29.11.14
Depois não digam que não vos avisei!
28.11.14
Sócrates
Já era de noite quando vi a notícia no Facebook "Sócrates preso!". Comentei com o Jack, sem acreditar que pudesse ser verdade. No dia seguinte os meus pais via skype perguntavam-me "Já sabes do Sócrates??". Sim, já sabia e ao longe tenho acompanhado as notícias. Não sei se é culpado ou inocente e diz a lei que enquanto não for provado, será sempre inocente. A mim custa-me acreditar porque, não sei bem porquê, parece que quem ocupa cargos de elevada responsabilidade e poder, cai facilmente em negócios sujos e manhas. Não confio na classe política, acho que todos se aproveitam e fazem favores uns aos outros, usam as suas posições para escapar a tudo o que seja consequências e acabam por se sentir invencíveis. E como burlões há em todo o lado, não acho assim tão espantoso que alguns até tenham um cargo político. Ter sido preso é para já um bom sinal pois acredito que nalguns casos se feche os olhos ou haja tamanha pressão que mais vale deixá-los sossegados. Sendo culpado, considero que a pena a aplicar deveria ser em muito superior àquela que é aplicada aos burlões anónimos. Afinal de contas, Sócrates teve uma posição de liderança, com um país a confiar nele (nem que fosse por obrigação) e ao usar esta posição para cometer crimes, acaba por lesar toda a gente. É abuso de confiança. Ainda assim, ninguém me tira da cabeça que mesmo na prisão terá sempre muito melhores condições que outros presos.
Andamos nisto...
A jogar "O Senhor dos Anéis" em lego na consola. E eu que sou tão pouco fã de consolas e afins, adoro jogar isto. Já joguei o Indiana Jones, o Batman, A Guerra das Estrelas e o meu preferido: Harry Potter. O Jack bem me vai aconselhando outros jogos, mas não sendo legos, não me interessa. E este do Senhor dos Anéis está realmente bem-feito. :)
27.11.14
Nem eu tenho tanta preguiça!
Temos um vizinho, rapaz novo, na casa dos vinte, que às vezes me surpreende: sai de casa, entre no carro e nem cinco minutos depois está de volta. Este comportamento é recorrente e cá por casa semeavam-se teorias de onde iria ele em tão curto espaço de tempo. O Jack afirmava que ele ia à praça central aqui da terra, comprar algo e voltava. Eu dizia que era impossível, que a praça é a 2 minutos a pé aqui do prédio e que ir para lá de carro seria uma tolice. Pois, ao que parece, tenho mesmo um vizinho tolo (o Jack acabou por se cruzar com ele numa destas saídas) que sai de casa, entra no carro, vai a uma loja da praça, compra tabaco, volta a entrar no carro e regressa a casa. Já vos disse que a praça é a dois minutos a pé aqui de casa?
Leituras
Ando com alguma preguiça em falar de leituras mas de hoje não passa. Em Outubro quando fui a Portugal por ocasião do meu aniversário trouxe comigo dois livros: "A Ilha dos Espíritos" de Camila Lackberg, e "A Família Sogliano" de Sveva Casati Modignani. Estava doida por ler o da Camila, a continuação dos livros anteriores e ainda por cima o último tinha acabado em grande suspense por isso enquanto não soubesse o que tinha acontecido não descansava. Gostei bastante, percebi cedo o que se passava com uma das personagens mas noutras coisas tive de esperar até ao fim para as entender. Não decepcionou a minha Camilinha, não senhor. Aguardo o próximo!
Quanto à Família Sogliano, a escrita não engana ninguém e a Sveva mantém o seu registo. Não sendo um mau livro, acho que prefiro outros dela. Este deixou-me um pouco com a sensação de haver bem uma história, não haver nada por que ansiar, uma resposta por obter. Mas serve bem para o propósito para que compro os livros dela: serem uma pausa entre livros mais pesados. :)
Aaaarrrggghhh
Hoje o despertador tocou durante uma hora, UMA HORA, e eu continuei a dormir. E passado uma hora acordo, oiço realmente qualquer coisa, e ia já para fechar os olhos e continuar a dormir quando me apercebi que o "qualquer coisa" era o despertador. Nossa, o que é que me está a dar??
26.11.14
Andam a pôr-me soporíferos na comida....
Não sei o que é que me anda a dar mas sinto-me um zombie. Sempre tive problemas de sono e como sempre sonhei muito, sempre existiram dias em que quando acordava até o corpo me doía como se tivesse passado a noite a trabalhar. Mas nos últimos tempos tem sido demais: chego à cama, ferro-me a dormir em pouco tempo (algo pouco usual), durmo um sono seguido (raro, muito raro) e quando o despertador toca 7 horas depois tenho a sensação de só ter dormido meia-hora. Hoje os despertadores tocaram, acordei o Jack para ele se levantar e ferrei-me novamente a dormir. Dez minutos depois, o despertador voltou a tocar e eu quis insistir com o homem para que este se levantasse e encontrei a cama vazia. Eu, que acordo mal ele se mexe um pouco ou muda o ritmo da respiração, não o senti levantar, vestir-se, sair do quarto, nada de nada. E agora estou aqui a tentar trabalhar e estou literalmente às cabeçadas de sono. O que é que me está a dar??
25.11.14
As coisas que se descobrem passeando em fóruns na net
- Em pleno século XXI o "coito interrompido" ainda é considerado um método contraceptivo.
- Em pleno século XXI ainda há quem acredite que uma rapariga não pode engravidar na sua primeira relação sexual.
- Há mulheres que vão para os fóruns perguntar se estão grávidas, após terem tido relações sexuais desprotegidas. Fora alguém lhes responder que "sim, há essa possibilidade", o que esperam elas como resposta? "Huuuum, pela ausência de erros ortográficos na tua escrita, não deves estar grávida, não te preocupes"?
- Há mulheres que não querem casar já nem ter filhos já, mas querem que os companheiros digam que querem. E como eles não dizem, elas sentem-se frustradas e ficam obcecadas em que ele diga que quer algo que elas nem querem. (e nestas alturas que eu penso que o Jack tem muita sorte com a mulher que lhe calhou em sorte).
- Há mulheres que falhando três ou quatro pílulas as tomam todas no mesmo dia achando que não há problema nenhum. E depois ficam mal-dispostas e não percebem porquê.
- Há quem vá aos fóruns dizer que decidiram ter um bebé e perguntar se há truques para engravidar.
- Ainda há, em pleno século XXI, mulheres que aconselham outras a deixar a pílula sem os companheiros saberem porque ela quer um bebé e ele não. E quando ela estiver grávida, ele que assuma (depois queixem-se que ele não confia...).
