos de cima, Tété, como são?

Simpáticos. E umas bestas selvagens. Mas simpáticos. 

Dizem boa-noite e bom dia, pedem desculpa quando reclamamos por ser tardíssimo e a música estar tão alta que se ouve ao fundo da rua, baixam a música e perguntam se assim continua a incomodar, falam educadamente e pausadamente. 

Mas depois têm sempre a música ligada durante o dia (não num volume que valha a pena chamar a polícia, é simplesmente um barulho irritante constante como se andassem de salto alto ou a arrastar cadeiras: irrita, incomoda, tira qualidade de vida mas não é caso de polícia), põem música a fundo todas as noites (que baixam quando lá vamos reclamar, mas parece-nos que brevemente teremos de pôr a polícia ao barulho porque já reclamámos 3 vezes e isso não os impede de fazer o mesmo na noite seguinte), fumam ganzas e não têm qualquer noção da realidade. Ontem, há 1h da manhã puseram-se a uivar. Têm vozes forte e graves que inicialmente me fazia parecer que usavam megafones, batem com as portas do prédio e do apartamento com uma violência tal que estou a ver quando é que a uma delas se parte e descem as escadas como se estivessem a cavalgar.

É isso, mais uma vez temos azar com os vizinhos. Desta vez calharam-nos umas simpáticas bestas selvagens.

18.1.17

Aconselho tanto


No dia a seguir ao Natal decidimos ir novamente ao cinema (para aproveitar o preço dos bilhetes em Portugal e os avós que podem ficar com a neta) e escolhemos ir ver o filme "Beleza Colateral". Eu tinha visto o trailer, parecia-me quase uma adaptação do Conto de Natal, em que os três fantasmas do Passado, Presente e Futuro eram substituídos pela Morte, Amor e Tempo. Achei que seria um filme levezinho, talvez até cómico, bom para a época natalícia. E é verdade que o filme é leve no sentido de ser uma história simples e há ali bons actores a quem são dados papéis fáceis e pouco dignos de óscares (até achei a Keira Knightley assim meio fraquinha e perdida, eu que gosto tanto dela), contudo tem uma carga emocional pesada, sobretudo para quem foi pai/mãe há pouco mais de um ano e ainda aqui tem as hormonas todas baralhadas. E eu que não choro em público fiz a triste figura de estar ali a pestanejar feita doida e a limpar umas lágrimas teimosas, enquanto ouvia metade da sala a fungar. O próprio Jack que não chora (mesmo, em 12 anos de relacionamento nunca chorou) admitiu que teve de engolir em seco a certa altura (curiosamente, não nos emocionámos no mesmo momento do filme). Adorei o filme, fizemos toda a viagem até casa a falar sobre ele e como nos tinha feito sentir, e para mim isto é sempre sinal que é um filme que valeu a pena ser visto.

Isto só vai durar até à primeira birra. Depois passam a vê-la como uma criança normal.

A semana passada, no hipermercado, chego à caixa onde está uma funcionária de cara fechada (fora uma ou outra excepção, estão sempre). Começo a colocar as coisas no tapete e quando ela olha para nós faz o maior dos sorrisos e diz "Olha a minha amiga!". Instintivamente, olhei para trás porque era óbvio que aquilo não era para mim, já fui atendida por ela dezenas de vezes e nem um sorriso amarelo faz quando a cumprimento. Mas não havia mais ninguém na fila a não ser eu e a Mini-Tété, sentada no carrinho e a olhar seriamente para a funcionária. Nem vos digo o meu ar quando percebi que era para a Mini-Tété que ela falava, tentando com todas as suas forças que esta lhe fizesse um sorriso de volta. Acho que a minha boca aberta de espanto e o facto de ter parado de colocar as compras no tapete lhe devem ter chamado a atenção e contou-me empolgadíssima:

- A sua bebé é a bebé mais famosa deste sítio, sabia? Ainda no outro dia ouvi uma colega dizer "Não, não, ela a ti não faz sorrisos, é a mim!" (sim, é verdade, já vi funcionárias quase a entrar em duelo para chamar a atenção da Mini-Tété que se mantém impávida e serena perante todos os esforços) e pensei logo "Pronto, chegou aquela bebé bonita e séria!". Já sabemos todas quando chega à caixa, mesmo sem ser preciso vê-la! Querem todas que ela sorria! É verdadeiramente bela. Uma pessoa até pára de trabalhar (confirmo também, já aconteceu para desespero de quem está atrás de mim na fila) só para a tentar fazer sorrir. É que é ainda mais linda quando sorri!".

E como Mini-Tété está a começar a quebrar o gelo e a começar a relacionar-se com quem não está frequentemente, lá se digna de vez em quando a fazer um mini-micro-sorriso para algumas funcionárias. Poupo-vos à descrição da excitação que isto provoca, com direito a funcionárias de outras caixas a levantarem-se para ver se ainda a apanham sorridente. 

Hoje fui atendida por uma funcionária nova por isso achei que escaparia a tais cenas. Erro, enquanto arrumava as compras lá estava ela a tentar fazê-la sorrir, a perguntar se alguma vez sorri, se é sempre assim séria, e a comentar como se porta ela bem, que sossego, mal se mexe, só pisca os olhos, que bonita, etc, etc. 

E embora me faça muito bem ao ego ouvir dizer que tenho uma filha linda (já cheguei a ser interrompida nas minhas compras por outros clientes para me dizerem simplesmente isto), a verdade é que eu sou o tipo de pessoa que não vai a supermercados pequenos porque não gosto que os funcionários me conheçam, que façam comentários como "Já não a vejo há alguns dias, está tudo bem?" (o que já aconteceu), prefiro grandes superfícies e ser atendida anonimamente. Foi isto que aconteceu durante 3 anos naquele hipermercado, onde ninguém sabia quem eu era e não ligava minimamente para que caixa é que eu ia (agora, já aconteceu chamarem-me para as caixas delas para poderem ver a Mini-Tété e tentarem que sorria), despachava o pagamento das compras em 5 minutos e ia à minha vida. Mas o Karma é lixado e mandou-me a Mini-Tété, a bebé que não sorri e que atrai todas as atenções das funcionárias das caixas de um hipermercado.

(Estou convencida que as funcionárias já fazem apostas para ver quem arranca primeiro um grande sorriso à Mini-Tété. E eu acho que deveria receber metade do prémio.)

