30.6.14

Não nos estamos a entender

O carteiro passa sempre por volta da mesma hora, ali pela altura do almoço, isso eu já sei. Mas nos últimos tempos tenho recebido algumas encomendas e pensei que estas chegassem à mesma hora que as cartas. Errado. A primeira vez que me apercebi disto estava eu plena ginástica matinal. Andava por isso aqui aos pulinhos, alongamentos, abdominais e coisas que tais, e tocam à campainha. Confesso que pensei ignorar a campainha tal era o meu estado mas depois pensei que queria mesmo, mesmo, mesmo ver aquela encomenda naquele dia e não no dia seguinte quando a fosse buscar ao correio. Por isso, lá fui vermelha como um tomate, o rosto a pingar de suor, a t-shirt toda molhada. O rapazinho giro (que eu nunca tinha visto) até deu um passo atrás quando me viu. Hoje, iniciei os exercícios mais cedo, já que esperava nova encomenda e não queria ser apanhada novamente naqueles preparos. Não fui, é um facto. A campainha tocou estava eu a sair do banho...Enfiei à pressa umas peças de roupa e lá fui abrir a porta, vermelha como um tomate ainda, e como cabelo a encharcar-me a t-shirt, as calças e a formar uma poça de água no chão. Mais uma vez o rapazinho giro deu um passo atrás. A ver vamos, eu sou uma mulher comprometida (e bem comprometida) e não tenho qualquer intenção de andar a seduzir carteiros giros, mas também escuso de andar a fazer figurinhas destas, não? Uma mulher tem de manter alguma dignidade e ver um espécime daqueles a dar um passo atrás cada vez que nos vê não ajuda nada....

Cedo à tentação ou não cedo?

Sábado à noite, durante um jantar, conversavam as mulheres sobre livros. Os homens brincavam com o assunto e o Jack queixava-se que quando vamos de férias ocupo mais espaço na mala com livros do que com roupa. Tentava assim mais uma vez convencer-me a ler os livros no ipad, hipótese que mais uma vez recusei. Conversa puxa conversa, e levantada a hipótese de se se conseguiria comprar livros em português e recentes para o ipad, dei-lhe o título do novo livro da Lesley Pearse, que ando a namorar há umas semanas e a pensar pedir aos meus pais que mo ofereçam nos meus anos (em Outubro). No minuto seguinte, já o Jack me dizia que podia arranjá-lo, sim senhor, e que até já o tinha comprado, podendo eu assim, mal chegássemos a casa, pegar no ipad e ler o meu querido livro. Ontem acabei aquele que andava a ler. E hoje olho assim de lado ali para o ipad que contém nele um livro que eu sei que vou adorar, um livro que me apetece muito ler, mas...e a falta que me vai fazer sentir o papel?

28.6.14

Pequenas coisas

E num dia chuvoso como o de hoje, dá outro gosto trabalhar quando pela janela à nossa frente se começa a ver passar bolas de sabão....:)

27.6.14

Há dias...

...em que eu tenho mesmo, mesmo, mesmo pena de não beber café nem qualquer outra bebida estimulante. Tanto trabalhinho que tenho de fazer e estou praticamente às cabeçadas no ecrã do computador....

Epah, mas eu sei cozinhar o básico. Acho...

Quando um convidado, a meio do jantar, me pergunta porque razão não aproveito o desemprego e o tempo disponível para fazer um curso de culinária, mesmo que seja dos mais básicos, não é muito bom sinal, pois não?

26.6.14

Não entendo

Eu admito que percebo pouco de futebol ao ponto de há uns anos ter acordado a meio de um jogo e ter perguntado "quem era aquele senhor de preto que andava ali no meio do campo" (no tempo em que os árbitros usavam esta cor). Percebo pouco de estratégias, de foras de golo, de contagem de pontos e nem sequer sei a posição dos jogadores. Mas devo ser mesmo muito burrinha para não entender estas coisas:

  • Qual é necessidade de se atirarem para o chão quando visivelmente ninguém lhes tocou? E depois ali ficam, queixosos agarrados a tudo quanto é sítio, como se pensassem "Ai, a minha cabeça, a minha cabeça! Ai, espera, é melhor queixar-me antes do joelho que talvez me levem mais a sério. Ai, o meu joelho, o meu joelho!". E vendo que ninguém lhes liga, levantam-se e desatam a correr como se nada lhes tivesse acontecido (o que é verdade). Fazem lembrar aqueles miúdos que desatam num berreiro mas que se calam rapidamente se não tiverem público. É preciso serem assim tão criancinhas? Pagam-vos para isso? Não é para jogarem à bola? É que ainda que o árbitro não consiga perceber se houve mesmo falta ou não, o público vê, meus amigos. E pelo menos eu fico com vontade de vos tirar a bola e mandar-vos sentar num canto a olhar para a parede, de castigo. Não sabem jogar como meninos grandes, não jogam. Simples.

  • Vale tudo? Assistir a um jogo de futebol é quase como assistir a um campo de pancadaria entre 22 lutadores. No jogo de hoje, no primeiro quarto-de-hora já um sangrava. E é vê-los a fazerem carrinhos contra as canelas dos outros, é vê-los a puxar as camisolas e os braços dos outros, é vê-los aos empurrões. A mim, na escola, ensinaram-me que isto não era permitido. Não me digam que matulões daqueles, pagos a peso de ouro para jogar futebol, não sabem as regras mínimas de jogo. Será que não sabem jogar sem truques baixos destes? Têm medo de perder se confiarem apenas nas suas capacidades de jogo? Se jogassem sem camisolas, saíam dali todos com as marcas de unhas e dentes marcadas no corpo tal é a ânsia de se segurarem uns aos outros. 

  • Sabendo a importância que é não sofrerem lesões, não deveriam ter mais cuidado com estas brincadeiras? Porque da mesma forma que fazem uma rasteira aos outros, os outros também vos podem fazer. E serem todos profissionais e terem juízo para não darem cabo uns dos outros? É que o público vê um jogo de futebol para ver golos, passes espantosos, bons pontapés na bola, e não para passar a vida a ver a equipa de socorro a entrar em campo e os jogadores a saírem em macas.

  • E falando em lesões, o que se passou com a equipa portuguesa? Não andavam a treinar? Não faziam os aquecimentos? É normal tantas lesões numa só equipa?

  • Que mania é essa de tentar contornar as regras do jogo? Até eu sei que se um jogador de uma equipa toca na bola antes desta sair de campo, então a bola regressará ao jogo pelas mãos (ou pelo pé) da equipa contrária. Mais simples, não há. Então para quê levantar os bracinhos como quem diz "Não toquei na bola, não toquei na bola!" quando é bem perceptível que sim? Pensam que o árbitro vai dizer "Epah, eu vi que tocaste na bola mas se me dizes que não, eu acredito"?. Meninas, pah. Assumam que tocaram na bola, sem fazer fitas, e sem perder tempo com pantominices desnecessárias.

Não entendo, a sério que não entendo....


Memórias olfactivas

Cresci praticamente sem olfacto por isso não recordo muitos cheiros da minha infância. Lembro-me do cheiro que sempre associei à terra dos meus avós e que hoje sei ser o cheiro do bolo de chocolate que a minha avó fazia. Lembro-me do cheiro dos acampamentos, que hoje sei ser o cheiro da terra molhada. E o cheiro da casa de praia, que hoje sei ser uma mistura do cheiro do mar com o cheiro das sardinhas assadas ou do frango do churrasco. Estes dois são para mim iguais e não sei ainda hoje diferenciá-los. Há uns tempos, chegámos a casa dos pais do Jack e eu comentei satisfeita "Que bom, o jantar vai ser sardinhas", pelo cheiro que sentia no ar. Afinal era frango. Não identifico muitos cheiros pois cresci sem os aprender e, já adulta e com olfacto, acho que não tive grande curiosidade em andar a meter o nariz nas coisas e descobrir a que cheiram. Não suporto o cheiro do vinho, do café, do tabaco ou da gasolina. Adoro o cheiro das laranjas, talvez por ser dos poucos odores que eu sabia o que era já em pequena. Ao contrário dos outros que não gostam de ficar com o cheiro nas mãos quando descascam uma laranja, eu gosto porque reconheço o cheiro e é dos poucos dos quais me lembro de sentir em miúda. Passei a adolescência em perfeito desconhecimento sobre os perfumes e achava tolas as amigas que me estendiam o pulso e me perguntavam se gostava do novo perfume delas, pois eu nunca sentia nada. Hoje vou alternando entre três perfumes, e ponho pouco, pois não tendo o olfacto desenvolvido tenho sempre receio de abusar e intoxicar uma cidade inteira. No dia do meu casamento, esqueci-me de pôr o perfume que tinha escolhido (J'adore), mas na minha memória será sempre ele o perfume do meu casamento, pois lembro-me do frasco colocado ao pé dos brincos, e eu nunca associaria o meu casamento ao ser odor (por pouco sentir) mas sim à sua imagem. Acho que gosto do cheiro a chocolate, embora neste momento nem me esteja a lembrar bem de a que é que cheira. Em contrapartida, lembro-me bem do seu sabor. Não gosto do cheiro dos shampoos da Frutis e simplesmente não suporto o cheiro das pastilhas elásticas. Viagens de carro ou avião com alguém ao meu lado a mascar pastilhas é uma tortura e o mais certo é acabar a viagem verde de enjoo. Lembro-me de um acampamento que fiz em que todos os miúdos foram besuntados com cheiros diferentes, e a missão era encontrar quem tinha o mesmo cheiro que nós e formar uma equipa. O resultado fui eu perdida, sem sentir nada, a achar que eram todos malucos. Lá fui resgatada por alguém que identificou o cheiro que eu tinha e me proclamou membro da sua equipa. E agora que penso nisso, sou menina para ter mais recordações de infância de situações em que não senti cheiros do que aquelas às quais associo um cheiro específico. :)