- Há mulheres que não percebem como funcionam os testes de gravidez e se a linha de teste é mais clara que a linha de controlo é porque o teste não funcionou e não estão grávidas (mas são capazes de ter uma surpresa daqui a 9 meses).
- Em pleno século XXI ainda há quem acredite verdadeiramente em mitos como "se não comeres isto, o bebé vai nascer com cara disto", "se te andas a cruzar com grávidas então é porque estás grávida" ou "o bebé não pode sair de casa depois do anoitecer para não ser atacado por um espírito maligno".
- Qualquer antibiótico que se tome corta o efeito da pílula.
- Em pleno século XXI ainda há quem acredite que uma rapariga não pode engravidar na sua primeira relação sexual.
- Há mulheres que vão para os fóruns perguntar se estão grávidas, após terem tido relações sexuais desprotegidas. Fora alguém lhes responder que "sim, há essa possibilidade", o que esperam elas como resposta? "Huuuum, pela ausência de erros ortográficos na tua escrita, não deves estar grávida, não te preocupes"?
- Há mulheres que não querem casar já nem ter filhos já, mas querem que os companheiros digam que querem. E como eles não dizem, elas sentem-se frustradas e ficam obcecadas em que ele diga que quer algo que elas nem querem. (e nestas alturas que eu penso que o Jack tem muita sorte com a mulher que lhe calhou em sorte).
- Há mulheres que falhando três ou quatro pílulas as tomam todas no mesmo dia achando que não há problema nenhum. E depois ficam mal-dispostas e não percebem porquê.
- Há quem vá aos fóruns dizer que decidiram ter um bebé e perguntar se há truques para engravidar.
- Ainda há, em pleno século XXI, mulheres que aconselham outras a deixar a pílula sem os companheiros saberem porque ela quer um bebé e ele não. E quando ela estiver grávida, ele que assuma (depois queixem-se que ele não confia...).
- Há mulheres que não percebem como funcionam os testes de gravidez e se a linha de teste é mais clara que a linha de controlo é porque o teste não funcionou e não estão grávidas (mas são capazes de ter uma surpresa daqui a 9 meses).
- Em pleno século XXI ainda há quem acredite verdadeiramente em mitos como "se não comeres isto, o bebé vai nascer com cara disto", "se te andas a cruzar com grávidas então é porque estás grávida" ou "o bebé não pode sair de casa depois do anoitecer para não ser atacado por um espírito maligno".
- Qualquer antibiótico que se tome corta o efeito da pílula.
24.11.14
Uma pessoa traz sempre um pouquinho de Portugal connosco quando emigra :)
É que mesmo com a família e os amigos longe, a nossa casa está cheia de pormenores que nos lembram o quão presentes estão nas nossas vidas. Temos o presépio e a nossas iniciais dadas por uma amiga, a manta dada por outros amigos (na verdade cá em casa temos quatro mantas: uma comprada por mim, uma oferecida por amigos, uma oferecida pelos meus pais e uma oferecida pelos meus sogros. E eu gosto das quatro), tenho um postal que acompanhou um saco de m&m's numa das piores fases da minha vida ainda estava eu em Portugal, temos as cartas e postais escritos por altura do nosso casamento, tenho os brincos e colares com que sou presenteada (e quando os uso lembro-me bem de quem mos ofereceu), tenho os livros que já foram emprestados a grandes amigas, e tantas, mas tantas outras coisas. Acho que não há divisão nenhuma onde entre que não haja uma lembrança de alguém. Só não temos fotografias em molduras. Na próxima casa está decidido que vou ter fotografias em toda a casa e vou fazer uma parede de molduras, quer ele queira quer não. =P
Porque o amor é assim: tem fases.**
Quando começámos a planear o casamento ouvimos por diversas vezes "O casamento muda uma relação!". E nós olhávamos um para o outro surpreendidos com tal pronúncio e aguardámos calmamente a tal mudança. Pois, não houve. Aquilo que somos hoje é exactamente o mesmo que éramos antes do casamento, ao ponto de por vezes ainda nos tratarmos por "namorado" e "namorada". Obviamente para quem vê as suas rotinas alteradas, por muito tempo que já tenham passado juntos, o casamento é sempre um ponto de viragem. A saída de casa dos pais, a mudança para uma nova casa, o criar de novas rotinas, obviamente tudo isto faz uma nova relação. Mas quando se sai de casa para casar e se regressa a essa casa depois do casamento, com as rotinas já estabelecidas e a vida organizada, não há qualquer razão para que haja uma mudança. O casamento não foi um marco e uma mudança na nossa vida mas sim um passo que quisemos dar e comemorar com aqueles que nos são mais próximos.
E não deixa de ser curioso que embora tenhamos casado apaixonados (óbvio!) e a lua-de-mel tenha sido em clima de romance (óbvio!) não estávamos naquele momento a viver a fase mais apaixonada da nossa vida. E eu percebi-me disso durante o noivado e encolhi os ombros porque se há coisa que esta relação de nove anos me ensinou é que mesmo estando constantemente apaixonados, há fases de maior demonstração e outras de menor. E é, para mim, impossível manter o mesmo grau de paixão o tempo todo. Ou porque estamos com mais trabalho, ou mais cansados, ou mais tristes, ou porque sentimos que precisamos de maior espaço individual, qualquer coisa nos faz de vez em quando dar menos atenção ao outro, por muito que ainda nos sintamos perdidamente apaixonados. E, coincidências das coincidências, o casamento calhou exactamente numa fase destas e felizmente nenhum de nós deu qualquer importância a isso porque sabíamos o quanto queríamos aquele dia, o quão felizes estávamos por aquele dia ir acontecer, o quanto gostávamos um do outro. E hoje voltei a pensar nisto porque agora, seis meses depois do casamento, andamos num claro clima de romance, de mais mimo e atenção. Se o casamento podia ter apanhado uma destas fases mais atenciosas? Podia, mas o casamento é apenas um dia e o que importa é o resto da vida em conjunto.*
* E se as nossas fases de menor romance forem sempre como a fase do casamento, não peço mais nada.