15.1.17

Mini-Tété, a tagarela

Há uns dias, virei-me para a Mini-Tété e disse-lhe "Vai escolher uma história que a mamã lê para ti" achando que ela olharia para mim como se eu tivesse dito "Temos um elefante cor-de-rosa a voar na sala". Podem portanto imaginar o meu espanto quando a vejo virar costas, atravessar a sala arrastando-se de rabo, escolher um livro e vir ter comigo. O meu queixo não caiu por pouco. Nunca lhe tinha dado esta indicação ou semelhante, e as indicações que ela cumpre assumi sempre que era por já me ter visto fazer aquilo que lhe pedia, ou seja, limitava-se a copiar um comportamento. Percebi então naquele dia que a compreensão da Mini-Tété está muito mais à frente do que aquilo que eu pensava. Seguindo a mesma linha, achei que se calhar também estaria errada ao pensar que ela ainda não fala muito e decidi fazer uma lista das palavras que ela diz intencionalmente (à sua maneira e que nós pais compreendemos, sendo que nalguns casos outras pessoas também entendem). E tenho a dizer que aos 15 meses Mini-Tété tem uma bela lista de palavras, muito maior do que pensávamos:

- óuá (olá)
- Mãmã (mamã)
- Pápá (papá)
- Bóbó (vovó)
- Bôbô (vovô)
- Tê (tio)
- Pão ou pã
- Não ou nã ou nanananana
- Cão
- Popó (hipopótamo)
- Pópó (carro)
- Tatau ou Tau (Natal)
- Uz (luz)
- Ush (urso)
- Cau (calças)
- Ô (ovo)
- Papa (sapato)
- Pá (sapo)
- Pa (pato)
- Iz (Nariz)
- Êlha (orelha)
- Mão ou mã
- Pe (pé)
- Mãe (meia)
- Tótó (enquanto bate com o indicador na testa)
- Cácá (macaco)
- Xau
- Cá (Avô Carlos)
- ó-ó (de dormir)
- Já tá (já está)
- Tá quá (está quase)
- Pén (pente)
- Aaaaa (em surdina, água)
- xixi
- cócó
- Is (isto)
- Ã, ã, ã (ão, ão, ão; resposta à pergunta como faz o cão)
- Buuuuuuuu (Muuuuu; resposta à pergunta como faz a vaca)
- Cá, cá (quá, quá; resposta à pergunta como faz o pato)
- Ez (outra vez)

Quarenta palavras que me lembro assim de repente, sem contar com todo o palrar que a acompanha. Segundo as tabelas de Sheridan, aos 18 meses Mini-Tété deverá dizer pelo menos 6 palavras que os mais próximos percebam. Acho que neste ponto podemos estar descansados (vai ser uma tagarela, não vai?).

Nota: faltou "ôsh" (arroz) e "qué" (quero).

13.1.17

Dica 8# - Alimentação

A alimentação de bebés é assunto que dá pano para mangas e façamos o que fizermos haverá sempre alguém que vai achar que estamos a fazer algo errado porque essa pessoa fez/faz/faria de forma diferente. Pessoalmente, aconselho os pais a informarem-se e a gerirem a alimentação dos seus filhos conforme aquilo com que se sentem mais à vontade e adaptando-se aos filhos e às situações. Por aqui, introduzimos as sopas, papas e frutas  com 5 meses, embora a ideia inicial fosse introduzir apenas aos 6 meses. Mas como nessa altura estaríamos de viagem, Mini-Tété estaria pela primeira vez em Portugal, fora do seu ambiente, fora das suas rotinas, decidimos com a aprovação da médica adiantar um mês a introdução. E Mini-Tété é uma bebé que come bem, não há como negar. E acreditando que grande parte deste comportamento faz parte do seu feitio, acho também que nós pais temos influência na forma como os nosso filhos comem. Não acho que todos os bebés sejam iguais e como tal não acredito de todo que haja uma única fórmula que funcione, mas deixo aqui a nossa fórmula (também a pedido de amigas que me aconselharam a escrever todos os meus truques num caderno para depois lhes passar; assim fica aqui o registo):

- Pouco stress. Vejo frequentemente pais ansiosos com a primeira sopa/papa do bebé e a ficarem desiludidos quando este rejeita a colher, convencendo-se que ele não gostou da sopinha feita com tanto carinho pela mãe. É normal que um bebé que sempre mamou, que nunca teve uma colher na boca, estranhe aquele objecto e nem sequer saiba para que funciona. Além do mais, há ainda o reflexo de extrusão que basicamente consiste em expulsar para fora da boca alimentos ou objectos de forma a que o bebé não se engasgue ou sufoque. Este reflexo só passa por volta dos 4-6 meses, pelo que é também natural que ao tentar introduzir a colher na boca de um bebé que ainda tenha este reflexo, o vejamos a empurrar a colher com a língua. É um reflexo, não significa que ele não goste da sopa. Mais vale assumir que a primeira sopa/papa não vai correr bem para não stressar nem os pais nem o  bebé. Também me lembro que as primeira sopas e papas na presença dos avós (já comia ela há 1 mês) corriam pior, talvez pela agitação a toda a sua volta, e que uma vez chegámos a sentarmo-nos no chão num canto da sala, junto a uma janela a dar-lhe de comer, afastando-a assim da confusão. Poucos estímulos porque comer já é um grande estímulo ao início. 

- Dar tempo. Mini-Tété não foi excepção à regra e obviamente não comeu nada da sua primeira sopa. Assumi por isso uma atitude anti-stress e decidi que lhe daria uma semana para perceber o que era a colher, caso não percebesse, nessa altura tomaria outras atitudes. E assim foi, uma semana em que não comeu praticamente sopa nenhuma, em que passou de rejeitar a colher para tentar mamar nela com um ar muito desconfiado, e por fim perceber como é que aquilo funcionava. Todos os dias lhe dava um bocadinho de sopa, ao fim de umas quantas tentativas parava e mais tarde dava-lhe um biberão (não logo para não os habituar a recusar a sopa de forma a passarem logo para o leite, tão mais fácil de beber), sem permitir que ela chegasse a um ponto de saturação e irritação com a colher. A quantidade de sopa ingerida todos os dias foi aumentando e quando achei que só esta já a alimentava, deixei de complementar a refeição com o biberão (cuja quantidade de leite eu também já ia diminuindo). Também experimentámos várias colheres e aquela com que nos demos melhor foi uma da Avent, por ser menos larga e menos grossa que as outras, entrando assim melhor na boca dela. Mas há bebés que preferem colheres mais moles, de silicone, por isso é uma questão de experimentar.