25.6.14

Nunca serei fashion

É que não consigo compreender esta moda de prender a parte da frente das camisas/t-shirts/camisolas dentro das calças, e deixar a parte de trás solta. Parece que se foi à casa-de-banho e com a pressa se saiu com metade da roupa desfraldada e a outra metade presa...É que então visto do lado fica algo absolutamente esquisito. =S

Trânsito

Uma das coisas que acho absolutamente insuportável em Paris e arredores é o trânsito. Para além de achar que as faixas das auto-estradas são mais estreitas que as nossas, e ter sempre a sensação que se mexo o carro dois milímetros para o lado bem posso dizer adeus a um espelho ou que vou acabar sentada no colo do condutor do carro ao lado, o trânsito é algo que me provoca crises de nervos. Não é apenas a confusão que faz ter carros a passar por mim a alta velocidade pela esquerda, pela direita, em ultrapassagens sem regras, como também o facto de facilmente um percurso de meia-hora passar a demorar duas horas para fazer. Nós não vivemos exactamente em Paris mas o Jack tem grande parte do seu trabalho lá, pelo que as suas horas madrugadoras de acordar devem-se muito ao trânsito que apanha e que tenta evitar. Tanto que ao sábado e durante o mês de Agosto pode dar-se ao luxo de acordar um pouco mais tarde pois sabe que não se arrisca a chegar ao destino duas horas depois do previsto devido ao trânsito. Mas depois há dias como o de ontem, em que me liga dizendo que está há duas horas no trânsito e que ainda nem conseguiu sair de Paris. Quando finalmente chegou a casa, estava há quatro horas em estrada, depois de um dia de trabalho e de já ter conduzido de manhã. Não consigo suportar este trânsito que a mim me mete nervos e que lhe rouba tantas horas do dia dele.

24.6.14

Respirar fundo e contar até dez

É a única coisa a fazer naqueles dias em que gastamos 8 agrafos para agrafar um monte de dez páginas, e quando finalmente conseguimos reparamos que agrafámos as folhas na ordem inversa à que deveríamos, certo? É que ou respiro e conto até dez ou os meus vizinhos vão ver pela primeira vez um agrafador voador a sair da minha janela.

Não percebo nada disto

Estou para aqui a estudar as tarifas de correio (cada um se entretém como mais gosta) e ou estou a fazer uma imensa confusão ou sai-me mais barato enviar a mesma coisa (com um certo peso) por correio registado para fora do país do que enviar por correio registado para onde quer que seja em França. Fantástico, absolutamente fantástico. Quanto mais tento perceber os correios franceses, mais vejo que os nossos talvez não sejam assim tão maus.

Não se pode ter tudo

Adoro trabalhos manuais e embora ache que ao longo do tempo tenho vindo a perder um pouco o jeito devido à falta de prática, ando entretida novamente com estas lides. A única chatice é que penso que vou ficar sem a ponta dos dedos e já me rendi à ideia de que nem vale a pena pintar as unhas.

23.6.14

Os fóruns de casamento

Em primeiro lugar: dão jeito. Filtrando tudo muito bem filtradinho, como me aconselhou uma amiga, até se encontram informações úteis. E eu tenho de concordar com ela, pois claro. Uma das vantagens destes fóruns é a oportunidade que se tem em encontrar contactos de fornecedores. Quer ter bonecos de topo de bolo personalizados? É só pedir para que os fornecedores a contactem e enviem orçamentos. Quer oferecer um espelhinho como lembrança mas não encontra em lado nenhum? Sorte a sua, porque uma noiva que vai casar daqui a três meses encontrou um sítio onde comprou os dela e dar-lhe-á com todo o gosto a morada ou o link da loja. No meu caso, os fóruns serviram sobretudo para procurar opiniões sobre certos serviços que pensava contratar. Por exemplo, só contratei a Lugares e Momentos depois de ter lido opiniões sobre eles, pois sinto sempre uma maior segurança quando vejo que tudo correu bem com outras pessoas que contrataram os seus serviços. Da mesma forma, declinei a contratação de outros serviços ao ver as más opiniões que por vezes surgiam. Também no que toca a burocracias, muitas das minhas dúvidas ficaram esclarecidas ao ler as dúvidas de outras noivas e as respostas dadas por quem já tinha passado aquele ponto. Num destes fóruns acabei por encontrar uma rapariga que dizia ir usar um determinado modelo da Pronovias e queria conselhos sobre os acessórios a conjugar. Achei piada por o modelo escolhido ser exactamente o mesmo que o meu, e acabei por lhe mandar um e-mail. A partir daí fomos trocando e-mails, fotografias das provas do vestido e partilhando os pormenores que cada uma estava a programar para o seu dia, vi as fotografias do casamento dela (que aconteceu cerca de 3 meses antes do meu), ela viu as do meu,e recebi com agrado a notícia de que espera um bebé. :)
Mas se os fóruns nos podem trazer informações jeitosas e situações engraçadas, também é preciso ser -se racional e não entrar em pânico com as coisas que se lêem. A decisão da data foi algo muito discutido cá em casa, pois eu achava que 5-6 meses para organizar um casamento era algo de doidos, principalmente à distância. A culpa disto eram os relatos que eu lia de quem começava a organizar as coisas dois anos antes e mesmo assim em aparente stress constante. Afinal deu mais do que tempo e com alguma calma (ao ponto de na semana anterior não ter nada para fazer a não ser ir buscar o vestido à loja). Mas a verdade é que vêem noivas que a seis meses do casamento pedem informações urgentes sobre uma maquilhadora, que três meses antes do casamento estão em pânico porque não encontram os brincos certos para o vestido, porque têm tanto que fazer e "só faltam" oito meses para o casamento. E tal como em todos os blogs há comentadores de todos os tipos (menos aqui que são todos muito simpáticos e civilizados :P), também nos fóruns é preciso não entrar em pânico quando se pergunta se sabem onde se localizam as lojas de vestidos de noiva no Porto e se recebe como resposta um "Só vais ver vestidos agora?? Só falta um ano para o teu casamento! Estás super-atrasada!!". A mim fazia-me uma confusão imensa estar a ver vestidos em Dezembro para o meu casamento em Maio e ler ao meu mesmo tempo quem também o fazia para casar em...2015. Ou ler agora quem começa a tratar das coisas para o casamento em...2016. Ou mesmo quem vai casar em Outubro de 2015 e já tem o vestido, a quinta, o fotógrafo, o Dj, a animação infantil e está a stressar porque ainda não tem os convites. Ufa. Um casamento é (só) um casamento e para mim está mais do que provado que cada um lhe dá a sua importância, daí ter de se ser cabeça fria e não nos deixarmos influenciar por quem está activamente a querer fazer a festa do século ou de quem acha que ser noiva é ser um pote de stress puro. No outro dia lia o testemunho de alguém que casará em Agosto de 2015, já tem o vestido, a quinta, o fotógrafo, os convites, o dj, as ideias para lembranças, a igreja, enfim, tudo que há de mais importante a resolver e mesmo assim admitia que nos meses antes do casamento iria estar uma pilha de stress com tanta coisa para tratar. Porquê, se já está praticamente tudo resolvido? E depois percebi porque é assim que ela acha que se deve sentir enquanto noiva, e quanto a isso cada um é como quer ser.
Os fóruns de casamento dão jeito sim senhor, mas às vezes há que respirar fundo antes de começar a ler o que para lá se escreve. :)

Mas ele ainda insiste quando sabe que adormeci há tão pouco tempo?

Ontem as insónias atacaram-me (que bom) e acabei por ver o jogo todo até às duas da manhã, andei a engonhar mais meia-hora, fui para a cama na esperança de que o sono viesse e finalmente adormeci já passava das três da manhã. Tal significa que quando o despertador do homem tocou às 4h30 eu não estava capaz nem de dizer o meu nome completo quanto mais ter uma conversa minimamente inteligente. Por isso, quando o homem chega ao pé de mim para se despedir, dá-se este diálogo:

- Sabes do meu casaco castanho?
- Que casaco castanho?
- Desculpa, não é castanho, é cinzento. Sabes dele?
- Mas que casaco castanho?
- Não é castanho. É cinzento. Aquele da Adidas.
- Qual casaco castanho da Adidas?
- Cinzento! Tipo fato-de-treino. Sabes dele?
- Mas qual casaco castanho?
- Cin-zen-to! Aquele largo, não o viste?
- Mas qual casaco castanho?
- Dorme.....