** Diz o Jack que às vezes sou muito prática nesta forma de analisar o amor. Talvez seja, mas acho que isso nos impede de viver dramas desnecessários. =P
23.11.14
Porque às vezes também há dias maus
A sobrinha do Jack perguntou-me há uns dias: "Se não tivesses começado a namorar com o tio, como teria sido a tua vida e o que estarias a fazer agora?". Respondi-lhe que era complicado responder uma vez que já estava com ele há dez anos e em dez anos muita coisa acontece e muda, por isso nunca poderia responder com toda a certeza sobre o que teria sido alterado. Mas teria acabado o curso na mesma. E teria vindo de Erasmus para França na mesma uma vez que essa decisão não foi dependente do Jack pois na altura ele até estava a viver em Portugal. Mas talvez não tivesse aguentado a experiência e não me tivesse refeito dela da maneira como refiz. E teria feito o estágio. E teria feito o mestrado. E teria começado a trabalhar no sítio onde fiz o mestrado. E teria deixado aquele local de trabalho, talvez mais tarde do que o fiz, mas teria deixado. Mas não teria vindo para França para viver. Esta foi provavelmente a única decisão que fiz na minha vida que não teria feito se o Jack não existisse. E embora não me arrependa, mesmo continuando sem emprego (sei lá se estivesse em Portugal teria algum....), pois a verdade é que com apenas um ordenado conseguimos ter aqui algo que dificilmente teríamos em Portugal, às vezes penso que não me apetece estar aqui. E muito, muito, muito raramente (acho que já me aconteceu duas vezes) penso que não quero estar aqui. E nestes raros, muito raros dias, dou por mim a pensar que não, não quero estar aqui. Quero pegar no Jack, na minha casa, no carro, nas minhas coisas, na família dele, nos amigos dele, no emprego dele, e mudar-me para Portugal. Quero a vida que aqui tenho mas nesse jardim à beira-mar plantado. Porque nestes raros, muito raros dias, chateia-me não conseguir falar fluentemente, logo eu que até gosto de conversar, chateia-me estar em casa, mesmo tendo uma capacidade extraordinária de arranjar coisas para fazer e conseguir chegar ao final do dia sem ter feito tudo, e chateia-me estar dependente dele para ir a alguns sítios porque me baralho com o trânsito e porque me faltam pontos de referência e posso de repente ver-me no Luxemburgo quando achava que até estava a ir na direcção oposta. Nestes raros, muito raros dias, chateia-me ter a família disponível para falar por skype exactamente nas horas em que o Jack está em casa e eu tenho de optar por dar atenção a uns ou a outros, chateia-me ter a família tão longe porque embora adore a família do Jack a verdade é que a minha família não é substituível, e chateia-me estar aqui inserida numa família que não sendo a minha tem regras e costumes às quais não estou habituada (e que não me incomodando em todos os outros dias, nestes dias me fazem sentir que não quero mesmo estar aqui). Chateia-me o preço das coisas, não só pelo preço em si como pelo facto de eu não ter dinheiro, chateia-me não ter amigos aqui (ou os meus amigos aqui),chateia-me a ausência de resposta dos amigos, que estão longe e têm obviamente a sua vida mas que nestes raros, muito raros dias, deviam estar aqui porque preciso de um abraço, e chateia-me pensar que por muito que me esforce a distância vai fazer das suas e vai afastar-me deles. Nestes raros, muito raros dias, irrita-me sentir que cada desafio é um desafio ainda maior devido à língua, irrita-me a comida daqui e as saudades que eu tenho de alguns produtos portugueses (ou do preço deles que isto de ver castanhas a 9€/Kg é como se elas nem existissem), e irrita-me o trânsito que me rouba diariamente horas com o Jack. Nestes raros, muito raros dias, penso que esta vida de emigrante é uma treta. Felizmente no dia seguinte acordo e agradeço ter a vida que tenho (que podia ser tão, mas tão pior), mesmo que raramente, muito raramente, haja dias maus.
21.11.14
Novo desafio
Recomeçam as explicações de matemática mas desta vez em francês (vai correr bem, vai...) e num ano mais avançado do que aqueles que já dei. Vai ser um belo desafio, vai, vai...
20.11.14
Acusem-se.
O meu rato avariou. O campo electromagnético que afecta a minha família e que faz com que todo e qual aparelho nos morra nas mãos fez mais uma vítima. Solícito, o Jack emprestou-me o dele e encomendou-se um novo para mim que chegaria hoje. Pois e chegou a caixa. E eu abri toda satisfeita e...nada de rato. Chegou uma tablet das pequeninas. O Jack já confirmou e o engano não é dele. Onde está o meu rato, meus senhores??
Conversas de adultos
Não me lembro dos meus pais terem tido "A" conversa comigo. Entrando na adolescência, a minha mãe comprava-me livros que falavam das mudanças no corpo, no sexo oposto, das precauções, e dizia-me que se tivesse alguma dúvida poderia falar com ela. Nunca falei. E sempre achei que um dia quando tivesse filhos, faria mesma coisa: compraria livros, não para os poupar a uma conversa com os pais, mas para me poupar a mim de ter conversas com eles sobre isso. Até ao dia em que passo a ter adolescentes na família e surge a necessidade de falar com eles sobre isso por iniciativa deles. Porque da mesma forma que eu teria odiado fazer uma pergunta a um adulto e este fugir à resposta, não pude deixar de responder à pergunta então colocada. Ontem, com uma adolescente a dormir cá em casa e por iniciativa nossa, falou-se de sida, de doenças sexualmente transmissíveis, de como os rapazes são capazes de mexer mundos e fundos e trocar juras de amor apenas para dormirem com uma rapariga, de como o facto de se estar perdidamente apaixonada por um rapaz não implica que nos sintamos preparadas para nos envolver fisicamente, dos perigos da internet e de como enviar fotografias mais pessoais pode ser uma ideia tão má. Falou-se de métodos contraceptivos, de como estes funcionam e para que servem. E sobretudo falou-se dos mitos, de como até aos 18 anos toda a gente diz que já fez isto e aquilo e é só garganta, dos disparates que se fazem com a toma da pílula, da treta de não se poder engravidar na primeira relação sexual, do engano do coito interrompido (como é que em pleno 2014 ainda há quem use este método, como??). E explicámos que durante os próximos anos vai ouvir tantos mas tantos disparates das amigas que terá de saber filtrar e descobrir o que é verdade, e que nós estamos sempre aqui quando ela tiver alguma dúvida, algum problema. Afinal, talvez seja capaz de um dia conversar com os meus filhos, mais que não seja porque não quero que cometam erros por falta de conhecimento. Mas acho ainda assim que não se escapam dos livros...
19.11.14
O corpo não engana
Desde que acordei tenho andado com uma sensação de frio maior do que no outros dias. Lá fora está um nevoeiro cerrado e os aquecedores cá dentro estão a trabalhar. Mas da sensação de frio ninguém me livra. Fui agora ver a temperatura que está. 1ºC, senhores, está 1ºC. Cheira-me que este Inverno vou congelar.
18.11.14
O mundo espectacular do Facebook...