- O reflexo de gag. Oh, este reflexo horroroso que salva a vida dos nossos bebés mas que a nós nos deixa com o coração nas mãos. Basicamente, é um reflexo como se estivessem quase a vomitar, a puxar o vómito, mas que no fundo lhes permite puxar para a frente da língua alimentos ou objectos que foram para trás, e que precisam de ser expulsos ou melhor mastigados. Aqui tenho de ser sincera e odiei terminantemente ver a Mini-Tété a ter este reflexo, o coração parava-me cada vez que a via fazer aquilo, um bocado na dúvida se ela se desembaraçaria sozinha ou se estaria mesmo a sufocar. Houve dias em que eu só queria que ela crescesse e comesse como gente grande para eu poder acalmar o meu coração. Imagino que para quem não saiba o que isto é, o susto seja ainda maior, por isso fica a dica.

- Não insistir. Aqui segui as palavras sábias do pediatra Mário Cordeiro que diz basicamente que nenhuma criança saudável recusará comida se tiver fome. Bom, isso e o meu pouco feitio para refeições intermináveis e repletas de choro. Como disse em cima, Mini-Tété come bem mas desengane-se que pense que não chegou a acontecer sentá-la na cadeira, colocar-lhe a colher à frente da boca e ela recusar-se simplesmente a comer. Uma tentativa, nada, duas tentativas, nada, três tentativas, acabou-se. Recusei-me sempre a insistir que ela comesse até que ela chorasse (e chorasse eu com os nervos). Não quer comer? Não tem fome. Coloco-a no chão, brinca um bocado e passado meia-hora ou uma hora, volto a tentar. E geralmente (para não dizer sempre porque não tenho a certeza) a sopa é toda comida.

- Zero distracções. Mini-Tété nunca comeu a ver televisão (bom, ajuda o facto de no 1° ano de vida não ter visto televisão de todo), nunca houve cantorias e palhaçadas para ela comer. Assumo aqui que a culpa é minha: não tenho feitio para andar a fazer macacadas para ela comer. Se tem fome, come. Se não tem fome, espera-se que tenha. Aqui foi efectivamente uma daquelas coisas em que a bebé se moldou ao carácter da mãe e, aqui entre nós, ainda bem. Facilita-nos muito a tarefa, não há birras à hora da refeição, não temos de andar com iPads atrás de nós para a distrair para comer, etc. Também ajuda o facto de cá em casa haver a regra de "nada de tecnologias à hora da refeição". Seria portanto um contra-senso os pais não usarem telemóveis nem televisão à hora do jantar, mas a bebé ter direito a qualquer uma destas coisas.

- Zero alternativas. Optámos por não oferecer nada à Mini-Tété como alternativa quando ela não quer comer a sopa. Se não tem fome para comer sopa, também não terá para outras que ela por ventura até comeria por gulodice. Assim, não há birras do estilo "Nããããooo quero sopa, quero antes um prato de papa/um gelado/um mil-folhas/uma bola de berlim". Mini-Tété não sabe o que é haver uma alternativa à sopa por isso não a pode exigir. Em horários apertados em que era preciso mesmo que ela tivesse alguma coisa no estômago pois não haveria possibilidade de a alimentar na hora a seguir por exemplo, abríamos a excepção à fruta que ela tanto adora e era dada esta em detrimento da sopa. Ainda assim, muitas vezes era feito o jogo de "uma colher de fruta/uma colher de sopa". Agora mais crescida, já aconteceu abanar a cabeça quando vem a colher de sopa porque quer a fruta ou quer um bocado de pão ou queijo que entretanto viu em cima da mesa, mas também a habituámos a "Comes uma(s) colher(es) de sopa primeiro e a mamã já te dá um bocadinho de pão/queijo/fruta/arroz/etc", até a sopa estar toda comida. No fundo, a sopa é a refeição e é a isso que ela está habituada.

 - Não insistir novamente. Quando finalmente percebem como funciona a colher, há que não cair na tentação de os querer obrigar a rapar o prato. O apetite não é sempre o mesmo e para quê estragar uma refeição que correu tão bem com umas últimas colheres alagadas em choro e recusa? Se comeu menos ao almoço, há-de lanchar melhor. E se comeu menos um dia inteiro, comerá melhor no dia seguinte se não estiver doente. Uma refeição ou um dia de pouca comida não é motivo de stress se eles aparentarem estar bem. Até porque eles passam por picos de crescimento e de desenvolvimento em que comem mais e comem menos.

- Nada de doces. Um dos nossos objectivos para o primeiro ano de vida da Mini-Tété é que esta não tivesse contacto com bolos, chocolates e afins. Obviamente que foi uma decisão difícil de manter pois nem toda a gente compreende e aceita, mas levámo-la a cabo, conscientes de que seria o melhor para ela e para nós. Atenção que Mini-Tété comeu papas (não aprecia, gosta mais de iogurte natural sem açúcar com fruta ao lanche) e de vez em quando rói uns biscoitos para bebé, ou seja, não tem uma alimentação completamente isenta de açúcar. Mas achámos que com tantos sabores para conhecer, não havia necessidade de introduzir tão cedo os sabores doces de bolos, croissants, chocolates, etc. Além do mais o açúcar e o chocolate não deixam de ser estimulantes (da mesma que não lhe damos café também não faz sentido dar isto). Assim mais uma vez evitou-se birras por querer um croissant em vez da fruta ou coisas semelhantes. Com 1 ano e 2 meses chegámos ao ponto de lhe poder passar para as mãos um quadradinho de chocolate para ela nos dar à boca, pois ela sabe que não é para ela.