22.6.14

Buuuuuuuh

O jogo de Portugal contra os Estados Unidos da América só passa aqui num canal privado. Caramba, eu nem queria ver o jogo todo (porque não tenho vida para me deitar depois das duas da manhã), mas queria pelo menos ouvir o hino e ver os primeiros minutos de jogo. Lá vou ter eu de procurar maneira de ver na net. Mas só mesmo um bocadinho que se já não acho muuuuita piada ao futebol, muito menos acho com má qualidade de imagem.

Estou quase a dar com a cabeça nas paredes

Um dia eu hei-de entender o Prestashop. Hoje não é o dia, e eu já estou a sentir o fumo a sair-me pelas orelhas. Por cada acção que quero fazer, perco horas de vida a tentar perceber como se faz. Bem, deixem-me lá regressar ao trabalho....

21.6.14

Coragem, Tété!

O nosso segundo quarto padece de um qualquer feitiço e tem sido, desde que para aqui viemos, o quarto da tralha. É preciso guardar estes caixotes? Vão para o segundo quarto! É preciso guardar estes sapatos? Vão para o segundo quarto! É preciso guardar estas latas de tinta? Vão para o segundo quarto! Não sabemos onde enfiar as minhas caixas de puzzles? Vão para o segundo quarto! Onde é que guardamos estas ferramentas todas? No segundo quarto! E o escadote? 'Bora para o segundo quarto! A isto junte-se um sofá-cama e uma secretária do Jack que mais parece uma mesa de reuniões para uma grande equipa, e este quarto (que não é grande) fica simplesmente inabitável. E eu, cheia de fé e esperança, de vez em quando arregaço as mangas e lá vou eu tentar meter ordem naquilo, ver se pelo menos conseguimos chegar até à janela, sem pisar nem partir nada. E consigo. Quer dizer, não fica assim um quarto de visitas/escritório/arrecadação muito bonito e arrumadinho, mas pelo menos fica com um ar um bocadinho mais composto. Mas de repente, umas semanas depois, como por magia, deixo de conseguir voltar a lá entrar. Estou convencida que me entra um gremlin cá em casa sem eu me dar conta e me transforma aquele quarto numa autêntica barraca de ciganos. Mas como eu não me dou por vencida (e estou a precisar de enfiar mais umas coisas naquele quarto e neste momento não tenho espaço), hoje vou munir-me de um capacete de mineiro com uma lanterna e uma pá e vou novamente tentar meter ordem naquilo. Se eu não der notícias até amanhã mandem uma equipa de busca e salvamento.

20.6.14

Nem que me pagassem eu me punha a jogar à bola....

O jogo não começou há nem dez minutos e já está um suíço a sangrar e a sair do campo. Isto só me dá razão quando digo que o futebol é no fundo um desporto de porrada, certo? 

Xiiiiiiiuuuuuuu

Hoje joga a Equipa Francesa no Mundial e eu até sou menina para torcer por eles porque uma pessoa é do país onde nasceu mas também do país que nos acolhe. Mas se volto a ouvir algum vizinho gritar mais uma vez "Allez Les Bleus!", juro que vou passar o jogo a torcer para que percam o jogo. Xiça, como é que conseguem fazer ainda mais barulho do que o habitual???

Ainda os meus apelidos

Enviado o e-mail à gestora de conta do banco para que me devolvesse os meus apelidos, trocados estupidamente pelos do Jack, a questão resolveu-se muito rapidamente. Na vez seguinte em que acedi via net às minhas contas, o meu nome estava novamente tal e qual como os meus pais me baptizaram. Ainda assim resmunguei com o Jack que teria ficado bem receber um e-mail de volta com um pedido de desculpas pela confusão criada. Ora pois, a mim não me foi dito nada nem dada qualquer justificação, mas ao Jack sim. Em conversa telefónica com a mesma gestora, esta desculpou-se ao Jack pela confusão criada com os meus apelidos. Ora, raios ta partam, se foi no meu nome que mexeram, se foram os meus apelidos que trocaram, se foi um e-mail meu que receberam, não deveria ser comigo que deveriam falar? Nãããão, toca de ir falar com o marido que aqui a esposa não é tida nem achada nos seus próprios assuntos. Humpf. Foi também dito ao Jack que a culpa não era dela, da gestora, mas sim do sistema informático que automaticamente altera o nome das esposas para que estas adoptem o apelido dos maridos. Mas quem, almas de Deus, quem é que cria um sistema destes?? Quem?? Quem é que no seu perfeito juízo põe um programa a alterar o nome das pessoas só porque casaram?? Quem?? Em conversa com a família do Jack sobre este assunto, disseram-me que realmente é tudo automático e que qualquer serviço em que esteja ligada a ele me alterará o nome automaticamente, daí me terem sempre aconselhado a aceitar a adopção do apelido dele pois daria menos confusão por cá (desde quando é que manter o nome que se usou nos últimos 29 anos é complicado, meu Deus?). Já estou mesmo a ver que a próxima carta virá da Segurança Social a dizer que ganhei um novo nome sem eu própria saber. E eu juro que não entendo...Quer dizer, uma pessoa não altera o nome por vontade própria e até fica contente porque assim não tem de andar a perder tempo a fazer novo cartão de cidadão, nova carta de condução, informar o banco e outros serviços que mudou de nome, e toda mais uma série de trabalheira, e afinal vem para França e tem de andar a perder tempo com os diferentes serviços para os avisar e corrigir de que não, não adoptou os apelidos do marido e sim, mantém os seus, muito obrigadinha. Sou só eu a achar que isto de normal não tem nada?

Eu até apoio....mas depende das horas.

O próximo jogo de Portugal começa aqui à meia-noite de domingo para segunda?? Bem, meus meninos, estão por vosso conta porque eu a essa hora não me vou pôr a tocar à campainha da família do Jack a insistir que quero ver o jogo com eles. E também não sei se estarei com vontade de me sentar no sofá a ver futebol a essa hora. Olhem, temos pena, joguem, façam um esforço e no dia seguinte contem-me como foi.

19.6.14

Like Diamonds

Uma amiga decidiu que a vida não está para quem fica de braços cruzados e decidiu tentar a sua sorte no mundo da venda de bijuteria. Criou assim uma página chamada "Like Diamonds", onde vende peças a preços acessíveis e giras, giras. Eu tenho estes brincos rosa, pequeninos e discretos, exactamente ao meu gosto. Mas há peças mais tcharã para quem também gosta. Porque é que não dão uma espreitadela? :)

Um bocadinho pequenino dos nossos Açores

 A Lagoa das Sete Cidades

 Um bocadinho da arte urbana que se vê em Ponta Delgada. Há coisas giríssimas.




Caldeira Velha 

Lagoa do Fogo 





Muitas vaquinhas e muita bosta de vaca agarrada ao carro. O aspecto passado alguns dias era tal que tememos que nos pedissem para retirar o carro do estacionamento privado do hotel.


A vista do hotel 



 Os carros do rally....



18.6.14

Ai

O meu computador está a ficar tão lento, mas tão lento, mas tão lento, que se calhar já lhe fazia uma limpeza e uma cópia de segurança, não? É que da última vez que um computador meu se portou assim foi no dia da entrega da tese provisória de mestrado e à noite simplesmente morreu e não teve qualquer hipótese de arranjo. Ora isto foi há cinco anos e foi o motivo que me levou a comprar este (que coitadinho, tem de ser considerado um sobrevivente pois 5 anos nas minhas mãos e ainda a funcionar é bastante), mas juro que agora não me dá meeeesmo jeito nenhum ter de comprar outro.

E o Jack bate palminhas porque está doido para me passar o Mac dele e ir comprar um novo para ele. Espeeeeerto.