Um casal de conhecidos está mais uma vez zangado, às turras, em mais uma das suas inúmeras separações. Eu até soube disto presencialmente, mas caso não o tivesse sabido facilmente perceberia pelas frases que agora cada um coloca no seu facebook. Eis algumas das pérolas:
- Passei dessa fase de me importar com quem está pouco se importando comigo.
- São poucas as pessoas que valem a pena.
- Só toma cuidado, viu, porque quando eu começar a não sentir nada, você vai implorar para que eu sinta pelo menos pena.
- Caso sinta a minha falta, procure-me.
- Se me ama, me procure. Sabe onde ando!
- É difícil acreditar em palavras quando as atitudes demonstram o contrário.
- Oportunidades não voltam só porque você se arrepende.
- Já não sou como era antes.
- Sabe o que é lindo? Quando a pessoa demonstra que sente a sua falta, demonstra que precisa de vocês, corre atrás, dá valor e não desiste.
E mais, muuuitas mais. Mas há realmente necessidade de escrever estas coisas no Facebook para que o outro leia e para que toda a gente perceba o que se está a passar?
:)
Tenho de confessar: ontem vi-me e desejei-me à custa da dor de costas. Quando o Jack chegou a casa, já a dor apanhava as costelas e havia movimentos e posições em que a dor era tal que eu nem respirava. Depois de convencer o homem que não havia razão para chamar uma ambulância e que com pomada, comprimidos e sacos de água quente a coisa melhorava, fui tratada como uma rainha. Dom Jack fez o jantar, pôs a mesa, levantou a mesa, fez massagem, preparou-me uma garrafa de água com uma palhinha (já que eu nem levantava a cabeça), ajudou a vestir, ajudou a deitar, calçou-me as meias....Enfim, fez tudo o que podia. E eu não consegui deixar de ter um ataque de riso (e o que me doía rir?) quando ao olhar para os pés percebo que ele me colocou os calcanhares das meias no peito do pé. É verdade que uma pessoa pode sempre contar com ele, mas não se livra destas coisas. :)
P.s. E sim, hoje já estou melhorzita. :)
17.11.14
Para começar bem a semana
Maria Tété adormece. Não se lembra mas deve ter desligado o despertador. Acorda portanto de mau-humor. Cinco minutos depois dá um jeito às costas, ali mesmo entre as omoplatas e fica a parecer uma estátua. A única maneira de não sentir dores é ter o queixo encostado ao peito, ou seja, a olhar para o chão e nem pensar em levantar a cabecinha, rodá-la para a esquecer ou para a direita, levantar os bracinhos ou fazer qualquer outro movimento mais brusco. Ora isto dá um jeito imenso para trabalhar e o mau humor intensifica-se. Maria Tété tem de sair à rua e aí a escolha passa por parecer tolinha e caminhar com o queixo encostado ao peito (o que é tramado para atravessar passadeiras) ou tentar levantar minimamente a cabeça mas não conseguir disfarçar o esgar de dor que surge na sua cara. E a dor cada vez pior. Maria Tété pensa que um duche quentinho talvez até ajude mas não consegue tirar a roupa. E o mau-humor cada vez pior. Por isso agora estamos assim: com Maria Tété a escrever no computador numa forma um pouco estranha esperando que Senhor Jack não chegue só daqui a três horas como às vezes acontece, para lhe poder dizer que voltou a dar cabo de si mesma e que precisa que ele prepare um saquinho de água quente e faça o jantar, e que tenha muuuuita paciência para o mau-humor de Maria Tété que só sabe fazer uma coisa na vida: partir-se toda.
Aaaaaiiiiiiiii
Saiu um novo livro da Lesley Pearse! E o que é que eu faço? O que é que eu faço agora? Deixo o Jack comprar-me já o livro para ler no ipad (bah, mas ao menos lia-o já) ou ponho-o na lista de Natal (versão papel, claaaaro!)?? Decisões, decisões...*
* E o que eu gosto que os dramas da minha vida sejam estes e nada de coisas graves?
16.11.14
E quem é amiga, quem é?
Começaram as Promoções de Natal na Science Bijoux!
E em que consistem estas promoções, Maria Tété? Ora bem, estamos a falar de 10% de desconto em todas as peças + oferta dos portes de envio. Muito bonito, sim senhor, mas isto faz alguma diferença? Faz, sim senhora. Ora vejam, por exemplo:
A peça CHOCOLATE sem desconto e com os portes de envio ficaria: 14€ + 2,55€, ou seja, 16,55€. Agora com o desconto e a oferta dos portes de envio, fica a...12,60€!
Vale ou não vale a pena?? :) Vá toca a correr ao site e aproveitem para fazer já as vossas compras de Natal. Tanta peça gira para oferecer que até parece pecado não fazer uma comprinha que seja. :)
14.11.14
Os meus livros
Hoje no facebook vi uma lista que alguém tinha feito com os livros que o marcaram. Também já tinha visto uma blogger fazer uma lista deste género e confesso que dei por mim a pensar quais os livros que a mim me teriam marcado, logo eu que sou tanto de leituras. Na verdade, não acho que alguma vez um livro me tenha marcado, não sou o tipo de pessoa que chora e ri com os livros, e embora nalguns me custe saber que a história terminou, verdade seja dita, facilmente me esqueço do seu conteúdo. Não gosto quando me perguntam o que acontecia em determinado livro porque raramente faço ideia. Em adolescente porque facilmente lia três livros ao mesmo tempo e portanto na memória as histórias confundem-se. Em adulta porque gosto de ler e nunca tive grande memória. Mas gostava de fazer uma lista assim, por isso vou tentar. :)
1. A colecção "Anita". Lembro-me sobretudo de os ler em casa dos meus avós paternos e são o símbolo da minha infância.
2. A colecção "Uma Aventura". Parei de comprar no número 50, se não me engano, quando finalmente senti necessidade de deixar as histórias do Pedro, do Chico, do João e das gémeas para trás e dedicar-me a outras leituras. Mas foram os livros da minha pré-adolescência (e adolescência também, vá), a par com "Os Cinco", "Os Sete" e "As Gémeas". Estas últimas fizeram-me desejar muitas vezes experimentar um colégio interno e imaginava que o meu quarto fazia parte de um.
3. Uns livros que trouxe de casa da minha avó materna e que não faço ideia do nome mas lembro-me do porquê de me terem marcado. Naquele verão a minha avó quis dar parte dos muitos livros que tinha em casa a uma biblioteca, mas pediu-me para a ajudar e ver se queria alguns para mim (fiquei com uma caixa só para mim, claro). Os livros com que fiquei tinham sido da minha mãe e da minha tia quando eram novas e no meio de alguns "Os Cinco" ou "Os Sete" (sim, já existiam na altura delas), havia uma colecção mais virada para adolescentes em que as personagens já faziam coisas que as personagens do meus livros não faziam: iam a festa e embebedavam-se, fumavam, curtiam com rapazes, drogavam-se, etc...No fim, havia sempre uma lição a tirar disto, mas para mim foi o fim das personagens inocentes que resolviam mistérios e o começo das personagens que com a mesma idade já faziam outras coisas.