No Natal, o marido de uma amiga perguntava-nos se a Mini-Tété gostava de qualquer coisa que já não me lembro (seria sumo?), respondemos que não sem nos alongarmos muito mais. E a minha amiga que já nos conhece de ginjeira acrescentou "Na verdade, eles não sabem se ela gosta porque nunca lhe deram a experimentar, não é?". É, é isso, eu não sei sei Mini-Tété gosta de café, de chocolate, de pão-de-ló, de bolas de berlim, de gelados, de batatas fritas, de mousse, de farturas, de algodão doce, de ice tea, de sumos, de cachorros quentes, etc, porque ela nunca comeu. Mas sei que adora fruta cozida, que quase cai da cadeira à hora do lanche com o iogurte misturado com fruta, que adora pão, que delira com queijo, que come as sopas todas que lhe dou sejam elas do que forem, que gosta muito de arroz, que até come massa mas não engraça com a batata cozida. Mas aceitamos tanto que esta é a nossa maneira de fazer as coisas e que a maior parte dos casais que conhecemos não o faz, que geralmente preferimos não estar com grandes explicações sobre a razão pela qual supostamente a Mini-Tété "não gosta" de certas coisas.

E são estas as minhas dicas. Repito que não acho que sejam uma fórmula que funcione para todos os bebés pois baseiam-se na minha realidade, na bebé que temos e no tipo de pais que somos. Acredito que haja pais que possam ler e pensar que nunca na vida isto funcionaria com os seus bebés (ainda assim convido a tentar, eu própria aplico coisas às rotinas da Mini-Tété que vi serem usadas em bebés completamente diferentes dela) e outros que se identificarão com esta maneira de fazer as coisas. Também não acho que tudo o fazemos é correcto e que qualquer coisa que fuja a estas minhas dicas seja errado, muito pelo contrário. Afinal, a alimentação dos bebés é um mundo.



12.1.17

Chegámos à fase do "não" (não era mais tarde?)

- Mini-Tété, vamos dormir?
- Não.
- Vamos comer a sopa?
- Não.
- Adoras fruta, vamos comer um bocadinho?
- Não.
- Anda, vamos mudar a fralda.
- Não.
- É hora do banho, vamos?
- Não.
- Queres um abracinho?
- Não.
- Queres um beijinho?
- Não.
- Queres que a mamã te pegue ao colo?
- Não.
- Queres que te leia uma história?
- Não.
- Queres brincar com a mamã?
- Não.
- Queres ajudar a mamã a fazer uma coisa?
- Não.
- Gostas da mamã?
- Não.
- Estás bem? 
- Não.
- Passa-se alguma coisa?
- Não.
- Queres um biscoito?
- N....

E pronto, só com os biscoitos é que hesita, porque fora isso não há pergunta que seja feita que não receba um "não" como resposta. Felizmente, muitas vezes diz que "não" enquanto abre a boca para a colher de sopa, ou enquanto me estende o livro para lhe ler a história, ou os braços para que lhe pegue. Outras vezes diz "não" como quem encolhe os ombros e vai às sua vida. E eu vou gerindo a situação, fazendo aquilo que é realmente uma necessidade, sem grandes birras nem contrariedades. 

Três pontos a menos para a TAP

É verdade que a TAP tem vindo a perder qualidades e a olhos vistos. Não bastava as greves longas que amiúde se lembram de fazer como nas últimas viagens desceu ainda mais na minha consideração:

1. Nesta nossa última viagem de regresso, depois de um Natal bem passado em família, a Mini-Tété foi transportada de carrinho até à porta do avião como sempre. O carrinho é ali deixado, sendo depois levado por alguém até ao porão do avião e, à chegada, é entregue nos tapetes de "Bagagem fora do formato". E se é verdade que as malas sofrem com estas andanças, os carrinhos de bebé não o sofrem menos e dá dó vê-los a desembocar no tapete, sujos e mal pousados. Nesta última vez, mal vi o carrinho à distância no tapete percebi que algo de errado se passava. Aproximei-me e confirmei o pior: estava partido (mas bem partido, só estando seguro pelos cabos que atravessam aquela peça de metal em particular). Dirigimo-nos à zona de reclamação onde foi constatado que o carrinho estava inutilizável, foi aberto um processo e mandaram-nos à nossa vida. Sorte a nossa ter sido o carrinho a partir e não o ovo, porque neste caso queria ver como teríamos nós saído de carro do aeroporto. Já em casa apresentámos queixa directamente à TAP uma vez que é ela a responsável por qualquer dano que uma bagagem registada sofra quando está ao seu cuidado. Já se passaram 15 dias e notícias nada. Depois de respostas como "o departamento responsável responderá com a maior brevidade possível", consegui falar com alguém que me informou do tempo legal que têm para responder (informação que eu já sabia: 28 dias úteis), sem adiantar muito mais. Acho incrível que a TAP não consiga perceber a diferença entre tratar de um processo de uma mala partida, que pode só vir a ser precisa daí a uns meses, e de um carrinho de bebé que obviamente é necessário agora e já enquanto o bebé...é bebé. Desilude-me saber que estão simplesmente a tratar do assunto dentro do tempo legal não tendo em consideração o cariz urgente da situação. São estes gestos que fazem uma empresa e este deixa muito a desejar. E chateia-me profundamente não poder fazer certas coisas para as quais preciso de transportar Mini-Tété longas distâncias ou até dar simplesmente pequenos passeios com ela, simplesmente porque há quem se esteja marimbando uma vez que a sua vidinha em nada é alterada com isto.

2. O site não é claro quanto àquilo a que temos direito a levar connosco ao viajarmos com um bebé. É complicado perceber se podemos levar o ovo e o carrinho, se podemos levar ambos mas só se o ovo encaixar no carrinho, se só podemos levar um deles, se o ovo é considerado como bagagem de porão ou se é um extra como o carrinho, enfim, não se percebe. E colocando (várias vezes) a pergunta à TAP a resposta também não é clara. Já no check-in há funcionários que aceitam sem dizer uma palavra, outros levantam problemas, chamam os responsáveis por serem demasiadas peças, nalguns o ovo vai para o porão juntamente com as malas, noutros é preciso ir entregá-lo a outro sítio. Enfim, não deixa de ser um stress pois efectivamente nunca sabemos se um dia simplesmente não aceitarão uma das coisas (se bem que o ovo deixará de ir connosco brevemente e depois seria preciso muita conversa para me convencer que estaria errada ao levar o ovo e o carrinho a partir do momento em que eles próprios não me conseguem informar devidamente)

3. A tarifa discount deixou de ter bagagem de porão incluída. Obviamente esta mudança nas tarifas é um direito que têm mas não deixa de ser uma vantagem que a TAP tinha em relação a outras companhias (bilhetes ao mesmo preço ou mais baratos, com bagagem incluída). Para além de que quem passou os últimos anos a comprar bilhetes na TAP pode cair no engano e não se aperceber que a mala não está incluída.