A lua-de-mel

Desde que começámos a namorar e que começámos a falar em casamento, que sempre achámos que se um dia realmente déssemos este passo, a lua-de-mel seria em Portugal. Não sendo nenhum de nós apaixonado pela ideia de conhecer as Maldivas, Tailândia e outros destinos tão comuns em lua-de-mel, não valia a pena investir e insistir em tais viagens. E também não somos os maiores fãs de praia já que o nosso tom de pele só nos permite atingir uma cor entre o "branco mais branco não há" e o "vermelhinho como um camarão" (tenho tanta pena, mas tanta pena dos nossos futuros filhos). Ainda ponderámos a ideia de conhecer alguma cidade, um passeio mais cultural, mas rapidamente pusemos a ideia de parte após ter sido relembrada pelo Jack da nossa viagem a Barcelona, na qual jurei que seria uma semana sossegada e na qual acabei a acordá-lo sempre cedíssimo porque queria visitar tudo e ver tudo o que podia, não o deixando nunca descansar. A ideia de ficar por Portugal prendia-se não só ao facto de acharmos que o nosso país não pode ser apenas considerado bom para férias pelos estrangeiros e também porque o Jack, tendo passado grande parte da sua vida em França, pouco conhece do nosso país. Além do mais, estando eu desempregada, não nos parecia correcto estar a gastar muito dinheiro numa grande lua-de-mel neste momento (mas também não queríamos abdicar de uma semaninha algures). Por ele o destino era certo: Algarve. Já lá fomos algumas vezes e mesmo evitando o sol, o Jack gosta simplesmente da sensação que o Algarve lhe dá de estar de férias e poder esvaziar a cabeça. Eu torcia o nariz. Não me apetecia ir para o Algarve. E depois lembrei-me de uma viagem que já fiz, da qual já tinha falado mil e uma vezes ao Jack e que muitas vezes tinha dito que um dia haveríamos de lá ir os dois: Açores. Ainda ponderei visitar várias ilhas, mas o orçamento disponível não nos permitia estar com grandes aventuras e por isso acabámos por passar uma semana em São Miguel, num óptimo hotel mesmo ao pé da marina, num quarto onde, coincidências das coincidências, tinham sido colocadas as mesmas flores escolhidas por mim para o casamento. O bom da ilha de São Miguel é que há coisas para ver e vale mesmo a pena alugar um carro e visitar a ilha, parar nos miradouros, ir ao mar, visitar os pontos mais turísticos, comer o belo cozido das furnas, mas não é algo que nos ocupe uma semana inteira a ver, o que permite que haja dias em que se pode simplesmente relaxar e não ir a lado nenhum. Nesta semana, mandei o meu tratamento de sono e a dieta às urtigas, e dormi até tarde, dormi sestas e tentei acabar com o stock de gelados e cachorros quentes da ilha. Na viagem de avião para lá, percebemos que tínhamos companhia especial, pilotos de rally barulhentos e festivos. Não liguei muito convencida que aquele voo seria apenas o primeiro de outros que fariam, até o piloto do avião nos ter informado que iria decorrer um rally em São Miguel. Boa! Logo eu que (não) adoro carros...Acabei por isso por andar à volta dos carros, por ver a apresentação dos carros, por falar até com um piloto e tirar um foto ao Jack com ele, por me sentar simplesmente a vê-los arrancar e a fazer barulhos com o motor (as coisas que se fazem por amor, Jesus!). É que eu percebo tanto disto que só comentava com o Jack "Meu Deus, que barulheira que aquele carro faz! Deve ter alguma peça solta, não? O motor deve pifar a qualquer momento! Eles andam com aquilo assim??", até ter percebido com o rolar de olhos e mil explicações que sim, que era normal os carros de rally fazerem aquele barulho (eu continuo a dizer que se fosse o meu carro eu levava-o logo à oficina). Assim temos fotografias do mar, das vacas, das paisagens verdes, dos pássaros, dos jardins, das coisas típicas dos Açores, e outras tantas de...carros. Mas foi uma semana óptima, mais um bocadinho do nosso Portugal apresentado ao Jack, e uma viagem para recordar. :)

Ufa

O tempo tem passado tão depressa que só hoje, um mês depois de ter acabado a lua-de-mel, é que estou a descarregar as fotografias do cartão da máquina fotográfica para o computador. Esperam-me 360 fotografias tiradas pelo homem. Ainda bem que só fomos uma semana....

17.6.14

Karma

Nunca fui vítima de bulling, felizmente. Recordando toda a minha vida escolar, acho que tive receio de ir uma única vez para a escola depois de uma confusão em que me meti no 7º ano e que fez com que os meus colegas de turma achassem que eu os tinha insultado a todos. Não estavam obviamente muito satisfeitos comigo e eu não me lembro se tive medo que eles me batessem ou se tive simplesmente medo que não falasse comigo durante todo o dia. Mas sei que a situação se resolveu e que não apanhei nenhuma sova. Nem sempre gostei de todos os meus amigos de turma, não me dava propriamente com os rebeldes que lá apareciam todos os anos e tinha pouca paciência (ainda hoje tenho) para disparates. Não me lembro de metade dos meus colegas de turma dos diferentes anos, mas houve um que nunca me saiu da cabeça por ter ficado ao meu lado na maior parte das disciplinas, por ser mais velho, por me atazanar a cabeça, por se atirar a mim (e eu com 11 anos era tão, mas tão inocente para certas conversas que dali vinham). Não posso dizer que tenha feito da minha vida um inferno porque lembro-me de ir para a escola sem problemas, mas foi um chato que eu teria dispensado sem problemas. Nunca me esqueci dele e muitas vezes pensei que ainda bem que nunca mais me teria de cruzar com ele na vida. Até ter voltado a namorar com o Jack e ter descoberto que continuavam amigos e que também ele estava emigrado para estes lados. Felizmente a idade passa por todos e aquilo que fomos em crianças/adolescentes não tem de ser obrigatoriamente aquilo que seremos em adultos, e hoje obviamente que estamos juntos sem qualquer problema. Mas caramba, não consigo deixar de olhar para ele e pensar que foi a única pessoa que eu um dia desejei não voltar a ver. O sacana do karma gosta mesmo de brincar comigo. :)

Há pessoas (ele) que não deveriam ver filmes....

O Jack, devido ao trabalho que tem, usa apenas a aliança ao domingo. Isto faz com que alguém como ele que nunca usou anéis na vida, esteja e vá demorar mais do que o habitual a habituar-se àquele objecto estranho que de repente tem no dedo. Farta-se de a pôr e colocar, roda-a com o polegar, nota-se que lhe faz confusão ter ali aquele anel, e com tanta brincadeira quase que posso jurar que a ele perderá mais cedo ou mais tarde. No dia seguinte a termos visto o "The Prestige", ouvi a aliança cair várias vezes ao chão, algo pouco habitual. Horas depois percebi o que estava acontecer: o meu querido marido estava a treinar esta cena que se passa no filme. E verdade seja dita, já o consegue fazer, mas agora é que eu estou mais certa que aquela aliança não há-de durar muito tempo sem se escapar dos dedos e cair num buraco qualquer.


16.6.14

Não vá isto tudo depender de mim....:P

No Euro 2004 a minha família seguia uma tradição em todos os jogos de Portugal: saímos de casa, íamos à pizzaria e levávamos as pizzas para casa da minha madrinha, onde as comíamos a ver o jogo. Os únicos jogos em que Portugal perdeu (os dois contra a Grécia) foram os únicos jogos que eu não estive com eles, e eu, que não acredito nestas coisas, estou convencida que se não fosse esta minha falta, Portugal não tinha perdido. Hoje é dia de ir ver pela primeira vez um jogo de futebol com a família do Jack e se Portugal ganhar, acho que terei de os convencer que em todos os jogos me terão em casa deles a tocar à campainha, mesmo não tendo sido convidada. Desta vez não mudo as rotinas nem que me apontem uma arma. :)

The Prestige

O Jack recebeu no Natal uma caixa com vários filmes, alguns conhecidos por nós, outros nem tanto. Geralmente aproveitamos a hora de jantar para ver um episódio de alguma série que estejamos a seguir, mas há coisa de duas de semanas demos por nós a aguardar que nos emprestassem uma nova temporada e decidimos ver se haveria algum filme que nos tentasse. A mim saltou-me logo à vista o "The Prestige", do qual nunca tinha ouvido falar mas que tem como actores principais o Christian Bale, o Hugh Jackman (meus pequenos tesouros) e a Scarlett Johansson (da qual o Jack é fã, e eu nem por isso). A história fala-nos sobre dois mágicos obcecados em criar o melhor truque, a maior ilusão, entrando em dura competição um com o outro, com muitos enganos, falcatruas e vinganças pelo meio, enquanto tentam descobrir e estragar os truques criados pelo adversário. Adorámos o filme, mais uma vez os meus dois meninos não me deixaram ficar mal e acho que a prestação deles fantástica. O filme é de 2006, e para quem não o viu, aconselho vivamente.

14.6.14

Dúvidas culinárias

Isto de o Jack querer que eu sirva uma lasanha de atum e legumes a dois homens que me parecem ser mas é verdadeiros apreciadores de um bom bife deixa-me cá com umas dúvidas...Eu fazia um caril de frango, mas o homem insiste na lasanha, e eu já estou a ver os amigos dele a torcerem o nariz. Olhem, temos tremoços, cerveja e gelado, por isso não saem daqui de barriga vazia.