4. O Hobbit e o Senhor do Anéis, lidos aos quinze anos graças a uma aposta com o meu pai. Bem me custou ler aquele segundo volume do Senhor do Anéis mas o orgulho impediu-me de desistir. Na minha imaginação, todos os ogres e personagens maléficas eram parecidas com o monstro das bolachas pelo que foi um choque (grande, muito grande) vê-las anos mais tarde retratadas numa tela de cinema.
5. As Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Adorava este livro e apaixonei-me quando saiu o filme (vejam lá aos anos que isto já foi). E lembro-me do meu espanto quando me apercebo que o livro que eu já tinha lido e relido dezenas de vezes contava apenas metade da história existente no filme. Afinal a história continuava e eu nem sabia! Mais tarde, naquela tarde de escolha de livros em casa da minha avó materna, encontro o livro "As outras mulherzinhas". Era a continuação da história. :) Ainda hoje guardo os dois livros e ainda não desisti de comprar os filme "As Mulherzinhas" em DVD (que em cassete já não consigo ver).
6. Os Maias. Li-o durante o Verão, na praia, e adorei a história. Depois a professora de português perguntou como se chamava o gato presente na história. Gato?? Qual gato?? Já mal me lembrava do nome das personagens, minha nossa senhora (lembram-se da falta de memória?). Reli-o. E voltei a reler antes do exame nacional. Na universidade li-o na diagonal para me relembrar de algumas coisas mas nunca mais lhe peguei. Depois dele li vários de Eça de Queiroz, mas os Maias sempre foi o meu favorito.
7. As histórias de Nero Wolfe e Archie Goodwin, criadas por Rex Stout. A segunda incursão aos livros do meu pai depois do Senhor dos Anéis. Li toda a colecção que o meu pai foi adquirindo ao longo dos anos e mesmo lendo na mesma altura Agatha Christie, sempre achei que o Rex Stout era melhor.
8. As Atribulações de Um Chinês na China, de Julio Verne. Encontrei este livro do meu pai em casa dos meus avós paternos e ele convenceu-me a lê-lo. Gostei imenso e acho que vale a pena lerem-no.
9. O Diário da Nossa Paixão, de Nicholas Sparks. Não tenho qualquer vergonha em dizer que li quase todos os seus livros. Gosto deste tipo de livros entre os dramas mais pesados que leio. Este livro em particular é o único que me emociona graças a uma simples frase durante a história (e o que me continua a surpreender esta capacidade contida num simples seguimento de palavras?). Seria impossível deixá-lo de lado nesta lista. Também gostei de ler o Alquimista (seguimento desta história), e penso que deste autor, estes serão os meus livros favoritos.
10. Mais recentemente, os livros de Joudi Picoult, principalmente o "Para a minha irmã", primeiro livro que li dela e que se não me engano me fez entrar de tal forma na história que nem me apercebi que o avião em que ia estava a aterrar (se não foi este livro, foi outro dela). Se viram o filme, leiam na mesma o livro porque a história é contada de outra perspectiva e vale a pena. Há outros muito bons dela.
11. "Nunca me esqueças" de Lesley Pearse. Oferecido no Natal pelo meu tio, um pouco inseguro da sua escolha, não fui capaz de o largar até o acabar, interrompendo apenas para comer, dormir e balbuciar um "Sim, sim, estou a gostar" quando o meu tio me perguntava se estava a achar o livro giro. Os seguintes dela também são muito bons, mas este, baseado numa história real (e exactamente por isto) mexe connosco.
12. Os policiais da moda. :) Stieg Larson, Camilla Lackberg, Sandra Brown...Mas este é o meu gosto de momento.
Está feito. :)
Lavar as mãos depois de ir à casa-de-banho? O que é isso?
O Jack está a ver umas plantas de apartamentos que um primo lhe está a enviar para que juntos analisem se há algum que valha a pena ele comprar. Agora estremeceu e disse "E pensar que passo a vida a apertar as mãos às pessoas". Não entendi o porquê da frase e fui ter com ele para ver se entendia. E compreendi. Estava a ver um apartamento cuja porta da casa de banho estava mesmo junto à porta de entrada, existindo nesta casa-de-banho apenas a sanita. O lavatório e a banheira encontravam-se noutra divisão, no lado oposto da casa e à qual só se teria acesso atravessando o quarto-de-casal. Ou seja, qualquer pessoa que tenha aquele apartamento e receba amigos, estes após usarem a sanita, ou entram no quarto da pessoa para poderem lavar as mãos, ou usam a cozinha, ou...não lavam, hipótese esta que me cheira ser usada muito pelos franceses.
13.11.14
Casa dos Segredos
Vou espreitando, vou espreitando e acho que nesta casa não gosto nenhum. =S
Cristiana - Faz parte daquele grupo de pessoas que gosta das coisas à maneira dela, é bruta quando as coisas não lhe correm bem e incapaz de se controlar. Para se desculpar, diz que "é feitio" e não pode fazer nada quanto a isso (tretas).
Pedro - Pelo que oiço é dos mais populares e até aceito que às vezes tem saídas com piada. Mas aproveita isso para dizer tudo o que quer mesmo que não o deva, e chega a níveis que ultrapassam (e muito) a boa-educação.
Bruno - Esta coisa de ele entrar com uma namorada e duas ex-namoradas dá-lhe logo uma imagem mázinha, mázinha. É o típico homem que pode fazer o que quer mais nem pensar que as mulheres levantem os olhos do chão, que faz logo um pé de vento.
Daniel - Soooooooooonso. Quer a Liliana aos pés dele sem se comprometer. E ela claro não se ajoelha sem ter a certeza que ele está na mesma onda (e não está). Fala, tem teorias, mas mete os pés na poça constantemente com a incoerência de discurso que tem.
Liliana - Caiu facilmente no colo do menino bonito e agora passa a vida a tentar limpar a sua imagem de traidora. Parece-me fútil e daquelas que gosta de se achar muito independente, mas que precisa de estar sempre a agradar aos outros.
Odin - Confesso que não o suporto. Não faz nada que me agrade. Acho bruto, não tem respeito por ninguém, acha que é o maior, é convencido, enfim, nada me agrada.
Ricardo - Está ali a fazer o quê exactamente? Cada vez que se mostra é para mostrar atitudes de menino mimado. Parece-me convencido que como participou num reality show daqui não precisa de fazer nada neste jogo.