Quem aqui já leu os meus acessos de raiva contra a TAP sabe que há muito que deixei de viajar nela por ser uma companhia portuguesa para simplesmente passar a viajar nela quando as condições propostas eram melhores que as de outras companhias. A continuar a assim, cheira-me que viajarei cada vez menos com ela.

11.1.17

Obrigadinha, Karma!

Na viagem para Portugal, sentou-se à nossa frente um casal de meia-idade. Já na manga para o avião, enquanto tirávamos a Mini-Tété adormecida no carrinho eu tinha ouvido o homem a reclamar que era inadmissível estar assim à espera para embarcar, que raio de companhia era a TAP, que era uma falta de respeito. O rol de queixas continuou durante todo o voo, ou seja, durante duas horas e meia. Então quando a pessoa à frente da senhora se lembrou de reclinar a cadeira para poder dormir, parecia que alguém lhes tinha mandado o prato de sopa para cima. É verdade que os lugares de avião não primam por serem espaçosos e que quando a pessoa à nossa frente reclina a cadeira, o espaço fica ainda mais reduzido. A mim deixam-me fula aquelas pessoas que simplesmente reclinam sem sequer se darem ao trabalho de ver se por acaso temos o tabuleiro aberto, se não estamos agachadas a tirar qualquer coisa da carteira, ou no mínimo, sem reclinar devagar de forma a que a pessoa atrás perceba o gesto e se prepare. Mas este casal fazia questão que todo o avião ouvisse a sua indignação e para além de terem dito à pessoa que se queria dormir mais valia ter ficado em casa, que os aviões servem para viajar e não para dormir, que para isso comprasse bilhetes de primeira classe onde o espaço é maior, entre tantas outras coisas dita, ficámos ainda com a triste impressão que havia ali também um traço de racismo visto a visada ser uma senhora negra. E o casal continuava furibundo, ele a falar bem alto, ela irritada porque queria ler e quase não tinha espaço para o livro. E insistia em alto e bom som que também ela poderia inclinar a cadeira mas era demasiado bem-educada para o fazer, porque bastava carregar naquela botão e ganhava logo espaço, etc, etc. E nós atentos a tudo isto pois atrás da senhora viajava o Jack, com a Mini-Tété ao colo, e seria absolutamente impossível a senhora reclinar o banco e este não bater na Mini-Tété. Felizmente ela não o fez mas as queixas mantiveram-se ao ponto de chamarem membros da tripulação para estes convencessem a senhora da frente a não reclinar o banco ou, como alternativa, mudá-los para a primeira classe. A tripulação obviamente não lhes fez as vontades e a viagem assim continuou, chegando nós ao destino já sem os conseguir ouvir.

Mas o karma tem um sentido de humor negro e na viagem de regresso a França, quem é que se sentou na nossa fila, do outro lado do corredor, quem foi? A senhora do casal. Ainda não tínhamos levantado voo e as queixas já se faziam ouvir. A cadeira da senhora estava avariada e permanecia na posição reclinada (ironia do destino), não podendo assim ser usada para a descolagem e aterragem. A tripulação (chegaram a estar 3 membros a falar ao mesmo tempo com ela) pedia-lhe então que se mudasse para a cadeira do lado que estava vazia e o diálogo era mais ou menos este:
- Não mudo porque esse lugar é do meu marido.
- Mas onde está o seu marido?
- Não embarcou porque teve uns contratempos.
- Nesse caso, o lugar está vago e a senhora pode sentar-se nele.
- Não, porque é o lugar do meu marido.

E por muito que lhe explicassem que o avião não podia descolar com ela ali (e todos nós com vontade de lhe dar um berro para que se mudasse para finalmente partirmos), a senhora continua irredutível. A situação lá se resolveu mas poupo-vos a todos os detalhes, dizendo apenas que durante mais 2h30 ninguém calou aquela mulher.
Oh, vida, que foi preciso ter sorte.

10.1.17

Então e esses saldos?

Uma riqueza: aproveitámos e comprámos a cadeira-auto que ficará em Portugal para as férias (poupando 75€) e a cadeira-auto que vamos usar em França (poupando 100€). Acabaram-se as compras que, mesmo com os descontos, estas coisas não são baratas. Quase que é preciso ser rico para se poder ter um filho.

12 anos

Há doze anos, ele virou-se para mim, um mês exactamente depois de me te ligado para voltar a entrar na minha vida depois de 8 anos de ausência, e disse-me "Não te preocupes, não te vou pedir em namoro para já", como se me quisesse descansar e desculpar-se por tudo estar a acontecer tão depressa. E aquelas palavras tiveram o condão de me irritar profundamente, como se nos estivéssemos a recusar a algo que era tão óbvio que ambos queríamos. Por isso, pouco tempo depois e ainda com aquelas palavras a chatearem-me a cabeça, perguntei-lhe em plena rua "Queres namorar comigo?". Foi há doze anos mas parece que foi ontem, o meu riso nervoso, os meus saltinhos ansiosos e ele desconfiado a olhar a para mim e a perguntar "Estás a falar a sério?". Estava. E continuo a estar.

Escolher a cadeira-auto!

E depois de indicar quais as coisas a ter em consideração para escolher o ovo, eis as dicas para escolher a cadeira-auto seguinte, fase em que estamos quase a entrar com a Mini-Tété. Tenho de admitir que nunca pensei que a Mini-Tété comemorasse o seu 1° aniversário a utilizar ainda o ovo para transporte automóvel. Lembro-me que quando ela tinha 6 meses, olhei para ela no ovo e comentei com o Jack que esta coisa de dizerem que o ovo dá para o 1° ano era uma treta, que a Mini-Tété deveria precisar de mudar lá para os 9 meses no máximo. A verdade é que ela nasceu grande e continuou a crescer rapidamente mas depois o crescimento abrandou e embora esteja maior a cada mês que passa, a verdade é que ainda cabe no ovo para grande alegria nossa visto que o ovo é sem dúvida uma cadeira bastante segura para um bebé. Mas enfim, estamos agora a chegar à fase de mudança de cadeira e portanto deixo aqui as minhas indicações:

O ovo serve geralmente para bebés até aos 13 quilos, mas não deve ser o seu peso a determinar o seu uso mas sim a sua altura. Os bebés podem viajar no ovo até o topo da cabeça atingir o topo do ovo, e troca-se então de cadeira não permitindo que esse limite seja ultrapassado por razões de segurança. Por isso, não troquem de cadeira apenas porque o bebé já tem os pés fora do ovo, ou porque acham que ele vai apertado lá dentro. A ideia é que ele vá protegido e não à larga e à francesa.