Receios

Ouve-se e lê-se muito a expressão "quando fores mãe, logo vês". Puxando bem pela memória, quase posso jurar que nunca os meus pais se lembraram de me dizer tal coisa, e hoje nos meus quase trinta anos, posso afirmar que não preciso de ser mãe para entender praticamente todas as decisões que os meus pais tomaram a meu respeito. Não digo que tenham feito tudo 100% bem e que nunca erraram, pois tal como todos os pais também tiveram as suas falhas, mas consigo perceber que estas foram realizadas sempre com o propósito de ser o melhor que podiam fazer a mim e ao meu irmão. Não preciso de ser mãe para compreender os castigos que nos foram dados, os "não" que ouvimos, as regras que nos eram impostas, mesmo que possa achar que uma ou outra era desnecessária ou não teve o efeito pretendido. A intenção era clara e correcta, e isso consigo compreender, sem ter de ter uma criança. E por esta mesma razão, a expressão "quando fores mãe, logo vês" não me dizia grande coisa. Até ter entendido que por muito que perceba os meus pais, não percebo os pais dos outros. Não entendo as atitudes que certos pais tomam, atitudes essas que me parecem fazer apenas parte de um grande puzzle ilógico que eu não consigo compreender. E quando me deparo com estas situações só me vem à cabeça que se calhar não compreendo porque não sou mãe, porque essa só pode ser a única razão para alguém como eu, com lógica e minimamente inteligente, não compreender as decisões tomadas pelos pais dos outros. E depois penso que isto de um dia ser mãe assusta, porque ou vou mesmo compreender tais atitudes ou vou ser uma mãe do piorio que não as compreenderá, não as fará e portanto correrá o risco de fazer um trabalho de caca. 

13.6.14

Mas isto sou eu a pensar assim....

Eu compreendo quem goste muito de animais e os veja como parte da família. Compreendo que receber um animal em casa seja equiparado a receber um novo membro da família, de quem é preciso cuidar e dar amor. Eu até compreendo quem olhe para os seus bichos e quase os sinta como seus filhos pois gostam deles, tratam deles, são uma companhia e uma ralação, mas não compreendo e confesso que me parece um absurdo total tratar os animais como se fossem de facto pessoas em miniatura. Comprar-lhes vestidinhos e sapatinhos, coroas e óculos de sol? Passear com eles em carrinhos de bebés e colocar-lhes chupetas? Mas a cegueira é assim tanta que não se apercebam que aquilo é um gato ou um cão, e que gatos e cães não usam roupa, nem óculos, nem chupetas? E se não me faz confusão que alguém me diga que aquele gato é como se fosse um filho (lá está, pela companhia, pelas preocupações) já torço o nariz a quem apresenta os animais como efectivamente "os meus filhos". A quem se refira à gata como "minha rica filha", a quem diga que já é mãe porque é dona de dois cachorros, a quem trate os gatos por filhotes e, pior, a quem apregoa alto e a bom som que é a "mamã" e o "papá" do canário lá de casa.  Há uns anos lembro-me de ter ouvido uma conversa, que não era nada comigo, em que alguém dizia que tinha de ir para casa porque o filho estava doente. A confusão na cara da outra pessoa mostrou claramente que algo de errado estava ali e obviamente veio a pergunta "Filho...?", dando a entender que a pessoa em questão não era mãe. A resposta veio rápida "Sim, o meu filho, o meu cãozinho!". E eu nunca mais esqueci aquilo, tendo percebido na altura que a linha que separa quem adora animais e quem se torna cego ao ponto de fazer figuras tolas é muuuuito ténue.

12.6.14

Alguém sabe?

Expliquem-me, por favor, a diferença entre loja e showroom. Num pode-se comprar e no outro não? Um tem horário de abertura e o outro só abre se os clientes fizerem marcações? Vejo cada vez mais pessoas a falar de showrooms, não entendo o conceito e eu não gosto de não entender as coisas. Por isso, elucidem-me, se faz favor. :)

Considerações finais II

Eu sou uma pessoa ansiosa, nervosinha, dada a insónias, crises de ansiedade e negativismos quando assim tem de ser, embora admita que nos últimos anos ande a fazer o esforço hérculo de me acalmar um pouco (isto está tudo dentro da nossa cabeça, certo?). Ao longo deste noivado tive os meus pais a estranhar tanta calma (vá, o noivo ainda aguentou alguns picos de stress, mas não ando assim tão calma que o cancelamento da quinta a três meses do casamento não mexa comigo) e dei por mim a dizer várias vezes "Bem, isto é só um casamento", frase que os deixavam ainda mais espantados. Já aqui referi que não vivi a minha vida à espera deste dia, que não preparei o casamento carregada de expectativas, não planeei tudo para ter o casamento perfeito mas sim um casamento de que eu gostasse. Eu sei que há quem sonhe com este dia e comece a planeá-lo ainda antes de ficar noiva ou cujos noivados duram dois anos porque acham que há muita coisa a tratar, mas confesso que até eu fico aflita quando leio nos fóruns (hei-de fazer um post sobre eles) pedidos de ajuda urgentes porque não estão a encontrar o vestido de noiva e já só falta...um e meio para o casamento. Ou noivas que seis meses antes já têm tudo menos ideias para o bouquet e estão aflitas porque o tempo escasseia. O problema destes fóruns é que alguém que seja um pouco menos relaxado e que três meses antes do casamento se lembre de ainda andar à procura de um fotógrafo, é alvo de não sei quantas críticas e avisos de que já não vai encontrar, que vai estar tudo ocupado. É preciso respirar fundo e relativizar as coisas. Se uma noiva quer uma carruagem cor-de-rosa com um cavalo pintado de cor-de-rosa, acho muito bem que procure, mas é preciso ver se vale a pena achar que o casamento vai ficar estragado caso não encontre. É só uma carruagem e um cavalo. No meu caso, era importante para mim que o carro do meu avô me levasse, e que fosse o meu avô a conduzir. Mas avisei logo: se algo acontecesse (o carro não pegar, por exemplo), não queria histerismos. Preferia mil vezes que, a acontecer algo de errado, que fosse o carro a falhar e não a presença dos meus avós. Esses sim eram importantes. E a família. E os amigos. E o noivo. São as pessoas que fazem o casamento. E eu podia ter casado com um lençol branco, o noivo de t-shirt e jeans, no quintal dos meus avós (hipótese estudada caso não se encontrasse alguma quinta, depois do cancelamento da primeira), com frango do churrasco como refeição que teria sido um casamento giro na mesma. É normal que se procure viver o dia como se quer (e nalguns casos, que sempre se sonhou), mas é bom que se relativize a importância dada às coisas. E é normal que se queira que o dia corra bem, mas sinceramente, porque é que não há-de correr? É só um casamento. :)

Como deixar o Jack em pânico

"Amoriiiiiiiiii, já não tenho espaço na estante para mais livros".

Ou isso ou passa-me o ipad para as mãos e diz-me "Tens bom remédio, passa a comprá-los e a lê-los aqui", como já uma vez me fez. Mas eu não quero, não quero, não quero. Quero livros a sério. E preciso de espaço para eles. Amoriiiiii......

11.6.14

A inveja é o quê?

O Jack diz que herdei do meu pai a costela de professora e que ralho e corrijo sem me dar conta. Raramente lhe dou razão, mas às vezes, só mesmo muito às vezes, penso que em certos momentos talvez esta minha costela dê mesmo um ar de sua graça. Como hoje, ao ver alguém escrever no facebook "A inveja é fud*da" (mas sem a entrelinha), dei por mim automaticamente a escrever "fod*da, queres tu dizer". E depois parei, porque 1) não comento as saídas brilhantes desta pessoa e 2) porque se eu própria não escrevo asneiras por que raio vou andar a corrigir as que os outros escrevem?

E eu, não sendo melhor que ninguém, também escrevo erros ortográficos. Irrita-me solenemente escrever aqui textos que são revistos por mim duas ou três vezes e depois de publicar, descubro-lhe um erro. Mas estas tiradas contra o mundo, a sociedade, o mal da vida em geral, quando mal escritas perdem a força e tornam-se simplesmente patéticas. Ou alguém leva a sério algo como "Portugueses, tenham forssa!" ou "Perfiro estar só que mal aqompanhada"?