Cinthya - Vá, até a acho inteligente e coerente (talvez a mais inteligente e coerente de todos), mas acaba por se meter em coisas que não é chamada e acho que às vezes pica um bocado os outros para haver reacções.
Agnes - Está ao mesmo nível do Odin. Seria incapaz de estar fechada numa casa com ela. Até pode ter muita cultura geral, mas falta-lhe educação a um ponto que acho impossível acontecer. Diz tudo o que quer, insulta toda a gente e não tem nenhuma capacidade de argumentar, e eu não tenho qualquer paciência para pessoas assim.
Daniela - É uma cadelinha atrás do Odin, não é? Faz tudo o que ele quer, certo? Oh, falta de personalidade....
Fernando - Eu até o acho uma personalidade calma, acho-o ponderado, mas acho-o um pouco vira-casacas. Vai dizendo o que melhor lhe convém e por ter lábia vai convencendo os outros.
Flávia e Elisabete - Ai, acho-as muito sem sal. Nunca têm opinião e quando têm não se sabem explicar.
Que grupinho que juntaram nesta casa. Bah.
12.11.14
Isto é tudo genético, a sério!
O meu pai ligou-me agora e contou-me:
- A tua mãe colocou a sopa no microondas e...ligou a máquina de lavar-roupa. Passado um bocado, fomos dar com a máquina a centrifugar e a sopa estava fria, claro!
E agora tenho o homem a abanar a cabeça e a dizer que não devia ter casado comigo sem conhecer os meus pais devidamente.*
* E mal ele sabe da missa a metade. Com dois pais assim, eu só podia sair assim tolinha. :D
Mudamos por amor?
Há uns dias conversava com uma amiga sobre esta coisa de querermos mudar a pessoa com quem estamos. Se eu mudei desde que conheci o Jack? Sim, mudei. Primeiro, porque eu própria evoluí naturalmente (ou coitada de mim que manteria a mentalidade e pensamentos que tinha aos 20 anos), segundo, porque estando numa relação, esta evolução acaba por ser condicionada pela pessoa com quem estamos. O Jack torna-me mais aventureira (ou nunca mas nunca na vida teria arriscado na compra de um apartamento nem estaria agora a avançar com a possibilidade de compra de uma casa). Por outro lado, eu travo o Jack com a minha ponderação e impeço-o de chegar a casa todos os dias com algo novo ou de se lançar diariamente em mil projectos diferentes para os quais nunca teria tempo nem capacidade financeira imediata. Mas com isto eu não deixo de ser a mais cautelosa, a medricas, a indecisa nem ele de ser o aventureiro, o homem com mais ideias à face terra e que até me faz estremecer quando o oiço dizer "Acho que vou comprar um....!". Ou seja, a nossa essência não mudou. E por isso, estar com alguém e esperar que essa pessoa mude por nós é praticamente impossível e, para mim, uma tarefa desgastante.
Por exemplo, eu sempre disse que queria alguém ao meu lado que fosse romântico e não fumasse (entre outros requisitos, mas falemos agora destes dois). O Jack cumpria esses requisitos quando comecei a namorar com ele e por isso imaginem o meu espanto quando passado cerca de um ano, o homem decide perguntar-me o que é que eu acho de ele começar a fumar (parvoíces dos vinte anos, só pode). Disse-lhe que achava mal, que para mim era um acto idiota, pouco saudável mas que eu não era ninguém para o impedir. A única coisa é que eu merecia alguém ao meu lado que não fumasse, e se ele começasse a fumar, então não era a pessoa certa para mim. Ponto. Ele tinha o direito de fumar. Eu tinha o direito de ter alguém não fumador. Nem pensei na hipótese de ficar com ele e esperar que um dia ele deixasse de fumar. Felizmente, o homem teve cabeça e nem sequer arrancou com tal ideia, o que nos permitiu ficar juntos até hoje. E mesmo hoje, ele sabe que se vier com a ideia de fumar, as coisas não correrão bem porque eu tenho o direito de querer ao meu lado alguém que não me torne num fumador passivo (e que não cheire mal, nem tenha mau hálito, etc, etc), assim como ele tem o direito de fumar, só que estes dois direitos não são compatíveis com uma vida em comum.
Da mesma forma que ao fim de quase 10 anos de relação o romantismo já não é como no início e eu continuo a ser a mais romântica dos dois, mas isso não me impede de, de vez em quando, relembrar o Jack que uma das características dele que eu realmente gosto é o romantismo que eu sei que ele tem. Porque eu sempre quis alguém romântico ao meu lado e escolhi-o por ele o ser, por isso tenho o direito de querer manter essa característica activa. Se ele não o fosse desde o início, seria apenas tolo da minha parte estar a tentar que fosse romântico quando isso não faz parte da sua natureza. Bom, mas se calhar aí nem sequer teria começado a namorar com ele, certo?
E dizia eu a essa amiga que isto de querer mudar os outros é tão estúpido como eu querer agora que o Jack passe a adorar fazer-me o jantar. Ou mesmo que o Jack queira que eu agora passe a adorar fazer o jantar para ele. Porque a verdade é que nenhum de nós morre de amores pela cozinha e isso é uma característica nossa que seria tola de tentar alterar. E se eu decidir hoje que tenho o direito de querer alguém que ame cozinhar (porque felizmente no mundo de hoje temos o direito de escolher quem temos ao nosso lado), então cabe-me a mim procurar essa pessoa em vez de
alterar aquela com quem estou.
Se o Jack é perfeito? Não (nem eu!). Se há coisas neles que eu alteraria? Sim (e ele em mim). Mas são coisas essenciais para ele ser o Príncipe da minha vida? Não. Como já uma vez disse a alguém: no dia em que eu casei com o Jack, casei com todas as qualidade e defeitos que ele tinha nesse dia e que me faziam ter a certeza que eu era capaz de ficar com ele para sempre. Se ele alterar alguma coisa (como deixar tudo espalhado, por exemplo), óptimo. Mas se ele não mudar nada, não faz mal, porque da maneira como está, ele já cumpre todos os pré-requisitos que fazem dele a pessoa certa para mim.
Mudamos por amor? Um pouco, sim. Mas não deixamos de ser quem somos.