Exactamente por quererem que os seus bebés estejam o mais confortáveis possível, muitas mães ponderam a mudança de cadeira quando o bebé tem 7, 8, 9 meses, o que é demasiado cedo. Sobretudo porque muitas vezes outra das principais razões é por quererem que os seus bebés deixem de estar virados de costas para a estrada (e para elas) e passem a estar virados para a frente, para as poderem ver e verem melhor as vistas.

A Direcção Geral de Saúde recomenda que as crianças devem viajar voltadas de costas para a estrada até aos 3 ou 4 anos, uma vez que esta é a posição mais segura para as transportar no automóvel devido à fragilidade do pescoço e ao peso da cabeça. Caso seja mesmo necessário, afirmam que "só a partir dos 18 meses será admissível que a criança viaje virada para a frente". A American Academy of Pediatrics recomenda levar as crianças de costas para a estrada até aos 2 anos de idade, sustentando esta recomendação na estatística: o risco de ferimentos nas crianças menores de 2 anos que viajam no sentido contrário à marcha (ou seja, de costas para a estrada) reduz-se cerca de 75% face aos que viajam no sentido da marcha. Viajar no sentido contrário à marcha reduz cinco vezes a probabilidade de ferimentos ou mesmo morte num acidente

Para muitos pais há a preocupação de que indo de costas para a estrada, as pernas da criança sofram alguma lesão em caso de acidente. No entanto, estudos científicos indicam que não existe qualquer tipo de risco para a criança, nem para as pernas nem para os tornozelos. E que mesmo no caso extremo de ocorrer algum tipo de ferimento, estes serão sempre muito menos graves do que no pescoço e coluna da criança. Diria eu que é caso para perguntar "O que preferem? Que o vosso filho parta uma perna indo de costas ou parta o pescoço indo de frente?".

Em 2014, foi realizado um estudo pelo ACP e registou-se que 89% dos pais viajam com as crianças viradas para a frente, contra apenas 11% que viajam contra a marcha. Na verdade, 46% dos inquiridos considerou ser mais seguro transportar as crianças no sentido da marcha e 30% considerou ser mais seguro levá-los no sentido contrário à marcha. Quase 7% dos condutores inquiridos considerou que o sentido da marcha não influencia a segurança das crianças e 17% afirmou não saber em qual dos sentidos as crianças viajam mais seguras.



A maior parte das cadeiras vendidas estão homologadas segundo a norma ECE-R44/04, que entrou em vigor em Junho de 2005, e a distinção das cadeiras é sobretudo feito por peso: 0 (alcofas), 0+ (ovos) até aos 13 Kg (até 12-18 meses), I até aos 18 Kg (até 3/4 anos), II dos 15-36 Kg (4/6 anos - 12 anos) e III dos 22-36Kg (8/9 anos - 12 anos).
Recentemente, entrou em vigor uma nova norma europeia, conhecida por i-Size (ou ECE R129). As principais diferenças entre as duas normas são:

- Deixa-se de classificar em função dos grupos 0/0+/I/II/III (e portanto através de pesos) e cada cadeira passará a indicar simplesmente a altura máxima das crianças que poderão usá-la.

- É acrescentado um novo teste de colisão lateral, deixando por isso de ser aceites os "banquinhos" em que muitas crianças mais velhas viajam uma vez que não superam este tipo de ensaios.

- Garante-se que todas as cadeiras voltadas para trás podem ser utilizadas pelo menos até aos 15 meses de idade. Desta forma promove-se a utilização de cadeiras voltadas para trás até mais tarde do que acontece nos dias de hoje.

- Promove-se o uso do Isofix como sistema para reduzir o risco de uma instalação incorrecta

- Passa a haver dimensões máximas das cadeiras e dimensões mínimas dos lugares dos automóveis de modo a que uma cadeira homologada pela norma i-Size possa ser usada em qualquer lugar "i-Size" dos automóveis. Ou seja, os automóveis começam agora a ser fabricados não apenas com o sistema isofix mas também como lugares i-Size onde pode ser colocada qualquer cadeira i-Size sem os pais estarem preocupados se cabe ou não, ou se é compatível ou não como acontece neste momento com as cadeiras isofix.

Como em cada mudança de norma, a aplicação da nova norma i-Size não é imediata pelo que as cadeiras infantis com a norma ECE-R44/04 continuam válidas por vários anos e não é preciso deitarem-nas fora e ir a comprar cadeiras homologadas pela nova norma. As novas cadeiras i-Size, já disponíveis no mercado, vão conviver até 2018 com as cadeiras homologadas com a anterior homologação ECE-R44/04, sendo que o mais provável é que em 2018 se proíba a venda das cadeiras homologadas pela norma ECE-R44/04. Contudo a sua utilização continuará a ser válida por mais uns anos para que os pais não sejam obrigados a comprar outra cadeira.
Para os pais que não tem automóveis com sistema isofix e que já estejam a ficar preocupados com o facto de a nova norma incluir a utilização deste sistema de segurança, fica a indicação de que a nova normal i-Size aplica-se apenas para já às cadeiras com sistema de fixação Isofix e com cintos de segurança próprios. Mais tarde, a norma i-Size terá mais duas fases de desenvolvimento que incluem as cadeiras com isofix mas nas quais a criança vai presa com o cinto de segurança do automóvel e as cadeiras sem isofix, de forma a que também estas cumpram os critérios estabelecidos.

Resumindo e concluindo:

1. Se vão trocar o ovo pela cadeira-auto seguinte escolham uma que permita viajar de costas para a estrada. Tenham em atenção que há cadeiras que permitem fazê-lo mas apenas até a criança atingir um determinado peso, obrigando depois os pais a voltarem a criança para a frente para continuarem a poder usar a cadeira. Geralmente permitem que a criança viaje de costas até ao ano e meio e viaje de frente até aos 3-4 anos. Claro que este tipo de cadeiras é melhor do que aquelas em que a criança vai de frente antes dos 18 meses, mas ponderem a compra de uma cadeira que vá de costas até aos 3-4 anos, pela segurança do vosso filho.