Considerações finais I

E é assim que se acaba a rubrica "Little Details". Fui mostrando os pormenores, as decisões que tomámos e penso que pouco ou nada resta mostrar, mas se alguém se lembrar de algo é só dizer. Queria ainda dizer algumas coisas em relação ao casamento e uma delas é a questão de termos avançado com este passo estando eu desempregada. Foi obviamente um passo muito pensado, com muitas contas feitas e não nos atirámos de cabeça convencidos que o casamento se pagaria a si mesmo. Até porque no nosso caso, não pagou mesmo. As prendas oferecidas pelos convidados cobriram o gasto que tivemos com a quinta, o que só por si é óptimo e era aquilo para o qual estávamos à espera, mas posso dizer que nunca chegaria para pagar todas as despesas que tivemos. Obviamente que houve decisões e gastos que fomos tomando porque nos foram oferecendo algumas coisas, o que nos permitia assim ter mais folga para outras coisas. Um exemplo disso é o meu vestido, oferta dos meus pais e a única coisa que lhes perguntei se gostariam de me oferecer (pelo simbolismo que seria para mim ir com a minha mãe escolher o vestido e ser oferecido por ela). Eles aceitaram com muito gosto, mas tenho noção que foi um vestido caro e que se tivesse sido eu a pagá-lo teria escolhido um obviamente bem mais barato e com o dinheiro gasto no vestido teria prescindido de outras coisas que tive no casamento. Aos poucos o resto da família também quis participar na compra do bouquet ou no cabeleireiro ou na maquilhagem. A madrinha quis oferecer-me os brincos. E como é óbvio com estas pequenas ajudas, o dinheiro recebido no final da festa acabou por ter um saldo positivo para nós pois não arcámos com todos os gastos, e que muito jeito nos vai dar em projectos futuros. Ainda assim, o que quero ressalvar é que havendo um mínimo de dinheiro disponível e estando os noivos dispostos a ter uma festa à medida das suas posses, nada impede que um casamento não se realize. Nós não tivemos música contratada, não tivemos fogo-de-artifício, não tivemos animação infantil, não tivemos uma passadeira vermelha, não tivemos largadas de balões, não tivemos aulas de valsa, não tivemos mais convidados, porque não dava, porque não queríamos, porque não fazia sentido gastar dinheiro em certas coisas com um orçamento apertado como tínhamos. Por outro lado, decidimos dar-mo-nos ao luxo de ter cerca de oitenta convidados e não apenas vinte, de ter contratado uns bons fotógrafos, de ter oferecido lembranças, de termos gasto mais na lua-de-mel quando podíamos ter gasto menos, mas foi uma decisão nossa e não obrigatória. Se não nos tivéssemos dado a estes luxos, obviamente o dinheiro recebido teria coberto uma maior percentagem das despesas, mesmo que estas tivessem ficado 100% a nosso cargo. Posso garantir que se tivéssemos sido nós a pagar tudo, o vestido não teria sido aquele, os fotógrafos não teriam sido aqueles (mesmo que pagos por nós, demo-nos ao luxo de esticar o nosso orçamente neste campo uma vez que não teríamos de gastar dinheiro noutras coisas, como o vestido), os convidados teriam sido aqueles porque eram importantes para nós, embora os amigos saibam que houve muitas contas a serem feitas para saber se os poderia incluir ou se teria de me ficar pela família, não teria havido as máquinas descartáveis, nem as lembranças, nem aqueles bonecos de bolo, ou aquelas ementas e marcadores de mesa. E teria sido um casamento espectacular na mesma, pois não é o dinheiro que faz os casamentos serem o que são, mas sim as pessoas, e prova disso foi o nosso que sendo simples e íntimo correu exactamente como queríamos. Ou seja, em jeito de conclusão, a não ser que para vocês o casamento só faça sentido com uma festa de 300 convidados, num palácio e com uma carruagem puxada por cavalos brancos (porque pode apenas fazer sentido assim e têm esse direito), vale a pena fazer contas e planear bem as coisas e avançar se for caso disso, porque mesmo sendo os noivos a pagar tudo, com cedências tudo se consegue. Por outro lado, nada de embarcarem em grandes aventuras contando que as prendas e as ofertas vos valham, pois estamos em crise, nem todos podem ajudar, há ainda quem não goste de oferecer dinheiro e acreditem que candeeiros e serviços de louça não servem como meio de pagamento para as despesas que se tem.

10.6.14

A sério...

...que já passou um mês?


Tempestade

Esta noite parecia que o mundo ia acabar. Foi mais uma noite de tempestade, mas desta vez como eu nunca tinha visto. Os relâmpagos eram tantos que a sensação que dava era que se tratava de flashs de máquinas fotográficas constantemente a disparar, e por isso não havia qualquer diferenciação entre os trovões, havendo simplesmente um único rugido constante. O barulho e a luz eram tais que acordaram o Jack (a quem pode desabar o prédio que ele continuaria a dormir) e demos por nós à janela a ver este fenómeno da natureza, ao qual se juntou ainda a chuva e o granizo.

Quando me lembrei de filmar, já as coisas tinham acalmado um pouco mas dá para ter uma ideia dos relâmpagos. :)

Little Details #16 - Coisas nossas

O nosso casamento teve "coisas nossas". Teve a nossa fotografia a ser usada, teve os bonecos de bolo com história para nós, teve as músicas passadas durante o jantar que só para nós tinham significado, e teve outras que ainda aqui não contei e que se estendem à família. Começando pela família do Jack, houve um dia que a mãe dele me perguntou se já tinha comprado as amêndoas. Oi? Amêndoas? Isso não é para a Páscoa? Diz que não, que há a tradição de os convidados comerem amêndoas para dar sorte aos noivos. Confesso que nunca tinha ouvido tal, mas percebendo que a senhora gostaria de ver esta tradição cumprida e não me afectando nada a mim ter umas amêndoas por mesa, incumbi-lhe essa função. E no dia lá estavam elas, cada pratinho em sua mesa, com as amêndoas. Espero que os convidados tenham comido que nós queremos é sorte para o resto da vida. Mas a tradição não ficava por aqui e as amêndoas tinham de ser complementadas com o lançar de pétalas aos noivos. Explicámos que o Mosteiro não permite que sejam lançadas pétalas ou arroz aos noivos e que por isso não daria para o fazer. Mas vendo a cara da senhora lá lhe dissemos que se assim o entendesse poderia lançar as pétalas à chegada dos noivos à quinta, o que de facto aconteceu, deixando a senhora feliz e a nós também.



Para as alianças, nenhum de nós queria algo com brilhantes, plumas, almofadas, etc, e uma vez que não encontrávamos nada que nos agradasse, já ponderávamos simplesmente usar a caixa onde as alianças vinham. No entanto, a minha mãe tendo conhecimento desta nossa indecisão, lembrou-se que a minha tia tinha tido o mesmo problema e tinha levado uma salva de prata. Entre o leque das salvas de pratas da família, escolhemos por acaso exactamente a mesma usada no casamento da minha tia (o bom gosto é portanto familiar). Depois, uma vez que as nossas alianças são exactamente iguais em termos de formato e tamanho, e sendo a gravação feita no seu interior a única coisa que as distingue, foi colocada uma fitinha branca à volta da minha aliança de forma a não se perder tempo na cerimónia e não se ter de dizer "Espere aí Senhor Padre que agora temos de ver qual é qual!".


O meu bouquet não foi atirado pois eu não acho assim tanta graça à tradição e com o meu jeitinho já estava mesmo a ver que ia ficar preso nalgum candeeiro ou aterrar na cara de alguém. Assim, foi dado à minha avó que o ofereceu a Nossa Senhora, à qual fui apresentada por ela no dia do meu baptismo. 

Por fim, a minha grande paixão: o carro dos noivos pertencente ao meu avô. Este carro existe desde que me lembro, o meu avô faz o gosto aos netos e de vez em quando passeia-nos com ele e tem também servido para transportar as noivas da região, o que como é óbvio fez com que eu crescesse com a ideia de que quando um dia me casasse seria aquele o carro que me transportaria. Assim foi e tive o melhor chauffeur do mundo naquele dia.



9.6.14

São Pedro anda novamente nos copos

Tem estado um calor que não se pode, alternando entre dias de sol que esturram a cabeça e tempestades barulhentas. Hoje às 15h30 as nuvens eram tão pretas e a escuridão tão grande que me vi obrigada a acender as luzes de casa para fazer as minhas coisas. Tempo esquisito, este....

Little Details #15 - As máquinas descartáveis

O nosso casamento não tinha propriamente um tema nem nós nos demos ao trabalho de inventar um de forma a que tudo tivesse a ver com ele. Sinceramente, acho que a escolha de um tema em muito pode facilitar a vida dos noivos mas também pode dificultar imenso. Em qualquer fórum se vê noivas aflitas porque têm como tema "os budas", "as caravelas", "os anjos", "os sentimentos" e o diabo a sete, e não conseguem ter ideias de algo relacionado com isso e que personalize o casamento. No nosso, se fosse obrigada a dizer um tema, acho que seria "fotografia", devido à fotografia usada no convite, no puzzle que serviu para marcadores de mesa e...às máquinas fotográficas descartáveis. Acho que esta foi a primeira decisão do casamento, ainda antes de termos data, igreja ou quinta. Queríamos máquinas descartáveis no nosso casamento! Isto porque confiando obviamente no trabalho dos fotógrafos, queríamos também dar a oportunidade aos convidados de tirarem fotos originais e quem sabe captar momentos que não fossem captados pelas objectivas dos fotógrafos. Cada mesa tinha a sua máquina e pelo que sei os meus pais já as mandaram revelar. Sei que em cada máquina poucas fotografias se aproveitarão por estarem desfocadas ou por o flash não ter funcionado, mas se conseguir aproveitar algumas então já valeu a pena. E mesmo que nenhuma se aproveitasse, não deixaria de sentir que as máquinas fizeram o seu trabalho pela dinâmica que se criou entre os convidados (eu estou para ver as selfies e belfies que por lá vão aparecer, ou aquelas que foram tiradas de cabeça para baixo). Não me arrependo nada de as ter arranjado e estou curiosa com o que vai sair dali. :)



8.6.14

Na saúde e na doença, mas não exageremos...