11.11.14
O filme e a sala
Ontem fomos ver o filme "Interestelar" ao cinema. Pelo trailer, não tinha ficado muito convencida mas o Jack estava mesmo interessado em vê-lo e eu que até sou boa pessoa decidi dar-lhe esse miminho de meio ano de casados e acompanhei-o ao cinema. No fim, parecia que não tínhamos visto o mesmo filme. Eu dizia que tinha achado uma seca. Ele dizia que tinha adorado. Eu dizia que o filme era leeeeeeento. Ele achava que certas cenas até tinham sido rápidas demais. Eu não gostei. Ele contrapôs que eu até tinha gostado do filme "Gravidade". Fui reler o que tinha escrito sobre o filme e basicamente foi isto: o filme é giro mas não me convenceu enquanto que ele adorou. A história repete-se, portanto.
Voltando ao "Interestelar", eu até acho que a história está engraçada mas não me consegue mesmo convencer e eu não sei bem porquê. Não é por ser ficção, porque eu até gosto de alguns filmes de ficção. O Jack acha que pode ser por ter ligeiras semelhanças com o "Inception", com diferentes realidades, e talvez seja isso, sim (já que odiei mas bem odiado o "Inception", embora no "Interestelar" a história faça sentido e dê para seguir). Talvez seja também a maneira como o filme está feito e o facto de não me fazer qualquer sentido terem posto o Matthew McConaughey a fazer o papel de um homem de 33 anos. Enfim, não gostei e o Jack adorou. Se o forem ver ao cinema (não sei se já esteve, está ou se estará no cinema em Portugal) preparem-se para um filme de quase três horas. Eu confesso que ao fim da primeira hora já estava a revirar os olhos e a lançar maldições ao homem.
A parte boa é a sala a que fomos e que é provavelmente a maior sala de cinema onde alguma vez entrei. Adoro quando vamos àquela sala porque há verdadeiramente espaço entre as cadeiras. Se eu estiver bem sentada, consigo levantar as pernas e esticá-las, algo absolutamente impossível noutras salas de cinema, onde fico praticamente com os joelhos encostados ao assento da frente e onde consigo sentir nas minhas costas todo e qualquer movimento que a pessoa atrás de mim faça. A única questão deste cinema é que os lugares...não são marcados. E as pessoas vão-se aglomerando à porta da sala até que finalmente estas abrem e entra tudo ao molho para conseguir uns bons lugares (e se forem grupos, pior é). Quando nós chegámos já os anúncios tinham começado e as portas estavam abertas há algum tempo, por isso a sala já estava quase no limite da sua capacidade. E acreditem que entrar numa sala onde estão quase 600 pessoas às escuras até é de meter um bocadinho de medo.
10.11.14
Jáááá??
Seis meses de casamento, jáááá?? Caramba, que o tempo passa mesmo a voar. Parece que ainda ontem me casei e já passou meio ano. Para comemorar esta linda data, decidimos que ontem tínhamos mesmo de acabar de escolher as 150 fotografias que vão constar no álbum. Tarefa hércula esta, sabem lá! É que depois de escolhidas, ainda tivemos de escolher qual o tamanho de cada uma e ia-me dando uma coisinha má quando já a escrever o e-mail aos fotógrafos com a lista das fotografias, a contagem final dava...151 fotografias. O Jack só me disse "Recuso-me a ver as fotografias todas novamente para escolher a que se retira. Escolhe uma ao calhas!". Escolhe uma ao calhas, francamente. Deveria ter tirado uma dele e acabou-se. Mas já está a lista enviada aos fotógrafos e parece que nos saiu um peso de cima. Já andávamos com as fotografias penduradas na consciência há muitos meses e embora seja óptimo vê-las e revê-las, esta tarefa não nos estava a deixar descansados. Ainda assim, foram seis meses muito bons, iguais a tantos outros seis meses que já partilhámos porque (felizmente!) a nossa vida é assim: vai correndo calmamente, connosco unidos, sem dramas nem discussões, e com muito amor. E a única coisa que desejo é que ainda haja muitos seis meses como estes. :D
8.11.14
Estou coxa
Bati com os dedos do pé num canto da casa com toda a força há mais de uma hora e a dor é tal que eu nem consigo identificar quais os dedos que me doem. Para andar pareço uma tolinha e o Jack acaba de me mandar uma mensagem a propor irmos passear. E eu estou para aqui a ganhar coragem para lhe contar a pancada de hoje (já vos disse que tenho uma perna linda cheia de negras à conta da bicicleta?). O homem não sabe mas casou com um leopardo (desastrado, ainda por cima!) e não com uma mulher.
7.11.14
Desisto!
Enviámos os dados necessários para ser adicionada ao seguro do Jack. Pediram mais documentos, que temos estado a tratar de arranjar. Hoje chega a casa a carta com os dois cartões de seguro: um para ele e um para mim. Afinal os papéis pedidos não eram assim tão necessários. Mas o que me choca mesmo, mesmo, mesmo, é que um dos cartões vem em nome de Jack Apelido-Dele, e o outro venha em nome de Tété Dois-Apelidos-Dele! Ele, a quem os apelidos de facto pertencem, tem apenas um no cartão. Eu, que não tenho qualquer apelido em comum com ele, herdei logo dois apelidos de uma só vez, mesmo tendo bem explicito o meu nome nos documentos enviados. Desisto. Xiça, que nunca vi povo mais burocrata e cego que o francês....
Tété!
Pára de cumprimentar as francesas (e os franceses) com dois beijinhos! Mesmo que já se tenham cruzado e encontrado várias vezes. Principalmente se estiveres com o Jack, pois é vê-las a dar dois passos atrás e a estender logo a mão não lhe vá passar pela cabeça fazer a mesma coisa.
6.11.14
Também não serei a única...
Por outro lado isto traz-me recordações de quando ligavam lá para casa com alguma urgência veterinária e eu tinha de ouvir toda a história do cão atropelado, da quantidade e cor do vómito, das fezes do gato, do olhar estranho do piriquito, da tartaruga coxa e do peixinho a boiar na água, antes de conseguir dizer que esperassem um momento que eu ia chamar a minha mãe.
Tété a meter o pé na poça desde 1984
Respiro fundo. Confirmo o número na net mais uma vez. Marco. Hesito. Respiro fundo mais uma vez. Ligo. Atendem. E eu debito todo o meu discurso ensaiado sem pausas para não me perder e para o médico me compreender. Do outro lado dizem-me por fim "Bem, eu sou a secretária....".
Então mas afinal há secretária?? Ai, o caraças que não compreendo nada. E cheira-me que ela também não compreendeu e mandou-me simplesmente aparecer lá amanhã à tarde a qualquer hora. Estou feita com esta gente.
E a confusão que me faz?
Ando há três dias para ligar a um médico para marcar uma consulta. E engonho, engonho, engonho, adiando constantemente porque isto de ligar para o telemóvel directo do médico em vez de ser para uma secretária dá-me sempre a sensação que vou acertar exactamente quando ele estiver a meio de uma consulta ou ocupado com outra coisa qualquer. Mas porque é que as coisas aqui têm de ser assim?