2. Se tiverem um automóvel com sistema isofix, poderem a compra de uma cadeira i-Size. Já se encontram à venda e mesmo não sendo para já uma obrigação, a verdade é que sabem que estão a comprar cadeiras mais seguras do que as homologadas pela norma ECE-R44/04. Para os pais cujos automóveis não têm sistema isofix e portanto não têm outra hipótese para já do que comprar cadeiras homologas pela norma ECE-R44/04, optem então por uma que permita viajar de costas até o mais tarde possível.

3. Caso já tenham uma cadeira que apenas dá para ser colocada de frente para a estrada, assegurem-se que esta está bem colocada, bem presa e que o vosso filho bem também ele bem preso à cadeira.










9.1.17

Só passaram 9 dias e eu já sinto que é um ano para esquecer

Desde que entrámos em 2017 que ainda não dormi uma noite seguida. Esta noite dormi apenas meia-hora, das 4h30 às 5h, ladeada por uma insónias que não me deixam nem sequer ter o prazer de dormitar uns segundos. São 9 dias a dormir aos bocados, 45 minutos agora, duas horas mais logo, 1h30 numa sesta, novamente 45 minutos e eis a espertina sem razão de ser. Estou cansada, tão cansada já deste ano que agora começou que numa destas noites, de lágrimas nos olhos de ter a cabeça tão cheia de coisas e de sono, disse ao Jack "Não quero mais viver este ano. Podemos passar já para 2018?".

Esta ausência de noites bem dormidas traz-me apenas uma coisa boa: saturada levanto-me e aproveito para tratar de assuntos, esperando acordada que a Mini-Tété acorde. Nos últimos meses tenho-me levantado ao mesmo tempo que ela, preparo o primeiro biberão ainda com um olho fechado, acordo devagarinho enquanto ela o bebe, vendo tudo meio desfocado. Agora oiço-a chamar-me e vou ter com ela, já de óculos na cara, já com o olhar alinhado, capaz de a focar com nitidez. E como é bela a minha princesa quando acorda de manhã depois de uma boa noite de sono. O problema é que depois o cansaço atinge-me e acreditem que tomar conta de um bebé de um ano com tão poucas (meias-)horas de sono em cima não é pêra-doce.

6.1.17

Olá Insónias. Olá mau-humor.

São 5h da manhã e eu ainda não adormeci. O despertador do Jack já tocou e eu ainda aqui estou, a olhar para o tecto e pensar que daqui a umas três horas acorda a Mini-Tété e eu vou estar pedrada de sono. E com um mau-humor incrível. Amanhã (hoje, vá) não vai ser um bom dia para falarem comigo. Qualquer assunto a tratar, é melhor deixar para sábado. 
(Não tinha saudades nenhumas destas insónias horríveis. Se calhar devia parar de pensar em coisas parvas).  

Haja coragem!

No voo para Portugal, sentou-se ao nosso lado uma mãe de 3 filhos, que ocupavam os restantes 3 lugares da nossa fila do outro lado do corredor. Com duas gémeas de dois anos e meio e um menino de quatro anos não é preciso dizer que a senhora passou todo o voo a tentar distraí-los, a mandá-los não tirar os cintos, a não embirrarem uns com os outros e a partilharem os brinquedos e livros. A certa altura, vendo todo aquele rebuliço (e esquecendo o nosso mau aspecto e cansaço a tratar de apenas um criança de um ano que a determinada altura até dormia) comentei "Que coragem!". A resposta veio com um sorriso: "Oh, não é coragem. É não pensar muito no assunto. Se pensar, nunca saio para lado nenhum com eles". Admiro-lhe a coragem na mesma, não há-de ser fácil não pensar de todo e embarcar assim numa viagem sozinha com três crianças pequenas. Ajudei como pude, à hora da refeição e partilhando os livros da Mini-Tété que, quando acordada, observava espantada toda aquela confusão de saltos, cambalhotas, pernas e braços, encontrões, choros e risos que havia do outro lado do corredor. Há mulheres que nascem para ser mães de muitos filhos. E eu, embora até gostasse de ter muitos filhos, acho que não tenho o desenrascanço e a descontracção necessários para tal. Ficar-me pela Mini-Tété e por um segundo filho, se a vida mo permitir, que acho que não nasci para mais. :)

5.1.17

O Benfeitor

Quando chegámos a Portugal, íamos estourados. Tínhamos ido os dois para o aeroporto depois de uma noite em claro a fazer malas e a tratar de outros assuntos, tínhamos chegado muito cedo ao aeroporto (onde o Jack e a Mini-Tété aproveitaram para dormir enquanto eu ficava acordada de vigia), a viagem tinha corrido bem (com a ajuda de mais uma sesta da Mini-Tété e do Jack, e eu mais uma vez acordada porque me custa adormecer em aviões), mais a viagem de carro até casa dos meus pais (ok, aqui sim, ferrámo-nos os 3 a dormir no carro) e estávamos os dois mais do que ansiosos por uma boa noite de sono. Ou pelo menos assim pensava eu, de olhos meio abertos meio fechados, enquanto o Jack me propunha uma ida ao cinema. Em sua defesa, a verdade é que já tínhamos planos para os dias seguintes que muito provavelmente impediriam este tipo de plano por isso aquela noite era uma oportunidade difícil de aproveitar, mas eu estava definitivamente mais para lá do que para cá. Aceitei na mesma, achando que um jantar fora a dois, um bom balde de pipocas e um bom filme me mantivessem acordada. Pois, o filme é que não foi o melhor. Fomos ver "O Benfeitor", com o Richard Gere. Já tínhamos visto o trailler em França e tínhamos ficado com a sensação que toda a história é contada naqueles minutos, mas decidimos dar uma oportunidade e acabámos por perceber que afinal estávamos mesmo certos. Mas quem é que faz este tipo de traillers? Não conseguem perceber que tiram a piada toda a quem efectivamente vai ver o filme? Tornam um filme que até pode ser interessante numa verdadeira seca. De modo que passei o tempo todo do filme a pensar "Desisto, não aguento, vou dormir...Não, não, não vou nada dormir! Paguei o bilhete para ver um filme, não para dormir, era o que falta. Vá, come pipocas. Oh, esquece, que seca, não aguento mesmo, vou dormir, que se lixe, há sempre uma primeira vez para tudo, até para adormecer no cinema...Nããããooo, ainda não é desta, vamos lá ver o filme de olhos abertos, era o que faltava pagar para dormir numa sala de cinema...". Não adormeci mas saí da sala a achar que tinha mandado dinheiro para o lixo. 