O meu querido marido deve ter pensar que com o casamento temos de partilhar tudo, tudinho, e assim depois de uma semana doente comigo a lembrá-lo dos medicamentos, a fazer-lhe cházinhos e a tratar dele, fez o querido favor de me passar a doença. Agora está para aqui pronto para outra e eu sem saber se me queixo primeiro da cabeça, da garganta, do nariz, dos ouvidos ou da má-disposição geral. Volta a ficar doente, volta, que vais dormir para o sofá.

Little Details #14 - Os marcadores de mesa

Este foi o ponto em que definitivamente demorámos a estar de acordo. Eu tinha pensado usar fotografias nossas, o Jack queria usar fotografias famosas. Eu queria usar uma fotografia nossa com diferentes tratamentos, ele também queria isso mas usando uma outra fotografia qualquer. Pusemos a ideia das fotografias de lado e começámos a mandar ideias para o ar: e se cada mesa fosse um animal? Um pássaro? Um carro? Uma cidade? Um monumento? Uma cor? Cada ideia lançada por um fazia o outro torcer o nariz. Claro que havia sempre a hipótese de cada mesa ser um número, mas nós queríamos mesmo arranjar uma alternativa e com algo que tivesse a ver connosco. Até que nos lembrámos da minha paixão pela construção de puzzles e pelo gosto dele em os ver emoldurados, e nem pensámos duas vezes: mandámos fazer um puzzle com a fotografia usada nos convites e a cada mesa foi atribuída uma peça. Os convidados tinham assim de procurar nas mesas qual aquela que tinha o desenho da peça igual ao que estava junto aos nomes. Em cada mesa foi também colocada a verdadeira peça para que os convidados se deslocassem com ela à mesa dos noivos e a colocassem no tabuleiro que lá estava, de forma que no fim o puzzle ficasse completo e tivesse sido construído, não por nós, mas por aqueles que ali estavam a comemorar connosco este passo tão importante das nossas vidas.


7.6.14

Alguém me explica

Qual é a vantagem que alguém tem em denegrir a minha imagem no local onde já trabalhei, do qual já saí há uns anos e para qual não há expectativas de um dia voltar? Para quê inventar mentiras sobre mim a quem desempenha o mesmo papel que eu desempenhei, mesmo sabendo que facilmente a verdade será dita por outras pessoas? A importância que me é dada é assim tanta? É que eu, que tento sempre encontrar a lógica das coisas, sinto que desta vez a explicação me está a passar ao lado, mas bem ao lado.

Little Details #13 - As lembranças

Quando começámos a planear o casamento, decidimos que só haveria lembranças se as encontrássemos facilmente. Pessoalmente, não acho que as lembranças sejam obrigatórias num casamento, não acho que quem vai ver os familiares ou amigos casar deva estar à espera de levar alguma coisa para casa, ainda por cima muitas vezes algo inútil e que só ocupa espaço. Por isso não queria perder horas de vida à procura das lembranças perfeitas. Para as senhoras encontrei facilmente: sendo o casamento em Alcobaça, encontrei uma empresa da zona que faz doces regionais e a um preço muito convidativo. Ainda por cima, as embalagens de doce tinham a tampa coberta por chita de Alcobaça, o que tornava tudo ainda mais mimoso. Encomendámos então doce de abóbora e colámos em cada pote um dos autocolantes feitos pela Molde Design Wedding. Para os homens, achei eu, a ideia seria mais simples: pedir ao avô que me cedesse um pouco de licor de ginga de Alcobaça produzido por ele. Mas para mal dos meus pecados, este ano o licor não lhe saiu bem e ele nem quis pensar em distribuí-lo pelos convidados. Pedi-lhe então que me fizesse o favor de ir a uma das empresas que conhece e que me comprasse garrafinhas para oferecer. Satisfeito por participar, tratou logo disso e dias mais tarde recebi um telefonema do meu pai a dizer para ligar ao meu avô porque ele andava com umas "ideias". Liguei, e ele todo entusiasmado perguntou-me se podia mandar fazer uns saquinhos de chita de Alcobaça para guardar as garrafinhas, e uns cartões com a data do casamento. Quando aceitei, riu-se e disse-me logo "Ainda bem, porque já mandei fazer tudo". Com a chita que sobrou, ainda mandou fazer um avental para mim que agora guardo aqui com muito carinho como recordação desse dia e deste meu avô tão fofo. No chinês comprei dois cestos e avisei logo a família que não queria tules e lacinhos e brilhantes a enfeitá-los. A minha mãe deu então a ideia de se cobrir o fundo do cesto com um quadrado de chita de Alcobaça. Meu dito, meu feito. Umas lembranças simples nuns cestos simples, mas muito ligadas à terra que nos viu casar.


6.6.14

É que fico mesmo

Sou só eu que fico extremamente mal impressionada quando vejo bloggers a não responder às perguntas que lhes são feitas nas caixas de comentários? Uma ou outra até nem incomoda porque às vezes são tantos comentários que acredito que uma pessoa se perca um pouco e se esqueça de ir responder àquela questão colocada, mas constantemente? E pior, tenho a sensação que quanto mais visitas e seguidores têm, menos atenção dão aos comentários.

Little Details #12 - O Mosteiro

Quando era miúda fazia parte dos escuteiros e cheguei a participar no ofertório, algo que eu gostava muito, mas que tinha o problema de me dar um ataque de riso quando tinha de caminhar ao longo da nave para deixar as cestinhas de dinheiro junto ao padre. Por isso mesmo, sempre disse que queria casar numa igreja que tivesse uma nave pequena de forma a não chegar ao pé do noivo com lágrimas de riso a escorrer-me pela cara abaixo. Por mim teríamos casado na igreja onde fiz toda a minha catequese, mas o Jack não gosta dela, e casar na igreja da terra dele estava fora de questão para os dois. Assim, a hipótese seguinte seria o Mosteiro de Alcobaça, onde fui baptizada e lugar pelo qual tenho um carinho especial. O Jack concordou sem problemas e foi assim que começámos os preparativos para casar num sítio com cerca de 100 metros de nave. Felizmente correu tudo bem, eu não desatei a rir, lembro-me de ir com um sorriso de orelha a orelha porque estava feliz da vida por ir casar com ele e por ter ali os amigos e família reunidos por nossa causa, embora tenha tido de olhar a certa altura para o chão e pensar "Nem te atrevas a chorar!" por ter visto uma amiga de lágrimas nos olhos (ia-me estragando a compostura, pá :)). A decoração da igreja foi mais uma coisa que poupámos. O Mosteiro tem uma série de regras quanto à colocação de flores e sendo um mosteiro tão grande, ou gastaríamos muito dinheiro para o decorar ou os pequenos arranjos de flores perder-se-iam naquele cenário. Aliás, quando fomos visitar o mosteiro, estava um casamento a decorrer e os noivos tinham optado por colocar algumas flores, que eu vi mas que o Jack assegura não ter visto. Além do mais, e isto é obviamente a minha opinião pessoal por adorar aquele mosteiro, acho-o absolutamente maravilhoso sem necessidade de ser enfeitado. Outro pormenor engraçado é que o mosteiro não é fechado ao turistas enquanto decorrem casamentos de modo que mal entrei no mosteiro fui imediatamente cercada por um grupo estrangeiro que me tirava fotos, facto que ajudou muito a tirar o possível stress de cima, e ao longo da cerimónia houve também turistas a fotografar. Algures espalhadas por esse mundo estarão fotografias destes dois tolos que num dia de Maio se casaram.






5.6.14

Cheguei ao meu ponto de saturação

Depois de um dia inteiro a ouvir música dos vizinhos, bater de portas, gritos de crianças, miados furiosos (nem imagino o que estariam as criancinhas a fazer ao gato), discussões e mais uma vez o raio de um skater ou lá o que é no apartamento acima de nós; depois de um dia inteiro em que o meu cérebro se foi transformando em água; depois de um dia inteiro a pensar que com esta gente não vale a pena conversar, que não vale a pena explicar que vivem em apartamento e que há vizinhos que têm de respeitar; depois de ter saído e ter visto as escadas cheias de terra, garrafas pousadas onde os carros estacionam, caixotes do lixo tombados, e o pessoal todo literalmente à espera que eu ou o Jack mais uma vez tratemos de tudo, depois de um dia assim, juntei-me a eles. Não consigo ser imunda como eles, mas da música não se safam. Com as colunas no máximo tenho-lhes dado a conhecer os Abba, Adriana Calcanhoto, músicas da Disney e neste momento "The Great Pretender". Quando o Jack chegou a casa só disse "Elá, hoje temos festa cá em casa?" e "Recuso-me a limpar mais uma vez o que esta gente sujou. Por mim fica assim até algum deles se lembrar de limpar". Não sei o que escolha a seguir...Que tal ir ao Youtube procurar Amália Rodrigues?