Só lhe dou novidades.
Ontem, treinava eu o meu francês com o Jack, quando lhe perguntei:
- Como é a minha maneira de falar? Tenho um sotaque estranho?
- Huuum...não é bem isso.
- Um sotaque cerrado?
- Não...é mais nasalado.
- Sotaque nasalado??
- Sim, como se não respirasses pelo nariz enquanto falas.
- Eerrr...E eu não respiro pelo nariz, Jack. Daí a minha voz ser sempre nasalada, seja em que língua estiver a falar. Vê, se eu tapar o nariz e falar, a minha voz não se altera.
- Realmente!
Conclusão 2: Casei com um homem que não me conhece. Devo tapar-lhe os olhos e perguntar-lhe a cor dos meus olhos ou mais vale não arriscar?
- Como é a minha maneira de falar? Tenho um sotaque estranho?
- Huuum...não é bem isso.
- Um sotaque cerrado?
- Não...é mais nasalado.
- Sotaque nasalado??
- Sim, como se não respirasses pelo nariz enquanto falas.
- Eerrr...E eu não respiro pelo nariz, Jack. Daí a minha voz ser sempre nasalada, seja em que língua estiver a falar. Vê, se eu tapar o nariz e falar, a minha voz não se altera.
- Realmente!
Conclusão 1: Não se pode dizer que eu já não surpreenda o homem. Ao fim de quase dez anos descobre que tenho uma voz nasalada.
Conclusão 2: Casei com um homem que não me conhece. Devo tapar-lhe os olhos e perguntar-lhe a cor dos meus olhos ou mais vale não arriscar?
5.11.14
...
Tenho cada vez mais a sensação que os miúdos de agora não sonham como nós sonhávamos e não pensam no futuro como nós pensávamos. Nos dias de hoje, perguntamos a um adolescente o que quer ser quando for adulto e não lhes sai uma resposta de jeito pela boca. Encolhem os ombros e olham para nós como se lhes tivéssemos perguntado quando é que estão a pensar ir à lua. Que pergunta tão estranha esta, o que querem ser quando forem grandes, ouvida repetidamente quando éramos pequenos. Eu quis ser professora, mulher-a-dias, cozinheira, secretária de uma empresa, ajudante de veterinária, ajudante de guarda-florestal, entre outras que agora não me lembro. O meu irmão em criança queria ser veterinário de formigas, profissão obviamente sem futuro mas era um objectivo ao contrário do grande nada que assola o futuro dos jovens de hoje. Bom, minto, também já ouvi um "quero ser prostituta" e um "casar com um homem rico". E fora estas duas coisas, tens algum outro interesse? Alguma profissão que gostasses de ser? Cabeleireira? Astronauta? Maquilhadora? Polícia? Artista de circo? Não, nada de nada. Parecem viver a vida deixando-a apenas correndo, sem planos, sem ideia do que farão no ano seguinte, quanto mais o que farão no futuro, nem que seja apenas em sonhos. E mesmo encontrando algum que diga que quer ser médico, advogado, juiz, militar, o encolher de ombros está lá acompanhado da resposta "De qualquer forma, não tenho capacidade para ser isso". Mas como assim? Eu que fazia sempre arroz salgado ou insonso aos meus pais, sem acertar no tempero uma única vez, achava que tinha todos os requisitos para ser cozinheira. Da mesma forma que segui a área da Biologia sem nunca me ter perguntado se tinha capacidade para isso, porque era simplesmente a área que eu gostava. Gostas de carros? Que tal seres mecânico? Náááá....Ah, gostas de computadores? Que tal informática? Encolher de ombros. Gostas de penteados? Que tal cabeleireira? Não....E uma pessoa desiste e olha para eles e invariavelmente pensa que nós não éramos assim. Aliás, nós queríamos ser tudo e mais alguma coisa.
3.11.14
Ainda na senda das burocracias...
Aqui temos o cartão da "segurança social". Antes de recebermos este cartão, recebemos uma carta a dizer que temos de facto validação para ter este cartão. Até aqui tudo bem, que mais carta menos carta, já percebi que neste país gostam muito de usar os correios. O que eu acho impressionante é que certos serviços, em vez de pedirem uma fotocópia do nosso cartão da "segurança social" peçam uma fotocópia da carta. E se tiveres deitado a carta fora? Não faz mal. Pedes uma nova via da carta. Sim, aquela que te diz que tens direito a ter um número de "segurança social", número esse que depois aparece no cartão que temos. Felizmente acho que ainda tenho a carta algures...Deixem-me lá ir procurá-la para enviar uma fotocópia a quem se lembrou desta ideia mais estúpida.
E já acabou. Oh.
E o fim-de-semana acabou. Ohhhhh. Foi sem dúvida um fim-de-semana muito bom e que me deixou de rastos e capaz de dormir vinte horas seguidas, tal o nível de esforço físico para quem agora passa grande parte do tempo em casa. O parque onde estivemos é composto por várias casinhas de vários tamanhos, para mais ou menos pessoas, e construído junto a um lago. Éramos dez adultos e quatro adolescentes (socooorro, muitas hormonas juntas), e as casas onde ficámos eram mesmo junto ao lago e com uma vista linda. O pequeno-almoço era deixado à porta logo de manhã e depois era hora de pegar nas bicicletas e de ir para o Mundo Aquático, composto por várias piscinas de água quente, piscina de ondas, jacuzzis, piscina de água gelada, escorregas abertos, escorregas fechados, um escorrega fechado e escuro como breu, entre outras coisas. Não testámos todas as outras actividades que por lá havia, embora tenhamos visto crianças a andar de pónei e passado junto ao mini-golf. A quantidade de gente no parque era imensa (chegámos a estar mais de 500 pessoas no Mundo Aquático) e por vezes era complicado circular de bicicleta e não chocar com as centenas de pessoas que passeavam a pé, de bicicleta, em bicicletas de dois lugares, em bicicletas com crianças, em trotinetes, em carrinhos de golf, em bicicletas com reboque, de skate...Enfim, um parque cheio. Consegui ainda assim não me estatelar no chão todo o fim-de-semana e fiz apenas e somente umas quatro nódoas negras ao montar e desmontar da bicicleta. Fora as picadas de melga a que fui sujeita (porque numa casa com 14 pessoas, eu era obviamente o melhor alvo). O tempo esteve muito bom (tivemos imensa sorte!), com sol, e só piorou na tarde de domingo, exactamente na altura em que eu pensei tirar umas fotografias. E uma vez que estas não ficaram nada de jeito, aqui ficam fotografias tiradas da internet.
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