Quando fores mãe, logo vês se não mudas de ideias! (Não)

Há cerca de um mês, uma conhecida comentava no facebook que antes de ser mãe tinha cuspido muito para o ar, e que agora, mãe de um menino de 1 ano, tinha apanhado com todo o cuspo em cima. Várias amigas concordavam com ela, que isto antes de ser mãe é uma coisa mas que depois de eles nascerem engole-se muita coisa que se disse. A famosa frase do "Quando fores mãe, logo vês!". Fiz o exercício mental de pensar em mim e nas minhas ideias antes de ser mãe e depois de o ser e a conclusão a que cheguei fez-me perguntar ao Jack: "Depois de teres sido pai, sentes que tiveste de engolir alguma coisa que pensavas ou dizias antes de ser pai?". Vi-o pensar para depois ouvir a mesma reposta a que eu tinha chegado: Não.

Nunca fui uma pessoa muito opinativa sobre a forma como os outros educam os seus filhos, mas ainda assim tenho noção que sobre certos pontos tinha e tenho uma opinião muito clara. E isso não mudou com a chegada da Mini-Tété às nossas vidas. Aquilo que antes dizia que não faria quando fosse mãe continua a ser assim e realmente não o faço. Aquilo que antes dizia que não gostava de ver, continuo a não gostar (e não é por ter a filha mais fofa do mundo que passo a achar piada a certas coisas que antes não achava). Não sinto que tenha cuspido para o ar e tenha levado com o que não queria em cima da cabeça. Ainda assim, assumo que ser mãe mudou a minha perspectiva sobre algumas coisas, quanto mais não seja porque aprendi coisas que não sabia. Por exemplo:

- Compreendo agora que crianças agarradas às consolas, tablets ou telemóveis à mesa de um restaurante não traduzem obrigatoriamente um comportamento habitual. Acredito (e sei) que nalguns casos, seja em casa seja num restaurante a criança só coma com aqueles bonecos ou aquela música, mas também acredito agora que há pais que em casa evitam toda e qualquer tecnologia, abrindo excepção em espaços públicos para que possam jantar sossegados e desfrutar da companhia de amigos, familiares, etc. 

- Lembro-me de perguntar a uma prima do Jack "Mas aos 12 meses eles já não deveriam comer de tudo como nós?" quando a vi servir uma sopa e uma prato diferente diferentes dos nossos ao filho de 13 meses. A minha pergunta tinha muito mais de ignorância do que de julgamento. E sei que numa ou noutra ocasião ter-me-ei questionado sobre o comportamento de certos pais exactamente por pouco saber de bebés e crianças.

Mini-Tété tem apenas 1 ano e 2 meses, ou seja, tenho ainda uma vida para levar com o (pouco) cuspo que mandei para o ar (porque sim, também mandei, não sou santa), mas pelo menos até agora as ideias firmes que tinha, por aqui se mantêm e a Mini-Tété está a crescer, aprendendo a lidar com elas. 

4.1.17

Ou isso, ou decido "vou ser pobre" para ver se me sai o Euromilhões

Combinámos os dois que em 2017 dormiríamos mais. Estamos a 4 de Janeiro e o Jack já foi trabalhar com uma directa em cima e eu já me deitei às 5h da manhã duas vezes.

Desejámos muita saúde para este ano. Passámos a passagem de ano no hospital com a pequena e agora estamos os dois doentes com uma constipação daquelas que não nos deixa dormir e mal nos aguentamos de pé.

Para 2018 vou planear começar uma nova dieta e logo no dia 1 vou comer uma boa fatia de bolo de chocolate. Se é para sair tudo ao lado, ao menos que eu tenha algum prazer nisso.

1.1.17

Eis como uma miúda de 1 ano nos troca as voltas e os planos

Tínhamos planeado uma passagem de ano calma e caseira em casa dos pais do Jack, com direito a troca de prendas uma vez que não tínhamos passado o Natal todos os juntos. Vesti a Mini-Tété para sairmos, estive a brincar com ela e quando a certa altura lhe dou um beijo sinto-a quente. Não valorizei, afinal de contas tinha estado a brincar e vesti-la na última hora e não tinha sentido que ela estivesse com febre ou doente, mas decidi na mesma ver-lhe a temperatura. Ia caindo para o lado com o resultado: 39.5°C. Converso com o Jack, concluímos os dois que sendo a primeira vez que fazia esta febre e sendo nós pais de primeira viagem sem experiência para avaliar correctamente a situação, que seria melhor irmos ao hospital.
Enquanto preparava o saco da Mini-Tété, ela ficou prostrada ao colo do Jack, sem grandes reacções, só piscar os olhos. Sou uma pessoa optimista por natureza, muito pouco dada para histerismos a nível da saúde e nada hipocondríaca, mas tenho de confessar que durante um minuto o meu coração vacilou ao vê-la assim e com lágrimas nos olhos perguntei ao Jack "E se for algo grave?". Depois limpei as lágrimas e rumámos ao hospital comigo a afirmar que não seria nada de mais, que ia passar, que íamos entrar e sair do hospital num piscar de olhos.
Enquanto aguardávamos a nossa vez na fila, Mini-Tété decidiu vomitar este mundo e o outro, cobrindo-se a si e ao Jack, e deixando todo o chão à volta num estado lastimável. Um espectáculo digno de se ver. E minutos depois, tive o segundo e último momento de lagrimita no canto do olho quando, com Mini-Tété chorosa ao meu colo, lhe comecei a cantar as músicas que tanto a animam mas que naquele momento não resultavam de todo.
Como esperado, não era nada de grave, apenas uma virose chata que assim nos levou às urgências do hospital pela primeira vez com a Mini-Tété. À meia-noite, enquanto amigos e familiares festejavam a passagem de ano, nós entretínhamos a Mini-Tété num quarto de hospital, à espera que a madame fizesse xixi para análises. 
Hoje quando acordei não senti que estivesse em 2017, não entendia que fosse 1 de Janeiro, estava perdida no tempo. Eram 18h quando farta desta confusão mental, pedi ao Jack que subisse comigo para cima do sofá e que saltássemos como manda a tradição. Agora sim, estou em 2017. Só entrei um bocadinho mais tarde. :)