Eu e ela

Tenho uma conhecida no facebook com quem me dou na vida real só porque as circunstâncias da vida assim me obrigam. Ela não gosta de mim e eu não gosto dela, e isso é ponto assente, pelo menos para mim. No facebook não lhe dou cavaco nenhum, não meto "likes", não comento fotografias, nada de nada, e rio-me quando, ao não lhe fazer qualquer vontade na vida real, me bloqueia o acesso à sua página. Depois não obtendo qualquer reacção minha, volta a dar-me o dito acesso. E é assim a nossa relação facebookiana: bloqueia-me, não me bloqueia, bloqueia-me, não me bloqueia. Nenhuma de nós comenta isto, eu porque no fundo quero lá saber, e ela porque...sei lá porquê. Mas quando não estou bloqueada, rio-me com as frases colocadas no seu mural. É preciso ver que ela é daquelas pessoas que afasta os outros por se achar muito esperta e por tentar constantemente que estes lhes façam as vontades, enganando-os. Há quem ainda caia, há quem não, como eu, porque às tantas uma pessoa aprende e consegue manter as devidas distâncias. Assim, rio-me, quando alguém como ela, que com o seu feitio retorcido consegue fazer com que toda a gente fuja dela, coloca frases do estilo "Ingratidão é o que se recebe quando nos preocupamos com quem não merece" ou "Com o passar do tempo damos conta que foi bom perder certas pessoas". E eu tenho vontade de comentar com um "Ahahahahahah", mas tenho receio de ser mais uma vez bloqueada e deixar de ver estas pérolas. Assim sorrio e aguardo que um dia a vida lhe ensine que as pessoas não se afastam dela por não a merecerem ou por serem ruins, mas sim porque são inteligentes e sabem que certas companhias não nos trazem nada de bom à vida.

Little Details #11 - O bolo e os bonecos

O bolo, caso não se lembrem, foi pura e simplesmente esquecido durante uns tempos. Já tínhamos os bonecos e estávamos tão satisfeitos com isso que nem nos lembrávamos que era necessário um bolo onde os colocar. Por fim, o bolo foi escolhido via internet, na pastelaria que trabalha com a quinta e que seria oferecido por esta mesma. Os nossos únicos requisitos eram: bolo branco e simples. Nada de folhos, nada de flores, nada de coisas a caírem por ali abaixo, nada de andares e pontes, nada de coisas originais, na verdade. Queríamos um bolo bonito e simples. Lá encontrámos no site da pastelaria o que queríamos e pedimos para ser feito com dois andares, cada um com a sua massa e recheio. O andar de baixo era então bolo chiffon de chocolate (escolhido por mim claro) e o de cima de massa folhada com recheio de doces silvestres (escolhido pelo Jack). Claro que para minha grande infelicidade quando se começa a cortar o bolo, tem de ser pela camada de cima e foi essa mesma que provei. Quando me lembrei ao final da noite de comer uma fatia da camada de baixo, já o bolo tinha sido arrumado numa caixa. Resta-me esperar um ano pois seguindo a tradição congelámos uma fatia de bolo que descongelaremos daqui a um ano e comeremos.

Quanto aos bonecos, tenho de admitir que houve ali uma fase em que achei que não teríamos bonecos nenhuns. Eu não queria bonecos personalizados pois acho-lhes piada mas não para o topo de bolo dos noivos e procurava daqueles bonecos mais comuns, mais normais, mas todos os que encontrava eram feiinhos que doíam, mal pintados ou toscos. Até que na minha busca encontrei uns bonequinhos da colecção "Me to You" e mal olhámos para eles, percebemos que tínhamos encontrado os nossos bonecos. Isto porque nos primeiros anos de namoro eu tinha a tradição de uma vez por ano, por brincadeira, oferecer um urso destes ao Jack. Não havia nenhuma data em especial, nenhum momento especial, a única regra era ser um urso por ano. Até que a loja onde eu os comprava fechou e nunca mais lhe ofereci nenhum. Mas os quatro oferecidos estão guardados como lembrança daquela brincadeira e por isso este topo de bolo foi escolhido como recordação daqueles primeiros anos de namoro. :)





4.6.14

Mas quem é que os manda fazer o que não devem....

O Jack ri-se que nem um perdido e o banco continua a brincar comigo. Não bastava terem feito a asneira de me mudar o nome das contas, ainda tenho de receber e-mails em que sou tratada por Madame Apelido-Dele. Ontem chateei-me e vai de mandar um e-mail à minha gestora de contas, a responsável pela asneira, com uma mensagem muito simples e clara, do estilo:

"Sou a titular das contas mencionadas e não me chamo Madame Apelido-Dele. O seu banco lembrou-se de alterar o meu nome sem sequer falar comigo. Agradeço que esta situação seja imediatamente corrigida."

Assim, sem mais explicações, sem o Jack me corrigir o francês, sem indicar qual o nome correcto, nada de nada. Diz o Jack que sou capaz de receber um telefonema a propósito deste assunto. E eu já estou a ensaiar a resposta:

"Fofinha do meu coração, não precisou de me ligar para fazer a asneira, pois não? Então agora não me incomode para a resolver."

Com isto tudo, estou convencida que terei de lá ir pessoalmente porque já percebi que esta gestora tem as suas ideias e não abdica deles. Já estranhou o facto de o Jack querer fazer um crédito sem mim e agora percebendo que não adoptei o apelido dele, ainda é menina para suspeitar que o casamento é falso.

Ainda bem que ele anda a acordar sozinho...=P

Desde que nos casámos que não me lembro de haver um dia em que tenha acordado com o despertador. Muito pelo contrário já cheguei ao ponto de o Jack me acordar a avisar que o despertador está a tocar e até demasiado alto. Acho que neste momento o homem deve estar a fazer contas à vida e a achar que eu o andei a enganar durante nove anos com esta história de sono leve e de bastar um leve bater de asas de uma mosca para me acordar. Eu, que no último ano sempre tive a tarefa de o acordar todas as manhãs, tenho falhando redondamente e não há nada que me acorde. Afinal o casamento muda algumas coisas, muda. =P

Little Details #10 - Prendinhas!

Vamos lá para a parte das prendinhas, sim? Ora pois então que quando se começa a planear um casamento uma pessoa nunca sabe se vai receber envelopes, prendas ou nada (por isso não contem mesmo com o que quer que seja porque o tiro pode sair-vos pela culatra). No nosso caso não fizemos lista de casamento pois já temos casa montada e mesmo que nos passasse pela cabeça pedir um faqueiro, um serviço completo da Vista Alegre ou da Spal, ou conjuntos de lençóis de seda, a verdade é só uma: não teríamos espaço para guardar tudo isso, além da complicação que seria trazer as prendas para França a seguir ao casamento. Ainda falámos na possibilidade de, se alguém quisesse, participar na viagem de lua-de-mel, abrindo uma espécie de conta numa agência de viagens. O problema? Fizemos nós as marcações todos via internet sem recorrer a agência nenhuma. E depois, sejamos sinceros, num casamento em que uma das pessoas está desempregada, o dinheiro é o que mais agrada e mais faz falta.
Ainda assim, tivemos quem decidisse oferecer-nos prendas e estou pura e simplesmente de coração partido por ter sido obrigada a deixá-las em Portugal e ter de esperar pelas férias de Verão em que a viagem será feita de carro para França e aí sim as poderei trazer. O pai do Jack não gosta de viajar com a mala do carro muito cheia, mas comigo nunca tem grandes hipóteses com os livros e roupa que costumo querer trazer, e cheira-me que quando lhe apresentar as prendas do casamento que terá de enfiar na mala, é homem para perguntar ao Jack se acha mesmo que casou com a mulher certa. Mas como só terei de lidar com isto daqui a uns tempos, vamos então mostrar as prendinhas!


Raclette! Esta foi a única prenda pedida por nós. Ok, mais por mim, confesso, que sou fã adorada deste instrumento e salivo quando vou a casa dos pais ou irmão do Jack e me dizem que o prato será raclette. Andava a namorar a ideia de ter uma desde que vim para França e finalmente estou quase a ter a menina dos meus olhos aqui em casa. Coitada da família do Jack, acho que ainda não se apercebeu que não vai comer outra coisa nos próximos cinco anos.

Este conjunto maravilhoso de chávenas de café da Vista Alegre (Alma de Lisboa). Cada chávena com o seu desenho e com os pires a imitar a calçada à portuguesa com diferentes motivos.


O açucareiro da mesma colecção. E eu que não bebo café e portanto não vou dar uso próprio às chávenas, cheira-me que vou mas é usar o açucareiro para guardar m&m's só para lhe poder dar uso todos os dias.



Este coração lindo para pendurar :)





Uma caixa para o chá, em pau preto, trazida pela minha tia de Moçambique. Uma caixa com as nossas iniciais e na qual ela ainda mandou gravar na base a data do nosso casamento. Há prendas assim, especiais.

O resto foram os famosos envelopes e felizmente não fomos vítimas dos envelopes vazios. A crise toca a todos e preferia ter amigos e família que não dessem nada mas que estivessem ali comigo, sem enganos ou vergonhas. Tivemos muitos postais com palavras bonitas e até direito a cartas e fotografias antigas. Também deixei tudo isto em Portugal mas quero trazer e colocar numa caixa com outras pequenas coisas do nosso casamento. Porque mesmo as palavras escritas foram escritas com o coração e isso será sempre uma memória a guardar.